Uvas e Vinho
Dia Nacional do Vinho - (Portugal)
01 de Julho
Trabalho de Carlos Leite Ribeiro
Arte Final: Iara Melo
Uva: do latim uva, feminino. Bago de cacho
de videira, ou baga da videira = cacho de uva.
Videira: (de vide), feminino. Braço ou vara de
videira, que se pode chamar parreira.
Vinho: do latim vinu, masculino. Líquido
alcoólico, proveniente da fermentação do sumo das
uvas ou ainda de outros frutos.
Fábula das Raposa e das Uvas - de Esopo
Uma faminta raposa encontrou-se, um dia, diante dos
muros de uma pequena horta, na qual vicejavam
soberbas parreiras. Alguns cachos enormes de belas e
maduras uvas pendiam das ramas, que se estendiam por
sobre os muros, lá no alto. Ao ver aquele presente
de Deus, a raposa lambeu o focinho e murmurou: - "Se
eu pudesse colher um destes cachos!" Esticou o corpo
sobre as patas traseiras, de pé, com as dianteiras
apoiadas no muro, ergueu a cabeça o mais que pôde,
porém os cachos estavam muito altos...Saltou várias
vezes, mas foi em vão. Então, sacudiu a cabeça e
afastou-se, murmurando: - Não me apetecem! Estão
muito verdes... Moral: Quem desdenha, quer comprar.
Lenda do Vinhos
http://www.gastronomias.com
Uma lenda grega atribui a descoberta da videira a um
pastor, Estáfilo, que, ao procurar uma cabra
perdida, a foi encontrar comendo parras.
Colhendo os frutos dessa planta, até então
desconhecida, levou-os ao seu patrão, Oinos, que
deles extraiu um sumo cujo sabor melhorou com o
tempo.
Por isso, em grego, a videira designa-se por
staphyle, e o vinho por oinos.
A mitologia romana atribui a Saturno a introdução
das primeiras videiras; na Península Ibérica, ela
era imputada a Hércules.
Na Pérsia, a origem do vinho era também lendária:
conta-se que um dia, quando o rei Djemchid se
encontrava refastelado à sombra da sua tenda,
observando o treino dos seus archeiros, foi o seu
olhar atraído por uma cena que se desenrolava
próximo: uma grande ave contorcia-se envolvida por
uma enorme serpente, que lentamente a sufocava.
O rei deu imediatamente ordem a um archeiro para que
atirasse.
Um tiro certeiro fez penetrar a flecha na cabeça da
serpente, sem que a ave fosse atingida.
Esta, liberta, voou até aos pés do soberano, e aí
deixou cair umas sementes, que este mandou semear.
Delas nasceu uma viçosa planta que deu frutos em
abundância.
O rei bebia frequentemente o sumo desses frutos.
Um dia, porém, achou-o amargo e mandou pô-lo de
parte; alguns meses mais tarde, uma bela escrava,
favorita do rei, encontrando-se possuída de fortes
dores de cabeça, desejou morrer.
Tendo descoberto o sumo posto de parte, e supondo-o
venenoso, bebeu dele.
Dormiu (o que não conseguia havia muitas noites) e
acordou curada e feliz.
A nova chegou aos ouvidos do rei, que promoveu o
vinho à categoria de bebida do seu povo,
baptizando-o Darou-é-Shah « o remédio do rei ».
Quando Cambises, descendente de Djemchid, fundou
Persépolis, os viticultores plantaram vinhas em
redor da cidade, as quais deram origem ao célebre
vinho de Shiraz.
A vinha era objecto de enormes cuidados, e o mosto
fermentava em grandes recipientes de 160 litros, os
guarabares.
Foi este vinho que ajudou a dar coragem aos soldados
de Cambises na conquista do fabuloso Egipto!
Vinhos tintos portugueses - Guilherme
Rodrigues
http://gula.ig.com.br
Provamos 35 tintos de Portugal, com resultados
estimulantes. São vinhos de alta qualidade, sem
paralelo no mundo
Reconhecidos internacionalmente, os tintos de
Portugal se apresentam portentosos e ao mesmo tempo
diferentes dos que são elaborados no resto do mundo.
Não por acaso, publicações e jornalistas
especializados lhes atribuem cada vez mais notas de
90 a 95. Gula seleccionou 35 marcas para apresentar
a seus leitores. Optou por desvendar seu universo de
maneira franca e aberta. Fugiu propositadamente do
ambiente de torneio, que seria inevitável com a
divulgação de notas e comparações. A revista decidiu
apenas mostrar os grandes vinhos, descrevendo cada
um deles, para que os leitores pudessem avaliar por
si mesmos. O local da prova foi o stand da revista
na feira gastronómica Boa Mesa 2003, realizada na
cidade de São Paulo, em Setembro. Além dos
provadores de Gula, contou com a presença de
convidados especiais. O resultado foi estimulante. A
qualidade e a variedade dos vinhos impressionou
todos.
Portugal possui um património de castas vinícolas
como poucos países, tamanha a diversidade e a
variedade das uvas autóctones de grande refinamento
e categoria. São Touriga Nacional, Tinta Cão, Jaen,
Baga, Tinta Barroca, Tinta Roriz, Periquita e tantas
outras. As regiões são igualmente muito diversas. O
Alentejo, mais quente, dá vinhos muito frutados,
deliciosos, hedonistas, fáceis de compreender e de
gostar, muitas vezes com grande distinção e
carácter. O Dão e a Bairrada produzem vinhos mais
austeros, de grande profundidade, complexidade,
refinamento aromático e potencial de envelhecimento
invulgar. O Douro parece reunir numa verdadeira
síntese a austeridade do Norte com o hedonismo do
Sul.
Hoje triunfante, teve como ponto de partida o Barca
Velha, lançado em 1952, mas a nova geração do vinho
português só nasceu verdadeiramente nos anos 80. Os
pioneiros: Miguel Champalimaud, Luís Pato, Peter
Bright e João Portugal Ramos. Tornaram-se marcos
emblemáticos os vinhos Quinta do Couto Grande
Escolha 1980, 1982, 1985, 1987; Luís Pato 1985,
1988; Quinta da Bacalhoa 1985; Quinta do Carmo,
Tapada do Chaves e Coop. de Reguengos dos anos 80.
