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Cesário Verde

 

 

Morreu a 19 de Julho de 1886

 

 

 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

 

Formatação: Iara Melo

 

 

Cesário Verde, morreu prematuramente em Caneças (arredores de Lisboa) a 19 de Julho de 1886, vitimado pela tuberculose. Filho de um abastardo comerciante, dono de uma loja de ferragens da Rua dos Fanqueiros em Lisboa e proprietário de uma quinta em Linda-a-Pastora, começa a trabalhar ao balcão, após o exame de instrução primária, dedicando-se depois aos negócios do pai, ao mesmo tempo que efectua algumas viagens a Paris e Londres. Em 1873, ano que publica os primeiros versos na imprensa, matricula-se no Curso Superior de Letras, relacionando-se com Silva Pinto, o amigo a quem se ficou a dever a edição póstuma das suas poesias, que andavam dispersas por jornais e revistas umas, autografadas outras. Personalidade das mais originais e renovadoras da poesia portuguesas do século XIX, José Joaquim Cesário Verde é pela sua grande lucidez e invulgar consciência crítica um precursor da modernidade e por excelência o poeta de Lisboa e da burguesia dos finais do século XIX que, como Baudelaire, cultivou a dicotomia cidade-campo. O contacto com o campo na sua infância determina a visão que dele nos dá e a sua preferência. Ao contrário de outros poetas anteriores, o campo não tem um aspecto idílico, paradisíaco, bucólico, susceptível de devaneio poético, mas sim um espaço real, concreto, autêntico, que lhe confere liberdade. O campo é um espaço de vitalidade, alegria, beleza, vida saudável… Na cidade, o ambiente físico, cheio de contrastes, apresenta ruas macadamizadas/esburacadas, casas apalaçadas (habitadas pelos burgueses e pelos ociosos) e quintalórios velhos, edifícios cinzentos e sujos… O ambiente humano é caracterizado pelos calceteiros, cuja coluna nunca se endireita, pelos padeiros cobertos de farinha, pelas vendedeiras enfezadas, pelas engomadeiras tísicas, pelas burguesinhas… É neste sentido que podemos reconhecer a capacidade de Cesário Verde em trazer para a poesia o real quotidiano do homem citadino. Ao ler-se o poema "De Tarde", pertencente a "Em Petiz", é visível o tom irónico em relação aos citadinos, mas onde o tom eufórico também sobressai, ao percorrer os lugares campestres ao lado da sua "companheira". A preferência do poeta pelo campo está expressa nos poemas "De Verão" e "Nós" (o mais longo), onde desaparecem a aspereza e a doença ligadas à vida citadina e surge o elogio ao ambiente campesino. A arte de Cesário Verde é, pois, reveladora de uma preocupação social e intervém criticamente. O campo oferece ao poeta uma lição de vida multifacetada (por exemplo, os camponeses são retratados no seu trabalho diário) que ele transmite com objectividade e realismo. Trata-se, pois, de uma visão concreta do campo e não da abstracção da Natureza. A força inspiradora de Cesário é a terra-mãe, sendo nela que Cesário encontra os seus temas. É por isto que, habitualmente, se associa o poeta ao mito de Anteu (*).

(*) Anteu: Na mitologia berbere, Anteu era filho de Posídon e Gaia. Casou-se com Tinjis. Extremamente forte quando estava em contacto com o chão (ou a Terra, a sua mãe), ficava extremamente fraco se fosse levantado ao ar. Desafiava todos os seus possíveis rivais para combates corpo a corpo que terminavam invariavelmente com a morte do seu adversário. Um dos seus objectivos era utilizar os esqueletos dos viajantes que matava para edificar um templo em honra do deus seu pai. No entanto, Héracles/Hércules conseguiu descobrir o seu calcanhar de Aquiles e conseguiu derrotá-lo. Hércules descobriu que nunca conseguiria vencer Anteu atirando-o contra o chão, assim como Anteu não conseguia derrotar Hércules esmagando-lhe o crânio. Héracles conseguiu a morte de Anteu, levantando-o do chão, mantendo-o suspenso até à morte.O mito tem sido utilizado como fábula que simboliza a força espiritual que é mantida pela fé nas coisas imediatas e factuais - as coisas terrenas.
Plínio, o Velho, citando Euanthes, escreveu, na sua História Natural (viii. 22), que um homem da família de Anteu, depois de escolhido por algumas pessoas, foi levado para um lago da Arcádia, onde pendurou as roupas num freixo, atravessando o lago a nado. Foi, por conseguinte, transformado num lobo, tendo vagueado nessa forma por nove anos. Se conseguisse passar esse tempo sem atacar um ser humano, poderia voltar a atravessar o lago a nado e tomar a sua forma humana original. É um dos primeiros relatos sobre licantropia que se conhecem. Na Divina Comédia, Anteu assume a forma de um gigante que guarda o nono círculo do Inferno. É ele que levará Dante e Virgílio até ao fundo desse círculo onde corre o rio gelado do Cocito.

Obra de Cesário Verde:

Eu e ela (13/2/95)

Arrojos (15/5/95)

O Sentimento dum Ocidental (28/8/95, 5,11,18/9/95)

Manias! (7/10/96)

Lúbrica (4/1/99)

Contrariedades (25/1/99)

Eu, que sou feio... (07/10/02)

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal

 

 

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