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Dia de São Pedro de Alcântara

1º Padroeiro do Brasil

19 de Outubro

 

 

 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

 

Formatação: Iara Melo

 

 

Poucas pessoas o sabem, que o primeiro padroeiro do Brasil foi São Pedro de Alcântara. Este santo, hoje, está como co-padroeiro do Brasil, juntamente com Nossa Senhora Aparecida e é invocado para proteger e zelar pelo Brasil. Logo após a Independência, D. Pedro I entendeu que o Brasil precisava ter um santo padroeiro oficialmente autorizado pelo Papa, embora ele, D. Pedro I, já tivesse feito a consagração do Brasil a Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida do Norte, numa viagem de São Paulo para o Rio, logo após o 7 de Setembro. Assim, solicitou ao Papa que fizesse de São Pedro de Alcântara o Padroeiro do Brasil, tendo o Papa concordado. Vejamos como o acontecimento nos é relatado no livro "São Pedro de Alcântara, Patrono do Brasil", de Frei Estefânio José Piat, O.F.M.- Editora Vozes, Petrópolis, 1962:
"Desde que Sua Majestade Real e Imperial recebeu, sob o nome de Pedro I, ... a missão de governar e dirigir este povo ... esteve convencido ... e se persuadiu de que não poderia reger e administrar os negócios desta Nação, sem que antes se interessasse em ter um Padroeiro celestial que, por sua intercessão junto de Deus, lhe assegurasse os meios de bem agir, de bem dirigir e de bem administrar. Não foi necessária longa reflexão. Já pela devoção especial que ele tinha por São Pedro de Alcântara ... já por trazer, como imperador, o próprio nome do santo, ele decidiu escolhê-lo com padroeiro principal de todo o Império ... (e) suplica a S.S. o Papa Leão XII que se digne com sua benevolência apostólica, confirmar a escolha". Isso foi feito a 31 de Maio de 1826. Com a proclamação da República, São Pedro de Alcântara foi discretamente esquecido, provavelmente porque seu nome lembrava o dos imperadores e, além disso, mostrava o quanto havia de positiva ligação entre o Império e a religião. Porém, seu nome ainda continuou, por muito anos a ser lembrado nos missais mais tradicionais.

São Pedro de Alcântara, nasceu em 1499 em Alcântara, Estremadura, Espanha. Filho de Pedro Garavita governador e sua mãe membro de família nobre de Sanabia. Estudou gramática e filosofia em Alcântara, e leis canónicas e civis na Universidade de Salamanca. Franciscano com 16 anos em Manjarez. Fundou o convento em Babajoz com 20 anos e serviu como seu superior. Ordenado em 1524 com, 25 anos, ele era notável pregador. Um recluso por natureza, ele vivia no convento de Santo Onóphrius, um local remoto onde ele poderia estudar e orar entre as missões. Não obstante, foi indicado Provincial Franciscano para o Mosteiro de São Gabriel na Estremadura (em Espanha) em 1538. Trabalhou em Lisboa em 1541 ajudando a reforma da Ordem. Em 1555 ele iniciou as reformas "Alcântarinas", hoje conhecidas como a "Estrita Observância". Amigo e confessor de Santa Tereza d ‘Ávila, ele a ajudou em 1559 durante o trabalho de reforma da sua Ordem. Místico e escritor seus trabalhos foram usados por São Francisco de Salles. Morreu em 18 de Outubro de 1562 em Estremadura, Espanha de causas naturais. Foi canonizado em 1669 pelo Papa Clemente IX. Indicado pelo Papa Pio IX em 1862, como padroeiro do Brasil. É também padroeiro de Estremadura, Espanha

Sua festa é celebrada no dia 19 de Outubro.

