Ano III - Abril - 2010

Participação de Diversos Autores

do Portal CEN

 

 


 
 
Sonho

Ana Maria Nascimento

Mote:

Enquanto estrelas no céu
cintilarem para mim
verei teu rosto num véu,
de um sonho que não tem fim.

(Hilma Montenegro)
 
Enquanto estrelas no céu
formarem constelação
não haverá escarcéu
guardado em meu coração.
 
Se teus olhos, neste espaço,
cintilarem para mim
libertar-me-ei do embaraço
que todo ser tem enfim.
 
Ainda que eu fique ao léu
quando tu fores embora
verei teu rosto num véu,
qual fora uma linda aurora.
 
Um apego de verdade...
não sei se é bem assim,
mas abraço a realidade
de um sonho que não tem fim.
 

 

 


OLHAR


Aparecido Donizetti Hernandez


Quando olho para o céu durante o dia vejo nuvens,
Nuvens que vão mudando de formas,
Todas as formas lembra os contornos de seu corpo nu.

Olho para as árvores que margeiam os rios,
Balançam suavemente suas folhas,
Balanço que lembra seu suave caminhar.

A noite cai...
Olho para o céu... vejo as estrelas cintilantes
Que lembram sua comprida saia rodada,
Que usas em nossas festas.

Vejo a Lua Cheia...
Me lembra o brilho de seus grandes olhos a me fitar.
Vem novamente o crepúsculo,
E o refletir dos raios do Sol nas nuvens,
Faz lembrar meus olhos que choram por ti
E por ti choram.

 
 
 
 
 
 
MEU NOVO AMOR

Carmo Vasconcelos


Chegas-me de surpresa neste Inverno!
Como me adivinhaste assim tão só,
Mordendo da saudade o amargo pó,
Roçando o cio nas grades deste  inferno?
 
Quem te mandou?... Demónio ou zelo de anjos?...
Trazes dos deuses, néctar nos teus beijos,
No mel da voz, hipnóticos arpejos,
Mescla de harpas e cítaras com  banjos!
 
Mas... não sei se te quero ou mando embora,
Se me entrelaço ao róseo desta aurora
Ou se me solto às sombras do poente...
 
Somar bisado arco-íris na memória,
Dos tais que chuva intrusa rouba a glória?...
- Não sei, meu novo amor, sinceramente!
 
***
Lisboa/Portugal
8/Fevº/2010
http://carmovasconcelos.spaces.live.com

 

 

 

 

SENTIMENTO INEVITÁVEL

Cibele Carvalho


Sentimento inevitável
que me arrasta pros teus braços,
que arranca meus pedaços,
por uma palavra tua.
Sentimento que me salva
mas também que me condena
a cumprir a doce pena
da prisão dos teus abraços.
As algemas são teus beijos,
teu corpo é meu carcereiro
 - mas, também és prisioneiro.
E nós dois nos condenamos
a sucumbir, por inteiro,
aos encantos e delícias
deste amor tão verdadeiro.

RJ, 12/04/10

 

 

 

 
A Lágrima
 
Cida Micossi 

 
A lágrima foi sempre mui presente
Em minha vida desde muito cedo.
Tão logo me tornei adolescente
Muito chorei: tristeza, dor e medo!
 
Perdi parentes, lamentei amores,
Sofri também bastantes dissabores
E a lágrima sempre companheira
Banha-me o rosto pela vida inteira.
 
Hoje madura, sinto-me feliz
Não poucas vezes vem alguém, me diz
Que uma luz, tenho a me iluminar
 
Ouço, sorrio, olho para um canto
A lágrima - emoção, teima em rolar
Junto co’a luz, tenho na face o pranto.


Santos/SP

 

 

 

Desejo

Edson Gonçalves Ferreira


Desejo
que a paz seja natural como o curso de um rio de água límpida

com toda a capacidade de saciar...

Desejo
que os pais voltem a ser como eram os nossos pais,
mesmo não sendo tão perfeitos, mas divinamente humanos e exigentes
e capazes de dizer eu te amo sem palavras...
Desejo
que os homens voltem a ter aquela boa vontade cantada pelos anjos
quando o mais Homem dentre os homens nasceu
e, esquecendo-se, se consagrou na Cruz por nos amar demais...
E, finalmente, desejo
que Deus tenha misericórdia de nós, vivos
e nos presenteie com uma passagem bem nobre por esta e para aquela vida.
Na verdade, estamos com o pé na estrada,
mas o tamanho da jornada é  incomensurável.

