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Eugénio de Andrade, Morreu a 13 de Junho de 2005

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

Eugénio de Andrade, nasceu na Póvoa da Atalaia, concelho do Fundão (Província da Beira Baixa - Portugal). Ainda na infância veio viver para Lisboa e mais tarde deslocou-se para Coimbra, onde terminou os estudos liceais. Mais tarde, foi para o Porto onde foi superior de um serviço público. É considerado um dos maiores poetas portugueses contemporâneos pela força lírica e originalidade de expressão, que alia a uma sensualidade pura mas ardente, franca mas discreta. Os seus poemas, extremamente densos de sugestividade e de uma concisão epigramática, celebram não os instantes de frustração da vida, mas os momentos de plenitude em que as mais antagónicas sensações tomam belíssimas formas transfiguradas e serenas. O conjunto da sua obra constitui o melhor do nosso imaginismo numa profunda e segura fusão de várias escolas estético-literárias que apenas afloram nos seus versos e que conscientemente sempre recusou seguir, como de resto recusa degradar a sua escrita em nome de ideais políticos ou sociais, preferindo manter-se aquilo a que Fernando Pessoa chamou "indisciplinador de almas", um poeta. Está traduzido em inúmeras línguas estrangeiras.
          
Degraus de sua vida
1923 – Nasce na Póvoa de Atalaia (Beira Baixa), no dia 19 de Janeiro, o futuro poeta Eugénio de Andrade, a quem foi posto o nome civil de José Fontinhas, rapidamente eclipsado pelo pseudónimo com que assinou todos os seus livros, desde "Adolescente", em 1942. A mãe, evocada em tantos dos seus poemas, chamava-se Maria dos Anjos. O pai, oriundo de uma família rural abastada, era Alexandre. Só bastante depois do nascimento do filho é que vieram a casar-se, mas o matrimónio durou pouco. Durante décadas, Eugénio rasurou a figura do pai. Numa entrevista que deu ao PÚBLICO no início dos anos 90, designa-o, ironicamente, como "o senhorito do Monte da Ribeira da Orca". Quando este, finalmente, decide perfilhá-lo, Eugénio recusa.
1932 – A mãe, a quem o pai ia escrevendo cartas de Lisboa, muda-se para a capital. Eugénio acompanha-a.
1933 – Estuda no Liceu Passos Manuel e inscreve-se, depois, na Escola Técnica Machado de Castro, pensando seguir Engenharia.
1935 – Na biblioteca de um vizinho, encontra obras de Eça, Junqueiro e Aquilino, e de romancistas estrangeiros, como Dumas, Júlio Verne ou Jack London. Descobre ainda um livro de António Botto, que irá conhecer pessoalmente e que o incitará a publicar o seu primeiro poema, depois repudiado, "Narciso".
1936 – Escreve os seus primeiros poemas.
1938 – Abandona Engenharia e conclui os estudos liceais, excepção feita à disciplina de Matemática.
1939 – Estimulado por Botto, publica, numa "plaquette", o poema "Narciso", que ainda assina com o seu nome civil e que cedo rejeitará.
1942 – Publica "Adolescente", o seu livro de estreia, dedicado a Pessoa, do qual apenas irá salvar alguns poucos textos depois publicados em "Primeiros Poemas".
1943 – Instala-se com a mãe nos arredores de Coimbra. Conhece Afonso Duarte, Torga, Carlos de Oliveira e Eduardo Lourenço.
1944 – É incorporado no serviço militar, mas, após a recruta, colocam-no nos serviços de saúde de Lisboa, e depois de Coimbra.
1945 – Publica "Pureza", que terá o mesmo destino de "Adolescente": rejeita a obra, mas recupera alguns poemas.
1946 – Traduz e publica uma antologia de poemas de Lorca.
1947 – Sai pela primeira vez de Portugal, viajando por Espanha, França e Holanda. Conhece Sophia de Mello Breyner Andresen. É admitido nos Serviços Médico-Sociais, nos quais se manterá em funções, como inspector, até 1983.
1948 – É o ano da consagração, com a saída de "As Mãos e os Frutos", que recolhe o aplauso de críticos tão exigentes como Nemésio e Jorge de Sena.
1949 – Torna-se amigo de Mário Cesariny e priva com o grupo dos surrealistas, um movimento que poucas marcas deixará na sua poesia.
1950 – Publica "Os Amantes Sem Dinheiro". Muda-se para o Porto. Durante décadas mora num andar da Rua do Duque de Palmela, que só deixará para ir habitar no edifício da Fundação Eugénio de Andrade, na Foz do Douro.
1951 – Publica "As Palavras Interditas". Conhece Pascoaes.
1952 - Em Madrid, priva com Vicente Aleixandre e Ángel Crespo.
1956 – Morre a sua mãe. Publica "Até Amanhã", cuja edição original é ilustrada com originais de Jean Cocteau.
1957 – Publica "Coração do Dia". Conhece Luis Cernuda, cujas cartas a Eugénio foram publicadas em Espanha, em 1979. Jorge de Sena, de quem se tornara amigo no início da década, inclui-o nas suas "Líricas Portuguesas".
