D. Pedro IV - 1º do Brasil

 

Morreu a 24 de Setembro

 

 

 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

 

Formatação de Iara Melo

 

 

 
D. Pedro IV - 1º do Brasil
(Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Joaquim  José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon)
Morreu no dia 24 de Setembro de 1834, no Palácio de Queluz (Lisboa – Portugal)
 
 
D. Pedro IV de Portugal (1º do Brasil), nasceu no Palácio de  Queluz (arredores de Lisboa) no dia 12 de Outubro de 1798, e, morreu no mesmo palácio no dia  24 de Setembro de 1834.
Foi o 29.º Rei de Portugal, durante um período de sete dias, ou seja, entre 26 de Abril e 2 de Maio de 1826, como D. Pedro IV e, ainda,  o primeiro Imperador do Brasil, como D. Pedro 1º, de 12 de Outubro de 1822 a 7 de Abril de 1831. Em Portugal, é conhecido como o cognome "O Rei-Soldado", uma vez que andou combatendo contra seu  irmão, D. Miguel, na Guerra Civil de 1832-34, ou,  "O Rei-Imperador"; é também conhecido, de ambos os lados do Atlântico, como "O Libertador - Libertador do Brasil" do jugo português e mais: "Libertador de Portugal do governo absolutista".
D. Pedro abdicou de ambas as suas coroas: da de Portugal para a filha Maria da Glória e da do Brasil para o filho Pedro II. D. Pedro 4º.  era o filho mais velho do rei João VI de Portugal e, de sua mulher, a rainha D. Carlota Joaquina de Bourbon, princesa de Espanha. Depois do regresso da Família Real portuguesa a Lisboa, ao fim de cerca de vinte anos no Rio de Janeiro, os privilégios entretanto concedido ao Brasil foram rescindidos. D. Pedro, que ficara no Brasil como regente do seu pai João VI, alinhou com o descontentamento brasileiro que as medidas provocaram. D. Pedro toma ainda a decisão de apoiar a revolta dos constitucionalistas no Porto. João VI e a elite política portuguesa pressionam D. Pedro a regressar a Portugal, mas ele recusa-se persistentemente, num dos episódios que ficaram conhecidos como "Dia do Fico". Por conta disso, a Regência do Brasil é retirada de suas mãos. As notícias da despromoção chegaram a D. Pedro 7 de Setembro de 1822. Ao receber a última ordem do pai para regressar em vergonha a Portugal, D. Pedro declara a Independência do Brasil nas margens do rio Ipiranga, em São Paulo, exclamando: "Independência ou Morte!".  D. Pedro contou, naturalmente, com o apoio da maioria dos brasileiros e foi proclamado imperador a 12 de Outubro e coroado a 1 de Dezembro. A 24 de Fevereiro de 1824, o Brasil torna-se, sob a sua influência, uma monarquia constitucional. De Portugal, João VI, tentou sem sucesso reaver a Colónia  do Brasil. A única solução encontrada para reunir Portugal e Brasil foi a de nomear Pedro IV ( 1º do Brasil) seu sucessor em Portugal, apesar de este ter sido deserdado em consequência dos acontecimentos de 1822. Assim, em Maio de 1826, D. Pedro torna-se Pedro IV de Portugal, apesar de a Constituição brasileira o proibir. Por isso, no mês seguinte, abdica da Coroa Portuguesa para a filha Maria da Glória (mais tarde D. Maria II), que fica prometida ao seu tio Miguel de Portugal, entretanto nomeado Regente de Portugal. A solução prometia a paz, mas D. Pedro tornou-se cada vez mais impopular no Brasil. Em 1831 é forçado a abdicar para o filho Pedro II do Brasil (com apenas seis anos) e regressa a Portugal, onde se viviam as Guerras Liberais entre os miguelistas, partidários do absolutismo defendido por D.Miguel, que usurpara a coroa a D. Maria II, e os liberais, defensores do constitucionalismo. Em 24 de Julho 1834, depois da batalha de Lisboa, ganha pelo marechal-duque da Terceira, os liberais derrotam os miguelistas e, D. Pedro repõe a filha (nascida no Rio de Janeiro) no trono de Portugal. Pedro morre em 24 de Setembro de 1834,  em Queluz (perto de Lisboa - Portugal).            
