Portal CEN *** Pesquisas Carlos Leite Ribeiro ***

Click for Lisboa, Portugal Forecast

 

INDEPENDÊNCIA DA BAHIA

02 de Julho

 Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

 

A Bahia foi o local da chegada do portugueses ao Brasil em 1500, mas o seu povoamento iniciou-se só em 1534. O maior impulso deu-se a partir de 1549, quando foi fundada a cidade de Salvador (da Bahia). Ainda no século XVI e na primeira metade do século seguinte, a Bahia sofreu ataques de ingleses e holandeses, rechaçados e finalmente expulsos pelos portugueses e baianos. Durante todo o período colonial, manteve intenso fluxo comercial com a Europa e a África. No mesmo período, a Bahia foi palco de significativos movimentos de rebeldia, ora devidos ao aumento de impostos, como por exemplo “o motim do Maneta” em 1711, ora de cunho emancipalista  e libertário, como por exemplo a “conjuração dos Alfaiates” em 1798.

Em 1763, a Bahia perdeu a condição de capital do Brasil em favor do Rio de Janeiro. A Independência do Brasil, em 1822, causou a luta de baianos e portugueses, pois estes contestavam a emancipação, sendo, porém, vencidos no ano seguinte … 

No contexto que culminou com a Independência do Brasil, os conflitos na Bahia tiveram papel fundamental, devido à importância da comunidade de origem portuguesa na região. Desde a Revolução liberal do Porto em 1820, as ideias liberais alcançaram Salvador, ecoando de maneira crescente.

No início de 1823, um contingente de tropas portuguesas chegou a Salvador para reforçar o efectivo militar leal a Portugal ali estacionado. O Príncipe-regente D. Pedro nomeou Manuel Pedro, para comandar as tropas leais ao Brasil, mas estas foram batidas pelos portugueses, recuando tacticamente para a região do Recôncavo Baiano, uma vez que ali os habitantes eram defensores da independência. Iniciou-se assim um cerco a Salvador, onde estavam concentrados os comerciantes e os militares portugueses. Sob o assédio, a cidade ficou incomunicável, sem receber alimentos e munições. Nesse contexto, Madeira de Melo solicitou auxílio a Portugal, enquanto que D. Pedro enviava o general francês Pedro Labatut para reforçar as tropas brasileiras. Numa tentativa de romper o bloqueio, Madeira de Melo assumiu a ofensiva, ferindo-se a batalha de Pirajá a 8 de Novembro de 1822, favorável aos brasileiros, obrigando as tropas de Madeira de Melo a recuar para Salvador. No início de 1823, a situação da capital cercada deteriorou-se rapidamente: sem alimentos, as doenças começaram a disseminar-se entre a população. Diante desse quadro, Madeira de Melo permitiu a saída dos moradores de Salvador, tendo cerca de dez mil pessoas abandonado a cidade. Em fins de Maio, uma frota brasileira sob o comando do inglês Thomas Cochrane bloqueia Salvador. Compreendendo ser inútil a resistência, as tropas portuguesas rendem-se, deixando a cidade. A 2 de Julho, as forças brasileiras entraram vitoriosas em Salvador.