Foi a década dos grandes investimentos e
transformações. O reconhecimento internacional,
antes uma ambição, tornou-se realidade. Na
degustação da Boa Mesa 2003 reunimos a elite dos
tintos portugueses, uma selecção imbatível, como a
da Copa de 1970. Apresentamos os melhores vinhos das
mais expressivas regiões produtoras. Limitamos a uma
só marca por produtor. Grande parte dos vinhos está
disponível no Brasil. Alguns deles, ainda não
disponíveis no mercado brasileiro ou esgotados,
vieram directamente de Portugal, especialmente para
a prova. Os vinhos foram agrupados conforme as
regiões de origem (para evitar comparações de
padrões distintos) e identificados previamente (as
provas não foram às cegas). Passada a apresentação
da Boa Mesa, fizemos uma prova reservada aos
provadores de Gula, para uma reavaliação mais
criteriosa. A degustação reservada transcorreu no
restaurante Santo Colomba, na alameda Lorena, 1157,
São Paulo, fechado num sábado especialmente para o
evento, das 10 da manhã até as 5 da tarde.
Participaram da prova no Santo Colomba, além deste
redactor, os competentes provadores: Ennio Federico,
Eduardo Hernandez, Emidio Dias de Carvalho, Fabiano
Aurélio (sommelier de A Figueira Rubaiyat), Giba
Reis, José Ruy Sampaio, Roberto Vilela, Juscelino
Pereira (sommelier do Gero) e Toninho (sommelier do
Santo Colomba).
Os copos eram padrão ISO. Durante a Boa Mesa 2003,
usamos copos cedidos pelo Investimento, Comércio e
Turismo de Portugal (Icep), escritório de São Paulo.
Apresentavam-se ligeiramente mais volumosos que o
padrão ISO. Agradecemos às importadoras Decanter e
Mistral pelo empréstimo dos decanters utilizados. A
prova não teria sido possível sem a colaboração do
Icep, presidido pelo doutor João Mota Pinto, que
favoreceu a chegada dos vinhos de Portugal.
Museu do Vinho
Portugal é um país de longa tradição
vinícola, tendo como marco mais importante a
implantação da vinicultura pelos romanos, tal como
ocorreu nos demais países de maior expressão
vinícola da Europa.
A vitivinicultura portuguesa demorou a evoluir
tecnologicamente e, por muito tempo, produziu poucos
vinhos de alta qualidade. Esse quadro, no entanto, é
coisa do passado. Nas últimas duas décadas, como
consequência do fantástico desenvolvimento
económico, político e social do país, a
vitivinicultura portuguesa sofreu sensíveis avanços,
particularmente no campo tecnológico.
O fato mais importante é que essa modernização foi
realizada sem descartar os aspectos tradicionais
positivos, como por exemplo, a utilização de
variedades de uvas autóctones e tradicionais. Com
ajuda da tecnologia, essas castas, que antes
originavam vinhos de qualidade inferior, passaram a
dar grandes vinhos. Numa época de globalização, com
a uniformização de condutas e gostos, é maravilhoso
degustar os bons vinhos portugueses.
A nós, enófilos brasileiros, que já trazemos um
pouco de vinho português no sangue, é chegada a hora
de fazermos a rota inversa de Pedro Álvares Cabral e
redescobrir os maravilhosos vinhos da "Terra Mãe".
Os vinhos portugueses estão classificados em quatro
níveis de qualidade:
Vinho de Mesa - vinho inferior, cuja produção pode
ser feita em qualquer região do país, e que não se
enquadra nas categorias mencionadas a seguir.
Vinho Regional - vinho de qualidade superior ao
vinho de mesa, produzido com, no mínimo, 85% de uvas
provenientes da região especificada. Hoje existem
muitos vinhos regionais de qualidade igual ou
superior à de vinhos D.O.C., havendo inclusive
alguns bons produtores que, por não concordarem com
as regras impostas pela Comissão Reguladora dessa
categoria, passaram a rotular seus vinhos como
regionais.
Vinho de Denominação de Origem Controlada (D.O.C.) -
teoricamente é a categoria de mais alto nível de
qualidade e identifica o vinho produzido em região
delimitada, sujeito a regras mais restritas quanto à
procedência e variedades de uvas utilizadas, o
método de vinificação, o teor alcoólico, o tempo de
envelhecimento, etc. Equivale à A.O.C. francesa, à
D.O.C. italiana e à D.O. espanhola.
Vinho de Qualidade Produzido em Região Determinada (V.Q.P.R.D.)
– para atender ao Mercado Comum Europeu foi criada
a nomenclatura Vinho de Qualidade Produzido em
Região Determinada (V.Q.P.R.D.) que engloba as I.P.R.
(Indicação de Proveniência Regulamentada) e as D.O.C..
Também foram criadas denominações para os vinhos
espumantes e licorosos: V.E.Q.P.R.D. (Vinho
Espumante de Qualidade Produzido em Região
Determinada) e V.L.Q.P.R.D. (Vinho Licoroso de
Qualidade Produzido em Região Determinada).
Além das indicações anteriores, podemos encontrar
nos rótulos uma classificação pela qualidade, são
elas:
Reserva - O Reserva deve ter uma graduação
alcoólica meio grau acima do não Reserva da mesma
vinícola e envelhecer ao menos três anos em adega.
Têm sempre origem determinada e safra.
Garrafeira - O nome Garrafeira significa adega em
Portugal. Estes vinhos podem ou não ser de
denominação de origem, mas devem obrigatoriamente
passar três anos em adega, sendo apenas um em
garrafa e os outros dois em madeira.
As Regiões de Portugal
Vinho Verde
A região do Vinho Verde é situada na parte mais ao
norte de Portugal, sendo delimitada por quatro
importantes acidentes geográficos: o Rio Minho, ao
norte; Rio Douro, ao Sul; o Oceano Atlântico, a
oeste e as formações montanhosas, ao leste. A cidade
mais importante da região é Braga.
Historicamente conhecida como o berço de Portugal, o
Vinho Verde possui um alto índice pluviométrico,
aproximadamente 1500 mm. por ano. As chuvas se
alongam irregularmente por todo o ano, mas tornam-se
mais intensas no Inverno e na primavera. Densamente
povoada, foi dali que partiram os primeiros
movimentos migratórios que retiraram os muçulmanos
do país.
Existem inúmeras referências à cultura da vinha na
região, cujo início foi por ordens da igreja e total
apoio da coroa portuguesa. A indústria vinífera
somente percebeu sua importância nos séculos XII -
XIII, quando o consumo de vinho tornou-se popular
entre os habitantes da região entre o Minho e o
Douro.
A explosão demográfica e económica da região, o
forte desenvolvimento do comércio de produtos
agrícolas, bem como a implantação de novas formas de
pagamento fez do vinho uma fonte essencial de
receitas. Embora a sua exportação seja limitada, a
história demonstra que os primeiros vinhos
portugueses a serem apreciados por toda a Europa
foram os dessa região. As regulamentações no que diz
respeito à qualidade e o comércio dos vinhos na
região de Vinho Verde apareceram no início do século
XX, com a lei aprovada em 1908, na qual mencionava a
zona de produção Vinho Verde pela primeira vez.
