Jonas R. Sanches
Catanduva - São Paulo - Brasil
Andarilho
Caminhante solitário de passos incansáveis e feitos inenarráveis ele segue com suas sandálias gastas e sua barba grisalha, olhando ao redor e gravando cada pormenor que circunda o caminho, caminhando sozinho sem bagagem nem ninho onde possa aportar despido de um coração para não poder amar por não querer sofrer, mas não querendo amar haveria então cansado de viver?
Recordações Apócrifas do Nosso Amor
E no firmamento cortinas descerradas
e algures as estrelas olham cintilantes
e os anjos condizem com os sonhos
e é remoto o tempo que eu renasci;
mas ainda recordo histórias de cometas
e de barcas que rasgaram mares de piratas
e nas grutas onde me ocultei dos demônios
deixei vestígios das noites que nós se amamos.
E no seu olhar dionisíaco de mistérios e belezas
tão mortíferas que as quimeras sucumbem
ao seu encanto e aos seus cantos paradisíacos
que foram minha prisão e o veneno ao coração;
mas não lamento pois nosso amor riscou as eras
e atravessou tempos de guerras e sobreviveu,
ainda ontem recordei incontáveis vidas nossas
e nos versos metafóricos lancei minha proposta.
Se tu leres e entenderes todas as minhas alegações
terás o direito de beber o meu sangue e adormecer
junto a mim em meu leito galáctico e sideral
e então fundiremos nossas almas num sopro cósmico;
mas se não desvendares minhas estrofes apócrifas
serás lançada aos leões devoradores de amores
e nossas recordações se desvanecerão junto a chuva
que é tão torrencial nos jardins onde nos reconhecemos.
Devaneios oníricos tão líricos e quase imperceptíveis
de um sonho poético inacabado sem máculas e analogias
somente algumas lembranças dos olhos daquela menina
que no bosque dos precipícios torturou meus sentimentos.
Jonas R. Sanches

José Hilton Rosa
Belo Horizonte - MG - Brasil
Novos tempos II
Entre encontros e desencontros adormeço em meu próprio esqueleto
olhos cálidos e úmidos desses desencontros
pasmo à dor que ficou presa na memória
perdido no tempo como uma flor deixada ao mar
remorso pela dor da saudade
remorso só quebrado quando tem sua presença
preâmbulo aconchego e abraço sincero
lágrimas puras de sentimentos
partindo corações soberbos e puros
beijos sintomáticos
inatingível amor puro
dia pálido com o ar triste
sob saturno enjoo matutino
sonâmbulo envolto na fome
novos tempos chegarão com ar mais alegre
oxigenando nosso sangue que irrigam nosso cérebro
livre para pensar
José Hilton Rosa

Jussára C Godinho
Caxias do Sul/RS/Brasil
Viceje!
Viva o Verde verdejante
Viva a Vida vivida
Vívidos!
Porque do verde
Depende a vida.
Verdes vales e ramas!
Berço dos ninhos
Das aves tagarelas
nas Velhas Árvores de Bilac.
Raiz da primavera
De flores belas
Colírio dos olhos
Colorindo o ar
Abrigo... Refresco...
Do homem, bicho
Da seda, das feras
Namorados dos ventos
Descanso dos rios
Descaso dos homens-bicho
Que os aprisionam
Nas celas
De suas ganâncias.
Enjaulam-se
nas suas ignorâncias
E se esquecem
De cuidar de quem
Deles nunca se descuidou.
Ignoram a importância
Do viver do verde
Do verde, do viver.
Espancam a natureza
E me fazem chamar
Florbela Espanca
Para ajudar a clamar:
Árvores! Corações, almas que choram
Almas iguais à minha, almas que imploram...
E tu?
O que vais fazer?
Jussára C Godinho