Com a volta de D. João VI a Portugal, permanecendo no Rio o Regente D. Pedro de Alcântara, que uma carta das Cortes mandava voltar a Portugal, ficou claro aos brasileiros que a antiga metrópole não aceitaria a condição de Reino Unido de Brasil e Portugal. Nas tropas, unidas no sentimento constitucionalista, a cisão entre portugueses e brasileiros foi-se acentuando. Ódios acirrados resultaram em muitos conflitos parciais e boatos que em 12 de Julho de 1821 fizeram os portugueses se reunir no quartel para a defesa de possível ataque dos brasileiros, que menosprezavam. A 12 de Novembro de 1821 os soldados portugueses saíram pelas ruas de Salvador, atacando os soldados brasileiros, num confronto corporal na Praça da Piedade, com feridos e mortos. A população temerosa iniciou êxodo paulatino para os sítios do Recôncavo. O ano terminou com as tensões em alta. A 31 de Janeiro de 1822 uma nova Junta foi eleita e em 11 de Fevereiro chegou a notícia da nomeação do Brigadeiro Inácio Luís Madeira de Melo como Comandante das Armas da província. Era o coronel que apoiara o conde da Palma, um ano antes. A ordem da nomeação chegou quatro dias depois. Os baianos tinham um comandante que já se declarara contrário aos seus ideais...
De Junho de 1822 a Julho de 1823 a luta se prolongou entre o governo provisório da província, eleito em Junho, favorável à independência, e as forças portuguesas comandadas pelo brigadeiro Inácio Luís Madeira de Melo, concentradas em Salvador. Formados, na Bahia, os três partidos que seriam o combustível da luta - partidários da colônia; constitucionalistas do Brasil em igualdade de condições e, finalmente, os republicanos - o primeiro exclusivamente de portugueses; o segundo com ambos os povos; o terceiro, quase exclusivo dos brasileiros.
No comando das Armas estava o brigadeiro Manuel Pedro, que fortalecera os nativos, pensando numa refrega. Sua destituição e nomeação de Madeira de Melo foi duro golpe no partido nacional.
A posse de Madeira de Melo foi obstada pelos naturais, alegando ausência de pequenas formalidades - o povo passou a defender o nome de Manuel Pedro. O comandante português busca apoio junto aos comerciantes patrícios, além da Infantaria 12, da Cavalaria e dos Marinheiros. Os baianos contavam com a Legião de Caçadores, a Artilharia e  1º de Infantaria.
A 18 de Fevereiro de 1822 reúne-se um conselho de vereadores, juízes e Junta Governativa para dirimir a questão da posse. Como solução foi proposta uma junta militar, sob a presidência de Madeira de Melo. Na prática, era sua vitória sobre os interesses contrários. As tropas portuguesas estavam de prontidão desde o dia 16, enquanto os marinheiros percorriam as ruas, fazendo provocações - Madeira de Melo fizera constar que, ocorrendo qualquer ameaça à constituição, agiria sem consultar a Junta Militar. Vitorioso, desfilou pelas ruas, inspeccionando as fortificações, desafiando as guarnições de maioria nacional. Na madrugada do dia 19 ocorrem os primeiros tiros, no Forte de São Pedro, para onde acorreram as tropas portuguesas, vindas do Forte de São Bento. Salvador transformou-se numa praça de guerra, e confrontos violentos ocorreram nas Mercês, Praça da Piedade e Campo da Pólvora. Apesar da brava defesa, os portugueses tomaram o quartel onde se reunia o batalhão 1º da Infantaria. Os marujos lusitanos festejam, desenfreadamente: atacaram casas, pessoas e invadiram o Convento da Lapa onde se encontravam alguns revoltosos, assassinando a abadessa, Sóror Joana Angélica.
Restava tomar o Forte de São Pedro. Madeira de Melo preparou-se para bombardear a fortaleza - uma das poucas inteiramente em terra, no centro da cidade. No cerco, foram atacados nos lados do Garcia. No dia seguinte, o forte se rendeu, evitando-se derramamento de sangue. O brigadeiro Manuel Pedro foi preso e enviado a Lisboa. No poder, o "Partido português" atemorizava os brasileiros. A 2 de Março de 1822, Madeira de Melo finalmente prestou juramento perante a Câmara de Vereadores.