Em 24 de setembro de 1834 morreu no Palácio de Queluz, por coincidência, no quarto em cujas paredes se vêem as grotescas cenas do Quixote, de Cervantes - D. Pedro de Alcântara, primeiro do nome no Império do Brasil, quarto Pedro dos reis portugueses. Contando-lhe a vida, faz meio século, num livro de juventude, considerei-o um herói precoce, que galgou a imortalidade cavalgando as grandes crises do século, por isso, justamente, "O Rei Cavaleiro". As crises foram da liberdade contra o absolutismo, na América e na Europa. Aqui, rompeu com a tradição, aceitando a aclamação nacional. Lá, desligou-se do passado, tomando a causa da Constituiçao. Vem dai o fato, único no mundo, de ser o estadista (à frente das multidões que, ufano chefe das revoluções permanentes, tem o seu monumento nas duas margens do Atlântico, no Rio de Janeiro a cavalo - na Praça Tiradentes e, em Lisboa, no Rossio, ereto sobre a coluna coríntia. Ninguém o igualou no culto dos povos desentendidos em 1822, na língua comum. Aqui, promovendo a Independência, acolá, impondo a Lei; com a circunstância de pôr no trono os filhos, D. Pedro II no Brasil, D. Maria II em Portugal. Juntou à previsão o entusiasmo. Selou com a vitória o destino. Soube comandar de espada na mão a independência dos brasileiros e a transformação dos patrícios, soldado impetuoso, quer na colina do Ipiranga, quer no cerco do Porto, em ambas as conjunturas ungido pela sorte, que é a ordenança do valor. De um lado (eis o seu legado!) consolidou a unidade brasileira, de um outro, impeliu Portugal para diante, rasgando na antiga colônia e na metrópole decadente, os diplomas de antanho, em nome das luzes da Civilização. Fundando o Império, guiado peia sabedoria de José Bonifácio de Andrada e Silva, traçou entre a era morta e os novos tempos, a ponte da concórdia em vez de abrir como alhures os abismos da divisão é da guerra. Sem a solução monárquica de 1822, proclamado D. Pedro I Imperador, retalhar-se-ia o Pais em Estados soberanos, num desafio à posteridade, que dificilmente o reuniria, se pudesse fazê-lo um dia, na imagem integra da Pátria. Do mesmo modo, abdicando em 1831 a coroa americana, arrasou no Reino os arsenais da Idade Média, implantando, semelhantes às liberdades que outorgara ao Brasil (Carta de 1824), as liberdades que vigoraram em Portugal (Carta de 1826). Não importam os erros políticos que acabaram encurtando o seu governo, tão popular no começo - em que aderiu à Nação adotiva - e tão hostilizado no fim quando parecia ter renegado a democracia que anunciara. Sobre os desacertos e os infortúnios, agiganta-se o gênio de condutor das massas,o fulgor da estrela cívica, que lhe iluminou a jornada, em ambos os continentes. Por mais que o discutissem após sua morte, as suas qualidades sobrepujaram os seus defeitos. Foi formidavelmente providencial, quase adolescente (nascera em 1798) e ainda moço (faleceu aos 36 anos) aquém e alem-mar. É o Bolivar dos brasileiros é o Condestável dos portugueses. São comparações razoáveis, nas perspectivas da Historia, em que o ideal ismo e a bravura se al iam à oportunidade - de gera r o tempo o indivíduo que deu corpo e alma à coletividade. Os monumentos que à beira do Oceano, no Brasil e na Europa, celebrizam o "Rei Cavaleiro", equivalem a mensagens imperecíveis recordando-lhe as lutas, as opções, o poder e a glória. Morreu há mais de século e meio. E continua lembrado e o reverenciamos em todos os 7 de setembro como se continuasse vivo, a cavalo, no punho triunfante a Suprema Lei, irradiando a majestade do patrono da Independência.
Várias Fontes
       
