Dona Maria II, nasceu a 04/04

 

 

 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

 

Formatação: Iara Melo

 

 

 

A D. Pedro IV ( Iº do Brasil), sucedeu sua filha primogénita, D. Maria II.
D. Maria II, nasceu no Rio de Janeiro, a 4 de Abril de 1819 e faleceu em Lisboa, 15 de Novembro de 1853. Foi baptizada com o nome de Maria da Glória Joana Carlota Leopoldina da Cruz Francisca Xavier de Paula Isidora Miguela Gabriela Rafaela Luísa Gonzaga de Bragança e Áustria.
Contava apenas 7 anos, quando seu pai, D. Pedro IV, abdicou do trono de Portugal em seu favor, em Abril de 1826.
Em 1831, D. Pedro I abdicou em 7 de abril a coroa do Brasil em nome do seu filho D. Pedro II, irmão de D. Maria II, e veio para a Europa com a filha e a segunda mulher, sustentar os direitos da filha à coroa de Portugal. Tomou o título de Duque de Bragança, e de Regente em seu nome.
Quase ao mesmo tempo a regência da ilha Terceira, nomeada por D. Pedro e composta do Marquês de Palmela, do Conde de Vila Flor e de José António Guerreiro, pode preparar uma expedição que em pouco tempo se apossou dos Açores. Enquanto se ampliava assim o território constitucional, D. Pedro desembarcava em França, sendo acolhido com simpatia pelo novo governo e por Luís Filipe I. O governo de D. Miguel desacatara as imunidades dos súbditos franceses, não satisfizera de pronto as reclamações do governo francês, que mandara uma esquadra comandava pelo almirante Roussin forçar a barra de Lisboa e impor humilhantes condições de paz.
D. Pedro deixou a filha em Paris acabar a sua educação, entregue à madrasta, com bons mestres, e partiu para os Açores à frente duma expedição organizada na ilha de Belle-Isle, reunindo seus partidários. Chegando aos Açores a 3 de Março de 1832, formou novo ministério, juntou pequeno exército, cujo comando entregou ao Conde de Vila Flor, meteu-o a bordo duma esquadra que entregou ao oficial inglês Sartorius, e partiu para Portugal continental, desembarcando a 8 de Julho no Mindelo. Seguiu-se o cerco do Porto e uma série de combates, até que a 24 de Julho de 1833 o Duque da Terceira entrou vitorioso em Lisboa, depois de ter ganho, na véspera, a batalha da Cova da Piedade. Porto e Lisboa, as principais cidades, estavam no poder dos liberais. D. Pedro veio para Lisboa, e mandou vir sua filha de Paris.
O Teatro Nacional D. Maria II, no Rossio (zona central de Lisboa), tem o seu nome por ter sido inaugurado no dia de aniversário da rainha.
Devia casar, logo que tivesse idade, com o tio, D. Miguel, nomeado regente e lugar-tenente do reino, o que foi aceite pelo Infante, em Julho de 1826, assumindo a regência, ao chegar a Lisboa, em Janeiro de 1828, após ter jurado fidelidade à rainha e à Carta Constitucional.
D. Maria foi enviada para a Europa em Julho de 1828, para defender os seus direitos ao trono, tendo ficado a residir em Londres, e a partir de 1831 em França.
Só em 24 de Setembro de 1834, com o fim da Guerra Civil, tendo quinze anos de idade, assumiu o governo do País.
Alguns dias antes de seu pai falecer (24 de Setembro de 1834), foi julgada maior pelas Cortes, principiando a governar segundo o regime constitucional. Este reinado foi de contínuas lutas fratricidas.
A Revolução de Setembro, fez restaurar a Constituição de 1822. O ministério foi derrubado, tendo-se constituído outro em que figuravam Manuel da Silva Passos e o Visconde de Sá da Bandeira, em 1837.
Os Duques da Terceira e de Saldanha fazem um movimento (Revolta dos Marechais) para restaurar a Carta Constitucional, mas são mal sucedidos. As Cortes, que já se encontravam reunidas quando a revolta estalou, concluem por decretar a Constituição de 1838.
Costa Cabral, promoveu no Porto uma sublevação a favor da Carta Constitucional, que foi restaurada em 1842.
A Revolta da Maria da Fonte, foi um movimento popular que teve origem na Póvoa do Lanhoso (Minho), em 1846, e que se estendeu depois a todo o País. Foi motivado pelo agravamento dos impostos e por um decreto de Costa Cabral que proibia o enterramento nas igrejas, como era costume nesse tempo.
Este movimento terminou por uma intervenção estrangeira (Convenção de Gramido), solicitada pela rainha D. Maria II, à Espanha, França e Inglaterra.