Porém apenas em 1926, data em que foi criada a
Comissão de
Viticultura da Região do Vinho Verde, os limites
geográficos da região foram definitivamente
estabelecidos.
Aspectos culturais, tipologias de vinhos, variedades
de uvas e tipos de condução do vinhedo, forçaram a
divisão da denominação em 6 sub-regiões: Monção,
Lima, Basto, Braga, Amarante e Penafiel.
A região é conhecida fundamentalmente pela produção
de vinhos brancos, chamados genericamente de Vinhos
Verdes, em referência à fase prematura em que as
uvas são colhidas e à cor da uva. Estes são
caracterizados pela cor amarela palha e verdeal, e
pelo seu frescor e aromas frutados e complexos. Os
mais cobiçados vinhos verdes brancos são elaborados
com 100% de uva Alvarinho. Outros vinhos brancos são
elaborados com castas igualmente de origem
portuguesa como o Loureiro e o Treixadura. Também
existem os vinhos produzidos com Arinto e Avesso.
Nos tintos, menos importantes, encontramos as uvas
Vinhão ou Espadeiro, são vinhos de muito corpo,
cores intensas e reflexos violeta.
Douro e Porto
O Douro é uma região cercada de montanhas das quais
nos seus declives crescem as melhores castas para a
elaboração dos mais finos Portos. A região tem
passado recentemente por um processo de modificação
pelo qual seus vinhos tintos secos, graças á
qualidade e longevidade, têm recebido reconhecimento
internacional. A D.O. Douro está relacionada a
vinhos tintos e secos e a D.O. Porto a vinhos
generosos e doces.
A região dispõe de uma grande tradição na cultura da
vinha, com origens nos tempos pré-românticos. No
século XVII aconteceu fato de grande importância
para a história dos vinhos da região. Os
comerciantes britânicos descobriram os grandes
vinhos do Douro, na sequência de contínuos
desentendimentos com a França, o que tornava
impossível o comércio contínuo de vinhos de Bordeaux
em 1703.
Pelo Tratado de Methuen, a Inglaterra diminuiu os
impostos para importação de vinhos portugueses e
favoreceu a D.O. Douro, em detrimento aos vinhos da
França e da Alemanha. Desde então a Grã-Bretanha
transformou-se no principal comércio de bebidas da
região.
Os vinhos do Douro não suportavam bem as viagens.
Para não desperdiçar a grande ocasião comercial que
tinha sido aberta, os produtores e os comerciantes
decidiram acrescentar álcool vínico aos vinhos
durante a fermentação, de modo que estes não se
deteriorassem no trajecto. Foi quando perceberam que
esta prática não somente preservava, mas conferia ao
vinho qualidades excelentes melhorando-o
significativamente e permitindo a realização de um
vinho único
no mundo.
O envelhecimento lento dos vinhos em pipas (barricas
de carvalho) nos húmidos e frios armazéns de Vila
Nove Gaia, do outro lado do rio em frente da cidade
de Porto, dava como resultado vinhos complexos e com
bouquet dificilmente igualáveis. São aqueles que
conhecemos hoje como vinho do Porto.
Essas qualidades magníficas dos portos vêm de
factores exclusivos, como o solo (xistoso), as
variedades de uva (muitas delas únicas no mundo) e o
clima (o vale do Douro, protegido da influência
marítima Atlântica pelo sistema montanhoso do Marão,
sofre de um clima continental extremo com verões
secos e Invernos muito rigorosos).
Os melhores vinhedos do Douro são situados em
terraços escavados pelo homem nas montanhas e que
são fruto de esforço milenar, assemelhando-se às
etapas das pirâmides. Os solos tão pobres chegam a
obrigar às vinhas a aprofundar as suas raízes mais
de 12 metros à procura de nutrientes, o que lhes
permite concentrar a mesma “essência” do terreno a
todas as uvas.
As principais variedades cultivadas no Douro são a
Touriga Nacional e Touriga Francesa (que conferem ao
vinho uma grande concentração fenólica). A Tinta
Roriz (a famosa Tempranillo espanhola), a Tinta
Barroca e Tinta Cão.
O processo escolhido para envelhecimento (em
madeiras ou garrafa) é o elemento chave para
classificar os vinhos do Porto. Existem, portanto
vários tipos de Porto: Primeiro, a categoria que
inclui os jovens (Ruby, Tawny e Branco). Estes são
portos de corte, resultando em vinhos equilibrados
em aromas e sabores e cujo engarrafamento acontece
três anos após a sua vinificação. A segunda
categoria é representada por vinhos com safra (Vintage
Character ou LBV), são vinhos cheios, ricos em
aromas, de cores intensas e envelhecem entre quatro
e 5 anos em pipas de carvalho. Seguindo a escala,
encontramos os velhos vinhos envelhecidos em madeira
(Old Tawnies), que passam entre 10 e 40 anos,
tomando uma cor âmbar escuro característico da qual
recebem o seu nome. Os portos de crosta (Crusted
Port), são resultado de uma mistura de safras
diferentes sem passar pelo processo de filtragem.
Finamente as categorias excelentes: de vinhedo único
(Single Quinta Port); vinhos produzidos com os
recursos de um só vinhedo de safra e engarrafados
dois anos após ter sido produzido e são refinados e
evoluídos em garrafa antes de sair ao mercado. Os
grandes portos (Vintage Port), que representam os
“tops” da região e passam dois anos em madeira antes
de ser engarrafado.
Bairrada
A região de Bairrada é situada sobre o eixo de 40 km
que formam as populações de Aveiro e de Coimbra a
noroeste de Portugal. Os limites naturais são, por
um lado, a costa e, por outro, as cadeias
montanhosas de Buçaco (nome que vem do latin "Box
Sacrum” ou floresta consagrada) e de Caramulo.
O solo é formado principalmente por “bairros"
(argila preta), de onde vem o nome da região. A
produção de vinhos em Bairrada cresceu na época dos
Romanos, tarefa que foi continuada, após a chegada
do cristianismo, pelos monges dos mosteiros de
Lorvão e Vacariça, atraídos pelas excelentes
condições naturais para a cultura da vinha na
região.
Durante o ano do 1137, o primeiro rei de Portugal,
Afonso Henriques, autorizou a plantação de grandes
extensões com vinhedos à cidade de Vilarinho,
promulgando que uma quarta parte da produção era-lhe
atribuída. Conforme a qualidade e a reputação dos
vinhos da Bairrada crescia durante a Idade Média,
outras instituições
religiosas como o Convento de Santa Cruz de Coimbra
e a Ordem dos Carmelitas Descalças (século XVII),
começaram a elaborar vinhos na região, o que
contribuiu para desenvolver mais ainda a fama e a
qualidade dos vinhos de Bairrada.
