Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro
Fonte: Lusa
Aos 79 anos actor estava internado no
hospital Santa Maria e esta manhã não
resistiu às complicações de uma operação.
Raul Solnado morreu este sábado aos 79 anos.
O actor estava internado no hospital Santa
Maria e esta manhã, pelas 10h50m, foi
confirmado o óbito. Segundo informou o
hospital, Solnado sucumbiu na sequência da
evolução de um quadro clínico Cardiovascular
grave.
No palco destacou-se como actor de mil
faces, mas foi com as gargalhadas que Raul
Solnado se tornou uma figura mítica do
espectáculo. Um génio do humor que conseguiu
pôr Portugal a rir de uma guerra sem sentido
(com famosa rábula "a guerra de 1908"), numa
altura em que a guerra colonial era um
assunto tabu.
Gargalhadas que venceram uma guerra e que
fizeram de Raul Solnado um recordista de
vendas discográficas com um disco que nem
canções tinha. O êxito dos monólogos «a
guerra de 1908» e "a história da minha vida"
foi de tal maneira que superou as vendas de
Amália Rodrigues. Raul Solnado assinou assim
um tipo de humor nunca visto em Portugal, um
humor que esgotou bilheteiras nas principais
salas de espectáculo.
Raul Solnado começou a representar em Lisboa
no Sociedade Guilherme Cossoul. Com um
sketch no Máxime, a 10 de Dezembro de 1952,
iniciou uma verdadeira carreira de êxitos,
quase sempre como cómico, em que tirou
partido das suas características pessoais,
incluindo a espontaneidade, e que tem
abrangido tanto o teatro como “Vison Voador”
em 1968, que esteve 2 anos em cartaz; como
no cinema desde “O Noivo das Caldas” e
“Perdeu-se um Marido”, ambos em 1956; na
rádio, entre muitos outros “A Guerra de
1908, em 1961; na televisão ficaram célebres
“Zip-Zip em 1969 e “Faz de Conta” em 1986. A
sua actuação no filme “As Pupilas do Senhor
Reitor”, mereceu-lhe em 1960, o Prémio de
Melhor Actor, outorgado pelo SNI.
De 1975 a 1987, Raul Solnado viveu no
Brasil.
O seu último amor...
(...) A Casa do Artista, é um projecto ao
qual dedico grande parte do meu tempo. Agora
sou o presidente da Direcção e por isso
tenho de seguir de perto os seu dia a dia.
Isto foi uma ideia que me assaltou desde os
tempos do Brasil. Lá havia o Retiro do
Artista, mas eu achava que a palavra
"retiro" era muito forte e quando, em 1960,
apresentei o projecto aos meus colegas, já
foi como Casa Artista. A ideia andou a
germinar durante muitos anos e, um dia, o
Armando Cortês decidiu pô-la em prática.
Durante a direcção dele eu vinha aqui todos
os dias ajudá-lo. Em quatro anos mobilámos
estes 12 000 metros quadrados com coisas que
nos foram oferecidas! Mas quando ele começou
a ficar muito doente, pediu-me para eu
assumir a direcção e cá estou (...).
Raul Solnado - Wikipédia, a enciclopédia
livre.
Raul Augusto Almeida Solnado, nasceu em
Lisboa no dia 19 de Outubro de 1929 e morreu
também em Lisboa, a 8 de Agosto de 2009. Foi
um humorista, apresentador televisivo e
actor português.
Unanimemente reconhecido como um dos maiores
nomes do humor português, começou a fazer
teatro na Sociedade de Instrução Guilherme
Cossoul (1947), profissionalizando-se em
1952.
Em 1953 estreia-se no teatro de revista com
"Viva O Luxo", apresentado no Teatro
Monumental. Entra também em "Ela não Gostava
do Patrão".
1956 é o ano de "Três Rapazes e Uma
Rapariga" no Teatro Avenida. Participa ainda
nos filmes "O Noivo das Caldas" e "Perdeu-se
um Marido".
No ano de 1958 participou nos filmes "Sangue
Toureiro" e "O Tarzan do Quinto Esquerdo".
Desloca-se pela primeira vez ao Brasil em
1958 mas correu tudo mal.
Em 1960 torna-se primeiro actor na peça "A
Tia de Charley" apresentada no Teatro
Monumental. Participa no filme "As Pupilas
do Senhor Reitor" (Prémio S.N.I.).
