A partir de Freud, a
consciência não
constitui mais uma do
que uma parte da vida
psíquica, da qual a
outra, determinante,
está no inconsciente.
Freud funda uma nova
disciplina, a
Psicanálise, e elabora
uma nova concepção do
homem. A
Psicanálise tem mais de
um século como a ciência
do Inconsciente e apesar
de muitas críticas,
ainda se desenvolve nos
estudos das enfermidades
psíquicas e da dinâmica
do inconsciente, com uma
forte concentração na
prática clínica. Na
actualidade, a
Psicanálise já não se
limita à prática e tem
uma amplitude maior de
pesquisa, centrada em
outros temas e cenários,
desenvolvendo-se como
uma ciência psicológica
autónoma. Hoje fica
muito difícil afirmar se
a Psicanálise é uma
disciplina da Psicologia
ou uma Psicologia
própria. De tão longa
tradição e corpo
teórico-prático,
assume-se a seguinte
proposição: nem toda
Psicanálise é
Psicologia, assim como
nem toda Psicologia é
Psicanálise, pois ambas
estão muito misturadas
em seu campo de actuação
e no nível teórico, que
é impossível distinguir
perfeitamente tais
ciências. Após Freud,
muitos outros
psicanalistas
contribuíram para o
crescimento do corpo
teórico da Psicanálise.
Das correntes
pós-freudianas, pode-se
citar as contribuições
de Melanie Klein, W.
Bion, Anna Freud, J.
Lacan e André Green.
Fonte: Biblioteca
Universal.
Freud, psiquiatra
austríaco, nasceu Em
Freiberg – Morávia, a 6
de Maio de 1856; morreu
em Londres (Inglaterra)
em 1939. Foi o fundador
da psicanálise, método
de investigação
psicológica empregado no
tratamento das neuroses
através das tendências e
influências reprimidas
no inconsciente do
indivíduo e o seu
retorno ao consciente
pela análise. Em 1938,
colegas seus austríacos,
fizeram-no sair do país
com a filha Anna Freud,
para fugir à opressão
nazista.
Desenvolveu os métodos
da associação livre e da
interpretação dos
sonhos, técnicas básicas
da sua teoria da
personalidade. Formulou
os conceitos de id, ego
e superego. Entre os
livros que escreveu
encontram-se obras como
A Interpretação dos
Sonhos (1900),
Psicopatologia da Vida
Quotidiana (1904),
Textos Essenciais da
Psicanálise I, II e III
(1909) e Totem e Tabu
(1913). Estudou medicina
em Viena e foi membro da
equipa de investigação
que descobriu os efeitos
da cocaína como
anestésico local. Em
1884 conheceu o médico
vienense Josef Breuer,
que o apoiou nos seus
estudos de psicologia e
no desenvolvimento da
teoria da psicanálise.
Com Breuer aprendeu o
termo «cura pela fala» e
o uso da hipnose na cura
da histeria. De 1885 a
1886, sob a orientação
do psicólogo francês
Jean Charcot, prosseguiu
os seus estudos sobre
hipnose em Paris. Foi
Charcot quem lhe chamou
pela primeira vez a
atenção para o facto de
os problemas dos
pacientes
(particularmente das
mulheres) serem
provocados por questões
do foro sexual. Por
volta da década de 90 do
século XIX, Freud estava
convicto de que a
problemática neurótica
tinha a ver com um
desenvolvimento sexual
inadequado; e, em 1895,
juntamente com Breuer,
editou Studies of
Hysteria, uma obra que
muitos autores
identificam com o início
formal da psicanálise.
Em 1897, inicia a sua
auto-análise e
diagnostica as suas
próprias dificuldades
neuróticas, como a
ansiedade neurótica,
cuja causa era uma
acumulação da tensão
sexual. As teorias e
artigos que publicou
baseavam-se no estudo de
casos dos seus próprios
pacientes, que eram
sobretudo da classe
média-superior e
mulheres de meia idade.
Por volta de 1895, Freud
deixou de parte a
hipnose para se dedicar
à técnica da associação
livre, que levou à
interpretação dos
sonhos. Freud
estabeleceu uma
comparação entre o
simbolismo dos sonhos e
da mitologia com a
religião, afirmando que
a religião era infantil
(Deus como a imagem do
pai) e neurótica
(projecção de desejos
reprimidos). No início
do século XX, Freud já
se fazia rodear por um
largo grupo de
psicanalistas, tendo
alguns deles formado
posteriormente as suas
próprias teorias e
escolas. Foi o caso de
Alfred Adler (em 1911) e
de Carl Jung (em 1913).
