Casablanca

 

 

Filme estreado em Lisboa (Portugal) em 27 de Maio de 1945

 

Cinema Politeama

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

 

Arte Final: Iara Melo

 

 

 

 

 

 

Durante a Segunda Guerra Mundial, Casablanca é o refugio para exilados de guerra e o ponto de passagem para Lisboa a caminho dos Estados Unidos. Rick Blaine, exilado americano, é dono do clube nocturno mais popular de Casablanca, local de intriga e conspirações. Quando Victor Laszlo (líder da resistência) chega a Casablanca acompanhado de Ilsa, Rick vê-se confrontado em ajudar a mulher que o abandonou anos antes em Paris.

 

Casablanca era a rota obrigatória de quem pretendia  fugir dos nazistas na Segunda Guerra Mundial. É lá que Rick vai reencontrar Ilsa, anos depois de se terem apaixonado e se terem perdido em Paris.

 

A cidade de Casablanca, então localizada no Marrocos governado pela França de Vichy, era o penúltimo ponto na rota à América. Os refugiados que ali residiam necessitavam de um visto (Letter of transit) para Portugal, e apenas em Lisboa embarcariam em um navio para o Novo Mundo. E um dos locais de encontro era o bar Rick´s. Seu dono, Rick Blaine, é um homem que tenta não se envolver com a política, pois seu estabelecimento é frequentado por todos os tipo de cliente, como nazistas, aliados e ladrões, entre outros. Rick também é amigo do corrupto Capitão Renault.


Um dia um major alemão vai a Casablanca em busca de um ladrão que havia roubado duas letter of transit. O casal que necessitava destes documentos para sua fuga à América era Ilsa Lund e Victor Lazlo, importante líder da resistência checa.


Rick e Ilsa se encontram e relembram o passado que tiveram juntos. Na tela, a música imortal deste relacionamento (As time goes by) é interpretada por Sam.

 

O filme de 1942 conta a história de amor entre Rick (Humphrey Bogart) e Ilsa (Ingrid Bergman) no contexto histórico da Segunda Guerra e ficou famoso por seus diálogos. Logo no início, quando uma garota pergunta a Rick o que ele fez na noite anterior, ele responde: “Faz muito tempo para que eu me lembre”. Na mesma conversa, a moça insiste para saber o que ele fará mais tarde, e obtém a clássica resposta: “Não costumo fazer planos a longo prazo”. Em outro momento, após Ilsa contar para seu marido, Victor, como ela e Rick se conheceram em Paris, este suspira: “Eu me lembro de todos os detalhes. Os alemães vestiam cinza e você, azul”. Proprietário de um bar na cidade marroquina de Casablanca, Rick , ao ver Ilsa deixando o estabelecimento com Victor, fala: “Tantos bares, em tantas cidades em todo o mundo, e ela tinha que entrar logo no meu”. Em uma dos flashbacks dos momentos que passaram em Paris, Ilsa diz duas frases célebres: quando os alemães invadem a cidade (“Isso foi o barulho de um canhão ou o meu coração que deu um salto?”) e na despedida com Rick (“Beije-me. Beije-me como se essa fosse a última vez”). De volta ao bar, Ilsa implora a Rick que entregue os vistos de saída de seu marido. Ela aponta uma arma para Rick quando ele se nega a fazê-lo, e ouve a resposta: “Vá em frente, garota, você estará me fazendo um favor”. Os dois acabam decidindo fugir juntos, mas, na última hora, ele manda a moça ir embora com seu marido. Neste momento, os dois travam o diálogo mais célebre do filme: “E nós, Rick?”, pergunta ela. “Nós sempre teremos Paris”, ele responde. Ao final, Rick ajuda o casal a fugir de avião. Quando abraça o capitão da aeronave, ele fala: “Isso é o começo de uma grande amizade”.

 

