Ano III - Novembro - 2010

Participação de Diversos Autores

do Portal CEN

 

 

 

 

 

Alice Tomé

DESTINOS...

Lisboa...
Essa Saudade
(...)

Lisboa é rosa branca
Lisboa é alecrim
Lisboa canta e chora
No orvalho do jardim!
(...)

Na Av. da Liberdade
A Saudade anda à nora
Desfilando na cidade
Paixão de quem lá mora!
(...)

Vive essa Saudade
Quem tiver de te deixar
Lisboa, cidade "Fado"
Do partir ao regressar!
(....)

Lisboa...
Essa Saudade...

D E S T I N O S!!!
(...)
A autora © Alice Tomé, (25 de Agosto de 2005) dedica este poema à Professora Doutora Teresa Pires Carreira, Cientista Socióloga, Educóloga, escritora e muito mais (...). Portugal
Alice Tomé é Professora Universitária, Doutora em Ciências da Educação,
Cientista Educóloga, Socióloga,  Poeta, Ensaísta... Portugal.  
http://atome.no.sapo.pt/index.htm

 

 

 

 

 

 

 

 

A MEIA LARANJA
 
Alfredo dos Santos Mendes

 
Senti meu coração alvoroçado,
Bater desordenado no meu peito.
Impávido fiquei! Fiquei sem jeito!
Que raio o pôs assim em tal estado?
 
Olhei em meu redor, desconfiado.
Senti-me desolado, contrafeito!
Por não compreender, a causa efeito,
Que o pusera a bater descontrolado!
 
Tive depois, a estranha sensação.
Que me tinham aberto o coração,
E dentro dele, alguém se aboletava!
 
Aos poucos o meu ser se aquietou.
Pois percebeu, que o ser, que se alojou…
Era a meia laranja que faltava!


 
 

 

 

 

 

 

O poeta canta o amor e a dor

Ana Clara Ribeiro 
 
 
Como não hei de cantar meus sonhos
bradar aos céus minha emoção,
 depois,
bem baixinho,
sussurrar:
és tu a minha inspiração!
 
Irás, oh! homem amado,
perceber,
são os versos meus,
que clamam ,
choram,
sorriem,
todos, todos teus...
Nos meus sonhos, encantados,
que a inspiração, verso por verso,
seja o sentimento teu
a reviver momentos,
antigamente nossos...
Sejam os beijos quentes
a derramarem-se como lavas...
Lavas encontradas na volúpia ardorosa,
no aflorar de um  desejo,
fantasioso, tão meu, tão nosso...
A favor do amor, meu amor
que não se  deixe naufragar a vida
nas águas de um  desamor...

Pelotas-RS
Brasil


 

 

 

 

 

MARIA, A PEREGRINA NA FÉ
 
Ana Maria Nascimento
 

Gabriel a fez eleita
Pra ser a mãe de Jesus.
Sua formosura perfeita
Nos reflete sempre a luz.
Percebendo um dos seus filhos,
Disperso na escuridão,
Quebra todos empecilhos
Lhe ilumina o coração.
Com ela todas as raças
Têm igualdade de cor,
Caminham nas mesmas praças
E ninguém é opressor.
Recebe afetividade
De seu povo seguidor.
Nesse clima de amizade
O pequeno tem valor.
Maria, é mãe peregrina,
Dotada de amor e graça,
E, por seres mãe divina
A humanidade te abraça.

 
 
 

 

VOCÊ!

Ana Paula Costa Brasil
 

Corri... como corri
Para pular em seu colo
Fundir nossos corpos
Morder seus lábios
Acariciar seu corpo... sentir sua pele
Provar de seu gosto... descobrir minha alma
Mesclar nossos braços... misturas os cabelos
Entrelaçar nossas pernas
Mas... Corri... como corri
Quando vi que você não era você
Que eu nem mesmo conhecia você
Eu fantasiava... construía um você
Como corri por não saber quem é esse outro você
Que não é o meu você
Você... meu você
Fez-me viver... fez-me voltar a sonhar
Fez-me querer... fez-me fazer
Você... o outro você
Fez-me chorar... fez-me sofrer
Fez-me esquecer
O quanto amei
Oh! Meu você
O você que construí para amar
O meu você

 

 

 

ADOLESCENTES...

Arthur Veronese Freire
 

Na adolescência abrem-se
as portas da vida.
Após, tantas restrições na infância,
o adolescente ganha chances
que, ora o faz pairar
sobre nuvens negras
de frustrações e de desilusões;
ora em brancas nuvens pacíficas
e alegres rumo ao sucesso.
Alguns usam e abusam
de suas liberdades,
consumindo drogas
e bebidas alcoólicas,
expondo suas vidas
e de outros adolescentes.
O amadurecer é importante
para não nos sentirmos
perdidos e sufocados
pelas oscilações do cotidiano.




 

 


AMOR OCULTO

Aparecido Donizetti Hernandez
 
 
Quanto te esperei... quanto te esperei!...
Não viestes..., onde estavas?
Não respondas, eu sei...
Estavas junto aos anjos.

Te esperei... e quanto te esperei!...
Não perguntarei onde estavas,
Pois sei, estavas junto aos anjos
Esperando a hora de vires,
Mas será que é essa a hora?!
Quanto te esperei!... esperei...

