Portal CEN  *** Pesquisas Carlos Leite Ribeiro ***

 

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D. Dinis - " O Lavrador "

Rei de Portugal

 

 

 

Nasceu a 09 de Outubro de 1261

 

 

 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

 

Formatação: Iara Melo

 

Sucedendo a D. Afonso lll, seu pai, o seu maior cuidado consistiu e promover o engrandecimento e riqueza de Portugal. Para isso, concedeu vários forais e fundou e reconstruiu muitos castelos e povoações. Neste reinado, deu-se protecção a:
Agricultura, mandando cultivar muitas terras incultas, enxugar terrenos pantanosos, plantar vinhas e semear o Pinhal de Leiria e o da Azambuja;
Indústria, auxiliando a exploração de minhas de ouro, prata e cobre, favorecendo as indústrias da pesca e de tecidos de linho;
Comércio, criando mercados e feiras francas em muitas localidades;
Marinha, promovendo a construção de navios, a fim de serem transportadas para o estrangeiro as nossas mercadorias; instituindo a Bolsa do Comércio do Porto e mandando vir do estrangeiro marinheiros experimentados, entre os quais se conta o genovês Manuel Pezagno, que desempenhou as funções de Almirante;
Instrução, fundando a Universidade de Lisboa, primitivamente conhecida pelo nome de Estudo Geral, que mais tarde transferiu para Coimbra; ordenando que se usasse, nos documentos escritos, a língua portuguesa, em substituição da latina até então empregada (1290); protegendo os trovadores (poetas). O próprio rei era o melhor trovador do seu tempo.
Neste reinado, foi extinta pelo Papa a antiga Ordem dos Templários. Porém, D. Dinis conseguiu que, em sua substituição, fosse criada a Ordem de Cristo, para a qual passaram todos os bens dos Templários em Portugal, em 1319.
Em 1295, por motivos referentes à demarcação de fronteiras, D. Dinis invadiu o reino de Castela, governado por Fernando lV, tendo-se apoderado de algumas terras situadas entre o rio Côa e o Douro. O Tratado de Alcanises, em 1267, pelo qual o rei de Castela reconheceu a Portugal a posse das recentes conquistas, pôs termo ao conflito.
Era santa a esposa de D. Dinis. Dotada das mais raras e sublimes virtudes, foi anjo de concórdia e de caridade; pôs termo às lutas que D. Dinis teve com o filho e com um irmão, e consolou muitos infelizes. Canonizada em 1625, ficou inscrita, ente o número das santas mais veneradas, como o nome de Rainha Santa Isabel. Seus restos mortais encontram-se no mosteiro de Santa Clara Nova, em Coimbra. Os restos mortais de D. Dinis, encontram-se no convento de Odivelas, por ele mandado construir.

OS LUSIADAS - CANTO III
(...)
96 -  Dom Dinis
     "Eis depois vem Dinis, que bem parece
     Do bravo Afonso estirpe nobre e dina,
     Com quem a fama grande se escurece
     Da liberalidade Alexandrina.
     Com este o Reino próspero florece
     (Alcançada já a paz áurea divina)
     Em constituições, leis e costumes,
     Na terra já tranquila claros lumes.

97 -  Fundação da Universidade de Coimbra
     "Fez primeiro em Coimbra exercitar-se
     O valeroso ofício de Minerva;
     E de Helicona as Musas fez passar-se
     A pisar do Monde-o a fértil erva.
     Quanto pode de Atenas desejar-se,
     Tudo o soberbo Apolo aqui reserva.
     Aqui as capelas dá tecidas de ouro,
     Do bácaro e do sempre verde louro.
(...)
 
MONTE REAL
Primitivamente chamada de Póvoa de Monte Real, recebeu privilégios e foi elevada à categoria de vila por D. Dinis, em 1292.
Origem do nome:
“A dois passos da cidade de Leiria e próximo da estrada da Figueira da Foz, existe, empoleirada num alto e rodeada de pinheirais frondosos, uma povoaçãozinha curiosa a que não falta o perfume das lendas e tradições. O seu nome não pode ser mais belo; a paisagem que a emoldura não pode ser mais suave; o céu (o céu de Portugal !) não pode ser mais azul; e, como o mar lhe fica perto e os campos que a rodeiam são dos mais lindos da terra lusa, a vila antiga, com todos os seus encantos, foi escolhida em tempos distantes para a residência da Corte Real.

