Ano III - Julho - 2010

Participação de Diversos Autores

do Portal CEN

 

 

 
 
 
SOLIDARIEDADE

Alex Schvartzmann Dubin

Ser solidário
é um ato de bondade
que engrandece os homens
e vem de dentro de nós,
do mais profundo do coração.
Solidariedade,
gesto nobre e magnífico,
que não deve existir
somente no Natal ou na Páscoa,
mas sempre
desde o acordar ao anoitecer.
 
 
 
 
 
 
 
A VIDA SEM A DOR
La vie sans la douleur
 
Alice Tomé

Quando me olhas
Não me sorris
Pensas que sou
Gente infeliz…
Mas o sol raiou
Neste meu olhar
Porque a vida
Me vai ajudar
(...)
Ser deficiente
Custa a suportar,
Porque na vida
Não há esse olhar.
Voei o universo
E nunca encontrei
Solução para a dor
Que eu já herdei
(...)
Mas se quiseres
Alguém ajudar
Abre teus olhos
Sempre p’ra amar.
Assim, a dor,
Ela dormirá…
Assim, a dor,
Ela partirá
(…)
Eu quero a Vida / Je veux la Vie
Eu quero o Amor…/ Je veux l’amour...
Eu quero a Vida / Je veux la Vie
Eu quero-a sem dor. / Sans la douleur
(...)
A autora Alice Tomé,  30/05/2007, dedica este poema ao Dr. Adriano Neto,
Médico Reumatologista, Lisboa, Portugal, com grande admiração.
© Alice Tomé é Professora Universitária, Doutora em Ciências da Educação,
Cientista Educóloga, Socióloga,  Poeta, Ensaísta... Portugal. 
http://atome.no.sapo.pt/index.htm

 


 
 


PORQUÊ

Alfredo dos Santos Mendes
                                      
Procuro e não encontro uma razão
do teu afastamento prematuro.
Que fiz de mal? Não sei!!! Por Deus te juro!
Se um dia te ofendi...Peço perdão!
 
Espero não ter sido grosseirão
ou deixar descambado meu apuro.
Se foi esse o motivo não censuro,
O teu silêncio como exaltação!
 
Cada dia passado é um tormento,
se não te sinto aqui por um momento,
 representada em meu computador!
 
Que poderei fazer para voltar
ao ligar meu PC eu encontrar:
teus poemas pintados com amor!
 
 
 
 
 

COMEÇAR TUDO, OUTRA VEZ !

Ana Paula Costa Brasil
  
Para todo o sempre,
meu amor.
Quero te amar...
para todo o sempre.
Abraçar-te
e sentir tua alma,
eternamente.
Sentir-te...
Tê-lo...
Viver o amor
que temos um pelo outro,
que ainda teremos
e que tanto desejamos.
Amor,
tu me fazes sentir viva,
tu me fazes ter vida
e me fazes querer... querer...
Tê-lo para todo e sempre
e amá-lo eternamente
não são sonhos
e sim a mais bela aspiração.
Meu amor,
desejá-lo mais a cada toque;
senti-lo mais a cada beijo
e viver mais a cada momento
de amor
é a mais doce melodia.

 
 
 
 

NAVEGANDO

Aparecido Donizetti Hernandez
 
Navego o turbulento barco de minha vida...

Turbulento e cismado barco de angústias,
Angústias que parecem fazer parte de todas as existências.

- Turbulento barco de minha existência -

Barco turbulento à procura de águas calmas
A fazer contra-ponto aos turbilhões internos de minha alma,

Onde encontro tais águas a não ser junto a ti,
Que tens o dom de acalmar o turbulento barco de minha vida.

Minhas angústias parecem amainar com sua presença,

Presença de águas calmas, que geram esperanças

Nas angústias de minha alma.

Somente você me acalma,
Tens o dom de purificar minha alma
 
 

 
 

A ARTE DE VIVER

Carmo Vasconcelos

Nem sempre é fácil a arte de viver...
Renúncia exige, em meio de sacrifícios;
Há que fechar os olhos pra não ver
A falsidade eivada de artifícios.

