Portal CEN - Trabalhos e Pesquisas de Carlos Leite Ribeiro ***

 

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Dia Mundial do Enfermeiro


12 de Maio

 

 

 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

 

Formatação: Iara Melo

 

 

 

 

 

 


 

Nos seus primórdios, a enfermagem, tinha estreita relação com a maternidade, e era exclusivamente feita por mulheres. Desta "selecção exclusivamente para mulheres", a enfermagem prosseguiu, de novo pelas mulheres que exerciam a profissão mais antiga do mundo, prostituição, alargando a prestação de cuidados ao sexo masculino, dos moribundos da guerra. Eram escolhidas as prostitutas por estas conhecerem melhor que as outras mulheres o corpo dos homens, em todas as suas vertentes, íntima também e como forma de reintegração destas à sociedade. A enfermagem moderna, com a suas bases de rigor técnico e científico, começou a se desenvolver no século XIX, através de Florence Nightingale, que estruturou seu modelo de assistência depois de ter trabalhado no cuidado de soldados durante a guerra da Criméia. a sua assistência baseada em fatos observáveis prestou valiosos contribuição na recuperação dos moribundos, e iniciou uma nova vaga do conhecimento em enfermagem, através do carácter científico que lhe impunha. Caracteriza-se por efectuação de registos clínicos, dando origem à implementação do, ainda actual, e mundialmente adaptado, processo clínico do doente.

Florence Nightingale - A mãe de Enfermagem Moderna          

A 12 de Maio de 1820 nasceu a mulher que haveria de ficar para a história como a mãe da enfermagem moderna: Florence Nightingale. Em sua homenagem instituiu-se essa data como Dia Internacional do Enfermeiro.
Durante a guerra da Criméia, esta enfermeira inglesa de ascendência italiana levou a cabo uma verdadeira revolução no hospital militar do exército inglês na Turquia (1854), transformando por completo a tradicional prática da enfermagem.
Florence Nightingale introduziu mudanças qualitativas ao nível da prestação de cuidados de saúde aos soldados, melhorando as condições sanitárias e de higiene e implementando medidas que foram ao encontro das necessidades dos pacientes e contribuíram para lhes proporcionar mais qualidade de vida em períodos de convalescença. No prazo de dois anos, Florence e a sua equipa de enfermeiras conseguiram baixar a taxa de mortalidade do hospital de 40 para a penas 2 por cento, provando que a enfermagem assumia um papel fundamental na prestação de cuidados de saúde. O trabalho rigoroso de Florence Nightingale e o sucesso das medidas que adoptou levaram-na a criar, em 1860, no St. Thomas Hospital, em Londres, a primeira escola de enfermagem, verdadeiro modelo inspirador do ensino da profissão no Ocidente.
Actualmente, a enfermagem é uma profissão especializada e altamente rigorosa e cujo desempenho assume uma importância fulcral no funcionamento dos sistemas de saúde e na qualidade dos cuidados disponibilizados aos cidadãos. 
Governo alheio às necessidades da população:
No entender da generalidade dos enfermeiros, o recente diploma relativo á rede de cuidados de saúde primários caminha no sentido oposto, confinando os Centros de Saúde a uma resposta quase exclusivamente às situações de doença. Ficam confinados a responder às situações de doença. Só que a saúde não se limita à doença, e a doença, por sua vez, exige em muitos casos, uma continuidade de cuidados – tratamentos e assistência domiciliária. Entretanto, com a entrada em vigor do modelo de "empresarialização" dos Hospitais poder-se-á assistir a altas precoces dos doentes submetidos a intervenções cirúrgicas nas unidades hospitalares. Perante estas situações, levanta-se uma questão fundamental: quem irá assegurar a continuidade de cuidados na fase da convalescença, designadamente quando se trata de pessoas que vivem sós?
          Para assegurar o vasto e amplo conjunto de respostas de saúde que a comunidade necessita, é imprescindível reforçar a intervenção especializada dos enfermeiros na prestação de cuidados às famílias. Em países com sistemas de saúde muito evoluídos (como é o caso da Finlândia, Suécia, Alemanha, Áustria e Irlanda), com uma filosofia assente numa importante rede de cuidados de saúde primários – prevenção da doença e do bem-estar –, verifica-se que o número de enfermeiros é muito superior ao de médicos, sendo a intervenção da enfermagem comunitária, decisiva para a obtenção dos elevados indicadores de saúde aí existentes.