“...como mansa pomba alvíssima, nevada,
inda hoje entre vegetais ao longe se levanta
ufana de ter sido o templo duma santa
 e o Alcácer dum rei !...”.

E a vila de Monte Real, alegre e graciosa, onde paira o espírito de Isabel de Aragão, que, das janelas dos seus Paços, tantas vezes contemplou os prados verdejantes do rio Lis, e tantas vezes, também, esperou até altas horas D. Dinis, enamorado das lindas camponesas da região, robustas, elegantes, alegres e formosas.
A vilazinha antiga passa os dias na contemplação daquele pinhal imenso, que o Rei Lavrador (também Trovador – D. Dinis) mandou plantar, parecendo olhar, do alto, o rumo das caravelas construídas na foz do poético Lis.
A terra, pequenina, pobrezinha, tem uma história tão bela e uma paisagem tão rica, que o povo, sempre poeta, ainda hoje a canta nos seus versos:
“Vila de Monte Real
 Tem figueiras ao redol
 tem rapazes como a Lua
Raparigas como o Sol.

Vila de Monte Real
 É um perfeito jardim,
Tem um craveiro ao princípio
 E uma roseira ao fim.

Vila de Monte Real
 Tem ladeiras a subir,
Quem lá vai tomar amores
 Vai ao Sol e torna a vir”
 