Queluz
Diz uma lenda popular:
 "Durante anos, se contou de pai para filho, a velha lenda dos caçadores que andando nas vastas matas então existentes, se perderam no intenso arvoredo, e em dado momento, avistaram uma luz e para ela se encaminharam, exclamando: -  "Que luz é aquela?",- "Que luz".
Mas Queluz é um nome árabe e significa "Vale da Amendoeira".
Queluz, lugar importante da Província da Estremadura, pertencente à freguesia de Belas, concelho de Sintra, distrito de Lisboa.  É uma povoação muito pitoresca, e muito visitada por causa do Palácio Real ali existente. Está situado em lugar baixo, cercado de vários outeiros de pouca elevação, mas em sítio ameno, fértil e saudável. O palácio e quinta de Queluz foi incontestavelmente uma das mais importantes e sumptuosas residências, que a realeza possuía em todo o Reino. Data de meados do século XVII o primitivo edifício que pertenceu aos Marqueses de Castelo Rodrigo. Nessa época, Queluz não passava duma pobre aldeia, sem a mínima importância, e só mais tarde, quando aquela propriedade se instituiu em residência real, é que a povoação se engrandeceu, tendo uma época muito florescente até ao começo do século XIX, e ainda no tempo do governo do infante D. Miguel. Os Marqueses de Castelo Rodrigo, como traidores à Pátria, perderam o direito ao palácio e quinta de Queluz, por lhe terem sido confiscados todos os bens para a Coroa de Portugal, em Dezembro de 1640, data gloriosa da restauração do Reino do domínio castelhano. D. João IV, por alvará de 11 de Agosto de 1654, instituiu a Casa do Infantado, em favor do filho segundo dos nossos monarcas, e fez lhe doação nesse mesmo ano, dos bens sequestrados ao Marquês de Castelo Rodrigo e a outros fidalgos, que também haviam seguido o partido de Espanha. O primeiro senhor da Casa do Infantado foi o infante D. Pedro, mais tarde rei D. Pedro II. Esta casa, que se tornou mais grandiosa pelos rendimentos, honras e privilégios, extinguiu-se em 1834, tendo sido D. Miguel (2º filho de D. Carlota Joaquina) o seu ultimo proprietário. O palácio e quinta de Queluz começaram a ser muito frequentados pelo seu novo possuidor, o infante D. Pedro, e essas visitas amiudaram-se, sem serem estranhas à politica, porque se podia falar ali desafogadamente sem receio dos espiões do conde de Castelo Melhor, primeiro Ministro e favorito d'el-rei D. Afonso VI. Seguiram se depois as grandes intrigas palacianas, de que resultou a destronização de D. Afonso VI, o seu desterro e prisão nos paços de Sintra, que teve o desenlace fatal com a morte do desditoso monarca, sucedida em 12 de Setembro de 1683. Pelo falecimento de D. Pedro II passou a Casa do Infantado ao seu filho segundo, o infante D. Francisco, que todos os anos passava a estação calmosa naquela residência, que se tornara sua predilecta. No tempo deste infante, que possuiu a propriedade perto de 35 anos, obteve o palácio e quinta de Queluz bastantes melhoramentos. D. Francisco tinha um filho bastardo, D. João da Bemposta, e por sua morte, formou-se grande demanda entre os infantes D. António, irmão de D. João V e o infante D. Pedro, filho deste monarca, que ficou vencedor, e que mais tarde se chamou D. Pedro III, por ter casado com sua sobrinha, a rainha D. Maria 1ª. D. Pedro II resolveu fazer de Queluz o Palácio Versalhes de Portugal, e por isso tratou de aumentar a propriedade, com a aquisição de outras que lhe ficavam confinantes, encarregando do risco e execução do novo palácio, da planta e ornatos dos jardins e quintas, o arquitecto português Mateus Vicente de Oliveira, e o arquitecto e escultor francês João Baptista Robillon. Em Junho de 1755 começaram os trabalhos da nova construção, e prosseguiram com mais ou menos actividade até 25 de Maio de 1786, dia em que faleceu D. Pedro III. Oito anos estiveram então as obras paradas, e no fim desse tempo, em 1794, a rainha D. Maria I mandou edificar um novo corpo do palácio, onde habitou na sua viuvez. No entretanto, aqueles oito anos não foram tempo suficiente para se concluírem as obras, nem os rendimentos da Casa do Infantado bastavam para as despesas, tendo a rainha de mandar fornece avultadas somas do tesouro público. Os jardins e parque chegaram a concluir-se, mas o palácio ficou sempre incompleto. Durante o andamento das obras, contudo, apenas se aprontaram acomodações indispensáveis, a família real para aí foi residir todos os anos, nos meses de Verão.  