Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro
Formatação de Iara Melo
D. Pedro IV -
1º do Brasil
(Pedro de Alcântara Francisco António
João Carlos Xavier de Paula Miguel
Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano
Serafim de Bragança e Bourbon)
Morreu no dia 24 de Setembro de 1834, no
Palácio de Queluz (Lisboa – Portugal)
D. Pedro IV de Portugal (1º do
Brasil), nasceu no Palácio de Queluz
(arredores de Lisboa) no dia 12 de
Outubro de 1798, e, morreu no mesmo
palácio no dia 24 de Setembro de 1834.
Foi o 29.º Rei de Portugal, durante um
período de sete dias, ou seja, entre 26
de Abril e 2 de Maio de 1826, como D.
Pedro IV e, ainda, o primeiro Imperador
do Brasil, como D. Pedro 1º, de 12 de
Outubro de 1822 a 7 de Abril de 1831. Em
Portugal, é conhecido como o cognome "O
Rei-Soldado", uma vez que andou
combatendo contra seu irmão, D. Miguel,
na Guerra Civil de 1832-34, ou, "O
Rei-Imperador"; é também conhecido, de
ambos os lados do Atlântico, como "O
Libertador - Libertador do Brasil" do
jugo português e mais: "Libertador de
Portugal do governo absolutista".
D. Pedro abdicou de ambas as suas
coroas: da de Portugal para a filha
Maria da Glória e da do Brasil para o
filho Pedro II. D. Pedro 4º. era o
filho mais velho do rei João VI de
Portugal e, de sua mulher, a rainha D.
Carlota Joaquina de Bourbon, princesa de
Espanha. Depois do regresso da Família
Real portuguesa a Lisboa, ao fim de
cerca de vinte anos no Rio de Janeiro,
os privilégios entretanto concedido ao
Brasil foram rescindidos. D. Pedro, que
ficara no Brasil como regente do seu pai
João VI, alinhou com o descontentamento
brasileiro que as medidas provocaram. D.
Pedro toma ainda a decisão de apoiar a
revolta dos constitucionalistas no
Porto. João VI e a elite política
portuguesa pressionam D. Pedro a
regressar a Portugal, mas ele recusa-se
persistentemente, num dos episódios que
ficaram conhecidos como "Dia do Fico".
Por conta disso, a Regência do Brasil é
retirada de suas mãos. As notícias da
despromoção chegaram a D. Pedro 7 de
Setembro de 1822. Ao receber a última
ordem do pai para regressar em vergonha
a Portugal, D. Pedro declara a
Independência do Brasil nas margens do
rio Ipiranga, em São Paulo, exclamando:
"Independência ou Morte!". D. Pedro
contou, naturalmente, com o apoio da
maioria dos brasileiros e foi proclamado
imperador a 12 de Outubro e coroado a 1
de Dezembro. A 24 de Fevereiro de 1824,
o Brasil torna-se, sob a sua influência,
uma monarquia constitucional. De
Portugal, João VI, tentou sem sucesso
reaver a Colónia do Brasil. A única
solução encontrada para reunir Portugal
e Brasil foi a de nomear Pedro IV ( 1º
do Brasil) seu sucessor em Portugal,
apesar de este ter sido deserdado em
consequência dos acontecimentos de 1822.
Assim, em Maio de 1826, D. Pedro
torna-se Pedro IV de Portugal, apesar de
a Constituição brasileira o proibir. Por
isso, no mês seguinte, abdica da Coroa
Portuguesa para a filha Maria da Glória
(mais tarde D. Maria II), que fica
prometida ao seu tio Miguel de Portugal,
entretanto nomeado Regente de Portugal.
A solução prometia a paz, mas D. Pedro
tornou-se cada vez mais impopular no
Brasil. Em 1831 é forçado a abdicar para
o filho Pedro II do Brasil (com apenas
seis anos) e regressa a Portugal, onde
se viviam as Guerras Liberais entre os
miguelistas, partidários do absolutismo
defendido por D.Miguel, que usurpara a
coroa a D. Maria II, e os liberais,
defensores do constitucionalismo. Em 24
de Julho 1834, depois da batalha de
Lisboa, ganha pelo marechal-duque da
Terceira, os liberais derrotam os
miguelistas e, D. Pedro repõe a filha
(nascida no Rio de Janeiro) no trono de
Portugal. Pedro morre em 24 de Setembro
de 1834, em Queluz (perto de Lisboa -
Portugal).
