Ano III - Maio - 2010

Participação de Diversos Autores

do Portal CEN

 

 


 
PLANETA AZUL

Alfredo Mendes


O que se está passando à nossa volta?
Terá nosso planeta enlouquecido?
Ou terá simplesmente resolvido,
Mostrar seus dissabores, e revolta?

Eis que surge um vulcão, berrando à solta!
O epicentro fica enraivecido!
Lança sinas de fumo, e enfurecido…
Jorra lava cruel, c’o a morte envolta!

Lembrando ao ser humano irresponsável.
Que destruiu a Terra, à bruta, a esmo,
Com a sua ambição insaciável!

Que por mais que consigam emendar…
Nosso Mundo, jamais será o mesmo.
Lindo planeta azul, com sol e mar!

Lagos, 21/04/2010

Alfredo dos Santos Mendes

 

 




Alice Tomé

Águas do Côa são espelho...
De quem a VIDA agarrar...

"Águas do Côa..."

Partindo ao romper da aurora
Seguindo a Estrela Polar
Junto às águas do Côa
Ficava a "Filosofar"

Água cristalina,
verde ou azulada
Lavadeira que vai ao rio
Sempre lava na levada

Quantos moços..., quantas moças?
Lenços brancos aí lançaram
A corrente os arrastou
E sua Benção partilharam

Já meu bisavô dizia
Que Gente Moura aí passara
Tuas águas são sortilégio
Quem lá vai… aí ficara!

Trágico desassossego
De quem por aí passar
Águas do Côa são espelho...
De quem a VIDA agarrar...

© Alice Tomé,  27jan1998, Lisboa, Portugal .
Ao melhor Joaquim Leitão Carreira do mundo, meu pai,
que filosoficamente vivendo e liberdade sempre prezando,
assim a vida ia agarrando...
http://atome.no.sapo.pt/index.htm

 


 


CAMINHO DAS LÁGRIMAS
 
Ana Maria Nascimento/CE-Brasil


 A fuga ao inconsciente é vista como o percurso mais fácil para a solução dos problemas que afligem as pessoas desprovidas do espírito de luta, razão pela qual os seres humanos se embebedam sem refletir as consequências provenientes desse golpe de fraqueza, porém as doses excessivas de álcool levam o usuário à dependência. Neste estágio, ele se distancia, por demais, dos costumes sociais, familiares e de trabalho.
Os consanguíneos lutam contra o estigma da rejeição mas, às vezes, são vencidos  e se afastam, entregando o individuo à própria sorte.
Embora haja grupos de apoio com metodologias capazes de motivar a privação voluntária, e medicamentos que auxiliam na manutenção da abstinência, muitos ainda reagem à idéia de procurar e, solitários, caminham na autopista da destruição.
Uns iniciam bebendo por esporte, outros à procura de abrigo para as intempéries do cotidiano, segundo aconteceu com o Sr. Bartolomeu, um executivo bem sucedido que, frente a um amor proibido, sentiu-se fraco e mergulhou nas ondas da embriaguez. Pouco tempo depois, já havia dilapidado os bens, a consideração dos íntimos, e se transformado num ser carente da piedade humana.
Poderia ter gozado o dom da longevidade, entretanto, a vida de abandono o levou, inesperadamente, para junto do Mártir do Calvário.
Na pequena urbe em que habitava, com intensidade diziam “menos um degenerado”. E em meio àquelas maldosas críticas, o cadáver foi levado para a igreja matriz, em Aracoiaba, local onde era aguardado pelos parentes e alguns moradores da comunidade. Uma jovem, admirada pelos dotes de bom comportamento, aproximou-se do esquife, sem proferir uma única palavra, olhou o morto com a aparência de quem carregava dentro de si um enorme pesar. Minutos depois se inicia a missa de corpo presente, e a educadora, ali paralisada, começa a ter o globo ocular submerso na tristeza. Os curiosos percebendo a melancolia em seu rosto, construíram de maneira desatinada, um pré-julgamento a respeito das emoções ocultas em seu cerne, piorem a discreta senhorita manteve-se indiferente aos comentários impróprios à ocasião.
As observações eram diversas, entre elas destacava-se :
- Eu desconhecia essa idolatria.
- Pouca vergonha, uma garota tão formosa enamorada de um encachaçado.
Todavia, em qualquer lugar, existem criaturas de boa índole. Assim, uma senhora exclamava em voz baixa:
- Meu Deus! Ainda tem gente de bom coração, apta a gostar de qualquer pessoa.
No meio daquelas interpretações colidentes, a mocinha lastimosa pranteava, alheia, à ocorrência do templo cristão.
O ato religioso alcançava os ritos finais, quando uma comadre irreverente bate em seu ombro e lhe diz:
- Não vale a pena chorar tanto por um sujeito que traçou seu destino.
De súbito, a menina tristonha voltou-se para os presentes e descobriu que estava sendo veículo de um grande equivoco, pois suas lágrimas nada tinham a ver com o finado. O sentimento de consternação era proveniente da perda de seu cãozinho Pluto, um fiel amigo, capaz de enfrentar todo tipo de perigo em sua defesa.
 





