Portal CEN - "Cá Estamos Nós"

Revista Novos Tempos

Junho de 2013

Sexto Bloco

 

  Rozelene Furtado de Lima

  Ruy Silva Santos

  Sá de Freitas

  Sidnei Piedade

  Soninha Porto

  Tito Olívio

  Valter Bitencourt Júnior  

  Vera Salbego

  Wilson de Jesus Costa

 

 

 

Rozelene Furtado de Lima
Teresópolis - Rio de Janeiro - Brasil


Sogra é sogra


Quando Paula e Felipe mudaram para uma casa mais espaçosa, bem mais luxuosa e localizada num bairro com todas as características de "morar bem", foi a concretização de um sonho para o casal. Depois de nove anos de casados conseguiram comprar a residência tão desejada. Precisava de algumas reformas, uns ajustes, mas eles teriam o tempo que quisessem para planejar. Trataram de fazer uma limpeza no quintal, arrumar o jardim, pintura na parte externa e interna e... entrar com o pé direito.
Resolveram que convidariam aos poucos parentes e amigos para conhecerem o melhor lugar do mundo. Aquele lugar onde você deixa seus sapatos onde quiser, usa roupas confortáveis, lambe a colher, arrota e bufa como majestade - o lar doce lar. Com uma pequena ressalva: divida o espaço com alguém que você ama muito, só assim um não vai implicar com as manias do outro. Caso contrário campo de batalha é pouco.
Numa manhã fria de final de outono Paula tinha ficado preguiçosamente na cama, Felipe ligou do trabalho dizendo que levaria a mãe para almoçar, pois ela estava muito curiosa para conhecer a nova casa. Paula ao receber o telefonema do marido tentou adiar uns dias a visita da sogrinha com a desculpa que o almoço já estava quase pronto e não tinha nenhum prato especial para servir. Ao que Felipe argumentou: - Que é isso? Mamãe é de casa, deixa de bobagem, querida.
Paula foi até a cozinha avisou a empregada e acrescentou mais alguns detalhes na refeição e pediu que ela caprichasse na arrumação da mesa e das travessas. E saiu rapidamente para comprar umas flores para enfeitar a sala, porque sogra é sogra. Dona Josefa fazia parte do primeiro escalão das sogras insuportáveis, com ar de quem possui a escritura da verdade e não dava tréguas. Cumpria com rigor o papel de que sogra é aquela que tem sempre razão. Embora aparentemente fosse simpática e boa, dando a impressão que não se intrometia na vida deles, Paula tinha cuidados especiais: usava armadura a prova de ataques repentinos e disfarçados com artilharia pesada. Sogra é sempre sogra, aqui ou no fim do mundo. Paula achava-a dissimulada e cheia de sutilezas. Como uma costureira dava as alfinetadas que só a nora percebia e fingia não sentir nem entender. Não dormiam na mesma cama, não moravam debaixo do mesmo teto, não eram vizinhas e só se visitavam de vez em quando e então dava para aguentar.
Paula tinha descoberto que tratar a sogra com certa cerimônia evitava intimidades e espantava a desarmonia. Querendo ou não a sogra é sempre mal vista pelas noras e vice versa. É bom que cada uma cuide da sua jurisdição sem interferência da outra para que a paz perdure para sempre. E a regra principal é nunca falar mal da sogra. E mesmo porque falar da sogra está falando da mãe do outro e desde os primórdios desrespeitar esta regra é briga na certa. Minha sogra é uma santa e ...a sua é santa também.
Mãe e filho chegaram felizes e sorridentes. Ele contava os detalhes e ela examinava cuidadosamente todos os cômodos sem fazer comentários. Tomaram um aperitivo e sentaram-se à mesa. A empregada cumpriu com carinho as recomendações da patroa: mesa bem posta, travessas arrumadas com esmero.
Uma saladeira, com legumes cozidos ladeados por folhas de alface e tomate lindamente decorada, foi preparada por Paula. A sogra foi a primeira a servir-se. Paula amarelou quando olhou para o prato da dona Josefa. Uma lagarta verde da cor da folha se esticava medindo o contorno da alface. É uma lagarta fina, comprida de mais ou menos cinco centímetros se esticada. Chamamos de medidor porque ela junta as duas pontas fazendo uma alça e depois se estica puxando a outra parte, mas ela fica um pouco indecisa até grudar uma parte e soltar a outra. Dando a nítida idéia de que está sempre medindo alguma coisa.
A nora nervosa precisava agir rápido, até então só ela tinha visto a asquerosa lagarta de pelinhos curtos. Felipe feliz conversava com a mãe. Na cabeça de Paula ela buscava um recurso milagroso. Enquanto a lagartinha verdinha da cor da alface decidia se segurava na manga do casaco verde da mãe de Felipe ou continuava como uma bailarina se equilibrando para atingir pelo centro do prato o extremo da outra folha apetitosa. De repente, Paula levantou-se olhou para a sogra e disse: - Não sabia que a senhora gostava tanto de alface, e ao mesmo tempo retirando o prato da mesa, vou ver se tem mais alface na cozinha. Saiu rapidamente da sala levando como se carregasse um troféu: o prato com salada e a bela e intrigante lagarta como uma deusa vitoriosa olhando por cima de tudo.
Felipe não sabia o que dizer para a mãe. A sogra sem graça não entendeu a atitude da nora.
Alguns minutos depois Paula volta dizendo que a empregada está providenciando uma salada de alface cortadinha, especial para dona Josefa e colocou um outro prato limpo para sogra. O filho serviu a mãe carinhosamente, e ela mal tocou na comida e comeu uma pequena fatia de pudim na sobremesa. O almoço foi um desastre!
Paula nunca mais serviu alface para visitas. E às vezes que Paula comia na casa da sogra todos os pratos eram enfeitados com alface, até a carne. Uma vez dona Josefa colocou um pé de alface como decoração da mesa.
A lagarta medidor causou um rasgo na relação do casal, que mesmo cerzido com muitos beijos, carinhos a marca ficou aparente. E sempre que querem almoçar ou jantar juntos com sogras, procuram um bom restaurante.
A dona Josefa quando se referia à nora dizia: - Aquela comedora de alface...


