Portal CEN  *** Pesquisas Carlos Leite Ribeiro ***

 

CONHEÇA-NOS:

Batalha de Ourique

 

 

25 de Julho de 1139

 

 

 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

 

Formatação: Iara Melo

 

 

A Batalha de Ourique, foi travada entre as tropas de D. Afonso Henriques e a força de ocupação moura, a 25 de Julho de 1139´e deu aos cristãos a vitória fundamental sobre os árabes da Península Ibérica. Travada presumivelmente perto da vila alentejana de Ourique, marcaria de acordo com a tradição, a Fundação de o Reino de Portugal, tendo D. Afonso Henriques sido aclamada rei no próprio campo de batalha. Documentos históricos atestam, porém, que já antes desta batalha usava D. Afonso Henriques o título real. Conseguida após a Paz de Tui, celebrada com Afonso VII de Leão e Castela, é considerada decisiva para a posterior expansão para Sul do Condado Portucalense. O Exército português comemora a data desta batalha como o seu dia festivo.

Alguns autores consideram que Afonso Henriques, no prosseguimento da política de Independência iniciada por seus pais, evitou qualquer acto que o levasse à sujeição do primo. D. Afonso Henriques nunca reconheceu o primo como imperador, e este também não invocou tal facto nas relações com Portugal, mas que o rei de Leão e Castela não renunciava à sua supremacia mostra-o o protesto que dirigiu a Eugénio III por ocasião do Concílio de Reims de1148,  sem falar da intransigência com que lutou até ao fim da vida pela primazia eclesiástica de Toledo.

 

