No Egipto antigo, 3.750 anos
antes de Cristo, a estrela Sirius
alinhava-se com a estrela Canopus no
rumo Sul ao centro da Via-Láctea;
exactamente às zero horas sobre as
Pirâmides de Guiza. O calendário
egípcio deu lugar ao cristão.
A comemoração ocidental tem origem
num decreto do governador romano
Júlio César, que fixou o 1º de
Janeiro como o Dia do Ano-Novo, em
46 antes de Cristo. Os romanos
dedicavam esse dia a Jano, o deus
dos portões. O mês de Janeiro,
deriva do nome de Jano, que tinha
duas faces - uma voltada para frente
e a outra para trás. Nas culturas
ocidentais nas quais o ano começa no
1º de Janeiro.
Em Portugal, na cidade do Porto a
celebração mais famosa é a da
Avenida dos Aliados em que toda a
gente espera o novo ano, atentos no
relógio da Câmara Municipal do
Porto, memorável pelo seu fogo de
artifício cruzando os edifícios, e
pelos concertos populares Na Região
Autónoma da Madeira, onde o fim de
ano é provavelmente o dia mais
festivo durante o ano. O reveillon
na principal cidade, Funchal, é um
dos mais famosos do mundo, estando o
espectáculo de fogo de artifício no
livro de recordes do Guinness como o
"maior espectáculo pirotécnico do
mundo". Este espectáculo ganha
especial interesse pois o Funchal é
uma cidade em anfiteatro, onde as
pessoas espalham-se numa área com
mais 17 km e com mais de 600 metros
de altitude. A cidade recebe ainda
na orla marítima dezenas de navios
de cruzeiro, o que aumenta o
ambiente de festa. Durante 5 dias a
ilha recebe mais de cinquenta mil
turistas, que aproveitam para, mesmo
em Dezembro, banharem-se nas águas
temperadas do arquipélago e
apanharem algum sol. À noite, ainda
há tempo para vislumbrar as inúmeras
decorações de cambiantes luzinhas
que se espalham por quase todas as
ruas da cidade.
Em outros países:
Em Nova Iorque, a celebração mais
famosa de Ano-Novo é a de Times
Square - onde uma bola gigante
começa a descer às 23 horas e 59
minutos até atingir o prédio em que
está instalada, marcando exactamente
zero-hora (00:00:00).
No Rio de Janeiro, a celebração mais
famosa é a dos fogos de artifício em
Copacabana. Milhões de cariocas e
turistas de todo o mundo juntam-se
nas ruas à beira-mar e nas praias
para assistirem ao longo espectáculo,
que começa pontualmente à meia-noite
do novo ano.
Em São Paulo, a avenida Paulista é o
palco de atracções e queima de
fogos. São milhões de pessoas que se
juntam ao longo do principal centro
financeiro da metrópole para
celebrar a entrada de um novo ano.
Em 31 de Dezembro de 2008, a festa
reuniu 2 milhões e 400 mil pessoas,
sendo que mais de 100 mil eram
turistas, registando um novo recorde
para o evento.
Na Escócia há muitos costumes
especiais associados ao Ano-Novo -
como a tradição de ser a primeira
pessoa a pisar a propriedade do
vizinho, conhecida como
first-footing (primeira pisada). São
também dados presentes simbólicos
para desejar boa sorte, incluindo
biscoitos.
Na Espanha, exactamente à
meia-noite, as pessoas comem doze
uvas, uma a cada badalada do relógio
da Puerta del Sol, localizada em
Madrid.
Em muitos países, as pessoas têm o
costume de soltar fogos de artifício
em suas casas, como é o caso de
Portugal, do Brasil, dos Países
Baixos e de outros países europeus.
Muitas pessoas tomam decisões de
Ano-Novo, ou fazem promessas de
coisas que esperam conseguir no novo
ano. Elas podem desejar perder peso,
parar de fumar, economizar dinheiro
e arrumar um amor para suas vidas.
Em países de língua inglesa, cantar
e/ou tocar a música Auld Lang Syne é
muito popular logo após a
meia-noite.
