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Portal CEN - "Cá
Estamos Nós"
Revista Novos Tempos,
Nº II
Fevereiro - 2013
Primeiro Bloco

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Adélia Einsfeldt |
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Ana Isabel Rosa |
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André Anlub |
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Amilton Maciel Monteiro |
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Antonio Jorge dos Santos |
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Antonio Paiva Rodrigues |
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Aparecida Perez |
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Benedita Azevedo |
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Carlos Lúcio Gontijo |
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Cláudio Freitas da Costa |
Adélia Einsfeldt
Porto Alegre - RS
Era Carnaval
No carnaval de outras eras
quem eras, como eras
Palhaço ou Arlequim?
quem sabe, o anjo Querubim!
nem sei na verdade quem eras.
Tua máscara escondia
teu rosto eu não via
já era quase dia
eu ainda não te conhecia.
Muitos anos passaram
quando...numa tarde
ouvi uma música de carnaval
lembrei do carnaval de outras eras
a emoção tomou conta de mim.
Chorei!

Ana Isabel Rosa
Ponta Delgada - São Miguel - Açores
Entre Vitórias e Derrotas
Entre vitórias e derrotas?
Atiço sempre a vida.
Lanço dúvidas,
Revelo certezas,
Descubro adversários,
Abrigo amizades!
Nesta complexidade
Sinto-me como um rio?
Que cursa cada margem
Louvando outras paragens,
Que faz de mim, metade já alcançada!
E em cada derrota,
Sinto a vantagem pela força em avançar
E alcançar a outra metade que falta!
Esta força é sentida como palavras aquecidas
Que agasalho no meu entusiasmo.
Vivo cada dia na exatidão do que me aguarda?
Seja derrota,
Seja vitória,
Será sempre uma prova daquilo que serei capaz,
Para a alcançar a minha glória!...

André Anlub
Rio de janeiro
O Dono
Pulando de nuvem em nuvem
Jogando bola com o sol
Pintei o arco íris de preto
Mostrei a língua pro furacão.
Usando um vulcão de privada
Canal do Panamá de piscina
Posso estar em qualquer estrada
Posso dobrar qualquer esquina.
Eu uso a Itália de bota
Bebo a Via Láctea no café
Sou Deus que troca Vênus pela lua
E depois me escondo onde quiser.
Tudo eu posso e faço
Tudo com minha criação
Poeta da tinta do espaço
Sou dono da minha imaginação.
Buscando plenitude e paz no dia a dia
Nas águas límpidas do saber viver
Achando sempre muito mais
É assim que tem que ser.
Choro por muitas vezes sem motivo
Podem chorar por você
Estendo a mão a qualquer inimigo
Simplesmente por não querer vê-lo sofrer.
A luz e o sol se completam
Mesmo sem se tocarem
Faço inimagináveis incógnitas
Sou vultos por todos os lugares.
Quebro a barreira do som
Posso fazê-lo ou não
Mas mostro o poder maior
Que é grande nesse meu dom.
Falo em línguas estranhas
Olhe por todos os ângulos
Dono de todos os tesouros
Mestre de todas as façanhas.
O som das ondas é meu grito
Refúgio das manhãs tristes
Um vulcão que sangra com meu sangue
Dias mais que felizes.
Deito-me devagar vendo a terra tremer
Sempre ao levantar, meu suor, orvalho
Piso na neve para fazer planícies
Com poesia choro chuvas sem querer.
Na escuridão de um fechar de olhos
Pensamentos voam como falcão
Vagueiam em um amor que nunca existiu
Falhas de canyons, rachaduras do coração.
Estar irritado é impossível
Extinguirá a vida e o mundo
Sou totalmente previsível
Nunca serei um moribundo.
Acordei um pouco cansado
Pensei em apagar o sol
Dei um sorriso mal humorado
Fui caminhar dormindo acordado.
Bebi toda água do rio Negro
Usei uma nuvem como espuma de barbear
Subi no cume do Everest buscando sossego
Mas já havia gente por lá.