Fonte:Crónica de El-Rei D. Afonso Henriques composta por Duarte Galvão em 1505

Foi na Batalha de Ourique que nasceu o Reino português. Enfrentando os infiéis maometanos, os portugueses achavam-se grande inferioridade numérica, sendo que muitos cronistas idôneos referem-se a cem ismaelitas para cada lusitano. Nessa situação crítica, Nosso Senhor veio em auxilio dos católicos e ordenou que D. Afonso Henriques ficasse rei daquele povo. Bastantíssima era a tradição do aparecimento de Cristo; nosso Salvador, feito a el-rei D. Afonso Henriques, e mais, confirmando-se com os escritos de nossos autores e de muitos estrangeiros gravíssimos, para se ter certo o favor que Deus Nosso Senhor quis fazer à nação portuguesa. Mas para maior confirmação ordenou o mesmo senhor, parece que com particular providência, nos ficasse outra memória ilustríssima dessa verdade. E é uma escritura autêntica em que o mesmo rei D. Afonso jura aos santos Evangelhos como viu com os seus próprios olhos ao Salvador do mundo na forma que temos contado. Achou-se, em o ano de 1506, no cartório do real mosteiro de Alcobaça e foi instrumento o Doutor Frei Bernardo de Brito, cronista-mor de Portugal, a quem o Reino deve com a gloria adquirida por seus escritos, as graças de tão ditoso achado. É um pergaminho de letra antiga, já gastado, com selo de el-rei D. Afonso, e outros quatro de cera vermelha, pendentes de fios de sede da mesma cor, confirmados por pessoas de autoridade, em que se fenda o maior crédito humano que pode haver em escrituras. O Doutor Frei Lourenço do Espírito Santo, abade então daquela casa geral da ordem de Cister, neste reino, pessoas de grandes letras e muita prudência, julgou ser vontade de Deus divulgar-se por todos esta memória. E assim, indo a Lisboa, alevou o pergaminho e mostrou aos senhores do governo, e depois fazendo jornada à corte de Madrid, o apresentou ao católico rei D. Felipe II, e o viram também muitos grandes de sua corte, e de todos foi venerado e estimado como merecia um documento de tanto preço, do qual o teor é o seguinte:
“Eu, Afonso, Rei de Portugal, filho do conde Henriques e neto do grande rei D. Afonso, diante de vós, Bispo de Braga e Bispo de Coimbra e Teotônio, e de todos os mais vassalos de meu reino, juro em esta Cruz de metal, e neste livro dos Santos Evangelhos, em que eu ponho minhas mãos, que eu, miserável pecador, vi com estes olhos indignos a Nosso Senhor Jesus Cristo estendido na cruz, no modo seguinte:
“Eu estava com meu exército nas terras de Alentejo, no Campo de Ourique, para dar batalha a Ismael e outros quatro reis mouros que tinham consigo infinitos milhares de homens. E minha gente temerosa de sua multidão, estava atribulada e triste, sobremaneira. Em tanto que publicamente, diziam alguns ser temeridade acometer tal jornada. E eu, enfadado do que ouvia, comecei a cuidar comigo que faria. E como estivesse na minha tenda um livro em que estava escrito o Testamento Velho e o de Jesus Cristo, abri-o e li nele a vitória de Gedeão, e disse entre mim mesmo. Muito bem sabeis vós, Senhor Jesus Cristo, que por amor vosso tomei sobre mim esta guerra contra vossos adversários. . Em vossa mão está dar a mim e aos meus, fortaleza para vencer estes blasfemadores de Vosso nome.
“Ditas estas palavras, adormeci sobre o livro e comecei a sonhar que via um homem velho vir para onde eu estava e que me dizia: Afonso, tem confiança, porque vencerás e destruirás estes reis infiéis e desfarás sua potência e o Senhor se te mostrará.
“Estando nesta visão, chegou João Fernandes de Souza, meu camareiro, dizendo-me: Acordes, senhor meu, porque está aqui um homem velho que vos quer falar. Entre -lhe respondi - se é católico.
“E tanto que entrou, conheci ser aquele que no sonho vira, o qual mo disse:
“Senhor, tende bom coração, vencereis e não sereis vencido. Sois amado do Senhor, porque sem dúvida pôs sobre vós, e sobre vossa geração depois de vossos dias, os olhos de sua misericórdia, até a décima sexta descendência, na qual se diminuirá a sucessão, mas nela assim diminuída, Ele tornará a pôr os olhos e verá. Ele me manda dizer-vos que quando na seguinte noite ouvirdes a campainha de minha ermida, na qual vivo a sessenta e seis anos guardando no meio dos infiéis com o favor do mui Alto, saiais fora do real, sem nehum criado, porque vos quer mostrar Sua grande piedade.
“Obedeci, e prostrado em terra, com muita reverência, venerei o embaixador e Quem o mandava. E como, posto em oração, aguardava o som, na segunda vela da noite ouvi a campainha, e armado com espada e rodela, saí fora dos reais, e subitamente vi à parte direita, contra o nascente, um raio resplandecente e indo-se pouco a pouco clarificando, cada hora se fazia maior. E pondo de propósito os olhos para aquela parte, vi de repente, no próprio raio o sinal da Cruz, mais resplandecente que o Sol, e um grupo grande de mancebos resplandecentes, os quais creio que seriam os santos anjos. Vendo pois esta visão, pondo à parte o escudo e a espada, (...) me lancei de bruços e desfeito em lágrimas comecei a rogar pela consolação de meus vassalos, e disse sem nenhum temor:
“A que fim me apareceis, Senhor? Quereis porventura acrescentar fé, a quem tem tanta? Melhor é, por certo, que Vos vejam os inimigos e creiam em Vós, que eu que desde a fonte do batismo Vos conheci por Deus verdadeiro, Filho da Virgem e do Padre Eterno, e assim Vos conheço agora.
“A Cruz era de maravilhosa grandeza, levantada da terra quase dez côvados. O Senhor. com um tom de voz suave, que minhas orelhas indignas ouviram, me disse:
“Não te apareci deste modo para acrescentar tua fé, mas para fortalecer teu coração neste conflito, e fundar os princípios de teu reino sobre pedra firme. Confia, Afonso, porque não só vencerás esta batalha, mas todas as outras em que pelejares contra os inimigos de minha Cruz. Acharás tua gente alegre e esforçada para a peleja, e te pedirá que entre na batalha com o título de Rei. Não ponhas dúvida, mas tudo quanto te pedirem, lhes concede facilmente. Eu sou fundador e destruidor dos reinos e impérios, e quero em ti e em teus descendentes fundar para mim um império, por cujo meio, seja meu nome publicado entre as nações mais estranhas. E para que teus descendentes conheçam Quem lhes dá o reino, comporás o escudo de tuas armas do preço com que Eu Remi o gênero humano, e daquele por que fui comprado pelos judeus, ser-me-á reino santificado, puro na fé e amado na minha piedade.
“Eu, tanto que ouvi estas coisas, prostrado em terra, O adorei dizendo: Por que méritos, Senhor, me mostrais tão grande misericórdia? Ponde, pois, Vossos benignos olhos nos sucessores que me prometeis, e guardai salva a gente portuguesa. E se acontecer que tenhais contra ela algum castigo aparelhado, executai-o antes em mim (...) e livrai este povo que amo como o único filho.
“Consentindo nisso, o Senhor me disse: Não se apartará deles num de ti, nunca, nunca minha misericórdia, porque por sua via tenho aparelhadas grandes searas, e a eles escolhidos por meus seguidores em terras muito remotas.
“Ditas estas palavras desapareceu e eu, cheio de confiança e suavidade me tornei para o real. E (para) que isto passasse na verdade, juro, eu, D. Afonso, pelos Santos Evangelhos de Jesus Cristo, tocados com estas mãos. E, portanto, mando a meus descendentes que para sempre sucederem, que em honra da Cruz e cinco chagas de Jesus Cristo, tragam em seu escudo, os cincos escudos partidos em cruz, e em cada um deles os trinta dinheiros, e por timbre a serpente de Moisés, por ser figura de Cristo e este seja o troféu de nossa geração. E se alguém intentar o contrário, seja maldito do Senhor e atormentado no inferno com Judas, o traidor.
“Foi feita a presente carta em Coimbra aos vinte e nove de outubro, era de 1152,
“eu, el-rei D. Afonso”.

