Uvas e Vinho

 

Dia Nacional do Vinho - (Portugal)

01 de Julho

 

Trabalho de Carlos Leite Ribeiro

 

Arte Final: Iara Melo

 

 

 

 

 

 

Uva: do latim uva, feminino. Bago de cacho de videira, ou baga da videira = cacho de uva.
Videira: (de vide), feminino. Braço ou vara de videira, que se pode chamar parreira.

Vinho: do latim vinu, masculino. Líquido alcoólico, proveniente da fermentação do sumo das uvas ou ainda de outros frutos.


Fábula das Raposa e das Uvas - de Esopo
Uma faminta raposa encontrou-se, um dia, diante dos muros de uma pequena horta, na qual vicejavam soberbas parreiras. Alguns cachos enormes de belas e maduras uvas pendiam das ramas, que se estendiam por sobre os muros, lá no alto. Ao ver aquele presente  de Deus, a raposa lambeu o focinho e murmurou: - "Se eu pudesse colher um destes cachos!" Esticou o corpo sobre as patas traseiras, de pé, com as dianteiras apoiadas no muro, ergueu a cabeça o mais que pôde, porém os cachos estavam muito altos...Saltou várias vezes, mas foi em vão. Então, sacudiu a cabeça e afastou-se, murmurando: - Não me apetecem! Estão muito verdes... Moral: Quem desdenha, quer comprar.

 

Lenda do Vinhos
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Uma lenda grega atribui a descoberta da videira a um pastor, Estáfilo, que, ao procurar uma cabra perdida, a foi encontrar comendo parras.
Colhendo os frutos dessa planta, até então desconhecida, levou-os ao seu patrão, Oinos, que deles extraiu um sumo cujo sabor melhorou com o tempo.
Por isso, em grego, a videira designa-se por staphyle, e o vinho por oinos.
A mitologia romana atribui a Saturno a introdução das primeiras videiras; na Península Ibérica, ela era imputada a Hércules.
Na Pérsia, a origem do vinho era também lendária: conta-se que um dia, quando o rei Djemchid se encontrava refastelado à sombra da sua tenda, observando o treino dos seus archeiros, foi o seu olhar atraído por uma cena que se desenrolava próximo: uma grande ave contorcia-se envolvida por uma enorme serpente, que lentamente a sufocava.
O rei deu imediatamente ordem a um archeiro para que atirasse.
Um tiro certeiro fez penetrar a flecha na cabeça da serpente, sem que a ave fosse atingida.
Esta, liberta, voou até aos pés do soberano, e aí deixou cair umas sementes, que este mandou semear.
Delas nasceu uma viçosa planta que deu frutos em abundância.
O rei bebia frequentemente o sumo desses frutos.
Um dia, porém, achou-o amargo e mandou pô-lo de parte; alguns meses mais tarde, uma bela escrava, favorita do rei, encontrando-se possuída de fortes dores de cabeça, desejou morrer.
Tendo descoberto o sumo posto de parte, e supondo-o venenoso, bebeu dele.
Dormiu (o que não conseguia havia muitas noites) e acordou curada e feliz.
A nova chegou aos ouvidos do rei, que promoveu o vinho à categoria de bebida do seu povo, baptizando-o Darou-é-Shah « o remédio do rei ».
Quando Cambises, descendente de Djemchid, fundou Persépolis, os viticultores plantaram vinhas em redor da cidade, as quais deram origem ao célebre vinho de Shiraz.
A vinha era objecto de enormes cuidados, e o mosto fermentava em grandes recipientes de 160 litros, os guarabares.
Foi este vinho que ajudou a dar coragem aos soldados de Cambises na conquista do fabuloso Egipto!


Vinhos tintos portugueses - Guilherme Rodrigues
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Provamos 35 tintos de Portugal, com resultados estimulantes. São vinhos de alta qualidade, sem paralelo no mundo
Reconhecidos internacionalmente, os tintos de Portugal se apresentam portentosos e ao mesmo tempo diferentes dos que são elaborados no resto do mundo. Não por acaso, publicações e jornalistas especializados lhes atribuem cada vez mais notas de 90 a 95. Gula seleccionou 35 marcas para apresentar a seus leitores. Optou por desvendar seu universo de maneira franca e aberta. Fugiu propositadamente do ambiente de torneio, que seria inevitável com a divulgação de notas e comparações. A revista decidiu apenas mostrar os grandes vinhos, descrevendo cada um deles, para que os leitores pudessem avaliar por si mesmos. O local da prova foi o stand da revista na feira gastronómica Boa Mesa 2003, realizada na cidade de São Paulo, em Setembro. Além dos provadores de Gula, contou com a presença de convidados especiais. O resultado foi estimulante. A qualidade e a variedade dos vinhos impressionou todos.
Portugal possui um património de castas vinícolas como poucos países, tamanha a diversidade e a variedade das uvas autóctones de grande refinamento e categoria. São Touriga Nacional, Tinta Cão, Jaen, Baga, Tinta Barroca, Tinta Roriz, Periquita e tantas outras. As regiões são igualmente muito diversas. O Alentejo, mais quente, dá vinhos muito frutados, deliciosos, hedonistas, fáceis de compreender e de gostar, muitas vezes com grande distinção e carácter. O Dão e a Bairrada produzem vinhos mais austeros, de grande profundidade, complexidade, refinamento aromático e potencial de envelhecimento invulgar. O Douro parece reunir numa verdadeira síntese a austeridade do Norte com o hedonismo do Sul.
Hoje triunfante, teve como ponto de partida o Barca Velha, lançado em 1952, mas a nova geração do vinho português só nasceu verdadeiramente nos anos 80. Os pioneiros: Miguel Champalimaud, Luís Pato, Peter Bright e João Portugal Ramos. Tornaram-se marcos emblemáticos os vinhos Quinta do Couto Grande Escolha 1980, 1982, 1985, 1987; Luís Pato 1985, 1988; Quinta da Bacalhoa 1985; Quinta do Carmo, Tapada do Chaves e Coop. de Reguengos dos anos 80. Foi a década dos grandes investimentos e transformações. O reconhecimento internacional, antes uma ambição, tornou-se realidade. Na degustação da Boa Mesa 2003 reunimos a elite dos tintos portugueses, uma selecção imbatível, como a da Copa de 1970. Apresentamos os melhores vinhos das mais expressivas regiões produtoras. Limitamos a uma só marca por produtor. Grande parte dos vinhos está disponível no Brasil. Alguns deles, ainda não disponíveis no mercado brasileiro ou esgotados, vieram directamente de Portugal, especialmente para a prova. Os vinhos foram agrupados conforme as regiões de origem (para evitar comparações de padrões distintos) e identificados previamente (as provas não foram às cegas). Passada a apresentação da Boa Mesa, fizemos uma prova reservada aos provadores de Gula, para uma reavaliação mais criteriosa. A degustação reservada transcorreu no restaurante Santo Colomba, na alameda Lorena, 1157, São Paulo, fechado num sábado especialmente para o evento, das 10 da manhã até as 5 da tarde. Participaram da prova no Santo Colomba, além deste redactor, os competentes provadores: Ennio Federico, Eduardo Hernandez, Emidio Dias de Carvalho, Fabiano Aurélio (sommelier de A Figueira Rubaiyat), Giba Reis, José Ruy Sampaio, Roberto Vilela, Juscelino Pereira (sommelier do Gero) e Toninho (sommelier do Santo Colomba).
Os copos eram padrão ISO. Durante a Boa Mesa 2003, usamos copos cedidos pelo Investimento, Comércio e Turismo de Portugal (Icep), escritório de São Paulo. Apresentavam-se ligeiramente mais volumosos que o padrão ISO. Agradecemos às importadoras Decanter e Mistral pelo empréstimo dos decanters utilizados. A prova não teria sido possível sem a colaboração do Icep, presidido pelo doutor João Mota Pinto, que favoreceu a chegada dos vinhos de Portugal.