Em 24 de setembro de 1834 morreu no
Palácio de Queluz, por coincidência, no
quarto em cujas paredes se vêem as
grotescas cenas do Quixote, de Cervantes
- D. Pedro de Alcântara, primeiro do
nome no Império do Brasil, quarto Pedro
dos reis portugueses. Contando-lhe a
vida, faz meio século, num livro de
juventude, considerei-o um herói
precoce, que galgou a imortalidade
cavalgando as grandes crises do século,
por isso, justamente, "O Rei Cavaleiro".
As crises foram da liberdade contra o
absolutismo, na América e na Europa.
Aqui, rompeu com a tradição, aceitando a
aclamação nacional. Lá, desligou-se do
passado, tomando a causa da Constituiçao.
Vem dai o fato, único no mundo, de ser o
estadista (à frente das multidões que,
ufano chefe das revoluções permanentes,
tem o seu monumento nas duas margens do
Atlântico, no Rio de Janeiro a cavalo -
na Praça Tiradentes e, em Lisboa, no
Rossio, ereto sobre a coluna coríntia.
Ninguém o igualou no culto dos povos
desentendidos em 1822, na língua comum.
Aqui, promovendo a Independência, acolá,
impondo a Lei; com a circunstância de
pôr no trono os filhos, D. Pedro II no
Brasil, D. Maria II em Portugal. Juntou
à previsão o entusiasmo. Selou com a
vitória o destino. Soube comandar de
espada na mão a independência dos
brasileiros e a transformação dos
patrícios, soldado impetuoso, quer na
colina do Ipiranga, quer no cerco do
Porto, em ambas as conjunturas ungido
pela sorte, que é a ordenança do valor.
De um lado (eis o seu legado!)
consolidou a unidade brasileira, de um
outro, impeliu Portugal para diante,
rasgando na antiga colônia e na
metrópole decadente, os diplomas de
antanho, em nome das luzes da
Civilização. Fundando o Império, guiado
peia sabedoria de José Bonifácio de
Andrada e Silva, traçou entre a era
morta e os novos tempos, a ponte da
concórdia em vez de abrir como alhures
os abismos da divisão é da guerra. Sem a
solução monárquica de 1822, proclamado
D. Pedro I Imperador, retalhar-se-ia o
Pais em Estados soberanos, num desafio à
posteridade, que dificilmente o
reuniria, se pudesse fazê-lo um dia, na
imagem integra da Pátria. Do mesmo modo,
abdicando em 1831 a coroa americana,
arrasou no Reino os arsenais da Idade
Média, implantando, semelhantes às
liberdades que outorgara ao Brasil
(Carta de 1824), as liberdades que
vigoraram em Portugal (Carta de 1826).
Não importam os erros políticos que
acabaram encurtando o seu governo, tão
popular no começo - em que aderiu à
Nação adotiva - e tão hostilizado no fim
quando parecia ter renegado a democracia
que anunciara. Sobre os desacertos e os
infortúnios, agiganta-se o gênio de
condutor das massas,o fulgor da estrela
cívica, que lhe iluminou a jornada, em
ambos os continentes. Por mais que o
discutissem após sua morte, as suas
qualidades sobrepujaram os seus
defeitos. Foi formidavelmente
providencial, quase adolescente (nascera
em 1798) e ainda moço (faleceu aos 36
anos) aquém e alem-mar. É o Bolivar dos
brasileiros é o Condestável dos
portugueses. São comparações razoáveis,
nas perspectivas da Historia, em que o
ideal ismo e a bravura se al iam à
oportunidade - de gera r o tempo o
indivíduo que deu corpo e alma à
coletividade. Os monumentos que à beira
do Oceano, no Brasil e na Europa,
celebrizam o "Rei Cavaleiro", equivalem
a mensagens imperecíveis recordando-lhe
as lutas, as opções, o poder e a glória.