 

Camões e a Batalha de Ourique

 

42 - Mas já o príncipe Afonso aparelhava
o Lusitano exército ditoso,
contra o Mouro que as terras habitava
de além do claro Tejo deleitoso;
já no campo de Ourique se assentava
o arraial soberbo e belicoso,
defronte do inimigo Sarraceno,
posto que em força e gente tão pequeno.aparelhava- preparava;
posto que- embora, no entanto.

43 - Em nenhua outra cousa confiado,
senão no sumo Deus que o Céu regia,
que tão pouco era o povo baptizado,
que, para um só, cem mouros haveria.
Julga qualquer juízo sossegado
por mais temeridade que ousadia
cometer um tamanho ajuntamento,
que para um cavaleiro houvesse cento.tão pouco era o povo baptizado- tão poucos eram os cristãos;
julga qualquer juízo sossegado- dirá qualquer pessoa de bom senso;
cometer- atacar.

44 - Cinco reis mouros são os inimigos,
dos quais o principal Ismar se chama;
todos exprimentados nos perigos
da guerra, onde se alcança a ilustre fama.
Seguem guerreiras damas seus amigos,
imitando a formosa e forte Dama
de quem tanto os Troianos se ajudaram,
e as que o Termodonte já gostaram.a formosa e forte dama (etc...)- refere-se à rainha das míticas amazonas (que viviam junto do rio Termodonte) e que, segundo a lenda, ajudou na defesa de Tróia;
gostaram- provaram (da água do rio)- compare-se com o françês "goûter".

45 - A matutina luz, serena e fria,
as estrelas do polo já apartava,
quando na Cruz o Filho de Maria,
amostrando-se a Afonso, o animava.
Ele, adorando Quem lhe aparecia,
na Fé todo inflamado assim gritava:
"Aos Infiéis, Senhor, aos Infiéis,
e não a mim, que creio o que podeis!"polo- céu;
Filho de Maria- Jesus (alusão a uma visâo de Jesus Crucificado por Afonso Henriques, antes da batalha de Ourique, na qual se baseia a origem mística de Portugal).

