Bomba Atômica sob Hiroshima

 

06 de Agosto de 1945
 

 

 

 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

 

Formatação: Iara Melo

 


Em 1939, Albert Einstein informou ao presidente dos Estados Unidos, Franklin Roosevelt, que talvez fosse possível construir uma bomba atómica.
Em 1945, um homem genial inventava uma bomba capaz de destruir toda a vida no planeta.
No início da década de 40, um grupo de cientistas foi ao Novo México para tentar detonar uma bomba atómica, antes  que os alemães construíssem a sua. Muitos cientistas, tentando escapar do nazismo e do fascismo, encontraram abrigo nos Estados Unidos, onde continuaram suas pesquisas. Enrico Fermi era um deles. Em 1942, foi o primeiro físico a produzir uma reacção atómica em cadeia, sob controle, comprovando assim a teoria de Einstein. A experiência  secreta aconteceu em Chicago.
Na Alemanha, uma experiência semelhante havia fracassado. Em silêncio, os americanos continuaram as pesquisas em Los Alamos, Novo México.
A pergunta que os cientistas precisavam responder era a seguinte: uma reacção em cadeia, não controlada, poderia ser usada para fazer uma bomba? Havia quem temesse que a bomba faria explodir todo o planeta. Ao mesmo tempo, os americanos anteviam a possibilidade de usar a bomba contra o Japão, forçando, assim, o fim da guerra.
Em Julho de 1945, dois aparelhos foram levados, secretamente, até o deserto do Novo México. Os americanos estavam ansiosos para testar a nova invenção. A explosão foi tão poderosa que chegou a ser vista de três estados americanos. Pouco após os testes, em 6 de Agosto de 1945, os americanos lançaram a bomba sobre Hiroshima e três dias mais tarde em Nagasaki.
Havia começado a era nuclear.