Morreu há mais de século e meio. E
continua lembrado e o reverenciamos em
todos os 7 de setembro como se
continuasse vivo, a cavalo, no punho
triunfante a Suprema Lei, irradiando a
majestade do patrono da Independência.
Várias Fontes
Queluz
Diz uma lenda popular:
"Durante anos, se contou de pai para
filho, a velha lenda dos caçadores que
andando nas vastas matas então
existentes, se perderam no intenso
arvoredo, e em dado momento, avistaram
uma luz e para ela se encaminharam,
exclamando: - "Que luz é aquela?",-
"Que luz".
Mas Queluz é um nome árabe e significa
"Vale da Amendoeira".
Queluz, lugar importante da Província da
Estremadura, pertencente à freguesia de
Belas, concelho de Sintra, distrito de
Lisboa. É uma povoação muito pitoresca,
e muito visitada por causa do Palácio
Real ali existente. Está situado em
lugar baixo, cercado de vários outeiros
de pouca elevação, mas em sítio ameno,
fértil e saudável. O palácio e quinta de
Queluz foi incontestavelmente uma das
mais importantes e sumptuosas
residências, que a realeza possuía em
todo o Reino. Data de meados do século
XVII o primitivo edifício que pertenceu
aos Marqueses de Castelo Rodrigo. Nessa
época, Queluz não passava duma pobre
aldeia, sem a mínima importância, e só
mais tarde, quando aquela propriedade se
instituiu em residência real, é que a
povoação se engrandeceu, tendo uma época
muito florescente até ao começo do
século XIX, e ainda no tempo do governo
do infante D. Miguel. Os Marqueses de
Castelo Rodrigo, como traidores à
Pátria, perderam o direito ao palácio e
quinta de Queluz, por lhe terem sido
confiscados todos os bens para a Coroa
de Portugal, em Dezembro de 1640, data
gloriosa da restauração do Reino do
domínio castelhano. D. João IV, por
alvará de 11 de Agosto de 1654,
instituiu a Casa do Infantado, em favor
do filho segundo dos nossos monarcas, e
fez lhe doação nesse mesmo ano, dos bens
sequestrados ao Marquês de Castelo
Rodrigo e a outros fidalgos, que também
haviam seguido o partido de Espanha. O
primeiro senhor da Casa do Infantado foi
o infante D. Pedro, mais tarde rei D.
Pedro II. Esta casa, que se tornou mais
grandiosa pelos rendimentos, honras e
privilégios, extinguiu-se em 1834, tendo
sido D. Miguel (2º filho de D. Carlota
Joaquina) o seu ultimo proprietário. O
palácio e quinta de Queluz começaram a
ser muito frequentados pelo seu novo
possuidor, o infante D. Pedro, e essas
visitas amiudaram-se, sem serem
estranhas à politica, porque se podia
falar ali desafogadamente sem receio dos
espiões do conde de Castelo Melhor,
primeiro Ministro e favorito d'el-rei D.
Afonso VI. Seguiram se depois as grandes
intrigas palacianas, de que resultou a
destronização de D. Afonso VI, o seu
desterro e prisão nos paços de Sintra,
que teve o desenlace fatal com a morte
do desditoso monarca, sucedida em 12 de
Setembro de 1683. Pelo falecimento de D.
Pedro II passou a Casa do Infantado ao
seu filho segundo, o infante D.
Francisco, que todos os anos passava a
estação calmosa naquela residência, que
se tornara sua predilecta. No tempo
deste infante, que possuiu a propriedade
perto de 35 anos, obteve o palácio e
quinta de Queluz bastantes
melhoramentos. D. Francisco tinha um
filho bastardo, D. João da Bemposta, e
por sua morte, formou-se grande demanda
entre os infantes D. António, irmão de
D. João V e o infante D. Pedro, filho
deste monarca, que ficou vencedor, e que
mais tarde se chamou D. Pedro III, por
ter casado com sua sobrinha, a rainha D.
