Portal CEN - "Cá Estamos Nós"

Revista Novos Tempos

Junho - 2013

Primeiro Bloco

  Alba Albarello

  Ana Maria Nascimento

  Antonio Paiva Rodrigues

  Armando Sousa

  Carlos Lúcio Gontijo

  Cler Ruvver

  Donzília Martins

 

 
 
Alba Albarello
Erechim - RS
 
HISTÓRIA DA VIDA
 

Brilha a luz de teu coração...

O coração não possui rugas, porém as nossas esperanças com lucidez de vida, após a nossa reflexão.

As nossas forças no rascunho existido e o tempo de passar a limpo é saber doar e doar o saber.

Cultivar a nossa tradição vivenciada e globalizada com o resgate e contabilizada. Equivaler relevante como pessoa ativa, em nossa revisão de vida.

Desenvolver para aproveitar os anos da maturidade  e na importância de nossa história, acreditando em nossa continuidade de vida.

Após os poucos anos e chegar à frente e olhar para traz e poder acreditar o aproveitamento que se define pela contradição, respeitando os ciclos da vida e deixar a adolescência para traz, a fim de assumir o lugar no mundo.

 

 ***
 
ESTENDA A TUA MÃO
 
Alba Albarello
 
Por alguém jamais chores,
nem  lastimes a conclusão
da solidão.
As tristezas com a fragilidade,
lembrando o dia de amanhã.
Canalizamos a Deus,
brotados com a sabedoria.
Inteligência...
Mostrando a tua felicidade e sonhos,
com seus laços afetivos e alegres,
recordações vivendo a maturidade,
na paz e alegria.
O passado de tua existência,
a evolução  participativa
pela tua geração.

 

 

Ana Maria Nascimento

Aracoiaba-CE/Brasil
 
 FASES DO AMOR
 
É inocente e sereno
o amor na primeira idade,
pois´inda não tem maldade,
que torna o homem pequeno.
Ao chegar à adolescência,
abrolham novos manejos;
penetra em efervescência
um turbilhão de desejos.
Por viver em sintonia,
no período da paixão,
é bom dosar a euforia
que causa desatenção.
Mesmo havendo privações,
é só na maioridade
que aparecem as opções
de busca à prosperidade.
Mas é, na melhor idade,
que vem todo o crescimento
para sentir, de verdade,
toda a essência do momento.
 

 
Antonio Paiva Rodrigues
Fortaleza/Ceará/Brasil
 
AS FLORES E AS BORBOLETAS
 
A vida é bela, a rosa amarela.
A alma é sutil, eterna e bela.
A vida é dom divino do Criador,
Que nos enche de alegrias e amor.
Nos espinhos vem à dor e a flor,
Os acúleos das dores são oferendas.
O espinho por mais rude, mais cruel.
Metamoforseia-se em flores divinas,
Que brilha e embeleza em cada esquina,
De divina e bela é tocada de luz e mel.
 
As borboletas por encanto e sedução,
Encantam-se, beijam e sugam seu néctar.
Nos polens levam a semente reprodutora.
De uma nova vida em encantamento,
A luz do universo a fortalece e imanta.
A oferenda das borboletas a outras plantas.
Para a divindade transformar em vida nova,
Os polens benditos que geram novas vidas.
É a natureza em flor vencendo as amarguras.
 
Enchendo nossos corações de vida e venturas.
Delas tiramos os buquês que tem um destino,
Um coração em desatino, repleto de bondade.
De amor e caridade sem espinhos da ingratidão,
É o coração que amo, adoro, é meu viver purificado.
Extasiado pulsa em contraponto e borbulha em amor.
As flores perfumadas têm destino a minha amada,
Que as recebê-las alegra-se como a passarada,
E um beijo descomunal agradece a sensação do querer,
Que dedico ao meu bem-querer, o amor mais puro.
Sensível afável, deslumbrante que transforma o meu viver.

 

***

O Menino Solitário

O pequerrucho menino de rua não tinha família. Estava faminto e suas vestes, eram trapos e seus calçados eram os próprios pés. Sua fisionomia raquítica, seu semblante de criança sofredora, assustada denotavam que seu coração clamava por aconchego e amor. Tinha lá seus 10 aninhos, e já começava amargar um sofrimento provocado pela solidão e ausência de companhia. Um braço amigo para dar-lhe guarida, matar a fome que corroia seu aparelho digestório.