Somente agora os anjos a deixas vir,
Deixarás os céus com anjos tristonhos
E me fará feliz!
 
 
 
 
 
 
SONS DISPERSOS

Belkis Freitas de Oliveira
 

Ao som pesado,
as angústias do cotidiano se dissipam.
E tomado pela razão,
destrói-se o impulso
que move o poeta.
Já não há mais ruas sem saídas,
nem paredes sem tetos,
Apenas concretos cinzentos
enclausurando mentes inquietas.
Nesse sinistro mundo,
somente no seu olhar disperso
ela encontro alento.


 
 
 
 
 
 
Onde mora a felicidade?

Cibele Carvalho


Mora na luz de um sorriso
e no aperto forte de um abraço.
Mora numa palavra de ajuda
àquele que sente algum cansaço.

A felicidade mora no instante
em que nós estendemos a mão
para ajudar o nosso semelhante,
para levantar o nosso irmão.

Mora, também, na caridade
praticada ao longo do caminho,
pois sabemos que ela, na verdade,
deixa qualquer um menos sozinho.

A felicidade mora em todos nós,
no momento em que compartilhamos,
no instante em que nos doamos,
 tornando o outro mais feliz.

Mora, enfim, em toda parte
em que se vive como Jesus quis.

 
 

 

 

Marília
 
Cida Micossi
 

Quisera ser, Dirceu, tua Marília,
a musa que inspira os versos teus,
saber que me dedicas tanto amor
que possa se juntar aos sonhos meus.
 
Tu e eu enlaçados, na campina
envolvidos, entregues ao afã.
Bucólica paisagem descortina
miragens, ao som das notas de Pã,
 
borboletas, pássaros e flores,
aromas, doces toques e sabores.
Cativa de teus braços tu me fazes!
 
Embevecido, Dirceu, te inclinas
e de meu corpo agora entorpecido
sorves todas as gotas cristalinas.
 
 

 

 

 

NATAL
 
Dalton Luiz Gandin

 
Uma gestante
caminha lentamente
nos compassos do seu coração.
Seus passos?
Marcam este chão
duro de roer...
Deus?
Vai nascer...
Alegria entre os homens.
Alegria!
Bendita barriga!
Alegria, José!




 


É TEMPO DE PRIMAVERA


(Diana Camargo - São Sepé/RS)
 

É tempo de primavera...
De flores e cores por todos os cantos
Pássaros em bandos que revoam seus cios
E cantam frenéticos no encanto da amada.
É tempo de primavera...
Que leva pra longe os dias sombrios
E traz numa brisa o cheiro suave
Das belas floradas dos grandes ipês.
É tempo de primavera
Da vida que brota por todos os lados
Beija-flores alegres multicoloridos
De flores em flores em busca do néctar.
É tempo de primavera...
E a vida é mais leve nas ruas e parques
Sorrisos estampam os rostos alegres
Parece que o sol fica mais radiante.
É tempo de primavera!

 

 

 

 

MEU GATO

Efigênia Coutinho
 

Meu gato é uma tentação,
Fez em meu coração seu ninho
Deixando-me sentir toda magia
Do seu amor em plena energia,
Aplacando minha sofreguidão,
Ele vem sempre de mansinho,
Com seu olhar me encantando,
Com seus pelos macios me acarinhando,
Arrancando de mim muito tesão.
Que gato mais manhoso!
Se em seu trabalho se estressa,
Comigo muda de opinião,
Pois eu vou mais que depressa,
Faço-lhe um carinho bem gostoso,
Sossegando o seu coração.
Assim tudo vira uma folia,
Quando o meu gatinho chega,
Em meu colo ele se aconchega
E de afagos me extasia!
Ó meu Gatinho!...
Como eu adoro seu carinho!

Balneário Camboriú
Novembro 2010



 

 


Quero te amar

Fátima Abrantes

 

Ouvindo o som da emoção
e seguindo as ordens do coração,
preciso dizer "Que te amo!"

Ainda que não saibas, nem desconfies,
já não é possível suportar a vontade de te amar...
Descaradamente...Sem medo, sem pejo,
é unicamente o que vejo!

Busco-te no pensamento...
De dia, de noite, à luz do luar,
sobre a relva, num momento,
nos transportar rumo ao céu do prazer...Sonhar...

Delícias de carinho, fogo e paixão...
Só nossa visão, nosso calor, nossos sorrisos...
Átimos incontidos, entrega total...
Querido, quero te amar!

 

 
 

 

 

CAMINHOS...

Flavio Pinto Soares Filho

 
Coragem... Força...
Nem tudo está perdido.
O destino nos uniu
para que eu pudesse ajudá-la
a atingir teus sonhos.
A vida, por hora, cruzou teus caminhos,
mas, ao nos conhecermos,
portas se abriram
e luzes passaram a brilhar.
Hoje, andamos numa só linha;
e, não podemos negar
que estamos num grande jogo.
Eu a escolhi para jogar comigo.
Caminhos ligados... Obra divina...
Destino... Coincidência...
Versos singulares...
Amor a primeira vista...
Encontro inexplicável...
“Só sei que nada sei” (Sócrates)




 

 
QUANDO...

Gabriella Brodt Rama

 
Quando te olhei
pela primeira vez
meu coração bateu
mais forte e meu
corpo foi a delírios.
Meus olhos foram tomados
por um brilho radiante
que tomou conta
de meu ser.
Quando percebi, eu era
luz, paz e harmonia. 