Museu do Vinho
Portugal é um país de longa tradição vinícola, tendo como marco mais importante a implantação da vinicultura pelos romanos, tal como ocorreu nos demais países de maior expressão vinícola da Europa. 
A vitivinicultura portuguesa demorou a evoluir tecnologicamente e, por muito tempo, produziu poucos vinhos de alta qualidade. Esse quadro, no entanto, é coisa do passado. Nas últimas duas décadas, como consequência do fantástico desenvolvimento económico, político e social do país, a vitivinicultura portuguesa sofreu sensíveis avanços, particularmente no campo tecnológico. 
O fato mais importante é que essa modernização foi realizada sem descartar os aspectos tradicionais positivos, como por exemplo, a utilização de variedades de uvas autóctones e tradicionais. Com ajuda da tecnologia, essas castas, que antes originavam vinhos de qualidade inferior, passaram a dar grandes vinhos. Numa época de globalização, com a uniformização de condutas e gostos, é maravilhoso degustar os bons vinhos portugueses.
A nós, enófilos brasileiros, que já trazemos um pouco de vinho português no sangue, é chegada a hora de fazermos a rota inversa de Pedro Álvares Cabral e redescobrir os maravilhosos vinhos da "Terra Mãe". 
Os vinhos portugueses estão classificados em quatro níveis de qualidade: 
Vinho de Mesa - vinho inferior, cuja produção pode ser feita em qualquer região do país, e que não se enquadra nas categorias mencionadas a seguir. 
Vinho Regional - vinho de qualidade superior ao vinho de mesa, produzido com, no mínimo, 85% de uvas provenientes da região especificada. Hoje existem muitos vinhos regionais de qualidade igual ou superior à de vinhos D.O.C., havendo inclusive alguns bons produtores que, por não concordarem com as regras impostas pela Comissão Reguladora dessa categoria, passaram a rotular seus vinhos como regionais.  
Vinho de Denominação de Origem Controlada (D.O.C.) - teoricamente é a categoria de mais alto nível de qualidade e identifica o vinho produzido em região delimitada, sujeito a regras mais restritas quanto à procedência e variedades de uvas utilizadas, o método de vinificação, o teor alcoólico, o tempo de envelhecimento, etc. Equivale à A.O.C. francesa, à D.O.C. italiana e à D.O. espanhola. 
Vinho de Qualidade Produzido em Região Determinada (V.Q.P.R.D.) –  para atender ao Mercado Comum Europeu foi criada a nomenclatura Vinho de Qualidade Produzido em Região Determinada (V.Q.P.R.D.) que engloba as I.P.R. (Indicação de Proveniência Regulamentada) e as D.O.C.. Também foram criadas denominações para os vinhos espumantes e licorosos: V.E.Q.P.R.D. (Vinho Espumante de Qualidade Produzido em Região Determinada) e V.L.Q.P.R.D. (Vinho Licoroso de Qualidade Produzido em Região Determinada). 
Além das indicações anteriores, podemos encontrar nos rótulos uma classificação pela qualidade, são elas: 
Reserva -  O Reserva deve ter uma graduação alcoólica meio  grau acima do não Reserva da mesma vinícola e envelhecer ao  menos três anos em adega. Têm sempre origem determinada e safra. 
Garrafeira - O nome Garrafeira significa adega em Portugal. Estes vinhos podem ou não ser de denominação de origem, mas devem obrigatoriamente passar três anos em adega, sendo apenas um em garrafa e os outros dois em madeira. 
As Regiões de Portugal
Vinho Verde
A região do Vinho Verde é situada na parte mais ao norte de Portugal, sendo delimitada por quatro importantes acidentes geográficos: o Rio Minho, ao norte; Rio Douro, ao Sul; o Oceano Atlântico, a oeste e as formações montanhosas, ao leste. A cidade mais importante da região é Braga.  
Historicamente conhecida como o berço de Portugal, o Vinho Verde possui um alto índice pluviométrico, aproximadamente 1500 mm. por ano. As chuvas se alongam irregularmente por todo o ano, mas tornam-se mais intensas no Inverno e na primavera. Densamente povoada, foi dali que partiram os primeiros movimentos migratórios que retiraram os muçulmanos do país. 
Existem inúmeras referências à cultura da vinha na região, cujo início foi por ordens da igreja e total apoio da coroa portuguesa. A indústria vinífera somente percebeu sua importância nos séculos XII - XIII, quando o consumo de vinho tornou-se popular entre os habitantes da região entre o Minho e o Douro.  
A explosão demográfica e económica da região, o forte desenvolvimento do comércio de produtos agrícolas, bem como a implantação de novas formas de pagamento fez do vinho uma fonte essencial de receitas. Embora a sua exportação seja limitada, a história demonstra que os primeiros vinhos portugueses a serem apreciados por toda a Europa foram os dessa região. As regulamentações no que diz respeito à qualidade e o comércio dos vinhos na região de Vinho Verde apareceram no início do século XX, com a lei aprovada em 1908, na qual mencionava a zona de produção Vinho Verde pela primeira vez. Porém apenas em 1926, data em que foi criada a Comissão de  
Viticultura da Região do Vinho Verde, os limites geográficos da região foram definitivamente estabelecidos.  
Aspectos culturais, tipologias de vinhos, variedades de uvas e tipos de condução do vinhedo, forçaram a divisão da denominação em 6 sub-regiões: Monção, Lima, Basto, Braga, Amarante e Penafiel. 
A região é conhecida fundamentalmente pela produção de vinhos brancos, chamados genericamente de Vinhos Verdes, em referência à fase prematura em que as uvas são colhidas e à cor da uva. Estes são caracterizados pela cor amarela palha e verdeal, e pelo seu frescor e aromas frutados e complexos. Os mais cobiçados vinhos verdes brancos são elaborados com 100% de uva Alvarinho. Outros vinhos brancos são elaborados com castas igualmente de origem portuguesa como o Loureiro e o Treixadura. Também existem os vinhos produzidos com Arinto e Avesso.  
Nos tintos, menos importantes, encontramos as uvas Vinhão ou Espadeiro, são vinhos de muito corpo, cores intensas e reflexos violeta. 
Douro e Porto
O Douro é uma região cercada de montanhas das quais nos seus declives crescem as melhores castas para a elaboração dos mais finos Portos. A região tem passado recentemente por um processo de modificação pelo qual seus vinhos tintos secos, graças á qualidade e longevidade, têm recebido reconhecimento internacional. A D.O. Douro está relacionada a vinhos tintos e secos e a D.O. Porto a vinhos generosos e doces. 
A região dispõe de uma grande tradição na cultura da vinha, com origens nos tempos pré-românticos. No século XVII aconteceu fato de grande importância para a história dos vinhos da região. Os comerciantes britânicos descobriram os grandes vinhos do Douro, na sequência de contínuos desentendimentos com a França, o que tornava impossível o comércio contínuo de vinhos de Bordeaux em 1703. 
Pelo Tratado de Methuen, a Inglaterra diminuiu os impostos para importação de vinhos portugueses e favoreceu a D.O. Douro, em detrimento aos vinhos da França e da Alemanha. Desde então a Grã-Bretanha transformou-se no principal comércio de bebidas da região. 
Os vinhos do Douro não suportavam bem as viagens. Para não desperdiçar a grande ocasião comercial que tinha sido aberta, os produtores e os comerciantes decidiram acrescentar álcool vínico aos vinhos durante a fermentação, de modo que estes não se deteriorassem no trajecto. Foi quando perceberam que esta prática não somente preservava, mas conferia ao vinho qualidades excelentes melhorando-o significativamente e permitindo a realização de um vinho ú