Desafortunadamente no fim do século XVIII, o
Primeiro Ministro Pombal, na época responsável pela
protecção dos vinhos da região do Porto, ordenou a
eliminação da maioria dos vinhedos da Bairrada,
temendo que seus vinhos pudessem fazer concorrência
com os do Douro ou para que não fosse utilizado nas
misturas dos verdadeiros vinhos do Porto.
A região tem sido reconhecida especificamente por
seus vinhos que começaram a ser exportados a partir
da cidade portuária de Figueira da Foz. Em 1887
nasceu a Escola Prática de Viticultura e Pomologia
da Bairrada presidida por Tavares da Silva, ao qual
é dado o título de pai da viticultura moderna da
Bairrada e pioneiro na introdução do método
champenoise para a elaboração de vinhos espumantes
em Portugal, em 1979. Atribui-lhe a condição de
denominação de origem qualificada, com
reconhecimento implícito à sua contribuição
histórica para a enologia portuguesa.
Em Bairrada localizam-se os municípios de Anadia,
Mealhada, Oliveira do Bairro, e parte de Águeda,
Aveiro, Cantanhede, Coimbra e Vagos. Os tintos da
D.O., que devem passar para um período de
envelhecimento nunca inferior aos 18 meses de acordo
com pareceres da Comissão Vinícola Bairrada, são
elaborados principalmente a partir das variedades
Baga, Bastardo, Camarate e Jaen. São caracterizados
pela sua cor intensa, seu carácter tânico e aromas
frutados e marcantes.
As variedades Arinto e Bical são as preferida para a
elaboração de brancos, os quais são caracterizados
pelos seus tons dourados, secos e aromas florais e
intensos. Quanto aos vinhos espumantes (os mais
famosos que todo o Portugal), devem permanecer nove
meses em adega antes de sair ao mercado. A maioria é
do tipo Bruto (Brut) e é caracterizado pelos seus
aromas florais e elaborada tanto com uvas brancas
como tintas.
Alentejo
A região do Alentejo é situada numa extensa área
dominada por planícies a sudeste de Portugal
abrangendo as cidades de Évora e Beja. A economia se
baseia em criação de gado, agricultura e a indústria
da madeira. Os produtos típicos desta região são o
trigo, os girassóis, frutos, vegetais, azeitonas,
vinhos, cortiça, eucaliptos, cordeiro, porco,
cabrito, minerais, granito, xisto e mármore.
Topograficamente a região possui importantes
variações, do Sul do Alentejo até às elevadas zonas
do nordeste, que fazem fronteira com a Espanha. Na
maioria de origem vulcânica cujo solo é composto de
granito, quartzo e xisto vermelho. No diz respeito a
vinhos, no Alentejo predominam pequenos vinhateiros
com produção não superior as 250 caixas, embora
encontremos também grandes produtores cujos números
podem atingir as 250.000 caixas ao ano.
A origem da produção de vinhos vem da época dos
romanos e ainda se encontram vinhos cujas uvas são
pisadas e depois fermentam e envelhecem em ânforas
de barro, seguindo a tradição ancestral.
No fim do século XIX a phylloxéra atingiu as vinhas
desta região e muito dos produtores tiveram seus
plantios destruídos. Após a crise, o sector de
vinhos do Alentejo teve que esperar até aos anos 50
para a recuperação da produção e do prestígio
perdido. O clima da região é de tipo
íbero-mediterrâneo, ou seja, é principalmente
mediterrânico, mas com certas notas continentais:
verões quentes, variações de humidade, altas
temperaturas e aproximadamente 3.000 horas do sol
por ano. Quanto às chuvas são frequentes durante os
meses de Inverno, e se mantém entre 550-600 mm por
ano.
O Alentejo é composto de oito sub-regiões:
Portalegre (DOC), Borba (DOC), Redondo (DOC),
Reguengos (DOC), Vidigueira (DOC), Évora (IPR),
Granja-Amareleja (IPR) e Moura (IPR). A maioria
delas é conhecida por seus de vinhos tintos, que
podemos descrever como vinhos encorpados e
complexos, com notas de frutos maduros quando
jovens, mas complexos e elegantes quando
envelhecidos.
Muitas são as variedades de uvas tintas, entre as
quais predominam a Aragonês (Tinta Roriz ou
Tempranillo, como é conhecida na Espanha),
Trincadeira (Tinta amarela), Periquita (Castelão
Francês) e Alfrocheiro Preto.
A produção de brancos, apesar de não serem muito
importante, ganhou complexidade e riqueza nos
últimos tempos, baseando-se a uva síria Roupeiro, a
melhor variedade branca da região do Alentejo
Ribatejo
A região de Ribatejo situada no centro-sul de
Portugal é estendida ao longo do curso do rio Tejo.
Seus limites encontram-se a leste, no estuário de
Lisboa, e subindo o curso do rio, ao norte, nas
cidades Tomar e Abrantes onde Santarém é o centro
demográfico mais influente da região.
A produção de vinho na região antecede a criação do
Estado português. Monarcas como D. Afonso Henriques,
Sancho II e D. João II, informados da qualidade de
seus “caldos” protegeram-no através de leis que
reconheciam os seus numerosos atributos. Muito
recentemente, em Março de 2000, criou-se a DOC,
abandonando desta maneira a venda anónima dos vinhos
a outras regiões produtoras que tomavam-no como
matéria prima para a sua produção.
Os climas e os solos têm como característica mais
significativa a variabilidade dados a vasta extensão
do terreno que ocupa a denominação, 36.000 hectares.
Podemos encontrar solos aluviais em zonas próximas
ao rio, calcários em zonas mais elevadas como as
montanhas ao norte ou os solos arenosos ao sul, de
terras que influenciam de maneira substancial as
características dos vinhos do Ribatejo. Os vinhos do
norte caracterizam-se como vinhos muito encorpados,
típico do clima continental predominante. Os mais
suaves e elegantes vêm dos climas semi - atlântico
ao Sul. Um bom reflexo da diversidade é as seis
sub-regiões que dividem a DOC do Ribatejo.
Vamos analisar resumidamente estas seis sub-regiões
de acordo com a ordem de importância. Almeirim é a
mais famosa, seguido de Santarém ambas com
características muito semelhantes quanto à
composição do solo e resultado dos vinhos
produzidos. Encontramos nestas regiões dois relevos
diferenciados, o baixo caracterizado pelo solo
fértil e muito húmido por estar próximo das margens
do rio Tejo, e o alto, de solo arenoso com grande
capacidade de drenagem. O vinho tinto é suave e
abundante em taninos, de cores avermelhadas
intensas, encorpados e de boa estrutura.
Os brancos dispõem também de boa estrutura e aromas
frutados intensos, sendo recomendado seu consumo num
curto espaço de tempo.