Em plena Segunda Guerra Mundial, enquanto cidades são invadidas pelos alemães, duas pessoas conseguem viver um romance intenso e inesquecível em Paris. O que torna a história mais interessante é exactamente a impossibilidade deste amor continuar. O roteiro e os diálogos do filme dirigido por Michael Curtiz, em 1942, são perfeitos nesse sentido. llsa, interpretada pela bela actriz sueca lngrid Bergman, apaixona-se por Rick, o charmoso galã Humphrey Bogart, mas, em vez de fugir com ele de Paris, manda-lhe um bilhete de despedida na estação de comboio. Ele parte sem entender o que havia acontecido. Tudo isso é contado em flashback. Anos depois já em Casablanca, na Marrocos francesa, ela aparece com seu marido, o herói Victor Laszlo, interpretado pelo actor Paul Henreid, justamente no Rick's Bar, do qual o personagem de Bogart é dono. Eles estão à procura de um meio de fugir para a América. O sofrimento de Rick ao vê-la é inevitável e ela fica novamente dividida entre seus dois amores. O final é realmente surpreendente. Mas o sucesso do filme, que até hoje continua ganhando muitos fãs de todas gerações, explica-se pela fórmula bem-dosada de romance, humor, intriga e suspense.
O pano de fundo para o romance vivido por Rick e llsa não poderia ser mais tenebroso, com os estrondosos canhões nazistas que invadiam Paris. Logo no começo do filme, dois soldados alemães são assassinados no trem e as suspeitas da polícia recaem sobre os traficantes de vistos de saída. Um deles é detido em pleno Rick's Bar e morto ao tentar escapar. 0 clima volta a ficar tenso quando o líder da resistência francesa Victor Laszlo desafia os nazistas cantando o hino da França, La Marseillaise. No final do filme, o capitão Renault joga a garrafa de água Vicky no lixo num claro protesto contra o proteccionismo francês.


Nesta obra-prima de Michael Curtiz vive-se a nostalgia de uma paixão interrompida pela invasão nazi, com um par romântico que, na realidade, não se dava assim tão bem. Mas, afinal, o que faz de "Casablanca" o filme mais adorado de todos os tempos? Por Rui Pedro Vieira.

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O ROMANCE
Rick Blaine (Humphrey Bogart) e Ilsa Lund (Ingrid Bergman). Dois seres perdidos em recordações, relembrando os dias em que viveram uma paixão em Paris. As imagens desse tempo surgem em "flashback" e o que se pressente em "Casablanca" é a nostalgia de algo que ficou por concretizar - Ilsa escapa ao amor porque tempos difíceis se aproximam, deixando Rick a espera, numa estação de comboios. Casada com Victor (Paul Henreid), um líder da Resistência, percebe que o marido está em maus lençóis, quando as suspeitas e as delações proliferam nos tempos amargos da Segunda Guerra Mundial. A acção decorre agora na exótica Casablanca, um ponto estratégico para fugir a repressão, e é nessa mesma cidade que Rick tenta refazer a vida ao abrir um clube nocturno. Quando menos espera, Ilsa entra de rompante na sua vida, mas desta vez para pedir ajuda na fuga do marido para os Estados Unidos. O desenlace permanece incerto mas os dois protagonistas sabem que, independentemente do que acontecer, "haverá sempre Paris".
O "CHARME" DE BOGART


Fala envolto em fumo de um cigarro, com um copo de "whisky" nas mãos, mas mantém uma expressão triste, melancólica. Ao contrário dos seus desempenhos de "eterno durão", Bogart é em "Casablanca" um herói romântico. O público não estranhou a mudança de registo, mas nas últimas cenas, em que aparece de chapéu e gabardina cinzenta, percebe-se que a carreira de Humphrey Bogart nunca se conseguiu distanciar muito do cinema "negro". O carisma da sua personagem, Rick, constata-se na desenvoltura com que gere o seu bar (onde os desacatos são constantes) e na cumplicidade com o pianista Sam (Dooley Wilson). Porém, é um homem incrivelmente só, desiludido com a vida, que esconde por detrás da máscara do cinismo um amor disposto a todos os sacrifícios. Os efeitos do regresso inesperado de Ilsa ficaram expostos no célebre desabafo do herói de fraca estatura, mas gigante na presença emocional: "De todos os bares em todas as cidades do mundo, ela tinha de entrar logo no meu."


O OLHAR DE BERGMAN
Quando Ingrid Bergman aceitou desempenhar o papel da bela e sofisticada Ilsa, assustava-a não conhecer o final do filme (o realizador Michael Curtiz iniciara a rodagem sem que o argumento estivesse concluído). As suas incertezas artísticas acabaram reflectidas na montagem final e esta ambiguidade pode ser o segredo para uma interpretação magistral, em que sobressai um olhar contido e apaixonado - prestes a consumir-se em lágrimas. Ilsa é uma mulher dividida entre o dever de acompanhar o marido que admira ou render-se a paixão antiga, despertada novamente nos instantes em que volta a encontrar-se com Rick. A fórmula clássica do "triângulo amoroso" encaixa na perfeição em "Casablanca", com o ar fotogénico da actriz sueca a ilustrar os lugares inconstantes do coração.