kétleen Villalba
Cerquilho - SP - Brasil
Sobre o chão, folhas secas... Manchadas... Retorcidas!
O tempo escorrendo por entre brumas e remorsos. O silêncio mórbido abraçando toda rua.
Numa eterna sincronia o sol e a chuva invadem inesperadamente e subitamente a vida de transeuntes. Na capela algumas lágrimas de dor e outras de alegria.
A estação é a mesma. Ocre, lastimável e imperceptível.
Seguem-se assim os anos de cegueira sádica permutada com vaidade sã.
Sorrisos, gestos inquietos, sorrisos novamente. Universal...
Tenebroso...
Quando afundamos com as melodias é difícil encarar os medos que se sagram postos ao chão e refletem no vidro verdades escancaradas no olhar.
Infecção. Minhas amídalas, irmãs sábias... Sangram e incham. Um prévio aviso do cansaço de regurgitar palavras sem tecer sentimento.
Na palidez do logradouro avisto partículas de ironia. A mesma cruz da capela, se faz idêntica na cruz do cemitério! As mesmas lágrimas de dor. Orações incontidas. O céu que deveria moldar a harmonia sombria da ocasião se pincela desvairadamente num desdenhoso arco-íris...
Como se fosse asas negras de um anjo que deslumbra na agonia sobre o chão, mas somente isso, nada mais, deslumbramento!

Luis da Mota Filipe
Sintra - Portugal
RETALHOS DE UMA ALDEIA
Aqui?
Onde o bom dia baila de boca em boca numa dança natural, as manhãs brindam-nos com a pureza das gotas de orvalho. Há cheiro a campos viçosos e a perfumes que vivem nos estendais de roupa sempre que se encontram povoados. Os beirais acolhem sinfonias, anunciando a estação dos amores. O toque do sino na torre é o orientador fiel para os que andam mimando as suas fazendas. Diariamente, em cada morada, fumegam iguarias saloias compondo buchas, merendas e ceias. Postigos gastos são enfeitados com a brancura da arte rendilhada. O rossio, o mirante, a sociedade, o chafariz, o rio e o poço, são os padrinhos briosos de algumas ruas e largos. Enquanto os pátios namoram com as travessas e os becos cobiçam as ladeiras, bancos improvisados, aquecidos pelo sol, são testemunho dos temas da vida alheia.
Agosto é mês de branquear casas e muros, para que possam combinar com a pureza dos jardins de fé que se carregam aos ombros. Neste canto saboreia-se a tranquilidade, respirando-se das marcas seculares. Nesta terra que beija o céu, os dias morrem mais depressa e as noites nascem mais cedo. Na aldeia, todos são primos e primas. Os sorrisos e as lágrimas são comunitários, partilham-se dores e alegrias. Não se fantasiam sentimentos. Tudo é mais autêntico e a vida brota? ao sabor dos versos apinhados de rimas de verdades.
O FADO É PORTUGAL
Este cantar lusitano,
Aqui, agora, sempre, além,
É partida e chegada,
O adeus magoado,
O regresso sonhado,
São choros, ais, mas também gritos calados,
São beijos, sorrisos e abraços apertados;
Esta alma apaixonada,
É gemido, pecado e passado,
A mocidade, verdade e saudade,
É alegria e desilusão,
O Amor ou a paixão;
Uma gaivota ou canoa,
No Tejo da Capital,
Um destino a ser cumprido,
Do jeito mais natural;
Um soneto de Camões,
Um poema de Abril,
Um trinado de guitarra,
Numa Amália imortal,
Uma rosa de Severa,
Um xaile negro franjado,
Um quadro de Malhoa,
Vida, melancolia, sentimento sem igual;
O Fado é Portugal!
Luis da Mota Filipe

Luiz Poeta ( Luiz Gilberto de Barros )
Rio de Janeiro
CARDIOVAL
Lá fora, o som de um pandeiro,
De um surdo e de um tamborim,
Invadem ruas sem fim
De um dia de fevereiro
Teu coração bailarino
Pulsa em meu peito... te abrigo.
Num frenesi repentino,
Te chamo: -Dança comigo !
Lá fora, os sons se propagam
Mais fortes, intensamente,
Todas cadências se jogam.
Inteiras dentro da gente.
Teu corpo vem, me provoca,
Se enrosca em meu coração,
Tua epiderme me toca
E invoca minha paixão
Lá fora, pierrôs e palhaços,
Passistas e colombinas
Numa emoção que domina.
Tomam o amor em seus braços
Aqui, a gente se abraça,
O quarto é o nosso salão,
Somos a espuma na taça,
O desejo em profusão.
O carnaval continua
Nas praças e avenidas
Numa ilusão seminua,
Curando tantas feridas.
Meu coração, bailarino,
Às vezes tão arlequim
Dança em teu ser tão menino
Que acorda dentro de mim.