Enquanto viveu D. Pedro III, houve festas esplêndidas no palácio de Queluz, sendo escolhidos os dias de S. João e S. Pedro, e os dos aniversários natalícios mais solenes das pessoas reais. As funções constavam de sumptuosa festa religiosa celebrada de manhã na capela por música vocal e instrumental, executada pelos mais distintos professores nacionais e estrangeiros, que viviam em Lisboa, além dos músicos da Patriarcal. De tarde realizavam-se corridas de touros, ou cavalhadas em que os cavaleiros ostentavam soberbos ginetes e custosas galas; nestas diversões tomavam parte os mais distintos fidalgos da corte. Ao cair da noite iluminavam-se as fachadas do palácio, os jardins e o parque. Depois ressoavam as orquestras em harmoniosos concertos nas espaço das salas, revestidas de espelhos, que faziam multiplicar infinitamente as numerosas luzes dos candelabros, dos lustres e das placas, e em que a corte se retratava em enorme auditório respondente de diamantes e sedas multicores recamadas de ouro. Nos concertos tornavam parte a rainha D. Maria I, então ainda princesa do Brasil, e as infantas suas irmãs. Mais tarde servia-se a ceia, e quando a noite ia já muito adiantada, queimava-se nos jardins um brilhante fogo de artificio, cujas mil fantásticas invenções se alternavam com os repuxos dos lagos, donde subiam as águas como colunas de cristal, ou em graciosas espadanas que se cruzavam, ou noutras variadíssimas formas. Em Queluz também se construiu um teatro sob a direcção do arquitecto Inácio de Oliveira Bernardes, o qual se inaugurou a 17 de Dezembro de 1778, para solenizar o aniversário natalício da rainha D. Maria I. Representavam-se naquele teatro operas líricas, e foi um divertimento que veio tornar ainda mais brilhantes as funções de Queluz. Tendo-se incendiado urna grande parte do palácio velho da Ajuda (construído em grande parte em madeira), a Família Real foi em 1795, fixar a sua residência no Paço de Queluz, e ali se conservou até 29 de Novembro de 1807, dia em que fugiu para o Brasil, pela entrada dos franceses em Portugal. Em 1821, porém, tendo já falecido D. Maria I (no Brasil), D. João VI, regressando do Brasil, para ali foi habitar, mas pouco tempo se demorou em Queluz, pois, em consequência de antigas desinteligências que então se renovaram entre o soberano e sua mulher, D. Carlota Joaquina, D. João VI veio residir para o palácio da Bemposta (Anjos - Lisboa), onde faleceu em 10 de Março de 1826, ficando em Queluz D. Carlota Joaquina só com a sua filha mais nova, a infanta D. Ana de Jesus Maria, conservando-se ali até ao seu falecimento (suicídio) , sucedido em 7 de Janeiro de 1830. Foi ainda naqueles paços que se realizou em 1827, o casamento da referida infanta D. Ana de Jesus Maria com o Marquês de Loulé, depois agraciado com o título de duque. Queluz teve urna triste celebridade desde a partida de D. João 6º para o Paço da Bemposta, até ao ano de 1828, em que a infanta D. Isabel Maria, então regente, entregou o governo a seu irmão D. Miguel, que se fez aclamar rei. Essa triste celebridade foram as conspirações permanentes que naquele palácio se fomentaram contra a liberdade da nação, até esse ano de 1828. Durante os 5 anos que durou o governo absolutista até Julho de 1333, D. Miguel viveu no Paço de Queluz com suas irmãs D. Isabel Maria e D. Maria da Assumpção. De pois de ser desterrado de Portugal, o palácio ficou abandonado até Setembro de 1834, em que D. Pedro IV, achando-se gravemente enfermo, o foi habitar, desejando falecer no mesmo quarto onde havia nascido, desejo que realizou no dia 24 do referido mês e ano. Desde essa época, uma parte do edifício ficou sendo habitada pelas antigas açafatas da Casa Real.
Do Archivo Pittoresco vol. VI, transcrevemos a seguinte descrição: "Queluz tem treze salas revestidas de espelhos e guarnecidas de obra de talha dourada, onde se admiram lavores delicadíssimos, tendo o pavimento todo de mármore de cores em xadrez, ou de madeiras de variadas cores e qualidades. A sala das talhas e a das serenatas são as principais em grandeza e riqueza. A primeira tem nos topos dois tronos, cujos dóceis são sustentados por colunas oitavadas guarnecidas de espelhos e douraduras; e do mesmo modo se vêem as paredes e as portas. O pavimento é de mármore branco e azul em xadrez. No tecto está representado em pintura um grande concerto, ou serenim, como então lhe chamavam, em que figuram