Queima das Fitas em Coimbra

De 06 a 10 de Maio/2011

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

 

Formatação e Arte Final: Iara Melo

 

 

 

 

 Catarina Melo (sobrinha de Iara Melo, ex-aluna Faculdade de Coimbra)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Serenata monumental marca início da Queima das Fitas de Coimbra


A Queima das Fitas dos estudantes da Universidade de Coimbra arranca à meia-noite de 3 de Maio, com a tradicional serenata monumental no Largo da Sé Velha, com a participação habitual de milhares de pessoas.

 

Foi a partir de 1899 que se começou a alicerçar o que, mais tarde, viria a ser a Queima das Fitas, com a realização do "Centenário da Sebenta” que pretendeu ser uma réplica aos centenários comemorados entre 1880 e 1898, no intuito de homenagearem diversas figuras e factos. O ponto comum destes centenários era a sua apresentação pública na forma de um cortejo, com fogo de artifício, sarau e touradas. Porém, estas formas de homenagem não eram as mais próprias, uma vez que deturpavam o verdadeiro significado das efemérides. Surge assim, a ideia da realização de um centenário humorístico, ridicularizando os até então feitos, tomando por base a sebenta, compilação dos apontamentos do professor. O Centenário da Sebenta passa a ter, assim, um âmbito critico de carácter geral e, ao mesmo tempo, particular, já que se protestava contra a exploração dos sebenteiros. A estrutura de tal manifestação confinou‑se a cortejos alegóricos e a um sarau. Tratava‑se agora de desenvolver esta ideia.


Nos anos seguintes, o 4º ano jurídico organiza festas da mesma espécie e introduz um aspecto inovador: o queimar das fitas que se usavam nas pastas e que eram indicadoras da sua condição de pré‑finalistas. A fita é uma consequência das pastas dos meados do século passado que tinham para prender as duas partes que a compõem, três laços de fita estreita da cor da Faculdade do utente, um de cada lado, ao meio das bordas da pasta. O queimar das fitas acabou por se transformar num acto simbólico cujo significado assenta no atingir um objectivo próximo: o término do curso.


Ern 1905 realizou‑se o "Enterro do Grau” em consequência de uma reforma dos cursos universitários que mantinha os graus de Licenciado e Doutor e abolia o grau de Bacharel. Este facto levou a um festejo de estrutura idêntica aos anteriores. No entanto o “Enterro do Grau" é mais uma manifestação a ligar os festejos anteriores ao que viria a ser mais tarde a Queima das Fitas, porque pela primeira vez, se verificou a participação activa da população de Coimbra, começando a verificar‑se que a Queima das Fitas era já urna festa de comunhão com a população da cidade, cuja iniciativa pertencia aos estudantes.
No ano de 1913 um episódio marcou a história das festividades académicas, quando no dia 27 de Maio, devido a um incidente motivado pela Academia, um tenente da guarda ficou sem o boné. Eivados da característica irreverência académica os estudantes gritavam constantemente: "olha o boné”. Devido à repercussão que o facto teve na época, este dia foi tornado, durante muitos anos, como o dia principal dos festejos.


Verificaram‑se até 1919 alguns interregnos, condicionados pelas condições políticas, económicas e sociais da época, como por exemplo a proclamação da República e a 1ª Grande Guerra Mundial.


Mas foi de facto neste ano, 1919 que as celebrações académicas começaram a adquirir a estrutura que conservam actualmente.


Pela primeira vez os quintanistas de todas as faculdades celebraram em pleno a festa da Queima das Fitas, para além de se ter dado um passo importante para a sua sedimentação.


Cada ano surgiam elementos novos a todos os niveis enriquecedores:
‑ a Garraiada, em 1929/30
‑ a Venda da Pasta, actividade benemérita cuja receita revertia a favor do Asilo da Infância Desvalida (hoje Casa de Infância Doutor Elysio de Moura), em 1932.
‑ o Baile de Gala das Faculdades em 1933.