Calar os sapos rente ao coração,
Riscar da mente abruptos desenganos,
De orgulho e brios, sem mágoa, abrirmos mão,
E dar amor a crentes e profanos!

Essa a palavra dita em cristandade:
Amar o nosso irmão, qual Jesus Cristo,
Que já na cruz, perdoa ao Judas falso!

Mas desse exemplo longe, eu preces alço
Pra que essa luz me toque enquanto existo
E possa ser-me leve a Eternidade! 
 

 
 
 

CANTAREI O AMOR!

Daniela Wainberg
 
A paixão é um sentimento
a invadir meu coração.
Chega ardente e envolvente,
incendiando corações.
Esses, outrora, tranquilos,
parecem ter dois lados:
um escuro e o outro claro.
A paixão ora faz meu corpo
ferver de intenso ardor,
ora é devastadora e extremamente
cruel e egoísta,
deixando-me triste e desolada.
Não me deixarei abalar;
feliz, cantarei o amor.

 
 
 


MORADA DA MINHA INFÂNCIA

Diana Camargo

Altiva e majestosa
Com suas paredes brancas
Plantada aos pés do serro
Sob o olhar da Virgem Santa.
Foste palco de uma história
Tantos sonhos e quimeras
Abrigaste tantas vidas
Entre tantas primaveras.
Sempre muito hospitaleira
Aos que ali se achegavam
Muitos causos, muitos risos
À sombra da tua figueira.
Lembrança das brincadeiras
Aos poucos vão se apagando
Pois ainda muito cedo
Deixei o teu aconchego.
Hoje apenas na lembrança
De cada um de teus filhos
Foi tombada pelo tempo
Morada da minha infância.
Mas tua imagem tão clara
Não se apaga da memória
Vai transcender pelo tempo
Faz parte da nossa história.
 

 
 
 

O ALENTO

Glória Marreiros

Perdeu-se o alento que o céu me quis dar,
vagueia sozinho, à deriva, sem rumo,
parece uma nuvem, ou rasto de fumo,
levando memórias dum beijo ao luar.

Fiquei sem vontade de estar no lugar
que tinha na mesa, com gosto e aprumo.
Prefiro o desdém do destino, e assumo
que sou sacrifício doado em altar.

os sonho que tive são dias sem sol,
amores de infância são mar sem farol,
e o brilho dos olhos balouça no vento.

Nos restos deixados, encontro o avesso
de estrelas cadentes, por isso tropeço
no espaço vazio onde esteve o alento.
 
 

 


Suplicando pelos Pais

Heralda Víctor
 
Senhor! Neste instante
Coloco-me na tua presença
Na condição de filha para rogar
Por meu pai, por todos os pais:
Presentes, ausentes, jovens, idosos
E os que já partiram para a eternidade.
Olhai Senhor, por todos os nossos pais!
 
Aos que estão doentes, quero pedir a graça da cura.
Aos idosos, o carinho e a presença dos filhos.
Aos desempregados, uma oportunidade de emprego.
Aos jovens, compromisso diante da paternidade.
Aos espirituais, perseverança na vocação,
A cada filho o direito à presença do seu pai no dia-a-dia.
 
Jesus! Tu que és Filho, olha por todos os pais,
Deus! Tu que é Pai, olha por todos os filhos,
Para que juntos pais e filhos encontrem
Na partilha do abraço, o valor da família.
 
Abençoa Senhor! Todos os pais!
Todos os filhos! Todas as famílias,
Especialmente aquelas, em que pais tentam serem mães
E mães atuam como pais, em substituição aos ausentes.

Heralda Víctor -[In "Nos degraus do silêncio"p-70]
 
 
 



SER PAI

Hermoclydes Siqueira Franco


Ser pai é ser amigo diligente,
é saber escutar mágoas e dores...
Ser pai é procurar ser indulgente,
sem deixar de entender jovens clamores...

Ser pai é compreender novos valores,
ser um guia seguro e confidente.
Ser pai é dar conselhos, mandar flores,
é ser franco e leal, justo e exigente!

Ser pai é dar arrimo, força e amparo,
de carinhos jamais fazer-se avaro,
sobretudo se um filho, acaso, cai.