A MÚSICA
"Play it again, Sam." A frase é uma das mais célebres da história do cinema, embora nunca seja proferida ao longo do filme. Tornou-se numa referencia imediata para a melodia "As Time Goes By", o tema que ajudava a traduzir em versos o amor entre Rick e Ilsa. No filme, é ao som de um piano que a personagem Sam canta a música a pedido dos protagonistas. Contudo, o actor Dooley Wilson era, na verdade, um baterista. Nas cenas em que interpretou "As Time Goes By", o som das teclas não vinha das suas mãos, mas das de Elliot Carpenter, um músico que, nas gravações, se encontrava escondido por detrás de uma cortina. O produtor Hal B. Wall chegou a pensar nas cantoras Hazel Scott, Lena Horne e até em Ella Fitzgerald para o papel de Sam, mas Dooley Wilson pareceu mais convincente e intimista. Depois da rodagem, o compositor Max Steiner insurgiu-se contra a escolha de "As Time Goes By" como tema principal e propôs um outro, da sua autoria - que acabou rejeitado porque os actores já estavam envolvidos em outros projectos e não podiam voltar para regravar as cenas necessárias. "As Time Goes By" foi escrito por Herman Hupfeld e interpretado pela primeira vez no espectáculo da Broadway "Everybody's Welcome".


A CENA FINAL
Está uma noite enevoada na pista do aeródromo de Casablanca. Rick e o capitão Louis Renault (Claude Rans) caminham de costas para o espectador, quando o protagonista profere, em jeito de desabafo: "Louie, acho que este é o começo de uma bela amizade." A deixa, introduzida depois de a rodagem estar concluída, continua a ecoar na mente dos cinéfilos e foi o remate ideal para um desenlace que deu várias dores de cabeça a equipa de argumentistas. Falou-se na possibilidade de Rick embarcar com Ilsa no avião para Lisboa ou de a mesma permanecer junto do seu antigo amante em Casablanca. A solução encontrada pode ter contrariado o "happy ending" de que Hollywood tanto gosta, mas ajudou a elevar o filme de Michael Curtiz ao estatuto de produção lendária.

 

Por Rodrigo Cunha


Uma obra-prima atemporal, que superou tantos problemas para escrever o seu nome na história.
"You must remember this..."


É impressionante o fato de Casablanca já ter mais de 60 anos e continuar emocionando. Isso porque os padrões de filmes românticos já mudaram tanto, mas tanto com o passar dos tempos que fica difícil realmente entender porque este filme continua tão maravilhoso. Curioso que, como toda grande produção, este longa passou por inúmeros problemas antes de ser finalizado. Era um roteiro que chegava diferente todos os dias às mãos da equipe, actores apressados para terminar suas participações para, assim, irem filmar outros longas (este era considerado um filme secundário), e por aí vai, em uma lista quase interminável de complicações.


Rick (Humphrey Bogart) é dono de um famoso bar localizado em Casablanca, Marrocos, rota de fuga para quem deseja escapar da Guerra e seguir para a Europa. Ele leva seu negócio com maestria, sem problemas com os guardas e dando a segurança necessária aos seus clientes, tudo embalado pelas mais belas canções tocadas por Sam (Dooley Wilson), seu fiel - e talvez único - amigo. Só que quando um amor muito mal resolvido do passado (Ilsa, vivida por Ingrid Bergman) chega ao seu bar, ele deve decidir se deve ajudá-la ou não a escapar junto com seu importante marido.
Ele é Victor Laszlo, interpretado pelo astro Paul Henreid. Ator famoso na época, só aceitou esse papel 'secundário' em troca do seu nome aparecer no topo do cartaz. Porém, apesar de ser um papel considerado secundário (afinal, a história principal é mesmo entre Rick e Ilsa), sua importância dentro da trama é enorme. Ele é o moinho que faz as águas da história correrem. Por sua causa a história principal acontece; é por sua causa que a vida dos personagens é alterada; é por sua causa que o filme tem a conclusão que tem.


Engraçado que as páginas do roteiro chegavam às mãos dos actores todos os dias, e olha que não estamos falando de George Lucas! Brincadeiras a parte, isso acontecia porque os roteiristas trabalhavam incansavelmente no roteiro, todos os dias, e não tinham um final para a história até pouco tempo antes da sequência ser filmada. Isso chegava a irritar Ingrid Bergman, que sempre perguntava aos roteiristas: "Por quem eu devo demonstrar mais amor?", e ouvia um "Interprete de forma ambígua. Quando tivermos um final, você vai ser a primeira a saber" em troca.