"A Guerra de 1908", um sketch do espanhol
Miguel Gila, adaptado para português por
Solnado, é interpretado na revista "Bate o
Pé", estreada no Teatro Maria Vitória em
Outubro de 1961. Entra também no filme "Sexta-feira,
13".
O disco que reunia "A Guerra de 1908" e "A
História da Minha Vida", editado em Abril de
1962, bateu todos os recordes de vendas de
discos.
Em 1962 entra em "Lisboa à Noite", em cena
no Teatro Variedades, onde interpreta os
sketcks "É do Inimigo" e "Concerto do
Inimigo". É protagonista do filme
neo-realista "Dom Roberto", de José Ernesto
de Sousa. Vence o Prémio de Imprensa para
melhor actor de cinema.
Após 1963, faz teleteatro no Brasil e na
RTP. "Vamos Contar Mentiras" é o grande
espectáculo do ano de 1963. Torna-se em 1964
fundador e empresário do Teatro Villaret. A
estreia foi em 1965 com "O Impostor-Geral"
onde foi o protagonista.
Mariema e Raul Solnado recebem os Prémios de
Imprensa para melhores actores de teatro de
revista.
Em Maio de 1966 foi lançado o EP "Chamada
Para Washington."
O Ep "Cabeleireiro de Senhoras" foi lançado
em Dezembro de 1968. Em Janeiro de 1969 foi
editada a compilação "O Irresistível Raul
Solnado" que incluía alguns dos principais
exitos editados anteriormente em EP
(Historia do Meu Suicídio, Chamada para
Washington, O Bombeiro Voluntário, A Guerra
de 1908, O Cabeleireiro de Senhoras,
Historia da Minha Vida).
No dia 24 de Maio de 1969 foi gravado o
primeiro programa do "Zip-Zip", no Teatro
Villaret. A última emissão foi no dia 29 de
Dezembro do mesmo ano. O programa da autoria
de Solnado, Fialho Gouveia e Carlos Cruz foi
um dos marcos desse ano.
Em Dezembro de 1969 é o protagonista de "O
Vison Voador".
A peça "O Tartufo de Moliére" é estreada em
Janeiro de 1972. Ainda em 1972 participa na
revista "Prá Frente Lisboa". A canção
"Malmequer" tornou-se um grande êxito
popular.
Em 1974 entra no filme "Aventuras de um
Detective Português".
O programa "A Visita da Cornélia" é um
grande sucesso da televisão portuguesa em
1977.
Com César de Oliveira adapta a Peça
"Checkup" do dramaturgo brasileiro Paulo
Pontes. "Isto É Que Me Dói" incluía no
elenco Raul Solnado, Guida Maria, Helena
Matos, Joel Branco, Cândido Mota, Luís de
Mascarenhas e David Silva.
O single "Dá O Cavaquinho, Os Ferrinhos e a
Pandeireta" de 1978 inclui dois temas de
Luiz Miguel d'Oliveira: "É Tão Bom Sabe tão
Bem" e "Viste O Lino?".
Repete o enorme êxito com a peça "Há
Petróleo no Beato" de 1981. "Super Silva"
foi outro êxito enorme.
Com Fialho Gouveia e Carlos Cruz apresenta
na RTP o programa "O Resto São Cantigas"
onde foram recordados músicos e compositores
da época áurea da música ligeira portuguesa.
No concurso televisivo "Faz de Conta" mostra
todo o seu talento ao contracenar e
improvisar com os concorrentes que lhe davam
réplica.
Na televisão é o protagonista da sitcom "Lá
Em Casa Tudo Bem" que dura vários meses.
Em 1987 interpreta um papel dramático no
filme "A Balada da Praia dos Cães", de José
Fonseca e Costa, baseado no livro de José
Cardoso Pires.
Foi actor convidado do Teatro Nacional D.
Maria II, como protagonista da peça "O
Fidalgo Aprendiz", de D. Manuel de Melo.
Publicou a sua autobiografia – A Vida Não Se
Perdeu (1991).
Em 1992 foi actor convidado do Teatro
Nacional de S. Carlos, na personagem Frosch
da opereta "O Morcego", de Strauss.
Em 1993 participou, ao lado de Eunice Muñoz,
na telenovela "A Banqueira do Povo" de
Walter Avancini.
Entrou na peça "As Fúrias", de Agustina
Bessa-Luís, no Teatro Nacional D.Maria II,
em 1994.
Em 1995 fez "O Avarento", de Molière, no
Teatro Cinearte, encenado por Helder Costa.
Nesse editado a compilação "Best Seller dos
Discos".