 

 

 

LEGITIMIDADE
 
Eliane Arruda -CE


         As mãos que se movimentam, com agilidade, sobre a indiferença de uma folha branca de papel, escrevem para quem? Uma determinada faixa etária, uma classe social, pessoas de uma localidade, ou mesmo, para si? Conforme a nossa ótica, o lídimo escritor, consciente ou inconscientemente, produz o seu texto imbuído de conotações bem amplas, ou seja, procurando despertar um interesse mais universal.
         Alguns se expressam, com certa  facilidade, todavia utilizando, de forma exagerada, a  função emotiva da linguagem, por isso haja palavras e expressões carregadas de emoções sentidas e teor confessional, ficando, em alta, os pronomes de primeira pessoa: eu, meu, minha... Nada há de mal que uma pessoa se comunique fazendo uso dessa função, o mal existe, no entanto, no seu abuso.
         Já outros escritores e até artistas musicais limitam bastante o seu público, ou seja, voltando-se, unicamente, para uma determinada faixa etária, ainda por cima, havendo  a mesmice com relação ao repertório. Sabemos que, em quase tudo, há as exceções, por isso perguntamos: será que os artistas, conquistadores da imortalidade, assim agiam?
         Não é fácil opinar sobre um assunto dessa natureza, dizer o que é positivo ou não, acreditamos, todavia, que para uma obra circular, em vários países, carrega em si algo que ultrapasse os senões do intelecto, rompendo com as diferenças... Que de fato leva uma obra a ter ressonância em vários países, inclusive após o falecimento do seu autor? Não sei! Talvez caiba ao escritor analisar o que se identifique com os interesses do homem universal!
         Hoje, quando tudo já foi explorado amplamente, até copiado dos autores clássicos,  que mais poderá contribuir para que um artista ou pretenso artista da palavra pise o difícil caminho da imortalidade?
         Quem lê muito, estuda as exigências da sua língua, exercita-se na produção textual, acaba se comunicando, com certa facilidade, mas será que isso configura um escritor, no verdadeiro sentido da palavra? Não podemos, de forma nenhuma, confundir os termos autor e escriba com escritor. Talvez o último seja bem mais apelativo, ou seja, desperte, encante, fascine quem folheia o seu livro.
         Atualmente, as palavras “mídia, marketing e patrocínio” estão em alta. Daí não se poder embarcar muito no que existe para projetar alguém, sendo o mais certo aguardar a passagem do tempo, quando cessará o jorro de confetes sobre um determinado nome. Se realmente foi fabricado com a matéria de um lídimo escritor, sem dúvida, navegará no oceano da imortalidade.
 

 

 

 

 
ELEGIA
 
(Eron)
                                                   
                         
Não haveria poeta...  muito menos poesia
se não houvesse tristeza em seu longo caminho!
O sofrimento, é verdade, sempre casa com a dor,
mas, paradoxalmente, valorizam um grande amor
forjado na bigorna da ternura e do carinho!

Que objetivo teria o homem  pra viver
se não fora sua crença na felicidade?
Amar e sofrer se juntam num  binômio,
Ligados entre si por um  matrimônio
que gera filhotes com nome de saudade!

Vou mitigando, pois, tua atenção,
esperando conquistar-te este belo sentimento!
Amar e sofrer misturo no processador.
combinados para se tornarem um grande amor,
duro como a rocha... e livre como o vento!

Garanhuns/16.04.10
 
 
 
 
 
 
Um  Cheirinho  de P O R T O
 
fernando morais
 
 
Hoje,
a cidade tinha uma luz diferente
apanhavam-se do chão reflexos de cyano
e resquícios de platina
 
A garganta dos lírios nas janelas
deixava cair pingos de lilases
e uma nuvem desfazia-se em
arrobas de luz e arcadas de verdura
 
Hoje,
porque foi só hoje que isso aconteceu,
ninguém fugia pelas ruas
o ambiente respirava muito leve
transparecias de cobre e de argila
e as casas riam-se pelas frestas
das janelas
O tom era de azul enchendo as avenidas
e o bombeiro Guilherme  na praça
de seu nome
tinha três ciscos de canela
no bigode farto.
 
A manhã desfazia-se em caracóis louros
que estremeciam 
ao andar de uma rapariga

O Porto vestia-se de bleu
como nas noites de alegria e movimento
 
cheirava a alecrim
no cimo da Avenida …
 
 
 
 
 
 
Glosando Carolina Ramos
 
Gislaine Canales

LAREIRA SAUDADE...


MOTE:
Fiz da saudade que aquece
a solidão dos meus dias,
a mensagem que enternece
minhas horas tão vazias.

Fiz da saudade que aquece,
minha doce companheira,
peço, fique, quase em prece,
comigo, na noite inteira!

Eu preciso amenizar
a solidão dos meus dias,
minhas noites, a chorar,
são tristes, sem alegrias.

Quando o meu tempo anoitece
lanço em ecos pelo mundo
a mensagem que enternece
desse meu sofrer profundo!

Saudade, lareira ardente,
vem, aquece as horas frias,
enche de amor, ternamente,
minhas noites tão vazias.