MINHA TENDA

Aparecido Donizetti Hernandez


Caminhos difíceis, decisões impossíveis,
Como posso viver sem ti, como posso viver contigo!
Procuro-a nas minhas lembranças...
Encontro-a em vagas memórias de tempos felizes,
Encontro-a em minha tenda, com seu vestido rodado.

Seu rosto, somente aparece de forma turva,
Tento te esquecer... Mas quero lembrar,
Lembrar dos tempos em que caminhávamos juntos,
Tempos em que cavalgamos lado a lado.

Quero te esquecer, preciso lembrar,
Lembrar da felicidade em te ver, em te ter.
Lembrar dos tempos que minha tenda era nosso abrigo,
Lembrar de seu vestido rodado, de seus brincos, seu sorriso,
De seu choro, de nossa alegria.

Quero te esquecer, não posso...
Fecho os olhos e seu rosto aparece de forma turva,
Meus olhos lembram suas curvas,
Meus dedos no ar tentam acariciar sua silueta turva,
Não me esqueço de suas curvas...

 

 

 


MÃE,

(Flor de Esperança)


Poema de amor
Versos de esperança
Semente que germinou
Com fé, força e confiança.

Oceano de ternura
Mãe vida e luz
Tempero de doçura
Amor puro que nos conduz

Magia das estrelas
Afeto desmedido
Amor sem fronteiras
Mãe é amor infinito

Mãe te ofereço:
Todo meu carinho e gratidão
Todo meu amor
Que trago por ti no coração.
Te amo!
E para toda minha vida vou te amar!

 Laje do Muriaé-RJ

 



Solidão

Heralda Víctor

 
Quatro paredes...
Nenhum ruído...
É um silêncio estarrecedor.
A mente se distancia em pensamentos.
Os olhos tristonhos vagueiam pelo teto do quarto solitário, entregues às lembranças que o tempo esqueceu, não apagou.
Estranhas e dolorosas recordações transportam a um mundo ilusório, distante.
Na intimidade do quarto entristecido, olhos abertos, fixos, sonham revivendo cenas da paixão loucamente vivida.
Apesar de dolorosa, sem sombra de dúvidas é uma bela e irresistível visão, à imagem de uma divindade do Olimpo.
Agarra-se às lembranças revivendo no presente o que ficou do passado e sofre debatendo-se intimamente.
A dor das recordações mescla-se ao cansaço do corpo.
Envolve-se em devaneios sentindo o perfume, fusão de colônia e paixão.
Ouve o riso solto, aberto num sorriso encantador!
Estende as mãos atendendo ao apelo do convite.
Uma miragem, outra vez uma miragem.
Reluta para não chorar.
Não quer chorar, mas a lágrima guardada desprende-se vitoriosa e cai...
Desperta do sono que não dormiu olhando demoradamente o quarto.
Reúne forças.
Ergue-se!
Enxuga a lágrima.
Sai do quarto...