 

 
O MEU RELICÁRIO

Glória Marreiros
 

No meu relicário há rosas sem fim,
já murchas, caídas, no tempo que passa,
perderam seu âmbar, vestígios de graça,
lembrando os pedaços que noivam meu fim.

E nesses sudários, meu rosto carmim,
carmim?... Mas na hora em que o riso esvoaça
em castos poemas, escritos com raça,
na chuva a bailar em redor do meu sim.

Mas eu já não sei dos fracassos da vida...
Torturas de outrora, deixando vencida
a caixa das contas que tem meu rosário.

Perdi a esperança no espaço da lei,
onde há rosas secas e beijos que dei
sem troca, a murcharem no meu relicário. 

Portimão, 12 de Outubro de 2010

 

 
 

 

 

ESCREVER

Henry Caiaffo Caldas

 
Ao escrevermos, expressamos
emoções e sentimentos
a partir do voo poético
que existe em nós
e que, para o eternizar,
devemos registrar
numa folha de papel.
 
Escrever abre-nos caminhos
para o conhecimento
e para um futuro harmonioso.
Ler e escrever
são belíssima artes,
pois nos permitem interagir
com o eu que existe dentro de nós
e com os outros.



 

 

 

 

Solidão
 
Heralda Víctor

 
Quatro paredes...
Nenhum ruído...
É um silêncio estarrecedor.
A mente se distancia em pensamentos.
Olhos tristonhos vagueiam pelo teto do quarto solitário, entregues às lembranças que o tempo esqueceu, não apagou.
Estranhas e dolorosas recordações transportam a um mundo ilusório, distante.
Na intimidade do quarto entristecido, olhos abertos, fixos, sonham revivendo cenas da paixão loucamente vivida.
Apesar de dolorosa, sem sombra de dúvidas é uma bela e irresistível visão, à imagem de uma divindade do Olimpo.
Agarra-se às lembranças revivendo no presente o que ficou do passado e sofre debatendo-se intimamente.
A dor das recordações mescla-se ao cansaço do corpo.
Envolve-se em devaneios sentindo o perfume, fusão de colônia e paixão.
Ouve o riso solto, aberto num sorriso encantador!
Estende as mãos atendendo ao apelo do convite.
Uma miragem, outra vez uma miragem.
Reluta para não chorar.
Não quer chorar, mas a lágrima guardada desprende-se vitoriosa e cai...
Desperta do sono que não dormiu olhando demoradamente o quarto...
Reúne forças.
Ergue-se!
Enxuga a lágrima.
Sai do quarto...

 



 

NO SILÊNCIO DA NOITE
 
Hermoclydes S. Franco


No fim do dia, quando a noite vem,
Meu quarto triste, já sem claridade,
Depois da tarde em que partiu meu bem,
Nada mais guarda senão a saudade...

Nesta tristeza em que me abato, agora,
Marcando o fim dos dias de ventura,
Meu peito sofre e o coração deplora
A falta dos momentos de ternura.

A noite chega, enfim, e uma oração
Faço, contrito, a Deus Onipotente,
Para acalmar meu ser, em solidão,
E dar-me a luz e a paz, em tom silente!...

Bem nesse instante de silêncio e calma
Vejo, no céu, estrelas luminosas
Que parecem dizer para a minha alma:
"Enquanto a noite dorme, nascem rosas"!...
 
 
 
 
 
 
 
ESPLENDOR QUE EMBRIAGA

Ilda Maria Costa Brasil

 
Um sorriso, seja de criança
ou de adulto,
é um esplendor que embriaga.
Num sorriso, podemos obter
inúmeras informações
quanto ao caráter
e a personalidade de alguém.
Alguns irradiam luzes
e são portadores de afeto,
de amor e de carisma;
outros nos causam calafrios
por serem providos de ironia,
dissimulação e hipocrisia.
Um sorriso, quando natural
e espontâneo, é esplendor
que embriaga e nos enche
de paz, harmonia e satisfação.

 

 

UMA COLETÂNEA SINISTRA E MISTERIOSA!