***


Páginas do meio

Quem viria interromper minha solidão?
Quem estará à porta do meu coração?
Ah! É a saudade...
Que chega com tanta liberdade.
Entra, vamos tomar um copo de vinho.
Vem, seja bem-vinda ao meu solitário ninho.
Temos muito que conversar.
Coisas demais para relembrar.
Quer ver o meu álbum de fotografias?
Que fotos! Olha o passarinho... Sorria.
Todas são momentos bons, são lampejos
Essa aqui... foi depois do primeiro beijo.
As maiores representam a cor da harmonia
Todas trazem impressos os reflexos de alegria
As mais belas estão nas páginas do meio.
Tempo de paz, de maior enleio.
Cenas picantes de paixão ardente,
Imagens de felicidade, somente.
Momentos ternos, eternos
Alegria sentida, vivida.
Horas que o relógio não aponta,
Dias, tardes, noites e madrugadas, sem conta.
Saudade volta outro dia...
Vá correndo buscar a alegria.
Ah! Amiga saudade... Vai embora!
Traze de volta meu amor, não demora.
Vá embora saudade enjoada, me solta.
Traze meu amor de volt

 

Rozelene Furtado de Lima


 

Ruy Silva Santos
Sorocaba/SP/BR


A lua


Impera lá no alto majestosa,
Áurea, limpa, cristalina,
Aguardando o alvorecer da nova aurora,
Prazerosos como seios de menina...

Surge um verso então parado,
Apressado em cada esquina,
Desperta a alma do poeta enamorado,
Que admira o leve andar da bailarina.

Estrelas surgem, mas se escondem,
Pois não brilham tanto ainda.
Dispersas, fogem desta luz por onde,
Espalha-se esta rainha tão linda

Conduz a lua à noite,
Até encontrar o alvor que surgiria
Então, cansada do pernoite,
Entrega ao sol o novo dia.