O Dia Mundial do Enfermeiro na Brasil,  foi instituído pelo Presidente Getúlio Vargas através de decreto-lei em 1938. E é comemorado no dia em que nasceu Florence Nightingale, considerada a fundadora da enfermagem moderna.
Além da data, a profissão também é homenageada na Semana Brasileira de Enfermagem, instituída pelo presidente Juscelino Kubitschek por decreto-lei. De 12 a 20 de Maio, os conselhos regionais de enfermagem promovem encontros, palestras e outras actividades para avaliar e divulgar a profissão.
Ana Néri 1814 - 1880
Faltavam doze dias para o Natal do ano de 1814, quando uma menina, depois chamada pelos pais de Ana, nasceu em terras brasileiras, mais precisamente em Vila Cachoeira do Paraguassu, na Bahia. Casando-se muito jovem e ficando viúva aos trinta anos, do Capitão-de-Fragata Isidoro António Néri, Ana Justina Ferreira criou três filhos: Isidoro António Néri Filho e Justiniano de Castro Rebelo, ambos médicos militares, e um cadete, Pedro António Néri, todos convocados para a Guerra do Paraguai.  Como Florence Nightingale, Ana vinha de uma família distinta e de posses, possibilitando-lhe, assim, ter uma boa educação e instrução. Seguindo o exemplo de suas precursoras, Ana queria abraçar a vida de corpo e alma. Conhecer e acompanhar os seres humanos nos seus momentos de verdade. Nos seus momentos de dor. Era mais um dia de despachos no Palácio do Governo. A correspondência chegava pontual e numerosa como sempre. Como de costume, o secretário abria os envelopes seleccionando o material a ser lido pelo então Governador da Bahia, Manuel Pinto de Sousa Dantas. Remetente: Ana J. F. Néri. Deve ser mais algum pedido particular, algum problema a ser resolvido para algum conterrâneo baiano, pensou o Governador. Mas finalizada a leitura da carta, percebeu ser digna de muita consideração. Eis o teor da mesma: 
"Exmo. Sr.
Tendo já marchado para o exército dois de meus filhos, além de um irmão e outros parentes, e havendo se oferecido o que me restara nesta cidade, aluno do sexto ano de Medicina, para também seguir a sorte de seus irmãos e parentes na defesa do país, oferecendo seus serviços médicos, como brasileira, não podendo resistir à separação dos objectos que são caros, desejava acompanhá-los por toda parte, mesmo no teatro da guerra, se isso me fosse permitido; opondo-se a esse meu desejo, a minha posição e o meu sexo me impedem, todavia, que eu ofereça meus serviços em qualquer dos hospitais do Rio Grande do Sul onde se façam precisos, com o que satisfarei ao mesmo tempo aos impulsos de mãe e aos deveres de humanidade para com aqueles que ora sacrificam suas vidas para honra e brio nacionais e integridade do Império.
Digne-se V. Excelência de acolher benigno este meu espontâneo oferecimento ditado tão-somente pela voz do coração.
Bahia, 06 de Agosto de 1865"
Era mais um voluntário. Ou melhor, uma voluntária, oferecendo seus conhecimentos, sua boa vontade e dedicação ao Exército Brasileiro, aos defensores da Pátria, para amenizar os sofrimentos decorrentes da luta.
Era o ano de 1865, da discórdia política e consequentes baixas em exércitos vizinhos. Paraguai, Brasil, Argentina e Uruguai, viram-se envolvidos em lutas que duraram cinco anos. Para essa guerra, com excepção da marinha, o Brasil não estava convenientemente equipado. Faltava um exército numeroso. O mesmo notava-se nos serviços médicos. O serviço de saúde ressentia-se da falta de médicos-cirugiões, farmacêuticos e enfermeiros. Os hospitais de sangue tinham de acompanhar os batalhões empenhados no luta. Eram, por isso, hospitais de campanha - e isto evidencia seu carácter de emergência - instalados em barracas e sempre mal providos de recursos. A falta de auxiliares era enorme. Os próprios médicos e farmacêuticos tinham de ser também enfermeiros muitas e muitas vezes. Era, além disso, preciso recorrer a soldados sem nenhuma prática, para cuidar dos feridos e assistir aos doentes. As condições sanitárias dos hospitais não eram nada promissoras. O corpo de saúde do exército imperial era pequeno e a pobreza de material extrema. Qualquer ferimento podia ser mortal, por imperícia do cirurgião ou penúria da farmácia. O confinamento, a humidade, a promiscuidade, a falta de higiene faziam inevitáveis doenças mortais como a gangrena. As funções de enfermagem eram relegadas a um plano doméstico ou religioso, sem nenhum carácter técnico ou científico. Até então eram apenas homens que serviam de enfermeiros nos hospitais militares. E será nos hospitais improvisados, construídos sob ordens do então Mar. Luís Osório, nas cidades de Corrientes, Humaitá e Assunção, que uma mulher mostrará toda sua abnegação e piedade, tornando-se o símbolo da enfermeira do Brasil. Quando eclodiu a guerra em fins de 1864, Ana contava com cinquenta anos. Viúva e mulher de posses, ela estava disposta a acompanhar os soldados brasileiros em cada passo por terras estrangeiras. Sentia-se, desse modo, participante dos acontecimentos em que seus filhos também estavam envolvidos: um na activa militar e os outros dois na prática de estudos de Medicina. Da luta também participavam Manuel Jerónimo Ferreira e Joaquim Maurício Ferreira, ambos oficiais do exército, e irmãos de Ana. Um sobrinho também já seguira para a frente como voluntário da Pátria, morrendo em combate.