Ilda Maria Costa Brasil
 
  
          Com frequência, vejo-me a pensar nas razões, nas ideias e nos princípios que levam algumas pessoas a semearem mentiras, hipocrisia e hostilidade. Para afastar-me de tais pensamentos, envolvo-me com uma boa leitura.
          Rápida, com os olhos, busquei a mesinha de canto da sala de estar, onde colocara uma coletânea que havia ganho no dia anterior. A obra era volumosa e as cores da capa davam um efeito contrastante e misterioso: uma mistura de raios luminosos e trevas, de planícies e penhascos, de vales e maremotos. Senti-me levada a manuseá-la e, ao levantar-me para pegá-la, vivo uma sensação esmagadora. Estava paralisada e não conseguia andar. O coração disparou e minhas mãos ficaram frias. Por alguns segundos, perdi a noção de espaço e de lógica. O ar foi ficando impregnado de um cheiro forte de jasmim e um longo arrepio passou-me pelo corpo. O clima era pesado e misterioso. Dirigi-me à janela e observei os canteiros de flores que contornavam a casa. Surpresa, vi que não havia nem um pé de jasmim no jardim, fato que não me preocupou. Aos poucos, passei a apreciar a rua lindamente arborizada e florida. Após alguns minutos, minha concentração foi quebrada por um ruído ensurdecedor que veio do interior da casa, o qual não fui conferir. Peguei o livro e sentei-me num sofá que, por coincidência, era, também, preto e amarelo. À medida que lia, algo fenomenal passou a ocorrer: de diversas páginas brotavam gotas de sangue. Sangue-erros, erros-sangue... Apavorada, procurei identificar os autores responsáveis por tais textos e, ao ler seus nomes, compreendi o que estava acontecendo. A inveja e a maldade daquelas pessoas era tamanha que sobrepunha ao lirismo de seus versos. Cada página se projetava conforme o modo de ser e de agir de seus donos. A diagramação feita pelo editor foi perdendo a forma e as páginas desoladoras passaram a ocupar a coletânea.
           A sensação era angustiante e desagradável; no entanto, uma forte voz interior me fez voltar à realidade, dizendo-me: “- Esteja sempre atenta aos pensamentos que percorrem nossa mente e lembre-se de que o sonho pode ser uma mensagem que nos está sendo enviada.” De repente, adentra a sala um pássaro amarelo e, indiferente, a tudo e a todos, pousa sobre o livro. Extasiada, olho-o, pois o cenário estranho e hostil dera lugar a um aroma campestre e envolvente, tornando o local repleto de luzes brilhantes e fascinantes.

 


 

 
NATAL
 
Ivone Boechat


    Nossos corpos se enfeitam com a beleza da gratidão e as luzes da fé para compor o presépio de Natal na gruta da oração: Jesus Nasceu!
    Há, por toda parte, notas musicais na pauta de cada gesto. A grandiosa orquestra do amor afina seus acordes na harpa dos séculos. É Natal!
    Na simbiose definitiva do perdão e da prece, lágrimas se derramam no cálice da esperança. Nós, ovelhas do campo de Belém, apascentamos a doce alegria da promessa cumprida.
    A noiva celestial levanta sua grinalda de estrelas e contempla a eternidade no berço humildade da estrebaria. Em meio aos rumores do mistério, a vida se define e se justifica no calor dos braços de Maria, Mãe do Amor!
    Natal de árvores brilhantes e rostos apagados na sobrevivência do abandono. Natal do encontro de pessoas desencontradas na distância. Natal da criança feliz, abrindo fitas na festa da ilusão de cada dia. Natal do menino que chora, que pede e se despede nas ruas da amargura. Natal dos manjares, da toalha de linho, das velas coloridas na anemia da vaidade. Natal de Jesus Cristo, diariamente, no calor do abraço amigo, da mão estendida, do olhar carinhoso, do teto e da porta aberta.
    Natal da fé! Natal da Igreja de Cristo, pronta, forte, confiante, guerreira. Natal da caridade que se esforça e vai às favelas, distribui esperança, planta a justiça, semeia o Evangelho, acende a luz das Boas Novas. Natal de felicidade na certeza do olhar de cada rosto.
    Natal sempre, de janeiro a dezembro, sem dia pré-estabelecido no coração dos homens de má vontade. Natal no propósito, no desejo de servir ao próximo aflito, distante na frieza do egoísmo. Natal do perdão, sem barreiras, sem bandeiras, protocolos, normas, constituições. Natal de ações.
    Natal de agora, na ternura, no altar, suplicando, de joelhos, que  Jesus Cristo continue iluminando corações, multiplicando a capacidade de amar, de servir, de ir, ou de ficar de olhos fixos na Sua palavra, na Sua promessa de arrebatamento no juízo final.
    Feliz Natal!
 
 
 

 
 
Janela de Trem

J.R.Cônsoli

  
   Estação!... Vagão 9. Entra e sai de pessoas, meu lugar junto à janela, abraços, beijos, despedidas, lágrimas! Fuiiiiiiiiiiiiip!... chschschschschschschschsssss... Fuiiiiiiiiiiiiip...
 
        Partimos!  stalan!... stalan!... stalan!... stalan! Pessoas ainda se acomodam, abrir e fechar de portas, lá fora... céu azul, urubus circulam, procurando ventos ascendentes.
 
- A passagem, por favor?
 
- Pois não!... bolso direito, bolso esquerdo, ajeito os óculos, bolsinho da camisa...  aqui  está! Stalan!...stalan!... árvores frondosas,  nuvens brancas, stalan!... stalan!... viaduto, rio largo, águas barrentas, casa pequena, casa grande, fábrica, galpão, campo de futebol,  área alagada,  plantação de hortaliças,  galinhas ciscando,  pessoas conversando, homens trabalhando, stalan!... stalan!... casas ao longe, descampado, montanhas azuis... Verde, muito verde!... grande extensão de matas, ribeirões, cachoeiras, eucaliptos ao longo da ferrovia! Luz... sombra... luz...sombra... luz...sombra... luz...sombra... luzzzzzzz!...
 
        Campos verdes, gado pastando, cavalos, casinha de pau-a-pique, terreiro de terra batida,  mulher lavando roupa, camponês fumando, stalan... stalan... stalan!... stalan!... chapéu de aba larga, sol do meio-dia, crianças brincando. Annh! Que sono... que sono!
 
 Sons de melodias ancestrais! Alegria, muita alegria! Pessoas  divertindo-se, dançando, conversando animadamente, algumas fantasias, fogos de artifício, cascatas de luzes coloridas...
 