Maria 1ª. D. Pedro II resolveu fazer de
Queluz o Palácio Versalhes de Portugal,
e por isso tratou de aumentar a
propriedade, com a aquisição de outras
que lhe ficavam confinantes,
encarregando do risco e execução do novo
palácio, da planta e ornatos dos jardins
e quintas, o arquitecto português Mateus
Vicente de Oliveira, e o arquitecto e
escultor francês João Baptista Robillon.
Em Junho de 1755 começaram os trabalhos
da nova construção, e prosseguiram com
mais ou menos actividade até 25 de Maio
de 1786, dia em que faleceu D. Pedro
III. Oito anos estiveram então as obras
paradas, e no fim desse tempo, em 1794,
a rainha D. Maria I mandou edificar um
novo corpo do palácio, onde habitou na
sua viuvez. No entretanto, aqueles oito
anos não foram tempo suficiente para se
concluírem as obras, nem os rendimentos
da Casa do Infantado bastavam para as
despesas, tendo a rainha de mandar
fornece avultadas somas do tesouro
público. Os jardins e parque chegaram a
concluir-se, mas o palácio ficou sempre
incompleto. Durante o andamento das
obras, contudo, apenas se aprontaram
acomodações indispensáveis, a família
real para aí foi residir todos os anos,
nos meses de Verão. Enquanto viveu D.
Pedro III, houve festas esplêndidas no
palácio de Queluz, sendo escolhidos os
dias de S. João e S. Pedro, e os dos
aniversários natalícios mais solenes das
pessoas reais. As funções constavam de
sumptuosa festa religiosa celebrada de
manhã na capela por música vocal e
instrumental, executada pelos mais
distintos professores nacionais e
estrangeiros, que viviam em Lisboa, além
dos músicos da Patriarcal. De tarde
realizavam-se corridas de touros, ou
cavalhadas em que os cavaleiros
ostentavam soberbos ginetes e custosas
galas; nestas diversões tomavam parte os
mais distintos fidalgos da corte. Ao
cair da noite iluminavam-se as fachadas
do palácio, os jardins e o parque.
Depois ressoavam as orquestras em
harmoniosos concertos nas espaço das
salas, revestidas de espelhos, que
faziam multiplicar infinitamente as
numerosas luzes dos candelabros, dos
lustres e das placas, e em que a corte
se retratava em enorme auditório
respondente de diamantes e sedas
multicores recamadas de ouro. Nos
concertos tornavam parte a rainha D.
Maria I, então ainda princesa do Brasil,
e as infantas suas irmãs. Mais tarde
servia-se a ceia, e quando a noite ia já
muito adiantada, queimava-se nos jardins
um brilhante fogo de artificio, cujas
mil fantásticas invenções se alternavam
com os repuxos dos lagos, donde subiam
as águas como colunas de cristal, ou em
graciosas espadanas que se cruzavam, ou
noutras variadíssimas formas. Em Queluz
também se construiu um teatro sob a
direcção do arquitecto Inácio de
Oliveira Bernardes, o qual se inaugurou
a 17 de Dezembro de 1778, para solenizar
o aniversário natalício da rainha D.
Maria I. Representavam-se naquele teatro
operas líricas, e foi um divertimento
que veio tornar ainda mais brilhantes as
funções de Queluz. Tendo-se incendiado
urna grande parte do palácio velho da
Ajuda (construído em grande parte em
madeira), a Família Real foi em 1795,
fixar a sua residência no Paço de Queluz,
e ali se conservou até 29 de Novembro de
1807, dia em que fugiu para o Brasil,
pela entrada dos franceses em Portugal.
Em 1821, porém, tendo já falecido D.
Maria I (no Brasil), D. João VI,
regressando do Brasil, para ali foi
habitar, mas pouco tempo se demorou em
Queluz, pois, em consequência de antigas
desinteligências que então se renovaram
entre o soberano e sua mulher, D.
Carlota Joaquina, D. João VI veio
residir para o palácio da Bemposta
(Anjos - Lisboa), onde faleceu em 10 de
Março de 1826, ficando em Queluz D.