O Ano-Novo chinês é adoptado por
diversas nações do Oriente que
seguem um calendário tradicional
distinto do Ocidental, o Calendário
chinês. As diferenças entre os dois
calendários fazem que a data de
início de cada Ano-Novo chinês caia
a cada ano em uma data diferente do
calendário ocidental. Os chineses
relacionam cada novo ano a um dos
doze animais que teriam atendido ao
chamado de Buda para uma reunião.
Apenas doze se apresentaram, Buda em
agradecimento os transformou nos
signos da Astrologia chinesa. Os
doze animais do Horóscopo chinês a
que correspondem os anos chineses
são, de acordo com a ordem que
teriam se apresentado a Buda na
lenda acima citada: rato, búfalo,
tigre, coelho, dragão, cobra,
cavalo, cabra, macaco, galo, cão e o
javali. Desta forma, se 2008 é o ano
do rato, 2009 é atribuído ao Boi
(búfalo), 2010 ao Tigre, e assim por
diante. Buda não deixou nada
escrito. De acordo com a tradição
budista, ainda no próprio ano em que
o Buda faleceu teria sido realizado
um concílio na cidade de Rajaghra
onde discípulos do Buda recitaram os
ensinamentos perante uma assembleia
de monges que os transmitiram de
forma oral aos seus discípulos.
Porém, a historicidade deste
concílio é alvo de debate: para
alguns este relato não passa de uma
forma de legitimação posterior da
autenticidade das escrituras. Por
volta do século Iº antes de Cristo,
os ensinamentos do Buda começaram a
ser escritos. Um dos primeiros
lugares onde se escreveram esses
ensinamentos foi no Sri Lanka, onde
se constitui o denominado Cânone
Pali. O Cânone Pali é considerado
pela tradição Theravada como
contendo os textos que se aproximam
mais dos ensinamentos do Buda. Não
existem contudo no budismo um livro
sagrado como a Bíblia ou o Alcorão
que seja igual para todos os
crentes; para além do Cânone Pali,
existem outros cânones budistas,
como o chinês e o tibetano. O cânone
budista divide-se em três grupos de
textos, denominado "Triplo Cesto de
Flores" (tipitaka em pali e
tripitaka em sânscrito): Sutra
Pitaka: agrupa os discursos do Buda
tais como teriam sido recitados por
Ananda no primeiro concílio.
Divide-se por sua vez em vários
subgrupos; Vinaya Pitaka: reúne o
conjunto de regras que os monges
budistas devem seguir e cuja
transgressão é alvo de uma
penitência. Contém textos que
mostram como surgiu determinada
regra monástica e fórmulas rituais
usadas, por exemplo, na ordenação.
Estas regras teriam sido relatadas
no primeiro concílio por Upali;
Abhidharma Pitaka: trata do aspecto
filosófico e psicológico contido nos
ensinamentos do Buda, incluindo
listas de termos técnicos. Quando se
verificou a ascensão do budismo
Mahayana esta tradição alegou que o
Buda ensinou outras doutrinas que
permaneceram ocultas até que o mundo
estivesse pronto para recebê-las;
desta forma a tradição Mahayana
inclui outros textos que não se
encontram no Theravada.
Ano Novo no Judaísmo: Dentro da
tradição rabínica, o Rosh Hashaná
ocorre no primeiro dia do mês de
Tishrei, primeiro mês do ano no
calendário judaico rabínico e sétimo
mês no calendário bíblico. A Torá
refere-se a este dia como o Dia da
Aclamação (Yom Teruá Levítico
23:24), pelo que os judeus caraítas
seguem esta data mas não o
consideram como princípio do ano. Já
a literatura rabínica diz que foi
neste dia que Adão e Eva foram
criados e neste mesmo dia incorreram
em erro ao tomar da árvore da
ciência do bem e do mal. Também
teria sido neste dia que Caim teria
matado seu irmão Abel. Por isto
considera-se este dia como Dia de
Julgamento (Yom ha-Din) e Dia de
Lembrança (Yom ha-Zikkaron), o
início de um período de introspecção
e meditação de dez dias ( Yamim
Noraim) que culminará no Yom Kipur,
um período no qual se crê o Criador
julga os homens. A comemoração é
efectuada durante os dois primeiros
dias de Tishrei conforme o costume
pós-exílico para se garantir a
comemoração no dia correcto nas
comunidades da Diáspora. A
celebração começa ao anoitecer na
espera com o toque do shofar. É
costume se comer certos alimentos
representativos durante o Rosh
Hashaná como maçãs com mel e açúcar
para representar um ano doce. Também
se come "Rosh shel Dag", cabeça de
peixe. Esse alimento incentiva a
começar um ano bom com a cabeça, a
parte mais alta do corpo. Durante a
tarde do primeiro dia se realiza o
tashlikh, um costume de recitar-se
certas preces e jogar pedras ou
pedaços de pão na água como um
símbolo da eliminação dos pecados.