Ser pai é estar atento e sempre em guarda,
se vencido, manter a voz galharda
e chorar, se preciso... Isto é SER PAI!...
 
 

 


CONSOLAREI A ALMA

Ilda Maria Costa Brasil
 
Por quê?
Porque esta enfrentou, recentemente, 
uma grande decepção.
Decepção! O que é?
É um estado de espírito,
ou uma sensação
desagradável,
que nos projeta mágoas
e tristezas profundas.
É um desconforto
inigualável
e incomparável.
É a perda do encanto,
e da admiração
cultivada
por longos anos.
É destruir imagens
construídas
devido a ações
não claras
e nem possíveis
de explicações.
É descobrir
que alguém,
em quem muito confiava,
é falso, mentiroso
e dissimulado.
Consolarei a alma
porque, neste momento,
faz-se necessário passar
uma borracha
para apagar
tristes e dolorosas vivências!
 
 

 
 


Alô, é Jesus!

Ivone Boechat
 

Se o telefone tocasse, hoje, na sua casa e, quando você atendesse, pensando que fosse um amigo de sua convivência diária, aquela voz terna que você nunca ouvira antes lhe dissesse: "Alô, é Jesus".
O primeiro impulso seria, talvez, desligar o aparelho, todavia, algo muito estranho impediu-lhe dessa reação e você resolveu ouvir, atentamente.
- Sim, sou eu, Jesus Cristo!
Como está sua família?  Eu não precisaria perguntar-lhe, porque sei de todas as coisas. Quero ouvir isto de você.
- Hein, como está sua família, seu lar? O tempo de vida aí, na Terra, é cronometrado por instrumentos celestiais de alta precisão e o aconselho a gastá-lo muito bem. Aquele vazio da discussão inútil, da agressividade, da incompreensão, foi contado como tempo de vida. Não se desconta, no tempo, nenhum segundo mal vivido.
- Alô, você está me ouvindo? Não desvie sua atenção. A ganância, o egoísmo, o individualismo, o ódio, embaçam a visão espiritual e o impedem de avistar o Calvário. Comece a trabalhar na limpeza da vidraça de seus olhos cansados de olhar na direção contrária.
- Você sabe que não preciso de nenhum telefone para me comunicar com ninguém.
-Mas, não desligue o telefone, quero ainda lhe falar. Eu sei que você sonhou com uma casa luxuosa, no melhor bairro, na rua mais valorizada, no melhor estilo e conseguiu.
Agora, você está sofrendo as conseqüências: barulho estridente, fumaça, poeira, e é obrigado a conviver com tudo isto. Não se prenda a nada, não se desespere, porque os bens da Terra só lhe trazem angústias e aborrecimentos.
-Não fique triste, tão aflito assim, com as futilidades que o cercam. Se você não conseguiu trocar o carro por outro mais bonito, lembre-se de que este seu o transportará por muito pouco tempo. Aqui, no céu, as ruas são de ouro, de brilhante e de cristal. Aqui, Anjos flutuam nas gloriosas mansões celestiais, em perfeita harmonia. Para entrar nesse território só darei o visto no passaporte da fé".A discagem direta com o céu (DDC) tem linha direta com a sua consciência e, se você quiser falar comigo, cada dia mais perto, dobre os joelhos, diminua a distância, através da oração.

Ivone Boechat
(extraído do livro Educação Comunitária-5a ed.)
 
 
 


 
Nosso Jardim

Jandyra Adami

A trepadeira está florida
Assim... outras flores do jardim
Os pássaros e borboletas
Não deixam de passar por aqui
Fico sentada olhando
Este pedaço de mundo
Que foi nosso... tão nosso...
O jardim de nossa casa.
O caramanchão num canto
onde, às tardinhas, vínhamos conversar.
Tudo está aqui, como antigamente,
as cadeiras, a mesinha de cimento,
pintadas de branco, conforme seu desejo.
No chão, espalhadas, folhas e pétalas
que o vento traz.
Entre a brisa suave que toca meu rosto,
e a ventania que move as nuvens,
meu pensamento voa e recordo
todos nossos momentos, nossa alegria,
a conversa animada, todos os dias,
antes de o sol se por.
Continuo olhando tudo por nós dois,
sentindo a mesma sensação de prazer,
olhando a natureza...
Sua presença está marcada, indelével,
em cada cantinho do nosso jardim...
 