Com repercussão enorme a nível nacional, a Queima das Fitas rapidamente ultrapassa fronteiras, atingindo níveis nunca antes alcançados por qualquer outra organização do género.


Entretanto, das crises estudantis de 1969, resultou o decreto de luto académico que culminou com a não realização da Queima das Fitas desse ano.
Em 1972 alguns quartanistas, em plena rebeldia ao luto académico, tentaram e realizaram alguns actos comemorativos mas todos debaixo de telha. Houve cartaz e selo, mas não houve cortejo.


Com a revolução de Abril de 1974, os conflitos pareciam ter perdido razão de existir com o términus do regime vigente desde Maio de 1926. No entanto, posições radicais deram origem a confusões, ficando gerações sucessivas de estudantes privados de expandirem os seus anseios, especialmente consubstanciados na sua festa académica que tudo parecia indicar que não se voltaria a realizar.


Mas tal não se verificou e, após um interregno de onze anos, a “QUEIMA DAS FITAS - festa de secular tradição", voltou a realizar‑se em 1980, um ano depois da realização da Semana Académíca, iniciativa da Direcção-Geral da A.A.C., que funcionou como urna sondagem à academia e à população da cidade. A franca adesão e o entusiasmo verificados vieram a comprovar que todos ansiavam pelo retomo da Queima das Fitas, pois esta manifestação de alegria estudantil faz parte integrante das tradições de uma academia que foi ímpar e tenciona continuar a sê‑lo. E, fazendo as tradições parte do património cultural das regiões onde se enraízam, toma‑se prioritário fazê‑las reviver em cada ano e proporcionar a oportunidade aos estudantes e população de confraternizarem salutarmente.


Cabe a todos nós, geração de hoje e gerações vindouras, zelar pela manutenção de actividades que se apresentam como glorificadoras da nossa academia." (de Sofia P. N. Rosário in Queima das Fitas/Centenário A.A.C.)”.


A Queima das Fitas é a explosão delirante da Academia, consistindo para os Quartanistas Fitados e Veteranos, na solenização da ultima jornada universitária ou seja, o derradeiro trajecto de vivência coimbrã.


Os festejos da Queima das Fitas consistem sobretudo no seu programa tradicional, composto por:
‑ Serenata Monumental;
‑ Sarau de Gala;
‑ Baile de Gala das Faculdades;
‑ Garraiada;
‑ Venda da Pasta;
‑ "Queima" do Grelo e Cortejo dos Quartanistas;
‑ Chá Dançante;
‑ Noites do Parque.
Além do programa tradicional, também se realiza urna semana cultural e um vasto programa desportivo envolvendo as secções desportivas da A.A.C. e seus convidados nacionais e estrangeiros.
Constituindo o expoente máximo do pulsar da vida académica tradicional, o Cortejo dos Quartanistas é parte integrante e fundamental da Queima das Fitas, nele se integrando a maioria dos estudantes da Universidade de Coimbra.
In “Código da Praxe Académica de Coimbra”, Edição 1993

 

Cor das Fitas dos respectivos Cursos Universitários

Medicina - Amarelo
Direito - Vermelho
Ciências - Azul claro e Branco
Letras - Azul escuro
Economia - Vermelho e Branco
Psicologia e Ciências da Educação - Laranja
Farmácia - Roxo
Desporto - Castanho e Branco

 

 

CATARINA DE MELO BARROS, NA FACULDADE DE FARMÁCIA DE COIMBRA

 

 

 

Praxe Académica

Associado à praxe académica, está o mote Dura Praxis, Sed Praxis - a praxe é dura, mas é praxe! - baseada no mote latino Dura Lex, Sed Lex .