 O relógio marca quase meia-noite... então, o grande congraçamento, muitos abraços, barulho de taças em brindes, sorrisos, confraternização!...
 
 Alguém  com cabeça de águia me convida ao brinde!... Tim - Tim! - Felizzzzzz!...  Silêncio!... O que  aconteceu?... a música emudeceu,  as luzes se  apagaram, está tão escuro!
 
 Acendo um fósforo... estou numa caverna!... outro fósforo... que estranho... pinturas nas paredes: - automóveis, aviões, edifícios, computadores!... Preciso sair daqui! Luz naquela direção, passagens estreitas, pedras e mais pedras... ufa, finalmente!
 
Sol das nove horas, céu azul, montanhas ao longe, florestas... muitas árvores, flores... muitas flores, filetes d’água descem de um bloco granítico imenso do outro lado do vale, revoada de pássaros brancos... reluzentes!
 
 Sons harmoniosos!... Meu Deus! Onde estou? Fiquei um pouco zonzo, vou molhar o rosto naquela nascente, ahnn!...  água pura e fresca... que delícia! bebo um pouco, sinto-me renovado.
 
 Posso divisar por entre as pedras, bem ao longe, uma pirâmide transparente de tamanho descomunal, cuja base podia tranqüilamente abrigar uma cidade inteira! O reflexo dos raios solares na superfície vítrea dos seus lados era tamanho, que poderia cegar quem a olhasse diretamente. Mais perguntas sem respostas!...
 
 De repente, tudo muda... estou num salão imenso, onde as paredes parecem grandes vitrais com motivos diversos, formas coloridas arrojadas e bizarras que lembram constelações espaciais. Parece incrível, mas não tenho medo, o ambiente transmite extasiante harmonia. Eu posso jurar que ouço  sons de uma música inusitada, cósmica, maravilhosa!... São sons internos, pois externamente, no momento, prevalece  absoluto silêncio.
 
 Foi então, que diante de mim, num espectro de luz colorida, aparece a figura com cabeça de águia novamente... o cálice na mão, dizendo: - ZZZzzzzzz!  3989!...  Paz na Terra!... Fuiiiiiiiiiiiiip!... Stalan... stalan... stalan...  stalan!...
 

 
 
 
 

EU QUERIA VOLTAR NO TEMPO...

Jandyra Adami 


Eu queria voltar no tempo.
Qualquer dia...qualquer hora.
Viver o que não vivi.
Ser mais feliz do que fui
Queria aproveitar os momentos.
Ter e dar alegria em abundância
Ser mais otimista e alegre.
Saber encarar meus 20 anos
com a felicidade e o charme que tinha,
para desfilar em todas as passarelas.
Vibrar mais com os aplausos...
Acreditar que era bonita e
aceitar os galanteios com prazer...
Queria ter meus 11 anos,
quando recebi Jesus pela primeira vez
em meu coraçãozinho tão puro.
Aproveitar bem a presença de meu pai,
antes de sua partida quando eu tinha só 10 anos.
Voltar à infância, naquela pureza de meu tempo.
Cantar, dançar, com meu pai ao piano.
Fazer tudo que fazia, com a família reunida.
Cabelos cacheados, olhos bem verdes...
Linda menina eu era...
Voltar para os braços da mamãe e de todos.
Ser aquele bebê bonito que todos amavam.
Alimentar-me com o leite materno,
mais puro e cheio de amor,
amor de mãe que é o maior que existe.
Queria depois, voltar ao útero materno,
lugar mais protegido que tem o ser humano.
E, finalmente,
queria ser o orgasmo de um casal apaixonado,
pois eu fui feita com muito amor...
O verdadeiro amor de duas pessoas
que viveram somente uma para a outra:
Meu pai e minha mãe...
 

 

 
 

 

 

EXCLUSÃO SOCIAL

José Renato Hauck Junior

 
Há muito tempo,
existem pessoas
que não aceitam as diferenças
dos outros.
Essas nunca estarão abertas
para tal convívio social.
 
Nossa sociedade precisa ser reeducada
para se tornar uma nação
fraterna e solidária,
pois a todos cabem os mesmos direitos.
 
O Brasil é conhecido
pela grandeza de  sua cultura;
logo, entre nós,
não deve existir
preconceitos nem discriminações.
Salve a inclusão!
 

 

 

 

CONVERSÃO

Juraci da Silva Martins

 
Pintei no horizonte a vida que eu queria
E o vento derrubou o meu castelo...
Escrevi na areia da praia a minha poesia
E o mar a levou para suas profundezas.
Plantei uma árvore de frutos dourados
E a geada de prata a fez secar.
Teci um manto de arlequim,
Com diamantes e turquesas
E as rudezas dos incautos lhe deram fim.
Então, semeei a paz e a fraternidade
E minha vida se transformou.
Meu castelo se edificou,
Minha árvore floresceu
E deu frutos, mil por um...
Vesti o manto da simplicidade
E minha poesia se perpetuou!
 
São Sepé/RS
28/10/2010


 

 

 

Nascimento e morte de um rio
 
Jussára C Godinho
 

Nasci sereno
manso e cristalino
por entre os verdes
doce vale menino

Cresci robusto
forte e valente
e fui andando
emocionando gente

Atravessei cidades
quase poderoso
mas tanta maldade
Deixou-me horroroso

Os lixões, lixos, lixinhos
Deixaram-me malcheiroso
afogaram meus peixinhos
Não sou mais um rio garboso

 

 
 

 

 

EU ESTOU AQUI, MEU AMOR!

