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Dia de Iemanjá

 

02 de Fevereiro

 

 

 

 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

 

Formatação: Iara Melo


 

 

“A Mãe Iemanjá não está velha, Ela é uma das mais Antigas, uma Iara;

“Ela é do Tempo antes do Tempo e desde o início assumiu essa forma”. (Ratziel)

 

Orixá feminino das religiões afro-africanas. De orixá fluvial africano, passou a marítimo no Norte do Brasil. Dia 2 de Fevereiro é dia de festa no mar, feita em homenagem a Iemanjá. Mito que atravessou o Atlântico, vindo da África, ele se instalou na cultura brasileira (e não só) e se transformou em sinônimo de tolerância, esperança e carinho. Iemanjá é a rainha das águas salgadas e espécie de padroeira afetiva do litoral brasileiro. Iemanjá rege a mudança rítmica de toda a vida por estar ligada diretamente ao elemento água. É Iemanjá que preside todos os rituais do nascimento e à volta as origens, que é a morte. Está ainda ligada ao movimento que caracteriza as mudanças, à expansão e o desenvolvimento. É ela, como a Deusa Ártemis o arquétipo responsável pela identificação que as mulheres experimentam de si mesmas e que as definem individualmente.

 

Yemanjá é a Rainha do Mar
E o povo d'água é a linha de força maior
Yemanjá é a Rainha do Mar
E o povo d'água é a linha de força maior
Ô firma ponto mamãe, ô firma ponto mamãe
No fundo do mar, é ouro só, é ouro só.

 

Iemanjá é bela, e pode apresentar-se como a Iara, metade mulher, metade peixe, as sereias dos candomblés do caboclo. Como um orixá marítimo, ela é a mais prestigiosa entidade feminina dos candomblés da Bahia, recebe rituais de oferendas e grandes festas lhe são dedicadas, indo embarcações até o alto-mar para lhe atirar mimos e presentes. Protetora das viagens e dos marinheiros obteve o processo sincrético, passando a ser a Afrodite brasileira, padroeira dos amores, dispondo sobre uniões, casamentos e soluções amorosas. Quem vive no mar ou depende de amores é devoto de Iemanjá. Convergem para ela orações e súplicas no estilo e ritmos católicos. Iemanjá, era uma deusa do rio de igual nome, que banha o território da nação iorubana de Egbá. As guerras fizeram com que o povo dessa nação fosse tangido para as margens do rio Ogun, cujo nome nada tem a ver com o orixá do ferro e das artes manuais. E foi deste rio que a grande iyabá partiu, para ser rainha do mar. Mitos nagôs explicam como Iemanjá, graças a poderes mágicos, foi morar no oceano, reino de Olokun, seu pai. Aliás, essa mudança de deusa fluvial em deusa marítima tem sua implicação sociológica. O homem, como explorador, principiou, em rude canoas, a singrar as águas dos rios; só muito mais tarde se aventuraria a enfrentar o desconhecido, na estrada larga do mar. É este o grito com que se saúda a deusa – odô iyá! Significa "mãe do rio". Reverencia, pois, uma divindade fluvial. O nome Iemanjá deve advir iorubá yeyê ama ejá, "mãe cujos filhos são peixes".

Queixas são contadas a Iemanjá, esperanças dela provêm, planos e projetos de amor, de negócios, de vingança, podem ser executados caso ela venha a dar seu assentimento. Grande foi o número de ondas que se quebrou na praia, mas maior ainda, foi o caminho percorrido pelo mito da divindade das águas. Das Sereias do Mediterrâneo, que tentaram seduzir Ulisses, às Mouras portuguesas, à Mãe D'água dos iorubanos, ao nosso primitivo Igpupiara, às Iaras, ao Boto, até Iemanjá. E, neste longo caminhar, a própria personalidade desta Deusa, ligada anteriormente à morte, apresenta-se agora como protetora dos pescadores e garantidora de boa pesca.  Iemanjá rege a mudança rítmica de toda a vida por estar ligada diretamente ao elemento água. É Iemanjá que preside todos os rituais do nascimento e à volta as origens, que é a morte. Está ainda ligada ao movimento que caracteriza as mudanças, à expansão e o desenvolvimento. A dança de Iemanjá pode ser percebida como uma representação mítica da origem da humanidade, do seu passado, do seu futuro e sua individualização consciente. É essa união antagônica que nos dá o direito de vivermos o "aqui" e o "agora", pois sem "passado", não temos o "presente" e sem a continuidade do presente, não teremos "futuro". Sugere ainda, que a totalidade está na união dos opostos do consciente com o inconsciente e dos aspectos masculinos com os femininos. Como deusa Lunar, Iemanjá tem como principal característica a "mudança". Ela nos ensina que para toda a mulher, o caráter cíclico da vida é a coisa mais natural, embora seja incompreendido pelo sexo masculino. A natureza da mulher é impessoal e inerente a ela como um ser feminino e altera-se com os ciclos da lua: fase crescente, cheia, meia-fase até a lua obscura. Essas mudanças não só se refletem nas marés, mas também no ciclo mensal das mulheres, produzindo um ritmo complexo e difícil de entender. A vida física e psíquica de toda a mulher é afetada pela revolução da lua e a compreensão desse fenômeno nos propicia o conhecimento de nossa real natureza instintiva. Em poder desse conhecimento, podemos domesticar com o esforço consciente as inclinações cíclicas que se operam a nível inconsciente e nos tornarmos não tão dependentes desses aspectos escondidos de nossa natureza semelhante aos da lua. Iemanjá é por excelência, arquétipo da maternidade. Casada com Oxalá, gerou quase todos os outros orixás. É tão generosa quanto as águas que representa e cobrem uma boa parte do planeta.

 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal

 

 

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