Origens:
A actual praxe académica surge na Universidade de Coimbra. Tem como base uma jurisdição especial, que (o "foro académico"), a qual era aplicada pela Polícia Académica. A organização desta polícia era constituída por alunos, e a hierarquia definida pela antiguidade dos mesmos na universidade. O seu papel era o de zelar pela ordem no campus, e fazer cumprir as horas de estudo e recolher obrigatório por alunos e professores, sob pena de prisão, sobrepondo-se. Também tinha a incumbência de evitar a entrada na faculdade dos habitantes da cidade que não fossem estudantes ou professores. Com estas responsabilidades, misturavam-se rituais de iniciação (ou "investidas"), para os novos alunos, recém-chegados - os caloiros ou "novatos" - à universidade, geralmente envolvendo actos de violência.


Pouco mais é conhecido destes rituais, até que em 1727, devido à morte de um aluno, D. João V a proíbe: "Hey por bem e mando que todo e qualquer estudante que por obra ou palavra ofender a outro com o pretexto de novato, ainda que seja levemente, lhe sejam riscados os cursos."


No século XIX, o termo "investida" dá lugar aos termos "caçoada" e "troça". Os episódios de violência sucedem-se, com os novos alunos a serem rapados ou obrigados a cantar e a dançar e chega mesmo a haver confrontos físicos com os mais velhos.
Com o fim da polícia universitária em 1834, os estudantes decidem criar uma adaptação desta tradição e recuperar os rituais de iniciação. Assim, após o toque vespertino da "cabra" - um dos sinos da torre da Universidade - patrulham as ruas da cidade, em busca de infractores, organizados em "trupe". No final do século XIX, surgem novamente relatos de violência entre estudantes, relacionados com os rituais de iniciação, onde os novos alunos eram obrigados a cantar e dançar, e em que era também frequente cortar-lhes o cabelo. Num destes episódios, um dos praxistas é morto por um caloiro.
A praxe foi entretanto interrompida durante alguns períodos. Durante a Imposição da República a praxe é abolida devido à oposição dos estudantes republicanos, sendo reposta em 1919.


Do século XX à actualidade
Durante o século XX, a praxe académica desempenhou um papel de luta contra o Salazarismo, e a Guerra Colonial. As consequentes represálias, culminaram no Luto Académico em 1961, que levou à suspensão de todas as actividades. Com o fim do regime a 25 de Abril de 1974, a praxe e todo o tipo de actividades ludicas, como as festas académicas e até mesmo as tradições académicas foram em muita academias proibidas. Na altura estudantes ligados ao PCP pensavam que a praxe alienava os estudantes da luta politica, por isso sempre foram contra. O ressurgimentos das praxes apenas ocorre, no final do anos 70 quando estes estudantes começam a perder peso dentro das academias, principalmente da de Coimbra. A Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto é um exemplo de uma instituição que voltou a re-implantar a tradição, durante uns anos através da organização de Praxe da Faculdade de Letras e da Faculdade de Engenharia e actualmente os alunos são praxados em conjunto com a Faculade de Arquitectura que é reconhecida como menbra da Academia do Porto. Na cidade de Lisboa a adesão à praxe aumentou mas lentamente, devido também em parte à imensidão da própria cidade e ao facto de não ser uma cidade académica, como Coimbra ou Évora. Um caso de sucesso é o da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, regendo-se por um código de praxe próprio e tentando respeitar e reavivar a tradição. No entanto, devido à volatilidade própria do meio estudantil, é difícil precisar actualmente qual é a adesão à praxe em cada Universidade. Têm sido frequentes os relatos de violência física e psicológica cometidos sobre os 'caloiros', tanto nas grandes universidades como nos estabelecimentos de menor dimensão. Os movimentos anti-praxe que entretanto surgiram opõem-se às tradições da Praxe, remetendo para aspectos obscuros e desonrosos destas tradições. No entanto, estes referidos movimentos ainda não foram capazes de apresentar e implementar alternativas válidas à Praxe, não dispondo, portanto, de um grande espírito de iniciativa. Afirmam que o número de relatos é inferior ao número de incidentes que realmente acontecem, enquanto que aqueles vinculados à Praxe negam vigorosamente. Assim a sociedade vê-se também dividida entre as duas versões, mantendo-se o actual status quo. E mais uma vez se confunde praxe com "gozo ao caloiro" como se praxe se referisse apenas à recepção e brincadeiras aos novatos.