1959 – Óscar Lopes organiza no Porto um colóquio sobre a sua poesia.
1960 – Conhece Marguerite Yourcenar, com quem se corresponderá. Lopes-Graça edita em disco as suas composições para os poemas de "As Mãos e os Frutos".
1961 – Viaja pela Galiza e pelo País Basco. Nos anos seguintes irá sistematicamente escolher como destino de férias a Espanha, donde era originária a sua avó.
1964 – Publica "Ostinato Rigore", que ele próprio continua a considerar, a par do posterior "Branco no Branco", um dos seus melhores livros.
1966 – Sai, na Portugália, a primeira edição da sua obra reunida.
1968 – Publica "Os Afluentes do Silêncio" (prosa) e, na editora Inova, "Daqui Houve Nome Portugal", uma monumental antologia de verso e prosa sobre o Porto.
1969 – Traduz as "Cartas Portuguesas" atribuídas a Mariana Alcoforado.
1971 – Publica "Obscuro Domínio" e mais uma enorme antologia, desta vez dedicada a Coimbra: "Memórias de Alegria". A Inova, que será a sua principal editora nos anos 70, lança "21 Ensaios Sobre Eugénio de Andrade".
1972 – Publica a antologia de poesia erótica "Variações Sobre Um Corpo", uma recolha da sua própria poesia - "Antologia Breve" - e o volume "Versos e Alguma Prosa de Luís de Camões". Uma das reedições da sua escolha de Camões irá bater, logo após o 25 de Abril, todos os recordes de tiragens: nada menos do que meio milhão de exemplares, boa parte deles distribuídos pelos países africanos de língua portuguesa.
1973 – Publica "Véspera da Água"
1974 – Publica, em edição bilingue (português-italiano) "Escrita da Terra e Outros Epitáfios", que depois dividirá em dois livros, passando o segundo a chamar-se "Homenagens e Outros Epitáfios".
1976 – Publica "Limiar dos Pássaros e a sua primeira obra de literatura infanto-juvenil: "História da Égua Branca". A Inova e a Fundação Eng.º António de Almeida organizam uma exposição e um colóquio para assinalar os 30 anos de trabalho literário do poeta.
1977 – Com o encerramento da Inova, a sua obra passa a ser editada pela Limiar.
1978 – Publica "Memória Doutro Rio".
1979 – Publica "Rosto Precário", uma selecção das poucas entrevistas que foi dando.
1980 – Publica "Matéria Solar". Nasce, no dia 11 de Março, o seu afilhado, Miguel.
1981 – Primeiro encontro com Jorge Luís Borges. Óscar Lopes edita um volume dedicado à poesia de Eugénio: "Uma Espécie de Música".
1982 – Publica "O Peso da Sombra". Recebe o grau de Grande Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago de Espada.
1983 – É nomeado para a Académie Mallarmé, de Paris.
1984 – "Branco no Branco", editado neste ano, recebe o Prémio de Poesia do Pen Club.
1985 – Viaja pela Grécia. A Câmara do Porto concede-lhe a Medalha de Mérito da cidade.
1986 – Recebe o prémio da Associação Internacional dos Críticos Literários.
1987 – Edita "Vertentes do Olhar", que recebe o Prémio Dom Dinis, da Fundação da Casa de Mateus.
1988 – Publica "O Outro Nome da Terra", ao qual é atribuído o primeiro Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores. É homenageado com a Grã-Cruz da Ordem de Mérito.
1989 – A tradução francesa de "Branco no Branco" vale-lhe o Prémio Jean Malrieu, para o melhor livro de poesia estrangeira editado em França.
1991 – Um grupo de amigos decide criar a Fundação Eugénio de Andrade, garantindo o apoio da autarquia.
1992 – Publica, já com a chancela da nova fundação, que só abrirá as portas em 1995, o livro "Rente ao Dizer". Os seus 50 anos de trabalho literário, contados desde a publicação de "Adolescente", são comemorados com iniciativas em vários locais do país.
1993 – Publica o livro em prosa "À Sombra da Memória" e um volume sobre o Porto: "A Cidade de Garrett". Realiza-se, em Serralves, um colóquio internacional dedicado ao poeta, com organização de Arnaldo Saraiva e Fernando Pernes.
1994 – Publica "Ofício de Paciência". Muda-se para a casa da Fundação Eugénio de Andrade, na Foz do Douro.
1995 – Publica "O Sal da Língua". A fundação com o seu nome abre finalmente ao público. Desde então tem promovido regularmente, entre outras actividades, encontros com poetas e romancistas.
1997 – Publica "Pequeno Formato".
1998 – Publica "Os Lugares do Lume".
1996 – Recebe o Prémio Europeu de Poesia da Comunidade de Varchatz (Jugoslávia).
2000 – É-lhe atribuído o Prémio Extremadura de criação literária (prémio de carreira para autores da Península Ibérica e da América Latina), o Prémio Celso Emilio Ferreiro, para autores ibéricos, e o Prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores.
2001 – Recebe o Prémio Camões. Em Outubro, vai publicar um novo livro, "Os Sulcos da Sede", que terá edição simultânea em Portugal e Espanha.
         