 



ECOS DA GUILHOTINA

Humberto Rodrigues Neto


     Ranieri, grande espírita já desencarnado, foi à casa simples, de tijolo à vista, em Pedro Leopoldo, a fim de  visitar Chico Xavier, mal esperando o que o aguardava. Ao passar por uma porta que separava dois cômodos, ouviu um  choro angustiado e triste, encaminhando-se em direção ao ruído. Ali viu sobre a cama, uma criança totalmente disforme, dotada de um corpo físico que aparentava ter 2 anos ao invés dos 9 que realmente possuía. Em tal estado, gemia aflitivamente.
     Ao olhar interrogativamente para o Chico, este explica:
     - É um sobrinho que está sob meu cuidado, pois minha irmã adoeceu do juízo e não tem condições de tratar do filho.
     - E  de que forma a doutrina explica este caso, de uma criança assim, tão novinha, toda retorcida? - pergunta-lhe, comovidamente, o visitante.
     - Pois é, Ranieri, nosso doentinho foi, outrora, o Governante da França na época do Terror, durante a qual, pelas inúmeras execuções que ordenou, conquistou uma legião de inimigos. Nasceu assim como provação daquele triste passado.
     Diante da comoção do amigo, completou:
     - O curioso é que, durante o sono, quando seu espírito se desprende, encontra-se com aqueles a quem mandou guilhotinar durante a Revolução Francesa, que avançam sobre ele e o atacam. Desesperado, retorna ao corpo físico, no qual procura ocultar-se, acordando aos gritos. Dessa forma, o seu corpo deformado torna-se para ele um verdadeiro refúgio. No começo tais perseguidores eram centenas, mas no correr dos anos, muitos deles vêm aceitando a doutrinação espiritual e se esclarecendo. Agora restam poucos, e, segundo Emmanuel, tais entidades negativas, depois de esclarecidas, ensejarão o seu desencarne e depois uma futura reencarnação.
     E, de fato, a infeliz criatura sofreu terrivelmente por mais 3 anos e deixou o corpo físico aos 12.
     Chico Xavier referia-se a Robespierre, figura sinistra da Revolução Francesa, que ordenou fossem decapitados na guilhotina inúmeros desafetos, inclusive vultos famosos da França, entre os quais o célebre poeta André Chénier, que mais tarde reencarnaria no Brasil como Castro Alves, conforme teremos oportunidade de ver em outra crônica do autor, intitulada “Chico e a Revolução Francesa”.
     O pai de Chico Xavier, de forma injusta, também foi guilhotinado por Robespierre, não obstante as rogativas desesperadas de Jeanne, sua filha, que outra não era senão o próprio Chico Xavier, pois ambos viveram na França na época do Terror, conforme também poderemos ver em “Chico Xavier e a Revolução Francesa”.
     Ainda sobre Robespierre, há fatos interessantes que poderão ser vistos em “Franco-brasileiros Reencarnam no Brasil”, integrante da série de crônicas do mesmo autor.

 

 

 

SOLIDÃO 

Jandyra Adami


O meu silêncio é tão grande que nem eu escuto.
Sinto o corpo frio, a alma vazia, insensíveis.
Olho para os lados e nada vejo:
Será que já morri?
De repente, ando pelo quarto e tenho lembranças:
Olho para a cama, o criado mudo. Peças empoeiradas
sobre a cômoda, chamam minha atenção.
Um porta retrato especialmente.
Olho para aquela fotografia mas ela não me olha
Parece que nem me conhece mais.
Sinto um arrepio pelo corpo e minha mente
é tomada por pensamentos estranhos, coisas
que aconteceram comigo, naquele quarto,
naquela cama, com a pessoa da foto.
Um clarão invade o local e eu me vejo jovem.
Uma linda morena de olhos verdes
abraçada  àquele rapaz tão lindo.
Ele me coloca sobre o leito e juntos
vamos procurando o caminho do prazer,
do amor, da eterna felicidade.
Naquela cama nos amamos, corpos entrelaçados
num frenesi total.... A noite chega e a lua,
eterna cúmplice dos amantes, atravessa a cortina
e entra, sem pedir licença e colocando sua luz
entre nossos corpos, consegue  sentir e compartilhar
do nosso encontro de amor.
Ficamos assim, por muito tempo, amando tudo
que era possível, na magia daquela noite enluarada...
Adormecemos abraçados, como se a vida ali estivesse resumida.
Quando acordei estava só... com  meu silêncio,
a alma vazia e o corpo frio, como tem sido
meus últimos dias de vida, sem compreender a razão
de tanta tristeza, de tanta solidão...