 
 
 
 


AH! SAUDADE!

João Pretto Cavalcanti
 
Da minha janela,
vejo as árvores e as flores.
A rua silenciosa e vazia;
apenas o canto dos pássaros.
Percorro outros pontos da cidade:
movimentada, muito agitada
e, quando vejo,
deparo-me com o Guaíba
e passo a admirar um pôr do sol lindo,
de um vermelho alaranjado
Começo a pensar
no que existe,
além daquele pôr do sol.
Qual o seu mistério?
Sonho que estou percorrendo
um lugar florido,
de uma beleza ímpar,
sem impurezas.
Com isso, volto a minha alma pequenina,
infantil, inocente, pura...
Como num passe de mágica,
volto a dura realidade,
e saio andando, lentamente,
sorrindo de meu doce sonho.


 
 
 

José Feldman (Um Dia...) 
 

Um dia você pega as suas coisas, faz as malas, se despede de quem ama e sai porta afora, para um mundo novo, buscando a liberdade e a felicidade tão sonhada.
Um dia você aluga um apartamento ou uma casa, aprende que tem que cozinhar para si próprio, se quiser comer. Que tem que limpar sua casa, se quiser um lugar organizado, aprende que independência da casa dos pais não implica em fazer o que bem entende. A sociedade tem regras, e você começa a sentir isto na pele, e deve segui-las.
Um dia você vê que só o seu dinheiro poupado durante tantos anos a fio, já não é o bastante, então tem que procurar um emprego, para poder se sustentar. Sempre achava que a liberdade era uma coisa linda e maravilhosa, e você não precisaria se preocupar com nada. Agora vê, que ela engloba responsabilidades, deveres e direitos.
Um dia você se sente deprimido, pois a vida independente não é um mar de rosas, e se arrepende de ter saído da casa de sua família, e pensa em voltar. Mas, também pensa em tudo o que aconteceu para sair, e fica dividido entre o que fazer.
Um dia você descobre que apesar de estar sendo exatamente igual a seus pais, o seu lar é o seu castelo, e você se sente feliz consigo próprio, e assim como seus pais eram os reis na casa deles, você é o rei na sua.
Um dia você descobre que ser rei de seu castelo envolve deveres, direitos e responsabilidades, e que mesmo assim não é fácil, é uma batalha constante para manter seu pedacinho de chão.
Um dia você descobre que está envelhecendo, que está ficando mais chato, mais turrão, a memória está falhando, se sente mais cansado, se sente meio frustrado, pois seus sonhos eram apenas sonhos, e as lágrimas correm tão facilmente em momentos inesperados.
Um dia você percebe que nos momentos que deveria falar, se calou e em outros, quando deveria ficar calado, falou.
Um dia você descobre que muitas coisas que fez não tinham razão de ser, e que se pudesse voltar atrás, mudaria tudo, entretanto, existem tantas outras que mesmo com algum final desastroso, deixaria como está.
Um dia você descobre que os seus verdadeiros irmãos são aqueles que um dia passaram por sua vida e deram um encontrão em você e seguiram adiante. Outros, que estiveram sempre presentes, mesmo que ausentes.
Um dia você descobre que nunca esteve sozinho, que sua família esteve sempre ligada a você em todos os momentos de sua vida, e você sempre, na verdade, seguiu os passos dela, sem nem mesmo perceber.
Um dia você percebe que aquilo pelo qual você sempre lutou só vai ser reconhecido por você mesmo, pelos que acompanharam sua caminhada e aqueles que realmente te amaram, e sempre estiveram a seu lado torcendo por você e incentivando quando você cambaleava.
Um dia você percebe que os verdadeiros inimigos de sua evolução não estão nas ruas, mas dentro da casa que você abandonou, dizendo-se irmãos, primos, sobrinhos, etc. Percebe que você é infeliz, pois ainda está ligado ao que pensam de si.
Um dia você percebe que é hora de se desvincular disso tudo e seguir os seus próprios passos, caminhar com seus pés, fazer sua própria vida e ser aquilo que você quer ser, não aquilo que os outros querem que você seja.
Um dia você percebe que a felicidade está dentro de você, e você tinha este tempo todo a chave para abrir esta porta e liberta-la.
Um dia você vai ter coragem suficiente para deixar suas coisas de lado, abandonar as malas do passado, carregar dentro de seu coração aqueles a quem ama e quem realmente estiveram a seu lado e sair porta afora, para um mundo novo, livre e feliz...
Um dia você vai perceber que finalmente realizou seu sonho e finalmente é feliz.
 