Ruy Silva Santos

 


 

Nome: Sá de Freitas
Cidade: Avaré - SP- Brasil


A OUTRA ESTRADA

Por quanto tempo,
Sentirei o perfume do tempo,
Entre os que amo, não sei.
Sei que desejo aspirar
A fragrância de cada segundo,
De cada minuto e de cada hora,
Antes que o dia termine,
Antes que no jardim da vida
As flores murchem,
O vendaval da velhice invada tudo
E o cansaço faça-me parar de contemplá-lo à espera do nada.

Vou caminhando firme
E pelo retrovisor da experiência,
Enxergando aqueles  que antecedi na estrada,
Tentando sinalizar-lhes o caminho,
Para que não caiam nos lugares que cai.

De onde parti, não me lembro;
Por onde ando, desconheço
E seguirei, um dia,
Para onde nem idéias faço do que será.
Em mim há muitas páginas que ninguém leu;
Há sonhos que ninguém sonhou
E segredos que ninguém desvendará.

Mesmo assim,
Quero dirigir meu veículo-matéria,
Com bastante cautela,
Para não me perder nas curvas do futuro,
Quando atingir a estrada do lado de lá,
Sinalizada por tantas placas de interrogações.

Samuel Freitas de Oliveira

 



 

Sidnei Piedade
Assis / SP / Brasil

 

A mulher que eu amo

 

 A mulher que amo tem tudo o que quero, sabe mudar meu destino como a nascente de um rio. Ela me deixou assim, deu seu carinho e me conquistou, me fez sonhar ,  pois és a estrela que da brilho a minha vida , o ar que respiro. És beleza rara... a mulher que manipula o amor, pecado e magia, veneno e alegria...ela domina meu coração. Seu amor ainda é tudo, é a força de dois corações que que traz a paz e a calma Tudo o que importa é o nosso grande amor, onde é a estrela da minha vida., dos meus sonhos...a mulher que eu amo amar Nas curvas do seu corpo passo a noite á viajar, curvas tão bonitas...seu sorriso, seu olhar.Cada dia eu vivo mais do seu amor, pois um dia eu encontrei o verdadeiro amor que é toda minha vida.A mulher que amo tem tudo o que quero, sabe mudar meu destino como a nascente de um rio. Ela me deixou assim, deu seu carinho e me conquistou, me fez sonhar ,  pois és a estrela que da brilho a minha vida , o ar que respiro. És beleza rara... a mulher que manipula o amor, pecado e magia, veneno e alegria...ela domina meu coração. Seu amor ainda é tudo, é a força de dois corações que que traz a paz e a calma Tudo o que importa é o nosso grande amor, onde é a estrela da minha vida., dos meus sonhos...a mulher que eu amo amar Nas curvas do seu corpo passo a noite á viajar, curvas tão bonitas...seu sorriso, seu olhar.Cada dia eu vivo mais do seu amor, pois um dia eu encontrei o verdadeiro amor que é toda minha vida.

 

Sidnei Piedade

 

 

Soninha Porto
Porto Alegre - RS - Brasil


Nina, a Mãe de Cruz Alta

Em “Pouso de Cruz Alta”
nas ribaltas do Erico Veríssimo 
do  eterno “Tempo e o Vento”
nasceu a Nina-menina.
Floresceu uma guarani
linda 'sapoti'
da cor trigueira
guerreira do olho de mel.
Arroios e cachoeiras
ligeiros lavam e beijam
os pés de vento
de Nina-menina
que pinta a terra no corpo
ergue flechas nas mãos
cabeceia nuvens
E sai ventaneando
em mato e capões.
Nesta terra abençoada
encravada nas missões
ninguém viu ou ouviu
falar da Nina - a índia menina.
Pastos e ribanceiras
da praça da bandeira
ao cume da cruz
pranteiam saudades de Nina
cada pedra,
cada canto
canta o encanto de Nina
- a índia-menina-mulher -
perdida pelo mundo
do jeito que Deus quer.
Eu, com traços
da Nina-menina
jeito peralta 
pareço a índia
que viveu um dia
nas terras de cruz Alta.