Contestação
É difícil precisar quando surgiu pela primeira vez a contestação à praxe. Teófilo Braga, que viria a ser Presidente da República, relatava como no seu tempo os estudantes faltavam às aulas para fugir à praxe. Segundo ele, "Enquanto o estudante vivia em Coimbra, envolvido ou exposto às sangrentas investidas, tinha de andar armado até aos dentes". Em 1902, um grupo de anti-praxistas liderados por José de Arruela consegue acabar com o canelão, praxe na qual os novos alunos eram arrastados ao pontapé pelos praxistas na ponte de Coimbra. Em 1903, Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão assinam, em conjunto com outros estudantes, um "Manifesto anti-praxe". Apenas na década de 90 surgem movimentos organizados de combate à praxe, o MATA e o Antípodas. Estes movimentos juntam estudantes na contestação às tradições académicas e têm conseguido criar um clima de debate em torno da praxe, que até aí era assunto tabu. Em 2000 estreia o filme "Rasganço", de Raquel Freire. Apesar de não conter uma mensagem anti-praxe, o filme é por vezes crítico em relação ao fechamento da Universidade de Coimbra. O Conselho de Veteranos emite um comunicado contra a película. Em 2003, o MATA, o Antípodas e a República Marias do Loureiro, de Coimbra, juntam-se para criar um manifesto anti-praxe. O manifesto foi assinado por dezenas de personalidades, tais como Eduardo Prado Coelho, Baptista Bastos, Pedro Abrunhosa, Pacman, Rosa Mota, Vitorino, José Luís Peixoto, Manuel Cruz, Miguel Guedes e Sérgio Godinho.

 

Enquanto primeira capital de Portugal e sede da mais antiga universidade Portuguesa, Coimbra tem sido ao longo dos séculos um importante centro musical. Historicamente, a Sé Nova, o Mosteiro de Santa Cruz (fundado por D. Afonso Henriques) e a Universidade (com aula de música desde 1323) constituíram os principais centros de produção e prática musical. D. Pedro de Cristo e Carlos Seixas são referências cimeiras na música portuguesa, a que se juntam os nomes de D. Pedro da Esperança, D. Francisco de Santa Maria, D. Heliodoro de Paiva, Fernão Gomes Correia, Vasco Pires, Mateus de Aranda, Pedro Thalésio ou José Maurício.


O "fado de Coimbra" está intimamente ligado às tradições académicas e caracteriza-se por uma guitarra com uma estrutura, configuração e afinação própria. Nomes como Adriano Correia de Oliveira e Zeca Afonso, cantores e poetas da resistência à ditadura, revolucionaram a música tradicional portuguesa.


Na música ligeira contemporânea, particularmente em géneros como o rockabilly e o blues, surgem vários nomes associados a Coimbra. Desses são exemplos JP Simões, Legendary Tiger Man (Paulo Furtado, vocalista dos WrayGunn), os WrayGunn e os Bunnyranch.


Actualmente, a cidade dispõe de vários centros de formação em música, aos mais diversos níveis, destacando-se o Conservatório de Música de Coimbra, a Escola Diocesana de Música Sacra e a Licenciatura em Estudos Artísticos da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.
Coimbra é ainda considerada uma "cidade de coros", devido ao elevado número deste tipo de formação na cidade. Destacam-se, entre os coros académicos, o Orfeon Académico de Coimbra, o Coro Misto da Universidade de Coimbra e o Coro da Capela da Universidade de Coimbra. Outros agrupamentos activos são o Coro dos Antigos Orfeonistas da Universidade de Coimbra, o Coro D. Pedro de Cristo, o Choral Poliphonico de Coimbra e o Coro Aeminium.
A nível do reportório e/ou da formação, há ainda grupos mais especializados como a Capela Gregoriana Psalterium, o Coro Vox Etherea, o Grupo Vocal Ad Libitum ou o Coro dos Pequenos Cantores de Coimbra.

