Ano III - Setembro - 2010

Participação de Diversos Autores

do Portal CEN

 

 

 

 

 

 
O DILEMA
 
Alfredo dos Santos Mendes
 

A concepção da vida, é um poema…
Que se compõe, sem nunca se escrever!
É um bailado a dois, que irá fazer,
Um musical de amor…um sonho…um tema!

Um tema transformado num dilema,
Que terão de enfrentar, de resolver!
Mais uma personagem vai haver,
Há que pôr no guião, mais uma cena!

Um corpo de mulher em movimento.
Um cântico de amor. Um nascimento.
Actores desempenhando um novo lema!

Vai ter mais um compasso, a melodia.
Vai ter mais uma estrofe, a poesia.
Mas tem final feliz, este dilema!

 Lagos, 20/07/2010

 

 


 

 

DESPERTAR EM SETEMBRO

 

Andra Valadares

 
 
Na estréia da primavera
revoa a passarada,
entoando mil quimeras
no luzir da alvorada.

O sol, se espreguiçando,
não demonstra qualquer pressa...
E a lua, já desbotando,
não quer se ausentar da festa!

No céu, estacionam as nuvens
que também vêm desfrutar
desse mágico espetáculo
do passaredo a cantar.

Voejando bem ligeiros
perfilam-se nos beirais
os sabiás, bem-te-vis,
canarinhos e pardais.

Celebrando a alegria
da revisita de Vênus,
flores e amores despertam
nessa manhã de setembro.
 
 
 

 

RELVA

 

Aparecido Donizetti Hernandez

 
Relva molhada de sereno...
Ao raiar do dia caminho pela estrada de areião,
Conduzindo meu carro de boi
Com suas rodas rangendo, como que anunciando minha chegada...
 
Relva molhada... molhada como meu rosto
Em lágrimas que correm
Ao lembrar de minhas andanças conduzindo a boiada
Pelas terras vermelhas que levantavam poeira encobrindo a boiada.
 
Relva molhada... como meu rosto que queima
Na doce lembrança das festas nas pousadas,
Em ver nas vilas as moças nas janelas
Espiando nossa chegada, sofrendo em nossa partida...
Em suspirar, que faziam o mugir dos bois
Serem encobertos em nossa passada...
Na chegada e na partida.
Relva molhada de sereno...
Que faz lembrar as lágrimas de quem parte e de quem fica,
Nas lembranças que doem, mas purifica essa alma de caboclo
Que hoje somente nas histórias e nas lendas se dignifica.

 

 

 

 

 

 

 

CARAVELA
(Sextilhas)


Carmo Vasconcelos
 

Qual hediondo pecado ou dura sina
Te fez réu dessa lei que te incrimina
E te condena ao jaez de um deportado?...
Sentença mascarada de ventura,
À busca de um amor imaginado,
E foste caravela à desventura.
 
Era tão verde o mar da tua esperança,
Alvas velas, maré de alta bonança,
Gaivotas acenaram-te à largada…
Mas eis que as velas logo enrodilharam,
Tremeu o leme, ruiu pronto a amurada,
E as ondas da saudade te inundaram.
 
O céu desdobrou nimbos de tristeza,
O mar escureceu cheio de incerteza,
Gaivotas debandaram rumo aos ninhos…
No cais... meu lenço acena à escuridão,
Bordados nele estão nossos carinhos,
Molhado, lembra a dor... separação.
 
Vestida em negro, brancos os cabelos,
Só da lua tenho mimos e desvelos,
Na minha longa espera olhando o mar...
- Não serás outro Dom Sebastião!
Amada caravela hás-de voltar,
Antes que a dor me afogue o coração!

 

 
 
 

 

PALAVRAS


Cibele Carvalho

 
As palavras que rolavam
diante dos olhos meus,
dos meus olhos afastavam
o amor, pelos olhos teus.
Criavam uma barreira
que o amor não transpunha
e ele sentiu-se isolado
com a dor, por testemunha.
Palavras constroem sonhos,
mas, até os sonhos mais belos
podem tornar-se bisonhos
e ruir como os castelos
que, na areia, são feitos.
A água do mar os leva
como as águas do pranto levam
os nossos sonhos desfeitos.
 
