Aquilino Ribeiro, natural de
Carregal da Tabosa, no concelho de
Sernancelhe, fez os primeiros
estudos em colégios de padres,
seguindo depois para Viseu, em 1902,
onde estudou Filosofia e, já em
Beja, no Seminário, donde acabou por
ser expulso, Teologia.
Em 1906, já em Lisboa, vivendo do
jornalismo, liga-se ao movimento
republicano e participa activamente
na revolução que antecedeu a queda
da Monarquia, de tal modo que acaba
por ser preso. Evade-se e foge para
França, onde vive exilado até à
proclamação de República a 5 de
Outubro de 1910.
Torna, no entanto, a Paris para
frequentar a Sorbone e chega a viver
na Alemanha, onde casa. Com a
eclosão da Primeira Grande Guerra,
em 1914, volta a Portugal, sendo
então professor do Liceu Camões e
segundo-bibliotecário da Biblioteca
Nacional. Nesta época liga-se ao
grupo da Seara Nova, mas, em 1927, é
obrigado a emigrar novamente por
estar implicado na revolta contra a
ditadura militar. Só em 1932 se
instala definitivamente em Portugal,
depois de novo regresso clandestino
e de outro movimento revolucionário
falhado.
Ficcionista de opulenta linguagem,
condessa no material linguístico que
utiliza toda uma tradição que vai da
linguagem arcaica de velha crónica
medieval ao léxico moderno,
utilizando não só a gíria como
linguagem rústica, o termo familiar
e o erudito, numa mescla
vigorosamente cromática. A sua vasta
obra incide também na crítica e
biografia, na etnografia, no ensaio,
na literatura infantil.
A linguagem de Aquilino Ribeiro
caracteriza-se fundamentalmente por
uma excepcional riqueza lexicológica
e pelo uso de construções frásicas
de raiz popular, cheias de
provincianismos.
Aquilino foi sobretudo um estilista
e, por isso, a sua linguagem
vernácula e sem estrangeirismos é
arejada, frequentemente condimentada
nos diálogos com expressões entre
grotescas e satíricas.
Apesar de ter optado por uma
literatura de tradição, Aquilino
procurou ao longo da sua vida uma
renovação contínua de temas e
processos, tornando-se assim muito
difícil sistematizar a temática da
sua vastíssima obra.
Num número considerável de obras,
Aquilino reflecte, ainda que
distorcidas pela imaginação, cenas
da sua vida: o convívio com as
gentes do campo, a educação
ministrada pelos sacerdotes, as
conspirações políticas, as fugas
rocambolescas, os exílios.
Até 1932, ano em que fixa residência
na Cruz Quebrada, todos os
ambientes, contextos e personagens
que Aquilino cria, remetem para a
sua querida Beira natal. O
Malhadinhas, Andam Faunos pelos
Bosques e Terras do Demo constituem
o melhor exemplo desta situação. De
facto, ver-nos-emos, com uma extrema
facilidade, envolvidos com as suas
personagens beirãs, os seus
costumes, tradições e modos de falar
típico. Aquilino Ribeiro como
escritor não pode ser enquadrado em
nenhuma das escolas e tendências da
sua época.
Em 1952, faz uma viagem ao Brasil
onde é homenageado por escritores e
artistas, na Academia Brasileira de
Letras.
Em 1956, funda e preside a Sociedade
Portuguesa de Escritores.
Aquilino foi, sem dúvida um dos
maiores escritores da Língua
Portuguesa.
Faleceu em Lisboa, em 1963,
permanecendo a sua obra como a mais
rica experiência artística do século
XX, através da linguagem. Seus
restos mortais encontram-se no
Panteão Nacional.]
Obras de Aquilino Ribeiro
Contos:
A Filha do Jardineiro (1907) -;-
Jardim das Tormentas (1913) -;-
Valeroso Milagre (1919) -; Estrada
de Santiago, onde se inclui o
Malhadinhas (1922) -;- Quando ao
Gavião Cai a Pena (1935) -;- Arca de
Noé I, II e III (todos de 1963) -;-
Sonhos de uma Noite de Natal (1934).
Romances e novelas:
A Via Sinuosa (1918) -;- Terras do
Demo (1919) -;- Filhas da Babilónia
(1920) -;- Andam Faunos pelos
Bosques (1926) -;- O Homem Que Matou
o Diabo (1930) -;- A Batalha sem Fim
(1932) -;- As Três Mulheres de
Sansão (1932) -;- Maria Benigna
(1933) -;- Aventura Maravilhosa
(1936) -;- S. Bonaboião, Anacoreta e
Mártir (1937) -;- Mónica (1939) -;-
O Servo de Deus e a Casa Roubada
(1941) -;- Volfrâmio (1943) -;-
Lápides Partidas (1945) -;- Caminhos
Errados (1947) -;- O Arcanjo Negro
(1947) -;- Cinco Réis de Gente
(1948) -;- A Casa Grande de
Romarigães (1957) -;- Quando os
Lobos Uivam (1958) -;- Casa do
Escorpião (1963) -;- O Romance da
Raposa (1959).