Infante D. Henrique - "O Navegador"

 

 

Morreu a 13 de Novembro de 1460


 

 

 

Grande impulsionador dos Descobrimentos Portugueses
 

 

 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

 

Formatação: Iara Melo

 

O Infante D. Henrique, nasceu no Porto no dia 4 de Março de 1394 e morreu na Vila do Infante (cabo de Sagres) em 1460. Quinto filho de D. João I e de D. Filipa de Lencastre, foi quem mais contribuiu para a expansão ultramarina portuguesa. Induzido por motivos económicos e razões de fé, concebeu e em parte realizou na África as expedições que deviam levar os portugueses à costa do Malabar (Índia) e desviar o comércio das especiarias do Mediterrâneo para o Atlântico. A expedição e tomada de Ceuta, em 1417, teve como objectivo principal a posse de áreas agrícolas produtoras de cereais panificáveis, de que Portugal era deficitário. A ideia de difundir o cristianismo e de reatar a tradição de defesa do mesmo contra o islamismo seu combate, quando em 1415 contava apenas vinte e um anos. Foi somente depois da conquista de Ceuta que se consagrou ao desenvolvimento dos trabalhos náuticos, fundando a Escola de Sagres, que funcionava como base de dados que se ia completando conforme os navegadores os navegadores iam navegando. Seus empreendimentos realizados entre 1450 e 1460, deixou o litoral africano explorado até ao cabo das Palmas.

Vinte anos foram necessários para que Portugal se recuperasse da sua perda e retomasse com D. João II a obra dos Descobrimentos. Grande organizador, nunca tomou parte em nenhuma viagem marítima, apesar de chamado pelos historiadores ingleses e depois consagrado como Henrique – o Navegador.

D. Henrique viveu na transição entre duas épocas: uma Idade Média em que prevalecem as motivações guerreiras e religiosas e uma Idade Moderna que assiste à afirmação dos valores do Renascimento e do primeiro capitalismo. É natural que esse dicotomia se reflicta também na personalidade do Infante, embora em grau que desconhecemos. De facto, as interpretações dos historiadores continuam controversas. Tradicionalmente, seguiu-se sem hesitações o panegírico do cronista Eanes de Zurara, encomendado por D. João V e escrito ainda em vida do Infante. É apresentado aí como um homem exemplar que juntava, a um gosto inesgotável pelo estudo, as qualidades de um autêntico cavaleiro medieval, destemido na guerra, obstinado nas decisões, piedoso, casto e abstémio. Uma outra fonte menos citada, a carta que D. Duarte escreveu a D. Henrique antes da partida para Tânger, dá-nos um retrato mais humano e mostra-no-lo com qualidades e defeitos, nomeadamente falador, desordenado e influenciável.

As dúvidas que se levantam sobre a personalidade do Infante, voltam a pôr-se a propósito do seu retrato físico. A figuração mais habitual é com um grande chapeirão do tipo borgonhês, cara pensativa, cabelo e bigode aparados. Assim aparece num manuscrito da “Crónica de Feitos de Guines” de Zurara, e como tal foi identificado nos Painéis de São Vicente de Fora. Mas há outras fontes para a iconografia henriquina. Na estátua que é suposto representá-lo, no portal sul do Mosteiro dos Jerónimos, surge de cabeça descoberta, com longos cabelos e barbas. Por fim, a estátua jacente que encima o seu túmulo no Mosteiro da Batalha, mostra um homem de rosto cheio e cara totalmente rapada. Qual destas representações corresponde à verdadeira efígie do Infante D. Henrique é, provavelmente, um enigma sem solução, mais um mistério a alimentar a larga produção historiográfica de que tem sido objecto e que parece longe de estar esgotada.