 
Os nativistas ainda morando na capital reagem com pedradas às ações militares de Madeira de Melo e, na procissão de S. José (21 de Março de 1822), os “europeus” foram apedrejados.
Madeira de Melo escreveu: ”Então viu-se nesta cidade reunir-se uma multidão de negros a fazer depósitos de pedras em alguns lugares muito públicos, como o Largo do Teatro e ruas adjacentes; tomaram suas posições e logo que apareceu uma procissão que era feita por naturais da Europa, atiraram sobre ela uma infinidade de pedradas (...) Chegada a noite, reuniram-se grandes magotes em diferentes sítios e apedrejaram todos os soldados e mais pessoas que viram ser Europeus (...)”. Respondia pelos interesses dos baianos um jornal, o “Constitucional”, de Francisco Corte Imperial e Francisco Gê Acaiaba de Montezuma (nome nacionalista americano, adoptado, naquele tempo, que veio a compor o primeiro governo durante as lutas), que dava vazão aos sentimentos da maioria do povo.
A cidade de Salvador assistia à debandada cada dia maior dos moradores, que somente aumentou com a chegada de reforços a Madeira: um navio, dos que levavam tropas do Rio de Janeiro de volta a Portugal, aportou na capital, ali deixando seus soldados.
Consulta às Câmaras: Os deputados baianos na Corte, em Portugal (dentre os quais Pinto da França que chegou a ser enviado por D. João VI para negociar com Madeira de Melo - chegando após o desfecho do conflito), escreveram, perguntando qual a opinião das municipalidades sobre qual a relação da Bahia com a metrópole. Tomando a frente, as vilas de Cachoeira e São Francisco, seguidas pelas demais, manifestam-se favoráveis a que a Bahia passasse para a regência de D. Pedro, no Rio. Havia, por trás destas declarações, nítida vontade de separação de Portugal, a quem já tinham como a figura opressora. Uma escuna militar foi mandada por Madeira de Melo para Cachoeira. A 25 de Junho de 1822, reuniram-se na Câmara Municipal de Cachoeira os nomes de Antônio de Cerqueira Lima, José Garcia Pacheco de Aragão, Antônio de Castro Lima, Joaquim Pedreira do Couto Ferraz, Rodrigo Antônio Falcão Brandão, José Fiúza de Almeida e Francisco Gê Acaiaba de Montezuma, futuro visconde de Jequitinhonha, tendo como resultado a consulta ao povo, pelo Procurador do Senado da Câmara, "se concordava que se proclamasse Sua Alteza Real como Regente Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil, da mesma forma que havia sido no Rio de Janeiro". O povo respondeu com entusiasmo que "Sim!".
Em comemoração, a vila iniciou em seguida um desfile da cavalaria que marchou pelas ruas, celebrando-se uma missa. Durante o desfile popular, foram disparados tiros em sua direcção, vindos da casa de um português e da escuna fundeada ao largo. O tiroteio seguiu por toda a noite e no dia seguinte.
Em Cachoeira constitui-se a “Junta de Defesa”:  Reúnem-se os partidários “brasileiros” e proclamam uma Junta Conciliatória e de Defesa, para governo da cidade, em sessão permanente, recebendo a adesão de muitos portugueses. Dentre os brasileiros, destacam-se Rodrigo Antônio Falcão Brandão, depois feito primeiro barão de Belém, e Maria Quitéria de Jesus. Foi constituída uma caixa militar e instaram ao comandante da escuna para que cessasse o ataque, obtendo como resposta uma ameaça. O povo reage, tem lugar o primeiro combate, pela tomada da embarcação que, cercada por terra e água, resiste até a captura e prisão dos sobreviventes em 28 de Junho de 1822. As vilas do Recôncavo vão aos poucos aderindo a Cachoeira. Salvador torna-se alvo de maiores opressões de Madeira de Melo, e o êxodo ganha intensidade. As municipalidades se organizam para um combate, treinando tropas, erguendo trincheiras. Pelo sertão vinham as adesões. Posições estratégicas são tomadas nas ilhas, em Pirajá e Cabrito. As hostilidades têm começo e suas notícias se espalham pela Província e pelo restante do país. Itaparica já aderira. Para lá manda Madeira de Melo uma expedição, que chega atirando. O povo foge, engrossando as hostes do recôncavo. Em Cachoeira é organizado um novo Governo, para comandar a resistência, a 22 de Setembro de 1822, sob a presidência de Miguel Calmon do Pin e Almeida, futuro Marquês de Abrantes. Todos estes movimentos são comunicados ao Imperador. De Portugal, 750 soldados foram enviados como reforço para a manutenção da Bahia sob seu domínio e chegaram em Agosto. Em Outubro de 1822 chegou do Rio o primeiro reforço, ajuda efectiva aos patriotas baianos, sob o comando do General francês Pedro Labatut – tropa formada quase toda por portugueses – já que não existia um exército nacional. Seu desembarque foi impedido, indo aportar em Maceió – Alagoas, de onde veio, por terra – conseguindo assim arregimentar mais elementos ao fraco contingente. Labatut assumiu o comando das operações, sendo mais tarde substituído nessa função pelo general José Joaquim de Lima e Silva.
As batalhas: Diversas batalhas foram travadas, levando o nome dos lugares onde os combates ocorreram.