A povoação de Monte Real é muito antiga, correndo que já existia nos tempos pré-históricos, como o demonstra o aparecimento de numerosas ossadas, moedas e inscrições. D. Dinis fez de Monte Real a sua estância favorita, para gozar a amenidade do clima e as relações galantes que teve por aquelas terras encantadoras, onde os amores do Rei Trovador ainda não estão esquecidos”. (Dr. António Montês – 1943).
“A sua origem perde-se na bruma dos tempos. Pela situação privilegiada e riqueza do solo, sempre esta terra foi cobiçada desde os tempos pré-históricos. Conforme vários peritos na historiografia desta terra, a povoação de Monte Real teria sido fundada em Outubro de 1292, por D. Dinis, no Reguengo de Ulmar que começava onde hoje é a Barosa (localidade a noroeste de Leiria) e se estendia até ao mar, na foz do rio Lis. Posteriormente chamou-se também “Póbra” de Mõ Real e Vila da Póvoa de mon Real; também foi chamada de o Reguengo da Camarinha. À Póbra de Mô Real, D. Dinis concedeu em 1310, com numerosos privilégios, a 1ª carta de foro do “Regaêgo” que chamaram Camarinha. Em 1312 D. Dinis concedeu a 2ª carta de foro do Regaêgo de Ulmar. O termo “ulmar” vem de uma espécie de árvore chamada ulmeiro que abunda na região. Monte Real foi, então, elevada à categoria de vila com juiz ordinário ecâmara de três vereadores. D. Dinis aforou todos os terrenos pertencentes a Ulmar; cedeu aos povoadores, através do pagamento de um quarto de todas as colheitas de pão e outros frutos, o Reguengo da Camarinha, isto é, a região que vai do mar ao que ainda hoje se chama Caminho e Monte da Bóca, que fica a cerca de um quilómetro a montante dos Paços de Monte Real; concedeu, através do pagamento de um terço de todas as colheitas de pão e outros frutos, a parte do fundo do Ulmar que vai do lugar do Freixo até ao Camarinho, isto é, desde o Campo do Freixo, a montante de Riba ‘ Aves, ao Tacanho (perto da localidade de Amor), até ao citado Monte da Bóca”. (Padre Isidro da Piedade Alberto – 1955).
Monte Real é uma estância termal de grande nomeada, e foi elevada a vila no final do século Xlll. Na parte da vila velha, na zona mais alta da actual povoação, restam alguns vestígios da sua importância quando ainda era Póvoa de Monte Real, tais como o antigo Paço Real, reduzido a uma modesta construção restaurada, que recorda os tempos em que D. Dinis e a Rainha Santa Isabel o terão habitado. Não muito longe, mas quase perdido na borda do caminho, encontra-se o pelourinho, quinhentista, atestando jurisdição municipal, e uma ermida de onde se alcança uma ampla e agradável vista sobre os campos do Lis. Na zona baixa, junto à frondosa mata que aconchega os edifícios termais, as vivendas multiplicam-se por trás de bonitos jardins, bem perto dos vastos campos aproveitados pela agricultura desde que o citado rei os mandou enxugar, transformando assim em terra fértil e arável o antigo paul de Ulmar, que os ocupava. Essa obra foi realizada por Frei Martinho, do Mosteiro de Alcobaça, na altura especialista em tais trabalhos. A Monte Real, em consequência da presença assídua do rei D. Dinis, está inteiramente ligado o seu nome, além de lendas a que as suas aventuras de monteiro e galenteador deram origem.
Subordinada à presença do rio Lis e do seu afluente o Lena, toda esta região se caracteriza não só pela fertilidade dos campos que a marginam, facilmente irrigados, como também pela aptidão para a cultura florestal, representada pelas extensas áreas ocupadas pelo pinhal. Tudo ali verdeja quando esses campos estão ocupados pelas culturas que lhes são próprias, só os tons são diferentes. A sensação que se colhe percorrendo-a é de uma amenidade pouco vulgar, traduzida por um ambiente saudável e calmante; nada é brusco, nada é agreste, nada fere, magoa ou assusta. Apenas o morro onde se ergue o Castelo de Leiria e, em frente dele, um outro dominado pela Igreja da Nossa Senhora da Encarnação quebram a suavidade da paisagem, que se estende das serranias calcárias que a limitam a nascente até ao Atlântico, a poente. Paira em tão vasta área, por um lado, a influência da assídua presença de D. Dinis, que a preferia, e, por outro, a de D. João l e D. Nuno Álvares Pereira – O Condestável do Reino. O primeiro deixou-a assinalada pelas obras que ali realizou, desde o castelo ao enxugo do paul do Ulmar e aos Paços de Monte Real, pelo desenvolvimento dado à mata de Leiria e ainda pelas lendas e toponímia ligada aos seus desvarios sentimentais. D. João l e o seu condestável deixaram a recordação dos actos heróicos com que os portugueses conseguiram fazer vingar a sua independência.
Entre a cidade de Leiria e Monte Real, fica a localidade de AMOR, tão conhecida e cantada pelos amores ilícitos do galante rei D. Dinis – o Lavrador mas também conhecido pelo Trovador:
“Certa noite em que D. Dinis regressava ao Paço de Monte Real, perguntou-lhe a Rainha Santa: - “Donde vides?”. – “De AMOR”, respondeu o rei. E talvez por causa da namorada, a mor de todas ao que se diz a lenda, ficou o nome à povoaçãozinha graciosa:

Com tal beleza
Tal camponesa
 Dos campos em flor
 Soprou a chama ...
 Que inda se chama
 A aldeia – AMOR”
(Dr. António Montês – 1949)