Cartaxo dispõe também duas tipologias diferentes nos
seus vinhedos. A primeira, nas regiões baixas
próximas ao rio e a segunda, situada mais alta a
aproximadamente 200 metros, onde os solos são do
tipo argiloso-calcário. Os vinhos da primeira região
são frutados mais robustos e de cor vermelha rubi.
As terras mais elevadas produzem em contrapartida,
um vinho agradável de cores mais intensas e grande
suavidade.
Chamusca também é dividida em dois tipos de solo, um
de relevo baixo onde recebe as águas do rio Tejo e
outro alto mais arenoso e, portanto de boa drenagem.
São vinhos de bom equilíbrio entre acidez e
maciez.
Coruche é localizado exclusivamente nas inclinações
do rio Tejo, caracterizada pelo seu elevado grau de
humidade, que resulta em vinhos frescos com
tonalidades vermelho granada.
Finalmente Tomar, uma região de tintos encorpados e
de certa acide, e brancos verdeais e frutados.
As variedades nativas utilizadas na produção de
vinhos brancos são Arinto, Fernão Pires e Talia
(variação portuguesa de Ugni Blanc), enquanto que
para os tintos são Baga, Camarate, Trincadeira e
Castelão Francês (também conhecida pelo nome de
Santarém ou Periquita). Este último grupo de
variedades deve abranger 80% da composição dos
vinhos tintos. Uma casta recentemente introduzida e
que dá resultados magníficos é Cabernet Sauvignon,
dando como resultado excelentes vinhos de guarda.
Durante os últimos anos percebemos uma evolução na
qualidade dos vinhos tintos numa grande parte dada a
iniciativas como esta. Os brancos não terminaram de
dar este salto de qualidade, embora frescos
faltam-lhe complexidade e corpo.
Dão
A região vinícola de Dão é situada no centro-norte
de Portugal na região de Beira Alta, cuja principal
cidade é a monumental e bela Viseu. A região leva o
nome do rio que a banha, que nasce nas terras altas
ao norte, não distante do rio Douro, mas da
influência Atlântica.
A produção de vinho na região vem da época dos
romanos embora tenha sido restringida ao consumo
familiar e regional. Esta situação persistiu até
1950, ano em que na ditadura do General Salazar
nasceram as cooperativas locais que permitiriam
atingir economias de escala, racionalizar e
modernizar a produção. Os entrepostos privados, que
não tinham o direito a cultivar vinhedo próprio nem
exportar directamente, foram obrigados a comprar
vinhos a granel das cooperativas. Desde 1986, ano em
que as adegas privadas obtiveram o direito de
cultivar uva em suas terras, além da livre
exportação houve uma grande melhora em suas
instalações e produção.
Em 1990 de Dão foi reconhecida como DOC,
supervisionado por um Conselho Regulador.
Actualmente, a denominação é composta de um número
reduzido de asas, com vinhedos próprios cujos vinhos
tintos são encontrados entre os mais importantes
produzidos em todo o Portugal.
É esta uma região montanhosa, formada por colinas de
natureza granítica. Cercada pela Serra da Estrela ao
norte, as montanhas de Caramulo ao sul e pela Serra
de Buçaco no flanco ocidental (protegendo-o da
influência Atlântica); goza de um clima continental
moderado, caracterizado por verões secos e quentes e
Invernos nos quais não falta água. O ambiente
natural da região recorda a Provence (França), com
volumosas florestas de pinheiros alternando com
vinhedos situados sobre dunas arenosas
gigantescas.
Mais de dois terços dos vinhos produzidos em Dão são
tintos e são originários de nove castas diferentes,
elaborados a partir de qualquer combinação entre
elas. As uvas tintas mais significativas são:
Touriga Nacional, Tinta Roriz (o Tempranillo
espanhol), Tinta Pinheira, Alfrocheiro Preto e Jaen.
A Touriga Nacional é considerada a mais nobre da
região e deve participar proporcionalmente de não
menos do que 20% nos cortes de todos os vinhos
tintos produzidos na região.
A variedade branca Encruzado é a dominante na
denominação, geralmente misturada com outras como o
Assario Branco ou Borrado das Moscas.
Os tintos do Dão são vinhos secos, concentrados,
tânicos, complexos e com um grande potencial de
envelhecimento. Quanto aos brancos: são vivos,
florais e muito aromáticos.
Setúbal
A D.O. Setúbal, criada em 1907, é do uma das mais
antigas e destacadas regiões vinícolas portuguesas.
É a denominação mais importante no vasto sector
vinícola de Terras do Sado. Este último se estende
ao redor do porto de pesca de Setúbal, na península
onde se encontra a foz dos rios Tejo e Sado.
A sudeste de Lisboa, o clima é moderado do tipo
marítimo, ideal para a viticultura. A região abrange
a comuna de Setúbal e uma parte de Sesimbra e de
Palmela. A área demarcada é caracterizada unicamente
pela elaboração de vinhos doces, principalmente a
partir de duas variedades de moscatel: Moscatel
Romano ou da Alexandria (para brancos) e, em menor
escala, Moscatel Roxo (para tintos).
Existem em Setúbal duas zonas de produção: as
montanhas de Arrábida (com predominância de solos
argilosos e calcários) e a planície adjacente, que
recebe ventos quentes do Sul.
As variedades de moscatel foram introduzidas
primeiro pelos fenícios a mais de dois mil anos.
Romanos, árabes e visigodos continuaram a evolução
da viticultura em 1381 Portugal já exportava vinhos
de Setúbal para a Inglaterra, posicionando-se como
um
dos preferidos do monarca britânico Ricardo II. Os
reis portugueses sempre mencionavam o vinho nos
documentos que emitiam sobre a região, que serviam
como regulamento e protecção da economia local. A
importância desse pode ser percebida nitidamente nos
número de exportação que foram registrados ao longo
da história e com destaque no século XV, quando o
sal e o vinho de Setúbal eram à base das exportações
locais. Em 1675, a Inglaterra chegou a importar mais
de 350 tonéis de Moscatel de Setúbal. Sendo
afectado, como muitas outras zonas elaboradoras de
vinhos generosos, pelas modificações nas
preferências dos consumidores durante os três
primeiros quartos do século XX.
A variedade Moscatel Romano é a rainha entre as
cultivada em Setúbal. Crescendo num ambiente
particularmente pacífico, produz um néctar doçura e
bouquet únicos. O Moscatel Roxo, exclusivo da região
e escasso, dá lugar a vinhos muito fracos, mais
secos e mais complexos que aqueles elaborados a
partir da branca Moscatel da Alexandria.
