Portal CEN *** Pesquisas Carlos Leite Ribeiro ***

 

 

Pedro Nunes

 

Morreu a 11 de Agosto de 1578

 

 

 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

 

Formatação de Iara Melo

 

Pedro Nunes, matemático português, nasceu em Alcácer do Sal em 1502 e morreu em Coimbra a 11 de Agosto de 1578. De ascendência judaica, frequentou as universidades de Lisboa, Salamanca e, segundo parece, de Alcalá de Henares. Era bacharel quando, em 1529, foi nomeado cosmógrafo do reino e obteve por concurso, a cadeira de Filosofia Moral na Universidade de Lisboa, transitando depois para a de Lógica e posteriormente para a de Metafísica. Em 1532 renunciou ao ensino universitário, continuando, porém, a leccionar os infantes D. Luís e D. Henrique, este futuro rei-cardeal, e a dedicar-se à investigação. Ficou encarregue da cadeira de Matemática, de 1544 a 1562, na universidade transferida de Lisboa para Coimbra, em 1537. Em 1547 passou a cosmógrafo-mor. São suas principais obras: “Tratado da Esfera”, em 1537, onde apresenta pela primeira vez a ideia das curvas loxodrómicas; “De Crepusculis” de 1542 considerada a mais original das suas obras e a que lhe deu maior renome além-franteiras e onde descreve a sua invenção denominada “nónio” (a); e “De arte atque de ratione navigandi libri duo” em 1566. A sua obra científica em que faz a crítica aos tratadistas  do tempo, dá-lhe lugar cimeiro entre os matemáticos do seu século.

Pedro Nunes viveu num período de transição, onde a ciência mudou de uma índole teórica (e onde o principal papel dos cientistas era comentar os trabalhos dos autores precedentes), para a provisão de dados experimentais, ambos como forma de informação e como método de confirmar as teorias existentes. Nunes era acima de tudo um dos últimos grandes comentadores, como mostra o seu primeiro trabalho publicado, mas também reconhecia a importância da experimentação.
Nunes cria que o conhecimento científico devia ser partilhado. Assim, o seu trabalho original era impresso em três línguas diferentes: Português, Latim, tentando atingir uma maior audiência na comunidade escolar Europeia, e ainda um (Livro de algebra en arithmetica y geometria) em Espanhol, o que foi considerado surpreendente por alguns historiadores, dado que Espanha era então o principal adversário de Portugal no domínio dos mares.
Muito do Trabalho de Nunes está relacionado com a navegação. Foi ele o primeiro a perceber porque é que um navio que mantivesse uma rota fixa não conseguiria navegar através de uma circunferência, o caminho mais curto entre dois pontos na terra, mas deveria antes seguir uma rota em espiral chamada loxodrómica. A posterior invenção dos logaritmos permitiram a Leibniz estabelecer a equação algébrica para a loxodrómica.
No seu Tratado em defensão da carta de marear, Nunes argumenta que uma carta náutica deveria ter circunferências paralelas e meridianos desenhados como linhas rectas. Ele também mostrava-se capaz de resolver todos os problemas que isto causava, uma situação que durou até Mercator desenvolver a projecção de Mercator, o sistema que é usado até hoje.
Nunes trabalhou em vários problemas práticos de navegação respeitantes à correcção da rota ao mesmo tempo que tentava desenvolver métodos mais precisos para determinar a posição de um navio. Ele criou o nónio para melhorar a precisão do astrolábio. O nónio foi usado durante uns tempos por Tycho Brahe que, contudo, o considerava demasiado complexo. Mais tarde foi aperfeiçoado por Pierre Vernier para a sua forma actual. Pedro Nunes também trabalhou em diversos problemas mecânicos, de um ponto de vista matemático. Ele foi provavelmente o último grande matemático a fazer aperfeiçoamentos significativos ao sistema de Ptolomeu (um modelo geocêntrico), contudo isso perdeu importância devido ao modelo Copérnico modelo heliocêntrico, substituindo-o.
Pedro Nunes conheceu o trabalho de Copérnico, mas só lhe fez uma pequena referência nos seus trabalhos publicados, afirmando que era um modelo matematicamente correcto. Ao fazer isto, aparentemente estaria a evitar opinar sobre a questão se seria a Terra ou o Sol o centro do sistema. Alguns historiadores argumentam que provavelmente ele o terá feito com medo da Inquisição, visto que era um "cristão-novo". Ele também resolveu o problema de encontrar o dia com o menor crepúsculo, para qualquer posição, bem como a sua duração. Este problema por si não teria grande importância, mas serve para demonstrar o génio de Pedro Nunes, usado mais de um século depois por Johann e Jakob Bernoulli com menos sucesso. Eles conseguiram encontrar a solução para o menor dia, mas não conseguiram determinar a sua duração, possivelmente porque perderam-se em detalhes de Cálculo Diferencial, que era um campo recente da matemática naquele tempo. Isto também mostra que Pedro Nunes era um pioneiro na resolução de problemas de máximos e mínimos, que só se popularizaram no século seguinte, com o uso do cálculo diferencial.