 
 
 
 
 
 
 

Versos em V

 
Cida Micossi
 
Ventos vorazes vos visitam?
Veja, viajor, vale viver
Vislumbrando vagas
Em varandas ventiladas.
 
Vulcão vomitando lavas
Varrendo versos em vitrines
Velejando veludosos sonhos
Vontade vulnerável...
 
Nas vazias vertentes da Via Láctea
Vestes voarão vivificando veladas vertigens 
Valsando
Vinho, violino, vínculo...
 
 
 
 
 
 

 

Você está de gravata

Flor de Esperança

 
Ainda ontem....
Eu vi você assim
Tão lindo! De gravata
Sorrindo para mim

O tempo não passou
Minha vida parou
O amor adormeceu
E você? me esqueceu?

Foi mesmo ontem...
Que eu vi você assim
De gravata,
Sorrindo para mim

Eu ainda te espero
Cada dia, cada hora te quero
Volta para mim
De gravata, sorrindo assim.

Não quero ir embora
Não me deixa ir agora
Sem ver você de novo
Assim tão belo
De gravata tão vaidoso

Eu fui a poderosa
Me sentia orgulhosa
Você fez de mim
A flor linda, perfumosa.

Você me deu todo seu amor
Então, porque foi embora?
Volta para mim
De gravata, tão lindo
Sorrindo assim

Eu ainda te amo lindo amor!
 
 
 
 
 
 
 
 
CONTRA-SENSO
 
Humberto Rodrigues Neto

  
Quem dera, oh... Deus,  o ser humano fosse
mais fraternal e mais cristão, de sorte
que não herdasse o instinto de Mavorte,
contrário à vida, que é tão bela e doce!
 
Quanta alma pura fez de Ti o suporte,
e ao mal que nos judia contrapôs-se!
Quanta alma vil, de Ti distante, pôs-se
a criar engenhos de tortura e morte!
                  
 Estranha grei de gênios e estafermos,
num conúbio de crentes com pagãos,
eis o que é o homem nos exatos termos!
 
Sujeito a instintos nobres ou malsãos,
concebe a Ciência pra salvar enfermos
e inventa a Guerra pra matar os sãos!
 
 
 
 

A revolução das flores

 

Ivone Boechat

 

 

Num vale florido, o perfume envolvia as abelhas que trabalhavam, com muito entusiasmo, compondo um belo cenário com borboletas e beija-flores felizes.

Corria por ali a notícia que homens armados contra a Natureza estavam chegando.

Ali, nesse paraíso, as flores estavam tristes e foram procurar as árvores mais velhas. Convocaram a ousadia da "espadadesão jorge", a coragem de comigoninguémpode, os espinhos da coroadecristo e partiram determinadas.

Debaixo de uma frondosa árvore, pediram um conselho: o que fazer para convencer ao homem que gosta de destruir a vida, para que se arrependa e comece a reconstruir e a preservar... Aquela senhora árvore centenária, com uma folha de serviços prestados, pelos muitos outonos da vida, indignada, desabafou:

- A nossa expectativa de vida pode chegar a centenas de anos de vida útil, sem esclerose, osteoporose, lordose... que tanto afligem os humanos. O maior perigo é a serra elétrica, o machado, o fogo.

A rosa concordou e acrescentou:

- O maior perigo de todos é o homem sem educação.

Então as flores deram-se as mãos e decidiram propor que todo homem destruidor e vil fosse educado, desde menino, para plantar o amor-perfeito em volta as casas, das escolas, das empresas, das igrejas, porque quanto mais cedo a criança aprender a amar o planeta Terra, maior é a chance de começar a prevenir e a preservar a Natureza.

Aí, animação geral! Veio o copo de leite e se ofereceu, sem contaminação, puro e fresquinho. "Boca de lobo" prometeu pensar melhor antes de criticar por criticar. "Hortência" preferiu plantar-se melhor para não ficar por aí, sem se cuidar, desbotada e feia. A "dama da noite", tão sumida ultimamente, disse que a noite é uma criança e quer voltar a marcar presença.