Em Marrocos, é armado cavaleiro, juntamente com os irmãos mais velhos D. Duarte (que depois foi rei) e D. Pedro. No regresso a Portugal, recebe o ducado de Viseu e o senhorio da Covilhã, cimentando assim uma poderosa casa senhorial, que, ao longo da sua vida, será reforçada com novos e variados rendimentos. Em 1416 foi encarregue do governo e manutenção de Ceuta, a partir de Portugal e, dois anos depois, é-lhe entregue a administração da Ordem Militar de Cristo (que sucedeu à Ordem dos Templários). Nesse ano de 1418, volta a Ceuta, comandando uma expedição de apoio à cidade, que era objecto do primeiro grande cerco muçulmano. Já em Portugal, e tendo visto contrariados pelo pai os seus intentos de conquistar Gibraltar, organizou, para actuar nessa zona, uma armada particular de corso, de que tirará bastante proveito. Iniciada a exploração dos arquipélagos da Madeira e dos Açores, virá a ser o primeiro donatário da ilhas atlânticas. Em 1433, seu irmão, o rei D. Duarte, concedera-lhe também o monopólio da pesca do atum, no Algarve, e isentara-o do pagamento do quinto das presas tomadas pelos seus corsários, privilégios que vinham juntar-se ao exclusivo do fabrico e venda de sabão em todo o Reino que lhe fora atribuído por seu pai D. João I.

O Infante foi o grande impulsionador e responsável pela expedição a Tânger, em 1437, que redundará num enorme fracasso, tendo sido obrigado a deixar o irmão mais novo, D. Fernando, prisioneiro dos muçulmanos, como refém da promessa de entrega de Ceuta, no entanto, preferirá não devolver a praça marroquina, mesmo com o sacrifício da vida de D. Fernando. A sua atitude em relação a outro seu irmão, D. Pedro, também não é pacífica: apoia-o quando ele assume a regência por morte de D. Duarte, tendo recebido, aliás, inúmeras benesses, entre as quais o cargo de fronteiro-mor em todos os lugares da Beira, em 1440 e o exclusivo da exploração comercial dos territórios a sul do Bojador, em 1443. Quando se agrava, porém, a tensão entre D. Afonso V e o tio D. Pedro, que culminará em 1449, deste último na Batalha de Alfarrobeira, D. Henrique aparece ao lado do jovem rei, sendo, indirectamente, responsável pelo infeliz desenlace do conflito. Os proventos da sua casa senhorial não param, entretanto de crescer, recebendo do rei e sobrinho as ilhas Berlengas e Baleal, em 1449, o exclusivo da pesca do coral, em 1450 e, direitos sobre os moinhos de vento em parte do curso do rio Tejo, em 1451. Em 1468, já com 64 anos, participa na expedição comandada por D. Afonso V que toma a cidade de Alcácer Ceguer, colaborando em mais um episódio daquele que fora o grande projecto da sua vida: a conquista do Norte de África.

Sabemos hoje que as viagens de expansão realizadas até 1460, ano da morte do Infante, não foram exclusivamente da sua iniciativa. Parece, no entanto, indiscutível que, apesar dos seus interesses irem prioritariamente para a política expansionista em Marrocos, o Infante D. Henrique teve um papel fundamental no arranque do movimento expansionista, o que contraprova pelo facto de, no período que se segue ao seu falecimento, o ritmo das viagens de descoberta ter abrandado de forma notória. Têm, no entanto, vindo a ser corrigidas algumas ideias-feitas que cresceram com a mistificação da sua figura. Assim, a formação que possuía no domínio das ciências, e até das práticas náuticas deve ter sido muito limitada; a lendária “escola de Sagres”, espécie de universidade de marinharia, não passa de uma invenção sem fundamento, nada prova que tenha sido gizado no seu tempo um plano para atingir a Índia; apesar de apodado de o “Navegador”, as suas viagens não foram além do Norte de África.

Nada disso apouca, porém, o relevo da sua acção decisiva para a empresa colectiva que levará à “abertura do mundo”. O seu nome está associado aos momentos mais importantes da primeira fade da expansão, em que investiu parte dos seus rendimentos da sua casa senhorial. Em 1419 (ou no ano seguinte) marinheiros ao serviço do Infante reconhecem (ou redescobrem ?) o arquipélago da Madeira e, entre 1427 e 1432, o dos Açores. Deste cerca de 1421, que navios seus fazem exploração na costa de África, procurando ultrapassar o cabo Bojador, até aí limite dos mares conhecidos, objectivo que se concretizará, em 1434, numa expedição chefiada por Gil Eanes, escudeiro de D. Henrique. Nos dois anos seguintes, começa a exploração da área a sul do cabo recém-ultrapassado, mas a partir de 1436, dá-se uma interrupção nas viagens de expansão provocada, em grande parte, pela malograda expedição a Tânger e pelos conflitos políticos que se seguem à morte de D. Duarte, em 1438. Só em 1441 as viagens de descobrimento recomeçaram, usando-se desde então o navio mais adequado, a caravela, o que permitiu avançar mais decididamente para sul. Em 1444, já tinha sido atingido a foz do rio Senegal e no ano de 1460, data em que o Infante D. Henrique morreu em Sagres, homens seus tinham chegado ao litoral da Serra Leoa e descoberto o arquipélago de Cabo Verde.