Em virtude de uma nova revolta chefiada por Saldanha, foi demitido o ministério de Costa Cabral, em 1851. Saldanha foi depois chamado pela rainha para tomar conta do governo.
No ano seguinte, foram convocadas as cortes, que alteraram a Carta Constitucional, votando-se um Acto Adicional, em que aboliu em Portugal, a pena de morte para os crimes políticos. Com este último movimento terminou a série de revoluções que houve durante o reinado de D. Maria II.
Devem-se a esta rainha, bastantes reformas e melhoramentos respeitantes à instrução pública, como:
- Criação de Liceus e Escolcas Primárias;
- Fundação das Escolas Médicas, de Lisboa e do Porto;
- Escola Politécnica de Lisboa;
- Academia Politécnica do Porto;
- Instituto agrícola;
- Conservatório de Música.
Neste reinado foi introduzido em Portugal as estampilhas (selos) postais.
Casamentos da Rainha D. Maria IIª
Com dispensa papal, por procuração, em 29 de Outubro de 1826 casou-se com seu tio, o Infante D. Miguel (1802-66). O casamento foi dissolvido ou anulado em 1 de Dezembro de 1834.
Casou em Munique por procuração em 5 de Novembro de 1834 e em pessoa em Lisboa em 26 de Janeiro de 1835 com o príncipe D.Augusto de Beauharnais. Baptizado Augusto Carlos Eugénio Napoleão de Beauharnais, nascera em Milão 9 de Dezembro de 1810 e morreria em 8 de Março de 1835 de difteria, no Paço Real das Necessidades, em Lisboa. Segundo duque de Leuchtenberg, Príncipe de Eichstadt, feito Príncipe de Portugal pelo casamento, 1° Duque de Santa Cruz no Brasil, feito em 5 de Novembro de 1829 por seu sogro e cunhado D. Pedro I. Era filho de Eugénio de Beauharnais e da princesa Augusta da Baviera, e irmão mais velho da imperatriz D. Amélia, madrasta de Maria II.
Havia necessidade de um terceiro marido. Apareceram candidatos de França, Nápoles, Alemanha e Sardenha e foi vitorioso o sobrinho do rei Leopoldo I dos belgas:
Casou com o Príncipe D. Fernando de Saxe-Coburgo-Gota, baptizado Fernando Augusto Francisco António de Saxe-Coburgo-Gota, nascido em Viena em 29 de Outubro de 1816 e falecido em Lisboa a 15 de Dezembro de 1885 no Paço Real das Necessidades, estando sepultado em mosteiro de São Vicente de Fora. O contrato foi assinado no fim de 1835. Meses depois, chegou o marido. Haviam casado em Coburgo por procuração em 1 de Janeiro de 1836 e em Lisboa em pessoa na Sé patriarcal em 8 de Abril de 1836. Rei Consorte como Fernando II em 16 de Setembro de 1837, após o nascimento de um filho varão. Regente do reino durante a menoridade do filho Pedro V e depois até a chegada a Portugal do filho Luís I. Tiveram 12 filhos. Era filho de Fernando Jorge Augusto (Coburgo 1785-1851 Viena) príncipe de Saxe-Coburgo-Gota e de Maria Antonia Gabriela (Viena 1797-1862 Viena), princesa herdeira de Kohary de Csabrag e Szitna. Viúvo, Fernando casaria de novo em 1869 com sua amante de longa data, a cantora Elisa Hensler, feita condessa de Edla. Maria tinha sido muito avisada pelos médicos dos riscos de ter um filho por ano, ao que terá respondido: Se tiver que morrer, morro no meu posto. Foi o que sucedeu, vítima do seu 11º parto (príncipe Eugénio) em 1853.
Durante a sua vida, D. Maria arrecadou os seguintes tratamentos e títulos:
1819-1822: Sua Alteza a Princesa da Beira
1820-1820: Sua Alteza Imperial a Princesa Imperial
1820-1826: Sua Alteza Imperial a Princesa do Grão-Pará
1826-1853: Sua Majestade Fidelíssima a Rainha
1826-1828/ 1834-1853: Rainha de Portugal e dos Algarves
Princesa da Beira
Duquesa de Bragança
Duquesa de Barcelos
Marquesa de Vila Viçosa
Condessa de Arraiolos
Condessa de Barcelos
Condessa de Neiva
Condessa de Ourém
Princesa Imperial do Brasil
Princesa do Grão-Pará (1821-1826)
Duquesa do Porto
Duquesa de Leuchtenberg
Duquesa de Santa Cruz
Princesa de Eichstadt
Princesa de Saxe-Coburgo-Gota 
Jaz no Panteão da Casa Bragança, no mosteiro de São Vicente de Fora em Lisboa.
 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal

 

 

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Foto Fundo da Página: Teatro Dona Maria II, Lisboa Portugal

Fotógrafo: Erich Teister

 

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