Lágrimas desciam de seus olhos. Vendo toda aquela cena dantesca, bati no meu bolso e tive a sorte de encontrar cinco reais. Perguntei-lhe num tom só! Como é seu nome menino solitário? Com a voz meio embargada, relutou em responder: "Meu nome é João Evangelista". "Não tenho família, companhia e liberdade para fazer o que todas as crianças da minha idade fazem."

Num momento de inspiração pedi calma, que ficasse sentado, enquanto eu retornava. Encontrei numa dessas quitandas mal acabadas, o alimento para saciar a fome daquele ser despreparado, para enfrentar a vida na solidão. Uma boa refeição era o mínimo que eu poderia fazer. Mãos à obra. Levei a quentinha à presença da infeliz criança, que com as próprias mãos encaçapou toda refeição.

Seu semblante mudou e um melancólico sorriso se estampou em seu rosto. Ele disse muito obrigado, mas estou com sede. Exclamou! Rapidamente voltei e providenciei um suculento copo d´água, saciando-lhe a sede também. Pensei cá com meus botões, qual a atitude que deveria tomar, para não deixar no desamparo um brasileirinho esquecido das autoridades constituídas do Brasil.

Tinha só 10 anos, seu rosto de criança almejava a esperança de dias melhores. O tempo passava e conversávamos sobre assuntos variados, de repente notei que seus olhos ficaram avermelhados, quando em seu pulso toquei, notei que ardia em febre, tremia de frio. Passei as mãos à cabeça e pensei: o que vou fazer? Andamos um pouco, visualizei um hospital, de imediato pedi pelo amor de Deus um atendimento de fato.

O médico em sua nobreza disse: "a criança vai ter que ficar". Suspeitamos de pneumonia! Eu, meio atordoado, pusilânime às vezes e com receio de contar ao médico como encontrei a criança. A atendente me chamou: "O senhor têm que preencher uma ficha para acompanhar o receituário médico. Decisão tomada. Preenchi todos os dados como se inocente criança fosse meu filho. Procurei por uma dessas religiosas que está de plantão nos hospitais, para a verdade repassar e não ter que abandonar uma miniatura de ser humano, no abandono". Seria covardia de minha parte. Tentei alvitrar e me tornar Cirineico e usar o deotropismo que fruía de meu coração. Meus olhos de melancólicos se fizeram incandescente entre várias incursões teve uma idéia insigne. Um luzeiro surgiu a minha frente, uma senhora e uma moçoila caridosas, lucigênitas, indagaram-me com altivez! Não tive outra solução, abri meu coração e com os olhos marejados todo acontecimento foi narrado.

Um paracleto divino que há tempo procurava uma criança desamparada e tratar-lhe muito bem, pois o único filho dessa senhora tinha partido para o mundo espiritual. Fiquei um pouco aliviado. Levei a senhora à presença da criança e a emoção foi total. Restava-me resolver judicialmente a situação do pequeno ser. Como Deus é contributivo e sem que eu usasse expediente espúrio, descobri que o esposo da senhora era Juiz de direito.

Acertamos tudo. A desamparada criança encontrou um novo lar, foi assediada de amor e carinho consubstanciado, mas um pedido ela fez, eu não podia negar. Não se esquecesse de lhe visitar e um presente levar. Fitei por alguns momentos, não podia causar uma malversação. Perguntei meio estatizado, o que queres João Evangelista?

Quero te abraçar, te beijar rogar a Deus por tua felicidade, visto que fostes mais do que um pai na hora precisa. Esse pai que não tive durante 10 anos de minha existência. Agora tenho um lar, decente, confortável e uma família sem desconexos, que me querem bem. Do submundo sai para o paraíso terrestre caminhei, um ser de bom coração providenciou tudo para que eu fosse feliz. Venha sempre me ver, amigo querido, minha nova mãe e meu excelso pai estão felizes.