 
 
 
 
 
 
 
Devaneios
 
Heralda Víctor

 
Se eu fosse medir em versos
Meus sonhos e fantasias
Daria uma longa distância,
Uma estrada imensa.
Seriam dias...
 
Pedaços de momentos que vivi
Juras de amor que recebi
Carícias, beijos que dei
Em pensamentos,
Tantos que nem sei...
 
Ah! Como eu queria
Flertar com teu destino
Agarrar esta alegria
Oferecer meus doces sentimentos
Realizar teus desejos de menino
Aconchegar-me vagarosamente
Descobrir e mostrar tudo...
Silenciosamente.
 
Na verdade adoraria tão- somente
Acreditar que temos esperança
Para correr, pular, brincar feito criança
Sair livre, sem rumo estrada afora,
Crescer junto contigo sem demora
Viver amando sendo amada
Simplesmente... 

 
 
 
 
 
 
O Nariz Vermelho

J.R.Cônsoli
 

 O dia estava quente, o sol abrasador, poucas pessoas aventuravam-se pelos calçadões da enorme avenida que margeava a praia. Nas areias, no entanto, era um formigueiro só. Vez ou outra uma brisa bafejava seu hálito marinho, mas por pouco tempo, logo dissipada pela imensa onda de calor que assolava a cidade. O ano despedia-se!
 
 Alex preparava-se para deixar o trabalho quando, no elevador, deparou-se com uma linda jovem de cabelos longos e louros. Foi como se um raio o tivesse atingido, e, mais que isso, pois encontrou reflexos de correspondência no olhar da moça.
 
 Logo estavam conversando animadamente na quente avenida, ainda enfeitada com motivos natalinos. Não demorou muito para saber que Sofia era filha do dono da empresa em que trabalhava, que era a caçula, que tinha mais dois irmãos, que a empregada da família era uma ótima cozinheira, que ela curtia a música dos Beatles e gostava imensamente de livros de ficção, entre outras coisas. Alex nunca soube tanto em tão pouco tempo!...
 
 Acompanhou-a ao estacionamento, voltou ao escritório, e subiu, a pé, os dois lances de escada do prédio para registrar o ponto. A jovem não lhe saia da mente, como um quadro ricamente emoldurado a refletir numa parede branca. Uma certa ansiedade angustiava-o, precisava falar novamente com ela antes da virada do ano.
 
 Mas como? Se nem seu endereço havia anotado, muito menos o número do telefone. Ele sabia que encontros nunca são casuais, principalmente esse que pareceu entontecê-lo de vez. Saiu do prédio pensativo e ao dobrar a primeira esquina deu de cara com a jovem.
 
- Sofia! – disse, num tom de alegre surpresa, - que ótimo!... Estava, nesse exato momento, pensando numa maneira de comunicar-me com você, pois nem anotei seu telefone , estávamos tão apressados!
 
- Oi!... pura verdade! Esqueci minha pasta no escritório, vamos até lá comigo?
 
 Alex sabia da existência da Lei da Duplicidade: Quando acontece um determinado fato a probabilidade de haver uma repetição é muito grande, ele já havia constatado a veracidade dessa Lei por diversas vezes.
 
 A festa de réveillon na casa de Sofia estava alegre, fogos de artifício iluminavam o céu e seus reflexos faziam brilhar ainda mais os olhos azuis da moça. Os dois estavam juntos, felizes... Fizeram um brinde ao novo ano e abraçaram-se ternamente entre juras e bons propósitos.

 
 
O primeiro dia do ano amanheceu chuvoso, aliás, desde os seus primeiros minutos a água caía a cântaros, chovia tanto que a cidade já estava completamente alagada, com um congestionamento enorme.
 
 Notícias davam conta que o mesmo acontecia em todo o país. O estranho é que alguma coisa inusitada estava ocorrendo no mundo inteiro... muito calor em alguns países, nevascas monumentais em outros, vulcões entrando em erupção, tufões, grandes deslizamentos de terra, terremotos e maremotos, variações extremas de temperatura. O tempo tinha enlouquecido de vez!
 
 A situação começou a preocupar Alex, quando no fim da tarde tudo continuava na mesma... chuva sobre chuva. De repente a chuva parou... a temperatura que havia baixado uns 10 graus começou a subir vertiginosamente. As quatro da manhã do dia seguinte alcançava os 40 graus. Como a umidade do ar estava muito alta, a sensação era horrível, um abafamento sem igual e roupas constantemente molhadas.
 
 Isso durou até mais ou menos ao meio-dia, quando a temperatura novamente começou a despencar, e lá pelas 20 horas uma grande nevasca acontecia como nunca vista num país tropical, com oito graus negativos e um vento constante que aumentava ainda mais a sensação de frio. A cidade estava em polvorosa, no mundo todo pairava uma grande comoção, um não saber o porquê de todo esse desequilíbrio.
 
