Portal CEN *** Pesquisas Carlos Leite Ribeiro ***

 

 

Raimundo Correia

 

Morreu a 14 de Setembro de 1911

 

 

 

 

 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

 

Raimundo Correia ocupa um dos mais altos postos na poesia brasileira. Seu livro de estréia, Primeiros sonhos em 1879, insere-se ainda no Romantismo. Já em Sinfonias em 1883, nota-se o feitio novo que seria definitivo em sua obra o Parnasianismo. Segundo os cânones dessa escola, que estabelecem uma estética de rigor formal, ele foi um dos mais perfeitos poetas da língua portuguesa, formando com Alberto de Oliveira e Olavo Bilac a famosa trindade parnasiana. Além de poesia, deixou obras de crítica, ensaio e crônicas
                                Raimundo da Mota de Azevedo Correia, escritor, poeta, magistrado e diplomata, e professor de Direito em Ouro Preto (MG), nasceu em 13 de Maio de 1859 a bordo do navio a vapor São Luís, na baía de Mogunça, Maranhão onde viveu até 1911. Morreu em Paris a 14 de Setembro de 1911, para onde seguira em tratamento de saúde. Filho do desembargador José Mota de Azevedo Correia, descendente dos Duques de Caminha (*) , e Maria Clara Vieira da Silva.
                                Vindo a família para a Corte, o pequeno Raimundo foi matriculado no Internato do Colégio Nacional, hoje Pedro II, onde concluiu os estudos preparatórios em 1876. No ano seguinte, matriculou-se na Faculdade de Direito de São Paulo.  Ali encontrou um grupo de rapazes entre os quais estavam Raul Pompéia, Teófilo Dias, Eduardo Prado, Afonso Celso, Augusto de Lima, Valentim Magalhães, Fontoura Xavier e Silva Jardim, todos destinados a ser grandes figuras das letras, do jornalismo e da política brasileira.
                                Vindo do Romantismo "Primeiros Sonhos", sofreu uma evolução espiritual e estética que fez dele um acabado parnasiano: formou, juntamente com Olavo Bilac e com Alberto de Oliveira, a famosa "trindade parnasiana". De um modo geral, a sua poesia é falha de originalidade, sendo nela bem visíveis os rastos de Lecomte de Lisle, Gautier, Vítor Hugo, Baudelaire, Ackermann, Heine, Lenau, Bocage, Antero, quer a nível da temática, quer nos recursos expressivos e na técnica de composição, mas, por vezes, consegue superar os modelos, incorporando as influências recebidas em acabadas obras-primas de cunho nitidamente pessoal. A sua linguagem poética, geralmente clara, precisa, encantatória, torna-se, por vezes, pesada, barroca, semeada de preciosismos. Do ponto de vista formal, insere-se na linhas dos grandes sonetistas. Compôs ainda algumas peças do mais acabado simbolismo, como é o caso do seu belíssimo poema "Plenilúnio", mas não há dúvida que a melhor produção do Autor é constituída pelos seus sonetos parnasianos. As suas obras principais: "Primeiros Sonhos" em 1879; "Sinfonias", em 1883; "Versos e Versões", em 1887; "Aleluias", em 1891; "Poesias", de 1898; "Poesias Completas" (2 volumes), em 1948.


                                As pombas - Raimundo Correia

                                Vai-se a primeira pomba despertada…
                                Vai-se outra mais… mais outra… enfim dezenas
                                De pombas vão-se dos pombais, apenas
                                Raia sanguínea e fresca a madrugada…

                                E à tarde, quando a rígida nortada
                                Sopra, aos pombais de novo elas, serenas,
                                Ruflando as asas, sacudindo as penas,
                                Voltam todas em bando e em revoada…

                                Também dos corações onde abotoam,
                                Os sonhos, um por um, céleres voam,
                                Como voam as pombas dos pombais;

                                No azul da adolescência as asas soltam,
                                Fogem… Mas aos pombais as pombas voltam,
                                E eles aos corações não voltam mais… 