Soninha Porto


 

Tito Olívio
Faro - Portugal


MINHA FORTUNA
 
Não quero ver mais ouro em teus cabelos,
Fiapos de cordões, estreitas tiras;
Não mostres os teus olhos de safiras
E tapa o alvo marfim dos dentes belos.
 
Não mais rubis nos lábios, meus anelos,
Quanto mais pintados, mais mentiras;
Nem mesmo os cristalinos sons das liras
Na voz dos teus poemas, ao dizê-los.
 
E tudo isso é meu, a mim pertence,
Se o Porto é da barca duriense
E a vela é do vento que a enfuna.
 
Assaltos são o pão de cada dia.
Não quero, pois, ficar em agonia,
Se alguém rouba de ti minha fortuna.
 
Tito Olívio

 

 

Valter Bitencourt Júnior

Salvador/BA/BR

 

Vícios

Entra de cabeça e pés
Em um caminho sem saída
Sua vida iguala um forte rubro
Sem paz!
Faz da vida um jogo
Que flutua e desce
Nas águas cristalinas
E se transforma
Em sofrimento singelo
Se perde nos vícios asquerosos
Quando tudo esta pra ser tarde
Você se isola, se entrega
Sequer vislumbra vontade
Se debate com crise
De abstinência, pertinência
Dias depois tudo parece ser bem.
É solto!
Mas o que vem a sua cabeça
Alimenta-se dos seus vícios
Deixando tristes lágrimas
Descendo pelas cachoeiras?

 

Valter Bitencourt Júnior

 

 

Vera Salbego
Guaiba - RS - Brasil

 

Quero escrever
Ao ser humano
Algo que o faça
Despertar
Para o mundo.
Que o faça parar
De destruir a natureza.
E tomar consciência
Que a natureza é o pulmão
Do mundo.
E de nossa existência.
E dela precisamos
Para nossa sobrevivência
Neste planeta terra.

Vamos unir nossas forças
E tentar salvar
O que resta ainda
Da nossa Floresta Amazônica
De nossa Mata Atlântica.

Vamos plantar mais árvores
E preservar a vida
Do nosso planeta.
Unindo forças no mundo todo
A Natureza será preservada
Para as novas gerações
Conhecer a beleza da Fauna e Flora
De nossa Terra.
Assim, escrevo com a consciência.
De poeta e o coração de ser humano.
Para espalhar aos quatro ventos
A sinfonia do amor a Natureza.

 

Vera Salbego


 

 

Wilson de Jesus Costa
Brasil


Não quero...
Não quero morrer sem sentir teus beijos
Não quero morrer sem você em meus braços
Não quero morrer sem sentir teus abraços
Não quero morrer sem satisfazer meus desejos,
Não quero morrer em noite gelada e fria
Nem ter a umidade caindo em nossos corpos.
Quero beijar-te como ninguém faria e nem fará jamais
Lavando minh’alma, guardando lembranças,
Do beijo que não dei, pois ficou na saudade, esquecido...
Deste amor triste e sofrido e de um abraço perdido,
Não quero morrer sentindo a dor amarga da renúncia
Eu que jamais renunciei de teu amor... por ti proibido
Mesmo me lamentando, dia após dia, e com o coração ferido...
Não quero morrer sem teu calor a meu lado
Mas também não quero deixar de ler você no facebook
Nem deixar de ver você atualizando tua página
Vou ficar triste se você não atualizar teu link
Quero curtir e comentar o que andas promovendo
Quero compartilhar a tua página
Ver a tua linha do tempo, os teus amigos,
No que você está pensando agora e escrevendo
Na minha página lerás o meu poema onde digo:
Não quero morrer sem sentir teus beijos
Não quero morrer sem você em meus braços...
E, por favor, não deletes nossos retratos.

 

Wilson de Jesus Costa
 

 

 

 

 

 

 

 

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