 
 

 

UTOPIAS DO PAMPA

Juraci da Silva Martins
 
Como uma promessa
Como um vago alento
Novos sentimentos
Podem renascer,
Das raízes índias
Vindas de outros tempos
Que brotam em eventos
Para um florescer...
 
Como a chuva fresca
Faz viver a planta
Toda a crença adianta
Um raiar de sol.
E sobre a terra seca
Doa abandonados
Vem soprar alado
Um vento de paz...
 
Então teremos
Sem os preconceitos
Muitos eleitos
Para um mutirão
Pois tantos valores
Que foram perdidos
Serão ressarcidos
Se nos Irmanar!
 
 
 
 


CORAÇÃO CALEJADO

Lucas Cozza Bruno

Tua poesia fala de um coração calejado
de dores, de perdas e de decepções;
coração temeroso de arapucas
e caminhos tórridos,
fendas que cicatrizam e outras que se abrem,
que se pergunta como ser feliz?
Ah! Quanta incerteza!
Que descrença!
Este coração é generoso,
consolador, fraterno,
com desejos e anseios;
um campo fértil de sinceridade,
de amor, de lindas nuances
que tocam as almas de quem o conhece,
coração que sabe levar os amigos
ao mais infinito dos sonhos.
Acorde minha Estrela,
teu coração brilha tanto,
tanto... que supera as dificuldades.
É um canteiro de esperanças e desejos,
que faz com que a poesia
me tire até do rumo.
Coração com perfume, com beijos
como noite de lua cheia
embalado em papel colorido
retirado de pedaços do arco-íris.
Abre este teu coração calejado,
que vejo com olhos de amor e de gratidão
querendo te dizer: do grande bem
que este teu coração nos faz!
 
 
 



ATORDOADA...

Marjorie Cassol Spagnolo Cansan
 
 
Lamento não ter aproveitado
melhor o meu dia a dia.
Momentos passaram voando
sem perceber continuei caminhando,
deixando para trás muitas coisas.
Nada volta ao início.
Se perdermos, temos que continuar.
Não adianta se remoer.
O que devemos fazer
é aproveitar o que nos resta.
Sigo me lamentando, chorando,
gritando, esperneando até perceber
que nada volta
e que cada acontecimento
é único mesmo
se quisermos vivê-los novamente.
 
 
 
 



A caveira da rejeição

Tania Montandon

"La vie est naturel
 Autant que la mort
On cache le coté cruel
Comme si tout n`étiait pas tort!"


Trad: "A vida é natural
Tanto quanto a morte
Escondemos o lado cruel
Como se tudo não estivesse errado!"

Louvo-me sem vaidade ao louvar o raio de luz, como se eu fosse bela como essa luz. Quando s'um apega-se às coisas incomuns, seres inanimados: árvores, córregos, flores. Como se essas coisas nos expressassem e fôssemos o mesmo ser. Elas me conhecem melhor que ninguém, são "eu" de certo modo. Há uma ternura irracional por elas e é recíproco. Do fundo da mente, emerge, às vezes parecendo espiral, o lago cego do ser de minha pessoa, uma bruma, uma plebéia caminhando ao encontro do amado príncipe.