No dia 6 de Agosto de 1945, Hiroshima no Japão, assistiu a um episódio terrível: uma bomba atómica. Às 8h15m17s a tal bomba foi lançada por um avião americano que escapou dos radares japoneses. A bomba explodiu a 617 metros do solo, sobre o centro da cidade. A temperatura chegou a 5,5 milhões de graus centígrados. Tudo o que se encontrava a 500 metros do epicentro da bomba foi incinerado. Quase ninguém sobreviveu num raio de 800 metros. Menos de uma hora depois da explosão, mais de 60 mil pessoas haviam morrido. A explosão liberou enorme quantidade de radiação. Ao todo, morreram cerca de 300 mil em consequência directa do ataque. Quem não morreu queimado, sofreu mais tarde com os efeitos da radiação (queda dos cabelos e cancro são os mais comuns).
Três dias depois, em 9 de Agosto, a operação se repetiu em Nagasaki, na ilha de Kyushu, também no Japão. Quarenta mil habitantes da ilha morreram. Isso porque o terreno montanhoso protegeu o centro da cidade.
Uma pequena quantidade de massa, quando multiplicada pela velocidade da luz (cerca de 300 mil quilómetros por segundo) ao quadrado, pode ser convertida em uma enorme quantidade de energia (E=mc²). A fórmula que consagrou Albert Einstein entre leigos, demonstrada em artigo publicado em 1905, permaneceria 27 anos sem ser comprovada até fertilizar a mente de cientistas que, aos poucos, visualizaram nela uma potente aplicação militar. "Não é impossível que, com corpos cujo conteúdo-energia [conteúdo energético] é variável em alto grau (e.g. com sais de radium), a teoria possa ser testada com sucesso", prevê Einstein no terceiro artigo que compõe os anos mirabilis.
A partir da Segunda Guerra Mundial, a bomba atómica passou a ser almejada como trunfo militar e sinonimo de poderio económico. Difícil é precisar quando surgiu a ideia de transformar a teoria na prática, mas há fortes indícios que a descoberta da ficção nuclear, em 1939, tenha sido o principal catalisador dessa reacção.
Antes, porém, muitas foram as contribuições para que a imagem do quebra-cabeças fosse concluída físico neozelandês Nelson Ernest Rutherford foi o grande mentor, em 1932, do irlandês Ernest Walton e do inglês John Cockroft que, pela primeira vez, produziram a divisão nuclear artificial completa de um núcleo atómico, através do bombardeamento de núcleos de lítio com protões (acelerador de partículas), originando núcleos de hélio e produzindo uma pequena quantidade de energia, como demonstrava E=mc². Foi também sob a supervisão de Rutherford, em Cambridge, que o físico inglês James Chadwick, descobriu os neutrões no núcleo do átomo. Justamente por essas partículas serem semelhantes em massa aos protões, mas desprovidas de carga eléctrica, que essa descoberta permitia que o núcleo fosse bombardeado e dividido sem haver tanta repulsão deste com os neutrões (como no caso do bombardeio de protões, com carga positiva), o que produzia a liberação de uma quantidade superior de energia.
Três anos mais tarde, o físico italiano Enrico Fermi conseguiu capturar neutrões, bombardear o núcleo de urânio e descobrir a existência de novos elementos radioactivos, que chamou de "transurânio". Seus progressos científicos chamaram a atenção da física Lise Meitner e dos químicos Otto Hahn (Nobel de Química de 1944) e Fritz Strassmann, todos alemães, que começaram a investigar quais seriam os elementos radioactivos que surgiam após o urânio ser bombardeado com neutrões. Mas foi apenas no fim de 1938 que Hans pediu os conselhos da física judia e de seu sobrinho, o também físico Otto Frisch – ambos vivendo na Suécia naquele momento– para concluir que o que estava ocorrendo era, de fato, uma ficção do núcleo de urânio, que originava bário e kriptónio, liberando grande quantidade de energia. A descoberta foi compartilhada com Niels Bohr, chefe do Instituto de Física Teórica da Universidade de Copenhague, em Estocolmo, onde trabalhavam os físicos alemães. Bohr, físico dinamarquês, em 1931, publicara sua teoria que mostrava que o isótopo do urânio-235, tinha mais poder de ficção que o urânio-238 e deveria ser o foco das pesquisas. Mais tarde, em 26 de Janeiro de 1939, Bohr anunciou o feito durante a 5ª Conferência de Física Teórica que ocorreu em Washington. Intitulada Desintegração de urânio por neutrões: novos tipos de reacção nuclear, a descoberta foi publicada no periódico científico Nature em 11 de Fevereiro de 1939.
Corrida pela bomba: A resolução de mais uma peça chave na compreensão do funcionamento do núcleo atómico auxiliou o alemão Werner Karl Heisenberg (Nobel de Física em 1932, pela descoberta de formas alotrópicas do hidrogénio) a perceber que o enriquecimento do urânio 235 seria "o único método de produzir explosivos mais poderosos em inúmeras ordens de magnitude que os explosivos mais fortes conhecidos". Respeitado pela academia e reconhecido como o maior físico teórico da época, Heisenberg desempenhou um papel estratégico na história da bomba atómica.