 O telefone toca!... Sofia estava apavorada, as notícias realmente não eram boas, havia um sentimento de impotência pairando no ar, nada, mas nada mesmo seria possível fazer para amenizar as forças devastadoras da natureza. Os efeitos das agressões sofridas pelo planeta, principalmente nos últimos duzentos anos,  mostravam-se agora com toda a sua intensidade. Cidades inteiras foram destruídas, milhares de pessoas perderam a vida, outras tantas estavam feridas, O mundo praticamente teria de começar de novo.
 
 Sofia perdeu toda a família, pais e irmãos foram vítimas do desabamento da residência, que não suportou o peso da neve. Somente a garagem ficou de pé, local onde, por milagre, Sofia encontrava-se na hora da tragédia. Após três semanas de catástrofes tudo se acalmou, o sol voltou a brilhar e uma brisa leve bolia com o que restou das árvores.
 Duas crianças brincavam com uma bola na calçada, em frente à casa onde Alex hospedava-se - A Pensão da Dona Vitória. Do outro lado da rua outras se divertiam num sobe-e-desce incessante no escorregador... único brinquedo que sobrou do pequeno parque na pracinha do bairro.
 
 Alex resolveu dar um passeio pela cidade... quase não acreditava no que via! A cidade estava praticamente  destruída, aqui e ali um prédio ou uma residência milagrosamente poupados. De repente, uma estranha sensação de estar sendo seguido apoderou-se dele, olhou furtivamente para trás, e realmente a uns cinqüenta metros mais ou menos, uma pessoa alta e macérrima seguia o mesmo trajeto.
 
 A princípio pensou ser um pouco exagerada a sua desconfiança, mas alguma coisa o incomodava, sua intuição acusava algo, apontava naquele sentido - era preciso investigar. Tirou a caneta do bolso deixando-a cair de propósito e agachou-se em seguida para apanhá-la.  Permaneceu parado por alguns instantes como se a tivesse examinando. Viu de través que a figura também parou. Estava provada a sua tese! Quem seria? Por que o estaria seguindo?
 
 Alex encheu-se de coragem, deu meia volta e começou a caminhar em sentido contrário, na direção do estranho. Estava tudo ainda muito claro, o sol brilhava num céu límpido, e o relógio da torre da Prefeitura local, um dos poucos prédios ainda de pé, marcava quatro horas de uma tarde amena de janeiro. Os dois andavam calmamente e Alex percebeu que uma luz azul resplandecia em volta da silhueta do desconhecido, fazendo-o como que refulgir.
 
 Logo notou que embora caminhasse na direção do indivíduo, a distância entre eles permanecia a mesma, como se estivessem em planos vibratórios diferentes. De repente, o estranho desapareceu num flash de luz multicolorida, que somente Alex pôde ver, pois as pessoas que caminhavam pelas imediações não se manifestaram.
 
- Mais essa agora... – pensou – como se já não bastassem os últimos acontecimentos!
 
 A história ficou martelando-lhe a cabeça por todo o final da tarde. Não queria comentar nada com ninguém, muito menos com Sofia, que continuava abalada com a perda dos parentes e ele não desejava, de maneira nenhuma, complicar-lhe ainda mais a situação.
 
 O encontro com Sofia à noite foi constrangedor, a moça parecia inconsolável, seus avós tentavam de tudo para fazê-la entender o mundo de adversidades em que vivemos,  compreender os desígnios de uma causa maior que a tudo permeia, mas, inutilmente.
 
 Alex perdera o emprego, a empresa já não mais existia, isso o preocupava muito, precisava se manter, seus familiares estavam a salvo, moravam numa região distante e não podiam ajudá-lo financeiramente.

 
 
Foi obrigado a trancar a matrícula do curso de Psicologia que freqüentava, a bem dizer, nem isso precisaria ter feito, uma vez que a Universidade só  funcionaria dentro de, no mínimo, uns seis meses. Fazia pena ver aquele prédio, antes imponente, todo danificado, a fachada de vidro destruída e o campus entulhado de escombros da eversão.
 
 A Terra passava por um momento crítico, aliás, os acontecimentos vieram somente agravar a crise que já existia, fomentada pelos governantes de grande parte dos países e seus aliados, que se alternavam constantemente no poder, notórios oportunistas, que, com suas manobras escusas conduziam o mundo, aos poucos, para o buraco. Não era somente um acontecimento pontual, todos os seres humanos sofriam porque homens destituídos de caráter mantinham o controle da humanidade há séculos, fazendo prevalecer seus descaminhos com guerras inúteis e constantes desrespeitos à liberdade dos povos, transformando as virtudes humanas em desvalores.
 