                                (*) A Lenda do Duque de Caminha - por Carlos Leite Ribeiro


                                Recordamos que "Penedo da Saudade" existem dois: um romântico situado em Coimbra, voltado para o vale do Calhabé, e o outro em S. Pedro de Moel. É deste que vamos contar a Lenda.
                                Contrariamente ao que possam imaginar, não vamos falar da Rainha Santa Isabel, da sua mantilha, nem das lágrimas de esposa traída pelo seu rei e senhor D. Dinis o "Lavrador", que gozava de fama (e talvez proveito) de ser uma grande sedutor.
                                O drama de que vamos falar (lenda), respeita aos Duques de Caminha: D. Miguel Luís Meneses e de sua esposa D. Juliana.
                                Este feliz casal vivia uma vida muito recatada no seu palácio, afastado do bulício e das intrigas da Corte e da política bem efervescente naquele ano de 1641.
                                Mas ...
                                Certo dia foram surpreendidos por um dos seus criados que anunciou a chegada do senhor Marquês de Vila Real, pai de D. Miguel de Meneses.
                                D. Juliana teve logo o presságio de que algo de grave se tratava, dado que se levantou empalecida. Em vão seu esposo, D. Miguel, tentava acalmar sua amantíssima esposa. Entretanto, mandou entrar seu pai.
                                Não obstante o desejo do Marquês falar a sós com seu filho, este insistiu para que a esposa ficasse presente.
                                "Seja !" - concordou por fim o Marquês de Vila Real. O seu aspecto era grave o que deixou o casal ainda mais inquieto. D. Miguel quis saber da visita de seu pai: "O que se passa, senhor meu pai ?...
                                Este encarou bem de frente o filho e retorquiu-lhe: "Senhor Duque de Caminha e meu filho, chegou a hora de el-rei D. João lV pagar a sua tirania ! A conspiração está organizada e, dela fazem parte o arcebispo-primaz, o Conde de Armamar, D.Agostinho de Vasconcelos, eu e vós !".
                                Muito surpreendido, D. Miguel que não havia sido anteriormente consultado, tentou não fazer parte da conjura: "Não meu pai !".
                                O velho fidalgo quase que fuzilou o filho com o olhar: "E se vos der uma ordem ?... não deveis trair-nos !". D. Juliana assistia atónica e horrorizada ao diálogo trágico travado entre seu sogro e o seu marido.
                                Cabisbaixo e bastante consternado, D. Miguel, não tendo outra alternativa, decidiu ser um dos conjurados.
                                D. Juliana, perante a louca decisão de seu amado esposo, caiu desmaiada num canapé, onde, momentos antes partilhava as carícias do esposo que tanto amava.
                                Gorada a conjura, feitos prisioneiros todos os conjurados, entre os quais estava o Duque de Caminha, foram encarcerados na fortaleza de S. Vicente de Belém (Torre de Belém - Lisboa).
                                Aí, no silêncio da noite, estendido nas palhas putrefactas do cárcere, D. Miguel tomou noção da sua fraqueza em ter acedido às ordens de seu pai ! Tomou então a decisão de escrever a el-rei pedindo-lhe perdão - mas em vão. D. Juliana também implorou a el-rei o perdão para o marido - mas também sem o conseguir.
                                D. Miguel de Meneses subiu ao cadafalso e com a morte pagou a fidelidade que o ligava a seu pai.
                                Inocente ?... Culpado ?... a decisão fora sua !
                                Para o povo, ele estaria inocente e pagou pelo crime do pai.
                                Refugiada em S. Pedro de Moel, a Duquesa de Caminha, ia todos os dias chorar as suas desgraças num penedo solitário. Os soluços que se soltavam de seu peito e as suas lágrimas, misturavam-se com as ondas do mar e foram-se espalhando, qual balada trágica, por esse mundo fora.
                                Perante tamanha dor, o povo de S. Pedro de Moel, passou a chamar àquele rochedo, o Penedo da Saudade.
                                E assim fez-se lenda ...
                                Carlos Leite Ribeiro – escrito em 1986
                                
                                Parnasianismo
                                "O Parnasianismo foi vítima da inteligência que construiu a prisão onde quis encarcerar o poeta." - Rubens B. Morais   
                                Originariamente da França, é a poesia que segue os princípios da estética realista. Apesar disso, ideologicamente os romancistas realistas e naturalistas não tinham exatamente os mesmos propósitos da manifestação poética desta época.
                                O movimento recebe esse nome por causa de uma antologia, Parnasse Contemporain, publicada a partir de 1866, na França, essa incluía poema de T. Gautier, de Lecomte de Lisle e outros. Esses poemas revelavam gosto da descrição nítida, metrificação tradicional, preocupação formal e um ideal de impessoalidade. Embora acompanhe cronologicamente a prosa realista, a poesia parnasiana apresenta dificuldades na definição de seu marco inicial. Há quem sugira a data de 1880, quando da publicação de Sonetos e Rimas de Luís Guimarães Júnior (1845/1898). Outros, no entanto, preferem assinalar a de 1882, quando Teófilo Dias publicou Fanfarras. Mas o movimento só se definiu realmente a partir de Sinfonias (1883) de Raimundo Correia, seguida de Meridionais (1884), de Alberto de Oliveira e de Poesias (1888) de Olavo Bilac. Quanto à data que marca o fim de seu domínio absoluto, parece não haver polêmicas: 1893, com a publicação de Missal e de Broquéis de Cruz e Souza é bastante aceita. Mas a morte do Parnasianismo não acontece, tanto que algumas obras surgem após 1922).

Características: -
postura anti-romântica
objectividade temática
arte pela arte
culto da forma - representada pelos sonetos, versos alexandrinos (12 sílabas poéticas, rima rica, rara e perfeita)
tentativa de atingir a impassibilidade e a impessoalidade
universalismo
descrições objectivas da natureza e de objectos
retomada da Antiguidade Clássica com seu racionalismo e formas perfeitas
surge a poesia de meditação, filosófica - mas artificial

                                A preocupação exagerada com o poema, tratando-o como produto concreto, final, acabado em que se deposita toda a importância; o afã na construção do objecto, deixando de lado o conteúdo, o sentimento poético, tudo isso parece um reflexo do processo de produção mecânica acelerada em que a época vivia, transformando até o próprio homem em mais um objecto de consumo.
                                O poeta é um ourives, um escultor, um carpinteiro, e a sua obra, o seu poema é também um produto material, como qualquer outro, onde o que importa não é o sentimento, mas sim a técnica, a capacidade artesanal do criador devidamente associada a seu esforço.
 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal

 

 

Envie esta Página aos Amigos:

 

 

                                

 

 

Por favor, assine o Livro de Visitas:

 

 

 

Todos os direitos reservados ao Portal CEN
Página criada por Iara Melo
http://www.iaramelo.com