Machado de Assis, nasceu a
21 de Junho de 1839
Pesquisa Carlos Leite Ribeiro
Arte Final: Iara Melo

Joaquim Maria Machado de Assis, é o maior
escritor brasileiro de todos os tempos, o
mais extraordinário contista da Língua
Portuguesa e um dos raros romancistas de
carácter universal, não tanto pela temática
mas pela análise certeira e perene da alma
humana.
O primeiro documento que pode ser chamado de
Literatura Brasileira é a carta de Pêro Vaz
de Caminha ao Rei Manuel I de Portugal, em
que o Brasil é descrito, em 1500. Nos dois
séculos seguintes, a literatura brasileira
ficou resumida à descrições de viajantes e à
textos religiosos. O neoclassicismo se
expandiu no século XVIII na região das Minas
Gerais.
Aproximadamente em 1836, o Romantismo
afectou a Literatura Brasileira e nesse
período, pela primeira vez, a literatura
brasileira tomou formas próprias, adquirindo
características diferentes da literatura
europeia. O Romantismo brasileiro (possuindo
uma temática indigenistas), teve como seu
maior nome José de Alencar e exaltava as
belezas naturais do Brasil e os indígenas
brasileiros.
Após o Romantismo, o Realismo se expandiu no
Brasil, principalmente pelas obras de
Machado de Assis (fundador da Academia
Brasileira de Letras)...
A obra de Machado de Assis abrange,
praticamente, todos os géneros literários.
Na poesia, inicia com o romantismo de
Crisálidas (1864) e Falenas (1870), passando
pelo Indianismo em Americanas (1875), e o
parnasianismo em Ocidentais (1897-1880).
Paralelamente, apareciam as colectâneas de
Contos fluminenses (1870) e Histórias da
meia-noite (1873); os romances Ressurreição
(1872), A mão e a luva (1874), Helena (1876)
e Iaiá Garcia (1878), considerados como
pertencentes ao seu período romântico. A
partir daí, Machado de Assis entrou na
grande fase das obras-primas, que fogem a
qualquer denominação de escola literária e
que o tornaram o escritor maior das letras
brasileiras e um dos maiores autores da
literatura de Língua Portuguesa.
Joaquim Maria Machado de Assis era um menino
pobre, neto de escravos, filho de um pintor
de paredes e de uma lavadeira portuguesa.
Passou a infância num sítio onde sua família
trabalhava, na cidade de Ladeira Nova do
Livramento, no Rio de Janeiro. Uma pessoa
que muito ajudou Joaquim foi sua madrinha
Dona Maria José de Mendonça Barroso, viúva
do brigadeiro e senador do Império Bento
Barroso Pereira, dona da fazenda.
Quando criança, Joaquim teve uma saúde muito
frágil. Possuía uma doença chamada
epilepsia, que afectava seus movimentos, e
também era ga-ga-gago. Divertia-se empinando
pipas, caçando lagartixas e ninhos de
passarinho. Gostava também de observar as
pessoas, ver o que elas faziam, como se
comportavam e o que diziam. Assim era ele,
curioso que só. Nessa época, ainda pequeno,
perdeu sua única irmã e também sua mãe.
Naquela época, quando ainda havia escravidão
no País, as pessoas mestiças, que tinham uma
cor misturada entre o negro e o branco,
sofriam muitos preconceitos. Machado de
Assis, por ser neto de escravos, era mulato,
e também muito discriminado. E por ser
pobre, não tinha condições de estudar em
cursos regulares, pois precisava trabalhar
para ajudar o pai e a madrasta a sustentarem
a casa.
Embora não tenha estudado durante muito
tempo, adorava aprender. Em São Cristóvão,
conheceu uma senhora francesa, proprietária
de uma padaria; lá, o forneiro (encarregado
das fornadas de pães) deu as primeiras
lições de Francês ao menino.
Aos 14 anos, resolveu que já era hora de
enfrentar a vida. Passou a ajudar a madrasta
a vender doces. Trabalhou também como
caixeiro de livraria (entregava livros nas
casas), tipógrafo e revisor.
Havia muita coisa que ele queria aprender. E
mesmo sobre as coisas que ele já tinha
aprendido, sempre queria saber mais. Queria
estudar diferentes línguas, conhecer toda a
história, todos os países, ler livros de
grandes escritores... Essas coisas, ninguém
lhe ensinava, ele estudava e aprendia
sozinho mesmo (era autodidacta). Nas horas
vagas, estava sempre mergulhado na leitura.