Com uma pirâmide palitei meu dente
Usei o lago Ness como espelho d'água
Fui para o Aconcágua, mas também havia gente
E lá rio Tâmisa afoguei minha mágoa.
Posso ser o dono, mas mesmo assim sou gente
Crio o universo, mas também me enfastio
Vou já indo para Marte como um indigente
Gritar feito louco como uma gata no cio.
André Anlub®

Amilton Maciel Monteiro
São José dos Campos/SP - Brasil
Íntimas Indagações
Onde estará meu carro de madeira,
Que fiz só com um caixote e rolimã?
Aquele em que eu descia na ladeira,
Levando na garupa a minha irmã?
E a nossa divertida brincadeira
De cabra-cega? E pique? E deTarzan?
Não tem mais pipas? Nem atiradeira?
Jogar pião perdeu o seu élan?
Agora, do que brinca a garotada?
Não solta mais barquinhos na enxurrada?
Nem é cowboy em cabo de vassoura?
Não rola nem sequer velho pneu?
No amor não há mais paixão imorredoura?
- Que tempo diferente aquele meu!

Antonio Jorge dos Santos
Teresópolis - RJ
PORQUE TE AMO!
Ao pegar uma folha e um simples lápis para escrever-lhe,
Dos sentimentos que se movimentam em meu coração,
De um lado a incerteza, do outro a esperança.
Talvez, no futuro a felicidade acene-se com promessa
De um paraíso de venturas, ou indica-me as torturas
E sofrimentos. O que fazer então?
Confio na esperança, à qual me apego ao confessar,
Que a amo desde quando passamos nos falar mesmo
Estando distante!
Hoje com minha alma possuída por sua linda imagem
Regozije-se, com está pronuncia que irradia sua pessoa
Que da qual ela deseja partilhar.
A dúvida atroz, porém, procura empanar toda essa
Imensa alegria!
Querida, então venho depor em teus pés meu carinho
E dedicação que são sós seus! Porque te amo.
Antonio J Santos

Antonio Paiva Rodrigues
Fortaleza/Ceará/Brasil
AMIGO UMA PALAVRA FÁCIL, MAS DIFÍCIL DE SE ENCONTRAR
É pelo conhecimento autêntico de si mesmo que se desenvolve melhor uma personalidade feliz. No caminho da própria realização, o que importa, acima de tudo, é a aceitação serena do que se é e propor-se com boa vontade e perseverança, um ideal, um objetivo elevado, uma luminosa estrela a nos iluminar e fascinar a vida. Viver é conviver. Conviver na paz, na serenidade, na comunhão e no amor. Vive, porém, melhor quem aprende conviver e socializar-se, em clima de aceitação incondicional do outro e do entusiasmo pela vida, frente a todas as realidades. Há uma fonte aos pés de todos aqueles que morrem de sede, diz L. Bloy. Na verdade o ser humano tem tantas necessidades e dispõe de tantos meios para se realizar integralmente e, todavia morre de sede e fome afetiva e espiritual, por que não busca a verdadeira fonte do coração. A fonte do amor e da paz. Viver feliz eis a questão. Amigos diletos são por natureza, aliados que lutam pela melhoria do quadro penoso em que vivemos, e ultrapassam qualquer obstáculo, para conquistar a felicidade e exaurir o contentamento, renovando as condições de vida de quem está necessitado. Deus saberá recompensar as pessoas que nutrem esperanças por dias melhores e, através do voluntariado trabalham incessantemente em prol dos estropiados.
Ter problemas na vida não é o problema. O problema mesmo é não saber ou aprender a resolver os problemas que se apresentam em cada dia e momento. Problema é convite ao desafio de vencer ou perder, demonstrando que somos em nosso caráter e vida. O caráter na vida representa uma pluma alva e brilhante que fortalece nossos corações e ajuda a reduzir nossos problemas acicatando soluções agradáveis. A vida é realmente bela quando temos alguém que nos ajude a apreciá-la, valorizá-la e amá-la. A presença do verdadeiro amigo e confidente é a presença de um sol que ilumina e embeleza a vida. É um irmão que clareia e doura a vida. Um gêmeo de convivência. Gêmeos idênticos de coração, de comportamento, de amor, de ternura e paz. Esse irmão com as qualidades divinas será um elo de superação onde estarão presentes a fraternidade, a caridade e o perdão. Perdoar e ser perdoado, amar e ser amado eis a questão.
