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NOEL ROSA

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

Formatação: Iara Melo

 

Noel Rosa - Morreu a 04 de Maio de 1937

 

Estátua de Noel Rosa, localizada na

 entrada de Vila Isabel, RJ

 

 

Noel Rosa, foi compositor popular brasileiro. Executante de violão e bandolim, integrou diversos conjuntos musicais e compôs sambas, canções e marchas em que transmitiu de forma muito pessoal a alma lírica e humorista dos bairros da sua cidade natal: Rio de Janeiro. Em 1929, compôs “Minha viola” que é a responsável por grande parte da projecção do seu nome.

 

Noel de Medeiros Rosa, era filho do comerciante Manuel Garcia de Medeiros Rosa e da professora Martha de Medeiros Rosa. Ele nasceu em um parto complicado, onde o médico precisou usar o fórceps. O instrumento danificou seu maxilar e, enquanto o lado direito do rosto parecia ser atrofiado, o esquerdo se desenvolvia normalmente. As tentativas de reparar a cicatriz na face de Noel foram fracassadas, e a marca acompanhou o compositor durante toda a sua vida. Franzino, Noel aprendeu a tocar bandolim com sua mãe - era quando se sentia mais importante, lá no Colégio São Bento. Sentava-se para tocar, e todos os meninos e meninas paravam para ouvi-lo extasiados. Com o tempo, adoptou o instrumento que seu pai tocava, o violão.


Magro e debilitado desde muito cedo, dona Marta vivia preocupada com o filho, pedindo-lhe que não se demorasse na rua e que voltasse cedo para casa. Sabendo, certa vez, que Noel iria à uma festa em um sábado, escondeu todas as suas roupas. Quando seus amigos chegaram para apanhá-lo, Noel grita, de seu quarto: "Com que roupa?" - no mesmo instante a inspiração para seu primeiro grande sucesso, gravado para o carnaval de 1931.  Foi para a faculdade de Medicina – para a alegria da família - mas a única coisa que isso lhe rendeu foi o samba "Coração" - ainda assim com erros anatómicos. O Rio perdeu um médico, o Brasil ganhou um dos maiores sambistas de todos os tempos.


Genial, tirava até de brigas motivo de inspiração. Wilson Batista, outro grande sambista da época, havia composto um samba chamado "Lenço no Pescoço", um ode à malandragem, muito comum nos sambas da época. Noel, que nunca perdia a chance de brincar com um bom tema, escreveu em resposta "Rapaz Folgado" (Deixa de arrastar o seu tamanco / Que tamanco nunca foi sandália / Tira do pescoço o lenço branco / Compra sapato e gravata / Joga fora esta navalha que te atrapalha) . Wilson, irritado, compôs "O Mocinho da Vila, criticando o compositor e seu bairro. Noel respondeu novamente, com a fantástica "Feitiço da Vila". A briga já era um sucesso, todo mundo acompanhando. Wilson retorna com "Conversa Fiada" (É conversa fiada / Dizerem que os sambas / Na Vila têm feitiço) . Foi a deixa para Noel compor um dos seus mais famosos e cantados sambas, "Palpite Infeliz" . Wilson Batista, ao invés de reconhecer a derrota, fez o triste papel de compor "Frankstein da Vila" , sobre o defeito físico de Noel. Noel não respondeu. Wilson insistiu compondo "Terra de Cego". Noel encerra a polémica usando a mesma melodia de Wilson nessa última música, compondo "Deixa de Ser Convencido" Em 1929, formou o conjunto Bando de Tangarás com João de Barro, Almirante, Alvinho e Henrique Brito. Noel era o mais novo dos músicos e o menos experiente, e naquele momento quase não tinha composições próprias. Juntos, os cinco decidiram que o grupo musical seria amador e que não cobrariam para tocar. O Bando de Tangarás sofreu influências da música nordestina, que na época estava em voga na cena cultural carioca.


