Restauração da Independência

Portuguesa

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

Formatação: Iara Melo

 
 
 01 de Dezembro
 
 
 

 De 1580 a 1640 Portugal viveu sob o domínio do ramo espanhol da casa de Habsburgo. A monarquia dualista da Dinastia Filipina, iniciada após as Cortes de Tomar, com a proclamação de Filipe II de Espanha como Rei de Portugal, fez acumular descontentamentos que resultaram na instauração da casa de Bragança em 1 de Dezembro de 1640.
 Finalmente, um sentimento profundo de autonomia estava a crescer e foi consumado na revolta de 1640, na qual um grupo de conspiradores da nobreza aclamou o duque de Bragança como Rei de Portugal, com o título de D. João IV (1640-1656), dando início à quarta Dinastia – Dinastia de Bragança.
 Paralelamente, as tropas portuguesas conseguiram expulsar os holandeses do Brasil, como também de Angola e de São Tomé e Príncipe (1641-1654), restabelecendo o poder atlântico português. No entanto, as perdas no Oriente tornaram-se irreversíveis e Ceuta ficaria na posse dos Habsburgo. Devido a estarem indisponíveis as mercadorias indianas, Portugal passou a só obter lucro com a cana-de-açúcar do Brasil.
 Na manhã do dia 1º de Dezembro de 1640, João Pinto Ribeiro, o principal instigador da Conjuração de 1640, encontrou um amigo na rua que muito admirado lhe perguntou: "Aonde vai amigo, com essa pressa toda e a esta hora ?...". Logo João Pinto Ribeiro lhe respondeu: "Venha comigo ali a baixo ao Paço Real e, num instante, tiramos um rei e pomos outro!".
 Desde Agosto de 1580 a 1 de Dezembro de 1640, Portugal esteve sob o domínio de Espanha. E o Brasil, nestes 60 anos, foi colónia espanhola...
 Tudo começou no reinado de S. Sebastião...
 Quando em 1568 atingiu os 14 anos, D. Sebastião assumiu o governo de Portugal, Destemido e aventureiro, crente fanático e patriota, este rei imaginou formar um grande Império em Marrocos. E o ensejo surgiu quando Mulei-Hamede foi desapossado do trono de Marrocos, por seu tio Molei-Moluco, tendo aquele pedido auxílio ao rei português, prometendo em recompensa as fortalezas de Arzila e Corache, perdidas no reinado de D. João 3º. D. Sebastião acedeu ao pedido e o exército português depois de uns breves exercícios no Campo Grande (Lisboa) embarcou para África. Entretanto, em Marrocos tio e sobrinho tinham feito as pazes...
 No dia 4 de Agosto de 1578, deu-se a Batalha de Alcácer-Quibir, em que as tropas portuguesas foram completamente derrotadas. Só uns escassos 50 guerreiros conseguiram fugir para Arzila e Tânger, mas caíram prisioneiros.
 Por este motivo e por D. Sebastião não ter deixado descendência, subiu ao trono o Cardeal D. Henrique, que era o seu parente mais próximo e que contava na altura 66 anos e, pior do que a idade, era o seu débil estado de saúde. Por tal motivo, era imperativo nomear novo rei, e os principais pretendentes eram todos netos de D. Manuel 1º:

- D. António, Prior do Crato, filho natural do Infante D. Luís;
- D. Catarina, Duquesa de Bragança, filha do Infante D. Duarte;
- Filipe 2º de Espanha, filho da Infanta D. Isabel;
- D. Manuel Felisberto, Duque de Sabóia, filho de Infanta D. Beatriz.
Dos quatro pretendentes o que tinha mais direitos era a Duquesa de Bragança, D. Catarina, por ser a sucessora na linha masculina. O rei de Castela encarregou então o traidor português Cristóvão de Moura, que vivia na corte espanhola de tentar a sua sorte ao trono. Este, à custa de muitas ameaças, conseguiu do rei português que fossem reunidas cortes em Almeirim, no dia 11 de Janeiro de 1580, mas nada ficou então decidido, devido à grande intervenção de Febo Moniz. Quando em 31 de Janeiro desse ano, D. Henrique morreu, foi nomeada uma Junta de cinco governadores para governarem o reino: D. João Telo de Meneses, D. João de Mascarenhas, Francisco de Sá de Meneses, D. Jorge de Almeida (Arcebispo de Lisboa) e Diogo Lopes de Sousa. Durante este período, D. António, Prior do Crato, foi aclamado rei em Santarém, mas Filipe 2º de Espanha (mais tarde 1º de Portugal, já tinha preparado um exército sob o comando do Duque de Alba, que perto da ponte de Alcântara derrotou o pequeno exército de D. António. O Prior do Crato teve de fugir para França e Portugal perdeu a sua Independência, em Agosto de 1580.
E os anos passaram...
Os portugueses estavam fartos de pagar impostos para os cofres de Espanha e serem tratados como povo de 2ª. O povo começava a manifestar-se na rua, como em 1637 em Évora, alastrando-se pelo Alentejo e Algarve. O conde-duque de Olivares, ministro do rei espanhol, alegando desejar constituir uma junta de pessoas notáveis, chama a Madrid os fidalgos de mais alta categoria. Ao mesmo tempo, a pretexto da guerra com a França, manda recrutar tropas por todo o País e ordena ao Duque de Bragança o envio de mil soldados armados. Em Agosto de 1640, renova as tentativas de enfraquecimento de Portugal, a coberto da sua guerra com a França, a Holanda e a Catalunha (hoje província espanhola). Convoca toda a nobreza, para acompanhar Filipe 3º às cortes aragonesas. Fazem-se grandes levantamentos de soldados que deviam marchar para a Catalunha, à custa do tesouro português. Era o aniquilamento da resistência, o começo da anexação definitiva ...
Em Lisboa, reúnem-se vários soldados em casa de D. Antão de Almada. Ponderam os males de que sofria Portugal e, verificaram a necessidade de uma revolução. Resolve mandar a Vila Viçosa um emissário, encarregado de consultar o Duque de Bragança sobre a possibilidade de ele aceitar o trono...
D. João IV

Na manhã do dia 1º de Dezembro de 1640, viam-se no Terreiro do Paço (Lisboa), numerosos coches de Cortinas corridas. Ao darem as nove horas nos sinos de Lisboa, abrem-se, de repente, as portas das carruagens, saindo delas muitos soldados armados. Caminham em direção ao paço habitado ela duquesa de Mântua, regente de Portugal, em nome do rei de Espanha. Desarmam a guarda, vencem os tudescos e penetram no palácio. Procuram Miguel de Vasconcelos,
secretário de Estado, que se esconderam dentro de um armário, tiram-lhe a vida e lançam à praça o corpo de traidor português, símbolo odiado do domínio estrangeiro. Na praça, o povo que já corria em magote, apoderou-se das joias do secretário e traidor, Miguel de Vasconcelos, mutilando-o ferozmente. Por essa altura, já o Duque de Bragança era aclamado por todos como João lV, rei de Portugal. Os conspiradores tiveram alguma dificuldade em convencer a regente do reino, a Duquesa de Mântua, a retirar-se, pois ela tentava ainda dissuadir o povo, falando-lhes de uma janela. Foi então que João Pinto Ribeiro e seus pares, tiveram uma atitude firme perante a Duquesa de Mântua, ao perguntar-lhe:

- "Vossa Excelência deseja sair por aquela porta, ou por essa janela? A Duquesa viu então a gravidade da situação e por fim resolveu ceder, enquanto cá fora o povo gritava sem parar: Viva Portugal !!!
O velho D. Miguel de Almeida assoma a uma das varandas do paço. As lágrimas correm-lhe pelas barbas brancas. Levanta a espada nua e grita, trémulo de emoção:
“Liberdade! Liberdade! Viva D. João 4º ! O 8º Duque de Bragança é o nosso legítimo rei. O céu restituiu-lhe a coroa, para que o Reino de Portugal ressuscite. A promessa de Cristo a D. Afonso Henriques, nosso primeiro rei, será cumprida!".
O Duque de Bragança, futuro D. João IV, ouvia missa quando lhe deram a notícia que fora proclamado rei de Portugal.
E foi assim que, 40 valorosos guerreiros nos deram livre a Nação!
Nomes de alguns dos 40 guerreiros que tornaram possível o 1º de Dezembro de 1640: Além de João Pinto Ribeiro (*), Antão de Almada, Sanches de Baena, Miguel de Almeida, Pedro de Mendonça, Padre Nicolau da Maia, Telo de Meneses, Carlota
de Noronha
(ela própria armou cavaleiros seus filhos), e muitos outros. Consta que, D. Luísa de Gusmão, esposa do futuro D. João IV, o "Restaurador", quando este lhe contou o plano da revolução, aplaudi-o, acrescentando: "Vale mais viver reinando que acabar servindo !...".