PEDRÃO NA GUERRA PELA INDEPENDÊNCIA
Em 12 de Outubro de 1832, Frei José Maria do Sacramento Brayner dirigiu um regimento ao Conselho Interino da Cachoeira para oferecer os seus serviços à Pátria, daí passou a residir em Pedrão. “Frei Brayner” confessa no seu requerimento dirigido à Junta da Cachoeira que, ouvindo ler-se à tropa de Cavalaria um ofício do Coronel Bento Lopes, no qual convocava não só a tropa da cavalaria como também o povo daquele lugar para aclamar na Vila de Santo Amacio ao Sr. Pedro de Alcântara, Príncipe Regente e Defensor Perpetuo do Brasil, ele imediatamente se oferecera com o maior alvoroço de alegria, mas o Capital Miguel Mendes, a quem foi mandada aquela comissão, não quis que o suplicante marchasse, pelo estado actual em estava à moléstia, pelo que lhe rogou fizesse ver ao dito coronel os seus ardentes desejos, protestado que apenas melhorasse e estivesse em sua capacidade, o que assim praticou apresentando-se e oferecendo-se às autoridades constituídas da Vila de Santo Amaro, e ao mesmo Coronel na vila de são Francisco, fazendo-lhes ver o seu amor, patriotismo e adesão à santa causa, e agora também o faz a este Ilustríssimo e Excelentíssimo conselho do Governo Interino desta Província, e não só o suplicante, como também voluntariamente unidos a ele 39 indivíduos, que formam uma guerrilha chamadas Voluntários de Pedrão. Aos 22 de outubro de 1822, o Conselho interino da Cachoeira tomou conhecimento desta grande iniciativa e comunicou-lhe, imediatamente, seu contentamento diante da grande prova de patriotismo, porém não deferiu a petição que almejava a formação da guerrilha, uma vez que estavam aguardando, em breve a chegada do Exmº. General Labatut, a quem hierarquicamente deveriam obedecer as decisões sobre formações de novos corpos armados, ficando o Conselho na lembrança de empregar meios para tal fim. Em, 04 de Novembro, do mesmo ano, o Conselho Interino expediu uma circular ordenando ordenando a formação da guerrilha conforme o plano proposto e marchasse imediatamente para a Vila da Cachoeira à fim de receber as ultimas ordens e os destinos à seguirem, e que fossem armados de espingardas. Em 29 de Novembro, por convocação do General Labatut, através de oficio, a Companhia do Frei Brayner se dirigiu para o Quartel General, localizado no Engenho Novo, no Recôncavo. Em, 05 de Dezembro, o Conselho Imperial dirigiu ao Frei Brayner, novo oficio que declarava desejar fazer marchas os Voluntários de Pedrão para o Quartel General e se integrar como um corpo de tropas, desejo esse, que o Frei Brayner, sentiu como se fosse uma exigência, uma vez que o mesmo ordenava que se aprontasse de imediato para marchar logo no outro dia, impreterivelmente, levado os Voluntários da Guerrilha, juntamente com os Voluntários da Guerrilha da Comarca do Sul, e lá se apresentassem ao General a fim de receberem seus destinos, inclusive levando suas fardas (roupas de couro) e as fardas que ainda estavam por fazer para concluírem as suas confecções no Quartel General, sem precisar levar armamentos de Clavina para a inteligente execução. Os Voluntários de Pedrão, sob o comando de Frei Brayner, adoptaram como fardas as vestes de couro, como seguinte regulamento: O seu uniforme em marcha era: Chapéu de Couro, com uma chapa de latão oval, e ao centro desta a letra “P”, e acima da letra uma coroa real; A túnica era o gibão; algibeiras longas; calças de algodão branco ou couro; surrão ou saco às costas; clavinas, espingardas ou bacamartes, espadas ou facas grandes e pequenas; a cavalo ou a pé, calçados ou descalços, segundo as circunstâncias o exigirem. O uniforme fora de marcha: Opcionalmente, chapéu branco fabricado artesanalmente, com a mesma chapa; Fardeta de algodão de qualquer fazenda de cor azul-escuro colete e calças de qualquer tecido de algodão branco. Os Voluntários, também denominados ENCOURADOS DE PEDRÃO, foram alistados 39 (trinta e nove) homens formando 40 (quarenta) com o seu Comandante. Todos, homens do campo, sendo dezanove casados e o restante solteiros, que abandonaram seus lares e famílias e seguiram para o campo de luta sob o comando do Frei José Brayner. Foram eles: 1. - Frei JOSÉ MARIA DO SACRAMENTO BRAYNER, branco, religioso,morador de Pedrão; Padre-Mestre. 