el-rei D. José e a rainha D. Mariana Vitoria; o célebre mestre de musica David Peres, tocando cravo ao lado do. soberano; a princesa D. Maria, mais tarde rainha (D. Maria I); o as infantas D. Maria Francisca Benedita, ao diante princesa do Brasil, D. Mariana Josefa e D. Maria Doroteia, com papéis de solfa nas mãos, em acção de cantarem; o infante D. Pedro, depois rei, regendo o concerto, e muitas pessoas da corte. Dão nome a esta sala preciosas talhas de porcelana do Japão, que a decoram, colocadas no pavimento sobre peanhas de madeira com ornatos relevados e vazados. Como indica a pintura do tecto, esta sala foi construída expressamente para os concertos da corte; e com efeito alguns se executaram nela, porém depois passou a servir para os beija-mãos e audiências solenes aos ministros estrangeiros, destinando-se para os concertos outra sala, à qual ficaram chamando das serenatas. Esta sala é maior, e muito mais esbelta e sumptuosa que a precedente. Paredes e portas tudo é coberto de alto a baixo de magníficos espelhos e de esculturas douradas. Da sala das talhas segue para a direita uma galeria de outras salas mais pequenas, mas igualmente ricas, ostentando no pavimento lindos mosaicos de madeira, e nas paredes imaginosos relevos dourados, ou prateados, e grandes espelhos, tendo na metade inferior graciosas paisagens e figuras primorosamente pintadas no vidro. A última sala desta galeria ocupa o elegante pavilhão, que é um lugar histórico, por ser a câmara onde nasceu e veio a falecer em 1834 D. Pedro IV. Quase tudo ali se conserva no estado em que o deixou o magnânimo príncipe ao entregar o espírito ao Criador. A cama, com a modesta roupa que a cobre, não condiz com a riqueza do aposento, mas revela os hábitos singelos e a lhaneza de maneiras do soberano que fez consistir a sua maior glória do título de primeiro soldado da liberdade. Vêem-se nesta câmara três painéis a óleo com os retratos do principie D. António, filho primogénito de el-rei D. João VI, falecido de tenra idade, do infante de Espanha D. Carlos, e de sua primeira mulher, a infanta de Portugal D. Maria Francisca, filha do mesmo monarca. Exteriormente é este edifício todo de mármore, profusamente decorado de colunas e pilastras dóricas e jónicas, de balaustradas, estatuas, vasos, e outros ornamentos. No tímpano, sobre a grande janela do centro, da referida câmara, está um baixo-relevo esculpido com muita perfeição, e que representa uma festa de Baco. A capela principal do palácio fica ao lado oposto dos jardins, com porta para a rua. É espaçosa e bem ornada. O oratório particular encerra algumas obras de arte de muito valor, entre as quais sobressaem vários painéis de excelente pintura, e uma formosa coluna de ágata, cujo fuste tem um metro e trinta e três centímetros de altura, e sustenta uma esta tua de S. Pedro, de prata, cinzelada com muito primor. Foi dada de presente pelo papa Pio VII a el-rei D. João VI. São estas, em muito resumido quadro, as coisas mais notáveis deste vastíssimo palácio. A quinta corresponde-lhe, se o não excede, em magnificência. São muitos, e muito grandes e variados os jardins. Os principais estendem-se diante das diversas fachadas do palácio. De todas as salas mais nobres se abrem portas de vidraças que comunicam com estes jardins, que são adornados de numerosas estatuas e vasos de mármore, e de lagos de todos os tamanhos e feitios, com repuxos de muita diversidade de invenções, alguns deles guarnecidos de belos grupos de figuras. À saída destes jardins erguem-se dois altos pedestais servindo de base a duas estátuas equestres alegóricas da Fama. São de mármore, e foram esculpidas por Manuel Alves e Silvestre de Faria Lobo, segundo o desenho do mencionado arquitecto francês Robillon. Ao parque segue-se a tapada separada por uma cerca dos muros; Tem basto arvoredo, muitas e espaçosas ruas, e abundância de caça miúda.»