José Fontinhas (nome verdadeiro de Eugénio de Andrade) nasceu a 19 de Janeiro de 1923 em Póvoa de Atalaia, uma pequena aldeia da Beira Baixa situada entre o Fundão e Castelo Branco, filho de uma família de camponeses, ";gente que trabalhava a pedra e a terra". A sua infância é passada com a mãe, que é a figura dominante de toda a sua vida e da sua poesia. O pai, filho de camponeses abastados, pouco esteve presente, dado que o casamento, efectuado mais tarde, durou muito pouco.
Entra para a escola da aldeia natal aos 6 anos. Um ano depois, muda-se com a mãe para Castelo Branco. Em 1932, muda-se novamente, agora para Lisboa, cidade onde se fixara seu pai, e onde permanece por um período de 11 anos. Conclui, entretanto, a instrução primária. Prossegue os estudos e, em 1935, afirma-se em si o interesse pela leitura. Passa horas a ler em bibliotecas públicas e começa a escrever poemas.
Em 1938 escreve uma carta e envia três ou quatro poemas a António Botto, que manifesta interesse em conhecê-lo. Em 1939 publica o seu primeiro poema, "Narciso" e, pouco tempo depois, passa a assinar com outro nome: nasce o poeta Eugénio de Andrade.
Em 1941 faz-se a primeira referência pública à sua poesia na conferência que Joel Serrão, seu amigo, pronunciou na Faculdade de Letras de Lisboa, sobre "A Nova Humanidade da Poesia Nova". Um ano depois, em Novembro, Eugénio lança o seu primeiro livro de poesia: "Adolescente". Em 1943, o poeta muda-se novamente acompanhado pela sua mãe para Coimbra, onde permanece até ao final do ano de 1946, altura em que se fixa novamente em Lisboa. Entretanto, em 1944, cumpre o Serviço Militar e, após a recruta, é colocado nos Serviços de Sáude de Lisboa mas, visto que morava em Coimbra, trata rapidamente de transitar para lá. Fazem-se, nesse ano ainda, as primeiras traduções de poemas seus para francês e, em 1945, a Livraria Francesa publica o seu livro "Pureza".
É com "As Mãos e os Frutos", em 1948, que Eugénio de Andrade alcança o sucesso. A partir dessa data, inicia-se uma carreira especialmente rica em poesia, mas também com produções nos domínios da prosa, da tradução e da antologia. Eugénio de Andrade ergue-se ao primeiro plano da poesia portuguesa.
Entretanto, em 1947, graças a um amigo, ingressa nos quadros do Ministério da Saúde como inspector-administrativo dos Serviços Médico-Sociais, onde permaneceu até 1983. Em 1950 é tranferido para o Porto, cidade onde ainda hoje vive.
A 14 de Março de 1956 morre a sua mãe e morre uma parte do poeta: "A minha ligação à infância é, sobretudo, uma ligação à minha mãe e à minha terra, porque, no fundo, vivemos um para o outro".
Em 1977 inicia-se a publicação da "Obra de Eugénio de Andrade" pela Editora "Limiar". Nasce, em 1991, a Fundação Eugénio de Andrade, que está a reeditar toda a obra do poeta, sendo o último volume o número 26, o livro de poesia "O Sal da Língua" (1995).
Durante os anos que se seguem até hoje, o poeta fez diversas viagens, foi convidado para participar em vários eventos e travou amizades com muitas personalidades da cultura portuguesa e estrangeira, como Joel Serrão, Miguel Torga, Afonso Duarte, Carlos Oliveira, Eduardo Lourenço, Joaquim Namorado, Sophia de Mello Breyner Andresen, Teixeira de Pascoaes, Vitorino Nemésio, Jorge de Sena, Mário Cesariny de Vasconcelos, José Luís Cano, Ángel Crespo, Luís Cernuda, Marguerite Yourcenar, Herberto Helder, Joaquim Manuel Magalhães, João Miguel Fernandes Jorge, Óscar Lopes, e muitos outros...
Publicou mais de duas dezenas de livros de poesia. Obras em prosa, antologias, álbuns, livros para crianças e traduções para português de grandes poetas estrangeiros (Lorca, Safo, Char, Reverdy, Ritsos, Borges, etc...) completam até ao presente a sua bibliografia, para além de muitos títulos traduzidos e publicados em 20 línguas e em 20 países: na Alemanha, Itália, Venezuela, China, Espanha, no México, Luxemburgo, em França, nos Estados Unidos da América, ...Eugénio de Andrade é, realmente - a par de Pessoa - o poeta português mais divulgado no mundo. A sua obra tem sido, por outro lado, objecto de estudo e reflexão por parte de escritores e críticos literários quer estrangeiros quer portugueses.