Durante os Yamim Noraim muitas
orações (selichot) e poemas
religiosos ( piyuttim) são entoados
junto com as orações normais.
O ano judaico se inicia em Setembro
ou Outubro. Segundo a tradição
judaica foi nessa data que Deus
criou o mundo de Adão, o primeiro
homem. Rosh Hashaná, também chamado
Dia do Julgamento, da início a um
período de julgamento para a
humanidade, que termina em Hoshana
(sétimo dia da festa de Sukot),
quando Deus senta em seu trono e
determina o destino de cada
indivíduo no ano em que se inicia.
No dia 29 de Dezembro, o calendário
islâmico entrará no ano 1430. O
calendário dos muçulmanos, baseado
nas fases da lua, é composto por 12
meses, como o gregoriano, sendo que
cada mês tem 29 ou 30 dias. O início
da contagem se deu com a migração do
profeta Mohammad para Medina, onde
fundou o primeiro estado islâmico,
no ano de 622 depois de Cristo. A
mudança dos meses se dá quando
observada pela primeira vez a lua
crescente após o pôr-do-sol. A cada
ano o calendário islâmico retrocede
alguns dias em relação ao calendário
gregoriano. Isso ocorre porque o
calendário lunar tem aproximadamente
11 dias a menos no ano do que o
calendário solar.
O calendário Gregoriano promulgado
pelo Papa Gregório XIII a 24 de
Fevereiro do ano 1582 para
substituir o calendário juliano.
Gregório XIII reuniu um grupo de
especialistas para reformar o
calendário juliano e, passados cinco
anos de estudos, foi elaborado o
calendário gregoriano, que foi sendo
implementado lentamente em várias
nações. Oficialmente o primeiro dia
deste calendário foi 15 de Outubro
de 1582. Segundo o calendário
gregoriano. O calendário gregoriano
é o que hoje em dia se usa e
distingue-se do juliano porque:
Omitiram-se dez dias (de 5 a 14 de
Outubro de 1582).
Corrigiu-se a medição do ano solar,
estimando-se que este durava 365
dias solares, 5 horas, 49 minutos e
12 segundos, o equivalente a
365,2425 dias solares. Acostumou-se
a começar cada ano novo em 1 de
Janeiro. Nem todos os anos
seculares são bissextos. Para um ano
secular ser bissexto tem de ser
múltiplo de 400. Deste modo,
evita-se a diferença (atraso) de
três dias em cada quatrocentos anos
existente no calendário Juliano
(01). A mudança para o calendário
gregoriano deu-se ao longo de mais
de três séculos. Primeiramente foi
adoptado por Itália, Portugal,
Espanha e França; e de modo
sucessivo, pela maioria dos países
católicos europeus. Os países onde
predominava o luteranismo e o
anglicanismo tardariam a adoptá-lo,
caso da Alemanha (Baviera, Prússia e
demais províncias) em 1700 e Reino
Unido (Inglaterra) em 1751. A
adopção deste calendário pela Suécia
foi tão problemática que gerou até o
dia 30 de Fevereiro. A China
aprova-o em 1912, a Bulgária em
1917, a Rússia em 1918, a Roménia em
1919, a Grécia em 1923 e a Turquia
em 1927.
De onde advém os nomes dos meses:
Janeiro: Jano, Deus romano das
portas, passagens, inícios e fins.