O fato do desenvolvimento da bomba atómica poder dar a vitória à nação que a detinha e seus aliados, inflamou os ânimos de militares e cientistas norte-americanos, que acreditavam que os nazistas, nesse contexto, seriam os candidatos mais aptos a vencerem aquela corrida, afinal os alemães tinham descoberto a ficção nuclear, tinham acesso a minas de urânio, contavam com Carl von Weizsacker – filho do sub-secretário de Estado alemão, que estaria reproduzindo trabalhos americanos com urânio –, além de Heisenberg e da liderança de Adolf Hitler. A ameaça parecia suficiente para mobilizar um esforço de cientistas e militares em torno da construção de uma poderosa arma de destruição em massa, embora sua viabilidade ainda fosse duvidosa.
Einstein assina carta escrita por Szilard endereçada ao presidente Roosevelt em 1939
Depois de receber o Nobel em 1938 por suas contribuições à física, Fermi deixa seu país natal para viver com sua esposa judia nos Estados Unidos. Ele e os físicos húngaros Leo Szilard e Eugene Wigner (Nobel de Física de 1963), naturalizados americanos, pesquisavam na Universidade de Columbia uma reacção nuclear em cadeia que retro alimentaria a ficção de núcleos de forma contínua. A provável viabilidade de ampliar o poder da ficção de núcleos de urânio foi compartilhada com Albert Einstein, que concordou em assinar uma carta, escrita por Szilard ao presidente Franklin Roosevelt, pedindo cautela e "uma acção rápida por parte do governo", uma vez que a reacção em cadeia "conduziria também a produção de bombas, sendo concebível – embora muito menos certo – que bombas extremamente potentes de um novo tipo possam ser produzidas por este meio". O documento, escrito em 2 de Agosto de 1939 e entregue oito dias depois, também alertava para a necessidade de acelerar o trabalho experimental, fornecendo recursos financeiros, firmando parcerias entre institutos de pesquisa e laboratórios industriais, e investindo em reservas de urânio – disponíveis no Canadá e na (antiga) Checoslováquia e, principalmente no Congo Belga. Fato para o qual os alemães já teriam atentado, uma vez que as minas da Checoslováquia estariam tomadas por eles.
Depois dessa, outras três cartas foram endereçadas ao presidente norte-americano, com o intuito de reforçar a urgência de investimentos em pesquisas de energia atómica antes que a Alemanha nazista o fizesse. Não é certo que a carta, apenas, tenha desencadeado os acontecimentos posteriores. Alguns pesquisadores acreditam que Einstein não era bem visto pelo governo norte-americano por ser tido como comunista (leia reportagem sobre a vida de Einstein). Assim, sua carta não teria influenciado nos acontecimentos posteriores. É fato que a carta só chegou às mãos do presidente, por intermédio de Alexander Sachs, em 11 de Outubro do mesmo ano. Szilard e Wigner, no entanto, acreditavam que apenas Einstein poderia ser ouvido pelo presidente da nação.
Após o documento, o governo de Roosevelt criou o Comité de Estudos de Energia Atómica e, em Fevereiro de 1940, uma pequena verba de US$ 6 mil foi liberada para pesquisas sobre energia atómica com envolvimento das forças armadas. Em Agosto de 1942 surgia o Projecto Manhattan, a pedido do presidente norte-americano, para somar esforços de cientistas e militares dos EUA, Canadá e Grã-Bretanha em torno da utilização da energia nuclear e apoiado com uma verba de US$ 133 milhões. Liderados pelo físico Robert Oppenheimer, filho de um imigrante alemão, estava um grupo de cientistas altamente qualificados, incluindo os já mencionados Szilard, Fermi e Bohr, além de Luis Alvarez (Nobel de Física, 1968), Willard Libby (Nobel de Química em 1960) e Hans Bethe (Nobel de Física em 1967). Einstein, ao contrário do que se possa pensar, não foi convidado a participar do projecto.
Pouco antes, em Fevereiro do mesmo ano, a Alemanha faria o encontro do Conselho de Pesquisa Reich sobre física nuclear, iniciado por Heisenberg com a palestra "Física nuclear como armamento", quando falou das propriedades explosivas da ficção nuclear do urânio 235. Em outras ocasiões, o mesmo cientista, reunido com outros especialistas e representantes do governo alemão, reafirmaria que a pesquisa em física nuclear poderia contribuir para esforços de guerra mas, ao explicar como a bomba poderia ser construída, apontou os altos custos que seriam necessários a sua produção, como o uso de toneladas de urânio, o que inviabilizaria o projecto.
Até a bomba sair do papel para a área de testes estima-se que mais de 100 mil pessoas estiveram envolvidas directamente no Projeto Manhattan, que consumiu um total de US$ 2 biliões até sua utilização. No final de 1942, testes com urânio e grafite comprovaram a obtenção bem sucedida de uma reacção em cadeia, cuja energia era medida pouco antes de a reacção ser interrompida. O primeiro e decisivo teste da bomba nuclear de plutónio ocorreu em 16 de Junho de 1945, no deserto do Novo México em uma área isolada. Diz-se que Oppenheimer e outros cientistas, localizados a quase 10 quilómetros do local, puderam ver, ouvir e sentir o impacto da explosão da primeira bomba atómica, com 60 cm de diâmetro, 180 cm de comprimento e quatro toneladas de peso.