(*)João Pinto Ribeiro
Quando os fidalgos portugueses começaram a conspirar contra o domínio espanhol em Portugal, que durava havia já 60 anos, foi que o nome de João Pinto Ribeiro se tornou célebre na história, como um auxiliar importantíssimo. Vendo-se os conspiradores lutando com a dificuldade de fazer chegar, com segurança e a celeridade requeridas, a sua correspondência às mãos do duque de Bragança, em Vila Viçosa, lembrou D. Miguel de Almeida, que se convocasse João Pinto Ribeiro, não só por ser homem de grande talento, como por ser agente dos negócios do duque, e muito obrigado a procurar os seus interesses. Foi na reunião dos conjurados, em 12 de Outubro de 1640, a primeira vez que Pinto Ribeiro compareceu, mostrando-se desde logo um activíssimo auxiliar. Parece que até foi ele quem nessa reunião aconselhou, que se prosseguisse na empresa, sem se fazer caso das hesitações do duque de Bragança. Assim se resolveu, e Pedro de Mendonça teve o encargo de ir participar ao duque a resolução que se tomara. D. João acedeu, depois de muitas irresoluções, mas daí a poucos dias, achando-se outra vez hesitante, mandou chamar a Lisboa João Pinto Ribeiro, tomando por pretexto querer saber duma demanda que trazia a Casa de Bragança com os condes de Odemira. Foi João Pinto Ribeiro, e nessa entrevista com o duque, é que prestou verdadeiros serviços à causa nacional, aconselhando-o a que persistisse no seu intento, pintando-lhe todos as dificuldades como aplanadas, e conseguindo enfim trazer para Lisboa plenos poderes para D. Miguel de Almeida e Pedro de Mendonça. Os conjurados ativaram as suas reuniões em diferentes pontos da cidade, principalmente depois do regresso de João Pinto Ribeiro de Vila Viçosa. Foi no dia 25 de Novembro que se marcou definitivamente o dia em que devia rebentar a revolução, e foi João Pinto Ribeiro quem o comunicou ao duque de Bragança numa carta enigmática, em que se lhe dizia que no dia 1 de Dezembro é que se devia de resolver o caso dos freires de Sacavém. Na véspera da revolução, isto é, no dia 30 de Novembro, esteve tudo prestes a perder-se. As palavras prudentes, de D. João da Costa, que lhe parecia temerária a tentativa, fizeram hesitar muitos dos conjurados. Nesse momento a reserva prudente era a maior das imprudências. Correram alta noite a casa de João Pinto Ribeiro dois dos conspiradores a avisá-lo do que sucedia; foi necessário expedir correios ao duque de Bragança. No dia seguinte, tudo se harmonizou, e João Pinto Ribeiro foi um aos que menos concorreram, para restabelecer a coragem dos conspiradores. No dia glorioso de 1 de Dezembro, o papel de Pinto Ribeiro foi naturalmente um pouco secundário. Depois das sabidas cenas do Terreiro do Paço, foi ele quem indicou a um irmão da Misericórdia o cadáver de Miguel de Vasconcelos, para que não ficasse completamente desamparado. Depois desaparece um pouco o vulto de João Pinto Ribeiro, que teve carta de conselho em 11 de Janeiro de 1641; carta de contador-mor dos contos do reino, em 14 do dito mês e ano; carta de desembargador supernumerário da Mesa do Desembargo do Paço, enquanto servisse de contador-mor, em 20 do referido mês e ano, e mais tarde carta de guarda-mor da Torre do Tombo, em 2 de Abril de 1644. 
(Dicionário Popular Português - 1882)

 

HINO NACIONAL  

"A PORTUGUESA" 

Heróis do mar, nobre Povo,
Nação valente, imortal,
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memória,
Ó Pátria, sente-se a voz
Dos teus egrégios avós,
Que há-de guiar-te à vitória!

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

Letra de Henrique Lopes de Mendonça.
Música de Alfredo Keil. 
 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande - Portugal

 

 

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