Noel Rosa, foi compositor
popular brasileiro. Executante
de violão e bandolim, integrou
diversos conjuntos musicais e
compôs sambas, canções e marchas
em que transmitiu de forma muito
pessoal a alma lírica e
humorista dos bairros da sua
cidade natal: Rio de Janeiro. Em
1929, compôs “Minha viola” que é
a responsável por grande parte
da projecção do seu nome.
Noel de Medeiros Rosa, era filho
do comerciante Manuel Garcia de
Medeiros Rosa e da professora
Martha de Medeiros Rosa. Ele
nasceu em um parto complicado,
onde o médico precisou usar o
fórceps. O instrumento danificou
seu maxilar e, enquanto o lado
direito do rosto parecia ser
atrofiado, o esquerdo se
desenvolvia normalmente. As
tentativas de reparar a cicatriz
na face de Noel foram
fracassadas, e a marca
acompanhou o compositor durante
toda a sua vida. Franzino, Noel
aprendeu a tocar bandolim com
sua mãe - era quando se sentia
mais importante, lá no Colégio
São Bento. Sentava-se para
tocar, e todos os meninos e
meninas paravam para ouvi-lo
extasiados. Com o tempo, adoptou
o instrumento que seu pai
tocava, o violão.
Magro e debilitado desde muito
cedo, dona Marta vivia
preocupada com o filho,
pedindo-lhe que não se demorasse
na rua e que voltasse cedo para
casa. Sabendo, certa vez, que
Noel iria à uma festa em um
sábado, escondeu todas as suas
roupas. Quando seus amigos
chegaram para apanhá-lo, Noel
grita, de seu quarto: "Com que
roupa?" - no mesmo instante a
inspiração para seu primeiro
grande sucesso, gravado para o
carnaval de 1931. Foi para a
faculdade de Medicina – para a
alegria da família - mas a única
coisa que isso lhe rendeu foi o
samba "Coração" - ainda assim
com erros anatómicos. O Rio
perdeu um médico, o Brasil
ganhou um dos maiores sambistas
de todos os tempos.
Genial, tirava até de brigas
motivo de inspiração. Wilson
Batista, outro grande sambista
da época, havia composto um
samba chamado "Lenço no
Pescoço", um ode à malandragem,
muito comum nos sambas da época.
Noel, que nunca perdia a chance
de brincar com um bom tema,
escreveu em resposta "Rapaz
Folgado" (Deixa de arrastar o
seu tamanco / Que tamanco nunca
foi sandália / Tira do pescoço o
lenço branco / Compra sapato e
gravata / Joga fora esta navalha
que te atrapalha) . Wilson,
irritado, compôs "O Mocinho da
Vila, criticando o compositor e
seu bairro. Noel respondeu
novamente, com a fantástica
"Feitiço da Vila". A briga já
era um sucesso, todo mundo
acompanhando. Wilson retorna com
"Conversa Fiada" (É conversa
fiada / Dizerem que os sambas /
Na Vila têm feitiço) . Foi a
deixa para Noel compor um dos
seus mais famosos e cantados
sambas, "Palpite Infeliz" .
Wilson Batista, ao invés de
reconhecer a derrota, fez o
triste papel de compor "Frankstein
da Vila" , sobre o defeito
físico de Noel. Noel não
respondeu. Wilson insistiu
compondo "Terra de Cego". Noel
encerra a polémica usando a
mesma melodia de Wilson nessa
última música, compondo "Deixa
de Ser Convencido" Em 1929,
formou o conjunto Bando de
Tangarás com João de Barro,
Almirante, Alvinho e Henrique
Brito. Noel era o mais novo dos
músicos e o menos experiente, e
naquele momento quase não tinha
composições próprias. Juntos, os
cinco decidiram que o grupo
musical seria amador e que não
cobrariam para tocar. O Bando de
Tangarás sofreu influências da
música nordestina, que na época
estava em voga na cena cultural
carioca.
Noel fez muitas parcerias em sua
carreira, sendo a mais famosa
delas com o pianista Oswaldo
Gogliano, mais conhecido como
Vadico. Entre seu primeiro
encontro, no final de 1932, até
1936, os dois compuseram onze
canções juntos, e estas são
algumas das maiores obras primas
de Noel, que também protagonizou
umas das mais conhecidas brigas
da música popular brasileira.