Noel fez muitas parcerias em sua carreira, sendo a mais famosa delas com o pianista Oswaldo Gogliano, mais conhecido como Vadico. Entre seu primeiro encontro, no final de 1932, até 1936, os dois compuseram onze canções juntos, e estas são algumas das maiores obras primas de Noel, que também protagonizou umas das mais conhecidas brigas da música popular brasileira. Ele e Wilson Baptista, outro compositor da época, travaram uma batalha musical, que começa com o samba Lenço no Pescoço de Baptista. A música era uma ode à malandragem e Noel, que tinha um humor único, escreveu Rapaz Folgado como resposta. Wilson, então, escreveu uma canção criticando Noel Rosa e seu bairro, Vila Isabel. Durante tal duelo musical, Noel escreveu um dos seus mais conhecidos sambas, Palpite Infeliz que serviu como resposta a Frankstein da Vila, música de Wilson que faz menção à deformação no rosto de Noel. O sambista também ganhou fama de boémio e sempre estava apaixonado por alguma mulher. O gosto pela noite carioca causou danos à sua saúde. Desde muito jovem, Noel bebia e fumava - hábitos que influenciaram a sua prematura morte por tuberculose, aos 26 anos.


Sua relação com as mulheres ficou bastante conhecida. Em 1934, ele conheceu Juracy Corrêa de Moraes, dançarina do Cabaré Apollo. Na época, ela tinha apenas 16 anos, mas parece ter sido o amor da vida de Noel, a quem o músico dedicou cerca de dez sambas. Apesar de sua paixão por Juracy – ou Ceci, como ela era chamada –, Noel Rosa se casou com Lindaura Martins, sergipana de 18 anos, no dia primeiro de Dezembro de 1934. Mesmo casado, o compositor não desistiu das noites na Lapa. Nos anos que se seguiram, Noel lutou contra a tuberculose. Como tentativa de tratamento, o carioca viajou para Friburgo em busca de tranquilidade e ar puro. Porém, sua fascinação pela boémia atrapalhava seu tratamento. No dia 4 de Maio de 1937, Noel Rosa morreu, deixando como legado cerca de 400 composições.

 

Algumas das suas canções:

A.E.I.O.U. (com Lamartine Babo), 1931 ; Até amanhã 1932 ; Cem mil réis (com Vadico), 1936 ; Com que roupa? 1929 ; Conversa de botequim (com Vadico), 1935 ; Coração 1932 ; Cor de cinza 1933 ; Dama do cabaré 1934 ; De babado (com João Mina), 1936 ; É bom parar (com Rubens Soares), 1936 ; Feitiço da Vila (com Vadico), 1936 ; Feitio de oração (com Vadico), 1933 ; Filosofia (com André Filho), 1933 ; Fita amarela 1932 ; Gago apaixonado 1930 ; João Ninguém 1935 ; Minha viola 1929 ; Mulher Indigesta ; Não tem tradução 1933 ; O orvalho vem caindo (com Kid Pepe), 1933 ; O x do problema 1936 ; Palpite infeliz 1935 ; Para me livrar do mal (com Ismael Silva), 1932 ; Pastorinhas (com João de Barro), 1934 ; Pela décima vez 1935 ; Pierrô apaixonado (com Heitor dos Prazeres), 1935 ; Positivismo (com Orestes Barbosa), 1933 ; Pra que mentir (com Vadico), 1937 ; Provei (com Vadico), 1936 ; Quando o samba acabou 1933 ; Quem dá mais? 1930 ; Quem ri melhor 1936 ; São coisas nossas 1936 ; Tarzan, o filho do alfaiate 1936 ; Três apitos 1933 ; Último desejo 1937 ; Você só...mente (com Hélio Rosa), 1933.

 

Até Amanhã

 

Até amanhã se Deus quiser
Se não chover, eu volto pra te ver, ó mulher
De ti gosto mais que outra qualquer
Não vou por gosto, o destino é quem quer

Adeus é pra quem deixa a vida
É sempre na certa que eu jogo
Três palavras vou gritar por despedida
Até amanhã, até já, até logo

O mundo é um samba em que eu danço
Sem nunca sair do meu trilho
Vou cantando o teu nome sem descanso
Pois do meu samba tu és o estribilho

Eu sei me livrar do perigo
Num golpe de azar eu não jogo
É por isso que risonho eu te digo
Até amanhã, até já, até logo

 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro - Marinha Grande - Portugal

 

 

 

 

 

 

 

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