“Trovador meu rei, a nossa província é bela: tem o mar, a espessura verde, o campo em flor, e a alta serra. E Coimbra é perto e nossa. Tem castelos de orgulho, mosteiros de glória com capelas de heróis, e os túmulos onde sonham Tristan e Iseu, que nós cantamos. E estas terras inda são cheias de ti, oh Lavrador ! Que imensa barcarola o nosso jardim marinho, onde aprendi certos ritmos que ora são de toda a gente. E que linda lembrança tua é uma terrinha humilde que eu jamais quis ver, perto de outra que te recorda também: Monte Real. Jamais quis ver essa aldeia vizinha, e, que passeei a cavalo esta província toda, porque ela tem o nome mais belo do mundo: AMOR. Quero guardar preciosa a mentira de minha fantasia, quando imagino o local onde amavas não sei qual das tuas donas. O povo conta o romance da terra amorosa, daquela eu jamais quis ver para guardar preciosa a mentira do meu sonho: - Ai flores do verde pinho ! Seria Aldonsa ? Grácia ? Marinha ? ou Branca ? Que importa, se todas elas eram rimas de um só cantar. De Monte Real foras vê-la e nos beijos da sua boca esqueceras que o dia passara e ao lusco – fusco te soltaras deles.
Os beijos de Aldonsa ? De Branca ?. Os beijos de Grácia ou Marinha ? Que importa, se o beijo era um só, em outras bocas beijado ! E pela noite adiante cavalgavas, oh com saudades já daqueles beijos, daqueles beijos que quando mais se davam, mais sede faziam !. E vinhas compondo uma trova em louvor da amiga fremosa, de bem talhada, da louçana e da valida. Em louvor de Aldonsa ? De Branca ? De Grácia ou Marinha ? Que importa se as suas trovas cantavam mas era o amor ! Mas eis que ao longe enxergas uma fila de luzes, e as luzes desciam do castelo e entornavam-se tremeluzindo pelo vale ...
Era a Rainha Santa que te esperava com uma multidão de pagens que erguiam no ar as pinhas que ardiam brilhando: - Senhor (sorriu gravemente a Rainha) cego vindes de amor e eu vos alumio por que vós não percais ...
Desde então chama-se AMOR a terra que eu jamais quis ver, para guardar preciosa a mentira do meu sonho. E no sítio onde a Rainha Santa falou, fez-se a aldeia de Cégodim, (hoje Segodim) que recorda as palavras da Rainha. Com o tempo, o povo as trocou ...”. (Lenda contada por Afonso Lopes Vieira – 1954).
“Das lendas, a que mais se conserva na memória do povo, apesar de alguns ilustres escritores a terem reivindicado para outros lugares de Portugal, é a de Cegovindes.
Vivia a Rainha Santa – diz a lenda – amargurada em seus Paços de Monte Real pelas frequentes ausências do Rei, seu esposo, distraído como andava em digressões amorosas. Certamente, inquieta e cansada de esperar, resolveu a Rainha ir com alguns pagens, munidos de tochas acesas, postar-se no caminho onde sabia que o rei devia passar. Quando este chegou cavalgando, ao deparar com o que via, apeou-se e, disse agastado, dirigindo-se à esposa: - Que fazeis aqui, Senhora Minha, com gente tanta ?!.
Vim alumiar-vos o caminho, Senhor – respondeu a Rainha – pois cego vindes de amor...
Verdade ou lenda, o certo é que ainda hoje existe à beira do caminho que leva ao lugar de AMOR (agora sede importante freguesia do concelho de Leiria, o lugar de Segodim, que pertence à freguesia de Monte Real, de que dista cerca de um quilómetro”. (Olímpio Duarte Alves – 1955).
         “A mesma lenda contada pelo Dr. António Montês (1943):
 No Inverno inundavam-se os campos formosos, e D. Dinis mandou abrir uma vala real no reguengo. Para ir de Monte Real a AMOR, se não pudesse ir de barco, teria de fazer grande desvio, e passar ao lugarejo que hoje tem o nome de Segodim. Conta-se que a Rainha Santa, sabendo das relações do rei com a zagala, mandara um dia esperar o monarca à serra, indo os criados de brandões acesos, para que não se perdessem nessa noite escura de inverno. D. Dinis não gostou da surpresa, mas a Rainha, aparecendo, repreendeu-o docemente, dizendo: - “Vindes tão cego, Senhor, que julguei melhor mandar alumiar-vos o caminho”. El – Rei, humilhado, confessou a culpa, e respondeu: - “Cego vim, Senhora”. E daí chamar-se Cegovim ao lugarejo, que hoje, tem o nome de Segodim”.