Ele e Wilson Baptista, outro
compositor da época, travaram
uma batalha musical, que começa
com o samba Lenço no Pescoço de
Baptista. A música era uma ode à
malandragem e Noel, que tinha um
humor único, escreveu Rapaz
Folgado como resposta. Wilson,
então, escreveu uma canção
criticando Noel Rosa e seu
bairro, Vila Isabel. Durante tal
duelo musical, Noel escreveu um
dos seus mais conhecidos sambas,
Palpite Infeliz que serviu como
resposta a Frankstein da Vila,
música de Wilson que faz menção
à deformação no rosto de Noel. O
sambista também ganhou fama de
boémio e sempre estava
apaixonado por alguma mulher. O
gosto pela noite carioca causou
danos à sua saúde. Desde muito
jovem, Noel bebia e fumava -
hábitos que influenciaram a sua
prematura morte por tuberculose,
aos 26 anos.
Sua relação com as mulheres
ficou bastante conhecida. Em
1934, ele conheceu Juracy Corrêa
de Moraes, dançarina do Cabaré
Apollo. Na época, ela tinha
apenas 16 anos, mas parece ter
sido o amor da vida de Noel, a
quem o músico dedicou cerca de
dez sambas. Apesar de sua paixão
por Juracy – ou Ceci, como ela
era chamada –, Noel Rosa se
casou com Lindaura Martins,
sergipana de 18 anos, no dia
primeiro de Dezembro de 1934.
Mesmo casado, o compositor não
desistiu das noites na Lapa. Nos
anos que se seguiram, Noel lutou
contra a tuberculose. Como
tentativa de tratamento, o
carioca viajou para Friburgo em
busca de tranquilidade e ar
puro. Porém, sua fascinação pela
boémia atrapalhava seu
tratamento. No dia 4 de Maio de
1937, Noel Rosa morreu, deixando
como legado cerca de 400
composições.
Algumas das suas canções:
A.E.I.O.U. (com Lamartine Babo),
1931 ; Até amanhã 1932 ; Cem mil
réis (com Vadico), 1936 ; Com
que roupa? 1929 ; Conversa de
botequim (com Vadico), 1935 ;
Coração 1932 ; Cor de cinza 1933
; Dama do cabaré 1934 ; De
babado (com João Mina), 1936 ; É
bom parar (com Rubens Soares),
1936 ; Feitiço da Vila (com
Vadico), 1936 ; Feitio de oração
(com Vadico), 1933 ; Filosofia
(com André Filho), 1933 ; Fita
amarela 1932 ; Gago apaixonado
1930 ; João Ninguém 1935 ; Minha
viola 1929 ; Mulher Indigesta ;
Não tem tradução 1933 ; O
orvalho vem caindo (com Kid
Pepe), 1933 ; O x do problema
1936 ; Palpite infeliz 1935 ;
Para me livrar do mal (com
Ismael Silva), 1932 ;
Pastorinhas (com João de Barro),
1934 ; Pela décima vez 1935 ;
Pierrô apaixonado (com Heitor
dos Prazeres), 1935 ;
Positivismo (com Orestes
Barbosa), 1933 ; Pra que mentir
(com Vadico), 1937 ; Provei (com
Vadico), 1936 ; Quando o samba
acabou 1933 ; Quem dá mais? 1930
; Quem ri melhor 1936 ; São
coisas nossas 1936 ; Tarzan, o
filho do alfaiate 1936 ; Três
apitos 1933 ; Último desejo 1937
; Você só...mente (com Hélio
Rosa), 1933.
Até Amanhã
Até amanhã se Deus quiser
Se não chover, eu volto pra te
ver, ó mulher
De ti gosto mais que outra
qualquer
Não vou por gosto, o destino é
quem quer
Adeus é pra quem deixa a vida
É sempre na certa que eu jogo
Três palavras vou gritar por
despedida
Até amanhã, até já, até logo
O mundo é um samba em que eu
danço
Sem nunca sair do meu trilho
Vou cantando o teu nome sem
descanso
Pois do meu samba tu és o
estribilho
Eu sei me livrar do perigo
Num golpe de azar eu não jogo
É por isso que risonho eu te
digo
Até amanhã, até já, até logo