Os regulamentos locais permitem o uso de outras
variedades diferentes dos Moscateis (por exemplo,
Tamarez, Arinto, João Pires, Malvasía ou Boais)
utilizados como complemento com o objectivo de
aumentar os níveis naturais de acidez. Uma maceração
prolongada com as cascas da moscatel contribui na
formação do aroma penetrante e o carácter
concentrado dos moscatéis de Setúbal. No entanto,
para utilizar a denominação tradicional "Moscatel
Setúbal” ou de “Moscatel Roxo” no rótulo, os vinhos
têm necessidade, por lei, de ser composto no mínimo
de 85% de alguma das duas variedades de moscatel
mencionadas.
Se a diferenciação básica dos vinhos de Setúbal for
estabelecida de acordo com a variedade de moscatel
utilizada (branco ou tinto), existe uma outra
classificação levando em conta o envelhecimento em
carvalho: em primeiro os vinhos com envelhecimento
de 5 a 10 anos, em segundo os de vinte 20 anos e, os
mais exclusivos, permanecem 50 anos envelhecendo e
levam a menção mais especial sobre rótulo de
“Setúbal Apoteca”. Os vinhos permanecem em contacto
com as cascas das uvas durante vários meses após a
fermentação e são adicionados de aguardente fina até
a atingir aos dezoito graus de álcool, mesmo que
legalmente o grau mínimo permitido pelo conselho
seja 16,5. Os vinhos mais jovens são colocados em
garrafas após ter permanecido aproximadamente cinco
anos em madeira e apresentam cor alaranjada com
tonalidade ocre e nuances de especiarias com notas
típicas da uva moscatel. Já os com 20 anos em
madeira ganham cor, profundidade e intensidade,
aromas característicos de laranja, de amêndoas e de
flores selvagens.
Madeira
Ilha de origem vulcânica, pertencente a Portugal,
situado a 750 km a oeste de Casablanca. Foi
descoberto no século XV por um conde português D.
Henrique – o navegador, que na sua rota de
reconhecimento pela costa africana desviou-se,
chegando à ilha. Chegando lá, se deparou com um
território desabitado com vegetação abundante
formando florestas e bosques. Os novos habitantes
dispuseram-se a alterar a paisagem da ilha, isso por
terem provocado uma série de incêndios, dos quais
diz-se que chegaram a se estender durante sete anos
aproximadamente.
Como resultado temos um solo rico em nitrogénio,
composto também dos materiais vulcânicos
(originários da ilha), basalto cinzento da cinza que
resulta do fogo, bem como por compostos calcários.
As montanhas, cercadas de nuvens permanentes,
atingem níveis próximos aos dois mil metros e regam
as terras baixas com água que reflecte através de
uma série de canais construídos no século XVI. A
estes deram nome de “levadas”. As vinhas originárias
de Madeira foram levadas pelos marinheiros
portugueses em suas viagens plantando-as nas novas
colónias.
O império britânico foi de grande importância na
divulgação do vinho desta região, dado que
propagaram a sua fama. O vinho atingiu uma grande
importância nas ilhas britânicas. Conta a história
que o Duque Clarence, prisioneiro na Torre de
Londres e condenado a morte, escolheu como dar fim á
sua vida afogando-se em um tonel de vinho de
Madeira.
Pela localização geográfica, a ilha conta com um
clima benigno para a parreira, sem temperaturas
extremas no Inverno ou verão e com reservas de água
subterrânea que é calculada próxima de 200 milhões
de litros. Dado o seu relevo montanhoso na maioria
dos casos utilizam-se vinhedos dispostos em “terrazas”,
embora outros, as vinhas ocupassem pequenos terrenos
compartilhados com um outro tipo de cultura como,
por exemplo, bananas. Na região da Madeira há ainda
muitos vinhedos que são plantados em pérgolas. Este
sistema permite a planta continuar a crescer e evita
possíveis de infecções à planta.
Quanto ao Método de produção, não é muito comum em
outras regiões do mundo. Assim como o Porto e Xerez,
o método ter origem na intenção do homem de
transportar o vinho a longas distâncias sem que haja
depreciação, antes disso produziam-se muitos jovens
vinhos de Madeira que terminavam por se transformar
em vinagre.
Outra uma importante particularidade do processo de
elaboração dos vinhos de Madeira é ser estufado em
barricas, que consiste num aquecimento através de
fornalhas tendo como resultado um duplo efeito: por
um lado preserva-se melhor o vinho e, por outro,
atribui-lhe um aroma grelhado específico como
resultado da caramelização do açúcar.
Os vinhos da Madeira variam de acordo com o mercado
ao qual se destinam e à gama de preços. A maioria é
identificada por uma série de nomes, em muitos casos
semelhantes, que fazem uma alusão à variedade de uva
que domina no vinho. De modo que um vinho possa
esclarecer o nome de uva cujo é composto a lei
estabelece que esta mesma uva corresponda pelo menos
85% da composição. Os vinhos mais importantes da
Madeira são:
Sercial: vinho seco fortificado após a sua
fermentação, da mesma maneira que o Xerez;
Verdelho: ligeiramente menos seco e fortificado;
Terrantez: vinho ligeiramente doce e fortificado
após a fermentação;
Bual: vinho semidoce, fortificado durante a
fermentação, como no caso do vinho do Porto;
Malmsey ou Malvasía: vinho doce ao estilo do Porto.
Levando em conta a idade dos vinhos, identificamos
quatro classificações:
Colheita: vinho de um só vinhedo elaborado a partir
de apenas uma variedade de uva. Envelhecido um
período mínimo de 20 anos em barricas de carvalho;
Reserva Extra: composta de algumas das uvas
anteriormente citadas, mas nunca inferior a 85% do
corte. Deve permanecer em carvalho pelo menos 15
anos; e garrafa no mínimo 10 anos;
Reserva: vinho com mínimo de cinco anos em madeira e
garrafa.
O vinho em Portugal
http://www.ivv.min-agricultura.pt
O vinho ocupa nas necessidades do Homem um
lugar de destaque, por ser a única bebida que, na
civilização greco-latina, transporta em si um valor
cultural.
Mesmo antes do cristianismo, ele representava mais
do que um símbolo. Os escritores, os poetas gregos,
helenísticos, latinos e, até, turcos, cantaram o
vinho não só como fonte de satisfação material como,
também, meio de excitar o espírito, de desenvolver o
pensamento e, até, de favorecer a criação de
sentimentos estéticos e morais.
O vinho foi sempre considerado como a mais nobre
bebida, a primeira que se oferece a um convidado e a
que melhor permite apreciar o talento do produtor.
Não é de estranhar, portanto, que toda a vida rural
tenha sido tão fortemente marcada por ele.