Em Março de 2000 realizou-se em Tondela uma
homenagem, organizada pelo grupo Trigo Limpo
ACERT, que foi acompanhada por uma exposição
biográfica sobre o actor, baseada no livro
de Leonor Xavier, "Raul Solnado - A Vida Não
Se Perdeu".
Em 2001 voltou aos palcos do teatro com um
papel de grande relevo na peça "O Magnífico
Reitor" de Freitas do Amaral. Recebe o
Prémio Carreira Luís Vaz de Camões.
Foi homenageado em 2002 com a Medalha de
Ouro da Cidade de Lisboa e recebeu, em 10 de
Junho de 2004, do Presidente Jorge Sampaio a
Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique.
A compilação "Tá Laáa…? O Melhor de Raul
Solnado - volume 2" inclui o inédito "O
Paizinho do Ladrão", "A História do Meu
Suicídio" e ainda gravações "No Zip Zip",
"No Teatro" e "Nas Cantigas". Além de "Fado
Maravilhas" e de "Malmequer" inclui duas
novas gravações: "Eu Já Lá Vou" e "Haja
Descanso (Viva o Chouriço)".
Foi, até à sua morte, Director da Casa do
Artista, sociedade de apoio aos artistas,
que fundou juntamente com Armando Cortês,
entre outros.
Álbuns
O Riso é... Solnado (LP, Odeon, 1964)
O Irressistivél (LP, Parlophone, 1969)
Volume 2 (LP, Parlophone, 1973)
O Raul Solnado Conta Histórias Para Nós (LP,
Polygram)
Uma Visita de Natal (LP, Orfeu)
Humor
Isto É Que me Doí (2LP, EMI, 1977)
Best-Seller dos Discos (CD, EMI, 1995)
A Guerra de 1908 - Colecção Caravela (CD,
EMI, 1996)
Solnado ao Vivo no Zip (CD, Strauss, 1999)
Tá Laáa...? (CD, EMI, 2004)
Singles e EPS
Soldado Que Vais P'rá Guerra [Guerra de
1908/História da Minha Vida (EP, Parlophone,
1962) 1133
Ida Ao Médico/A Selva E Os Seus Leopoldos
(EP, Parlophone, 1962) 1143
É do Inimigo?/Concerto de Violino (EP,
Parlophone, 1963) 1150
A Bombeiral da Moda [O Bombeiro Voluntário/É
da Maternidade] (EP, Parlophone, 1964) 1184
O Impostor-Geral ()
Chamada Para Washington/O Repuxo (EP,
Parlophone, 1966) 1237
O Pinguinhas (1ª e 2ª parte) (EP,
Parlophone, 1967) 1305
O Cabeleireiro de Senhoras/A História do Meu
Suicídio (EP, Parlophone, 1968) 1344
A Campanha do Casca (Single, Exito, 1968)
Raul Solnado (Ludgero Olodualdo) canta
Badaladas (Single)
Cirurgia Plástica (1ª e 2ª parte) (Single,
Parlophone) 006-40 189
O Palhaço Verde - História Infantil (1ª e 2ª
parte) (Single, Parlophone)
Malmequer/Faduncho (Single, 1972)
Algumas Histórias Com Juízo (Single,
Zip-Zip, 197) 10038
Fado Fadinho [Fado Maravilhas/Fado
Calcinhas] (Single, Zip-Zip, 197) 30032/S
Es Preferible/Es Meson Del Gitano (Single,
Zip-Zip, 197) 30007/S
O Mosquito e o leão/O Corvo e a Raposa
(Single, Philips) 6031039
Dá O Cavaquinho, Os Ferrinhos e a Pandeireta
(Single, Orfeu, 1978) Ksat645
Fado Do Regresso/A Nossa Cidade (Single,
1979)
Zé Canal (Single, 1981)
No cinema participou em dez películas entre
1956 e 1975, de realizadores como Arthur
Duarte, Henrique Campos, Augusto Fraga,
Perdigão Queiroga, José Ernesto de Sousa,
entre outros, contracenando com alguns dos
maiores nomes do teatro e cinema de então -
Laura Alves, Eugénio Salvador, Raul de
Carvalho, João Guedes, Curado Ribeiro ou
António Silva. Os seus mais recentes
trabalhos no grande ecrã remontam a Requiem
de Alain Tanner (1998), Senhor Jerónimo de
Inês de Medeiros (1998), O Bobo de José
Álvaro Morais (1987) e A Balada da Praia dos
Cães, de Fonseca e Costa (1987).