A noite foi chegando e as flores se recolheram com a promessa de juntar-se aos homens não só nas horas tristes e dolorosas. Elas querem voltar com todo o esplendor e formosura, espalhando graça e perfume na vida, mas não se negaram a serem fiéis até na morte.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

SERÁ UM SONHO?

Jandyra Adami
 

No ar sinto o perfume
e tua lembrança me invade
Sensação perfeita de tua presença
Seria sonho ou apenas saudade?
Fantasia da minha mente
ou ironia da vida?
Sinto que estás aqui
mas não te vejo.
Não posso te abraçar, nem te beijar.
Mas, a certeza de que existes
me basta e fico feliz, realizada.
Na foto, teu sorriso, teu encanto...
Mas...nada falas para acalmar
o desejo que me envolve
Se for um sonho,
não quero que acabe
Quero dormir sempre...
até que chegues para me acordar...
 

 

 

 

 

 

 


O EU À FLOR DA MEMÓRIA


Joaquim Moncks



“... Hoje corre-te um rio dos olhos
e dos olhos arrancas limos e morcegos.
Ah, mas a tua vitória está em saber que não é hoje o fim

e que há certezas, firmes e belas,
que nem os olhos vesgos
podem negar.
Hoje é o dia de amanhã.”

Fernando Namora, em “POEMA PARA ILUDIR A VIDA”.

Deixa um pouco de ti em minha imensa solidão, deixa palavras ao ouvido
e corpo colado. Ando triste e preocupado com o andejar dos dias. Não
encontro motivos para continuar andando sem rumo.

Os caminhos da primavera me contam de flores, mas eu só vejo tristezas
e injustiças a minha volta.

Nesta quadra dos sessenta (maturidade?), pensei num mundo melhor
equilibrado, mais criativo, porém o que observo e transcrevo, não
anima a perspectivas mais promissoras.

Eu, que tanto aprecio a alegria, me contento com as tristezas da
enfermidade grassando nos afetos e o ambiente que me acolhe é um palco
de sofrimentos.

Dizem que Deus existe, que consola e acode, mas está tão longe de mim,
que sou um reiterado pecador. Acho que estou doente, porque ele
estaria dentro de mim como um pássaro e eu o sentiria voejar nas
artérias.

Por isso, mais uma vez te peço: tinge a minha vida de belezas e me dá
um beijo com paixão. Cada vez mais percebo que a vida se resume à
modorra do passar do tempo. Vale pouco o estar no mundo...

O afeto tem várias nomenclaturas e muitos estágios para a condição
humana, na aflição dos dias.

O Amor tem variados rostos. E o que se leva para o dia seguinte é o
calor das palavras e do corpo. Nem o silêncio é mudo...

À ardência fogosa segue-se um estado de crise, de mudança de valores e
hábitos. Haverá algo tão efêmero e, ao mesmo tempo tão duradouro
quanto o desejo de amar? O mastigar dos afetos, no limiar dos corpos,
é saudade ensaiada ou o retorno ao útero?

Deixa-me nadar na tua placenta... Talvez seja este o elemento
instintivo de todo o vivente: boiar tal uma cortiça à flor da memória.

Ou eu sou eu mesmo dentro Dele numa permanente fagocitose?

– Do livro O NOVELO DOS DIAS, 2010.

 

 

 

 

 

 

 

Um gaúcho de coração calado

 