Laura Bauer Silveira

 
Meu amor, estou  aqui para te aquecer,
abraçar-te e amar-te.
Quero que saibas
que é muito bom estar contigo.
 
Meu amor, quando te olho,
meus sentimentos por ti aumentam.
Gosto de passar o meu tempo ao teu lado
por me transmitires alegrias.
 
Quando penso em ti,
dá-me uma vontade extrema de chorar.
Quando gostamos muito de alguém,
desejamos, o tempo todo, estar ao seu lado.
 
Meu amor, sempre que nos despedimos,
fico triste
e não vejo a hora
de revê-lo novamente. 

 

 
 
 
 
Uma boa ideia!

Lígia Antunes Leivas


O dia com muito trabalho deixara-o cansado, estonteado.
Largou a pasta e o casaco onde deu. Atirou-se no sofá. Ligou o som, a tv, o radinho. Precisava sentir-se acompanhado. Na janela do apartamento defronte a vizinha seguia o ritual de todos os dias, espanava os móveis mesmo àquela hora.
   
Estranhos os mecanismos para burlar a solidão... cada qual inventa seu próprio jeito.
   
Naquela noite resolveu que mudaria de vida: por que não se aproximar da vizinha, então???
    
Coro e orquestra afinaram-se sem retoques!!!... em todos os toques!!!

 


 
 

 De dor ou de amor...
 
Lígia Antunes Leivas


Somos presença fugidia
Somos ao mesmo tempo
solidão e multidão
desapego e rebeldia;
- E o próximo minuto?
...total imprevisão:
- De amor ou de dor?
Apenas de perplexidade
ante a perenidade
...momentânea...
desse apenas
   segundo
cheio de eternidade
 
 
 
 
 
 
 
SOLIDARIEDADE...

Lucas Borba Mallmann

 
Solidariedade,
um ato de bondade,
de amor,
de lealdade.
 
Solidariedade
significa amar
e, até mesmo,
viver em paz.
 
Solidariedade
vem de berço,
de família;
um sentimento verdadeiro.
 
Solidariedade.
todo mundo deveria ter,
pois, só assim, haverá
melhoria no viver!
 

 

 

Escritor artista
 
Paulo Marcelo Paulek 

 
Sou fã daquele escritor rebuscado
Que demora um bocado
Mas deixa um legado
Muitos escrevem...
Porém poucos sabem o que escrevem
Existem aqueles que escrevem para preencher papel
Outros que não pensam o que escrevem
Também há aqueles que pensam antes de escrever
E assim vão surgindo
Infinitos escritores
Mas o que eu admiro mesmo
É aquele artista da palavra que
Elabora um pensamento
Projeta uma imagem
Constrói um contexto
E aos poucos sem pressa
Deixa para o último instante
O momento de escrever...
É comparo a um caçador
Que busca sua caça
Cercando-a
Encurralando-a
Conduzindo
Para um lugar
Onde não tem escape
Respira um instante
Olha para presa fixamente 
Indefesa
Aponta sua arma
Mira no alvo mortal
Respira mais uma vez
Ouve o silêncio da mata
E atira...
Pássaros voam
O caçador 
Assim...
 Antecipa
Uma morte...
Mas garante
uma vida.

07/11/2010

 


 

DESEJO DE LIBERDADE...

Pedro Alibio

 
O que é liberdade?
Depende de pessoa para pessoa.
Para alguns, o verão:
calor, piscina, alegria, praia, mar;
sair à noite, curtir festas com amigos, dançar.
 
Para outros, liberdade,
é algo bastante questionável;
riscos de dar-se mal por não a saber usar,
metendo-se em confusões.
 
Para crianças, liberdade
é não precisar estar sempre
juntinho dos pais;
para adolescentes,
é uma maneira diferente
e avançada de agir.
 
Liberdade, para mim,
é corresponder a confiança
que depositaram em mim.


 

 

REFLEXÕES

Kayron Torma Oliveira

 
Pensamentos vem e vão.
Novas ideias surgem
e, com elas, críticas a si mesmo virão.
Olhar para dentro de si
é a melhor maneira de refletir
sobre atos passados
que nunca virão a se repetir novamente.
Vivências e experiências,
é tudo que nos resta por aqui.
Deste mundo, levaremos o amor
e os bons fluídos
que transmitimos, aqui e ali.




 

RETRATO DO PASSADO

Lucas Cozza Bruno
                                

Memórias que nunca
vão ser esquecidas,
memórias que
marcam histórias;
histórias que
são tesouros e insucessos,
registros que
não se apagam
como os que trazem sorte:
os trevos de quatro folhas.
Nunca me esquecerei
das histórias felizes,
onde tive grandes conquistas,
vidas impressas
e reveladas
numa folha de papel
que nunca serão
deixadas de mão...
...ou melhor, da memória.

 

 

 
QUE PALAVRA!
 
Raymundo de Salles Brasil


A palavra de Deus, o povo fala,
E com sabedoria, tem poder.
Diante dela qualquer outra se cala,
Por mais erudição que possa ter.
 