nico no mundo. 
O envelhecimento lento dos vinhos em pipas (barricas de carvalho) nos húmidos e frios armazéns de Vila Nove Gaia, do outro lado do rio em frente da cidade de Porto, dava como resultado vinhos complexos e com bouquet dificilmente igualáveis. São aqueles que conhecemos hoje como vinho do Porto. 
Essas qualidades magníficas dos portos vêm de factores exclusivos, como o solo (xistoso), as variedades de uva (muitas delas únicas no mundo) e o clima (o vale do Douro, protegido da influência marítima Atlântica pelo sistema montanhoso do Marão, sofre de um clima continental extremo com verões secos e Invernos muito rigorosos).  
Os melhores vinhedos do Douro são situados em terraços escavados pelo homem nas montanhas e que são fruto de esforço milenar, assemelhando-se às etapas das pirâmides. Os solos tão pobres chegam a obrigar às vinhas a aprofundar as suas raízes mais de 12 metros à procura de nutrientes, o que lhes permite concentrar a mesma “essência” do terreno a todas as uvas. 
As principais variedades cultivadas no Douro são a Touriga Nacional e Touriga Francesa (que conferem ao vinho uma grande concentração fenólica). A Tinta Roriz (a famosa Tempranillo espanhola), a Tinta Barroca e Tinta Cão. 
O processo escolhido para envelhecimento (em madeiras ou garrafa) é o elemento chave para classificar os vinhos do Porto. Existem, portanto vários tipos de Porto: Primeiro, a categoria que inclui os jovens (Ruby, Tawny e Branco). Estes são portos de corte, resultando em vinhos equilibrados em aromas e sabores e cujo engarrafamento acontece três anos após a sua vinificação. A segunda categoria é representada por vinhos com safra (Vintage Character ou LBV), são vinhos cheios, ricos em aromas, de cores intensas e envelhecem entre quatro e 5 anos em pipas de carvalho. Seguindo a escala, encontramos os velhos vinhos envelhecidos em madeira (Old Tawnies), que passam entre 10 e 40 anos, tomando uma cor âmbar escuro característico da qual recebem o seu nome. Os portos de crosta (Crusted Port), são resultado de uma mistura de safras diferentes sem passar pelo processo de filtragem. Finamente as categorias excelentes: de vinhedo único (Single Quinta Port); vinhos produzidos com os recursos de um só vinhedo de safra e engarrafados dois anos após ter sido produzido e são refinados e evoluídos em garrafa antes de sair ao mercado. Os grandes portos (Vintage Port), que representam os “tops” da região e passam dois anos em madeira antes de ser engarrafado. 
Bairrada
A região de Bairrada é situada sobre o eixo de 40 km que formam as populações de Aveiro e de Coimbra a noroeste de Portugal. Os limites naturais são, por um lado, a costa e, por outro, as cadeias montanhosas de Buçaco (nome que vem do latin "Box Sacrum” ou floresta consagrada) e de Caramulo.  
O solo é formado principalmente por “bairros" (argila preta), de onde vem o nome da região. A produção de vinhos em Bairrada cresceu na época dos Romanos, tarefa que foi continuada, após a chegada do cristianismo, pelos monges dos mosteiros de Lorvão e Vacariça, atraídos pelas excelentes condições naturais para a cultura da vinha na região. 
Durante o ano do 1137, o primeiro rei de Portugal, Afonso Henriques, autorizou a plantação de grandes extensões com vinhedos à cidade de Vilarinho, promulgando que uma quarta parte da produção era-lhe atribuída. Conforme a qualidade e a reputação dos vinhos da Bairrada crescia durante a Idade Média, outras instituições 
religiosas como o Convento de Santa Cruz de Coimbra e a Ordem dos Carmelitas Descalças (século XVII), começaram a elaborar vinhos na região, o que contribuiu para desenvolver mais ainda a fama e a qualidade dos vinhos de Bairrada.  
Desafortunadamente no fim do século XVIII, o Primeiro Ministro Pombal, na época responsável pela protecção dos vinhos da região do Porto, ordenou a eliminação da maioria dos vinhedos da Bairrada, temendo que seus vinhos pudessem fazer concorrência com os do Douro ou para que não fosse utilizado nas misturas dos verdadeiros vinhos do Porto. 
A região tem sido reconhecida especificamente por seus vinhos que começaram a ser exportados a partir da cidade portuária de Figueira da Foz. Em 1887 nasceu a Escola Prática de Viticultura e Pomologia da Bairrada presidida por Tavares da Silva, ao qual é dado o título de pai da viticultura moderna da Bairrada e pioneiro na introdução do método champenoise para a elaboração de vinhos espumantes em Portugal, em 1979. Atribui-lhe a condição de denominação de origem qualificada, com reconhecimento implícito à sua contribuição histórica para a enologia portuguesa.  
Em Bairrada localizam-se os municípios de Anadia, Mealhada, Oliveira do Bairro, e parte de Águeda, Aveiro, Cantanhede, Coimbra e Vagos. Os tintos da D.O., que devem passar para um período de envelhecimento nunca inferior aos 18 meses de acordo com pareceres da Comissão Vinícola Bairrada, são elaborados principalmente a partir das variedades Baga, Bastardo, Camarate e Jaen. São caracterizados pela sua cor intensa, seu carácter tânico e aromas frutados e marcantes.  
As variedades Arinto e Bical são as preferida para a elaboração de brancos, os quais são caracterizados pelos seus tons dourados, secos e aromas florais e intensos. Quanto aos vinhos espumantes (os mais famosos que todo o Portugal), devem permanecer nove meses em adega antes de sair ao mercado. A maioria é do tipo Bruto (Brut) e é caracterizado pelos seus aromas florais e elaborada tanto com uvas brancas como tintas. 
Alentejo
A região do Alentejo é situada numa extensa área dominada por planícies a sudeste de Portugal abrangendo as cidades de Évora e Beja. A economia se baseia em criação de gado, agricultura e a indústria da madeira. Os produtos típicos desta região são o trigo, os girassóis, frutos, vegetais, azeitonas, vinhos, cortiça, eucaliptos, cordeiro, porco, cabrito, minerais, granito, xisto e mármore. 
Topograficamente a região possui importantes variações, do Sul do Alentejo até às elevadas zonas do nordeste, que fazem fronteira com a Espanha. Na maioria de origem vulcânica cujo solo é composto de granito, quartzo e xisto vermelho. No diz respeito a vinhos, no Alentejo predominam pequenos vinhateiros com produção não superior as 250 caixas, embora encontremos também grandes produtores cujos números podem atingir as 250.000 caixas ao ano.  
A origem da produção de vinhos vem da época dos romanos e ainda se encontram vinhos cujas uvas são pisadas e depois fermentam e envelhecem em ânforas de barro, seguindo a tradição ancestral. 
No fim do século XIX a phylloxéra atingiu as vinhas desta região e muito dos produtores tiveram seus plantios destruídos. Após a crise, o sector de vinhos do Alentejo teve que esperar até aos anos 50 para a recuperação da produção e do prestígio perdido. O clima da região é de tipo íbero-mediterrâneo, ou seja, é principalmente mediterrânico, mas com certas notas continentais: verões quentes, variações de humidade, altas temperaturas e aproximadamente 3.000 horas do sol por ano. Quanto às chuvas são frequentes durante os meses de Inverno, e se mantém entre 550-600 mm por ano. 