Lígia Leivas


     Pelas bandas das coxilhas, na vasta estância a perderem-se de vista seus limites, vivia ele de viver os dias como ordenasse o destino ou quisesse o senhor lá de cima... sabe-se lá... Apenas o olhar fazia arabescos a mostrar que o velho gaúcho sentia coisas mais além do que o seu jeito sossegado aparentava. Sem mulher, sem filhos, sem família, servia o patrão estancieiro com lealdade e respeito. Viera parar ali ainda guri, à procura de trabalho. Todos os que o conheciam, tratavam-no com consideração e certa distância. Havia noites em que se ouvia ao longe o som de sua gaitinha de boca, tocada admiravelmente. De pouquíssimas palavras, era mesmo um homem estranho. Mas estimado. E ninguém o queria perder de vista, nem imaginavam que ele um dia pudesse ir embora dali.
     E assim ia o tempo. Quando sobravam algumas horas, o gaúcho atendia as redondezas nas estâncias e fazendas e assim ganhava uns trocados que nem tinha em que gastar.
     Um dia chegou da cidade grande um casal parente  dos patrões. Ele, homem vistoso, de bom gosto, roupas elegantes e ainda um sorriso pronto, franco. Ela, jovem senhora, moça fina, pele morena, muito, muito bonita. Tudo mudou na estância.
     O serviço aumentou. Mais almoços, mais arrumações e limpezas. Mais passeios, na tentativa de conhecerem toda a propriedade. Era preciso manter tudo sem qualquer sinal de desleixo.
     O gaúcho sempre quieto e fazendo suas lides. Apenas observava o ambiente enquanto completava as tarefas.  Tinha prazer em mostrar suas habilidades para assim também agradar os visitantes.
      À noite, na roda do chimarrão, enquanto todos conversavam e ele organizava as atividades para o outro dia, ficava a olhar, encantado  com a moça e sua beleza, sua simpatia. Até pensara em comprar para ela um colar de continhas que vira lá no armazém da vila. Enfim, sentia que o mundo por ali havia mudado. Um novo colorido e até uma vontade de andar mais garboso, com botas em vez de alpargatas; com bombachas mais alinhadas; com os apetrechos de gaúcho mais cuidados. Até o lenço vermelho voltara a usar no pescoço.
     Passados mais de dois meses, cedinho ainda, manhã já com ares de primavera, o gaúcho surpreendeu-se ao ver a moça montar o baio e sair campo afora... Ficou matutando, pensando, enquanto enrolava seu cigarrinho de palha.  Não demorou muito, meia hora depois, o marido, troteando um alazão, embretou-se campo adentro, levantando a poeira dos caminhos.  Que teria acontecido?...
     Passou o meio-dia, a tarde, a noite. Não voltaram naquele dia. Nem no outro, nem no seguinte. Começaram as buscas. Naquelas lonjuras, tudo muito difícil. Sabia-se que por aquelas terras havia lugares que nenhum homem ainda havia pisado.
     Todos - ou os poucos - daquelas paragens diziam alguma coisa, davam opinião. Mas ninguém sabia nada mesmo e nem poderiam imaginar.
     Quando chegou a próxima lua cheia, uns dez, doze dias depois, o casal finalmente foi encontrado lá pelas barrancas do rio Uruguai... o colar de continhas ainda enfeitava o esguio pescoço da mulher bonita. Nem o moço vistoso perdera seu jeito bonito.
     Naquela noite, o gaúcho tocou por muito mais tempo sua gaitinha de boca. E a quietude parecia mais profunda...
     No domingo seguinte, já com certo calor nas pradarias, o gaúcho não levantou na hora de costume. O cão, seu leal companheiro, também dormia sossegado no portal do rancho.
     Era preciso fazer a ordenha. Por que o gaúcho ainda não se mexeu hoje, perguntou o patrão a um outro peão.
     Encaminharam-se para o rancho.
     No catre forrado de pelego de ovelha, no canto do quarto, o gaúcho, enrijecido, tinha apertada entre as mãos a fotografia do moço bonito que viera da cidade grande para distribuir sorrisos - coisa pouco comum naquelas plagas distantes.

 

***

 
MISTÉRIOS

Lígia Leivas
  

Breve a voz
e tantos são os caminhos
Despedir-se é abismo entre os que se
querem... e o dia se prolonga
ao desconhecer-se em si mesmo
Dissipa-se o pensamento
O ar respira misturas tantas
de tantos desejos
A chama repousa santa
a canção preferida vai longe
e o amor não acenderá mais
seus fogos jubilosos

Se a vida tanta dor nos causa
a morte nos causa horror
...mas já não há sofrimento

A hora sentencia a verdade
Nada mais se pode ser
Toda partida é um tempo de mistérios


 

 

 

 

 

Malude Maciel

 
Pelo dia da árvore: 21 de setembro

VIVA O VERDE!!