Carlota Joaquina só com a sua filha mais
nova, a infanta D. Ana de Jesus Maria,
conservando-se ali até ao seu
falecimento (suicídio) , sucedido em 7
de Janeiro de 1830. Foi ainda naqueles
paços que se realizou em 1827, o
casamento da referida infanta D. Ana de
Jesus Maria com o Marquês de Loulé,
depois agraciado com o título de duque.
Queluz teve urna triste celebridade
desde a partida de D. João 6º para o
Paço da Bemposta, até ao ano de 1828, em
que a infanta D. Isabel Maria, então
regente, entregou o governo a seu irmão
D. Miguel, que se fez aclamar rei. Essa
triste celebridade foram as conspirações
permanentes que naquele palácio se
fomentaram contra a liberdade da nação,
até esse ano de 1828. Durante os 5 anos
que durou o governo absolutista até
Julho de 1333, D. Miguel viveu no Paço
de Queluz com suas irmãs D. Isabel Maria
e D. Maria da Assumpção. De pois de ser
desterrado de Portugal, o palácio ficou
abandonado até Setembro de 1834, em que
D. Pedro IV, achando-se gravemente
enfermo, o foi habitar, desejando
falecer no mesmo quarto onde havia
nascido, desejo que realizou no dia 24
do referido mês e ano. Desde essa época,
uma parte do edifício ficou sendo
habitada pelas antigas açafatas da Casa
Real.
Do Archivo Pittoresco vol. VI,
transcrevemos a seguinte descrição: "Queluz
tem treze salas revestidas de espelhos e
guarnecidas de obra de talha dourada,
onde se admiram lavores delicadíssimos,
tendo o pavimento todo de mármore de
cores em xadrez, ou de madeiras de
variadas cores e qualidades. A sala das
talhas e a das serenatas são as
principais em grandeza e riqueza. A
primeira tem nos topos dois tronos,
cujos dóceis são sustentados por colunas
oitavadas guarnecidas de espelhos e
douraduras; e do mesmo modo se vêem as
paredes e as portas. O pavimento é de
mármore branco e azul em xadrez. No
tecto está representado em pintura um
grande concerto, ou serenim, como então
lhe chamavam, em que figuram el-rei D.
José e a rainha D. Mariana Vitoria; o
célebre mestre de musica David Peres,
tocando cravo ao lado do. soberano; a
princesa D. Maria, mais tarde rainha (D.
Maria I); o as infantas D. Maria
Francisca Benedita, ao diante princesa
do Brasil, D. Mariana Josefa e D. Maria
Doroteia, com papéis de solfa nas mãos,
em acção de cantarem; o infante D.
Pedro, depois rei, regendo o concerto, e
muitas pessoas da corte. Dão nome a esta
sala preciosas talhas de porcelana do
Japão, que a decoram, colocadas no
pavimento sobre peanhas de madeira com
ornatos relevados e vazados. Como indica
a pintura do tecto, esta sala foi
construída expressamente para os
concertos da corte; e com efeito alguns
se executaram nela, porém depois passou
a servir para os beija-mãos e audiências
solenes aos ministros estrangeiros,
destinando-se para os concertos outra
sala, à qual ficaram chamando das
serenatas. Esta sala é maior, e muito
mais esbelta e sumptuosa que a
precedente. Paredes e portas tudo é
coberto de alto a baixo de magníficos
espelhos e de esculturas douradas. Da
sala das talhas segue para a direita uma
galeria de outras salas mais pequenas,
mas igualmente ricas, ostentando no
pavimento lindos mosaicos de madeira, e
nas paredes imaginosos relevos dourados,
ou prateados, e grandes espelhos, tendo
na metade inferior graciosas paisagens e
figuras primorosamente pintadas no
vidro. A última sala desta galeria ocupa
o elegante pavilhão, que é um lugar
histórico, por ser a câmara onde nasceu
e veio a falecer em 1834 D. Pedro IV.