Madalena Müller
RS - BRASIL
Espera...
... tal qual, o índio junto ao córrego na mata fechada
em sua reflexão isolada faz seu eco expandir,
buscando seu infinito do alto da montanha
e resgatando-me da profundeza que estava por imergir.
Espera...
... e no diário com literaturas passadas de outrens vais...
... vais chegando e palavras acrescentando de mansinho,
leio e sorrio, sem responder frente a minha estagnada
e persistes com sua suavidade, insistes com seu carinho.
Espera...
... e na acelerada do seu tempo sustei os movimentos
e no engatinhar de meu tempo eu fora expandindo,
meus traços e reflexos vistes renovar
e meu espaço perspicazmente fora invadindo.
Espera...
... e não faça minha temperatura subir
pois estas a acelerar minha circulação,
esta a fazer meu corpo rodopiar
voando direto ha esta louca arrebentação.
Espera...
... eu desejo ocultar a magia que me invade
e que esta envolvendo todo meu ser,
o ardor que transferes com sua energia
em ampla sintonia na vontade de também te ver.
Espera...
... só de pensar sinto-me constrangida com seu cheiro
que sinto exalar atrevidamente em meu mundo,
pressinto a malicia em seu toque insistente
levando-me magicamente numa fração de segundo.
Espera...
... só mais um pouco,
tenho de equilibrar minha perplexidade frente ha razão,
permita-me apagar a luz num instante
para ver-me se não estou louca frente a esta paixão...
... ignorando a disparidade em nossas identidades,
elevando-me encantadamente e fazendo saltitar meu coração!
Madalena Müller

Magali Nunes
Sorocaba - SP - Brasil
SONETO POÉTICO (Issis Antunes)
Crio poemas mágicos da magia faço o encanto
Do pranto ao riso, do amor ao desamor
Espalho por todos os cantos o amor
Sou furta cor......
Dou cor a tudo e encanto a vida
Externo os sentimentos mais velados não deixo nada de lado
Faço do sonho e a fantasia em versos
Transformando a emoção em estrofes .....
Possuo a arte de expressar o amor eu sou poeta
Recebi dons divinos que do amor nasceu dentro de mim
Da inspiração de versejar em suave tom ponho cor
E furta cor esse é o meu dom...
Toco a alma, reconforto os que precisam...
Sou a poeta que transmite que o âmago em silêncio está dizendo
E que o meu coração sente.....
O ecoar dos meus versos vai ultrapassando
A tênue linha imaginária do horizonte voando
Para o cosmos e se perpetuando...
Magali Nunes