AMOR
Minha vizinha aldeia de Amor,
jamais em ti os pés hei-de pôr.
Jamais em ti hei –de pôr os pés
 para te julgar como tu não és.
Donde vem teu nome, teu nome de Amor?
Da Aldonsa? De Grácia ? De que boca em flor ?
Elas eram tantas, tantas eram elas
Tal o céu à noite cheinho de estrelas !
Que belo destino entre os doutros bardos !
- Semear navios e criar bastardos !...

Nem sempre a grafia de um nome de lugar revela completamente a pronúncia do mesmo, e podemos por isso ser levados a interpretá-lo de modo errado. Também da grafia incorrecta se origina em muitas pessoas, não raramente, uma pronúncia que não corresponde à usada na circunscrição a que o lugar pertence ...
Quem conhece a freguesia de Amor, no concelho de Leiria, só pela escrita, entenderá que temos aí o substantivo comum amor: e isso não é assim, porque os naturais dizem “Àmor”, com o “a” aberto, embora átono. “Àmor” faz suspeitar que a forma anterior seria AAMOR, havendo-se “aa” desenvolvido (sic) em à, como em aalém e aaquém ... De facto, assim como no latim amore corresponde àmor assim adamor, pode Ter-se feito corresponder adamor (cfr. Adamátor citado pelos lexicógrafos como de Tertuliano). O acusativo adamorem dava perfeitamente aamor ou Aamor, depois Àmor.” (Dr. Leite de Vasconcelos – 1946).

D. Dinis, nasceu em Lisboa em 09-10-1261. Filho de D. Afonso lll e de D. Beatriz de Castela. Subiu ao Trono, por morte de seu pai, em 16-02-1279. Faleceu em Santarém em 07-01-1225, com 64 anos de idade. Reinou cerca de 46 anos. Casou com D. Isabel, filha mais velha do rei de Aragão, Pedro lll, celebrado em Barcelona, por procuração, em 11-02-1282. Do seu casamento com a Rainha Santa Isabel teve apenas dois filhos: D. Constança e D. Afonso que lhe sucedeu no Trono. Fora do matrimónio, teve mais 4 filhos e duas filhas.
D. Dinis herdou do pai um conflito grave com o alto clero e com a Santa Fé. Tal conflito só ficou apaziguado com a virtuosa intervenção de sua esposa, a Rainha Santa Isabel, em 1289, após longas e morosas negociações, com uma concordata e um acordo. A colonização interna e a protecção à agricultura contam-se entre os mais desvelados cuidados do rei D. Dinis. Facilitou a distribuição da propriedade, atraiu as classes elevadas aos trabalhos agrícolas, mandou proceder a importantes trabalhos de enxugo, como foi o caso dos campos do Ulmar, de Monte Real. Alargou a plantação do Pinhal de Leiria (hoje também conhecido pelo Pinhal do Rei), que mais tarde deu a madeira para as primeiras naus portuguesas, protegeu a instituição de feiras francas, privilegiou a exploração de minas, desenvolveu a marinha. Teve graves conflitos com o irmão Afonso e também com o filho do mesmo nome. D. Isabel de Aragão foi a grande pacificadora nestes conflitos. D. Dinis criou ainda em 01-03-1290, em Lisboa, o Estudo Geral, que depois foi transferido para Coimbra em 1308, onde mais tarde nasceu a Universidade de Coimbra. D. Dinis foi um rei poeta e trovador:

Ai Flores
“Ai flores, ai flores de verde pino / Se saberes novas do meu amigo ! / Ai Deus, e hu é ?.
Ai flores, ai flores do verde ramo, / Se saberdes novas do meu amado / Ai Deus, e hu é?
Se sabedes novas do meu amigo, / aquei que mentiu do que pós comigo ! / Ai Deus, e hu é?
Se sabedes novas do meu amado, /
Ai Deus, e hu é ?
Vos me perguntades polo voss’ amigo, /
E eu bem digo que é sano e vivo; / Ai Deus, e hu é ?
Vos me perguntades polo voss’ amado, / e eu bem vos digo que é viv’ e sano. /
Ai Deus, e hu é ?
E eu bem vos digo que é san’ e vivo, / E será vosc’ ant’ prazo saído; / Ai Deus, e hu é ?
E eu bem vos digo que é viv’ e sano, / e será vosc’ ant’ o prazo passado !
Ai Deus, e hu é ?”.
QUER’EU
“Quer’ eu en maneyra de proençal / fazer agora hun cantar d’ amor / e querrey muyt’ loar mha senhor / o o que prez nem fremusura non fal, / nen bondade, e mays uos direy en: /
tanto a fez Deus comprida de bem / que mays que todas las do mundo ual:
Ca mha senhor quiso Deus fazer tal / quando a fez sabedor / de todo bê de mui grã valor / e cõ tod´est (o) é mui comunal / aly hu deve: er dei-lhi bsem / e des y lhi fez pouco de bem /
quando nõ quis que lh’ foss’ igual.
Ca em mha senhor n~uca Deus pos mal, / mays pos hi prez e beldad’ e loor / e falar mui b~e e rijr melhor / que outra molher; des y é leal / muyt´, e por esto n~sey oi eu quê / possa compridam~ete no seu bê / falar, ca nõ á, tra lo seu bem, al”

Duas poesias do Rei D. Dinis, em português da época (medieval)

D. Isabel de Aragão ( a Rainha Santa Isabel)
“Nasceu em Saragoça, então cidade do reino de Aragão (Espanha), em 1271. Recebeu a benção matrimonial do seu casamento com o rei D. Dinis, por procuração, feito, simultaneamente em Barcelona e na Igreja de Trancoso, em 24-06-1282.
Rainha de Portugal, foi o Anjo da Paz. Com a morte do Rei D. Dinis, seu marido, em 1325, entrou para o Convento de Santa Cruz, em Coimbra. Faleceu no Castelo de Estremoz, em 04-06-1336, sendo o cadáver transportado para a Igreja do Convento de Santa Clara de Coimbra, onde mandara construir o seu túmulo. Em 1612, foi o túmulo aberto achando-se incorrupto o seu corpo, como ainda está hoje no novo túmulo em prata, da Igreja do actual Convento de Santa Clara, para onde foi transladado em 1696. Foi beatificada em 1516 e canonizada em 1625, pelo então Papa Urbano Vlll. Era filha do rei D. Pedro lll, de Aragão, e da rainha D. Constança. A Rainha Santa viveu temporadas no seu Palácio de Monte Real, parte do qual é hoje ocupado pela Capela, onde se venera a sua imagem que é contemporânea da capela, isto é, do século XVll. A capela foi edificada pelo bispo de Leiria, D. Martim Mexia, entre 1605 e 1615. A Rainha Santa era uma mulher cheia de doçura, bondade, equilibrada, discreta, muito inteligente e bem educada. Gostava da vida interior e do trabalho silencioso. Jejuava muito, comovia-se com os que erravam, rezava muito, distribuía esmolas aos necessitados e governava a sua casa. Neta de Jaime l e bisneta de Frederico ll da Alemanha, deles herdou a energia e a força de alma.
Muito mulher, mas cristã até à medula da alma, criou até os filhos ilegítimos do seu marido, o Rei D. Dinis. Mandou construir igrejas, mosteiros e hospitais. Nas suas viagens, ao ver os pobres sentados às portas das vilas e aldeias, distribuía-lhes roupa e alimento, visitava os doentes e cuidava deles.
Beijava até os pés das mulheres leprosas. À Rainha Santa se atribuem milagres lendários, entre os quais, o famoso milagre das rosas: Indo ela levar pão aos seus pobres, no seu regaço, apareceu-lhe, de repente, o seu marido, D. Dinis, que, ciumento, não gostava de tais atitudes, que ele considerava baixas, da sua santa esposa. O marido pergunta-lhe: “o que levas aí no teu regaço ?”. E ela responde-lhe: “São rosas, meu Senhor”. Entretanto, abre o regaço e em vez do pão que realmente levava, surgem verdadeiras rosas. O rei ao vê-las acalma-se e a rainha admira-se do prodígio, ao ver o pão transformado em verdadeiras rosas".

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal

 

 

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