 No início de fevereiro, Alex foi surpreendido pela mesma pessoa que o havia seguido dias atrás, dessa vez, quando se preparava para deixar o carro com algumas pastas e embrulhos. Disse-lhe, o estranho:
 
- Alex, não tenha medo, preciso conversar com você, é importante!
 
 O rapaz sempre deu ouvidos ao que lhe ditava a intuição, sentiu sinceridade nas palavras do estranho que refletia uma suave luz prateada que, a princípio, o assustou um pouco. Caminharam até um banco debaixo de uma grande árvore numa praça próxima.
 
- Eu me chamo Augusto, faço parte de uma comunidade iluminada, responsável pela guarda dos caminhos da humanidade. Não podemos permitir que o caos se instale definitivamente na Terra, haja vista os últimos acontecimentos, não é possível deixar que inocentes paguem por atos irresponsáveis de governantes corruptos e insensatos, que prevaleçam as vãs vontades traçadas pelos donos do mundo, que estão levando o planeta ao extermínio. Elegemos uma data: dez de fevereiro próximo... algo de novo vai acontecer com todos os seres humanos.
 
 A partir desse dia os sentimentos das pessoas serão manifestados através das cores. Por exemplo: Quando sentirmos amor todos saberão, porque uma aura azul brilhante nos envolverá, quando desejarmos a paz emitiremos o branco brilhante, quando ódio o alaranjado, quando indiferença o cinza, roxo para a tristeza, prateada será a cor da verdade, verde indicará  inveja, vermelho revelará a mentira, essa, particularmente, se manifestará a partir do nariz do indivíduo, deixando-o totalmente vermelho como uma  lanterna de bombeiro...  e assim por diante.
 
 As verdadeiras intenções estarão estampadas na aura de cada um, é o começo de uma nova era para toda a humanidade. Até à data prevista todos os habitantes do planeta serão comunicados.
 
 Tentei entrar em contato com você naquele dia, lembra-se? Mas, fui chamado com urgência, naquele momento, para prestar auxilio a um dos nossos que estava em dificuldades. Finalmente o mundo vai poder  reorganizar-se e encontrar seu verdadeiro caminho. Esse artifício possibilitará que os indivíduos conheçam-se mutuamente, eliminando de vez a mentira, o desamor, a hipocrisia, e todos os falsos sentimentos. As virtudes prevalecerão, o amor e a verdade serão, de fato, a regra, pois vivemos atualmente num mundo de exceções.
 
 
 
 
 
 
O OUTONO DESABA

Joaquim Moncks
 

Chove torrencialmente, e aumenta a minha solidão. É patética esta sensação
de iniquidade... O jeito é criar qualquer texto pra que se possa sentir a
humanidade viva, já que os elementos desabam entre relâmpagos. Tudo está
imóvel em terra. Somente a Palavra resiste, estática... O céu está gris e a
luz parece estar ausente. Acho que Deus dorme nalgum abrigo. Ou está quieto,
mandando forças pros milhões de rezadores que O imploram... Debaixo das
camas brilham as retinas de minhas gatas de estimação. Estranho... Nos
humanos, quando há medo, os olhos são baços. E, num repente, retine em mim a
infância. Seus fantasmas ainda pertinem sob os lençóis. As meninas dos olhos
teimam em não abrir...

- Do livro ALMA DE PERDIÇÃO, 2009/10.
 
 
 
 
 

 Intensamente
 
Lígia Antunes Leivas


Encostou-a no primeiro anteparo que lhe desse segurança.
Rápido a despiu o que bastasse. Fez-se, mais rápido ainda,
intensamente desejo sem qualquer reflexão. Não mediu impasses.
De um olhar nasceram formas abstratas sobre outras singulares
como se jamais tivessem sido vistas. Fortes movimentos
surgiram tão dilacerantemente doces como a doçura
trazida no coração. A saudade, sagrada antes, agora era
transfiguração profana... e assim também o amor derramado
naquele encontro cintilante de sedução.
    
Silêncio total...
para não derrubar o instante,
para não perturbar o encanto.
 
 
 
 
 
 
 
SILÊNCIO
 
Malude Maciel 


Por vezes, necessitamos, intensamente
De um silêncio parcial ou profundo
Parar um pouco, conscientemente
Buscar e compreender a si e o mundo

Em meio ao constante turbilhão da vida
O silêncio também é necessário
Pra refazer a força n'alma, embutida
Suportar e superar o desfio diário

O silêncio é amplo, tem vários matizes
Por resposta, por respeito, escutar o outro, silêncio de Paz
Ouvir a consciência, refletir, corrigir os deslizes
Sair de cena, se ocultar, orar, se achar capaz

O silêncio é assim, tão puro e penetrante
Ensina a ter paciência e a amar
Pode-se pensar, elevar-se a Deus a todo instante
Diz muitas coisas sem precisar falar

É silenciosamente que nos encontramos
Sem palavras, mas com gestos de Amor
Generosidade e cuidados demonstramos
No silêncio chegamos ao Criador...
 