 


 

 


"CAPTAR A ALMA" EM POESIA

Joaquim Moncks


É relativamente fácil perceber o que o autor quis dizer, acaso ele tenha
sabido exprimir-se metaforicamente em palavras, em linguagem figurada,
portanto. É só parar pra pensar sobre o poema e fruí-lo.

Se ele estiver bem acabado e contiver alguma sugestionalidade e
transcendência, perfaz-se o caminho emocional e intelectual do poema. A peça
perviverá como objeto estético e de alumbramento para todo o sempre. É o que
acontece com obras que contam milênios de existência e sempre nos
encantam...

Porém, se a obra não apresentar os elementos característicos do gênero
Poesia, formalmente, não se terá radicado como peça poética e, sim, como
mera expressão de comunicação escrita em linguagem direta, muito longe do
que compreendemos como expressão poética. Estes escritos são imensamente
fáceis de ser entendidos. E só isto, porque nem necessitam ser
compreendidos. São de uma natural obviedade...

"Captar a alma" não é algo pra ser explicado, e, sim, sentido. E o
"inexplicável", principalmente em Poesia, à hora dos comentários, se resume
em uma ou duas linhas. O restante que se escreve é apenas juízo de valor
sobre a validade ou não da obra. Abrir o poema é reduzi-lo ao nada...

A tarefa a que me dedico é a do analista crítico, daí a natural dissecação.
Mas é este feeling diferenciado que permite alguma isenção quanto à obra. O
"cerne" da instigação literária nunca é o do autor, porque este,
particularmente no gênero Poesia, nada escreve. Quem o faz é o seu alter
ego. E este, porque não está permanentemente vivo (somente quando lhe é dado
o direito de viver e falar) não necessita de loas, de elogios.

Mas compreendo que é mais agradável não parar pra pensar sobre o que se
apresenta aparentemente difícil e não se conhece os cânones usuais...

A Poesia é tridimensional. Usualmente, nasce mais ou menos assim, seguindo
um itinerário até o plano consciente da memória: a percepção sensitiva do
fato no plano do real; o relato sobre o fato vivido ou fantasiado; os véus
sobre a palavra, no texto criado, pra não relatar o fato como ele aconteceu
e, sim, na visão idealística do alter ego do autor. Porém este não vive no
plano da realidade, porque é criatura haurida do espiritual, do imaterial,
vivendo por obra e arte.

O poema nunca tem a alma do autor, porque personagem e autor nunca serão os
mesmos, ainda que o autor imagine que se estatelou no mundo da palavra e por
ela, vive. O personagem criado, e que fala normalmente no "Eu", não é o ego
do autor, e, sim, o OUTRO EU.

E o que é pior: o autor pensa que o criticado é ele, que nem mais existe
depois da obra andar no mundo, somente para os efeitos de direitos
autorais... E fica amuado, contrafeito, se a análise crítica lhe for
desfavorável.

Crítica literária não pode ser confundida (embora exista a corrente crítica
psicoliterária) com análise psicológica da figura do autor. Para o bom
criador, a crítica é vista como análise ocupacional.

Bem, aí está a diferença entre os diletantes e os consagrados, que têm os
seus personagens guindados à imortalidade. Como o autor é a figura aparente,
criador e criado se tornam, também, imortais.

