Julio Dinis
(Joaquim
Guilherme Gomes Coelho)
Nasceu a 14 de Novembro de
1839

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro
Formatação: Iara Melo
Médico, natural do Porto, que
escreveu ainda, na imprensa, sob outros
pseudónimos como “Diana de Aveleda” e
“Cecília”. Durante a sua curta vida, foi
romancista, poeta, jornalista e
dramaturgo, ao mesmo tempo que exercia
Medicina e iniciava uma carreira de
professorado na Escola Médico-Cirúrgica
do Porto. Obrigado pela doença a
interromper o magistério, passou largas
épocas em zonas campesinas, nomeadamente
em Ovar e no Funchal, dedicando-se
então, mais a fundo, à literatura.
Alguns dos seus romances vivem de uma
visão campesina e bucólica que terá
aprofundado nestes retiros forçados, mas
têm como linha de força um ideal burguês
entusiasta, tal como o teorizado pelo
seu mestre Herculano, a que juntou a sua
própria ideia moral de vida saudável,
proba, alegre e trabalhadora. Na
realidade, concebeu os seus romances com
evidentes intenções filantrópicas,
pretendendo-os instrumentos de educação
das massas, segundo o que deixou
expresso nos “Inéditos e Esparsos”.
Vindo de uma família com antecedentes
britânicos próximos, ele mesmo educado
dentro do espírito inglês e à sombra da
novelística inglesa; como Dickens, J.
Austen e Richardson, mas também leitor
de Rousseau, Balzac e Pascal, reagiu,
ainda antes do Naturalismo, a toda uma
literatura ultra-romântica desadequada e
antinatural. Mas se, no entanto, é o
realismo que perpassa nas suas páginas,
é um realismo não de vícios psicológicos
e morais mais objectos da sociedade,
antes um realismo preocupado com a
verdade das descrições, ambientes e
caracteres. E, na verdade, os seus
romances, especialmente “Uma Família
Inglesa, são magníficos repositórios de
ambientes e personagens com
contrapartida real. É de assinalar,
ainda, que nos dias de hoje, os seus
romances adquiriram, aos olhos dos
historiadores do nosso século XIX, o
interesse de documento sociológico, uma
vez que retratam as diversas reacções
populares às medidas económicas, sociais
e políticas efectuadas pelo regime
liberal.
Sua obra:
"Uma Família Inglesa" (1868); "Serões da
Província" (1870); "Os Fidalgos da Casa
Mourisca" (1871); "Poesias" (1873); e
"Teatro Inédito" (1946).
Júlio Dinis
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Joaquim Guilherme Gomes Coelho (Porto,
14 de Novembro de 1839 – Porto, 12 de
Setembro de 1871) foi um médico e
escritor português.
Biografia:
Licenciou-se em Medicina na Escola
Médica do Porto, onde também foi
professor, mas foi principalmente à
literatura que dedicou a maior parte da
sua curta vida. Utilizou vários
pseudónimos, sendo Júlio Dinis o
principal e o que o tornou mais
conhecido. É por muitos considerado como
um escritor de transição entre o fim do
Romantismo e o princípio do Realismo.
Embora tenha escrito poesia e teatro,
notabilizou-se principalmente como
romancista.
Sofria de tuberculose, e devido a essa
doença foi viver para zonas rurais como
a Madeira e Ovar, onde tomou
conhecimento da vida das gentes do
campo, principal tema da sua obra, onde
demonstrava uma grande preocupação pela
descrição realista das aldeias e das
pessoas, assim como dos seus problemas
sociais.
Sobre a sua passagem pela zona rural de
Ovar existe muita controvérsia, pois
estudiosos (Dra. Maria José Ramos e
outros) indicam que a sua estadia terá
sido em Grijó, que pertence a Vila Nova
de Gaia, o que se coaduna em termos
geográficos com as diversas referências
implícitas nas suas várias obras,
especialmente em A Morgadinha dos
Canaviais e As Pupilas do Senhor Reitor.
Nesta vila de Grijó encontram-se várias
placas alusivas à sua vida nesta terra,
nomeadamente na Quinta do Mosteiro e na
Quinta da Fábrica, no lugar do Loureiro.
Morreu em 1871, com 31 anos vítima da
tuberculose, tal como sua mãe e os seus
dois irmãos.
Romance "Uma Família Inglesa" (crítica)
Romance da autoria de Júlio Dinis. Foi
publicado em 1868. Júlio Dinis aborda um
mundo novo em cujo desenvolvimento
acredita. No período durante o qual
escreveu, entre 1858 e 1870, vivia-se
uma fase de acalmia que propiciava o
fomento das obras públicas. Todos os
valores da burguesia crente no êxito da
boa vontade e da iniciativa individual
pareciam então catalisadores de
progresso. Júlio Dinis emerge deste
optimista meio burguês. Ao mesmo tempo,
será ele que sustentará a sua obra,
através da leitura dos folhetins em que
ela é inicialmente publicada e onde se
afirma como fulcro de uma fase decisiva
da ficção portuguesa - o romance de tema
contemporâneo. António José Saraiva nota
que, ao contrário de Eça de Queirós,
capaz de analisar objectivamente as
instituições que representa nos seus
romances, Júlio Dinis identifica-se de
tal modo com o meio que representa que
parte desde logo, não da realidade, mas
de construções ideais. Isto torna-se
óbvio em Uma Família Inglesa, se
atentarmos na tipificação caricatural da
maior parte das personagens ou na
idealização extrema de Jenny, «anjo do
lar» quase ubíquo da família Whitestone
que leva o próprio narrador a
referir-se-lhe como «tão celestial que
se espera a cada passo vê-la
desprender-se da terra e dissipar-se»,
confiando-lhe o poder de resolver todas
as crises, embora não a dote de grande
densidade psicológica. Uma Família
Inglesa é um romance exemplar da sua
técnica narrativa. A acção desenvolve-se
a partir do meio comercial do Porto, da
sua Praça «na larga rua chamada dos
ingleses», e dos indivíduos que
costumavam povoá-la: o grande e o
pequeno comerciante, o guarda-livros, o
rapaz dos recados, o caixeiro, o
capitalista reformado, o filho-família
herdeiro. É neste espaço que sobressaem
Richard Whitestone, inglês dono de uma
grande firma de exportação, Carlos
Whitestone, seu jovem herdeiro, e Manuel
Quintino, o modesto e obediente
guarda-livros, cujos ambientes caseiros
o romance nos dá a conhecer. O enredo
aparentemente sentimental que realiza o
velho esquema da Gata Borralheira
culminará no casamento de Carlos com
Cecília, filha de Manuel Quintino.