A ribeira do Jamor atravessa a quinta, encanada e guarnecida de preciosos azulejos, produção da fábrica do Rato (Lisboa), segundo desenhos de Robillon, que foram executados por artistas holandeses que para ali contratou, o Marquês de Pombal, sendo há poucos anos completados por Pereira Júnior, e outro artista. Nos jardins que circundam o palácio, há lindas plantas, distinguindo-se, entre elas, o belo geranios do Cabo e soberbas magnólias. Os maravilhosos jogos de água estão hoje muito mal tratados, e mais de 40 anos de abandono contribuíram para arruinar, em parte, esta esplêndida propriedade, que se vê na maior decadência, e cujos azulejos estiveram assim entregues ao vandalismo. Formam as partes laterais da ribeira do Jamor, ao atravessar a quinta de Queluz, duas paredes com um prolongamento de 115 m., divididas ao centro por um alegrete sobre dois arcos, e onde existia a antiga casa da música. Estas paredes são revestidas interiormente de azulejos, em azul, representando diversos assuntos, na maior parte, portos de mar, fortalezas salvando, abordagem de galeões e bergantins conduzindo a terra cortesãs, oficialidade, etc. A parte superior termina em 20 peanhas de cada lado, ornamentadas com azulejos coloridos. A parte posterior do lado esquerdo é também de azulejos coloridos e representa na maior parte assuntos de caça. Corre, em todo o seu prolongamento uma rua orlada de amoreiras, que, diz a tradição, foram mandadas plantar pelo Marquês de Pombal, quando desenvolveu a indústria das sedas no país. Na estação calmosa as águas do Jamor são represadas por meio de umas comportas de madeira, formando então a ribeira um enorme lago com 115 m. de comprido por 12 de largo, onde a projecção dos azulejos e do arvoredo oferece um quadro maravilhoso. O lago, na sua maior enchente, forma uma queda de água de 5 m. de altura. O pintor Carlos Alberto Nunes reproduziu a óleo aquele quadro, e ofereceu-o ao rei D. Carlos, em 1901. Em 1898 esteve ali o popular José Augusto, já hoje falecido, arrancando dum lado, colocando noutro, cheio de boa vontade, diversos azulejos, mas, ignorando o desenho ornamental, nada adiantou, ficando tudo como anteriormente. Foi el-rei D. Carlos quem depois ordenou a restauração e reconstrução dos azulejos neste rio. Encarregou-se do trabalho, primeiramente, o pintor Pereira Júnior e depois Carlos Alberto Nunes, seu discípulo. Foi este senhor, com o auxilio e boa vontade do almoxarife do paço de Queluz Manuel Cardoso dos Santos Vasques, e do seu ajudante Eugénio Tavares de Almeida e Sousa, que concluiu esta obra com muito êxito. Ao centro da ribeira foi levantado um monumento em azulejo policromo, com diferentes quadros de Mitologia, e tendo num dos panneaux do centro as armas de Bragança e Orleans, e dos lados as seguintes inscrições:
          A RESTAURAÇÃO E RECONSTRUCÇÃO DOS AZULEJOS
          N’ESTE RIO
          FOI ORDENADA NO ANNO DE 1900, SENDO ADMI­-
          NISTRADOR DA FAZENDA DA CASA REAL O
          CONSELHEIRO PEDRO VICTOR DA COSTA
          SEQUEIRA
          O PINTOR – JOSÉ MARIA PEREIRA CÃO
          POR ORDEM DE SUA MAGESTADE EL-REI
          D. CARLOS I
          E
          SUA MAGESTADE A RAINHA D. MARIA AMELIA
          D'ORLEANS
          SE COMEÇOU A RESTAURAÇÃO DOS AZULEJOS
          N'ESTE RIO NO ANNO DE 1900
          O ALMOXARIFE DE QUELUZ
          MANOELCARDOSO DOS SANTOS VASQUES.
Este trabalho é de Pereira Cão (pseudónimo artístico de José Maria Pereira Júnior). O monumento é encimado por um grupo dos que ornamentavam as varandas do palácio, e representa o rapto das Sabinas, e tendo dos lados mais dois grupos onde se vê Diana e Adónis. Nas peanhas laterais foram colocados vasos imitando os antigos que estão no jardim, e, são da extinta fábrica do Rato. A parte posterior da ribeira, do centro para baixo, e o edifício hexagonal, donde é tirada a agua do rio para as regas, são em azulejo, trabalho completamente novo, sendo Os quadros de figuras em azul e as molduras a cores, estilo Luís XV, e desenhos de execução de Carlos Nunes. Todo o trabalho moderno está primorosamente te assente pelo ladrilhador Vicente Rodrigues Reboleira. Queluz tem estação na linha do caminho-de-ferro de Sintra, entre as da Amadora e o apeadeiro de Barcarena. A mesma estação serve para Belas, por isso tem a designação de Queluz-Belas.
É em Queluz a sede do grupo de artilharia a cavalo. O edifício do palácio e a quinta deixaram de ser do domínio da coroa, ainda antes da queda da monarquia e da aclamação da Republica, ficando pertencendo à nação, assim como as outras residências reais. Na cerca do palácio foi criada, em Abril de 1911, uma escola pratica de pomicultura, horticultura e jardinagem.
(Fonte: Portugal - Dicionário Histórico, Corográfico, Heráldico, Biográfico, Bibliográfico, Numismático e Artístico.

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal

 

 

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