Na biblioteca Real Gabinete Português de
Leitura, no Rio de Janeiro, pegava muitos
livros emprestados e não só os lia, mas
também tinha o cuidado de anotar os trechos
que lhe traziam ensinamentos. Por esse
motivo, desde muito jovem, tornou-se um dos
maiores intelectuais do País. Aos 16 anos,
publicou seu primeiro poema, "Ela", na
revista Marmota Fluminense. E, a partir daí,
tornou-se jornalista e cronista.
Naquela época, a profissão de escritor não
dava dinheiro suficiente para pagar as
contas; por isso, Machado de Assis entrou
para o serviço público. Com o tempo, as
coisas foram melhorando e sobrou mais tempo
para ele escrever.
Foram grandes as dificuldades; mas mesmo
assim, por meio de muito esforço, Machado
conseguiu superar os desafios e se tornar um
escritor talentoso e respeitado.
Em 12 de Novembro de 1869, casou-se com a
portuguesa Carolina Xavier de Novaes, com
quem teve um casamento feliz e harmonioso
durante os 35 anos em que ficaram juntos.
Não tiveram filhos. D. Carolina Novaes,
mulher culta, apresentou Machado de Assis
aos clássicos portugueses e a vários autores
da língua inglesa. Em 29 de Setembro de
1908, quatro anos após a morte de sua
esposa, Machado de Assis faleceu na cidade
do Rio de Janeiro. Sua oração fúnebre foi
proferida pelo académico Rui Barbosa.
Comentários a dois contos de Machado de
Assis
Memórias Póstumas de Brás Cubas - Por
Machado de Assis
A história é narrada por Brás Cubas, um
defunto autor que após narrar sua morte e
funeral começa a contar a sua vida. Conta a
infância, as travessuras, o primeiro namoro
com Marcela (interesseira e bela, fica pobre
e feia), um namoro com Eugênia (que acaba
pobre) e mais tarde seu noivado com Virgília.
Como Virgília casa com outro eles mais tarde
se tornam amantes. O romance era ajudado por
Dona Plácida (que também morre pobre) e
acaba quando esta vai para o Norte com o
marido. Conta então seu reencontro com o
amigo Quincas Borba (primeiro na miséria,
depois rico, depois miserável e louco), que
lhe expõem sua filosofia, o Humanitismo.
Cubas passa seguir o Humanitismo. Já
deputado, não se reelege ou se torna
ministro e funda um jornal de oposição
baseado no Humanitismo. Mais velho se volta
para a caridade e morre logo após criar um
emplasto que curaria a hipocondria e lhe
traria fama.
Quincas Borba - Por Machado de Assis
Continuação de Memórias Póstumas de Brás
Cubas, Quincas Borba conta a história do
ex-professor primário Pedro Rubião de
Alvarenga, que após cuidar do filósofo
Quincas Borba até a morte, recebe dele toda
a fortuna sob a condição de tomar conta do
cachorro, que também tem o nome de Quincas
Borba. Rubião muda-se então para o Rio. No
caminho conhece o casal Sofia e Cristiano
Palha. Apaixonado por Sofia e ingênuo,
Rubião vai sendo explorado e aproveitado por
todos os amigos, que lhe tomam dinheiro
emprestado, lhe pedem favores, jantam em sua
casa mesmo quando ele não está, etc. Vai
envolvendo-se sem sucesso com a política e
perdendo muito dinheiro com gastos
exagerados e empréstimos. Cristiano e Sofia
(que não corresponde o amor) vão se
aproveitando dele muito mais, subtraindo-lhe
a fortuna, saindo do estado original de
dívidas para um de opulência no final. A
medida que o tempo passa, a decadência
material e o desespero de não ter
correspondido seu amor leva Rubião a
enlouquecer. Enquanto no começo travava
"discussões" com Quincas Borba (o cão),
depois começa a pensar ser Napoleão III e
Sofia sua esposa Eugênia. Passa a nomear
todos nobres e generais, ter visões, falar
sozinho. Quando ao final é internado num
manicômio, sua fortuna não é mais 1% do que
antes fora. Ele foge do manicômio e volta
para Barbacena, de onde saíra após
enriquecer, levando apenas Quincas Borba.
Enlouquecido e pobre, é recolhido pela
comadre e morre louco, corando-se Napoleão
III, repetindo incessantemente nos seus
últimos dias a célebre frase "Ao vencedor,
as batatas!" Narrado em terceira pessoa,
cheio de ironia sofisticada, uma personagem
feminina dissimulada, uma dúvida constante (Quincas
Borba é o título por causa do cão ou do
filósofo?).
Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande –
Portugal
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