No tempo imensurável – nessa escala –
É o livro mais antigo de se ler,
E mesmo assim se encontra em toda sala,
Penetra o coração e muda o ser.
 
Palavra sempre nova, nova em folha,
Que pousa em nossas almas como bolha
E deixa lá o Espírito da Luz.
 
É uma prova inconteste que é de Deus,
Foi lá que eu descobri que os meus, que os seus
Pecados são perdoados por Jesus.
 

 
 
 
 
 
SER AUSENTE
 
Raquel Gastaldi
 

Na fuga do presente,
Fingindo um ser ausente,
Calo.
Ao vejo o homem
Contra a natureza.
Não vejo o homem
Contra o homem.
Não vejo guerras
Só a paz.
Não vejo o ódio
Só o perdão.
Não vejo o morrer
Só o nascer.
Não vejo nada. . .
Não ouço o som barulhento
Dos carros,
Só as cigarras, os pássaros.
Não ouço a voz que me difama,
Só a que me chama.
Não ouço a tempestade no mar,
Só a suave brisa passar.
Não ouço a criança chorar,
Só a brincar.
Não falo com ironia
Só com alegria.
Não falo o mal
Só o bem.
Não falo do submundo
Só do mundo.
Não falo academicamente,
Só escrevo
Pura e simplesmente.
 
 
 
 
 
 
 
ATRAVÉS DA VIDRAÇA  (rondel)

Regina Bertoccelli

 
Através da vidraça vejo o céu nublado
e os respingos da chuva na calçada.
Sozinha, penso no meu amado
com a alma angustiada.

Em breve virá a madrugada
e muito já terei chorado.
Através da vidraça vejo o céu nublado
e os respingos da chuva na calçada.

Sopra um vento forte e gelado
que estremece a janela molhada.
Com o coração triste e encarcerado
repouso minh'alma extenuada.
Através da vidraça vejo o céu nublado...

 
 
 
 
 
ECLIPSE
 
Regina Lyra


Quando a Lua se esconder totalmente,
O Sol a cobrirá.

As lembranças chegarão às mentes.
Saberemos o que fomos
E o que somos.

Certamente, a Lua,
De cor dourada
Pelos raios do Sol
Encoberta, naquele instante
Terá momentos de total intimidade.

Neste encontro perfeito,
Os dois gritarão seus feitos,
O orgasmo atingirá todos os membros.
A Lua e o Sol
Chamarão pelos seus nomes
E matarão suas fomes,
No imaginário dueto.
 
 


 
 
 
 
SE EU PARTIR ANTES DE TI

Rodrigo Zuardi Viñas


Quero que isso aconteça
numa manhã tranquila
e agradável
para que o momento
seja eternizado
pela beleza do dia
e pelos sentimentos
que temos um pelo outro.
Ah, se eu partir antes de ti,
sei que, além de saudades,
manterás, por mim,
muito carinho e admiração.
A amizade que nos une
foi construída
com muito respeito, sinceridade
e companheirismo.
Ah, se eu partir antes de ti,
sei que me guardarás
como uma das tuas boas lembranças.
 
 
 


 
 APENAS O EFEITO DO VINHO

Sá de Freitas


Em transparência rubra, a taça cheia,
Mostra-me o sangue da uva
Que, em sorvos desapressados, vou bebericando...
Meus neurônios se alteram lentamente,
Entorpecendo-se
A divagar em nuvens flutuantes, no passado.

Do outro lado da mesa sem ninguém
Estás, fitando-me
Como naquele dia em que te vi e me viste.

Sorvo um trago, outro trago...mais um outro...
E a cada trago te tornas mais real,
Na poeira por onde já passamos.

Sonhos brilham em nossos olhos...
A paixão floresce no parreiral dos desejos,
Mas eu sei que tudo é ilusão,
Pois se onde não há ninguém estás ali;
Onde estás, não és tu, é a saudade.

Samuel freitas de Oliveira
Avaré-SP-Brasil

 
 

 
 
 
 
De: Silvino Potêncio

<<O TEMPO É BREVE!...>>(POEMA NUMERO 8)


O tempo é breve... Já vou andando,
Descendo por escadas em poeira.
Vou caindo p´ra morada derradeira,
Que existe na terra guardando,
P’ra sempre os restos de um corpo,
Do mundo,... já se vai porque está morto!

Sinto náuseas fedorentas,
Em contacto ao pensamento.
Sinto passos de almas lentas!!!???...
- Ah!... mas já não me fazem tormento!.

Saudades não levo nem deixo.
Tristezas!?... morreram já há algum tempo.
Concordem que não fui contratempo,
E só porque já não me queixo,
Não pisem no meu mausoléu...
Se alguém o ergueu para o céu!

Autor: Silvino Potêncio
(in: EU, O PENSAMENTO, A RIMA)
Luanda- 1972
 
 

 
 
 
 
MURO

Tânia Regina da Silva Guimarães
 

Pedras quadradas,
lado a lado
erguidas,
na vertical
dividem
dois mundos,
inutilmente.
Tolas, rígidas, frias...
Não percebem
a árvore
de copa rala
que tenta,
também, inutilmente,
esconder
a lua cheia.
Ela, solitária
e soberana,
mostra-se  e
mostra-me
o mundo
o qual pertenço
verdadeiramente!
 