Em Caruaru ainda não existia uma área totalmente equipada para valorizar o verde e proporcionar à toda população um contato saudável com o meio ambiente até que foi inaugurado no ano passado o Parque Municipal ambientalista Severino Montenegro, localizado na Vila Serena, bairro Indianópolis, ao lado da Sementeira Chico Mendes, sendo portanto, o primeiro da cidade. Fomos visitá-lo e gostamos muito do que vimos. As crianças, os estudantes, os idosos e o povo em geral agora contam com um local propício para caminhadas, pic-nics, shows e leituras ao ar livre, descanso so copas de frondosas árvores e tudo que proporciona bem estar podendo assim curtir a natureza prazerosa e tranquilamente.
Constatamos uma verdadeira avalancha de gente para conhecer o grande empreendimento e isso é uma prova da reação positiva da clientela a que foi oferecido, pois demonstrou uma preocupação pela melhor qualidade de vida e interesse social em incluir novos e saudáveis hábitos e despertou a curiosidade natural ante a novidade e beleza de um recanto aprazivelmente verde no agreste pernambucano.
A ideia de construir esse "oásis" em nossas plagas é antiga e concretizou um sonho de pessoas sensíveis e sensatas que buscam melhorar a rotina dos semelhantes, pensando num porvir harmonioso e feliz das futuras gerações despertando compromissos de responsabilidade, educando e estimulando a prática de esportes, lazer, recreação, caminhadas, boa alimentação (existe uma lanchonete com essa finalidade), ginástica e, sobretudo a conservação e restauração da flora, fauna (animais serão introduzidos no local) e águas (existe um lago artificial), aguçando o sentimento do cidadão para o mundo que o cerca.
Numa área de quatro hectares, onde existia apenas um esgoto a céu aberto, poluindo tudo, houve uma transformação radical e hoje se tem um agradável parque ecológico onde até o terreno acidentado ficou charmoso com a arquitetura ambiental. A construção de outros parques nessa linhagem está programada e a população será contemplada com esses empreendimentos importantes.
Logo na entrada do parque encontramos uma placa de alerta com os 10 mandamentos a serem seguidos pelos frequentadores do local, quais sejam:
I - Ame e Preserve o parque, pois ele é de Todos.
II - O parque destina-se ao lazer, estudos, esportes e recreação. Divirta-se!
III - Mantenha o parque limpo. Utilize os coletores seletivos.
IV - É proibida a entrada de animais.
V - Recomendamos não fumar.
VI - Bebidas alcóolicas não são permitidas.
VII - Não alimente os animais aqui existentes.
VIII - É proibida a entrada de veículos.
IX - É proibido produzir alimentos no local.
X - Recomendamos que menores de 12 anos sejam acompanhados por pais ou responsáveis.
    O parque está lindo, mas os caruaruenses e todos os que o visitarem têm o dever de preservá-lo desenvolvendo assim, cada vez mais a cidadania.
                                                                                         
Membro da Academia Caruaruense de Cultura,Ciências e Letras 
 
 
 

 
 
A História de Perséfone

Milton Roza Junior


À rainha dos dois mundos,
por Hades foi elevada,
no inverno era sua mulher,
e na primavera, por adonis, era amada.
Sua mãe, Demétre, sofria
por ela ter comido a romã avernal,
tornando-a assim parte céu, parte infernal,
metáfora do mundo da matéria e do espiritual.
Mas como a soma dos dois é um,
brilhou guiando heróis e heroínas
pelas temerosas terras do incomum
do Reino de Hades e Perséfone
terra dos muitos e de nenhum.