Foi Freud quem abordou,
pela primeira vez, o
modo como as forças do
inconsciente influenciam
o pensamento e o modo de
agir das pessoas. A
teoria da repressão da
sexualidade infantil
como causa das neuroses
dos adultos (tal como no
complexo de Édipo) gerou
grande controvérsia e,
mais tarde, realçou o
significado dos impulsos
agressivos. Tudo isto
criou um movimento
social e intelectual
ambivalente, na medida
em que nunca se tinha
teorizado a sexualidade
infantil como
impulsionador do
desenvolvimento dos
seres humanos. As sua
teorias, ao longo do
tempo, fizeram mudar o
modo como as pessoas
encaravam a natureza
humana e trouxeram uma
maior abertura aos
assuntos do foro sexual.
Compreende-se agora que
o comportamento
anti-social resulte, em
muitos casos, de forças
inconscientes, tendo
estes novos conceitos
levado a uma maior
expressão da condição
humana na arte e na
literatura.
Naturalmente, as teorias
de Freud causaram
discórdia entre
psicólogos e
psiquiatras, e os seus
métodos de psicanálise
não podem ser aplicados
a todos os casos. A
seguir à ocupação da
Áustria pelos nazis em
1938, Freud partiu para
Londres, onde acabou por
falecer em 1939.
Sigmund Freu, o "Pai da
Psicanálise"
Recebeu o prenome de
Scholomo Sigismund, o
qual Freud mudou para
Sigmund em 1878. Nenhum
dos textos anteriores ao
ano de 1886 foi
integrado às suas obras
completas, por oposição
de seus filhos e
herdeiros Ernst e Anna
Freud. Sua obra anterior
aos textos de
psicanálise,
compreendendo o período
de 1877 a 1886, é
composta de 21 artigos
sobre diversos temas:
neurologia, medicina,
histologia, cocaína. Sua
obra sobre psicanálise é
composta de 24 livros
(dois dos quais com
Josef Breuer, um com a
colaboração de William
Bullitt) e 123 artigos,
além de comentários,
prefácios, etc. e
traduzida em cerca de 30
línguas.
Freud era o filho mais
velho do terceiro
casamento de Jacob
Freud, comerciante de
tecidos. Jacob e Amália
Freud teriam ainda mais
sete filhos. Devido a má
situação económica, após
um ano em Leipzig, a
família mudou-se para
Viena, Áustria, onde o
pai estabeleceu seu
comércio no bairro judeu
de Leopoldstrasse. Em
1899 Freud escreveu esta
nota autobiográfica,
publicada em 1901 em
alemão nas
Biographisches Lexicon
hervorragender Arzte des
neunzehnten
Jahrhunderts de J. L.
Pagel:
"FREUD, SIGMUND, Viena.
Nascido a 6 de maio de
1856 em Freiberg,
Moravia. Estudou em
Viena. Aluno do
fisiólogo Brücke.
Promoção (título
médico) em 1881. Aluno
de Charcot em Paris de
1885-1886. Habilitado em
1885 (designado
Privatdozent). Tem
trabalhado como médico e
docente na Universidade
de Viena, desde 1886.
Proposto como Professor
Extraordinário, em 1897.
Inicialmente os
trabalhos de Freud
trataram sobre
histologia e anatomia do
cérebro e posteriormente
sobre temas clínicos de
neuropatologia; tem
traduzido os escritos de
Charcot e de Bernheim.
Über Coca, de 1884, é um
trabalho introdutório da
cocaína na Medicina. De
1891 é Zur Auffassung
der Aphasien. De 1891 e
1893 são as monografias
sobre as paralisias
infantis, que
culminaram, em 1897, no
volume sobre o tema
Handbuch, de Nothnagel.
Studien über Hysterie,
de 1895 (com o Dr. J.
Breuer). Desde então
Freud tem-se dedicado ao
estudo das psiconeuroses
e especialmente a
histeria, e em uma série
de breves ensaios tem
enfatizado o significado
etiológico da vida
sexual nas neuroses.
Também tem desenvolvido
uma nova psicoterapia
da histeria, do qual
muito pouco se tem
publicado. Um livro está
no prelo: Die
Traumdeutung ("A
Interpretação dos
sonhos")."
Em Fevereiro de 1923 foi
descoberto um tumor
maligno no lado direito
do palato. Foi feita uma
cirurgia com a ablação
dos maxilares e da
parte direita do palato.
Freud tinha que usar, a
partir de então, uma
prótese. Sofreu ao todo,
devido essa enfermidade,
33 cirurgias. Tinha
dificuldade para falar,
mas mantinha contacto
com seus interlocutores
e mantinha suas
actividades de rotina,
abandonando apenas os
problemas do movimento
psicanalítico, conduzido
então por Ernest Jones
que presidiu a IPA a
partir de 1934. Em Março
de 1938, quando da
invasão da Áustria pela
Alemanha, com a
intervenção do diplomata
americano William
Bullitt e de um resgate
pago por Marie
Bonaparte, Freud e sua
família deixaram Viena
indo
para Londres, residindo
em Maresfield Gardens
20; hoje Freud Museum.