Saber viver nesta vida é viver melhor cada dia. Crescendo na perfeição. Estamos a todo o momento, a todo instante a cata dela. É graças a um grande amigo que encontraremos o azimute, o direcionamento superando as pedras de tropeços e os escaninhos do mal, que por acaso, encontrarmos pelo caminho. Nossa vida é bela, dinâmica, com alegrias, felicidades, mas com recheios de tristezas. Esses percalços devem ser combatidos e vencidos com a serenidade de um ser inteligente e habilidoso. Experimente concretamente em sua existência, esse princípio e verás surpresas. Sim por que realmente o encanto e a beleza da vida é renovar-se sempre. A vida é determinada pelos valores, motivações e ideais que cada pessoa escolhe. Digam-nos quais são as suas escolhas e diremos quem serás. Aprender a viver a vida é a forma mais bela da própria existência. Vida é a fonte inesgotável, é dom inefável. Mistério fascinante para quem bem a percebe. A vida humana é, pois, cópia da vida espiritual; nela se nos deparam em ponto pequeno todas as peripécias da outra. Ora, se na vida terrena muitas vezes escolhemos duras provas, visando posição mais elevada, porque não haveria o Espírito, que enxerga mais longe que o corpo e para quem a vida corporal é apenas incidente de curta duração, de escolher uma existência árdua e laboriosa, desde que o conduza à felicidade eterna.
A vida é uma demonstração palmar de que o homem vem ao mundo com responsabilidades inatas; logo, a alma humana em quem se faz efetiva tal responsabilidade é preexistente à sua união com o corpo . É um dom da bondade infinita, é uma aventura maravilhosa, através de muitas existências aqui e alhures. É o conjunto de princípios que resistem à morte. A vida é uma grande realização de solidariedade humana. Segundo nos ensina Achylles Chiappin, a vida de cada pessoa se mede pelo grau de amor que oferece, pelo ideal que escolhe e vive autenticamente e pela disponibilidade que dedica a Deus, a si mesmo e aos homens. Ideal sublime. Na verdade cada pessoa constrói a sua vida pela medida de amor com que se realiza, ou se bloqueia e frustra no desamor. Não conseguimos imaginar porque o ser hominal até os dias atuais não consegue separar o bem do mal.
O homem por natureza e pelo instinto animal consegue mudar o fiel da balança. Por que o homem mata sem dó e piedade os seus semelhantes? Será falta de amor ou para eles a vida nada vale? Priorizar os mandamentos divinos seria a solução para a violência que se espalha pelo mundo, como vírus atormentador que dizima e mata. Dai senhor compreensão aos nossos irmãos e coloca-os no caminho do bem. A vida é valiosa e perdê-la sem motivo aparente, nos entristece e a mágoa toma conta de nossos corações. A vida é uma ideia; é a ideia do resultado comum, ao qual estão associados e disciplinados todos os elementos anatômicos; é a ideia da harmonia que resulta do seu concerto, da ordem que reina em suas ações conforme preceitua a FEB (Federação Espírita Brasileira). A vida terrestre é uma escola, um meio de educação e de aperfeiçoamento pelo trabalho, pelo estudo e pelo sofrimento. Renovar-se é reviver. Façam isso.
