Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro
Fernanda Montenegro é o nome artístico de
Arlete Pinheiro Esteves da Silva. O nome
Fernanda foi por ter uma sonoridade que
remetia aos personagens de Balzac ou Proust,
seus autores preferidos. Já Montenegro veio
de um médico amigo da família. Filha de um
mecânico, funcionário da Light, e de uma
dona de casa, Fernanda nasceu no Campinho.
Aos 15 anos, começou a trabalhar como
locutora na Rádio Ministério da Educação e
Cultura. Ela fazia traduções e adaptações de
peças literárias para radionovelas e, para
completar o orçamento, dava aulas de
português para estrangeiros na escola em que
estudava inglês e francês. Ao lado da Rádio
funcionava a Faculdade de Direito, onde
havia um grupo de teatro amador. Fernanda se
uniu a ele e logo foi chamada para uma
participação no Teatro Ginástico. Sua
estreia se deu em 1950, na peça “Alegres
canções nas montanhas”, ao lado de Fernando
Torres, com quem se casou em 1953. Da união,
nasceram a actriz Fernanda Torres, de 44
anos, e o director Cláudio Torres, de 46. Em
1979, durante a ditadura militar no Brasil,
Fernanda e seu marido foram alvo de um
atentado por parte de um dos vários grupos
paramilitares. Ela saiu ilesa, mas, na
época, precisou cancelar apresentações e
actuou com as luzes do teatro acesas e
amparada por seguranças. Em 1985, foi
convidada pelo então presidente José Sarney
para ser Ministra da Cultura. Obteve o apoio
da classe artística e da opinião pública,
mas Fernanda preferiu recusar o convite.
Peças teatrais em que Fernanda Montenegro
entrou:
1954 - O Canto da Cotovia, de Jean
Anouilh - direcção de Gianni Ratto; 1955 -
Com a Pulga Atrás da Orelha, de Georges
Feydeau - direcção de Gianni Ratto; 1955 - A
Moratória, de Jorge de Andrade - direcção de
Gianni Ratto; 1956 - Eurídice, de Jean
Anouilh - direcção de Gianni Ratto; 1958 -
Vestir os Nus, de Luigi Pirandello -
direcção de Alberto d'Aversa; 1959 - O
Mambembe, de Arthur Azevedo e José Piza.
direcção de Gianni Ratto; 1960 - A Profissão
da Sra. Warren] de Bernard Shaw - direcção
de Gianni Ratto; 1960 - Com a Pulga Atrás da
Orelha, de Georges Feydeau - direcção de
Gianni Ratto; 1961 - O Beijo no Asfalto, de
Nelson Rodrigues - direcção de Fernando
Torres; 1963 - Mary, Mary, de Jean Kerr -
direcção de Adolfo Celi; 1966 - O Homem do
Princípio ao Fim, de Millôr Fernandes -
direcção de Fernando Torres; 1967 - A Volta
ao Lar, de Harold Pinter - direcção de
Fernando Torres; 1970 - Oh! Que Belos Dias,
de Samuel Beckett - direcção de Ivan de
Albuquerque; 1971 - Computa, Computador,
Computa, de Millôr Fernandes - direção de
Carlos Kroeber; 1972 - Seria Cômico... Se
Não Fosse Trágico, de Friedrich Dürrenmatt -
direcção de Celso Nunes; 1976 - A Mais
Sólida Mansão; 1977 - É... , de Millôr
Fernandes - direcção de Paulo José; 1982 -
As Lágrimas Amargas de Petra von Kant, de
Rainer Werner Fassbinder - direcção de Celso
Nunes; 1986 - Fedra, de Racine - direcção de
Augusto Boal; 1987 - Dona Doida, a partir de
escritos da poeta mineira Adélia Prado -
direcção de Naum Alves de Souza; 1993 - The
Flash and Crash Days, de Gerald Thomas -
direcção de Gerald Thomas; 1995/96 - Dias
Felizes, de Samuel Beckett - direcção de
Jacqueline Laurence; 1998 - Da Gaivota, a
partir da peça A Gaivota, de Anton Tchekhov
- direcção de Daniela Thomas.