2. – MANOEL MARTINS VALVERDE, branco, seminarista, morador de Pedrão. 3. – MANOEL DE JESUS VALVERDE, branco, solteiro, morador no Iaçú, lavrador. 4. – JOSE TEÓFILO MUNIZ, branco, solteiro, morador no Tanquinho, lavrador. 5. – ANGELO CARVALHO, pardo, casado, morador da Fazenda Boa Vista, lavrador. 6. – ANTONIO ESTEVÃO DA CRUZ, pardo, casado, morador na Fazenda Retiro, lavrador. 7. – ANTONIO FRANCISCO DE PINHO, pardo, solteiro, morador de Pedrão. 8. – ALEXANDRE MOURA, pardo, solteiro, morador na Fazenda Limoeiro, lavrador. 9. – DOMINGOS DIAS, pardo, solteiro, morador na Fazenda Baraúna, lavrador. 10. – FRANCISCO JOSÉ DE CAMPOS, pardo, casado, morado na Fazenda Massapé, lavrador. 11. – FRANCISCO JOSÉ DA CHAGAS, pardo, casado, morador da Fazenda Roçado, lavrador. 12. – FRANCISCO ALVARES MOREIRA, pardo, solteiro, morador da Fazenda Povoação, lavrador. 13. – FRANCISCO VIEIRA DE CARVALHO, pardo, casado, casado, morador na Fazenda Retiro, lavrador. 14. – FÉLIZ CARVALHO, pardo, casado, morador da Fazenda Massapê, lavrador. 15. – FRANCISCO XAVIER DE S. PAULO, pardo, casado, morador da Fazenda Boqueirão, lavrador. 16. – INÁCIO MATEUS, pardo, casado, morador da Fazenda Descansador, lavrador. 17. – INÁCIO PEREIRA, pardo, casado, morador da Fazenda Baraúna, lavrador. 18. – JOSÉ PEREIRA DE JESUS, branco, casado, morador no Pedrão, lavrador. 19. – JOSÉ EGÍNIO GAVILHO, pardo, solteiro, morador no Pedrão, lavrador. 20. – JOAQUIM DUARTE LOPES, branco, solteiro, morador no Pedrão, lavrador. 21. – JOAQUIM PEREIRA VALADARES, pardo, solteiro, morador no Pedrão, lavrador. 22. – JOAQUIM PEREIRA DA ASSUNÇÃO, pardo, solteiro, morador no Pedrão, lavrador. 23. – JOÃO LEITÃO DE MELO, pardo, casado, morador na Fazenda Europa, lavrador. 24. – JOÃO PEREIRA DE BRITO, pardo, solteiro, morador na Fazenda Coqueiro, lavrador. 25. – JOSÉ ALVES PEREIRA, pardo, casado, morador na Fazenda Boa Vista, lavrador. 26. – JOÃO DE DEUS, pardo, solteiro, morador na Fazenda Baraúna, lavrador. 27. – JULIÃO FERREIRA, pardo, solteiro, morador na Fazenda Limoeiro, lavrador. 28. – JOSÉ MOURA, pardo, solteiro, morador na Fazenda Cabaças, lavrador. 29. - JOSÉ DE ARAÚJO, pardo, solteiro, morador na Fazenda Limoeiro, lavrador. 30. – LUDOVINO DE SOUZA, cabra, casado, morador na Fazenda Contendas, lavrador. 31. – LUIS FERREIRA, pardo, solteiro, morador na Fazenda Baraúna, lavrador. 32. – MANOEL FRANCISCO DA SILVA, pardo, solteiro, morador no Engenho Cana Brava, lavrador. 33. – MANOEL JOSÉ DE GÓIS, branco, casado, morador no Pedrão, lavrador. 34. - .MANOEL DO ESPIRITO SANTO, pardo, casado, morador no Pedrão, lavrador. 35. – MONOEL DE ARAUJO, pardo, solteiro, morador na Fazenda Contenda, lavrador. 36. – MANOEL FERREIRA SANTIAGO, branco, casado, morador no Pedrão, lavrador. 37. – MANOEL MOURÃO, cabra, casado, morador na Fazenda Boa Vista, lavrador. 38. – MANOEL DA CRUZ LIMA, pardo, casado, morador na Fazenda Boqueirão, lavrador. 39. – PEDRO NOLASCO DE PINHO, pardo, solteiro, morador na Fazenda Boqueirão, lavrador. 