A partir de determinada altura, os navegadores portugueses, para evitar os ventos contrários (ventos Alísios) que sopram em movimento contrário aos ponteiros de relógio, em Cabo Verde rumavam para ocidente. Um desses marinheiros notou que em determinada altura, começa a surgir pássaros e peixes que não se encontravam em oceano aberto; além do recuo das marés. Havia para aquelas bandas terras, que ainda não tinham sido exploradas…


(...) "A chegada de Pedro Álvares Cabral à América teria sido intencional ou ocasional? Esse debate ocupou por várias décadas os historiadores. Hoje, muitos acreditam já não haver motivos para insistir nessa velha discussão. Há muito se sabe que alguns navegantes estiveram no litoral brasileiro pouco antes de Cabral. Sabe-se também que este não chegou ao Brasil por acaso. Essa convicção encontra apoio em várias fontes. Bastante citado, por exemplo, é o livro Esmeraldo de Situ Orbis, escrito entre 1505 e 1508, por Duarte Pacheco Pereira, membro da expedição de Cabral, que a certa altura menciona: "(...) temos sabido e visto como no ano de Nosso Senhor de 1498, vossa Alteza nos mandou descobrir a parte ocidental da grandeza do mar Oceano, onde é achada e navegada grande terra firme e com muitas e grandes ilhas adjacentes a ela"(...).

Tratado de Tordesilhas :para estabelecer os domínios no Atlântico foi necessária uma longa batalha diplomática entre Espanha e Portugal. Pouco depois da volta de Cristóvão Colombo, o papa expediu, em Maio de 1493, a Bula Inter Coetera, que reconhecida ao reino de Castela o domínio sobre todas as terras que se encontrassem a oeste de um meridiano localizado a 100 léguas a oeste das ilhas de Açores e Cabo Verde. Portugal, sentindo-se prejudicado, não aceitou a bula papal e exigiu uma negociação direta. O resultado foi o Tratado de Tordesilhas, assinado em 1494, em que os reinos ibéricos estabeleceram uma divisão do mundo. Segundo o tratado, terras e mares encontrados ou por encontras (desde que não pertencentes a nenhum rei cristão) seriam divididos entre Espanha e Portugal. O meridiano que passa a 370 léguas a oeste das ilhas de Cabo Verde foi tomado como linha divisória. As terras localizadas a leste pertenciam a Portugal. As restantes seriam da Espanha.

Nota: e porquê não foram negociadas 300 ou mesmo 350 léguas ? Os portugueses sabiam muito bem porquê...
Ínclita Geração ( que tem o seu panteão no Mosteiro da Batalha) é o nome dado por historiadores portugueses aos filhos do rei D. João I de Portugal e de D. Filipa de Lencastre. O epíteto refere-se ao valor individual destes príncipes que, de várias formas, marcaram a História de Portugal e da Europa. Eles foram:
D. Duarte, Rei de Portugal (1391-1438)
D. Pedro, Duque de Coimbra (1392-1449, morto na Batalha de Alfarrobeira, foi regente de D. Afonso V, seu sobrinho; considerado o príncipe mais culto da sua época
D. Henrique, Duque de Viseu (1394-1460), o grande impulsionador dos Descobrimentos portugueses
D. Isabel de Portugal (1397-1471), casada com Filipe III, Duque da Borgonha, actuou em nome do marido em vários encontros diplomáticos e é considerada como a verdadeira governante da Borgonha no seu tempo. Em honra deste casamento, o Duque criou a Ordem do Tosão de Ouro
João, Infante de Portugal (1400-1442), condestável de Portugal e avô da rainha Isabel de Castela e do rei D. Manuel I de Portugal
D. Fernando, o Infante Santo (1402-1433), morre no cativeiro em Fez, depois de recusar entregar Ceuta em troca da sua própria liberdade.
 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal

 

 

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