Orfeon Académico de Coimbra
O Orfeon Académico de Coimbra (OAC) é um dos mais ilustres representantes da cidade, da Universidade e da Academia. Nos seus 128 anos de história, tem mantido uma presença reconhecida no panorama da cidade e do país. É o coro mais antigo de Portugal, em actividade e um dos mais antigos da Europa.


Por este organismo, mais antigo que a própria Associação Académica de Coimbra, passaram inúmeros nomes de relevo da vida cultural, política e social do país. Ícones da Canção de Coimbra como Luiz Goes, José Afonso, Fernando Machado Soares, Sutil Roque e Fernando Rolim, citando apenas alguns, fizeram parte do OAC.


Até 1974 era um coro exclusivamente masculino, tendo nesse ano começado a admitir elementos femininos de modo a melhor se adaptar à realidade estudantil.


O OAC é conhecido pelas inúmeras digressões que já fez pelos 4 continentes. Para além disso, já representou Portugal ao mais alto nível no Festival Europália 91, na Expo'98, na UNESCO, e foi o primeiro coro português a cantar na Basílica de S. Pedro.


Hoje continua a sua actividade com cerca de 50 coralistas, estudantes de Coimbra, e continua a levar a música coral, a canção de Coimbra (Fado de Coimbra), e a música popular a todo o país e ao estrangeiro.
 
Coro Misto da Universidade de Coimbra
Por outro lado, o papel da mulher na música da Universidade de Coimbra foi reconhecido em 1956 pelo Coro Misto da Universidade de Coimbra (CMUC), o coro misto, em actividade, mais antigo da Academia. De facto, não se permitia até aí às mulheres a participação em grupos musicais, tendo o Coro Misto da Universidade de Coimbra sido pioneiro.


Ao longo dos seus 50 anos de história, o CMUC serviu de exemplo aos outros coros universitários, os quais acabaram por se render ao peso da mulher na Universidade e se tornar mistos.


Hoje, o Coro Misto da Universidade de Coimbra é composto por cerca de 70 elementos e distingue-se dos restantes coros da cidade pela divulgação da música de Coimbra, empenhando-se na promoção de compositores da cidade de Coimbra, além do típico repertório de música popular e erudita, nacional e estrangeira.


De destacar o recém editado CD "Miserere", que reúne a obra de Francisco Lopes de Macedo e de José Maurício, a primeira das quais não foi cantada desde o século XIX.
Outro ícone incontornável da cena musical, cultural e académica conimbricense é a Orxestra Pitagórica. Não só pela sua antiguidade, mas, sobretudo, por representarem aquilo que de mais genuíno deve haver num estudante de Coimbra: espírito crítico, irreverência e muito boa disposição, este é um grupo que marca, de forma indelével, a passagem dos estudantes por Coimbra. Datam do final do século passado as primeiras actuações da Orxestra Pitagórica. Em 1981, pouco depois da fundação da Secção de Fado da AAC, ressurge com o objectivo primordial de preencher um lacuna muito grave em termos académicos, ou seja, o de não haver ninguém capaz de dizer coisas serias a rir, o que equivale a dizer que a irreverência académica já não se manifestava genuinamente, isto é, que o estudante havia esquecido o que de mais sério há: a alegria e o espírito académico.