40. – SIMÃO SOARES DOS REIS, pardo, solteiro, morador no Pedrão, lavrador. Aos 02 de julho de 1823, após a entrada triunfal na Cidade do Salvador, Frei Brayner guarneceu com sua tropa, a Capital, enquanto se organizavam as tropas de 1ª linha, até que passou à Corte do Rio de Janeiro. Apresentou-se ao SMI, requerendo remuneração dos serviços de Soldo de Capitão de 1ª Linha, o qual recebeu conforme Decreto de 12 de Fevereiro de 1824. Ocupou o lugar de Capelão da Relação Civil e foi agraciado com as comendas de Cristo e do Cruzeiro. Em, 02 de Março de 1826, o Imperador concedeu a dispensa de 1ª e 2ª Linhas à todos os indivíduos que serviram na Guerrilha Imperial dos Voluntários de Pedrão. Frei Brayner ao dispensar pessoalmente os seus soldados disse: “O PRÊMIO DOS VOSSOS TRABALHOS, DEPOIS DA GLÓRIA CONQUISTADA, SERÁ O DESCANSO EM VOSSAS CASAS ATÉ QUE A PATRIA OUTRA VEZ NOS CHAMAR”. Anualmente, no dia 02 de julho, na Cidade do Salvador, como guardião do cortejo homenageando esta data, aparecem desfilando, representantes dos vaqueiros imortais “Encourados de Pedrão”. Essa tropa recebeu vários nomes: - O próprio Frei Brayner denominava-os de: VOLUNTÁRIOS DE PEDRÃO, GUERRILHA IMPERIAL DOS VOLUNTARIOS DE PEDRÃO, COMPANHIA DE CAVALARIA DE COURAÇAS, ou, simplesmente, ENCOURADOS. - O historiador Acioly denominava-os de GUERRILHA IMPERIAL DE PEDRÃO. - Aristides Milton denominava-os: COMPANHIA GUERRILHEIRA DOS COURAÇAS e GUERRILHA IMPERIAL DOS VOLUNTARIOS DE PEDRÃO. - O Doutor Corrêa Garcia: COMPANHIA DOS COURAÇAS DE PEDRÃO. - Ladislau Titara chamava-os: GUERRILHA IMPERIAL DOS VOLUNTARIOS DE PEDRÃO E GUERRILHA VOLUNTARIA DO IMPERADOR. - Em, 16 de Novembro de 1850, faleceu o Frei José Maria do Sacramento Brayner, sendo sepultado na Matriz do Santíssimo Sacramento de Itaparica, onde era vigário. Os ENCOURADOS DE PEDRÃO, sempre foram exaltados por historiadores e poetas, pela coragem e bravura registradas nos campos de guerra pela independência da Bahia.
Pirajá: Tendo recebido reforços, Madeira de Melo desferiu um grande golpe contra as tropas brasileiras em Pirajá, conduzindo suas forças para a Estradas das Boiadas (ver também: Liberdade). Assim registrou Tobias Monteiro, em "A elaboração da independência": A luta foi tremenda, a resistência heróica; mas após quase cinco horas de refregas, acudindo reforços chegados da cidade e para não ver o exército bipartido, os independentes estavam ao ponto de recuar e escolher na retaguarda melhor ponto de defesa.  Já galgavam os atacantes as encostas dos montes, certos de levar de vencida o inimigo, quando ouviram o toque sinistro de avançar cavalaria e degolar. O corneta, a quem o major Barros Falcão, que comandava a acção naquele ponto, dera ordem de tocar retirada, trocara, por conta própria, o toque destinado a anunciar a derrota dos irmãos de armas, pelo do ataque inesperado, donde veio a desordem e o pânico dos portugueses. (nota abaixo sobre o Corneteiro Lopes)  O estratagema providencial de Luís Lopes, que assim se chamava esse lusitano aderente à causa do Brasil, transformou subitamente a acção. Espantados da presença dessa cavalaria imaginária, com que não contavam, os portugueses estremeceram indecisos e, por fim, recuaram. Sem perda de um momento, prevalecendo-se os brasileiros da situação, ordenaram a carga de baioneta. As hostes quase vitoriosas vinham agora de roldão sobre a planície, fugindo amedrontadas, envolvendo as reservas na mesma dispersão e na mesma derrota. Depois desse desastre e do último malogro da acção sobre Itaparica, o exército de Madeira ficou em total abatimento, que não pôde renovar reforços para dominar além da capital. Em Maio de 1823, chegou à costa da província a esquadra comandada por Thomas Cochrane (*) , para participar do bloqueio marítimo à capital da província. A derrota final de Madeira se deu em 2 de Julho de 1823.