O Alentejo é composto de oito sub-regiões: Portalegre (DOC), Borba (DOC), Redondo (DOC), Reguengos (DOC), Vidigueira (DOC), Évora (IPR), Granja-Amareleja (IPR) e Moura (IPR). A maioria delas é conhecida por seus de vinhos tintos, que podemos descrever como vinhos encorpados e complexos, com notas de frutos maduros quando jovens, mas complexos e elegantes quando envelhecidos. 
Muitas são as variedades de uvas tintas, entre as quais predominam a Aragonês (Tinta Roriz ou Tempranillo, como é conhecida na Espanha), Trincadeira (Tinta amarela), Periquita (Castelão Francês) e Alfrocheiro Preto. 
A produção de brancos, apesar de não serem muito importante, ganhou complexidade e riqueza nos últimos tempos, baseando-se a uva síria Roupeiro, a melhor variedade branca da região do Alentejo 
Ribatejo
A região de Ribatejo situada no centro-sul de Portugal é estendida ao longo do curso do rio Tejo. Seus limites encontram-se a leste, no estuário de Lisboa, e subindo o curso do rio, ao norte, nas cidades Tomar e Abrantes onde Santarém é o centro demográfico mais influente da região. 
A produção de vinho na região antecede a criação do Estado português. Monarcas como D. Afonso Henriques, Sancho II e D. João II, informados da qualidade de seus “caldos” protegeram-no através de leis que reconheciam os seus numerosos atributos. Muito recentemente, em Março de 2000, criou-se a DOC, abandonando desta maneira a venda anónima dos vinhos a outras regiões produtoras que tomavam-no como matéria prima para a sua produção. 
Os climas e os solos têm como característica mais significativa a variabilidade dados a vasta extensão do terreno que ocupa a denominação, 36.000 hectares. Podemos encontrar solos aluviais em zonas próximas ao rio, calcários em zonas mais elevadas como as montanhas ao norte ou os solos arenosos ao sul, de terras que influenciam de maneira substancial as características dos vinhos do Ribatejo. Os vinhos do norte caracterizam-se como vinhos muito encorpados, típico do clima continental predominante. Os mais suaves e elegantes vêm dos climas semi - atlântico ao Sul. Um bom reflexo da diversidade é as seis sub-regiões que dividem a DOC do Ribatejo.
Vamos analisar resumidamente estas seis sub-regiões de acordo com a ordem de importância. Almeirim é a mais famosa, seguido de Santarém ambas com características muito semelhantes quanto à composição do solo e resultado dos vinhos produzidos. Encontramos nestas regiões dois relevos diferenciados, o baixo caracterizado pelo solo fértil e muito húmido por estar próximo das margens do rio Tejo, e o alto, de solo arenoso com grande capacidade de drenagem. O vinho tinto é suave e abundante em taninos, de cores avermelhadas intensas, encorpados e de boa estrutura. 
Os brancos dispõem também de boa estrutura e aromas frutados intensos, sendo recomendado seu consumo num curto espaço de tempo. 
Cartaxo dispõe também duas tipologias diferentes nos seus vinhedos.  A primeira, nas regiões baixas próximas ao rio e a segunda, situada mais alta a aproximadamente 200 metros, onde os solos são do tipo argiloso-calcário. Os vinhos da primeira região são frutados mais robustos e de cor vermelha rubi. As terras mais elevadas produzem em contrapartida, um vinho agradável de cores mais intensas e grande suavidade. 
Chamusca também é dividida em dois tipos de solo, um de relevo baixo onde recebe as águas do rio Tejo e outro alto mais arenoso e, portanto de boa drenagem. São vinhos de bom equilíbrio entre acidez e maciez.  
Coruche é localizado exclusivamente nas inclinações do rio Tejo, caracterizada pelo seu elevado grau de humidade, que resulta em vinhos frescos com tonalidades vermelho granada. 
Finalmente Tomar, uma região de tintos encorpados e de certa acide, e brancos verdeais e frutados.  
As variedades nativas utilizadas na produção de vinhos brancos são Arinto, Fernão Pires e Talia (variação portuguesa de Ugni Blanc), enquanto que para os tintos são Baga, Camarate, Trincadeira e Castelão Francês (também conhecida pelo nome de Santarém ou Periquita). Este último grupo de variedades deve abranger 80% da composição dos vinhos tintos. Uma casta recentemente introduzida e que dá resultados magníficos é Cabernet Sauvignon, dando como resultado excelentes vinhos de guarda. Durante os últimos anos percebemos uma evolução na qualidade dos vinhos tintos numa grande parte dada a iniciativas como esta. Os brancos não terminaram de dar este salto de qualidade, embora frescos faltam-lhe complexidade e corpo.  
Dão
A região vinícola de Dão é situada no centro-norte de Portugal na região de Beira Alta, cuja principal cidade é a monumental e bela Viseu. A região leva o nome do rio que a banha, que nasce nas terras altas ao norte, não distante do rio Douro, mas da influência Atlântica. 
A produção de vinho na região vem da época dos romanos embora tenha sido restringida ao consumo familiar e regional. Esta situação persistiu até 1950, ano em que na ditadura do General Salazar nasceram as cooperativas locais que permitiriam atingir economias de escala, racionalizar e modernizar a produção. Os entrepostos privados, que não tinham o direito a cultivar vinhedo próprio nem exportar directamente, foram obrigados a comprar vinhos a granel das cooperativas. Desde 1986, ano em que as adegas privadas obtiveram o direito de cultivar uva em suas terras, além da livre exportação houve uma grande melhora em suas instalações e produção. 
Em 1990 de Dão foi reconhecida como DOC, supervisionado por um Conselho Regulador. Actualmente, a denominação é composta de um número reduzido de asas, com vinhedos próprios cujos vinhos tintos são encontrados entre os mais importantes produzidos em todo o Portugal.  
É esta uma região montanhosa, formada por colinas de natureza granítica. Cercada pela Serra da Estrela ao norte, as montanhas de Caramulo ao sul e pela Serra de Buçaco no flanco ocidental (protegendo-o da influência Atlântica); goza de um clima continental moderado, caracterizado por verões secos e quentes e Invernos nos quais não falta água. O ambiente natural da região recorda a Provence (França), com volumosas florestas de pinheiros alternando com vinhedos situados sobre dunas arenosas gigantescas.  
Mais de dois terços dos vinhos produzidos em Dão são tintos e são originários de nove castas diferentes, elaborados a partir de qualquer combinação entre elas. As uvas tintas mais significativas são: Touriga Nacional, Tinta Roriz (o Tempranillo espanhol), Tinta Pinheira, Alfrocheiro Preto e Jaen. A Touriga Nacional é considerada a mais nobre da região e deve participar proporcionalmente de não menos do que 20% nos cortes de todos os vinhos tintos produzidos na região. 
A variedade branca Encruzado é a dominante na denominação, geralmente misturada com outras como o Assario Branco ou Borrado das Moscas.  
Os tintos do Dão são vinhos secos, concentrados, tânicos, complexos e com um grande potencial de envelhecimento. Quanto aos brancos: são vivos, florais e muito aromáticos. 
Setúbal
A D.O. Setúbal, criada em 1907, é do uma das mais antigas e destacadas regiões vinícolas portuguesas. É a denominação mais importante no vasto sector vinícola de Terras do Sado. Este último se estende ao redor do porto de pesca de Setúbal, na península onde se encontra a foz dos rios Tejo e Sado.  