Eu pequenino pungente agora sou gente, quero ser feliz. Jamais magoarei quem me abrigou e fez meu coração renovar e conhecer a felicidade. Obrigado meu Deus e meu Jesus querido jamais esquecerei a sua lei e seus ensinamentos, principalmente aquele que aprendi e nunca esqueci: "Deixai vir a mim as crianças, elas herdarão o reino dos Céus".

 

 

Armando Sousa

Toronto / Canadá
 

Os barões da droga...os mais idosos recebem de seu Dr. pastilhas para as dores, o caudal aumenta com a idade; os Drs. recebem das companhias viagens gratuitas e jantares para promover sua droga que se transforma em bilhões de dólares... Mas a verdade 'e que essa droga mumifica a dor para o paciente consumir mais... o inicio esta feito ou para ir procurando droga mais forte no mercado negro ou pedindo mais ao Dr. Este sabe que todos os seus órgãos estão viciados, e a primeira grande reação será uma prisão de ventre que pode matar o doente... Os intestinos estão tão viciado que espremem todo o líquido para se alimentar... Onde a droga não chega... Estes intestinos revoltam-se e podem formar no... As pernas refusam-se a andar pedindo mais droga. Enfim todos os órgãos querem mais... Então se o de onde esta no hospital com tudo descontrolado...se não tiver amigos lá dentro morre...se o doente realiza qual realidade e tem forças para deixar de tomar pastilhas para as dores, tem uma reação pior que os drogados quando pedem ajuda...este artigo pode se completar com realidades observadas por este que vos escreve...mas cautela... Escolhei sempre o diabo mais pequenino... Se o Dr. presente que tu estas adivinhando o porque de ele te receitar drogas... Ele pode fazer um engano e tu vais mesmo deste para o outro lado.

 

 
 Carlos Lúcio Gontijo
Santo Antônio do Monte - Minas Gerais - Brasil.
 
Pelo dia da estação ferroviária de Samonte
 

             Muitas vezes o desânimo chega a quase nos envolver totalmente, mas sempre o Criador nos prepara algum alento, desfazendo a sentença de Shakespeare que nos recomenda "a não atirar pérolas aos porcos". Afinal, todo o ambiente sociocultural perverso em que vivemos é fruto de séculos de abandono e, atualmente, bastante fertilizado pela opção generalizada pela exaltação a produtos artísticos excessivamente desprovidos de qualquer valor capaz de elevar ou melhorar o comportamento humano.

             Estamos na estrada literária há praticamente seis décadas (desde os nove anos) e já vimos de tudo, a ponto de termos a mais absoluta certeza que, mesmo que fujamos da ignorância, os ignorantes estão sempre por todos os lados e em todos os cantos de encantos e desencantos deste nosso mundo.

           A lógica nos recomenda a não investirmos tanto (nem tudo) em cultura, mas estamos entregues ao idealismo que fertiliza o dom da arte da palavra com que Deus nos premiou. Em síntese, não conseguimos nos afastar da raia da luta cultural. No momento, estamos nos empenhando na edição e lançamento (neste ano) de dois novos livros, enquanto tentamos, como breve e passageiro secretário de Cultura de Santo Antônio do Monte, instituir o "Dia da Estação Ferroviária", pelo qual nos movemos com toda a sensibilidade, comprometimento e dever de cidadão, por intermédio de necessária exposição de motivos, à qual tornamos pública neste artigo, pois pública é a nossa ação em prol do estabelecimento de uma homenagem oficial à nossa Estação Ferroviária:

            A Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Santo Antônio do Monte, através de seu secretário, Carlos Lúcio Gontijo, e Antônio Fernando Gonçalves, que atua na condição de subsecretário, propõem à Municipalidade santo-antoniense a instituição do DIA DA ESTAÇÃO FERROVIÁRIA, a ser comemorado a cada 20 de junho, data em que foi inaugurada no ano de 1915, com muita festa e banda de música.

           São muitas as razões que justificam a instituição dessa homenagem e uma delas reside no fato de a ESTAÇÃO FERROVIÁRIA ter facilitado a difusão do progresso do município, por intermédio da ampliação do acesso aos produtos industrializados, além de possibilitar o escoamento mais eficaz e efetivo da produção local.