E não é que deu certo? O resultado é um romantismo de primeira; uma mulher presa ao passado, mas que não consegue deixar de olhar para o futuro. Uma das mais marcantes interpretações da história do cinema, mesmo que Ingrid tratasse esse filme apenas como mais um - ironias a parte, justamente aquele que as pessoas mais lembram nos dias de hoje. Toda vez que tinha uma pausa, durante as filmagens, corria para o telefone para saber como estariam as negociações de sua participação em Por Quem os Sinos Dobram?, que hoje é muito menos conhecido que Casablanca.


Óbvio que Humphrey Bogart não é nenhum galã, mas ao lado de Ingrid Bergman, quem não fica mais charmoso? O homem com mágoas do passado, que deve decidir por um grande amor ou uma causa maior para todos é, sem dúvidas, sua melhor performance nas telas. Basta comparar sua interpretação com as inúmeras refilmagens e adaptações para a TV - nenhum outro actor conseguiu sentir o cheiro da poeira de Bogart. O que deixou Rick imortalizado foi o seu humor ácido e o jeito malandro de tratar a tudo e a todos, mas sem nunca parecer arrogante ou antipático. É a mais perfeita escola de anti-heróis de Hollywood.


Outro personagem interessantíssimo e que tem grande presença no longa é o Capitão Renault. Suas cenas são engraçadas, revoltantes, e mostram bem como tudo funcionava em Casablanca. Conrad Veidt (do bacaninha O Homem que Ri) faz uma pequena participação como o Major Strasser, e Sydney Greenstreet aparece como Signor Ferrari. Nomes que fortaleceram a obra, mesmo que ela não precisasse de nada disso para ser grande.


Mesmo com tanta alteração e indecisão no roteiro, é impressionante o número de diálogos inteligentíssimos e no tempo certo do longa. Quem nunca ouviu falar de "Estou de olho em você, garota" e inúmeras outras passagens do longa? É uma mistura deliciosa de ação, policial, drama e, a mais marcante de todas as características, o romance. Um “eu te amo” não soa piegas por aqui. É o amor à moda antiga, embalado e digerido da melhor forma possível, mesmo tanto tempo depois. Um filme que poderia estar datado, afinal, se passa durante a Segunda Guerra Mundial. Mas ao invés de se concentrar na época, os personagens apenas a vivem, então sua atemporalidade está nas acções, e não no ambiente.


Como era um filme menor do estúdio, Casablanca viveu grandes problemas, principalmente na parte orçamentária. Tudo tirado de letra por Michael Curtiz, que nunca foi tão bem assim com actores, mas como técnico, não havia outro director igual. Seus impressionantes movimentos de câmara, somados à uma fotografia linda que aumenta de forma bastante expressiva o contraste entre preto e branco, tornam tudo ainda mais inesquecível. O que dizer da última sequência, feita com um avião de madeira e anões, para dar escala ao cenário, sem nunca transparecer aos olhos do público? Ele realmente era um génio, e o seu modo de resolver os problemas junto à produção é um exemplo até os dias de hoje.


Como falei, fica difícil entender porque Casablanca continua tão bom, mesmo com o passar de tantos anos. Talvez pelos personagens marcantes, pelos diálogos inesquecíveis, pelo romantismo constante, pela parte técnica inigualável... O leque de opções está aberto, cabe apenas a você decidir qual das opções lhe parece mais conveniente. Sinceramente? A decisão pouco vai importar, afinal, Casablanca é eternamente apaixonante como um todo.
Por Rodrigo Cunha – 2005


por Érika Liporaci
http://adorocinema.cidadeinternet.com.br/


"Toque de Novo, Sam" - Casablanca faz 60 anos e, assim como um bom vinho, está cada vez melhor.
Afinal, que magia tem Casablanca? O filme, rodado em 1943, continua apaixonando cinéfilos de todas as idades há seis décadas. Alguns atribuem tamanha longevidade ao carisma dos astros Humphrey Bogart e Ingrid Bergman. Outros, ao inesquecível tema "As Time Goes By", capaz de provocar imediata nostalgia e evocar amores perdidos em qualquer um. Ou seria a equilibrada mistura de romance e drama político que tanto nos encanta? Não importa. Casablanca é daqueles clássicos eternos que sempre terão destaque em qualquer lista que se faça. Não é à toa que foi o campeão do levantamento da AFI - American Film Institute - dos 100 maiores filmes de amor. Até mesmo o sarcástico Woody Allen se rendeu ao charme do filme em seu projecto conjunto com Herbert Ross, Sonhos de um Sedutor, onde recebia conselhos do fantasma de Bogart. Bryan Singer foi outro a homenagear o clássico, baptizando seu longa de estreia de "The Usual Suspects" (em português, apenas Os Suspeitos) em referência a uma famosa frase do filme, quando o inspector de polícia diz "arrest the usual suspects" (prendam os suspeitos habituais). A verdade é que diferentes gerações já se renderam a essa excepcional história que conjuga amor, drama, ironia, patriotismo, suspense, mas sobretudo magia... muita magia! Parada obrigatória para qualquer um que se julgue amante da sétima arte.