A sudeste de Lisboa, o clima é moderado do tipo marítimo, ideal para a viticultura. A região abrange a comuna de Setúbal e uma parte de Sesimbra e de Palmela. A área demarcada é caracterizada unicamente pela elaboração de vinhos doces, principalmente a partir de duas variedades de moscatel: Moscatel Romano ou da Alexandria (para brancos) e, em menor escala, Moscatel Roxo (para tintos).  
Existem em Setúbal duas zonas de produção: as montanhas de Arrábida (com predominância de solos argilosos e calcários) e a planície adjacente, que recebe ventos quentes do Sul.  
As variedades de moscatel foram introduzidas primeiro pelos fenícios a mais de dois mil anos. Romanos, árabes e visigodos continuaram a evolução da viticultura em 1381 Portugal já exportava vinhos de Setúbal para a Inglaterra, posicionando-se como um
dos preferidos do monarca britânico Ricardo II. Os reis portugueses sempre mencionavam o vinho nos documentos que emitiam sobre a região, que serviam como regulamento e protecção da economia local. A importância desse pode ser percebida nitidamente nos número de exportação que foram registrados ao longo da história e com destaque no século XV, quando o sal e o vinho de Setúbal eram à base das exportações locais. Em 1675, a Inglaterra chegou a importar mais de 350 tonéis de Moscatel de Setúbal. Sendo afectado, como muitas outras zonas elaboradoras de vinhos generosos, pelas modificações nas preferências dos consumidores durante os três primeiros quartos do século XX. 
A variedade Moscatel Romano é a rainha entre as cultivada em Setúbal. Crescendo num ambiente particularmente pacífico, produz um néctar doçura e bouquet únicos. O Moscatel Roxo, exclusivo da região e escasso, dá lugar a vinhos muito fracos, mais secos e mais complexos que aqueles elaborados a partir da branca Moscatel da Alexandria. 
Os regulamentos locais permitem o uso de outras variedades diferentes dos Moscateis (por exemplo, Tamarez, Arinto, João Pires, Malvasía ou Boais) utilizados como complemento com o objectivo de aumentar os níveis naturais de acidez. Uma maceração prolongada com as cascas da moscatel contribui na formação do aroma penetrante e o carácter concentrado dos moscatéis de Setúbal. No entanto, para utilizar a denominação tradicional "Moscatel Setúbal” ou de “Moscatel Roxo” no rótulo, os vinhos têm necessidade, por lei, de ser composto no mínimo de 85% de alguma das duas variedades de moscatel mencionadas.  
Se a diferenciação básica dos vinhos de Setúbal for estabelecida de acordo com a variedade de moscatel utilizada (branco ou tinto), existe uma outra classificação levando em conta o envelhecimento em carvalho: em primeiro os vinhos com envelhecimento de 5 a 10 anos, em segundo os de vinte 20 anos e, os mais exclusivos, permanecem 50 anos envelhecendo e levam a menção mais especial sobre rótulo de “Setúbal Apoteca”. Os vinhos permanecem em contacto com as cascas das uvas durante vários meses após a fermentação e são adicionados de aguardente fina até a atingir aos dezoito graus de álcool, mesmo que legalmente o grau mínimo permitido pelo conselho seja 16,5. Os vinhos mais jovens são colocados em garrafas após ter permanecido aproximadamente cinco anos em madeira e apresentam cor alaranjada com tonalidade ocre e nuances de especiarias com notas típicas da uva moscatel. Já os com 20 anos em madeira ganham cor, profundidade e intensidade, aromas característicos de laranja, de amêndoas e de flores selvagens. 
Madeira
Ilha de origem vulcânica, pertencente a Portugal, situado a 750 km a oeste de Casablanca. Foi descoberto no século XV por um conde português D. Henrique – o navegador, que na sua rota de reconhecimento pela costa africana desviou-se, chegando à ilha. Chegando lá, se deparou com um território desabitado com vegetação abundante formando florestas e bosques. Os novos habitantes dispuseram-se a alterar a paisagem da ilha, isso por terem provocado uma série de incêndios, dos quais diz-se que chegaram a se estender durante sete anos aproximadamente.  
Como resultado temos um solo rico em nitrogénio, composto também dos materiais vulcânicos (originários da ilha), basalto cinzento da cinza que resulta do fogo, bem como por compostos calcários.  
As montanhas, cercadas de nuvens permanentes, atingem níveis próximos aos dois mil metros e regam as terras baixas com água que reflecte através de uma série de canais construídos no século XVI. A estes deram nome de “levadas”. As vinhas originárias de Madeira foram levadas pelos marinheiros portugueses em suas viagens plantando-as nas novas colónias. 
O império britânico foi de grande importância na divulgação do vinho desta região, dado que propagaram a sua fama. O vinho atingiu uma grande importância nas ilhas britânicas. Conta a história que o Duque Clarence, prisioneiro na Torre de Londres e condenado a morte, escolheu como dar fim á sua vida afogando-se em um tonel de vinho de Madeira.  
Pela localização geográfica, a ilha conta com um clima benigno para a parreira, sem temperaturas extremas no Inverno ou verão e com reservas de água subterrânea que é calculada próxima de 200 milhões de litros. Dado o seu relevo montanhoso na maioria dos casos utilizam-se vinhedos dispostos em “terrazas”, embora outros, as vinhas ocupassem pequenos terrenos compartilhados com um outro tipo de cultura como, por exemplo, bananas. Na região da Madeira há ainda muitos vinhedos que são plantados em pérgolas. Este sistema permite a planta continuar a crescer e evita possíveis de infecções à planta.  
Quanto ao Método de produção, não é muito comum em outras regiões do mundo. Assim como o Porto e Xerez, o método ter origem na intenção do homem de transportar o vinho a longas distâncias sem que haja depreciação, antes disso produziam-se muitos jovens vinhos de Madeira que terminavam por se transformar em vinagre.  
Outra uma importante particularidade do processo de elaboração dos vinhos de Madeira é ser estufado em barricas, que consiste num aquecimento através de fornalhas tendo como resultado um duplo efeito: por um lado preserva-se melhor o vinho e, por outro, atribui-lhe um aroma grelhado específico como resultado da caramelização do açúcar. 
Os vinhos da Madeira variam de acordo com o mercado ao qual se destinam e à gama de preços. A maioria é identificada por uma série de nomes, em muitos casos semelhantes, que fazem uma alusão à variedade de uva que domina no vinho. De modo que um vinho possa esclarecer o nome de uva cujo é composto a lei estabelece que esta mesma uva corresponda pelo menos 85% da composição. Os vinhos mais importantes da Madeira são: 
Sercial: vinho seco fortificado após a sua fermentação, da mesma maneira que o Xerez; 
Verdelho: ligeiramente menos seco e fortificado; 
Terrantez: vinho ligeiramente doce e fortificado após a fermentação; 
Bual: vinho semidoce, fortificado durante a fermentação, como no caso do vinho do Porto; 
Malmsey ou Malvasía: vinho doce ao estilo do Porto. 
Levando em conta a idade dos vinhos, identificamos quatro classificações: 
Colheita: vinho de um só vinhedo elaborado a partir de apenas uma variedade de uva. Envelhecido um período mínimo de 20 anos em barricas de carvalho; 
Reserva Extra: composta de algumas das uvas anteriormente citadas, mas nunca inferior a 85% do corte. Deve permanecer em carvalho pelo menos 15 anos; e garrafa no mínimo 10 anos; 
Reserva: vinho com mínimo de cinco anos em madeira e garrafa.