          Poesias (algumas) de Eugénio de Andrade

          As Amoras
         
          O meu país sabe as amoras bravas
          no verão.
          Ninguém ignora que não é grande,
          nem inteligente, nem elegante o meu país,
          mas tem esta voz doce
          de quem acorda cedo para cantar nas silvas.
          Raramente falei do meu país, talvez
          nem goste dele, mas quando um amigo
          me traz amoras bravas
          os seus muros parecem-me brancos,
          reparo que também no meu país o céu é azul.
             
          Eugénio de Andrade ("O Outro Nome da Terra")
          «»
          Passamos pelas coisas sem as ver,
          gastos, como animais envelhecidos:
          se alguém chama por nós não respondemos,
          se alguém nos pede amor não estremecemos,
          como frutos de sombra sem sabor,
          vamos caindo ao chão, apodrecidos.
          «»
          É urgente o amor.
          É urgente um barco no mar.
         
          É urgente destruir certas palavras,
          ódio, solidão e crueldade,
          alguns lamentos,
          muitas espadas.
         
          É urgente inventar alegria,
          multiplicar os beijos, as searas,
          é urgente descobrir rosas e rios
          e manhãs claras.
         
          Cai o silêncio nos ombros e a luz
          impura, até doer.
          É urgente o amor, é urgente
          permanecer.
          «»
          Entre os teus lábios
          é que a loucura acode,
          desce à garganta,
          invade a água.
         
          No teu peito
          é que o pólen do fogo
          se junta à nascente,
          alastra na sombra.
         
          Nos teus flancos
          é que a fonte começa
          a ser rio de abelhas,
          rumor de tigre.
         
          Da cintura aos joelhos
          é que a areia queima,
          o sol é secreto,
          cego o silêncio.
         
          Deita-te comigo.
          Ilumina meus vidros.
          Entre lábios e lábios
          toda a música é minha.
          «»
          Diz homem, diz criança, diz estrela.
          Repete as sílabas
          onde a luz é feliz e se demora.
         
          Volta a dizer: homem, mulher, criança.
          Onde a beleza é mais nova.
          «»
          É na escura folhagem do sono
          que brilha
          a pele molhada,
          a difícil floração da língua.
          «»
          Música, levai-me:
         
          Onde estão as barcas?
          Onde são as ilhas?
         
          Procura a maravilha.
         
          Onde um beijo sabe
          a barcos e bruma.
         
          No brilho redondo
          e jovem dos joelhos.
         
          Na noite inclinada
          de melancolia.
         
          Procura.
         
          Procura a maravilha.
         ««
          Colhe todo o oiro
         
          Colhe
          todo o oiro do dia
          na haste mais alta
          da melancolia.
          «»
          Ainda sabemos cantar,
          só a nossa voz é que mudou:
          somos agora mais lentos,
          mais amargos,
          e um novo gesto é igual ao que passou.
         
          Um verso já não é a maravilha,
          um corpo já não é a plenitude.
          «»
          Nunca o verão se demorara
          assim nos lábios
          e na água
          - como podíamos morrer,
          tão próximos
          e nus e inocentes?
          «»
          Devias estar aqui rente aos meus lábios
          para dividir contigo esta amargura
          dos meus dias partidos um a um
         
          - Eu vi a terra limpa no teu rosto,
          Só no teu rosto e nunca em mais nenhum
          «»
          De palavra em palavra
          a noite sobe
          aos ramos mais altos
         
          e canta
          o êxtase do dia.
          «»
          Foi para ti que criei as rosas.
          Foi para ti que lhes dei perfume.
          Para ti rasguei ribeiros
          e dei ás romãs a cor do lume.
         
          Húmido de beijos e de lágrimas,
          ardor da terra com sabor a mar,
          o teu corpo perdia-se no meu.
         
          (Vontade de ser barco ou de cantar.)

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro - Marinha Grande - Portugal

 
 
 
 
 

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