 
 
 
 

SILÊNCIO (A CARTA)
 
Milton Roza Junior
 
 
    Há algum tempo, não muito, para quem acredita que anos, meses, minutos ou segundos separam ações ou fatos. Um homem, com óculos em formato do planeta Terra, falou que a conversa era um dos meios mais primitivos para se conseguir a paz. Na verdade ele tinha toda razão, pois a verdadeira Paz é conseguida entre uma palavra e a sua consecutiva. Quero dizer, sim, que tanto a paz interior ou mundial será conquistada através do SILÊNCIO. O VERBO ou PALAVRA, como alguns ecumênicos proferem, pode, em raríssimas exceções, e nos tempos caóticos de hoje, ser entendido em dois sentidos: o do Bem e do Mal. Sabem por quê? Por que as pessoas não agem de acordo com o seu pensar, estão cada vez mais longe de serem verdadeiras consigo e com outras, é a famosa segunda intenção.
   Não estamos longe de conseguir o Sagrado Silêncio, e a internet veio para testá-lo. No começo dos tempos só UM tinha direito ao VERBO, depois nossos ancestrais, como sons guturais e desenhos na rocha, começaram a entender como PALAVRA era poderosa, surgiu, então, a COMUNICAÇÃO E desta se passou a um querer falar ou escrever mais do que outro, competimos mais e mais até guerrearmos, algumas palavras se tornaram símbolo de morte. Devemos entender que quando se pede um minuto de silêncio nos aproximamos mais do Criador do Verbo. Na minha concepção a "PALAVRA" terá, no futuro, que ser interpretada como uma comunicação silenciosa, uma telepatia, com o mínimo de vibração possível, assim como lemos livros sagrados. Centralizaremos nosso pensamento, abriremos mão da "GUERRA DE AUDIÊNCIA" entre o bem e o mal, pararemos de tentar comandar nossa vida e a de outros, não guerrearemos mais e, sutilmente, nos aproximaremos do INVICTO. Salve o SILÊNCIO, salve a PAZ, ASSIM SEJA.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ABRAÇADA COM A SAUDADE

Regina Bertoccelli


Adormeci  abraçada com a saudade,
vestida com as cores do passado.
Com a alma em liberdade,
sonhei com o meu amado.

Meu coração está apaixonado,
esta é minha realidade.
Adormeci abraçada com a saudade,
vestida com as cores do passado.

Por instantes vivi a felicidade
de ter meu desejo realizado.
Despertei feliz, é verdade,
meu coração está  consolado.
Adormeci abraçada com a saudade...

 
 
 
 
 
 
 
FELIZ VIVER...
 
SELENE ANTUNES


É ver a família unida
E os filhos a crescerem
Tristezas existem
Mas não por querer
Crer em Deus, partilhar
Dar e receber
Injustiças desemprego miséria
É fácil  descrever
Um país rico
Tem de tudo a oferecer
Mas o homem egoísta
Põe tudo a perder
Desigualdade em tudo
Salário, alimento e até pra morrer
O mundo já foi justo
Até a ganância aparecer
Amor, justiça e igualdade
É que fazem um país crescer.
Quando o homem acordar
E ver o estrago vai sofrer
Condoer com a pobreza, e
Com a miséria estarrecer
Acordar e querer tudo mudar
Sem ter tempo a perder
Espero não ser tarde
Quando isto acontecer
Seria maravilhoso
Ouvir algum dia, alguém dizer
Crianças de rua...
Um passado a esquecer
Acreditar, ter esperanças
É o que faz o povo viver
Sobreviver às desgraças
Que a vida oferecer
Para o homem governar
Precisa-se: Inteligência e não poder
Força aos gananciosos
Dizer não, precisamos aprender
Muita discriminação
Faz o país empobrecer
Se com justiça governar
Fica mais fácil vencer
Os obstáculos existem...
Mas basta alguém querer
Cuidar do povo com amor
Com justiça e saber
Emprego, casa e comida
De fome, ninguém mais vai morrer
E é só observar
Como o país vai crescer
O mal será esquecido
E feliz, enfim, vamos viver
Este é o futuro de um país
Que tem tudo pra vencer
Quando os que nos governam
Descobrirem que seu dever
É somente nos defender.
 
 

 
 
 

VAMOS JUNTOS
CONSTRUIR A PAZ?
 
Sueli Bittencourt

 
Se a paz é a gente que faz,
vamos juntos construir a paz.
 
Unidos, tornaremos realidade
o  maior ideal da humanidade!
 
Primeiro limpemos o terreno,
deixando-o sem qualquer veneno.
 
Fora ódios, ganância, atrocidades,
fora injustiças, violência, maldades.
 