 

O vinho em Portugal
http://www.ivv.min-agricultura.pt
O vinho ocupa nas necessidades do Homem um lugar de destaque, por ser a única bebida que, na civilização greco-latina, transporta em si um valor cultural.
Mesmo antes do cristianismo, ele representava mais do que um símbolo. Os escritores, os poetas gregos, helenísticos, latinos e, até, turcos, cantaram o vinho não só como fonte de satisfação material como, também, meio de excitar o espírito, de desenvolver o pensamento e, até, de favorecer a criação de sentimentos estéticos e morais.
O vinho foi sempre considerado como a mais nobre bebida, a primeira que se oferece a um convidado e a que melhor permite apreciar o talento do produtor. Não é de estranhar, portanto, que toda a vida rural tenha sido tão fortemente marcada por ele.
Não só as ferramentas e o material necessário para a viticultura são de uma riqueza extraordinária como, também, as aldeias, as casas e até a própria paisagem são moldadas pelo cultivo da vinha. A maneira de viver, os costumes e a mentalidade são particularmente marcados, pelo que é possível dizer-se que existe uma cultura ligada ao vinho.
O amor à arte e o amor ao vinho têm-se confundido ao longo da história das civilizações. A riqueza dos espólios existentes em museus e colecções particulares atesta em numerosos países que, em todas as épocas, os artistas puseram o seu talento ao serviço da vinha e do vinho, tanto na pintura, como na escultura, gravura, tapeçaria, miniaturas, iluminuras, ourivesaria, vitral, vidraria, cerâmica, etc.
Portugal tem uma cultura que se preza de possuir uma herança patrimonial muito rica, ligada à vinha e ao vinho e que remonta a uma época muito anterior à fundação da Nacionalidade, tornando-se necessário a sua preservação. É esse o papel dos Museus do Vinho. Eles representam os instrumentos indispensáveis para a compreensão da função civilizadora da vinha e do vinho.
O Instituto da Vinha e do Vinho está a desenvolver um projecto que visa a recuperação, preservação e disponibilização ao público do enorme espólio que possui, herdado da Junta Nacional do Vinho. Este projecto contempla também a reorganização e dinamização do Museu Nacional do Vinho, em Alcobaça.
Para além deste museu, existem em Portugal outros, também ligados e esta temática.

