Portal CEN *** Pesquisas Carlos Leite Ribeiro ***

 

 

Manuel Bandeira

 

Morreu a 13 de Outubro de 1968

 

 

 

 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

 

Arte Final: Iara Melo


 

Manuel Carneiro de Sousa Bandeira, escritor brasileiro, nasceu no Recife e morreu no Rio de Janeiro a 13 de Outubro de 1968. Inicia estudos de arquitetura, que interrompe para se tratar da tuberculose, o que o leva a um périplo pelo Brasil e Europa. Na Suíça conhece Paul Éluard, que o inicia na poesia francesa. Regressou ao Brasil em 1914. Estreou-se em 1917 com o livro de poemas “Cinza das Horas”, seguindo, em 1919, de “Carnaval, que abre o caminho do modernismo poético no Brasil. O seu reconhecimento como um dos maiores poetas de Língua Portuguesa dá-se a partir de 1937, tendo sido eleito em 1940 para a Academia Brasileira de Letras. Nesse mesmo anos saiu o volume das suas “Poesias, Em 1956 escreve para a Enciclopédia Delta Larrousse um estudo sobre “Versificação em Língua Portuguesa”. Publicou, entre outros, “Libertinagem, em 1930”, “Estrela da Manhã, em 1936”, “Opus 10, em 1952”, “Estrela da Tarde, em 1953, e “Estrela da Vida Inteira, em 1966”. Manuel Bandeira foi um dos poetas brasileiros mais admirados, inspirando, até hoje, desde novos escritores a compositores. Aliás, o "ritmo bandeiriano" merece estudos aprofundados de ensaístas. Por vezes inspira escritores não só em razão de sua matemática, mas também devido ao estilo sóbrio de escrever. Manuel Bandeira possui um estilo simples e direto, embora não compartilhe da dureza de poetas como João Cabral de Melo Neto, também pernambucano. Aliás, numa análise entre as obras de Bandeira e João Cabral, vê-se que este, ao contrário daquele, visa a purgar de sua obra o lirismo. Bandeira foi o mais lírico dos poetas. Aborda temáticas quotidianas e universais, às vezes com uma abordagem de "poema-piada", lidando com formas e inspiração que a tradição académica considera vulgares. Mesmo assim, conhecedor da Literatura, utilizou-se, em temas quotidianos, de formas colhidas nas tradições clássicas e medievais. Em sua obra de estreia (e de curtíssima tiragem) estão composições poéticas rígidas, sonetos em rimas ricas e métrica perfeita, na mesma linha onde, em seus textos posteriores, encontramos composições como o rondó e trovas. É comum encontrar poemas (como o Poética, parte de Libertinagem) que se transformaram em um manifesto da poesia moderna. No entanto, suas origens estão na poesia parnasiana. Foi convidado a participar da Semana de arte moderna de 1922, embora não tenha comparecido, deixou um poema seu (Os Sapos) para ser lido no evento. Uma certa melancolia, associada a um sentimento de angústia, permeia sua obra, em que procura uma forma de sentir a alegria de viver. Doente dos pulmões, Bandeira sofria de tuberculose e sabia dos riscos que corria diariamente, e a perspectiva de deixar de existir a qualquer momento é uma constante na sua obra. A imagem de bom homem, terno e em parte amistoso que Bandeira aceitou adoptar no final de sua vida tende a produzir enganos: sua poesia, longe de ser uma pequena canção terna de melancolia, está inscrita em um drama que conjuga sua história pessoal e o conflito estilístico vivido pelos poetas de sua época. Cinza das Horas apresenta a grande tese: a