            Todavia o que mais realça e mais joga luz sobre a iniciativa da Secretaria de Cultura e Turismo é a explícita realidade que nos conduz à participação da ESTAÇÃO FERROVIÁRIA na formação emocional e psicológica de nossa gente, que depois de sua inauguração se viu premiada com a chance de fazer viagens intermunicipais e interestaduais, o que desaguou em nova visão de mundo, como fruto de intensificação do intercâmbio cultural - até mesmo com a chegada dos funcionários da rede ferroviária e suas famílias, que tanto contribuíram com o desenvolvimento socioeconômico de nosso município.

            Tombado pela Municipalidade desde 31 de março de 1999, o prédio da ESTAÇÃO FERROVIÁRIA se transformou no mais significativo cartão postal de nossa Santo Antônio do Monte, certamente por ser componente inarredável de nossa memória psicológica, percorrendo todas as linhas nevrológicas de nossa mente, onde atua como miraculoso inibidor de todas as formas e atitudes de violência, projetando um cidadão montense aberto ao diálogo, avesso ao confronto e sempre pronto a ser gentil e hospitaleiro, como lhe ensinou a bucólica e saudosa maria-fumaça, que durante toda a sua existência percorreu nossas montanhas como se fosse parte integrante da paisagem. Ou seja, o povo santo-antoniense se nos apresenta totalmente fincado em sua terra, feito dormente de via férrea, tal e qual um trem festejando chegada na estação...

          Por tudo isso e tudo o mais que poderíamos dizer, falta-nos no calendário comemorativo de datas oficiais de nossa amada terra uma ocasião, um dia especial, para que possamos bradar a soltos pulmões: VIVA A ESTAÇÃO FERROVIÁRIA!

 
***
 
ESTAÇÃO DE SAMONTE
           
Na estação ferroviária da minha terra
O trem jamais encerra caminho
Deixou de carregar passageiro
Mas corre ligeiro levando mercadoria
Contudo a sua alegria ficou no passado
Tempo em que seguia lotado de gente
Combustível humano e quente
Que ainda mantém reluzente o brilho
Do trilho que virou horizonte
Sob o som festivo de banda radiante
No ano de 1915, em alvejante vinte do seis
Quando o povo montense viajante se fez
 
 
Cler Ruvver
Brasil
 
À QUEDA...  FEZ-ME INTEIRA!
 
Saí da tua vida, qual vento, ou fumaça.
Mas já diz a premissa: "na vida tudo passa"!
Espero ter deixado só marcas de amor,
Assim como o teu corpo, foi alegria e dor.
Do prazer, nem se fala, pode ficar picante.
Amigo repetido. Tantas vezes amante...
O tempo foi passando, querendo mais que antes.
Lendo em cada palavra, que era por ti tocada;
Um gosto de carícia, quando a mim destinada.
Sempre senti teu toque, em cada pontuação;
Por vê-las colocadas, muito além da razão.
Sempre soube estar em cima, da peneira.
Nem preciso enfeitar...  À queda "fez-me inteira"!
Melhor que estar na lista. É ser, sempre a primeira.
Primeira a aplaudir, vendo o sonho chegar;
Poder dar um abraço e vê-lo me abraçar.
Não importa a distância. No sereno ou na rua...
Sempre estarei por perto, lembrando que fui tua!
Não fique preocupado, aqui estarei bem.
Meus olhos, viajantes irão buscar, do além;
Cada gota em prazer, quando achar que mereço;
Pois mesmo à distância, ainda reconheço!
 
 
 
 
Nome: Donzília Martins
Cidade:Paredes/Portugal
 
A Praça
 

Voltei lá hoje, ressuscitando-a na minha memória.

Há poucos dias atravessei-a, fisicamente. Deserta! Apenas a Gina sentada ao sol, num banco sem tempo. Levantou-se e veio saudar-me. Eu ia com pressa, ter com um afilhado que me esperava em baixo, no jardim.

Hoje volto lá para apanhar lembranças. Quiçá, nem minhas! Mas do meu pai.

Lendo do livro "Mãe´DÁgua" - de João de Sá, natural de Vila Flor, a sua Praça, logo me assaltou uma mão-cheia de semelhanças e acontecimentos de que era palco esse lugar central, existente em cada terra. Ali tudo havia e acontecia: As festas, as feiras, a centenária banda de música, a igreja, a procissão, o sino, as horas, o pelourinho, a prisão, o tribunal, a farmácia, a taberna, o sapateiro, a barbearia, o estabelecimento maior e o largo arenoso, de dia estendido ao sol e á noite, às estrelas.