 

Castas de uvas  – (Trabalho de Luís Gregório – Mª Grande)
Especial para o Portal CEN - "Cá Estamos Nós"

Castas Tintas Portuguesas
 

Aragonês, Tinta Roriz
É uma das castas tradicionais de Portugal de maior qualidade, razão pela qual se tem assistido nos últimos anos a um aumento significativo da sua área de plantação. É cultivada principalmente nas regiões do Douro, Dão e Alentejo. Em Espanha, onde é conhecida por Tempranillo, muitas são as regiões vinhateiras onde é a casta nobre por excelência. As suas características parecem estar fortemente dependentes do rendimento. Quando produz muito os vinhos podem ser abertos de cor com sabores lenhosos e herbáceos, enquanto que com produções baixas pode originar vinhos ricos de cor, aromas intensos com notas de framboesa e especiarias, muito encorpados e com grande longevidade. Por vezes tem uma acidez baixa sendo necessário lotá-lo com outras mais ácidas ou corrigindo a sua acidez. São vinhos que se destacam mais pela elegância e distinção do que pela concentração e poder. Suporta bem e pode melhorar com o estágio em barricas de carvalho. Esta casta é ainda muito importante na produção do vinho do Porto. 
Tinta Miúda
A casta Tinta Miúda foi uma das mais importantes nos encepamentos da Estremadura e em algumas regiões espanholas, como a Rioja, onde é conhecida por Graciano. A sua baixa produção contribuiu para o desencanto dos viticultores que a foram substituindo por castas mais produtivas. As sua boas qualidades enológicas têm incentivado a recuperação desta casta quer em Portugal quer em Espanha. Os vinhos a partir dela produzidos possuem um aroma intenso e delicado, habitualmente ricos em taninos e em extracto contribuindo assim para uma boa evolução em garrafa e, também, para uma certa longevidade. 
Touriga Nacional
Esta casta é sem dúvida a mais badalada actualmente na enologia portuguesa. A área destinada á Touriga Nacional tem crescido de uma forma impressionante nos últimos dez anos. A razão desta "Tourigomania" é a qualidade dos vinhos a que dá origem. Carregados de cor, com aroma característico a caruma de pinheiro, a flores silvestres, como a esteva, e frutos silvestres, como as amoras, mirtilos e groselha. Com uma concentração notável em extracto e taninos, são vinhos que impressionam mesmo os apreciadores mais distraídos. Esta casta é tradicional das regiões do Dão e do Douro, sendo nesta última importante ingrediente dos vinhos do Porto. Na Austrália e Califórnia podemos também encontrar vinhas de Touriga Nacional destinadas, especialmente, á produção de vinhos licorosos. O estágio dos vinhos em barricas novas de carvalho é especialmente indicado para este tipo de vinhos, tornando-os mais macios e equilibrados, mantendo um elevado potencial de envelhecimento. 
Trincadeira Preta
A casta Trincadeira Preta está distribuída por praticamente todo o país, sendo talvez a mais difundida em Portugal. No entanto é no sul que estão os vinhos desta casta que mais se têm distinguido nos últimos anos. É normalmente uma casta de produções generosas. No Douro é conhecida por Tinta Amarela, entrando na composição do vinho do Porto. Esta casta origina vinhos carregados na cor, com um aroma frutado associado a um toque herbáceo característico, que se acentua significativamente no sabor. São vinhos com bom corpo e muito boa estrutura tanínica. Com o estágio o vinho torna-se macio e aveludado. Envelhece bem em madeira de carvalho.
 

Castas Tintas Internacionais: 
Cabernet Sauvignon
Esta é a casta mais espantosa do mundo vitícola pela capacidade de adaptação a uma grande variedade de climas e solos, mas sobretudo pela qualidade superior dos vinhos que origina na maior parte das regiões vitícolas. Tornou-se, sem dúvida, o grande símbolo dos vinhos tintos, principalmente se tivermos em conta que as regiões mais famosas de Bordéus, como Médoc e Graves, tem na casta Cabernet Sauvignon o principal ingrediente dos seus melhores vinhos. Nestas regiões o Cabernet Sauvignon é, normalmente lotado com Merlot, Cabernet Franc e por vezes Petit Verdot em percentagens variáveis consoante o estilo de cada empresa. Alguns apreciadores consideram que os vinhos que se propõem ser "grandes vinhos" devem ter, sempre, Cabernet Sauvignon. A sua elevada concentração em cor e taninos contribui de forma fundamental para a estrutura e longevidade dos vinhos que origina. Os seus aromas lembram o cedro, groselha e especiarias, em especial a pimenta preta. Os vinhos desta casta têm grande aptidão para o estágio em barricas novas de carvalho, que confere ao aroma um toque abaunilhado, para além de amaciar os taninos mais irreverentes, tornando o vinho mais aveludado. 
Merlot
A elegância e distinção da casta Merlot fazem dela uma das mais famosas do Mundo. Embora seja uma casta que origina principalmente vinhos de lote, entra em 95% na composição de um dos vinhos mais caros do mundo, o Château Pétrus da região de Pomerol (Bordéus). Á semelhança da casta Cabernet Sauvignon, a Merlot tem também uma boa capacidade de adaptação a diferentes condições edafo-climáticas estando difundida por várias regiões do globo. A sua estrutura mais delicada não permite que, como vinho elementar, tenha a longevidade dos vinhos de Cabernet Sauvignon, apesar da grande complexidade que podem atingir com o envelhecimento em garrafa. O aroma é normalmente caracterizado por possuir notas de cereja e groselha podendo, ainda, lembrar o café torrado.
 