- Do livro DICAS SOBRE POESIA, 2009/10.
http://recantodasletras.uol.com.br/ensaios/2185010

 

 

 

A lâmpada cor-de-rosa

Lígia Antunes Leivas


A passos largos ia vencendo a distância reservada àquela
noite. Precisava chegar ao local marcado. Doía amar... e quanto!!!
Mas prometera, estaria lá. Uma questão de honra.
A ferro e fogo cumprira a pena que lhe fora infligida. Não seria
agora, com a liberdade decretada, que tudo daria errado.
A hora estava ali... na sua mão. Aquele apetite rude - sabia -
poderia pôr tudo a perder, mas o encontro era imperioso!
Sob a luz do poste quase um traste, percebeu um sussurro... o
choque do tempo, o choque de uma voz; o espanto da ânsia, da
demorada solidão, do cio.
     
- É bem aqui defronte. Nesta porta cinza.
Lá em cima via-se uma luz fraca... cor-de-rosa.
    
Entraram. A lâmpada permaneceu acesa... assim o amor exigia.
...os instantes, os movimentos, a sede do desejo ilimitado...
Estrelas, céus, nuvens, o cântico dos cânticos nas imagens
eternas do eterno amor! Convergências de corpos alternando-se
no espaço para desvendarem-se tão completamente na
sofreguidão do mais aguardado encontro de amor!!!
Libertos das amarras, o desalinho restara pela festa do
amor!
     
Despediram-se.
     
Não sabia mais se sabia que forma tinha seu corpo ou que
pensamentos habitavam seu coração. Caminhava agora
recapitulando seus fantasmas e todo o desconsolo vivido até
chegar àquele encontro.
Não sabia se ainda conhecia seu próprio abismo e nem imaginava
por que lugares deveria  mover-se. Sabia apenas que deveria
continuar. Tinha certeza também... aquela lâmpada cor-de-rosa
daquele abajur rasgado tinha assistido ao mais triunfante poder
do amor sobre o tempo... a dor... a espera... a quase perdida
esperança!

Seguiu com seus passos na calçada.
Quem sabe o que ainda viveria?...

Pelotas, RS, BR

 

 


Eu precisava falar a Deus...
 
Luciano Spagnol

 

Por que assola esta angústia no meu peito?
E o ar está se tornando rarefeito
Se sinto Tua mão a me amparar
Me vejo refletido no Teu olhar
O meu coração no Teu a desejar
 
Por que assola esta angústia no meu peito?
Se Tuas promessas em nada foi desfeito
O Teu verbo germina no jardim
Da vida, dos tempos, enfim,
Por que assola esta angústia no meu peito?
 
Se hoje estou triste, não sei explicar
Nem tão pouco preparado para confessar
Os problemas, omissões, o fútil eleito
Por que assola esta angústia no meu peito?
 
Eu sei que é muito que estou a pedir
Que já ensinou e agora peço pra me ouvir
Em minha teimosia aqui a insistir
Perguntas, dúvidas, e nada de agir
Se o fiel é crer, paternal o amor Teu
Perdão o desamor! Os pecados meus!
Eu precisava falar a Deus...
 
Luciano Spagnol
Rio, 04 de Maio de 2010
10’30”

 


 

MOSAICO
 
Luiz Poeta

Luiz Gilberto de Barros - especialmente para a Revista Recanto da prosa e do verso - Iara Melo - Portal CEN

 
Tu me inventas no vazio do teu peito,
Com teu jeito de sonhar com os pés no chão;
Quando acordas, tu nem mais sabes direito
De que lado fica o teu coração.
 
Tu me ajeitas no teu quadro sem moldura,
Com ternura, tentas reconstituir
Os momentos de amor, mas a loucura
Só te faz, estranhamente... desistir.
 
Num mosaico de emoções, tu me produzes,
Tuas luzes reprojetam meu desenho,
Na miragem do que vês, tu te seduzes,
Tu me tens  e eu... simplesmente... não te tenho.
 