 

(a) - O primeiro nónio foi um processo de medição inventado pelo matemático português Pedro Nunes. Quando aplicado num instrumento, este processo possibilitava as medições com rigor de alguns minutos de grau, permitindo planear a navegação com uma margem de erro da ordem da dezena de quilómetros.
Na França, o conceito foi modificado, por Pierre Vernier, onde foi usado para construir instrumentos de metrologia com escalas de medição muito precisas. Por causa disto, o nónio também é conhecido como vernier.
O nónio pode ser descrito como um par de escalas graduadas, geralmente em milímetros ou graus, que deslizam uma sobre a outra. Na segunda escala (que é o nónio propriamente dito) é possível ler uma fração da medida da primeira escala. O nônio é usado em paquímetros e micrómetros para medidas precisas. Em um paquímetro típico, a escala principal é calibrada em milímetros, e o nónio permite realizar medidas com precisão de 0,05mm.

 

Pedro Nunes - Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Pedro Nunes (Alcácer do Sal, 1502 — Coimbra, 11 de Agosto de 1578), que usou o nome latinizado de Petrus Nonius, foi um matemático português e um dos maiores vultos científicos do seu tempo, que contribuiu decisivamente para o desenvolvimento da navegação, essencial para as Descobertas portuguesas. Dedicou-se ainda aos problemas matemáticos da cartografia. Foi também o inventor de vários aparelhos de medida, incluindo o nónio (nonius, o seu sobrenome em latim).
Em 1537 traduziu para português o Tratado da Esfera de Sacrobosco, os capítulos iniciais das Novas Teóricas dos Planetas de Purbáquio, e o livro primeiro da Geografia de Ptolomeu. Em 1544 foi-lhe confiada a cátedra de matemática da Universidade de Coimbra, a maior distinção da época que se podia conferir a um matemático.
Subsistem ainda hoje dúvidas sobre a origem familiar de Pedro Nunes. Judeu ou não, certo é que os seus netos Matias Pereira e Pedro Nunes Pereira foram presos e condenados pela Inquisição, acusados de serem judeus. O primeiro esteve preso entre 31 de Maio de 1623 e 4 de Junho de 1631; o segundo em Lisboa, entre 6 de Junho de 1623 e 1632.
A infância de Pedro Nunes é pouco conhecida. Ele estudou na Universidade de Salamanca talvez de 1521 a 1522, e na Universidade de Lisboa (que mais tarde veio a ser a Universidade de Coimbra) onde fez a sua graduação em medicina em 1525. No século XVI, a medicina usava a astrologia, e assim ele também aprendeu astronomia e matemática. Pedro Nunes continuou os seus estudos em medicina, mas também leccionou várias disciplinas na Universidade de Lisboa, incluindo moral, filosofia, lógica e metafísica. Quando, em 1537 a universidade voltou para Coimbra, ele foi para a refundada Universidade de Coimbra para ensinar matemática, um cargo que manteve até 1562. Esta era uma nova disciplina na Universidade de Coimbra e foi criada com o intuito de fornecer as instruções técnicas necessárias para a navegação, que se tornara um tópico bastante importante em Portugal neste período, onde o domínio do comércio marítimo era essencial para o país. A matemática tornou-se uma disciplina independente em 1544. Além de se dedicar ao ensino, foi nomeado como Cosmógrafo Real em 1529 e Cosmógrafo-mor em 1547 até à sua morte. Em 1531, o Rei D. João III encarregou Pedro Nunes da educação dos seus irmãos mais novos, Luís e Henrique. Anos depois, foi também responsável pela educação do neto do rei (e futuro rei), Sebastião.
É possível que durante a sua estadia em Coimbra, Christopher Clavius tenha assistido às aulas de Pedro Nunes, sendo assim influenciado pelo seu trabalho.

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal

 

 

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