Portal CEN  *** Pesquisas Carlos Leite Ribeiro ***

 

CONHEÇA-NOS:

António Nobre

 

Morreu

 a 18

 de Março

 de 1900

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

 

Formatação: Iara Melo

 


 

António Pereira Nobre, nasceu no Porto, de uma família da burguesia rural nortenha, e da sua infância e adolescência guardaria para sempre egolástrica nostalgia.

 

No Porto ainda, ligou-se a um grupo de jovens escritores, entre os quais se contavam Raul Brandão e Alberto de Oliveira, que por ele nutriu uma profunda amizade. Fracassados os estudos de Direito, iniciados em Coimbra, em 1888, parte, em 1890, para Paris, onde frequentou a Escola Livre de Ciências Políticas e a Faculdade de Direito da Sorbonne, nesta se licenciando em 1895.

Concorre então ao lugar de Cônsul, mas a tuberculose, que em 1900 o arrebataria precocemente, já então o minava, obrigando-o a iniciar as andanças, a que só a morte pôs termo, em busca da saúde que nem as montanhas da Suíça, nem o clima de estufa da Madeira, nem a viagem por mar até Nova Iorque, ou as pensões do Estoril e Belas lograram restituir-lhe.

A organização delicada e nervosa de António Nobre, a dolorosa consciência crescente da doença irremediável, marcaram-lhe o temperamento (contemplativa e pessimista), deram à sua obra o carácter que a singulariza: um profundo subjectivismo, um egotismo expresso na sua exclusiva preocupação de si próprio, mas de grande poder de sugestão e comunicação. Renovador do romantismo nacionalista de Garrett, António Pereira Nobre integra-se na corrente decadentista-simbolista.

 

António Nobre figura entre os grandes poetas da literatura portuguesa de todos os tempos, levando Fernando Pessoa a afirmar: "Ele foi o primeiro a pôr em europeu este sentimento português das almas e das coisas, que tem pena de que umas não sejam corpos, para lhes poder fazer festas, e de que outras não sejam gente, para poder falar com elas". Muito ousada para a época, a sua obra foi lida por alguns como nacionalista e tradicionalista, mas essas leituras estão hoje bastante relativizadas, valorizando a crítica mais recente aspectos como aqueles que acima se repertoriam. Não se trata de uma obra solipsista e ensimesmada, antes de representar um universo interior e um Portugal que epitomizam o sujeito finissecular e que expressam uma crise de valores que em breve, historicamente, há-de trazer mudanças de vulto. E é, sobretudo, como já se esboçou atrás, uma das pedras de toque na gestação do sujeito moderno: a memória não permite recuperar o que se perdeu, os heróis parecem condenados à derrota, e Narciso tornou-se uma figura deceptiva; em lugar dessa felicidade perdida, o poeta visionário ergue a forma possível de resistência à ruína; a edificação da Obra, assegurando a permanência do seu nome e a do país que com tanta subtileza soube retratar.

 

Sua obra:

“Só” – Paris 1892; “Despedidas”, inclui um fragmento de “D. Desejado”, poema lírico-sebastianista de ambição épica – 1902; “Primeiros versos” – 1921.

A sua correspondência encontra-se reunida em vários volumes:

“Cartas Inéditas de António Nobre” (introdução e notas de A. Casais Monteiro – 1934); “Cartas e Bilhetes-Postais a Justino de Montalvão” com prefácio e notas de Alberto de Serpa – 1956; “Correspondência” (introdução e notas de Guilherme de Castilho – 1967.

 

Vou sobre o Oceano

Vou sobre o oceano (o luar, de doce, enleva!)
Por este mar de glória, em plena paz.
Terras da Pátria somem-se na treva
Águas de Portugal ficam, atrás.

Onde vou eu? Meu fado onde me leva?
António, onde vais tu, doido rapaz?
Não sei. Mas o vapor, quando se eleva,
Lembra o meu coração, na ânsia em que jaz.

Ó Lusitânia que te vais à vela!
Adeus! que eu parto (rezarei por ela)
Na minha Nau Catrineta, adeus!

Paquete, meu paquete, anda ligeiro,
Sobe depressa à gávea, marinheiro,
E grita, França! Pelo amor de Deus!

 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal

 

 

Envie esta Página aos Amigos:

 

                                

 

 

Por favor, assine o Livro de Visitas:

 

 

 

Todos os direitos reservados ao Portal CEN
Página criada por Iara Melo
http://www.iaramelo.com