mágoa, a melancolia, o ressentimento enquadrados pelo estilo mórbido do simbolismo tardio. Carnaval, que virá logo após, abre com o imprevisível: a evocação báquica e, em alguns momentos, satânica do carnaval, mas termina em plena melancolia. Essa hesitação entre o júbilo e a dor articular-se-á nas mais diversas dimensões figurativas. Se em Ritmo Dissoluto, seu terceiro livro, a felicidade aparece em poemas como "Vou embora para Pasárgada", onde é questão a evocação sonhadora de um país imaginário, o pays de cocagne, onde todo desejo, principalmente erótico, é satisfeito, não se trata senão de um alhures intangível, de um locus amenus espiritual. Em Bandeira, o objecto de anseio restará envolto em névoas e fora do alcance. Lançando mão do tropo português da “saudade”, poemas como Pasárgada e tantos outros encontram um símile na nostálgica rememoração bandeiriana da infância, da vida de rua, do mundo colidiam das provincianas cidades brasileiras do início do século. O inapreensível é também o feminino e o erótico. Dividido entre uma idealidade simpática às uniões diáfanas e platónicas e uma carnalidade voluptuosa, Manuel Bandeira é, em muitos de seus poemas, um poeta da culpa. O prazer não se encontra ali na satisfação do desejo, mas na excitação da algolagnia do abandono e da perda. Em Ritmo Dissoluto, o erotismo, tão mórbido nos dois primeiros livros, torna-se anseio maravilhado de dissolução no elemento líquido marítimo, como é o caso de Na Solidão das Noites Húmidas. Esse drama silencioso surpreende mesmo em poemas “ternos”, quando inesperadamente encontram-se, como é o caso dos poemas jornalísticos de Libertinagem, comentários mordazes e sorrateiros interrompendo a fluência ingénua de relatos líricos, fazendo revelar todo um universo de sentimentos contraditórios. Com Libertinagem, talvez o mais celebrado dos livros de Bandeira, adoptam-se formas modernistas, abandona-se a metrificação tradicional e acolhe-se o verso livre. Em grosso, é um livro menos personalista. Se os grandes temas nostálgicos cedem ao avanço modernista, não é somente porque os sufocam o desfile fulminante de imagens quotidianas e os esquetes celebratórios do modernismo, mas também porque é um princípio motor de sua obra o reencenar a luta dos dois momentos sentimentais da alegria e da tristeza. O quotidiano “brasileiro” aparece ali, realçando o júbilo evocatório, com o pitoresco popular que se assimila, por exemplo em Evocação do Recife, ao tom triste e nostálgico; usa-se o diálogo anedótico para brindar fatos tão sórdidos quanto sua própria doença (Pneumotórax); a forma do esquete, favorável à apreensão imediata do objecto, funde-se, em O Cacto, a um lirismo narrativo que se aperfeiçoará em sua poesia posterior. Tanto em Libertinagem como no restante de sua obra, a adopção da linguagem coloquial nem sempre será coroada de êxito. Em certos meios-tons perde-se a distinção entre o coloquial estilizado e o coloquial natural, como em Pensão Familiar, onde os diminutivos são usados abusivamente. Libertinagem dará o tom de toda a poesia subsequente de Manuel Bandeira. Em Estrela da Manhã, Lira dos Cinquent’anos e outros livros, as experiências da primeira fase darão lugar ao acomodamento do material lírico em formas mais brandas e às vezes mesmo ao retorno a formas tradicionais.