Relação de Fernanda Montenegro com o
cinema:
A sua primeira importante participação
veio de “A Falecida”, de 1965. Depois disso,
Fernanda Montenegro não parou de actuar
fazendo uma série de filmes, onde se
destacam: “Eles Não Usam Black-Tie”,
vencedor do Leão de Ouro do Festival de
Veneza; “O Que é Isso, Companheiro?”;
“Gémeas”, “O Auto da Compadecida” entre
outros. Seu principal trabalho foi em
“Central do Brasil” em 1999, de Walter
Salles, pelo qual conquistou o Urso de Prata
de Melhor Actriz no Festival de Berlim e
ainda foi indicada ao Óscar de Melhor
Actriz, se tornado a primeira actriz
latino-americana a disputar o prémio. Sua
indicação já mereceria comemoração se não
fosse o fato de ter perdido o prémio para
Gwyneth Paltrow, por “Shakespeare
Apaixonado”. Em 2004, Fernanda Montenegro
realiza dois importantes projectos: “Olga”,
de Jayme Monjardim; e “O Outro Lado da Rua”,
onde trabalha ao lado de Raul Cortês e Laura
Cardoso. O filme marca ainda o reencontro da
actriz com Marcos Bernstein, co-roteirista
de “Central do Brasil” e que neste é
director. E em 2005 foi dirigida pelo genro
Andrucha Waddington em "Casa de Areia",
longa metragem em que actua ao lado de sua
filha, Fernanda Torres.
Fernanda Montenegro - Fonte: Wikipédia, a
enciclopédia livre.
Fernanda Montenegro, nome artístico de
Arlette Pinheiro Esteves da Silva, nasceu no
Rio de Janeiro a16 de Outubro de 1929, é uma
consagrada atriz brasileira de cinema,
teatro e televisão indicada ao Óscar. É
considerada tanto pelo público como pela
crítica como uma das grandes damas do
teatro, TV e cinema de todos os tempos.
Recentemente foi eleita a melhor actriz do
Brasil. Fernanda também é torcedora do
Fluminense Football Club
Iniciou sua carreira no ano de 1950, com o
espectáculo "Alegres Canções nas Montanhas",
ao lado daquele que seria seu marido por
toda a vida, Fernando Torres. Sua estreia em
cinema se dá na produção de 1964 para a
Tragédia Carioca de Nelson Rodrigues, A
Falecida, sob direcção de Leon Hirszman.
Além de ter sido cinco vezes agraciada com o
Prémio Molière, ter recebido três vezes o
Prémio Governador do Estado de São Paulo e
de inúmeros outros prémios em teatro e
cinema, ganhou ainda o Urso de Prata de
melhor actriz e concorreu ao Óscar de melhor
actriz em 1999 e ao Globo de Ouro de Melhor
actriz em filme dramático pelo filme
Central do Brasil de Walter Salles. Recebeu
também vários prémios da crítica americana,
no mesmo ano (Los Angeles Film Critics Award,
National Board of Review Award). Em
televisão participou de centenas de
teleteatros na extinta TV Tupi de São Paulo,
telenovelas na extinta TV Excelsior e na TV
Rio e na Rede Record e dezenas de produções
na Rede Globo. Tem dois filhos: a actriz
Fernanda Torres e o director Cláudio Torres,
um dos sócios da Conspiração Filmes,
produtora de publicidade e cinema. Seu
nascimento foi perto do bairro de Cascadura,
subúrbio do Rio. Era filha de uma dona de
casa (filha de sardos da localidade de
Bonarcado) e de um operário, com estudos de
mecânica. Fernanda cresceu neste ambiente,
frequentando colégios públicos locais e o
sítio dos seus avós em Jacarepaguá. Com doze
anos de idade, conclui seu primário e
dedica-se a formação para o trabalho,
matriculando-se no curso de secretariado
Berlitz, que compreendia inglês, francês,
português, estenografia e dactilografia.