 

(*)Lorde Thomas Alexander Cochrane, 10.° conde de Dundonald, marquês do Maranhão GCB, (Annsfield, 1775 — Londres, 1860) foi um militar britânico, almirante escocês da Marinha Real britânica, destacou-se nas lutas de emancipação da América Latina em relação a Espanha e Portugal. Ingressou na Armada britânica em 1793 com a idade de 17 anos na qualidade de guarda-marinha. Combateu estoicamente nas Guerras contra Napoleão, tendo demonstrado tanta ousadia em suas operações navais que o próprio imperador francês o apelidou de Loup de Mer (lôbo do mar). Paralelamente à sua carreira naval foi eleito membro do Parlamento. Resultou condenado à prisão em 1814, por haver realizado supostas actividades fraudulentas, vendo-se obrigado a abandonar a carreira naval. Em Maio de 1817 foi contratado pelas forças independentistas chileno-argentinas para que comandasse a Esquadra que tinha por missão eliminar o poder realista assentado no Vice-reinado do Peru, sendo sua contribuição decisiva na guerra, colaborando com os generais Bernardo O'Higgins e José de San Martín.
Tomou parte nas lutas da independência da Bahia e do Maranhão em 1823. Feito pelo imperador D. Pedro I marquês do Maranhão. Entre 1821 e 1825, Cochrane ajudou os independentistas brasileiros, lutando contra a frota naval lusitana. Também combateu em Pernambuco em 1824 a Confederação do Equador, no Nordeste brasileiro, ajudando a derrotá-la. Tentou inutilmente receber pagamento no Brasil pelos serviços e como não foi atendido, levou alguns navios como indemnização. Após finalizar sua participação no Brasil, dois anos mais tarde, intervém na guerra de Independência da Grécia, enfrentando, nesta oportunidade, os navios do Império Otomano (1827-1828).
Regressou ao Reino Unido em 1830. Em 1831, com a morte de seu pai, tornou-se o Décimo Conde de Dundonald. Em 1832 foi readmitido na Armada britânica, onde chegou a alcançar a patente de almirante. Morreu em Londres em 1860 aos 85 anos.

 
Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande - Portugal

 
 
 
 
 
 

 

Webdesigner: Iara Melo

Resolução de Ecrã: 1024 * 768

 

 
 

Copyright © Portal CEN - Cá Estamos Nós
Todos os Direitos Reservados