Quase tudo ali se conserva no estado em
que o deixou o magnânimo príncipe ao
entregar o espírito ao Criador. A cama,
com a modesta roupa que a cobre, não
condiz com a riqueza do aposento, mas
revela os hábitos singelos e a lhaneza
de maneiras do soberano que fez
consistir a sua maior glória do título
de primeiro soldado da liberdade.
Vêem-se nesta câmara três painéis a óleo
com os retratos do principie D. António,
filho primogénito de el-rei D. João VI,
falecido de tenra idade, do infante de
Espanha D. Carlos, e de sua primeira
mulher, a infanta de Portugal D. Maria
Francisca, filha do mesmo monarca.
Exteriormente é este edifício todo de
mármore, profusamente decorado de
colunas e pilastras dóricas e jónicas,
de balaustradas, estatuas, vasos, e
outros ornamentos. No tímpano, sobre a
grande janela do centro, da referida
câmara, está um baixo-relevo esculpido
com muita perfeição, e que representa
uma festa de Baco. A capela principal do
palácio fica ao lado oposto dos jardins,
com porta para a rua. É espaçosa e bem
ornada. O oratório particular encerra
algumas obras de arte de muito valor,
entre as quais sobressaem vários painéis
de excelente pintura, e uma formosa
coluna de ágata, cujo fuste tem um metro
e trinta e três centímetros de altura, e
sustenta uma esta tua de S. Pedro, de
prata, cinzelada com muito primor. Foi
dada de presente pelo papa Pio VII a
el-rei D. João VI. São estas, em muito
resumido quadro, as coisas mais notáveis
deste vastíssimo palácio. A quinta
corresponde-lhe, se o não excede, em
magnificência. São muitos, e muito
grandes e variados os jardins. Os
principais estendem-se diante das
diversas fachadas do palácio. De todas
as salas mais nobres se abrem portas de
vidraças que comunicam com estes
jardins, que são adornados de numerosas
estatuas e vasos de mármore, e de lagos
de todos os tamanhos e feitios, com
repuxos de muita diversidade de
invenções, alguns deles guarnecidos de
belos grupos de figuras. À saída destes
jardins erguem-se dois altos pedestais
servindo de base a duas estátuas
equestres alegóricas da Fama. São de
mármore, e foram esculpidas por Manuel
Alves e Silvestre de Faria Lobo, segundo
o desenho do mencionado arquitecto
francês Robillon. Ao parque segue-se a
tapada separada por uma cerca dos muros;
Tem basto arvoredo, muitas e espaçosas
ruas, e abundância de caça miúda.»
A ribeira do Jamor atravessa a quinta,
encanada e guarnecida de preciosos
azulejos, produção da fábrica do Rato
(Lisboa), segundo desenhos de Robillon,
que foram executados por artistas
holandeses que para ali contratou, o
Marquês de Pombal, sendo há poucos anos
completados por Pereira Júnior, e outro
artista. Nos jardins que circundam o
palácio, há lindas plantas,
distinguindo-se, entre elas, o belo
geranios do Cabo e soberbas magnólias.
Os maravilhosos jogos de água estão hoje
muito mal tratados, e mais de 40 anos de
abandono contribuíram para arruinar, em
parte, esta esplêndida propriedade, que
se vê na maior decadência, e cujos
azulejos estiveram assim entregues ao
vandalismo. Formam as partes laterais da
ribeira do Jamor, ao atravessar a quinta
de Queluz, duas paredes com um
prolongamento de 115 m., divididas ao
centro por um alegrete sobre dois arcos,
e onde existia a antiga casa da música.
Estas paredes são revestidas
interiormente de azulejos, em azul,
representando diversos assuntos, na
maior parte, portos de mar, fortalezas
salvando, abordagem de galeões e
bergantins conduzindo a terra cortesãs,
oficialidade, etc. A parte superior
termina em 20 peanhas de cada lado,
ornamentadas com azulejos coloridos. A
parte posterior do lado esquerdo é
também de azulejos coloridos e
representa na maior parte assuntos de
caça. Corre, em todo o seu prolongamento
uma rua orlada de amoreiras, que, diz a
tradição, foram mandadas plantar pelo
Marquês de Pombal, quando desenvolveu a
indústria das sedas no país. Na estação
calmosa as águas do Jamor são represadas
por meio de umas comportas de madeira,
formando então a ribeira um enorme lago
com 115 m. de comprido por 12 de largo,
onde a projecção dos azulejos e do
arvoredo oferece um quadro maravilhoso.