E estando bem limpo o terreno,
livre de todo o veneno,
 
plantemos com grande fervor
um forte alicerce feito de amor.
 
Com tijolos de perdão e fraternidade,
de amor,consciência e solidariedade,
 
logo teremos construído a paz,
pois a paz é mesmo a gente que faz!...
 
Florianópolis /SC - Brasil
 
 
 
 
 
 
Novas Tecnologias para Uma Literatura Atemporal
 
por Tchello d’Barros

 
É bem possível que você esteja lendo este breve texto na tela de um computador. A questão é: porque você não imprimiu o texto? Talvez por que isso exigiria algum tempo e seu tempo é muito curto. Talvez por uma questão de logística, afinal papel impresso pede espaço pra ser guardado. Talvez porque isso gera custos, a tinta de impressão é muito cara. Talvez por suas preocupações ecológicas, gastando assim menos papel, uma árvore a menos é derrubada. Mas a questão maior é que muita gente ainda prefere a leitura do texto impresso, preferencialmente o livro, onde em muitos casos há uma relação quase fetichista.
 
Ocorre que para o universo da Literatura, estamos em plena transição de um salto quântico, de uma grande mudança quanto às mídias em que a Prosa e a Poesia se apresentarão ao leitor deste novo milênio. Isso tudo por conta dos avanços da tecnologia e da necessidade das criações autorais encontrarem novas formas de consumo, de publicação, de encontro com o leitor.
 
Ora, quando os antigos textos cunhados em pedra ou em tabuinhas de argila ou cerâmica passaram a ser impressos em papel, também houve muita resistência, os rolos em papiros foram motivo de piada, mas logo esta tecnologia substituiu aquelas.
 
O que vemos agora é um processo que provavelmente não eliminará o livro escrito, as revistas, jornais, etc, mas é um fenômeno que desde meados da década de noventa tem transformado a relação autor-leitor no âmbito da literatura. Com o advento do PC nas residências e em seguida o surgimento da própria Internet, ampliou-se o mundo literário em nosso Brasil de poucos leitores. Inicialmente surgiram as Listas ou E-grupos com temas afins, como a Lista Fórum de Literatura, onde autores e leitores postavam, liam, comentavam, discutiam, elogiavam, brigavam, e por isso tudo todos ganhavam, havia um tipo de exercício de crítica literária e o natural aprimoramento da produção.
 
Os sites literários também cumpriram e cumprem um papel fundamental nesse sentido, abrindo espaço para inúmeros autores que atuam fora do mainstream do mercado editorial. Blocos On Line, PD-Literatura e Garganta da Serpente são alguns exemplos de sites que descobriram novos autores e por conta da interatividade, vários encontros de escritores foram organizados, mas o contato aconteceu previamente no ambiente virtual.
 
Quanto a questão da interatividade, podemos citar o escritor Mário Prata, que escreveu o romance interativo “Os Anjos de Badaró”, onde os internautas “observavam” o escritor escrevendo, graças a uma câmera ligada 24hs no espaço onde o autor trabalhava, e também acessavam os escritos recentes no desenvolvimento do romance e assim podiam interagir com o autor enviando comentários sobre os personagens e o desenrolar das cenas, assim o autor tinha um feedback imediato sobre o desenrolar do romance. O escritor apresentou o case no II Fórum Brasileiro de Literatura, em mesa constituída com as editoras Asta Vonzodas e Leila Míccolis, ambas publicando novos autores no ambiente virtual.
 
Outro advento que ainda não se consolidou, mas que vem dando o que pensar são os E-books. A primeira grande aposta no Brasil deu-se com o consagrado escritor baiano João Ubaldo Ribeiro. A aposta da editora foi lançar um novo romance do autor exclusivamente no formato de E-book, onde o internauta pagaria previamente com cartão de crédito e teria direito a fazer o dawnload da obra. Se depois o leitor iria ler na tela ou imprimir os arquivos para ler no papel, bem, isso já é uma questão pessoal. O fato é que o projeto não foi um sucesso e as editoras aprenderam que no Brasil, essa prática de mercado ainda está longe de ganhar o grande público.
 
Em seguida apareceram os blogs, ou a praga dos blogs, como preferem alguns. Isso porque a facilidade em ter um blog gratuito, a facilidade em postar qualquer coisa fez com que da noite para o dia surgissem milhares e milhares de “escritores” e “poetas”, gente que sem um mínimo de conhecimento de teoria da literatura, sem noções básicas da construção de um poema, veiculam na web seus escritos, auto-proclamando-se autores, enquanto que sua produção, muitos poemas por exemplo, não apresentam a menor noção de ritmo, métrica, aliteração ou coesão entre forma e conteúdo. Encontrar na Internet um bom poema entre autores iniciantes é procurar uma palhinha num agulheiro digital e infinito. O lado positivo é a possibilidade do candidato a escritor interagir com outros escritores, com leitores, críticos e profissionais do mundo editorial, desta forma desenvolvendo sua produção, refinando sua escrita.
 