 
 
 

 

Estação das Flores
 
Priscila de Loureiro Coelho

 
Há um toque de magia no ar quando chega o mês de setembro
E isso, religiosamente, pois desde a infância, eu me lembro
Ipês amarelos, hortênsias, rosas, brinco de princesa...
Na chácara Santo Antônio das Graças tudo era colorido
Uma variedade enorme de flores e o inverno era logo esquecido
Diluído entre tantas novidades que surgiam embelezando a natureza
 
As árvores tomam um ar mais solene, como se fossem desfilar
Garbosas, vestem-se de um verde viçoso que atraem para si todo olhar
Erguem seus galhos como se fossem fazer uma prece silenciosa
Nos jardins as folhagens aproximam-se das flores num gesto amigável
Estas se deixam admirar apreciando este jogo agradável
Do céu azul  chegam pássaros  aumentando o colorido do cenário, de forma harmoniosa...
 
Ah! Tudo se altera quando chega a Primavera
E a humanidade ansiosa a espera
Na certeza de um futuro encantador
O perfume no ar identifica a nova estação que nos abraça
Embelezando a cidade, ruas, toda a praça
Com a graça e segurança com que se expressa o Criador!
 

 


 

 

 Lembrança Indelével


  Raymundo de Salles Brasil
 


  Soltando um trino alegre, esses canários
  Fizeram-me lembrar tempos distantes...
  As salas lá de casa eram cenários
  De onde se ouviam pássaros cantantes.
 
  As aves lá vibravam cantos vários:
  Desde os sabiás até os loiros falantes;
  Mas o régio cardeal com seus hinários
  E as suas belas notas açoitantes,
 
  É que davam ao velho Zezinho Salles
  Esquecer-se do mundo e de seus males
  E agradecer a Deus tão rico dote.
 
  Aquele canto e aquela melodia,
  Meu velho pai os contemplava e ouvia
  Como se ouvisse o próprio Pavarotti.

 

 

 

 

 

 

 

AMAR MAIS QUE BASTANTE


Sueli do Espírito Santo
 

Sonhei com você para um real instante
e nos amarmos mais que o bastante
sob a luz de um céu todo estrelado
em nossos olhares um amor esfuziante
mostrando uma expressão brilhante
tão brilhante como o céu enluarado

sussurrando palavras insinuantes
com carícias e toques excitantes
todos nossos pelos ficam arrepiados
amando-nos nesse mundo delirante
amando-nos mais do que o bastante
corpo e alma mais do que extasiados
 
 
 
 
 
 
 
Ruídos de Sossego

Sunny Lóra
 

claridade pelas frestas pequenas
atinge todos os meus sentidos.(luz)

ao longe, ouço rumores de passos 
das mãos gananciosas da solidão. (recusa)

branda consciência, vento quebrado
passa com força dentro do sangue  (pulsa)

fazendo vida dentro do meu corpo:
braços, pernas, seios, pés, alma. (sentido)

enquanto a primavera chega em definitivo
neste ano conturbado, sem sonhos (real)

habitando este meu coração
de tantas contradições, em terras minhas (dona)

acredita esta criança pura
que se esconde dentro desta mulher (carrosséis)

na paz do sossego, do dia melhor,
na natureza gentil, nos verdes (todos)

canto baixinho de maneira
que somente eu me ouça (sussurros)

acalento a idéia de guiar
meus passos firmes com um saltitante SOSSEGO...
 
 
 
 
 
 
 
BOTÕES DE ROSA
 
Tito Olívio


Por baixo do cetim de fino corte,
Pendente do teu corpo abandonado,
Havia a luz do Sol alcandorado,
Que macerava a vista, de tão forte...
 
Era a festa das rendas transparentes,
Como astros radiosos nos espaços,
Cortando as doces curvas dos teus braços
De riscos luminosos, refulgentes,
 
E emoldurando os peitos arquejantes,
Dois montes esculpidos em marfim,
Exalando perfume de jardim
Nos seus acordes de harpa provocantes.
 
E vi então teus seios luminosos,
Dum branco radioso cor de leite,
Como se fossem asas de um enfeite
Ou apenas dois cisnes caprichosos.

E tinham duas pintas, amuletos
De magia, de sonhos esquecidos
Ou dois faróis de cultos prometidos
Em aras dos deleites mais completos,
 
Oh! Dois olhos castanhos, astrolábios
Medindo a latitude da loucura,
Botões de rosa ardendo na secura,
A pedir a frescura dos meus lábios.