Assustados, fascinados e preocupados com as consequências da explosão de uma bomba com efeitos reais, em 17 de Julho de 1945, Szilard e outros 69 cientistas assinam uma petição ao presidente dos Estados Unidos na qual expõem sua preocupação com o uso da bomba. "Até recentemente, temíamos que os Estados Unidos pudessem ser atacados por bombas atómicas durante esta guerra e que nossa única defesa seria contra atacar com os mesmos meios. Hoje, com a derrota da Alemanha, este perigo foi evitado. (...) A guerra deve ser rapidamente concluída com sucesso e o ataque com bombas atómicas pode ser um método efectivo. Sentimos, no entanto, que tais ataques contra o Japão não podem ser justificados, ao menos que não sejam aceitos os termos impostos ao Japão depois da guerra, de forma pública e detalhada, e que o Japão recuse a oportunidade de se render".
Três semanas após os testes no deserto norte-americano, caiam sobre Hiroshima e Nagasaki em 6 e 9 de Agosto de 1945, respectivamente, as bombas atómicas, mesmo sem ter sido dada a chance do país se render. Acredita-se que o ataque surpresa a Pearl Harbor, nos EUA, pelos japoneses, em 1941, que levou os americanos a entrarem, definitivamente, na Segunda Guerra Mundial, teria motivado a experimentação em massa de um advento científico de custo astronómico e de potência pouco previsível, que não poderia ser engavetado.
A explosão assustou leigos e cientistas, envolvidos ou não no projecto que a desenvolveu. A subida do cogumelo de fogo a mais de 1200 metros do solo, matou mais de 210 mil habitantes, deixou outros milhares afectados pelos efeitos da radiação pelas próximas gerações e marcou o início de uma era militar e científica sem precedentes.
Em 30 de Abril de 1945, em meio à tomada de Berlim pelas tropas soviéticas, Adolf Hitler cometia suicídio, e o almirante Doenitz formava novo governo, pedindo o fim das hostilidades. A capital alemã é ocupada em 2 de Maio. Alguns dias depois, no dia 7, a Alemanha rendia-se incondicionalmente, em Reims.
A Segunda Guerra estava praticamente terminada. Os conflitos restantes aconteciam no Pacífico. E foi no Japão, mais precisamente em Hiroshima e Nagasaki, que a humanidade conheceu a mais terrível criação da tecnologia. Em 06 de Agosto de 1945, era lançada a primeira bomba atómica em alvo humano.
A Guerra estava no fim, e Hiroshima permanecia intacta. O governo incentivava todos a manter as actividade quotidianas. Nesse momento, os japoneses ouviram o alarme indicando a aproximação de um avião inimigo. Era um B-29, baptizado de "Enola Gay", pilotado por Paul Warfield Tibbets Jr. Do avião, foi lançada a primeira bomba atómica sobre um alvo humano, baptizada "Little Boy".
Instantaneamente, os prédios desapareceram junto com a vegetação, transformando Hiroshima num campo deserto. Num raio de 2 quilómetros, do hipocentro da explosão, tudo ficou destruído. Uma onda de calor intenso, emitia raios térmicos, como a radiação ultravioleta.
Um dia após a explosão, os escombros em Hiroshima eram cobertos por uma ténue cortina de fumaçaOs sobreviventes vagavam sem saber o que havia atingido a cidade. Quem estava a um quilómetro do hipocentro da explosão, morreu na hora. Alguns tiveram seus corpos desintegrados. O que aumentou o desespero dos que nunca vieram a confirmar a morte de seus familiares. Quem sobreviveu, foi obrigado a conviver com males terríveis. O calor intenso levou a roupa e a pele de quase todas as vítimas. Vários incêndios foram causados pelos intensos raios de calor emitidos pela explosão. Vidros e metais derreteram como lavas.
Uma chuva preta, oleosa e pesada, caiu ao longo do dia. Essa chuva continha grande quantidade de poeira radioactiva, contaminando áreas mais distantes do hipocentro. Peixes morreram em lagoas e rios, e pessoas que beberam da água contaminada tiveram sérios problemas durante vários meses.
O cenário da morte era assustador. As queimaduras eram tratadas com mercúrio cromo pela falta de medicamento adequado.
Não havia comida e a água era suspeita. A desinformação era tanta que muitos japoneses saíram de suas províncias para tentar encontrar seus familiares em Hiroshima. Corriam o maior risco pós-bomba: a exposição à radiação.
Não se sabe exactamente porque Hiroshima foi escolhida como alvo inaugural da bomba atómica. Uma explicação considerada plausível, é pelo fato de a cidade estar centrada em um vale. As montanhas fariam uma barreira natural, o que ampliaria o poder de impacto da bomba. Consequentemente, conheceriam a capacidade de destruição nuclear com mais precisão. Outra explicação é baseada no fato de Hiroshima ainda não ter sido atingida por nenhum ataque. Isso, aliado à protecção das montanhas, daria a medida exacta da destruição da bomba nunca antes testada.
De concreto, sobraram os horrores de uma arma nuclear, com potência equivalente a 20 mil toneladas de dinamite. Ainda hoje, passados 66 anos da explosão da primeira bomba atómica, o número de vítimas continua sendo contabilizado, já ultrapassando 250 mil mortos.

Fontes: Várias.


 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal

 

 

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