O lago, na sua maior enchente, forma uma
queda de água de 5 m. de altura. O
pintor Carlos Alberto Nunes reproduziu a
óleo aquele quadro, e ofereceu-o ao rei
D. Carlos, em 1901. Em 1898 esteve ali o
popular José Augusto, já hoje falecido,
arrancando dum lado, colocando noutro,
cheio de boa vontade, diversos azulejos,
mas, ignorando o desenho ornamental,
nada adiantou, ficando tudo como
anteriormente. Foi el-rei D. Carlos quem
depois ordenou a restauração e
reconstrução dos azulejos neste rio.
Encarregou-se do trabalho,
primeiramente, o pintor Pereira Júnior e
depois Carlos Alberto Nunes, seu
discípulo. Foi este senhor, com o
auxilio e boa vontade do almoxarife do
paço de Queluz Manuel Cardoso dos Santos
Vasques, e do seu ajudante Eugénio
Tavares de Almeida e Sousa, que concluiu
esta obra com muito êxito. Ao centro da
ribeira foi levantado um monumento em
azulejo policromo, com diferentes
quadros de Mitologia, e tendo num dos
panneaux do centro as armas de Bragança
e Orleans, e dos lados as seguintes
inscrições:
A RESTAURAÇÃO E RECONSTRUCÇÃO
DOS AZULEJOS
N’ESTE RIO
FOI ORDENADA NO ANNO DE 1900,
SENDO ADMI-
NISTRADOR DA FAZENDA DA CASA
REAL O
CONSELHEIRO PEDRO VICTOR DA
COSTA
SEQUEIRA
O PINTOR – JOSÉ MARIA PEREIRA
CÃO
POR ORDEM DE SUA MAGESTADE
EL-REI
D. CARLOS I
E
SUA MAGESTADE A RAINHA D.
MARIA AMELIA
D'ORLEANS
SE COMEÇOU A RESTAURAÇÃO DOS
AZULEJOS
N'ESTE RIO NO ANNO DE 1900
O ALMOXARIFE DE QUELUZ
MANOELCARDOSO DOS SANTOS
VASQUES.
Este trabalho é de Pereira Cão (pseudónimo
artístico de José Maria Pereira Júnior).
O monumento é encimado por um grupo dos
que ornamentavam as varandas do palácio,
e representa o rapto das Sabinas, e
tendo dos lados mais dois grupos onde se
vê Diana e Adónis. Nas peanhas laterais
foram colocados vasos imitando os
antigos que estão no jardim, e, são da
extinta fábrica do Rato. A parte
posterior da ribeira, do centro para
baixo, e o edifício hexagonal, donde é
tirada a agua do rio para as regas, são
em azulejo, trabalho completamente novo,
sendo Os quadros de figuras em azul e as
molduras a cores, estilo Luís XV, e
desenhos de execução de Carlos Nunes.
Todo o trabalho moderno está
primorosamente te assente pelo
ladrilhador Vicente Rodrigues Reboleira.
Queluz tem estação na linha do
caminho-de-ferro de Sintra, entre as da
Amadora e o apeadeiro de Barcarena. A
mesma estação serve para Belas, por isso
tem a designação de Queluz-Belas.
É em Queluz a sede do grupo de
artilharia a cavalo. O edifício do
palácio e a quinta deixaram de ser do
domínio da coroa, ainda antes da queda
da monarquia e da aclamação da
Republica, ficando pertencendo à nação,
assim como as outras residências reais.
Na cerca do palácio foi criada, em Abril
de 1911, uma escola pratica de
pomicultura, horticultura e jardinagem.
(Fonte: Portugal - Dicionário Histórico,
Corográfico, Heráldico, Biográfico,
Bibliográfico, Numismático e Artístico.