Frequentava ainda o "curso de madureza"
(espécie de supletivo) à noite, conseguindo
concluir o equivalente ao ginasial em dois
anos. Aos quinze anos, porém, Fernanda,
ainda no terceiro ano do curso de
secretariado, inscreveu-se num concurso como
locutora na Rádio Ministério da Educação e
Cultura, factor que foi decisivo para a sua
carreira. O concurso, chamado "Teatro da
Mocidade", era voltado a despertar jovens
talentos para o radialismo. Localizada na
Praça da República (Campo de Santana), a
Rádio situava-se ao lado da Faculdade
Nacional de Direito da UFRJ, na qual
funcionava um grupo de teatro amador dos
alunos da faculdade, coordenado pelo
professor Adauto Filho. Ligada a Magalhães
Graça e Valquíria Brangatz (também chamada
artisticamente de "Neli Rodrigues"), alunos
da Faculdade e colegas na Rádio, Fernanda
passa a integrar o grupo de teatro, ao
participar da peça "Nuestra Natascha", de
Cassona. Posteriormente, foi levada pelo
professor Adauto para participar de
atividades no Teatro Ginástico. Seu primeiro
papel como radio-atriz foi numa obra de
Cláudio Fornari, que, na época, era um autor
muito importante, chamada "Sinhá Moça
Chorou", na qual fez o papel da Manuela, que
era uma jovem - o segundo papel feminino -
que se apaixonou pelo Garibaldi. E aí foi
dada a partida. Fernanda permaneceu na Rádio
por dez anos, inicialmente como locutora e
depois como actriz. Foi lá que Fernanda, ao
começar a escrever, adoptou o pseudónimo
"Fernanda Montenegro". Paralelamente, a
actriz passou a leccionar português para
estrangeiros no Berlitz, curso que havia
frequentado por quatro anos. Era a forma de
obter alguma remuneração, já que o trabalho
na Rádio nem sempre era remunerado. Foi a
primeira actriz contratada pela recém-criada
TV Tupi do Rio de Janeiro, em 1951. Na
emissora, entre 1951 e 1953, participou de
cerca de 80 peças, exibidas nos programas
Retrospectiva do teatro universal e
Retrospectiva do teatro brasileiro. Sob a
direcção de Jacy Campos, Chianca de Garcia e
Olavo de Barros, actuou ao lado de Paulo
Porto, Heloísa Helena, Grande Otelo,
Fregolente e Colé. Participou também de
programas policiais escritos por Jacy Campos
e Amaral Neto. No teatro, Fernanda
Montenegro ganhou o prémio de actriz
revelação da Associação Brasileira de
Críticos Teatrais, em 1952, por seu trabalho
nas peças Está lá fora um inspector, de J.B.
Priestley, e Loucuras do Imperador, de Paulo
Magalhães. Ainda na década de 1950, fez
parte da Companhia Maria Della Costa e do
Teatro Brasileiro de Comédia (TBC). Entre
1953 e 1955, a actriz participou de diversos
teleteatros na TV Tupi de São Paulo,
apresentados no programa Grande teatro Tupi.
De volta à Tupi carioca, actuou em mais de
160 peças apresentadas naquele programa de
1956 a 1965. Em 1959, formou sua própria
companhia teatral, a Companhia dos Sete, com
Sérgio Britto, Ítalo Rossi, Gianni Ratto,
Luciana Petruccelli, Alfredo Souto de
Almeida e Fernando Torres. A atroz é
considerada uma das grandes damas do teatro
brasileiro, tendo recebido diversos prémios
ao longo da carreira, por espectáculos como
A moratória (1955), de Jorge Andrade; Nossa
vida com papai (1956); Vestir os nus (1958);
O mambembe (1959), com direção de Gianni
Ratto; Mary, Mary (1963), dirigido por
Adolfo Celi; Mirandolina (1964), de Carlo
Goldoni; A mulher de todos nós] (1966),
dirigida pelo marido, Fernando Torres; As
lágrimas amargas de Petra von Kant (1982);
Dona doida, um interlúdio (1987), entre
muitas outras peças. Em 1963, contratada
pela TV Rio, actuou nas novelas Pouco amor
não é amor e A morta sem espelho, ambas de
Nelson Rodrigues, com direcção de Fernando
Torres e Sérgio Britto, respectivamente. Em
1964, fez mais duas novelas dirigidas por
Sérgio Britto: Vitória e Sonho de amor, esta
última uma adaptação feita por Nelson
Rodrigues do romance O tronco do ipê, de
José de Alencar, produzida pela TV Rio e
exibida também em São Paulo pela TV Record.
Em 1965, na recém-criada TV Globo, Fernanda
Montenegro participou do programa 4 no
Teatro, que apresentou uma série de
teleteatros sob a direcção de Sérgio Britto.