Tudo está tão difícil. Por que todos me odeiam tanto a ponto de não conseguir ter paciência comigo, ao menos suportar meu ser como é ou pode? Por quê? Isso dói profundamente a desejar com força estar morta. Não aguento ser objeto de culturas, subculturas, contraculturas, "tratamentos" que, para mim mesma, só produzem sofrimento. Basta o que a vida já traz de pedras no caminho. Latrogenia é um dos piores males do século e dos próximos no campo da medicina, especialmente relativos à psiquiatria e à mente humana.
 

Soneto da rejeição

Tania Montandon


Apoio que embalde procuro, se algum
piloto ainda sois, mostrai ao momento
Quanto mais me entrego mais desalento.
Perdida e só, já necessito rum.

Sem um raio de luz, até fragmento:
-  que ocorre quando o ser não se encontra mais?
Por que se esmaga sua capacidade
e o  ânimo se vai como o vento?

Forças que debalde procuro, des-existo.
Quero encontrar-me. Puxa, já desisto!
Perco tudo quando deixo de ser

alguém com identidade singular.
Por que a vida  repudia-me  o ar
solitário  infindo de antes de nascer?
 
 
Voe, voe, vá além, vá muito mais além! Finque suas raízes no solo da iluminação para adentrar a roda dos sofrimentos mundanos sem se perder em seu meio. Assim, poderá entrar e sair das trevas sem ser contaminada e mais uma a ajudar em vez de ser mais uma a ser ajudada. [Arayashiki - despertar o oitavo sentido, "ir ao mundo dos mortos e voltar vivo"]

Vida e morte representam uma dinâmica de paradoxos em constantes mutações. É mister adquirir a paz em vida para que possa morrer em paz. Que nenhum cativeiro material ou abstrato (através da sutil dominação da subjetividade) aprisione a sacra liberdade de pensar, escolher, opinar, sejam quais forem as circunstâncias.Que o desdobramento do mistério prânico perdure ad infinitum.
 
 
 

 
 
SE...

Tânia Regina da Silva Guimarães
 
No meu canto, eu me encontro no passado;
no silêncio;
na dor;
na saudade;
no querer...
No meu canto, eu encontro o encanto no canto;
na cor;
na flor.
No meu canto, eu me encanto com o meu encontro!
 


 


AGOSTO À CONTRA-GOSTO

Tchello d'Barros

O tempo nos tece uma veste
E muito nos custa esse imposto
Pois lento nos dá outro susto
Gastou-se mais um agosto

Posto que vasto é o tempo
E visto que nos é imposto
Viver só um tempo sucinto
Numa sina à contra-gosto

A teia insana das horas
Aos poucos nos sela um desgosto
No vasto espaço do espelho
O tempo esculpe o seu rosto
 
 
 
 


VIVENCIANDO A VIDA

Teka Nascimento


Meigas tardes, de sol aureoladas,
flores olentes perfumando o ar,
o arvoredo a sorrir pelas calçadas,
que mais queremos, pra nos encantar?

A vida é uma benesse dadivosa
que eterniza de amor cada momento;
esse milagre, que é música maviosa,
nos enche de ternura e encantamento!
 
Cada mágico instante desta vida,
é um anseio de paz que nos convida
na luz do amor o espírito aquecer!


Mas essa luz de encanto e claridade
o excelso Pai só ousa conceder
a quem cultiva o bem e ama a bondade!
 
 
 



DESPEDIDA (II)

Tito Olívio

Um ano passou já sobre esse dia
Em que juntos dormimos docemente,
Depois de nos amarmos loucamente,
Jurando amor eterno em euforia.
 
Partiste de manhã, sem alegria,
Com a alma dorida de quem sente
Que vários meses vais estar ausente
E pode o amor morrer em agonia.
 
Mas eu fui-te fiel e assim serei,
Sofri todo este tempo e esperei,
Cuidando com amor nosso jardim.
 
Se o meu corpo definha de tristeza,
Eu acredito em ti, tenho a certeza
Que voltarás um dia para mim.

12/01/2001

 

 

 

 

Arte final topo da página criada por Iara Melo

Fundo Musical: Catedral

Compositor: Tanika Tikaram

Versão: Christiaan Oyens/Zélia Duncan

 

 

 
 
 
 
 
 
 
 

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