Padroeiros dos Estados do Brasil
Brasil - Nossa Senhora Aparecida e São Pedro de Alcântara
Brasília - Distrito Federal: São João Bosco
Acre - Nossa Senhora da Conceição
Alagoas - Nossa Senhora da Conceição
Amazonas - Nossa Senhora da Conceição
Amapá - São José
Bahia - Nossa Senhora da Conceição
Ceará - São José
Espírito Santo - Nossa Senhora da Penha e Divino Espirito Santo
Goiás - Divino Pai Eterno (Festa 1° domingo de Julho em Trindade).
Maranhão - São José de Ribamar
Minas Gerais - Nossa Senhora da Piedade
Mato Grosso - Nosso Senhor Bom Jesus
Mato Grosso do Sul - Nossa Senhora da Abadia
Pará - Nossa Senhora de Nazaré 
Paraíba - Nossa Senhora das Neves
Paraná - Nossa Senhora do Roccio
Pernambuco - Nossa Senhora do Carmo
Piauí - Nossa Senhora das Dores
Rio de Janeiro - São Sebastião do Rio de Janeiro
São Paulo - Nossa Senhora da Assunção  e São Paulo
Santa Catarina - Nossa Senhora do Desterro e Santa Catarina de Alexandria
Sergipe - Nossa Senhora da Conceição
Rio Grande do Sul – São Pedro, o apóstolo
Rio Grande do Norte - Nossa Senhora da Apresentação
Rondônia - Nossa Senhora de Nazaré
Roraima - Nossa Senhora do Carmo
Tocantins - Nossa Senhora da Natividade e São Domingos Gusmão

 