46 - Com tal milagre os ânimos da Gente
Portuguesa inflamados, levantavam
por seu Rei natural este excelente
Príncipe, que do peito tanto amavam;
e diante do exército potente
dos imigos, gritando, o céu tocavam,
dizendo em alta voz: "Real, real,
por Afonso, alto Rei de Portugal!"imigos- inimigos;
Aclamação pelo exército do príncipe como Rei de Portugal ("Arraial por Afonso, Rei de Portugal).

50 - Destarte o Mouro, atónito e torvado,
toma sem tento as armas mui depressa;
não foge, mas espera confiado,
e o ginete belígero arremessa.
O Português o encontra denodado,
pelos peitos as lanças lhe atravessa;
uns caem meios mortos e outros vão
a ajuda convocando do Alcorão.Destarte- deste modo; desta forma; assim; na sequência disto.

52 - Cabeças pelo campo vão saltando,
braços, pernas, sem dono e sem sentido,
e doutros as entranhas palpitando,
Pálida a cor, o gesto amortecido.
Já perde o campo o exército nefando;
correm rios do sangue desparzido,
com que também do campo a cor se perde,
tornado carmesim, de branco e verde.o gesto- o semblante;
nefando- abominável;
desparzido- derramado.

53 - Já fica vencedor o Lusitano,
recolhendo os troféus e presa rica;
desbaratado e roto o Mauro Hispano,
três dias o grão Rei no campo fica.
Aqui pinta no branco escudo ufano,
que agora esta vitória certifica,
cinco escudos azuis esclarecidos,
em sinal destes cinco Reis vencidos.

 

Fonte: Prof. José Helmano Saraiva

(...) Inesperadamente, um exército mouro saiu-lhes ao encontro e, apesar da inferioridade numérica, os cristãos venceram. A vitória cristã foi tamanha que D. Afonso Henriques resolveu autoproclamar-se Rei de Portugal (ou foi aclamado pelas suas tropas ainda no campo de batalha), tendo a sua chancelaria começado a usar a intitulação Rex Portugallensis (Rei dos Portucalenses ou Rei dos Portugueses) a partir 1140 - tornando rei de facto, embora a confirmação do título de jure pela Santa Sé date apenas de Maio de 1179.
A ideia de milagre ligado a esta batalha surge pela primeira vez no século XIV, muito depois da batalha. Ourique serve, a partir daí, de argumento político para justificar a independência do Reino de Portugal: a intervenção pessoal de Deus era a prova da existência de um Portugal independente por vontade divina e, portanto, eterna.
A lenda narra que, naquele dia, consagrado a Santiago, o soberano português teve uma visão de Jesus Cristo e dos anjos, garantindo-lhe a vitória em combate. Contudo, esse pormenor foi interposto mais tarde na narrativa, sendo praticamente decalcado da narrativa da Batalha da Ponte Mílvio, opondo Maxêncio a Constantino o Grande, segundo a qual Deus teria aparecido a este último dizendo IN HOC SIGNO VINCES (latim, «Com este sinal vencerás!»).
Este evento histórico marcou de tal forma o imaginário português, que se encontra retratado no brasão de armas da nação: cinco escudetes (cada qual com cinco besantes), representando os cinco reis mouros vencidos na batalha.
Não há consenso entre os estudiosos acerca do local exato onde se travou a batalha de Ourique.
A mais antiga descrição da batalha figura na Crónica dos Godos sob a entrada dos acontecimentos da Era Hispânica de 1177 (1139 da Era Cristã).
Séculos mais tarde, um dos primeiros autores a abrir a polêmica sobre a autenticidade das narrativas foi Alexandre Herculano quando, ao afirmar que “Ourique não passa de uma lenda”, foi acusado de anti-clericalismo.

 

Em seguida e referente a esta batalha: “Gonçalo Mendes da Maia – o Lidador”

 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal

 

 

Envie esta Página aos Amigos:

 

                                

 

 

Por favor, assine o Livro de Visitas:

 

 

 

Todos os direitos reservados ao Portal CEN
Página criada por Iara Melo
http://www.iaramelo.com