O encanto e a beleza da vida é renovar-se a cada dia e a cada momento. Renovar-se é reviver-se. Dá ares novos de vida. Dá um mundo novo de vivências e emoções. A paciência não é vitral gracioso para suas horas de lazer. É amparo destinado aos obstáculos. A serenidade não é o jardim para os seus dias dourados. É suprimento de paz para as decepções de seu caminho, já nos ensinava André Luiz. O maior enigma da vida é a morte e o maior enigma da morte é a vida. Pensemos nessa situação e teremos a noção certa do que a vida representa para nós seres humanos. Sejamos leais, amigos, e que o mal nunca atormente nossos corações. Amar a vida e vivê-la em abundância, esses foram os sábios ensinamentos que o Cristo preconizou e nos repassou. Sejamos felizes para sempre imantando o amor, o perdão, a paz e a não violência. Que o orgulho e a ganância sejam dizimados da vida humana. Essas sentenças, essas frases foram às palavras mais bonitas que já presenciamos. Pensem nisso!
JOÃO HÉLIO
Vida de criança é
seiva de esperanças
Para entes queridos os pais
são diretrizes!
Raízes multifárias
de bonanças sacrossantas,
Norteando lucilente rutilância
dos aprendizes.
Semeando, regando o coração
com paz e amor,
Orientador de andanças sem relutâncias
e destemor,
É ciclo fasto de venturas,
alegrias sem temor;
Vida linda feita com alegria e vigor
no dia-a-dia,
Na seara sagrada da luz emanada
irradia,
Em derredor de si a ingenuidade
que acaricia;
Os corações a pulsar na introspecção
sadia.
Vida genitura, fruto do amor
fraternal e carnal,
Abençoado por Deus,
nosso Pai Celestial.
Na vida embrionária pulsa
com ser condicional,
Vendo o mundo um
diamante descomunal.
Entre passeios e distrações,
vêm o prazer divinal,
Terra de paz decantada, mas abarrotada
de marginal
Cirineico buril jamais feriu o palmilhar
da cor anil,
Nem as esperanças da criança
ser feliz e gentil.
No alvorecer da vida Jamais
imaginou surpresa
Tranquilo, com a mãe em harmonia
aspirava beleza,
Da pátria do verde e amarelo tudo
se declina na destreza.
O livre arbítrio deixa o homem
a um passo do mal,
Torna-o animal e dependente da própria
natureza animal.
Age pelo instinto, pelo espírito mal,
como fosse natural,
Sem contemplação, sem compaixão
é maligna tristeza.
Repentinamente, voraz, avança
com animal destreza;
Para transportes para satisfazer
seu instinto bestial,
Não importa quem esteja a
maldade cega é imoral,
Expulsa com frivolidade os passageiros
e uma criança
Com tantas esperanças de viver,
ser feliz se desespera.
Na destreza se vale de um cinto que
vira insegurança.
Preso ao cinto, um corpo pequerrucho se
debatia e tremia,
Dores terríveis infiltravam-se
em suas entranhas.
O corpo inocente era dilacerado com
tremenda artimanha;
João Hélio era a vítima dos
algozes brutais, cruéis,
e desumanos,
Carcomamos sem corações,
e com muita sanha.
Aos pedidos de socorro,
mais velocidade empreendia,
o pequeno João gemia, sofria,
dores dilacerantes,
suas carnes
eram destruídas pela violência
e sua vida jazia,
fruto da maldade
dos insanos assassinos.
Hélio não resistiu! A dor da família
foi descomunal e a cena
brutal
comoveu todo País.
Foi necessário se esvair a vida de
um pequenino para as
autoridades
repensarem
na intranquilidade, na violência
que se apossaram
dos nossos destinos.
Querido João Hélio tens o caminho
do Céu aberto para ti,
pois Jesus em sua
clemência sempre afirmava:
"Deixai vir a mim as criancinhas,
pois elas herdarão o
Reino dos Céus.
E lá estarás com toda certeza!!!
Antonio Paiva Rodrigues

Aparecida L M Perez (Cida Micossi)
Santos/SP – Brasil
Meu querido,
Tantas foram as vezes em que lhe procurei, sempre desabafando, feliz por tê-lo comigo. Lembro-me, mal me recostava, já estava você pronto a me receber, a absorver minhas lágrimas e a saudade, alegrias e desejos. Sonhei muito ao seu lado, eu o abraçava e me sentia acolhida, até que aos poucos o sono me dominava; outras vezes, momentos de insônia e sua presença sempre. A solidão era driblada quando o sentia e ao menos você não dizia que precisava dormir porque tinha sono.