Em sua estreia na emissora, a actriz actuou
nas peças Massacre, de Emanuel Robles, e As
três faces de Eva, de Janete Clair. No ano
seguinte, na TV Tupi, interpretou a
personagem Amália, na novela Calúnia, de
Talma de Oliveira. Em 1967, estreou na TV
Excelsior como Lisa, em Redenção, novela de
Raimundo Lopes. Dirigida por Reynaldo Boury
e Waldemar de Moraes, Redenção foi um grande
sucesso, atingindo 596 capítulos e se
tornando um marco na história das
telenovelas brasileiras. Ainda na TV
Excelsior, em 1968, Fernanda Montenegro
viveu a Cândida em A muralha, adaptação de
Ivani Ribeiro da obra de Dinah Silveira de
Queiroz. Com direcção de Sérgio Britto e
Gonzaga Blota, a novela foi considerada uma
superprodução em sua época. Na mesma
emissora, em 1969, a actriz viveu a
personagem Júlia Camargo, de Sangue do meu
sangue, escrita por Vicente Sesso, quando
foi novamente dirigida por Sérgio Britto.
Fernanda Montenegro deixou a TV Excelsior em
1970 e manteve-se afastada da televisão
durante nove anos, intervalo quebrado apenas
pela realização de dois trabalhos: o
teleteatro A Cotovia, de Jean Anouilh, para
a TV Tupi, em 1971, e um Caso Especial da TV
Globo, em 1973. Este Caso especial estrelado
pela actriz era uma adaptação da tragédia
Medéia, de Eurípedes, feita por Oduvaldo
Vianna Filho. Levado ao ar no mesmo dia e
horário da estreia do programa do Chacrinha
na TV Tupi, o especial da TV Globo
surpreendeu conseguindo 20 pontos de
vantagem sobre o concorrente, segundo as
pesquisas do Ibope. Ainda na década de 1970,
a actriz integrou o elenco da novela Cara a
cara (1979), de Vicente Sesso, na TV
Bandeirantes. Na trama, dirigida por Jardel
Mello e Arlindo Barreto, a actriz viveu a
personagem Ingrid Von Herbert, ingressa de
um campo de concentração nazista. Fernanda
Montenegro estreou em novelas da TV Globo em
1981, em Baila comigo, de Manoel Carlos. Sua
personagem, Sílvia Toledo Fernandes, foi
escrita especialmente para a actriz, que foi
dirigida por Roberto Talma e Paulo Ubiratan.
No mesmo ano, viveu a milionária Chica
Newman de Brilhante, novela de Gilberto
Braga. Na trama, Luísa (Vera Fischer) é
escolhida por Chica Newman para se casar com
seu filho Ignácio (Dennis Carvalho), que é
homossexual. Mas a moça acaba se envolvendo
com Paulo César (Tarcísio Meira), homem de
origem humilde, casado com Isabel (Renée de
Vielmond), filha de Chica. Em 1983, Fernanda
Montenegro protagonizou cenas hilariantes ao
lado de Paulo Autran, como os primos Charlô
e Otávio de Guerra dos Sexos, novela escrita
por Sílvio de Abreu e dirigida por Jorge
Fernando e Guel Arraes. Obrigados a conviver
na mesma casa e na mesma empresa devido ao
testamento de um tio, os dois empreendiam
“batalhas” diárias, numa verdadeira guerra.
A censura impôs mudanças em personagens,
diálogos e cenas. Ainda assim, a novela foi
um sucesso e recebeu diversos prémios da
Associação Paulista de Críticos de Arte,
entre eles o de melhor actriz para Fernanda
Montenegro. Em 1986, a actriz participou de
Cambalacho, outra comédia de Sílvio de
Abreu, dirigida por Jorge Fernando. Como o
título sugere, o ponto de partida da trama
eram os trambiques armados por Leonarda
Furtado, a “Naná”, personagem de Fernanda
Montenegro, e Jerónimo Machado, o “Gegê”,
interpretado por Gianfrancesco Guarnieri.
Quatro anos depois, Fernanda Montenegro fez
uma participação especial, no papel de
Salomé, em Rainha da Sucata, novela de
Silvio de Abreu, Alcides Nogueira e José
António de Souza. Ainda em 1990, interpretou
a Vó Manuela na minissérie Riacho doce, de
Aguinaldo Silva e Ana Maria Moretzsohn. A
minissérie se passa em uma cidade do
nordeste liderada por Vó Manuela, uma mulher
mística e poderosa que exerce total domínio
sobre seu neto Nô (Carlos Alberto Riccelli).