Ainda no assunto Internet, podemos mencionar os sites de relacionamento, como o Orkut, em que não raro as pessoas veiculam poemas em seus perfis e álbuns, sejam poemas de autoria própria ou de autores que admiram. A próxima fronteira parece ser o Second Life, onde até o momento ainda não se soube de evento onde algum avatar fizesse uma declamação de poemas.
 
Enquanto estas linhas são escritas, digo digitadas, passa nos cinemas do Brasil o filme Beowolf, editado totalmente com recursos de computação gráfica. A obra, mencionada já no Don Quixote, apresenta as aventuras de um herói inglês da idade média lutando com monstros e dragões. Trata-se do mais antigo poema inglês, e agora o clássico aparece nas telas do mundo todo, pois depois de quinze séculos em que o poema foi escrito, aparece agora nas telas de cinema em escala global, graças ao desenvolvimento da tecnologia digital.
 
Para além das questões tecnológicas, observa-se atualmente no circuito internacional da arte contemporânea um processo de hibridismo, onde modalidades diferentes de expressão se mesclam ou se fundem numa mesma obra. É comum ver artistas visuais realizando Performances cênicas e as chamadas Intervenções, não raro usando o poema como elemento de transmissão de alguma mensagem. Ou atores que em suas peças, projetam poemas no cenário do palco, ou no próprio corpo. Fotógrafos construindo releituras imagéticas a partir de obras literárias. Peças criadas a partir do recorte de versos encontrados em determinadas obras literárias, caso da gaúcha Élida Tessler. Ou podemos citar também a norte-americana Jenny Holzer, que esteve no Brasil e projetou seus truísmos com raio laser nos paredões do Pão–de-Açucar e na espuma das ondas de Copacabana. Atualmente seus truísmos são veiculados em painéis de LED nos principais espaços culturais do mundo. Quando esteve no Brasil, ela descobriu um tipo de truísmo poético popular, as frases dos pára-choques de caminhões, e saiu visitando garagens de caminhoneiros para coletar as frases, poéticas, filosóficas e bem-humoradas.
 
No estado de Alagoas, que detém o mais baixo índice de alfabetismo no país, ainda são tímidas as ações alternativas de veiculação de criações literárias. Podemos citar em 2004 o grupo Saudáveis Subversivos, em Maceió, que realizou performance na foz do rio Salgadinho, construindo palavras com as letras da palavra “açúcar”, intervenção que se prolongou no trajeto até o Teatro Deodoro, que abria uma exposição de fotografia de arte e poemas adesivados em espelhos. Ainda na capital alagoana, o poema como obra visual, apareceu em outros espaços culturais, geralmente em paredes reservados para quadros ou as chamadas instalações, mas também em locais alternativos, como nas colunas da estação de trens da CBTU, onde plotagens com poemas foram fixados nas colunas das plataformas de embarque, local em que diariamente 7.000 pessoas transitavam. Mais recentemente a galeria de artes do Senac, com curadoria de Ana Glafira, realizou uma exposição de Poesia Visual, toda impressa em recursos tecnológicos recentes como a plotagem em polietileno, lona de banner, adesivação transparente, sign em vinil e outros recursos. Poemas de Lêdo Ivo foram abordados em coreografia de Emília Klark, onde projeções de imagens e textos dialogavam com a dança dos bailarinos. Como intervenção, na III Bienal do Livro de Alagoas, o poeta Tainan Costa escrevia poemas na pele dos passantes. Não será demais lembrar que o Guia de Poesia do Sobresites, um dos maiores espaços de difusão literária no Brasil e mundo lusófono é editado em Maceió, pelo escritor, poeta e editor Luiz Alberto Machado.
 
Bem, não dá pra saber se você leu esse artigo na tela ou papel, mas o que interessa é que as possibilidades são infinitas, a cada novidade tecnológica a literatura dá um jeito de se infiltrar, sejam em torpedos ou ringtones de celular, vídeo-poesia no Youtube, ou animações digitais veiculadas em I-Pods. São mostras de que em qualquer lugar a criação literária, seja em prosa ou poesia, busca novas mídias, novos suportes, novos recursos tecnológicos para cumprir sua missão, o encontro com o leitor, razão maior de sua existência.
 
Tchello d’Barros é escritor, artista visual e viajante. Possui 6 livros publicados, ministra oficinas literárias e vive em Belém-PA.
 
 
 
 
 

 

 

Arte final topo da página criada por Iara Melo

Fundo Musical: Catedral

Compositor: Tanika Tikaram

Versão: Christiaan Oyens/Zélia Duncan

Resolução do Ecrã 1024 * 768

 

 

 
 
 
 
 
 
 
 

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