Companheiro, confesso que se não o tivesse, talvez eu tivesse procurado alento em outros braços. Mas havia você, sempre você. Felizmente para mim, em todos esses anos que passei em sua companhia tive paz e descanso.
É chegada a hora de nos despedirmos: a vida é plena de despedidas. E conosco não seria diferente: chegará outro que tomará seu lugar. Eu não queria, não achava justo, mas como tudo na vida tem um fim, hoje precisamos nos separar. Imagino que para você será mais difícil do que para mim. Não me julgue traidora, desumana, só sei que é preciso. Neste momento deixo a você o meu reconhecimento.
Decerto o outro suprirá as minhas carências como você fez. Mas é preciso que ele agora ocupe a função que você tão bem desempenhou. Despeço-me aqui, devo deixá-lo porque o seu substituto chegou; embrulhado para presente, macio, novinho em folha: o meu novo travesseiro.
Aceite minha despedida e toda a minha gratidão,
Cida

Benedita Silva de Azevedo
Magé-RJ
Poesia
01
aldravas
aldravias
um
novo
grito
poético
02
filhos
partícula
da
nossa
energia
03
homem
gota
d'água
noceano
da
vida
04
choro
do
recém-nascido
traz
nova
esperança
05
ceu
sol
lua
universo
da
poesia
Benedita Silva de Azevedo

Carlos Lúcio Gontijo
Santo Antônio do Monte/MG
Cultura oficial de desprezo ao livro
Cultura é mesmo o patinho feio, títere nas mãos de governantes que sequer se nos apresentam com alguma tendência circense, o que não os impede de brincar com os poetas, escritores e demais segmentos da área artística, que optam para não perecer pela produção independente.
Muitos foram os artigos em que tratamos do assunto escolha de livro para as escolas, onde um grupo de notáveis ou coisa parecida tem o poder de levar aos alunos seus gostos literários, que quando não são pessoais se revestem de regionalismo ou, ainda pior, se permitem guiar pela capacidade de influência tanto de autores quanto de editoras. Nosso amigo João Guerra, autor do livro Na Antessala do Poder, infelizmente assassinado há alguns anos, chegou a nos relatar fatos inomináveis no mundo da compra de livros destinados ao sistema escolar brasileiro. Dizia-nos ele, que por várias vezes assistiu à retirada de caminhão cheio de livros destinados ao lixo, com o objetivo de alojar um novo carregamento.
Ainda assim estamos decididos a editar dois novos títulos este ano, apesar de todos os pesares e dificuldades, situando entre elas a farsa e a mentira de existência de política cultural no Brasil, proclamada por gente de alta plumagem do mundo intelectual, entregue e remunerado pelos cofres públicos, cada vez mais regidos por um elevado aparato burocrático, que serve apenas para passar o sinal de aparente legalidade.
Não é fácil construir carreira independente no âmbito da literatura, pois a ignorância de parte significativa da população não a vê com bons olhos, uma vez que coloca a arte literária no mesmo patamar do que se exige de qualquer produto. Ou seja, só é bom o que vende muito, o que faz estrondoso sucesso, quando a realidade construída pela palavra escrita nos conduz ao fenômeno de que nem tudo o que se propaga como literatura de excelência é detentor do valor proclamado.
Aliás, as escolas brasileiras perderam o rumo e andam se enveredando para a implantação de uma didática em que a promessa é direcionar o aluno ao sucesso e à plena realização material, ao passo que o que se deve indicar a todo cidadão é a busca por ser bem-sucedido no que faz ou no que fizer no futuro com o conhecimento adquirido nos bancos escolares o que, convenhamos, não tem nada a ver com sucesso e fama.
Destarte, para não cairmos em delongas desnecessárias, tomamos a liberdade de abaixo deixar um e-mail que nos foi enviado pelo professor Antônio Sancho Gimenez Macedo, no qual o desprezo, a embromação e o descompromisso com a cultura brasileira ficam-nos claramente estampados, servindo-nos de grito de alerta contra o descalabro patrocinado por iluminadas mentes burocráticas prodigiosas.
