Ano VI –  Agosto de 2010
 
Edição e Arte Final:
 
 
 

 

 
 
Amigos Autores e Leitores do Portal CEN,
 
Estamos editando mais uma edição da nossa revista "A Gruta da Poesia". Neste número, além de publicar dezenas de belas poesias dos nossos autores, levamos ao conhecimento dos amigos autores e leitores que as Grutas de Mira de Aire, pertencentes ao local onde resido há mais de onze anos,  são finalistas no concurso das  "7  Maravilhas Naturais de Portugal".
 
Desta forma, pedimos para que os nossos amigos autores e leitores, façam com que estas lindas grutas sejam umas das escolhidas.
 
Para tal, basta fazerem o registro e votarem no seguinte endereço:
 
 
Para os amigos de Portugal, informamos que também podem votar telefonando para os números:  760302709 ou enviando mensagem com o 709 para o número 68933.
 
Site das Grutas:
 
 
História das Grutas de Mira de Aire

"Foi em 1947 que, pela primeira vez, alguns homens tentaram explorar esta gruta.
Lançando cordas, desceram até uma pequena galeria, onde, a algumas dezenas de metros, se encontraram como que numa janela aberta sobre um precipício. A escuridão, no entanto, não lhes permitiu ter uma noção clara da sala onde se encontravam, mas a notícia desta descoberta, sem antecedentes na região, chegou até Lisboa de onde acorreram vários espeleólogos.

Através da exploração do fundo da sala e de algumas reentrâncias nas paredes, descobriu-se o segredo para a continuação da gruta.

Em 1949, com a construção de um guincho de madeira, os espeleólogos deram continuidade à descoberta de um percurso de mais de 500 metros, denominado "Galeria Grande", e com uma topografia e paisagem variada.

Neste trajecto pode-se observar a "Fonte das Pérolas", as "Galerias do Polvo", o "Órgão", e o  "Rio Negro" que dava acesso ao "Areal" no fundo da Galeria Grande.
Nos anos 50 e 60, campanhas mais prolongadas passaram a exigir a criação de acampamentos no interior da Gruta.

A partir daí, foi possível chegar até ao "Sifão das Areias", "Concha" e "Labirinto", até que foi descoberto o "Poço Final", podendo assim poder ser elaborado o primeiro levantamento topográfico da Gruta.

O desejo de mostrar esta maravilha da natureza ao público tomou forma, e foram projectados e construídos centenas de metros de estrados e escadas de madeira, desde a entrada, até junto ao Sifão das areias.

Em meados da década de 70, com o intuito de promover turisticamente a gruta e de a rentabilizar, constituiu-se uma sociedade que faz a sua exploração desde a Sala Grande até às partes principais da Galeria Grande.

A abertura ao público fez-se a 11 de Agosto de 1974.

Em 2007 uma expedição da Sociedade Portuguesa de Espeleologia entra na Galeria do Rio Negro e aproveitando a redução temporária do nível das águas, consegue acrescentar mais de 11Km de novas galerias que se estendem até ao interior do Planalto de S. Mamede.

Esta Gruta (Moinhos Velhos) juntamente com a Gruta da Pena e a Gruta da Contenda, faz parte de uma grande rede de galerias com mais de 11 Km.

Nos Invernos mais chuvosos, as águas desta rede juntam-se às águas da nascente do Olho de Mira e Regatinho, inundando assim a grande depressão fechada (Polje Mira-Minde) existente entre as povoações de Mira de Aire e Minde. "
 
Carlos Leite Ribeiro, fundador e presidente do Portal CEN - Cá Estamos Nós,  batizou a nossa revista com o nome "Gruta da Poesia", numa forma de homenagear as grutas e  por  residirmos praticamente em cima delas.
 
Informo também que no interior destas grutas realiza-se no Dia Mundial da Poesia,  saraus, com a participação de inúmeros poetas da região e de todo o país.
 
Como também espetáculos dos mais variados, exposições, almoços,  jantares  ao som do que  há de melhor em Portugal, o canto inebriante do fado.
 
Conheço-as pessoalmente e lhes garanto que merecem estar entre as 7 Maravilhas Naturais de Portugal.
 
Agradeço desde já a vossa atenção e conto com o seu voto.
 
Abraços sinceros e agradecidos.
 
Uma boa leitura.
 
Iara Melo
 
Mira de Aire, 27 de Agosto de 2009
 
 
 
 
 
 


 
 
ADÃO E EVA

Alfredo dos Santos Mendes

 
Uma folha de parreira,
Serviu, de certa maneira.
P’ra Adão tapar a nudez.
O país nem tanga tem.
Vamos ter de usar também,
Essa folhinha, outra vez!
 
Mote e glosa de: A. Mendes
 
Que vida tão desgraçada.
O dinheiro não dá p’ra nada,
Eu vivo numa canseira.
Fatos, não posso comprar!
Por certo, vou ter de usar:
Uma folha de parreira!
 
Uma folha bem verdinha,
Vou arrancar numa vinha,
Faço uma tanga ligeira!
Assim fez o Pai Adão!
P’ra ficar todo pimpão…
Serviu de certa maneira!
 