Em 1991, na novela O dono do mundo, de
Gilberto Braga, Fernanda Montenegro foi Olga
Portela, uma requintada cafetina que, apesar
de picareta, conquistou a simpatia do
público. Dois anos depois, apresentou uma
actuação marcante como Jacutinga, a dona de
um bordel no interior da Bahia, na primeira
fase da novela Renascer, de Benedito Ruy
Barbosa. Ainda em 1993, participou – como
Madalena Moraes – da novela O mapa da mina,
a última de Cassiano Gabus Mendes. Em 1994,
como Quitéria Campolargo, a actriz integrou
o elenco estelar de Incidente em Antares,
que reuniu nomes como Marília Pêra, Regina
Duarte, Gianfrancesco Guarnieri, Paulo
Goulart, Nicette Bruno, Flávio Migliaccio,
Betty Faria e Diogo Vilela. A minissérie era
uma adaptação de Nelson Nadotti e Charles
Peixoto do livro homónimo de Érico
Veríssimo. Em seguida, em 1997, Fernanda
Montenegro viveu o papel-título de Zazá,
novela de Lauro César Muniz. Sua personagem
é uma mulher idealista, que tenta buscar uma
solução para a vida medíocre dos sete
filhos, ao mesmo tempo em que enfrenta
várias adversidades para fazer seu projecto
de avião atómico – o BR-15 – sair do papel,
e provar que não é louca quando afirma ser
filha de Santos Dumont. Em 1999, por sua
actuação no filme Central do Brasil, de
Walter Salles, foi a primeira artista
brasileira a ser indicada para o Óscar de
melhor actriz. Um ano antes, ainda por sua
actuação naquele filme, recebeu o Urso de
Prata do Festival de Berlim. Ainda em 1999,
a atriz fez o papel de Nossa Senhora na
minissérie O Auto da Compadecida, adaptação
da premiada peça de Ariano Suassuna feita
por Guel Arraes, Adriana Falcão e João
Falcão, e transformada em filme no ano
seguinte. Em 2001, viveu a Lulu de
Luxemburgo de As filhas da mãe, de Silvio de
Abreu, Alcides Nogueira e Bosco Brasil.
Fernanda Montenegro participou da primeira
fase de Esperança de 2002, novela de
Benedito Ruy Barbosa, em que fez o papel da
italiana Luiza, a avó da protagonista Maria,
interpretada por Priscila Fantin. Em 2005,
na premiada minissérie Hoje é dia de Maria,
dirigida por Luiz Fernando Carvalho, a
actriz interpretou a madrasta, voltando a
actuar na segunda jornada da série como Dona
Cabeça, narradora da trama. Em 2006, brilhou
na novela Belíssima como a vilã Bia Falcão,
matriarca da família Assumpção. A trama de
Silvio de Abreu prendeu a atenção dos
telespectadores até o último capítulo,
quando a personagem de Fernanda Montenegro,
em vez de receber a esperada punição,
terminou numa suíte em Paris ao lado do
jovem Matheus (Cauã Reymond). Um de seus
mais recentes trabalhos na TV Globo foi a
minissérie Queridos amigos de 2008, de Maria
Adelaide Amaral, como intérprete de Iraci.
Ao longo de sua trajetória profissional,
Fernanda Montenegro recebeu prémios
importantes por seus trabalhos tanto no
teatro quanto no cinema. Em 1985, foi
convidada pelo então presidente José Sarney
para ocupar o Ministério da Cultura, mas
recusou. Em 1999, foi condecorada com a
maior comenda que um brasileiro pode receber
do presidente da República, a Ordem Nacional
do Mérito Gran Cruz, “pelo reconhecimento ao
destacado trabalho nas artes cénicas
brasileiras”. Na época, uma exposição
realizada no Museu de Arte Moderna (MAM), no
Rio de Janeiro, comemorou os 50 anos de
carreira da actriz. Em 2004, aos 75 anos,
recebeu o prémio de Melhor Atriz no Festival
de Tribeca, em Nova Iorque. Entre os filmes
em que actuou no cinema estão A Falecida de
1964 e Eles não usam black-tie de 1980,
ambos de Leon Hirszman. E, mais
recentemente, Olga, de Jayme Monjardim, onde
interpretou Leocádia Prestes, mãe do líder
comunista Luís Carlos Prestes; Redentor de
2004, dirigido por seu filho, Cláudio
Torres; Casa de areia em 2005, filme
dirigido pelo genro Andrucha Waddington,
marido de sua filha, a atroz Fernanda
Torres; e O amor nos tempos do cólera (Love
in the time of cholera), de Mike Newell,
lançado em 2007, onde fez a personagem
Tránsito Ariza, mãe do personagem do actor
espanhol Javier Bardem.