 

 

 

 

 NOS GALHOS DE UMA CLAREIRA

(Poema Infantil)

Tchello d'Barros
 

Nos galhos de uma clareira
Lá detrás das colinas
No bosque dos pássaros
E das águas cristalinas

Ali no bosque tranqüilo
Vive-se em harmonia
São tantos os passarinhos
A cantar com alegria

Quando o dia vem nascendo
Ouvem-se pios de montão
São assovios e trinados
Parece competição

O Sabiá é o primeiro
Canta ao nascer da aurora
Depois vem o Bem-te-vi
Ninguém quer ficar de fora

Canta alto o João-de-barro
Lá de cima da casinha
Pra acordar um Pardal
Que dorme uma sonequinha

O Curió abriu os olhos
Ainda estava com soninho
Viu o bico do Tucano
Que voava ali pertinho

A Corruíra se acordou
Ainda estava espreguiçando
Pensou serem as estrelas
Os Vaga-lumes piscando

O Papagaio no seu galho
Sonhava estar voando
E quase caiu da árvore
Mas estava só sonhando

Há uns que dormem pendurados
Até que o dia anoiteça
Os Morcegos esquisitos
Dormem de ponta-cabeça

Mas com o nascer-do-sol
Voa o Canário cantando
E as Andorinhas avisam
Que o dia vem raiando

No ninho do Beija-flor
Ouviu-se um piado fininho
Foi surpresa na clareira
Nasceu mais um filhotinho

A sombra de um gavião
Causou à todos temor
Ele queria raptar
O filhote Beija-flor

Ficaram todos com medo
E salve-se quem puder
Esse Gavião é grande
Enfrentá-lo ninguém quer

A Coruja inteligente
Ensinou-lhes a lição
Se ficarem todos juntos
Vão vencer o Gavião

E assim foi dito-e-feito
Ele ficou derrotado
Os pássaros todos juntos
Enxotaram o malvado

Os pequenos passarinhos
Cantavam essa canção
Na vida ninguém é fraco
Quando existe a união

Cantavam assim felizes
Foi assim a tarde inteira
No bosque dos passarinhos
Nos galhos de uma clareira
 
 
 
 
 
 
 
Eu e a rosa

Vanderli Granatto


Oh, doce rosa vermelha,
 nasceste para encantar!
 Ternura que como sonho espelha,
todos sentem  ao te olhar!
Tão meiga e frágil donzela,
nascida na terra és a mais bela,
na pureza que encerra!
A paz da natureza tens em ti inserida.
Quisera ter tua beleza, encantar a vida. 
 De espinhos te cercaram,
 te guardam das mãos de incautos.
Revelastes ser paciente,
mostras teu esplendor com garbo,
sorris pro alto.
Também sou presa às rédeas,
da minha emoção.
Os espinhos que me cercam,
me fazem enxergar longe deste chão.
Procuro transmitir o bem que nasce
dentro deste coração.
Comparar-me a ti, não posso.
Que doce ilusão!
Tu és a mais bela de toda criação!
Eu simples criatura,
regida somente pelo coração!
Observo-te encantada,
tiro lições de tua beleza  efémera.
Todas ilusões da vida são passageiras.
O valor das coisas estão
no que podes de bom transmitir.
De valores devo me revestir,
mostrar -me a todos com o devido
esplendor, que vem do meu interior.
Um bem maior me espera
pra longe destes montes e vales,
quando enfim atingir a perfeição!
Tu rosa já és perfeita,
nada se iguala a tua magnificente beleza.
Quem percebe a magia que carregas
e irradias,
pode se dar por satisfeito.
Em seu íntimo  já encontrou  a razão maior da vida.
És a própria pureza saída das profundezas da terra,
para nos brindar com teu esplendor.
Através de ti conhecemos uma gota da beleza
do nosso mestre, o criador.


 

 


 
 

Arte final topo da página criada por Iara Melo

Fundo Musical: Catedral

Compositor: Tanika Tikaram

Versão: Christiaan Oyens/Zélia Duncan

 

 

 
 
 
 
 
 
 
 

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