Fonte: Plinio Maria Solimeo
Pedro Gavarito nasceu em Alcântara, na Espanha, em 1499, ano da publicação da Bula sobre as indulgências, que seria usada por Lutero como pretexto para sua rebelião contra Roma. De família nobre, seu pai era legista e prefeito da cidade. Diz um seu biógrafo que “o menino tinha feições agradáveis, era vigoroso, de porte esbelto e bem servido de dons naturais. Retinha de cor um texto depois da primeira leitura, o que lhe permitia citar sem enganos o verso mais curto que fosse, da Bíblia”. Pedro estudou filosofia na Universidade de Salamanca. Apesar de estar na primeira adolescência, levava já vida de asceta. Dedicava a maior parte de seu tempo livre à oração, visita aos doentes e encarcerados, socorrendo os pobres com suas esmolas. Aos 15 anos, já era uma espécie de director espiritual de um grupo de condiscípulos. O ano de 1515, que assistiu a primeira revolta de Lutero contra a Igreja e o nascimento de Santa Teresa, viu também a entrada de Pedro, aos 16 anos, num convento franciscano observante. Para isso, saiu escondido da família. A noite estava escura. No caminho encontrou largo rio. Encomendou-se a Deus, e um súbito vento, envolvendo-o, transportou-o para a outra margem. Esse foi o primeiro grande milagre dos inúmeros de que foi objecto esse filho de São Francisco. Mortificação na fonte da santidade Pedro estava determinado a tornar-se santo pela mais estrita observância das regras, silêncio heróico, e total desapego desde o primeiro instante de sua vida religiosa. Seu superior ajudou-o, provando-o de todos os modos. Por exemplo ordenando-lhe, mesmo estando ele em êxtase, durante a oração, a executar as mais desagradáveis tarefas. Mas o pior era enfrentar o demónio do sono. Era só chegar o momento da oração em comum, que uma fadiga invencível o assomava. Como Frei Pedro confessará mais tarde a Santa Teresa, empreendeu ele uma heróica e tenaz luta contra o sono. E venceu-a graças às drásticas medidas que tomou: além da mortificação e jejuns contínuos, não concedia ao repouso mais que hora e meia; e assim mesmo, de joelhos, com o queixo apoiado em uma tábua; ou sentado, encostado na parede. O demónio não se deu por vencido, e o perseguiu de outros modos. Já que não conseguia dominá-lo pelo sono, perseguia-o com ruídos e estrondos no pouco tempo dedicado ao descanso. Algumas vezes chegava a derrubar o frade no chão, quase sufocando-o. Em outras ocasiões atirava-lhe pedras, que seus condiscípulos encontravam em sua cela no dia seguinte.
Aos 25 anos, apesar de sua relutância, Frei Pedro foi ordenado sacerdote. Com ele, muitas vezes a obediência tinha que vencer a humildade. Diz seu biógrafo que “a missa de Frei Pedro de Alcântara valia por uma missão. Podia-se apalpar a sublime familiaridade que o unia a Cristo”. Recebeu ordens de pregar, e “todos se admiravam da profundidade de sua doutrina, do calor de sua palavra”, de sua “eloquência máscula e robusta, toda embebida de Sagrada Escritura unindo estranhamente as graças das Bem-aventuranças com as chicotadas de João Batista”. O “pior” para Frei Pedro era que Deus se comprazia em mostrar publicamente as graças que lhe concedia. Às vezes era arrebatado em êxtase, em plena rua, quando estava esmolando para o convento. Ou na igreja, em frente a todos seus confrades e fiéis. Isso,  para ele, era o maior tormento. Como São José de Cupertino, “às vezes uma só palavra o arrebatava de tal modo, que começava a lançar gritos ininteligíveis, saía fora de si, e ficava suspenso no ar”. As terríveis penitências, disciplinas, jejuns e demais mortificações de Frei Pedro, transformaram-no quase que num esqueleto. Santa Teresa o descreve como feito de raízes de árvore. Ela mesma testemunhou o quanto essa penitência fora agradável a Deus, vendo-o, logo após a morte, subir ao céu em meio a um brilho fulgurante, dizendo-lhe: “Oh! bendita penitência, que me valeu tamanho peso de glória!” Se Frei Pedro era penitente, não era por isso um santo tristonho; pelo contrário, detestava a tristeza: “alegrava-se nos bosques, nos cimos dos montes, à beira dos regatos límpidos. Os passarinhos, em seus alegres rodopios, vinham pousar-lhe sobre os ombros”. E Santa Teresa testemunha: “Com toda a santidade, ele era muito afável, embora falasse pouco quando não interrogado; mas, nas poucas palavras que pronunciava era muito agradável, porque tinha boa visão das coisas”. Frei Pedro fugia da fama, e a fama o perseguia. Seu renome chegou a Portugal, e D. João III o pediu como confessor. A obediência obrigou-o a aceitar. Transformou a Corte lusa em modelo de virtude. Ademais, foi incontável o número de fidalgos de ambos os sexos que tudo abandonaram para viver na mais extrema pobreza. “A seu conselho, a rainha Catarina fez de seu palácio uma escola de virtude e de devoção. O Infante D. Luís, irmão do rei, mandou construir o convento de Salvaterra em seu favor, e nele se retirou para viver como o mais pobre dos religiosos, depois de ter vendido seus móveis e sua equipagem, pago suas dívidas e feito voto solene de pobreza e castidade”. E o santo teve que intervir para forçar o príncipe a moderar suas mortificações. “A infanta Maria, sua irmã, fez também voto de castidade e empregou todos seus bens no serviço de Nosso Senhor”,  construindo, por exemplo, o Hospital da Misericórdia e um convento de Clarissas. Além disso, foram inúmeros os nobres, tanto em Portugal quanto na Espanha, que entraram para a Ordem Terceira da Penitência, por sua influência: “A estamenha (tecido do hábito religioso) que ele usava era demais afamada para que os grandes nomes de Espanha não disputassem a honra de um pedaço sob o arminho, sob a seda ou sob a púrpura”. O Imperador Carlos V e sua filha, a princesa Joana, quiseram-no como confessor; mas Frei Pedro soube recusar essa onerosa honra sem feri-los.