Quando, então, percebes que não me criaste,
E me vês sumir  no ar que se evapora,
O anseio vão do amor que cativaste
Fica em ti... e a imagem... vai embora.
 
Estilhaças teu mosaico colorido
Sem sentido... e cada peça arremessada,
Surreal é como um pássaro ferido
Esquecido na poeira de uma estrada.
 
Tua lágrima escorre e a maquiagem
Se dissolve em tua face abandonada
Nos espelhos que só mostram tua imagem
Que te fita mas que não te diz.... mais nada.
 
 



 
FALTA DE AUTORIDADE

Malude Maciel

 

Temos nos deparado, continuamente, na sociedade hodierna, com a falta de autoridade nos mais diversos setores: nas famílias, escolas, trabalho, clubes, relacionamentos e até mesmo nas igrejas. Os valores estão tão invertidos que a gente fica aturdida com tanto despreparo e desorientação. Parece que na falta de uma cabeça pensando e de uma liderança legítima as ideias e vontades se confundem e os objetivos ficam deturpados, pois ninguém sabe a que veio e o que realmente pretende, ignorando autoridades federais, policiais, jurídicas, religiosas, etc.
Ultimamente são inúmeros os casos que demonstram a fragilidade dos pais, mestres, professores, patrões, juízes, magistrados, políticos e religiosos que, mesmo imbuídos de seus cargos, não conseguem exercer seu papel de autoridade aos seus subordinados. Uma onda de vacilações, de relativismo, de querer agradar com medo de ficar de fora, de ser chamado de chato, arcaico ou radical levam os adultos a trocarem sua responsabilidade de comando da educação pelo comodismo diante dos obstáculos no mister da missão perante seus dependentes. Todos querem fazer o que bem entendem e ainda contar com o apoio daqueles que deveriam justamente servir de base, discernimento e bússola nas horas de dúvidas e decisões. Porém, passou a existir uma cumplicidade errônea quando, para angariar aplausos, pessoas vendem seu direito de conselheiro, orientador e responsável direto aos incautos ou mesmo se rendem facilmente por qualquer cara feia ou rebeldia sem causa. Sentimos que as boas lideranças então em extinção quando a omissão campeia de braços dados com a permissibilidade desenfreada.
 Autoridade é ter o indivíduo competência indiscutível em determinado assunto e para isso deve estar preparado e orientar com zelo, dedicação e amor. Não se pode confundir autoridade com autoritarismo, pois este deve ser combatido, porém se o mundo perder a autoridade logo nos lares, isso refletirá danosamente nas demais áreas da convivência social.Antigamente era ensinado à criançada: cumprimentar, pedir desculpas, licença e a bênção, agradecer e dizer: por favor, obrigado, e sobretudo orar e respeitar os idosos. Essas boas maneiras formam um bom caráter e uma conduta de sensibilidade e educação, mas foram esquecidas e quando tais normas e outras tantas não são seguidas o resultado é a desordem generalizada pois, todo jogo tem regras e elas são fundamentais.
   A Igreja tem combatido tais indisciplinas permanecendo firme na árdua tarefa de resgatar a autoridade perdida, pois "toda autoridade legítima é constituída por Deus" e essa deve ser respeitada em todos os âmbitos da vida, senão haverá apenas baderna.
  No discurso de posse o Presidente francês, Nicolas Sarcozy se mostra enfático em dizer:
"Primeiro os deveres, depois os direitos.Quero criar uma cidadania de deveres e reabilitar o trabalho", rebatendo o slogan de maio/68 exibido na Sorbone: "Viver sem obrigações e gozar em trabalhar". Essa crise na cultura do trabalho e na disciplina é uma crise moral que se alastra por todo o mundo, assassinando os escrúpulos e a ética e tem que ser extinta, reabilitando a dignidade do cidadão desde a mais tenra idade, através da educação doméstica, pois se as crianças não forem cuidadosamente orientadas  a respeitar seus superiores dentro de seus próprios lares, como acatarão a hierarquia no decorrer de suas existências?
  As próprias autoridades, muitas vezes, não se fazem por respeitar, dando maus exemplos de comportamentos e ações arbitrários à Lei e aos bons costumes e isso acarreta revolta e insubordinação.
 Não podemos pois, aceitar a ideia de que: a autoridade está morta, as boas maneiras acabaram, nem de que não há nada de sagrado nem admirável porque esse caminho é perigoso e precisamos urgentemente corrigir esse engodo, baseados nas Sagradas Escrituras, fortalecendo a Lei de Deus porque, como disse o Profeta Isaías: "Não seguindo a Palavra de Deus o povo se corrompe".