Redigiu nesse país seu
último texto, Moisés e o
monoteísmo.
Freud faleceu em 23 de
Setembro de 1939 às três
horas da madrugada,
depois de dois dias de
coma e de ter recebido
de Max Schur, a seu
pedido, com a
concordância de Anna
Freud, três injecções de
três centigramas
de morfina.
Fonte: psicologia.org
Pré-história do sonho -
Yannick Ripa - Homenagem
a Hélio Pellegrino
Miriam Chnaiderman
A Interpretação dos
Sonhos (1900) é, segundo
psicanalistas e
estudiosos, o marco de
inauguração da
psicanálise. Moisés e o
Monoteísmo é a última
obra que Freud publicou
em vida. Moisés... é
menos o exercício de
uma aplicação -
ficcional e aventureira,
segundo alguns - da
interpretação
psicanalítica no campo
da história, neste caso
dos judeus e sua
religião, do que a
consolidação e o
aprofundamento de um
eixo central da
psicanálise ao qual o
livro princeps, de 1900,
deu início. A distinção
que Freud estabelece no
desfecho de sua obra (em
Moisés...) entre verdade
material e histórica, é,
neste sentido, talvez a
mais apropriada para
ilustrar o objectivo ao
qual Freud dirigiu, do
começo ao fim, seu
esforço e o alvo que
visava atingir nos
diferentes territórios
em que se meteu. A
verdade histórica
freudiana pouco tem a
ver com os fatos ou
objectos de
historiadores e
estudiosos dos
diferentes campos da
cultura e/ou das
ciências naturais.
Esses, os fatos,
passados ou presentes,
dizem respeito à verdade
material; servem de meio
para entrever e
perseguir algo que os
transcendem e os
determinam. Coisa esta
que Fabio Herrmann
designou, dentro de um
sistema conceitual
próprio, da psique do
real. Matriz edípica,
linguagem, lei, Outro,
mito, etc. são todos
conceitos da
psicanálise
contemporânea que
remetem para este real,
da psique. Verdade
histórica cuja
inscrição não se
encontra exclusivamente
no indivíduo e nem tão
somente no grupo mas
naquilo que os atravessa
e os perpassa - os
constitui, e na
história. A religião
judaica que Moisés
instaurou é uma
perseguição constante
deste eixo, de cunho
essencialmente negativo
(formulado em torno da
matriz edípica, da
castração), e que é da
própria análise,
permitindo-lhe (ao
judaísmo) alcançar
aquilo que Freud avaliou
ser o ideal do trabalho
analítico: o pensamento
ou a dimensão não
sensorial do real
humano. A interpretação
não é uma simples
decifração e tradução de
conteúdos, sejam eles,
no contexto clínico,
individuais, sejam no da
cultura - de um de seus
objectos -, mas a
abordagem, sempre
indirecta, deste real em
meio às suas realizações
e a seus desdobramentos
específicos. Ver-se-ia,
então, que é o método
que se coloca em
primeiro plano. O método
da psicanálise visa e
nos coloca em contacto
com o real psíquico. O
que nos defronta, neste
centenário da
psicanálise, com uma
curiosa realidade
situada no âmbito
público:
A descrença e o
desrespeito à
psicanálise - aliás, por
definição inassimilável
à civilização ocidental
- e ao seu criador junto
ao chamado público
culto, têm adquirido
força de uma origem bem
característica à vida
moderna. A vulgarização
das descobertas
científicas nos meios de
comunicação nutre-se de
uma confusão da ciência
com suas influências
sobre a produção e a
sofisticação dos bens,
materiais, corporais e
públicos; obteve uma
aceitação silenciosa por
parte dos cientistas
visto a crescente
dependência de suas
pesquisas de
financiamentos públicos.
Entretanto, a
actividade científica,
mais do que a
psicanálise, centra-se
no exercício de um
método: os fatos e as
hipóteses são sempre
passageiras. Entretanto,
a positivação exacerbada
em prol de uma eficácia
pragmática faz o público
aderir à verdade dos
genes, sua procura em
toda parte para tudo
explicar. Não surpreende
que tal busca torna
ainda mais ridículo o
já banalizado "Freud
explica" da compactuada
e apressada consciência
pública em relação à
psicanálise. Somente o
resgate da ordem do
método, o científico, de
um lado, e da
psicanálise de outro -
os dois muito
singulares, e
irredutíveis um ao outro
- é que colocaria em
relevo a verdade
presente na história de
Moisés para a urgente e
a mais fecunda
interlocução da
psicanálise com a
ciência.
Daniel Delouya -
Psicanalista.
Pesquisador pós-doutor
no Laboratório de
Psicopatologia
Fundamental do Núcleo de
Psicanálise da PUC-SP.
Trabalho e pesquisa
de Carlos Leite
Ribeiro – Marinha
Grande – Portugal