Padroeiro do Brasil: “Desde que Sua Majestade Real e Imperial recebeu, sob o nome de Pedro I .... a missão de governar e dirigir este povo .... esteve convencido .... e se persuadiu de que não poderia reger e administrar os negócios desta Nação, sem que antes se interessasse em ter um Padroeiro celestial que, por sua intercessão junto de Deus, lhe assegurasse os meios de bem agir,  de bem dirigir e de bem administrar. “Não foi necessário longa reflexão. Já pela devoção especial que ele tinha por São Pedro de Alcântara .... já por trazer, como imperador, o próprio nome do santo, ele decidiu escolhê-lo como padroeiro principal de todo o império .... [e] suplica a S.S. o Papa Leão XII que se digne com sua benevolência apostólica, confirmar a escolha”. Isso foi feito a 31 de Maio de 1826".
É lastimável que essa festa, antes tão solenemente comemorada no Império, tenha caído no olvido com o advento da República, de modo tal que poucos são hoje em dia os brasileiros cientes de que São Pedro de Alcântara é o padroeiro do Brasil. Cfr. Pastoral Colectiva dos Arcebispos e Bispos das Províncias eclesiásticas de São Sebastião do Rio de Janeiro, Mariana, São Paulo, Cuiabá e Porto Alegre. Rio de Janeiro, 1911. Apêndice XXX, pp. 619, 620. In Frei Estefânio Piat.
No ano de 1538, o Capítulo dos Observantes descalços – que seguiam a regra primitiva – elegeu Frei Pedro de Alcântara como Provincial. Aproveitou ele para a reforma desse ramo franciscano, acrescentando maior severidade às regras e novos exercícios, dando maior facilidade àqueles que desejavam entregar-se ao recolhimento e à contemplação. Daí o nome que receberam de Franciscanos Recoletos. Em breve sua reforma se difundiria pela Europa, estendendo-se aos confins da Índia e do Japão. Trabalhou também para que se fundassem na Espanha conventos de Clarissas, reformados por Santa Colecta, e foi um dos maiores apoios à reforma de Santa Teresa de Jesus.
Sóror Teresa de Jesus estava na maior desolação. Experimentando os mais elevados fenómenos da vida mística, não era compreendida por seus directores, irmãs de hábito, nem pelo povo em geral, porque na Espanha do século XVI matéria religiosa era felizmente do interesse geral. Alertada por todo mundo, tinha receio de estar sendo vítima de ilusões e joguete do demónio. Entrementes, Frei Pedro de Alcântara teve que ir a Ávila. Nas primeiras palavras trocadas com a carmelita, não só confirmou a origem divina de suas aparições como a incentivou a soltar velas à acção do Divino Espírito Santo.
Quando a Santa enfrentou a mais terrível oposição ao seu projecto de reforma, ele foi seu grande aliado, aplainando os obstáculos e levando-a à vitória. Entre os dois santos estabeleceu-se uma amizade divina, que não terminou com a morte de Frei Pedro, profetizada por ela um ano antes. “Eu o tenho visto muitas vezes com grandíssima glória”, escreve Santa Teresa. E “parece-me que muito mais me consola agora que quando estava aqui (na Terra)”. Uma afirmação que é um incentivo para sermos mais devotos desse grande Patrono do Brasil: “Disse-me o Senhor uma vez, que não Lhe pediriam coisas em seu nome que Ele não atendesse. Muitas, que eu lhe tenho encomendado que peça (por mim) ao Senhor, as vi atendidas”.
Bendita penitência que me valeu tão grande glória! Fazia tempo que Frei Pedro de Alcântara vivia praticamente de milagre,  consumido pelas penitências, jejuns e trabalhos. Devorado por uma febre e contrariando seus hábitos, aceitou um asno para ir até Ávila em socorro de Madre Teresa, que encontrara novas dificuldades para a fundação do seu primeiro mosteiro reformado. Com um companheiro, pararam perto de uma estalagem. Com todos os incómodos da febre, o santo se estirou no chão, colocando o manto dobrado sobre uma pedra para lhe servir de travesseiro. Nisso surgiu a estalajadeira, injuriando-os aos gritos porque o asno entrara na sua horta, devorando algumas couves. Vendo que o frade se mostrava insensível às injúrias, a irada mulher puxou-lhe o manto colocado debaixo da cabeça. Esta bateu violentamente na pedra, causando profundo ferimento. Mal momento escolhera a mulher, pois nesse instante chegou um fidalgo para encontrar-se com Frei Pedro, a quem tinha em conta de verdadeiro santo. Vendo-o com a cabeça sangrando, indignou-se contra a megera, ordenando incontinenti a seus homens que pusessem fogo à estalagem e passassem à espada seus moradores. Foi preciso que Frei Pedro usasse de todo seu dom de persuasão para evitar a catástrofe. Sentindo que seu fim chegara, Frei Pedro pediu que o levassem para o convento de Arenas, onde saudou a morte com o Salmo: “Enche-me de alegria o saber que vou para a casa do Senhor”. Assistido por Nossa Senhora e São João Evangelista, entregou sua bela alma a Deus no dia 18 de Outubro de 1562, aos 63 anos.
“Deus levou-nos agora o bendito Frei Pedro de Alcântara! exclamou Santa Teresa. “O mundo já não podia sofrer tanta perfeição”. Gregório XV  o beatificou  em 1622, e Clemente IX o elevou à honra dos altares em 1669.

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal

 

 

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