 

Suas obras: 


POESIA:

Poesias, reunindo A cinza das horas, Carnaval, O ritmo dissoluto (1924);  Libertinagem (1930);  Estrela da manhã (1936);  Poesias escolhidas (1937); Poesias completas, reunindo as obras anteriores e mais Lira dos cinquenta anos (1940);  Poesias completas, 4a edição, acrescida de Belo belo (1948); Poesias completas, 6a edição, acrescida de Opus 10 (1954); Poemas traduzidos (1945); Mafuá do malungo, versos de circunstância (1948); Obras poéticas (1956); 50 Poemas escolhidos pelo autor (1955); Alumbramentos (1960); Estrela da tarde (1960). 

 

PROSA:

Crônicas da província do Brasil (1936); Guia de Ouro Preto (1938); Noções de história das literaturas (1940); Autoria das Cartas chilenas, separata da Revista do Brasil (1940); Apresentação da poesia brasileira (1946); Literatura hispano-americana (1949); Gonçalves Dias, biografia (1952); Itinerário de Pasárgada (1954); De poetas e de poesia (1954); A flauta de papel (1957); Prosa, reunindo obras anteriores e mais Ensaios literários, Crítica de Artes e Epistolário (1958); Andorinha, andorinha, crónicas (1966); Os reis vagabundos e mais 50 crónicas (1966); Colóquio unilateralmente sentimental, crónica (1968). 


ANTOLOGIAS:

Antologia dos poetas brasileiros da fase romântica (1937); Antologia dos poetas brasileiros da fase parnasiana (1938); Antologia dos poetas brasileiros bissextos contemporâneos (1946); Organizou os Sonetos completos e Poemas escolhidos de Antero de Quental, as Obras poéticas de Gonçalves Dias (1944); as Rimas de José Albano (1948); e, de Mário de Andrade, Cartas a Manuel Bandeira (1958).

 

Manuel Bandeira - Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho (Recife, 19 de Abril de 1886 — Rio de Janeiro, 13 de Outubro de 1968) foi um poeta, crítico literário e de arte, professor de literatura e tradutor brasileiro. Considera-se que Bandeira faça parte da geração de 22 da literatura moderna brasileira, sendo seu poema Os Sapos o abre-alas da Semana de Arte Moderna de 1922. Juntamente com escritores como João Cabral de Melo Neto, Paulo Freire, Gilberto Freyre e José Condé, representa a produção literária do estado de Pernambuco. Filho do engenheiro Manuel Carneiro de Sousa Bandeira e de sua esposa Francelina Ribeiro, era neto paterno de António Herculano de Sousa Bandeira, advogado, professor da Faculdade de Direito do Recife e deputado geral na 12ª legislatura. Tendo dois tios reconhecidamente importantes, sendo um, João Carneiro de Sousa Bandeira, que foi advogado, professor de Direito e membro da Academia Brasileira de Letras e o outro, António Herculano de Sousa Bandeira Filho, que era o irmão mais velho do engenheiro Sousa Bandeira e foi advogado, procurador da coroa, autor de expressiva obra jurídica e foi também Presidente das Províncias da Paraíba e de Mato Grosso. Seu avô materno era António José da Costa Ribeiro, advogado e político, deputado geral na 17ª legislatura. Costa Ribeiro era o avô citado em Evocação do Recife. Sua casa na rua da União é referida no poema como "a casa de meu avô". No Rio de Janeiro, para onde viajou com a família, em função da profissão do pai, engenheiro civil do Ministério da Viação, estudou no Colégio Pedro II (Ginásio Nacional, como o chamaram os primeiros republicanos) foi aluno de Silva Ramos, de José Veríssimo e de João Ribeiro, e teve como condiscípulos Álvaro Ferdinando Sousa da Silveira, Antenor Nascentes, Castro Menezes, Lopes da Costa, Artur Mosés. Em 1904 terminou o curso de Humanidades e foi para São Paulo, onde iniciou o curso de arquitetura na Escola Politécnica de São Paulo, que interrompeu por causa da tuberculose. Para se tratar buscou repouso em Campos do Jordão, Campanha e outras localidades de clima mais ameno. Com a ajuda do pai que reuniu todas as economias da família foi para Suíça, onde esteve no Sanatório de Clavadel, onde conheceu o jovem Paul Eugene Glidel, que mais tarde se tornou conhecido poeta francês sob o nome de Paul Eluard, e Gala, que foi esposa de Paul Eluard e posteriormente esposa de Salvador Dali. Manuel Bandeira faleceu no dia 13 de Outubro de 1968 com hemorragia gástrica aos 82 anos de idade, diante da sobrinha Helena Bandeira Cardoso ,no Hospital Bom Samaritano, no Rio de Janeiro, e foi sepultado no mausoléu da Academia Brasileira de Letras, no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro.

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal

 

 

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