A praça da minha terra era então tecida de grãos de pó e micas de luz que hoje fazem parte do meu imaginário infantil onde fui feliz e que agora pairam sobre os telhados velhos e as casas esventradas, assobiando lonjuras.

Era ali que mais brilhavam as estrelas protegidas pela escuridão da noite.

Ouço ao fim da tarde o toque das Trindades, recitando Ave-Marias, os risos das crianças em correrias, da minha rua até à praça, de pés descalços, roendo um cibo de pão duro cozido à semana no forno comunitário da srª. Rosa forneira, que continua lá, parado, no mesmo lugar, a desafiar o tempo.

Porém, o meu mais nítido registo - é para aí que vão as minhas gratas lembranças, são os dias de feira, aos 13 e 28 do mês. Como seria extenso o estendal de tendas esticadas nas frinchas da minha alma! Fica isso para depois.

Todavia, o maior encantamento eram as "pantominas" que de tempos a tempos chegavam à Praça.

Hoje lembrei-as pela mão de João de Sá. Não as minhas! Recuo a muitos anos atrás, quando eu vivia ainda no crepúsculo do sonho de amor dos meus pais.

Lembro esse episódio no meu Livro "UM País na Janela do meu Nome" da pagina 53 a 58.

Aí descrevo esse circo imaginário para mim mas real para os meus pais quando ouvia embevecida dos lábios do meu progenitor:

"Sabes, o teu nome veio duma bailarina do circo, uma trapezista que numa noite de fadas passou na praça da vila. Donzília era o seu nome! Lindo! Tinha a cor das buganvílias, ora vermelhas, ora roxas, ora brancas da pureza. ( )

Foi também assim que a imaginei pela boca saudosa do meu pai.

João de Sá descreve precisamente a mesma bailarina que lhe enfeitiçou os olhos  de criança (talvez oito anos),  deixando "a flor carnal a boiar nos olhos que ficaram azuis de tão demoradamente a contemplarem abrindo em pleno céu" ( ) "Era  uma pequena  bailarina, gémea de pássaro que executava movimentos circulares ( ) e no espaço permanecia por instantes como se fio invisível a sustivesse." Dançava ao som dum violino "Cit, pag 198.

Que bem João de Sá descreve a mesma bailarina que encantou os sonhos de amor do meu pai!

Tenho a certeza absoluta que era a mesma bailarina a que atuava e encantava na praça de Vila Flor e em Murça. Quer pelo tempo, quer pela idade, tudo se conjuga para que a doce sereia dançante em ondas de mar azul coroado de estrelas, cujo nome João de Sá não diz, mas que meu pai captou para mim, fosse a mesma.

Pelo encantamento do autor, João de Sá, devia ter 7/ 8 anos, (nasceu em 1928; o meu pai nasceu em 1916, pelo que na altura teria cerca de 20 anos, quando namorava com a minha mãe e prometeram pôr à 1ª filha o nome da bailarina. Eu fui a 3º filha (1ª menina) à qual ele pôs o nome da bailarina. Eu nasci em 1942.

  Quem diria que passados tantos anos, neste cruzamento de dados, a mesma bailarina, com o seu voo de pétalas, havia de bailar ainda na alma do escritor e eternizar-se na minha vida!?

Foi pela bailarina, que foi escolhido o título desse meu livro. "Um país na janela do meu nome".

A bailarina "feita de brisas e meneios de borboleta" ( ) de saia de cetineta verde, laço de papel de seda a amaciar-lhe a rebeldia dos cabelos - João de Sá Pag 198, surgiu hoje mais viva  do que nunca,  vinda  bem da lonjura, para, desafiando o tempo, desenhar lembranças, ressuscitando promessas de amor e as mais belas e doces imagens da Praça.

São estes pedaços de saudade, de arte, beleza e encantamento, de que é tecida a minha vida.

E volto a sentir-me um acorde na pauta musical das coisas com nome.

 

 

 

 

 

 

 

 

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