Malude Maciel
Caruaru - PE
ÚNICA FUNDADORA
Compulsando os anais da Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras, verificamos que cinco baluartes da intelectualidade local projetaram, nesta cidade, em 18 de maio de 1982, a existência e funcionamento da instituição, que constitui um marco na vida cultural, literária e artística de Caruaru. Contemplando, saudosamente, as fotografias da época, salientamos que no grupo de fundadores da entidade estão quatro homens e uma única mulher, os quais são: Emmanuel de Souza Leite (odontólogo), Walter A. de Andrade (advogado), Amaro Matias (professor), Mário Menezes (advogado) e Luísa C. Maciel (artista plástica).
Infelizmente, na data de 27 de dezembro de 2012, a única representante feminina da cúpula de sócios fundadores da ACACCIL, nos deixou cheios de saudades e recordações. Faleceu, aos 86 anos de idade, entre seus familiares e inúmeros amigos e admiradores, a nossa querida companheira, LUÍSA CAVALCANTI MACIEL. Dos cinco pioneiros que tanto batalharam pelo engrandecimento da nossa Academia de Letras, apenas dois permanecem ativamente nos seus postos, cooperando na manutenção do seu sonho realizado há 30 anos, mas que, dia após dia, exige prosseguimento do compromisso assumido.
Desde 1999 fazemos parte da seleta lista dos acadêmicos titulares desta Casa e, mesmo tendo já o maior apreço e admiração pela pintora, escultora, artista plástica, Delegada oficial da CIOFF e acadêmica fundadora da ACACCIL, pudemos constatar a figura humana e profissional da Sra. Dra. em Belas Artes: Luísa Maciel; um exemplo de fidalguia, bom senso, elegância, dignidade e empenho futurista em coisas importantes para o desenvolvimento da nossa amada cidade. Mesmo tendo nascido em Pesqueira, desde criança se apaixonou e se identificou com a "Terra dos Avelozes" e viveu intensa e produtivamente no "País de Caruaru", levando e elevando o nome da "Capital do Agreste" aos mais longínquos países de um mundo globalizado, valorizando a arte, o folclore, a cultura, a literatura e a vida dos seus conterrâneos. Como também trouxe para nossa sociedade, espetáculos belíssimos evocando outras culturas e dando conhecimento a nosso povo das belezas de outras plagas.
Lembramos os famosos "Festivais do Folclore" proporcionados pela dinâmica amiga acadêmica. Quem poderá esquecer aquelas apresentações, gratuitas, de danças e músicas de variados recantos mundiais que nos eram mostradas, no Estádio do Central, ou na própria residência de D. Luísa? Um trabalho árduo, contudo, gratificante para ela, que passou toda a vida lutando por essas novidades para o público em Caruaru.
Aparentemente uma mulher frágil, porém possuía garra, determinação, metas de trabalho e a consciência da necessidade de continuar batalhando, até o fim, pelo seu ideal de engrandecimento das coisas boas e belas do cotidiano.
Era um prazer renovado encontrar D. Luísa; acadêmica titular da Cadeira de nº 10, cujo patrono é o também famoso escritor caruaruense, José Condé. Estava sempre presente na ACACCIL, acompanhada do seu esposo, Sr. Rafael e da sua filha Socorro, colaborando nas decisões e participando, tanto nos momentos gloriosos, quanto nos difíceis, pois a ACACCIL praticamente nasceu no seu lar, naqueles instantes iniciais, cheios de dúvidas e dificuldades. E, até chegar aos dias atuais houve muita dedicação, suor e lágrimas dos abnegados que não medem esforços para manter esse Órgão que enobrece nosso torrão.
D. Luísa recebeu, em vida, muitas homenagens, merecidamente, pois não há quem não reconheça seu imenso valor, e outras tantas, receberá daqui pra frente, porque sua memória será preservada aqui e alhures, pelos seus feitos grandiosos e pela herança que nos deixou.
Nós, as mulheres, sentimo-nos orgulhosas pela magnífica representatividade que D. Luísa sempre nos deu em todo tempo e lugar. Uma grande mulher!
Agradecemos a Deus pela felicidade de termos convivido com uma personalidade tão maravilhosa.
Seu nome não será esquecido.
HEREDITARIEDADE
Falas, gestos, sorrisos, feições...
São herança passada de outras gerações
Legados físicos, psíquicos, culturais, espirituais,
São historicamente herdados de nossos pais
Toda mãe grávida se arvora
De peculiar esperança
Perguntando ao Bom Deus
Como será sua criança
E o Supremo Criador em Seus desígnios
De infinito Amor e bondade
Faz valer Sua vontade
Naquela Personalidade.
Malude Maciel

Marcus Vinicius Bertolini Rios
Iúna - Espírito Santo
" ACREDITE EM VOCÊ MESMO "
Nunca espere que um dia
alguém possa te fazer um
grande elogio e nunca espere
mesmo que alguém te ame,
seja você apaixonado, mas
apaixonado por você mesmo,
por esta vida que você tem,
valorize, seja digno de ser
esta pessoa humana e capaz
de estar sempre ajudando os outros.
Acredite em você mesmo, nesta tua
capacidade junto a este dons
e talentos que só você tem.
Saiba que somente você é único,
e se alguém algum dia quiser
gostar simplesmente de você,
terás que gostar deste jeito teu,
cativado e sorridente nunca pense
em algum momento de tua vida,
mudar para poder agradar alguém,
procure antes de tudo agradar
a você e verás que se sentirás feliz.