Fevereiro: Februus, Deus etrusco da
morte; Februarius (mensis), "Mês da
purificação" em latim, parece ser
uma palavra de origem sabina e o
último mês do calendário romano
anterior a 450 a. C.. Relacionado
com a palavra "febre".
Março: Marte, Deus romano da guerra.
Abril: Os estudiosos modernos
associam o nome a uma raiz antiga
com o significado de 'outro', isto
é, outro mês que não Março.
Maio: Maia Maiestas, Deusa romana.
Junho: Juno, Deusa romana, esposa do
deus Júpiter.
Julho: Júlio César, ditador romano.
O mês era anteriormente chamado
Quintilis, o quinto mês do
calendário de Rómulo.
Agosto: Augusto, primeiro imperador
romano. O mês era anteriormente
chamado Sextilis, o sexto mês do
calendário de Rómulo.
Setembro: septem, "sete" em latim; o
sétimo mês do calendário de Rómulo.
Outubro: octo, "oito" em latim; o
oitavo mês do calendário de Rómulo.
Novembro: novem, "nove" em latim; o
nono mês do calendário de Rómulo.
Dezembro: decem, "dez" em latim; o
décimo mês do calendário de Rómulo.
(01) O ano Juliano começou 46 antes
de Cristo. Júlio César, percebendo
que as festas romanas em comemoração
à estação mais florida do ano,
marcadas para Março (que era o
primeiro mês do ano), caíam em pleno
Inverno, determinou que o astrónomo
alexandrino Sosígenes corrigisse o
calendário. As modificações
realizadas a partir desses estudos
modificaram radicalmente o
calendário romano: dois meses,
Unodecembris e Duocembris foram
adicionados ao final do ano de 46
antes de Cristo, deslocando assim
Januarius e Februarius para o início
do ano de 45 antes de Cristo. Os
dias dos meses foram fixados numa
sequência de 31, 30, 31, 30... de
Januarius a December, à excepção de
Februarius, que ficou com 29 dias e
que, a cada três anos, teria 30
dias. Com estas mudanças, o
calendário anual passou a ter doze
meses que somavam 365 dias. O mês de
Martius, que era o primeiro mês do
ano, continuou sendo a marcação do
equinócio. Foi abandonado o formato
luni-solar do calendário romano se
fixando para um calendário
predominantemente solar, se
substituiu o mês intercalar
Mercedonius de 22 e 23 dias por
apenas um dia chamado de dia extra
que deveria ser incluso após o 25º
dia de Februarius, "ante die sextum
kalenda martias", que, em função da
forma de contagem dos romanos acabou
criando o conceito de ano bissexto,
de 366 dias que deveria ocorrer de
três em três anos. Os anos bissextos
definidos no calendário juliano
aproximavam o ano trópico por
365,3333 dias, incorporando pequenos
erros no alinhamento das estações ao
longo dos anos. O imperador Augusto
acabou corrigindo essas diferenças
em 8 depois de Cristo, determinando
que os anos bissextos ocorressem de
quatro em quatro anos. Pela inclusão
destes dois meses Unodecember e
Duodecember e mais o mês intercalar
Mercedonius, este ano de 46 antes de
Cristo, acabou ficando com uma
aparente duração de 445 dias uma vez
que os romanos estavam acostumados a
que o ano só findava ao término de
Februarius. Na realidade, os meses
de Januarius e Februarius, que
seriam os últimos meses do ano de 46
antres de Cristo, com a inclusão
destes dois meses a mais, passaram a
ser os primeiros meses do ano de 45
antes de Cristo. Pela confusão que
ocorreu, este ano 46 antes de
Cristo,. foi chamado pelos romanos
de "Ano da Confusão", pois, no
calendário anterior, os anos já
vinham com uma sequência irregular
de 355, 377, 355 e 378 dias. Em 44
antes de Cristo, o líder Júlio César
foi homenageado pelo Senado romano,
que mudou o nome do mês Quintilis
para Julius, um mês de 31 dias.
Trabalho e pesquisa de Carlos Leite
Ribeiro – Marinha Grande – Portugal