Não só as ferramentas e o material necessário para a
viticultura são de uma riqueza extraordinária como,
também, as aldeias, as casas e até a própria
paisagem são moldadas pelo cultivo da vinha. A
maneira de viver, os costumes e a mentalidade são
particularmente marcados, pelo que é possível
dizer-se que existe uma cultura ligada ao vinho.
O amor à arte e o amor ao vinho têm-se confundido ao
longo da história das civilizações. A riqueza dos
espólios existentes em museus e colecções
particulares atesta em numerosos países que, em
todas as épocas, os artistas puseram o seu talento
ao serviço da vinha e do vinho, tanto na pintura,
como na escultura, gravura, tapeçaria, miniaturas,
iluminuras, ourivesaria, vitral, vidraria, cerâmica,
etc.
Portugal tem uma cultura que se preza de possuir uma
herança patrimonial muito rica, ligada à vinha e ao
vinho e que remonta a uma época muito anterior à
fundação da Nacionalidade, tornando-se necessário a
sua preservação. É esse o papel dos Museus do Vinho.
Eles representam os instrumentos indispensáveis para
a compreensão da função civilizadora da vinha e do
vinho.
O Instituto da Vinha e do Vinho está a desenvolver
um projecto que visa a recuperação, preservação e
disponibilização ao público do enorme espólio que
possui, herdado da Junta Nacional do Vinho. Este
projecto contempla também a reorganização e
dinamização do Museu Nacional do Vinho, em Alcobaça.
Para além deste museu, existem em Portugal outros,
também ligados e esta temática.
Castas de uvas – (Trabalho de Luís Gregório
– Mª Grande)
Especial para o Portal CEN - "Cá Estamos Nós"
Castas Tintas Portuguesas
Aragonês, Tinta Roriz
É uma das castas tradicionais de Portugal de maior
qualidade, razão pela qual se tem assistido nos
últimos anos a um aumento significativo da sua área
de plantação. É cultivada principalmente nas regiões
do Douro, Dão e Alentejo. Em Espanha, onde é
conhecida por Tempranillo, muitas são as regiões
vinhateiras onde é a casta nobre por excelência. As
suas características parecem estar fortemente
dependentes do rendimento. Quando produz muito os
vinhos podem ser abertos de cor com sabores lenhosos
e herbáceos, enquanto que com produções baixas pode
originar vinhos ricos de cor, aromas intensos com
notas de framboesa e especiarias, muito encorpados e
com grande longevidade. Por vezes tem uma acidez
baixa sendo necessário lotá-lo com outras mais
ácidas ou corrigindo a sua acidez. São vinhos que se
destacam mais pela elegância e distinção do que pela
concentração e poder. Suporta bem e pode melhorar
com o estágio em barricas de carvalho. Esta casta é
ainda muito importante na produção do vinho do
Porto.
Tinta Miúda
A casta Tinta Miúda foi uma das mais importantes nos
encepamentos da Estremadura e em algumas regiões
espanholas, como a Rioja, onde é conhecida por
Graciano. A sua baixa produção contribuiu para o
desencanto dos viticultores que a foram substituindo
por castas mais produtivas. As sua boas qualidades
enológicas têm incentivado a recuperação desta casta
quer em Portugal quer em Espanha. Os vinhos a partir
dela produzidos possuem um aroma intenso e delicado,
habitualmente ricos em taninos e em extracto
contribuindo assim para uma boa evolução em garrafa
e, também, para uma certa longevidade.
Touriga Nacional
Esta casta é sem dúvida a mais badalada actualmente
na enologia portuguesa. A área destinada á Touriga
Nacional tem crescido de uma forma impressionante
nos últimos dez anos. A razão desta "Tourigomania" é
a qualidade dos vinhos a que dá origem. Carregados
de cor, com aroma característico a caruma de
pinheiro, a flores silvestres, como a esteva, e
frutos silvestres, como as amoras, mirtilos e
groselha. Com uma concentração notável em extracto e
taninos, são vinhos que impressionam mesmo os
apreciadores mais distraídos. Esta casta é
tradicional das regiões do Dão e do Douro, sendo
nesta última importante ingrediente dos vinhos do
Porto. Na Austrália e Califórnia podemos também
encontrar vinhas de Touriga Nacional destinadas,
especialmente, á produção de vinhos licorosos. O
estágio dos vinhos em barricas novas de carvalho é
especialmente indicado para este tipo de vinhos,
tornando-os mais macios e equilibrados, mantendo um
elevado potencial de envelhecimento.
Trincadeira Preta
A casta Trincadeira Preta está distribuída por
praticamente todo o país, sendo talvez a mais
difundida em Portugal. No entanto é no sul que estão
os vinhos desta casta que mais se têm distinguido
nos últimos anos. É normalmente uma casta de
produções generosas. No Douro é conhecida por Tinta
Amarela, entrando na composição do vinho do Porto.
Esta casta origina vinhos carregados na cor, com um
aroma frutado associado a um toque herbáceo
característico, que se acentua significativamente no
sabor. São vinhos com bom corpo e muito boa
estrutura tanínica. Com o estágio o vinho torna-se
macio e aveludado. Envelhece bem em madeira de
carvalho.
Castas Tintas Internacionais:
Cabernet Sauvignon
Esta é a casta mais espantosa do mundo vitícola pela
capacidade de adaptação a uma grande variedade de
climas e solos, mas sobretudo pela qualidade
superior dos vinhos que origina na maior parte das
regiões vitícolas. Tornou-se, sem dúvida, o grande
símbolo dos vinhos tintos, principalmente se
tivermos em conta que as regiões mais famosas de
Bordéus, como Médoc e Graves, tem na casta Cabernet
Sauvignon o principal ingrediente dos seus melhores
vinhos. Nestas regiões o Cabernet Sauvignon é,
normalmente lotado com Merlot, Cabernet Franc e por
vezes Petit Verdot em percentagens variáveis
consoante o estilo de cada empresa. Alguns
apreciadores consideram que os vinhos que se propõem
ser "grandes vinhos" devem ter, sempre, Cabernet
Sauvignon. A sua elevada concentração em cor e
taninos contribui de forma fundamental para a
estrutura e longevidade dos vinhos que origina. Os
seus aromas lembram o cedro, groselha e especiarias,
em especial a pimenta preta. Os vinhos desta casta
têm grande aptidão para o estágio em barricas novas
de carvalho, que confere ao aroma um toque
abaunilhado, para além de amaciar os taninos mais
irreverentes, tornando o vinho mais aveludado.