Assim, para o Sarau da Queima das Fitas de 1981, reorganizou-se a Orxestra Pitagórica, retomando o agrupamento que havia, em tempos, existido no seio da academia. Dotada de instrumentos sérios como violas, acordeão, cavaquinhos e bandolins, etc... e de instrumentos seríssimos como sanitas, sinais de transito, autoclismos, cântaros, chapéu de chuva de guizos, etc. ..., a Orxestra Pitagórica lançou ao público o seu repertório cénico e musical de cariz vincadamente "gargalhorico" e popular, dando o toque estudantil a algumas pitorescas músicas que popularmente são entoadas por esse Portugal além. Dos seus últimos 25 anos de vida, sem interrupções, a Orxestra Pitagórica já calcorreou todo este Portugal de norte a sul, ilhas, e vários programas de televisão. Lá por fora, Espanha, França, Itália, Cuba e República Dominicana, foram os países visitados. Por duas vezes venceu o extinto festival Grito Académico Super Bock, que só teve três edições.

 

A Universidade e do desenvolvimento de Coimbra:
Escusado será ressaltar a importância que teve a fixação da Universidade em Coimbra no seu desenvolvimento demográfico e na sua projecção nacional em todos os âmbitos, num movimento simultaneamente receptor e transmissor de cultura. O primeiro recenseamento, ordenado em 1527 por D. João lll, registou em 1329 habitantes na Capital do Distrito, número forçosamente elevado muito em breve com a fixação em Coimbra, dez anos depois, da Universidade, pois em 1540 contavam-se já 600 estudantes matriculados, muitos deles acompanhados de família e criadagem.


A concentração na “Luso Atenas” dos expoentes intelectuais portugueses e a convivência – sob a sua influência cultural, geração após geração – dos filhos das principais famílias beirãs, minhotas, transmontanas ou ilhoas, imprimiram à sua vida um cunho tão peculiar que bem se pode considerar como uma nova expressão nacional, de que cada “licenciado” era depois portador quer regressado ao solar paterno, quer partindo para lides políticas de Lisboa ou Ultramar, quer lançado em busca de glórias literárias.


E – partindo embora – todos iam a Coimbra um pouco de si próprios e da sua estuante juventude, quer na saudade deixada no coração de iludida tricana, quer na recordação de arrojada estroinice, quer num verso cantado em sentida balada ou mais tarde publicado em ignoto livro, tudo pedras – uma a uma – da soberba Catedral que constituem hoje a tradição Coimbrã, irredutíveis já perante séculos ou fronteiras.

 

Habitantes famosos de Coimbra
D. Afonso Henriques, primeiro rei português (1139), fundador do Reino de Portugal. Está sepultado na Igreja de Santa Cruz, em Coimbra.
D. Sancho I, segundo rei português (1185), filho de D. Afonso Henriques. Está sepultado na Igreja de Santa Cruz, em Coimbra.
Santo António de Lisboa, santo católico (Lisboa, 15 de Agosto de 1195 - Pádua, 13 de Junho de 1231).
Rainha Santa Isabel, rainha de Portugal e santa católica (Saragoça, 1271 - Estremoz, 4 de Julho de 1336).
D. Pedro I, rei de Portugal (1357) e D. Inês de Castro, coroada rainha postumamente, protagonistas da mais romântica tragédia portuguesa na Quinta das Lágrimas, em Coimbra. Encontram-se sepultados frente a frente no Mosteiro de Alcobaça.
Pedro Nunes, famoso matemático do século XVI.
José de Anchieta, humanista e gramático do século XVI.
Carlos Seixas, proeminente compositor do século XVIII.
Miguel Torga (1907 - 1995), médico, escritor e poeta.
Carlos Paredes (1925 - 2004), músico português.
Zeca Afonso (1929-1987), cantor
Irmã Lúcia (1907-2005), freira carmelita e pastora de Fátima.

 

Trabalho e Pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal

 

 

 
 

 
 
 
 
 
 

Música de Fundo: Balada da Despedida

Original de Rui Lucas, António Vicente e João Paulo Sousa

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Foto da direita, topo da página, CATARINA DE MELO BARROS, sobrinha de Iara Melo

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