 
 
 
 
 
OLHÃO DA RESTAURAÇÃO

por Tito Olívio

 
Olhão, situada a 8 km de Faro, para Nascente,  foi elevada à categoria de cidade por volta de 1980, datando de 1378 o documento mais antigo com referência a esta povoação. Dizem alguns autores que a povoação de Olhão se manteve durante séculos como simples aglomerado de cabanas de madeira e tecto de palha, sendo elevada à categoria de Vila no último quartel do século XVIII, altura em que já possuiria bastantes casas de alvenaria e telhados de telha. Em 1960 tinha 13.500 habitantes, contando hoje cerca de 25.000.
É a mais marroquina de todas as terras do Algarve, talvez por ser aquela cujos pescadores melhor conheceram o país de Marrocos, nas suas fainas da pesca. Sem perder a característica da arquitectura algarvia, o seu centro histórico tem grande semelhança com as medinas das terras marroquinas, com ruas tão estreitas onde, por vezes, se tocam com as mãos as fachadas dos dois lados da rua. Este tipo de urbanização é característico das terras quentes do Norte Africano e destina-se a aproveitar melhor a sombra dos prédios e a tornar as casas menos quentes.
Napoleão Bonaparte tomou conta do poder em França em 1804, após a Revolução Francesa (14/07/1789) ter conhecido, durante 15 anos, diversos governantes, que foram depois todos decapitados na guilhotina, sucessivamente, à medida que iam caindo em desgraça no poder e eram substituídos. O povo revolucionário viu morrer na guilhotina o seu rei, Luís XVI, sua mulher, Maria Antonieta, e praticamente toda a nobreza da época. Curiosamente, um povo que se revoltou contra a vida de luxo da nobreza e adoptou, pela primeira vez na História, o “mito” do poder do povo, veio a aclamar Napoleão como Imperador, poucos meses após a sua tomada do poder,  a que se seguiu a criação de uma nova nobreza. Porque Portugal sempre esteve ao lado dos ingleses, inimigos da Revolução Francesa, Napoleão ordenou,  em 1807,  a invasão de Portugal, onde então era Regente D. João VI, desde 1772, por sua mãe, a Raínha D. Maria I,  ter enlouquecido. Na véspera da invasão, o Regente, a Rainha louca e toda a corte fugiram em barcos para o Brasil, levando todos os tesouros que puderam. Aí se manteve D. João VI, como rei dos reinos de Portugal e do Brasil, regressando só em 1821.
A invasão francesa de 1807 foi comandada pelo General Junot e a primeira de três invasões que este País sofreu, tendo todas elas feito os roubos que puderam no património artístico português, violando túmulos de reis, à procura de tesouros. O governo de Junot foi verdadeiramente despótico, odiando-o o povo, não apenas por ser estrangeiro e invasor, mas também pelo seu despotismo.
Embora a cidade de Faro fosse já a capital do Algarve, o comando militar da região situava-se, desde sempre,  na cidade de Tavira e aí estacionava, então, a parte do exército invasor francês que havia sido destacado para submeter o Algarve. Em 1808 já o povo se havia levantado em diversos locais do País, com a ajuda da nossa tropa e de tropas inglesas que para cá vieram para expulsar os franceses.
Tavira fica a 22 km de Olhão, para Nascente, e a estrada real, que ligava Tavira a Faro passava no interior, a uns 6 km do litoral (ao contrário do que sucede hoje, em que o principal itinerário se desenvolve ao longo do litoral). Tiveram os olhanenses (habitantes de Olhão) conhecimento de que a tropa francesa aquartelada em Tavira se deslocava para Faro e foram esperá-la junto a uma ribeira, nas proximidades de uma aldeia chamada Quelfes, armados com armas caseiras, tais como ferros, machados, forquilhas, facas, etc.  Colhidos de surpresa, os franceses foram derrotados e os poucos sobreviventes fugiram para Espanha, que era aliada da França.
No meio do grande contentamento que reinava nas gentes de Olhão, deu para lembrar a três pescadores, dois homens e uma mulher, para se meterem num barco de pesca da época, chamado caíque, e irem ao Brasil dizer ao rei que os olhanenses tinham corrido com os franceses do Algarve. Travessia perigosa e arriscada, num pequeno barco à vela, não foi suficientemente conhecida na época, por falta de comunicação social, pois as raríssimas pessoas que então tinham de ir a Lisboa faziam-no de barco, navegando ao longo da costa, dado que, por terra, o Algarve está separado do resto do País por três serras seguidas, a Serra de Espinhaço de Cão, a Serra de Monchique e a Serra do Caldeirão, que formam uma cordilheira, não havendo qualquer estrada. A grande surpresa desta viagem inesperada deve ter sido no Brasil, onde o rei os contemplou com valiosas ofertas e lhes entregou um documento para trazerem para Olhão, no qual autorizava a Vila de Olhão a acrescentar ao seu nome o de “da Restauração” e concedia aos olhanenses o direito de o tratarem por “mano Rei” (mano é a forma familiar de irmão). Assim, começou a figurar nos documentos oficiais o nome de Vila de Olhão da Restauração (agora Cidade de Olhão da Restauração), ainda que vulgarmente seja conhecida apenas por Olhão.
 
 

 

 


 
 

Arte final topo da página criada por Iara Melo

Fundo Musical: Catedral

Compositor: Tanika Tikaram

Versão: Christiaan Oyens/Zélia Duncan

 

 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 

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