A trama quase todo mundo já conhece: durante a Segunda Guerra, Casablanca, no Marrocos, torna-se o principal entreposto na rota de fuga de toda a Europa. Em Casablanca é possível embarcar para Lisboa e, de lá, num navio para a América. O problema é que muitas pessoas vagam anos pela cidade atrás de um visto. O cínico americano Rick, que "não arrisca seu pescoço por ninguém", dirige o bar mais famoso e bem frequentado da cidade. Sua famosa imparcialidade é ameaçada com a chegada de Ilsa, seu grande e único amor que o abandonou no passado. Ela chega em companhia de Victor Laszlo, herói da resistência. Eles precisam de vistos para fugir. Rick pode ajudar mas, obviamente, reluta em fazê-lo. Na famosa seqüência que entrou para a história como "a cena do aeroporto", um corajoso Rick convence uma chorosa Ilsa a partir em companhia de Laszlo que, a essa altura, já se sabe ser o marido dela.


Muitas gerações debateram a pergunta que não quer calar: por que Rick deixou Ilsa partir, assim perdendo a mulher que amava pela segunda vez? Alguns engraçadinhos argumentam que "só em filme alguém deixaria Ingrid Bergman ir embora". Outros sugerem indícios de homossexualidade entre Rick e o chefe de polícia, por conta da última fala do filme ("Louie, acho esse é o início de uma bela amizade"). Brincadeiras à parte, todo cinéfilo parece ter uma teoria para o desenlace de Casablanca.
Na minha opinião, Rick sente-se tão envergonhado e diminuto diante de seu rival que não tem coragem de tirar-lhe a esposa. E talvez essa seja a grande ousadia de Casablanca, no final das contas: o herói do filme não é Rick e sim, Victor Laszlo. Não vamos confundir herói com protagonista. Rick é cínico, amargurado e, em certa medida, tornou-se um covarde após sua desilusão amorosa. Sem contar que ele trata as mulheres como lixo, castigando tolamente o mundo pelo mal que ele acha que Ilsa lhe causou. Já Laszlo é a personificação da integridade: corajoso, inteligente e, como se não bastasse, profundamente apaixonado pela esposa. Inesquecível a bela cena em que ele se levanta e, desafiando os abusados oficiais nazistas, insufla os frequentadores do bar a cantarem a Marselhesa (hino francês) com ele.
Rick, no fundo de seu coração, compreende que se Ilsa ficar com ele um dia virá a comparação. E que ele não é indicado para um herói. Preocupação que ele deixa transparecer no final, quando diz à amada que ela se arrependeria "talvez não hoje, nem amanhã, mas logo e pelo resto de sua vida". Compreender este fato acaba sendo a salvação de Rick, que finalmente toma consciência de que o mundo vai além de seu próprio umbigo.
Embora seja sem dúvida um belo filme de amor, Casablanca fala, acima de tudo, de redenção. De um homem e uma mulher que enfrentam seus fantasmas e têm coragem de seguir em frente. De fazer o que é preciso. O encontro com Ilsa "salva" Rick e retira-o de sua confortável e tediosa condição de espectador da vida. Ele acorda. Se envolve, se compromete. Enfim, volta a ser uma peça no tabuleiro.

 

AS TIME GOES BY

Letra e Música de Herman Hupfield

You must remember this,
A kiss is still a kiss,
A sigh is just a sigh;
The fundamental things
[apply

As time goes by.
And when two lovers woo,
They still say, "I love you ",
0n that you can rely;
No manter what lhe future
[brings
As time goes by.

Moonlight and love songs,
[never out of date,
Hearts full of passion,
jealousy and hate;
Woman needs man, and
man must have his mate,
That no one can deny.

lt's still lhe same old story
A fight for lave and glory,
A case of do or die
The world will always
[welcome lovers
As time goes by.

 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal

 

 

 

 

 

 

 

Webdesigner: Iara Melo

Fundo Musical: As Time Goes By - Herman Hupfeld

Intérprete: Louis Armstrong

 

 

 

 

 

 

 

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