CARNAVAL

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

 

Arte Final: Iara Melo


 

 

 


 

O tempo de Carnaval decorria tradicionalmente entre finais de Dezembro e começos de Janeiro e os inícios da Quaresma (*). Havia uma intensificação de actividades à medida que esta última se aproximava, em particular nos dias que mais se identificam com o Carnaval, que são os que vão de Sábado Gordo à Quarta-Feira de Cinzas.

As manifestações do Carnaval era (e ainda são) muito variadas, nelas se incluindo cortejos, representações teatrais burlescas, competições, repastos, etc. O Carnaval é um tempo de excessos, com múltiplos significados. É um período excepcional, em que se rompe com os padrões da vida quotidiana, que alvo de sátira. É um tempo de festa e de exaltação dos sentimentos, quer através da ingestão de comida, com grande consumo de carne principalmente de porco, de bebida, quer através da sexualidade, a que se alude constantemente pela palavra e pela própria exibição do corpo.

O Carnaval, a que se chama Entrudo nas zonas rurais de Portugal, é sob todos os aspectos, um período que contrasta com a Quaresma, tempo de ordem, de contrição, de controlo corporal, facto que encontra expressão na comida tida por apropriada, ou seja, o peixe.

O contraste do Carnaval com o quotidiano, o carácter satírico e mesmo profanador dos seus rituais e festejos, entre outros casos, quando se parodiavam cerimónias religiosas, estão na base de dois tipos de apreciações bastante diferenciadas quanto ao significado das suas manifestações. Enquanto alguns vêem nestas uma espécie de válvula de escape do sociedade, pois as críticas e paródias desta época serviriam para libertar tensões sociais, permitindo que tudo continuasse na mesma, outros pensam que elas podem ter carácter potencialmente subversivo. Tal sucedeu por vezes, convertendo-se a farsa em conflito aberto. De qualquer modo, é um facto que as autoridades há muito procuram controlar o Carnaval chegando muitas vezes a proibir algumas das suas manifestações.

Os festejos carnavalescos são muito variados. Assim, em Portugal, ao lado do antigo Entrudo, que ainda hoje sobrevive em algumas localidades, com os seus mascarados, críticas e sátiras, existe um Carnaval urbano, centrado em desfiles, de onde não está ausente a crítica, e bailes, onde é notória a influência do Carnaval brasileiro. Os aspectos mais subversivos da ordem social parecem hoje já ser algo do passado.

No Carnaval é costume adoptar um rosto diferente por meio de uma máscara, que tanto serve para nos divertirmos e fazer rir os outros, como para muitas pessoas se atreverem a brincadeiras com pessoas que assim ficam impossibilitadas de as reconhecer.

Na Antiguidade, a máscara fazia parte essencial do vestuário dos actores. Na Itália, perpetuou-se o uso da máscara, que permitia extravagâncias por ocasião das festas.

Do século XlV ao século XVll, em França, a máscara tornou-se uma tradição, particularmente no Carnaval, que procedia o início da Quaresma, período de austeridade.

No Carnaval dos nossos tempos, muitos foliões ainda usam máscara nos bailes, corsos e outras manifestações populares, se bem que a máscara tenha caído em desuso.

 

(*) Quaresma é o tempo de penitência consagrado pelas Igrejas cristãs, à preparação da Páscoa, prolongando-se desde4 a Quarta-Feira de Cinzas até Sexta-Feira Santa. Isto é, por quarenta dias.

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal

 

 

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