Castas Brancas Portuguesas: 
Alvarinho
É o símbolo da forte união que existe entre o Minho e a Galiza. Do lado de cá chamam-lhe portuguesa, do lado de lá chamam-lhe galega. Provavelmente é luso-galaica. É considerada a raínha das castas do Vinho Verde, embora os grandes vinhos a que dá origem sejam, basicamente, maduros. É a única casta autorizada na produção de Vinho Verde varietal. A forte personalidade que imprime aos vinhos, com notas de frutos cítricos onde predominam a laranja, torna-os muito apreciados quando jovens. Mas vale a pena experimentar os Alvarinhos com vários anos! A boa acidez que apresentam associada ao alto teor de álcool, permite-lhes evoluir muito bem em garrafa, ganhando grande complexidade e prolongamento na boca. 
Antão Vaz
A casta Antão Vaz é tradicional nos vinhos brancos do Alentejo. Os vinhos produzidos com base nesta casta apresentam boa estrutura mas carecem frequentemente de alguma frescura. Esta é a razão pela qual está, em muitos casos, associada à casta Arinto que contribui com uma acidez mais elevada. Esta associação é a base de alguns dos melhores vinhos brancos do Alentejo. Os vinhos elementares de Antão Vaz têm habitualmente um aroma exuberante, fino e persistente, característico da casta. São vinhos com elevado teor alcoólico e encorpados. 
Arinto
O Arinto é o símbolo da região de Bucelas, sendo a casta dominante dos vinhos desta região. Os famosos vinhos brancos velhos de Bucelas devem a sua longevidade a esta casta. A sua elevada acidez fez dela uma casta melhoradora em muitas outras regiões do País, em especial no Alentejo e Ribatejo onde os vinhos carecem, por vezes de alguma frescura. É ainda uma casta importante nos Vinhos Verdes (onde é conhecida como Pedernã), Douro (designada Pedernão), e Ribatejo, sendo considerada por muitos como das nossas melhores castas brancas. Mesmo em zonas quentes como o Alentejo, o vinho estreme de Arinto mostra-se acídulo e com frescura. Embora tenha uma acidez elevada tem um sabor delicado e um aroma floral. Á semelhança de algumas castas brancas internacionais, produz bons resultados quando fermentada em barricas de carvalho. Com a evolução em garrafa desenvolve notas citrinas e resinosas, que deram fama aos brancos velhos de Bucelas.  
Bical
Bical ou Borrado das Moscas é uma casta branca cultivada principalmente nas regiões da Bairrada e do Dão. Esta casta é temporã e generosa a produzir, sendo, por isso, muito apreciada pelos viticultores. Apesar de não ser muito aromática, tem aromas frutados muito finos e elegantes, que, quando são respeitados os preceitos da boa vinificação, originam vinhos muito agradáveis e distintos. 
Encruzado
É considerada por muitos enólogos a casta branca mais nobre do Dão e uma das mais notáveis castas portuguesas. A casta Encruzado, ao contrário da maioria das castas brancas, origina vinhos que evidenciam as suas melhores qualidades só ao fim de algum tempo de estágio. São normalmente vinhos com teor alcoólico elevado, possuidores de grande longevidade, mantendo uma frescura e equilíbrio notáveis, evoluindo para uma complexidade aromática muito interessante. São normalmente marcados por aromas que lembram o pimentão verde, podendo notar-se com a evolução aromas a frutos secos, compotas e um toque resinoso. Esta casta é por vezes fermentada em barricas de carvalho, acentuando esta mesma complexidade com notas abaunilhadas. 
Sercial
O Sercial do Dão é diferente do da Madeira e, pensa-se, diferente daquele produzido no Douro e Bairrada. Por isso, quando se fala em Sercial é mais legítimo pensar numa família de castas com um grau de parentesco elevado. É uma casta que produz generosamente apesar de ser tardia. Esta característica confere aos vinhos uma acidez significativa, tornando-a uma casta melhoradora nos lotes em que abundam as uvas excessivamente maduras.
 

Castas Brancas Internacionais: 
Chardonnay
Chardonnay é uma palavra mágica no mundo dos vinhos brancos. Há tantos, e tão bons brancos feitos com esta casta, que para muitos entusiastas não vale a pena pensar noutras. A personalidade que imprime aos vinhos - reconhecida por qualquer enófilo mesmo principiante - associada a uma boa produtividade e a um grande poder de adaptação às condições climatéricas mais adversas, justificam o seu sucesso em todo o Mundo. O seu estilo elegante atinge a máxima expressão nos famosos Chablis e Montrachet e alguns Champanhes, não obstante a excelência que americanos, australianos, chilenos e, mesmo, portugueses, conseguiram com esta casta. Os aromas dos vinhos de Chardonnay lembram frequentemente maçã, melão e figo, ou ainda mel, uva ou pêssego, conforme sejam vinhos provenientes de zonas mais frias ou de zonas mais quentes. 
Riesling
O que lhe falta em tamanho do cacho e do bago sobra-lhe em grandeza aromática e elegância. È, muito justamente, uma das grandes castas do Mundo, que os alemães e os franceses da Alsácia souberam elevar à máxima expressão. O seu aroma é normalmente caracterizado por notas florais, minerais e de mel.
Deliciosos em jovens, estes vinhos podem ainda melhorar ao longo de vários anos devido a uma acidez e extracto elevados, ganhando grande complexidade.  
Sauvignon Blanc
É uma casta inconfundível, onde a intensidade aromática, com notas minerais e vegetais, é do agrado de muitos consumidores. Porém, muitos outros acham-na enjoativa devido ao excesso de perfume que os seus vinhos exalam. Os vinhos do vale do Loire, nomeadamente Poully Fumé e o Sancerre são os mais famosos, aproximando-se, por vezes, do sublime. Actualmente considera-se que na Nova Zelândia se produzem brancos desta casta ao nível dos melhores do Mundo, devido ao seu carácter vegetal - espargos verdes - que confere grande elegância e equilíbrio.


Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro - Marinha Grande - Portugal

 

 

 

 

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