Contudo, a crise novelesca não envolve
apenas o par romântico mas as suas
famílias ligadas por uma antiga relação
de trabalho. A relação entre Carlos e
Cecília consubstancia-se pelas visitas
do primeiro à casa da segunda com o
objectivo de ser instruído na arte
comercial pelo pai desta, vitimado pela
doença. Neste percurso se traça a
redenção de Carlos, cuja leviandade
amorosa e desinteresse pelo mundo do
trabalho são assim transformados em
empenhamento marital e profissional. O
trabalho surge, assim, não só como fonte
de riqueza mas também de felicidade
familiar e como motor de uma harmonia
universal implícita na união de
indivíduos de meios sociais muito
diferentes. Neste sentido, pode
afirmar-se que este romance atinge uma
síntese, revelando-se Júlio Dinis capaz
de explorar a verosimilhança dos
arquétipos inconscientes do seu tempo,
não só através da consideração da
interioridade das suas personagens
principais mas também e sobretudo graças
aos pólos temáticos em que assenta a sua
narrativa: a família e o trabalho.
Romancista português de vida efémera
nascido no Porto, cuja obra
caracterizou-se por um estilo directo e
espontâneo, sugestivo e tão voltado para
a naturalidade quanto para a própria
natureza, abordando costumes e relações
sociais nas aldeias portuguesas. Formado
pela escola de medicina e cirurgia do
Porto (1861), preferiu dedicar-se à
literatura e ao ensino universitário.
Colaborou, com o pseudónimo, no jornal A
Grinalda, quando publicou seu primeiro
romance, Justiça de Sua Majestade
(1958). No Jornal do Porto (1862-1864),
apareceram os contos reunidos depois nos
Serões de província (1870). A mesma
publicação divulgou em folhetins um dos
livros de Dinis mais bem-sucedidos junto
ao público, As pupilas do senhor reitor
(1867). Atacado pela tuberculose, fez
constantes viagens de tratamento,
inclusive ao litoral e à ilha da
Madeira. Desta viagens publicou, em um
mesmo ano, Painéis complementares da
vida social no campo e na cidade, A
morgadinha dos canaviais e Uma família
inglesa (1868). Outra obra importante
foi Os fidalgos da casa mourisca (1872).
Também escreveu poemas e dramas, de
edição póstuma, após sua prematura morte
no Porto, em 12 de Setembro (1871), com
apenas 32 anos. Romancista da vida
familiar e como tal estimado, seus
poemas e dramas, de edição póstuma, não
desmereceram o talento e a autenticidade
do escritor.
Romance “Os Fidalgos da Casa Mourisca”
(Crítica):
Vista como a obra-prima de Júlio Dinis,
publicada postumamente, em 1872,
concentra em si todas experiências
vividas pelo autor no contacto diário
com a província. Júlio Dinis, mais que
um médico, mais que um académico, foi um
perscrutador na sensibilidade humana, um
espectador atento da Vida em toda a sua
dimensão, em Natureza, onde incluía o
Homem e a partir da qual lhe avaliava o
carácter. É toda essa obra o laboratório
onde Júlio Dinis refina a sua percepção
da essência do ser-se humano, combinando
o perfil psicológico de pessoas reais
que conhecera, e acabando vertendo-a
como uma torrente de sentimentos sobre
as personagens do seu derradeiro conto.
Quem tenha lido “Os Fidalgos da Casa
Mourisca” compreende o que quero dizer.
Não há quem não encontre alguém ou a si
próprio nas personagens que Dinis aí
constrói. De resto, quem queira
compreender o estado de espírito que
fendia o Portugal da primeira metade de
oitocentos, tem de ler esta obra. O
autor revela não só um contacto próximo
do espaço e das gentes do campo,
presença constante na sua obra plena de
reflexões descritivas, como um espírito
carregado de optimismo e de uma Fé quase
cega na bondade e na capacidade de
perdoar e de amar dos homens. Para si
não há homens maus e esse sentimento ele
concretiza-o na inevitável remissão de
todas as personagens que cria. A ira, a
vingança, o rancor, a inveja, o orgulho,
nunca levam de vencida o seu inverso
pela pena deste romântico, sendo o
perdão, a humildade e a reconciliação os
valores mais altos que permanecem na
mente do leitor após o fecho do livro.
Era esse o espírito de Joaquim, era essa
a sua natureza individual e foi esse o
apelo que nos deixou.
O romance "As Pupilas do Senhor Reitor"
em capítulos (obra completa) -
Wikisource, a biblioteca livre
Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro
– Marinha Grande – Portugal |
|