Caruaru - PE. - Brasil 



 

As Dores da Escravidão

Mercêdes Pordeus
 


Eles vinham de tão longe, traziam consigo o medo,
As incertezas eram suas companheiras desde cedo.
Traziam o sofrimento antecipado dos seus receios
E as dores dos açoites que já não eram devaneios.

Mal chegavam, já eram analisados como animais,
Vendidos como meras mercadorias, artigos banais.
Trabalhavam duro e sofriam o peso da escravidão,
A cada chicotada e açoite sentiam a dor da solidão.

A cada ano as esperanças da liberdade se dissipavam,
Os seus filhos nasciam e naquele regime continuavam.
Enquanto os mais velhos as dores do flagelo sofriam,
Os ecos da noite nos traziam os sons dos que gemiam.

Ao longe era refletida desses ecos a repercussão
E o reflexo do som trazia a forte dor da servidão.
Pelo negro, no nosso país, através da escravidão
De terras longínquas a saudade do seu natal torrão.

Mais navios negreiros que aportavam e a história se repetia
Movimentos no Brasil a escravidão, aos poucos, se extinguia.
Castro Alves o poeta abolicionista que os seus ideais escrevia,
Vozes da África, Navio Negreiro, Os Escravos, primeira poesia.

O poeta abolicionista marcou época com sua primeira poesia
Mais um nordestino que com força e garra, nascido na Bahia,
Seus estudos de Direito na Faculdade de Recife realizaria
E o seu grande apogeu no Rio de Janeiro, ele consolidaria.

Dezessete anos passaram após a morte do grande Poeta
Para se realizar seu almejado sonho, seu grito de alerta,
Decretada extinta a escravidão e o grande Brasil desperta
Na Lei Áurea está implícita a nobreza da alma do poeta.

Recife/Brasil

 





 


AMOR DE IMPROVISO

(Por Ricardo Brandes)


 

Doze de junho. Um rapaz aguardava a descida de um anjo do céu, marcada para as 5:30 da tarde, bem ali, na praça de alimentação do Shopping mais famoso da cidade. Como havia chegado cedo, aproveitou seu tempo para escolher uma frase para o cartão do dia dos namorados....
 
“O amor é a asa que Deus deu à alma para ascender ao infinito”
Miguel Ângelo
 
“O amor é uma hóstia que deveríamos receber de joelhos”
Oscar Wilde
 
“Para nós o amor é sol, que nos abrasa os sentidos; Para as mulheres o anzol, com que se pescam maridos”
João Penha
 
“O amor é duna de areia (varia, mal se formou) Rompante de maré cheia, (Água o deu, água o levou)”
Augusto Gil
 
"O amor é um som que reclama um eco"
Julio Dinis       
 
“O amor é um ardente esquecimento de tudo”
Vitor Hugo
 
“O amor, eflúvio suave, que faz do ninho uma estrela, e faz da estrela uma ave”
Guerra Junqueiro
 
“Não há nunca amor perfeito, sem tortura e sem cuidado; Amar é Ter Deus no peito, outra vez crucificado”
Augusto Gil

O rapaz leu e releu tantas vezes as frases, que quando percebeu, seu anjo já havia descido do céu. Ali estava ela, sentada ao seu lado, e ele ainda nem tinha escolhido nenhuma palavra para expressar o seu amor! Olharam-se, olho no olho, e assim surgiu o melhor presente e a melhor frase para aquele momento tão especial:
 
Um beijo foi o presente dele pra ela, e dela pra ele. Os dois se beijaram...
Uma frase foi o presente dela pra ele, e dele pra ela: EU TE AMO...
 