Merlot
A elegância e distinção da casta Merlot fazem dela
uma das mais famosas do Mundo. Embora seja uma casta
que origina principalmente vinhos de lote, entra em
95% na composição de um dos vinhos mais caros do
mundo, o Château Pétrus da região de Pomerol
(Bordéus). Á semelhança da casta Cabernet Sauvignon,
a Merlot tem também uma boa capacidade de adaptação
a diferentes condições edafo-climáticas estando
difundida por várias regiões do globo. A sua
estrutura mais delicada não permite que, como vinho
elementar, tenha a longevidade dos vinhos de
Cabernet Sauvignon, apesar da grande complexidade
que podem atingir com o envelhecimento em garrafa. O
aroma é normalmente caracterizado por possuir notas
de cereja e groselha podendo, ainda, lembrar o café
torrado.
Castas Brancas Portuguesas:
Alvarinho
É o símbolo da forte união que existe entre o Minho
e a Galiza. Do lado de cá chamam-lhe portuguesa, do
lado de lá chamam-lhe galega. Provavelmente é
luso-galaica. É considerada a raínha das castas do
Vinho Verde, embora os grandes vinhos a que dá
origem sejam, basicamente, maduros. É a única casta
autorizada na produção de Vinho Verde varietal. A
forte personalidade que imprime aos vinhos, com
notas de frutos cítricos onde predominam a laranja,
torna-os muito apreciados quando jovens. Mas vale a
pena experimentar os Alvarinhos com vários anos! A
boa acidez que apresentam associada ao alto teor de
álcool, permite-lhes evoluir muito bem em garrafa,
ganhando grande complexidade e prolongamento na
boca.
Antão Vaz
A casta Antão Vaz é tradicional nos vinhos brancos
do Alentejo. Os vinhos produzidos com base nesta
casta apresentam boa estrutura mas carecem
frequentemente de alguma frescura. Esta é a razão
pela qual está, em muitos casos, associada à casta
Arinto que contribui com uma acidez mais elevada.
Esta associação é a base de alguns dos melhores
vinhos brancos do Alentejo. Os vinhos elementares de
Antão Vaz têm habitualmente um aroma exuberante,
fino e persistente, característico da casta. São
vinhos com elevado teor alcoólico e encorpados.
Arinto
O Arinto é o símbolo da região de Bucelas, sendo a
casta dominante dos vinhos desta região. Os famosos
vinhos brancos velhos de Bucelas devem a sua
longevidade a esta casta. A sua elevada acidez fez
dela uma casta melhoradora em muitas outras regiões
do País, em especial no Alentejo e Ribatejo onde os
vinhos carecem, por vezes de alguma frescura. É
ainda uma casta importante nos Vinhos Verdes (onde é
conhecida como Pedernã), Douro (designada Pedernão),
e Ribatejo, sendo considerada por muitos como das
nossas melhores castas brancas. Mesmo em zonas
quentes como o Alentejo, o vinho estreme de Arinto
mostra-se acídulo e com frescura. Embora tenha uma
acidez elevada tem um sabor delicado e um aroma
floral. Á semelhança de algumas castas brancas
internacionais, produz bons resultados quando
fermentada em barricas de carvalho. Com a evolução
em garrafa desenvolve notas citrinas e resinosas,
que deram fama aos brancos velhos de Bucelas.
Bical
Bical ou Borrado das Moscas é uma casta branca
cultivada principalmente nas regiões da Bairrada e
do Dão. Esta casta é temporã e generosa a produzir,
sendo, por isso, muito apreciada pelos viticultores.
Apesar de não ser muito aromática, tem aromas
frutados muito finos e elegantes, que, quando são
respeitados os preceitos da boa vinificação,
originam vinhos muito agradáveis e distintos.
Encruzado
É considerada por muitos enólogos a casta branca
mais nobre do Dão e uma das mais notáveis castas
portuguesas. A casta Encruzado, ao contrário da
maioria das castas brancas, origina vinhos que
evidenciam as suas melhores qualidades só ao fim de
algum tempo de estágio. São normalmente vinhos com
teor alcoólico elevado, possuidores de grande
longevidade, mantendo uma frescura e equilíbrio
notáveis, evoluindo para uma complexidade aromática
muito interessante. São normalmente marcados por
aromas que lembram o pimentão verde, podendo
notar-se com a evolução aromas a frutos secos,
compotas e um toque resinoso. Esta casta é por vezes
fermentada em barricas de carvalho, acentuando esta
mesma complexidade com notas abaunilhadas.
Sercial
O Sercial do Dão é diferente do da Madeira e,
pensa-se, diferente daquele produzido no Douro e
Bairrada. Por isso, quando se fala em Sercial é mais
legítimo pensar numa família de castas com um grau
de parentesco elevado. É uma casta que produz
generosamente apesar de ser tardia. Esta
característica confere aos vinhos uma acidez
significativa, tornando-a uma casta melhoradora nos
lotes em que abundam as uvas excessivamente maduras.
Castas Brancas Internacionais:
Chardonnay
Chardonnay é uma palavra mágica no mundo dos vinhos
brancos. Há tantos, e tão bons brancos feitos com
esta casta, que para muitos entusiastas não vale a
pena pensar noutras. A personalidade que imprime aos
vinhos - reconhecida por qualquer enófilo mesmo
principiante - associada a uma boa produtividade e a
um grande poder de adaptação às condições
climatéricas mais adversas, justificam o seu sucesso
em todo o Mundo. O seu estilo elegante atinge a
máxima expressão nos famosos Chablis e Montrachet e
alguns Champanhes, não obstante a excelência que
americanos, australianos, chilenos e, mesmo,
portugueses, conseguiram com esta casta. Os aromas
dos vinhos de Chardonnay lembram frequentemente
maçã, melão e figo, ou ainda mel, uva ou pêssego,
conforme sejam vinhos provenientes de zonas mais
frias ou de zonas mais quentes.
Riesling
O que lhe falta em tamanho do cacho e do bago
sobra-lhe em grandeza aromática e elegância. È,
muito justamente, uma das grandes castas do Mundo,
que os alemães e os franceses da Alsácia souberam
elevar à máxima expressão. O seu aroma é normalmente
caracterizado por notas florais, minerais e de mel.
Deliciosos em jovens, estes vinhos podem ainda
melhorar ao longo de vários anos devido a uma acidez
e extracto elevados, ganhando grande complexidade.
Sauvignon Blanc
É uma casta inconfundível, onde a intensidade
aromática, com notas minerais e vegetais, é do
agrado de muitos consumidores. Porém, muitos outros
acham-na enjoativa devido ao excesso de perfume que
os seus vinhos exalam. Os vinhos do vale do Loire,
nomeadamente Poully Fumé e o Sancerre são os mais
famosos, aproximando-se, por vezes, do sublime.
Actualmente considera-se que na Nova Zelândia se
produzem brancos desta casta ao nível dos melhores
do Mundo, devido ao seu carácter vegetal - espargos
verdes - que confere grande elegância e equilíbrio.
Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro -
Marinha Grande - Portugal


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