Sou professor de Língua Portuguesa de uma escola municipal de Ipaussu-SP, que possui uma biblioteca precária com poucos títulos e bem antigos para os alunos do ensino fundamental I e II. Desta forma, dependemos de licitações para qualquer compra de livros, sem poder escolhê-los. Mas como professor, valorizo muito a biblioteca e a leitura como maior meio do aprendizado. É difícil despertar o gosto pela leitura em uma criança e/ou adolescente com livros cuja linguagem e temas não lhes interessam ou são muito fora de sua realidade.
Gostaríamos de poder contar com sua colaboração, Carlos Lúcio Gontijo, doando pelo menos UM LIVRO de sua autoria para compor este novo acervo. E se não for pedir demais, gostaríamos também de uma FOTO AUTOGRAFADA, pois vamos produzir um painel em homenagem aos autores colaboradores. E você não pode faltar nele!!!
Apenas para sua ciência, eis alguns autores que já confirmaram: Paula Pimenta, Márcia Kupstas, Domingos Pellegrini, Maria Tereza Maldonado, Daniel Galera, Antonio Prata, Lia Zatz, Cristóvão Tezza, Raimundo Carrero, Jonas Ribeiro, Laerte, Wagner Costa, Sérgio Tavares, Silvana Tavano, Henrique Rodrigues, Ricardo Ragazzo, Marcos Bulzara, Regina Drummond, Douglas Tufano, Fávio Torres, Kalunga, Caio Riter, Felipe Cerquize, Ivana Arruda Leite e muitos outros que não me recordo agora.
Enfim, gostaria de te agradecer pela atenção e caso possa nos enviar livro(s), meus alunos agradecem!
Então, sem nos fazermos de rogados, pois os pequenos escribas como nós são abençoados pelo dom de detectar alguma grandeza em ser do tamanho que somos, enviamos os livros solicitados e acompanhados por corajosa ênfase e denúncia sobre uma situação amplamente anômala no fantástico mundo da produção literária.
Carlos Lúcio Gontijo - Poeta, escritor e jornalista - Secretário de Cultura de Santo Antônio do Monte/MG -
www.carlosluciogontijo.jor.br
SANGUE MONTENSE
De Santo Antônio do Monte eu venho
É a terra que retenho no olhar
É o par de olhos do meu passo errante
É diamante incrustado no chão de meus pés
É a terceira visão do meu caminhar distante
Seu solo mirante parece remar pro céu
A quase mil metros acima do nível do mar
Razão de sua gente engenhar fogos de artifício
Um ofício milenar de sagrada tradição
Forma colorida de canção ao Criador
Explosão de amor nos momentos de alegria
E quem duvidar dessa vocação sadia
Basta cortar a veia de um cidadão montense
Para detectar o sangue iluminado
Que, coagulado, pólvora irradia
Como se fosse escravo enclausurado
Condenado pela magia de fazer noite virar dia.

Claudio Freitas da Costa (príncipe dos poetas)
Presidente Alves - SP
Doce e Flores
Doce, como tão doce poderia, dia e noite
assim, o ser.
Não me importo que minha alma tu me roube,
e meu coração, tome para você.
Como pode, com teu mais doce perfume de flores,
me enlouquecer.
Como tanto amor assim, dentro de mim, coube,
me fazendo lhe pertencer.
Doce como tão doce se mostraria, no cair da noite,
e a cada novo dia, me convencer.
Oro a Deus, pois sei que foi ele, quem me trouxe,
você, razão do meu viver.
Como soube, que a poesia essência faltaria,
trazendo consigo, o que me faltava.
O lirismo que tiro da sua pele macia,
o romantismo do seu coração, amada.
Como tão doce, encontro, perfeito nos fosse,
no primeiro segundo diante ao seu olhar.
Amor sublime, idílio suave, felicidade houve,
e para todo sempre, connosco estará.
cláudio príncipe dos poetas e princesa rosi
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