Pouco sabemos de sua vida particular e, numa tentativa de aprofundar nossos conhecimentos, ficamos a pensar quais teriam sido seus verdadeiros sentimentos. Teria ela decidido oferecer-se como enfermeira participando, assim, de uma das mais perigosas e insensatas actividades humanas, se não tivesse nela seus filhos? Não teria sido unicamente seu amor de mãe a força propulsora da coragem de ver de perto a guerra que seu País então enfrentava? Ou , quem sabe, teriam sido ambos sentimentos de amor materno e solidariedade aos soldados brasileiros?
Todos os dados que pudemos colher sobre sua vida nos levam a crer que sim. Amor materno e amor pátrio encontraram seu melhor representante na pequena figura que circulava activamente nos principais locais onde os brasileiros lutavam.
Aceito o seu oferecimento, embarcou Ana Néri no dia 13 de Agosto de 1865 para os campos de batalha. Nunca tendo antes deixado a Bahia, Ana abandonou o conforto de seu lar, partindo para Corrientes, seu primeiro posto de atendimento e onde havia, por essa época, cerca de seis mil soldados internados e uma poucas irmãs de caridade, da Ordem de S. Vicente de Paulo. Daí passou ao Salto, Humaitá, Curupaiti e Assunção. Montou com seus próprios recursos e na própria casa em que morava, uma enfermaria limpa e modelar e aí trabalhou abnegadamente, até o fim da guerra. Onde não havia hospitais, improvisava um. Tão querida se tornou dos oficiais e soldados, que todos lhe chamavam "mãe".
Ela venceu preconceitos, desprezou conselhos, enfrentou mil desconfortos de viagens. Viu-se, após longos dias de ansiedades, entre os batalhões dos voluntários da Pátria e dos soldados nacionais, que se batiam em defesa do Brasil. Era de vê-la, num acanhado hospital de campanha, quase sem tempo de alimentar-se ou repousar, cuidando de feridos e enfermos, desvelada e caridosa, paciente e maternal.
Enquanto, não muito longe, estrondeava o combate, os canhões reboavam, os clarins transmitiam ordens de comando, os tambores rufavam frenéticos e os comandantes, lutando também, exaltavam o ânimo dos soldados aos toques de avançar, a enfermeira Ana Néri, dirigindo outros enfermeiros e atendendo aos feridos que chegavam carregados em padiolas, multiplicava-se em cuidados, atenções e trabalhos, entre lamentos, gemidos e sangue. Balas inimigas silvavam por cima da cobertura de lona do hospital. Muitas perfuravam os panos e atravessavam o recinto, ferindo os já feridos, ou matando os agonizantes. Entretanto, a valorosa patrícia não se intimidava. Prosseguia no seu arriscado, comovente e vaidoso mister de ânimo forte. Estava servindo a Pátria na protecção a seus defensores; e achava-se colocada à altura de seus dois filhos médicos, que também se tinham apresentado como voluntários para servir nos hospitais de sangue. Honrava-se ela de seus filhos, e estes se orgulhavam da sua progenitora, prestimosa, caritativa, resoluta e patriota. Dedicação, desvelo, piedade, humanitarismo, carinho, todos esses adjectivos e outros mais que lhe foram atribuídos. Pensava, curava, cerrava as pálpebras dos moribundos, levando-lhes palavras de consolação e enxugando suas lágrimas. Sua dedicação era tal que, caso não tivesse lugar nos hospitais, levava feridos à sua residência. E assim, não havia quem não a conhecesse. Segundo ela, só voltaria depois da completa derrota do inimigo, e assim cumpriu. Regressando com o pesar do falecimento de um dos seus filhos, mas sem imprecar contra a desgraça e mal dizer a luta que lhe roubara um pedaço do seu corpo e alma, escondia as lágrima e, sorrindo, para as glórias da Pátria, abençoava o dever que assim a separava de um filho. Exemplo de mãe e de virtudes cívicas, seu corpo parecia pequeno para alma tão grande, mas ele era apenas uma forma de mostrar um espírito gigantesco.
De volta a Pátria, recebeu homenagens nacionais. Na Bahia, as mulheres ofereceram-lhe uma coroa de louros cravejada de brilhantes. Foi condecorada com medalhas de Prata, Humanitária e da Campanha e recebeu uma pensão vitalícia do imperador. Com esse dinheiro educou quatro órfãos de guerra, cujos pais caíram em campos de batalha no Paraguai.
Faleceu aos 65 anos de idade, a 20 de Maio de 1880, sendo enterrada no Cemitério de São Francisco Xavier no Rio de Janeiro. Foram-lhe prestadas diversas manifestações de apreço em várias províncias. Seu retrato de corpo inteiro, obra de Vitor Meirelles, figura em lugar de honra no paço municipal de Salvador. A primeira escola oficial de enfermagem de alto padrão, fundada por Carlos Chagas em 1923, tem, desde 1926, o seu nome. Em 5 de Fevereiro de 1979 seus restos mortais foram transladados para sua terra natal.
Considerada a precursora da Cruz Vermelha Brasileira, foi cognominada de "MÃE DOS BRASILEIOS", figurando nas páginas da nossa história como um dos mais belos exemplos de abnegação, caridade e amor à Pátria.
 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal

 

 

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