Por Ricardo Brandes / www.blogdaoktober.blogspot.com
Blumenau, Brasil
 
 

 

 


ACORDAR E SONHAR NOVAMENTE

Selene Antunes


Caminhando solitária pela estrada
Vendo o sol se por calmamente
Uma luz colorida  e envolvente
Fazendo-me  sonhar com um novo dia
Dia este de esperança e  amor
Que nunca pude sentir antes
Em toda a minha vida
Vivendo uma vida que não era minha
Só fui eu mesma algumas vezes
 E  por raros  instantes
Aquele sol ao entardecer
Com uma beleza rara de cores
Tocou fundo o meu coração
Ele me fez despertar e sonhar novamente
Voltei a pensar em um novo amor
E tudo fazer para encontrar a felicidade
Afinal é preciso ter esperanças e sonhar
E quem sabe encontrar e viver um grande amor
E talvez me apaixonar e ser feliz algum dia
Afinal  despertei para a vida e quero viver
Por muito tempo deixei de viver minha vida
Para viver somente para os outros
Acomodar-me  e esperar o fim é covardia
Nasci para viver  sonhar e amar
Agora quero pensar em mim e viver por mim
Sei que não é tarde este amor vou encontrar
Basta querer é só esperar....
 

 



SUAVIZE SEU VIVER

Sueli Rodrigues Bittencourt

 
Viva a vida com amor e alegria.
Veja sempre o lado positivo das coisas.
Não se lamente, lute com garra para vencer.
Enfrentando o difícil ganhamos forças.
Aprendemos muito com as derrotas,
para mais tarde melhor viver!
 
Ao ultrapassar ou contornar dificuldades,
sinta o prazer da vitória, sinta felicidades!...
 
Ame as pessoas e a si mesmo.
Admire as flores, os animais, as plantas,
o sol, a lua, a chuva e coisas tantas...
Sorria, dance, cante, brinque!
Exercite corpo, mente e coração.
Divirta-se e trabalhe com satisfação!
 
A vida é bela, viva-a com todo o prazer,
Suavizando assim o seu viver!


            Para suavizar seu viver, sorria sempre que oportuno.  Tenha sempre um sorriso para as pessoas  e para si mesmo.  Leve a vida com bom humor e quando achar graça de alguma coisa, ria, ria à vontade. Isto faz bem.  Rir é um grande  remédio  para o  nosso  espírito, como também para nosso físico.
            Mau humor faz mal, prejudica tanto quem o tem como aqueles que estão a sua volta.  Mau humor deixa o ambiente pesado, desagradável, impedindo boa produção no trabalho, ou qualquer satisfação em momentos  comuns ou de lazer.
            Mesmo que algo desagradável lhe tenha acontecido, domine seu mau humor, não prejudique os outros nem a si mesmo.  Se você não pode resolver nesse instante o problema que o aflige, “desligue”. Deixe para resolvê-lo mais tarde.  Pense então em coisas agradáveis e volte a sorrir.
            Sempre que possível, procure falar de coisas boas, de acontecimentos agradáveis ou de seus sonhos, animando seus parceiros  para a  boa  realização  de seus  projetos.
            Cultive bons pensamentos, eles levam a  boas soluções e a atitudes  positivas. Bom humor e bons pensamentos são a chave para um viver mais suave e feliz.

 
 
 
 

 

 

Arte final topo da página criada por Iara Melo

Fundo Musical: Catedral

Compositor: Tanika Tikaram

Versão: Christiaan Oyens/Zélia Duncan

 

 

 

 
 
 
 
 
 
 
 

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