A Mamã Eva, também,
Ao ver que ficava bem,
Logo a mesma coisa fez!
Lembrando, faz-me sorrir…
De a verde parra servir,
P’ra Adão tapar a nudez!
 
Mas hoje fiquei pensando,
Com meus botões cogitando,
O que em tempos, disse alguém!
No seu discurso empolgado,
Ele deixou um recado:
O país nem tanga tem!
 
Fiquei triste desolado.
Bastante preocupado,
P’lo País não estar bem!
E fiquei pensando, então.
Se a parra do Pai Adão,
Vamos ter de usar também?
 
Portugal tão pobre está.
Se o dinheiro, p’ra nada dá…
Fico a pensar que talvez!
O povo, por este andar,
Vai voltar a ter de usar,
Essa folhinha, outra vez!
 
 
 
 

 


QUERIA TANTO FALAR-TE DE AMOR

Amália LOPES

Queria falar das letras que me escorregam dos dedos noite após noite
entre o luar e dos teus dedos, que sinto famintos dentro de mim.
Hoje entraste em mim, num castelo que te pertence, ontem fui a rosa que se desfolhou dentro dum laço eterno.
Eu sabia que esta historia deveria ser contada a ti a mim, a alguém algures nas montanhas, aquela onde te beijei naquela tarde escaldante que me trouxe olhares, beijos e tantos afectos.
O tempo, meu amor, são jasmins poisando em plumas na distancia do mundo
são laços eternos, que se desatam indefinidamente em caricias de ti em mim, és um sol em jardim de corações, tens tantos corações que te amam, meu amor.
Esta carta, é a vida , a loucura, a tua vida cheia de castelos e rainhas que se
tornam transparentes de desejo e afecto e que tu afagas nas horas que o sol te deixa, os minutos em que beijas cada uma diferente, igual, tudo é diferente, mas tudo é teu, é o teu mundo com impossíveis, com lamentos, com dor, mas com eterno amor. É um vicio o amor, mas é tão bom falar de amor.
Vivê-lo é cânticos de eternidade, é bálsamo, são azuis as caricias das letras.
Perco-me em ti, neste som de teclas que me falam em amor, poesia e letras.

QUERIA TANTO FALAR-TE DE AMOR!!!!!!!
Mas na hora do silencio as palavras retiram-se de mim e só te vejo em olhares e beijos, tu sabes que me custa dizer-te algo, mas um dia meu amor, falarei para ti a mais linda historia, nem sei que fragrâncias nos separam, que grito alucinante me reprime na hora de falar, não sei, é uma memória ancestral da muita saudade.
Vou semeando flores nos jardins da vida, na emoção dos espaços que ocupas dentro de mim, no orvalho das madrugadas e lágrimas perdidas no perfume inquieto dos meus pensamentos.
Não sei se penso, se grito, se durmo profundamente dentro de ti.
Hoje fui dentro de ti, percorri  galáxias de sonho, murmúrios de ventos em desalinho no interior do teu corpo quente e macio, voltei inundada de estrelas, e ausente de tudo, não te vi, era outro mundo.
Gostaria de dizer, para nunca deixares de acreditar em amor, num colar de pérolas, numa noite de aurora, nos meus seios desnudos, num terno louco e libertador amor, em sopros de vida, em salpicos de esperança, nunca deixes a realidade tomar a ordem da vida, solta a esperança e vive-a em plenitude. Abraça os murmúrios, as canções, os segredos, os lamentos, as lágrimas, tudo é vida.
Tão cedo passa, nada se sabe, mas…tudo, tudo se sente…
Queria tanto,tanto, falar-te deste amor…
poema de ti, já nem sei se de mim…o que escrevo, já não sei se será de mim.
devolvo-te tudo porque te gosto, tanto… assim… meu amor…
mas quando partires não me abraces… deixa solto o vento nas marés...

noite 26junh2010
 


 
 

Ser Imortal

Ana Maria Nascimento

Mote: 

Quando a morte nos ocorre
Deus vem aqui nos buscar
pois o trovador não morre...
muda apenas de lugar.

(Ademar Macedo)

Quando a morte nos ocorre
deixando consternação
nosso Bom Pai nos socorre
no momento da aflição.

Quem faz verso sempre diz
Deus vem aqui nos buscar,
por isso aceito feliz
seguir para o novo lar.

E chegando ao céu discorre
com total encantamento
pois o trovador não morre...
com esse acontecimento.

Fazendo verso, afinal,
consegue logo julgar
que aquele que é imortal
muda apenas de lugar.

 
 
 
 

Lágrimas de Mulher

Ana Lucila Maranhão


Paro e fico a pensar no choro de cada mulher, nas lágrimas a rolar,
Nasceu a filha, olhava o berço feliz, ela  sorria, mas, também  chorava,
Gerar uma criança, ser mãe, faz a alegria de um lar.
Vejo uma mulher abraçada ao corpo do filho morto, triste infeliz e desesperada,
tão jovem... Rapaz ao volante veloz, o matou, ela chorava de dor e, lamentava.
Lembro ainda da mulher que pedia ajuda para o filho, muito transtornada,
era a mãe de um rapaz viciado em drogas, ela  chorava, não sabia como lidar.  
Escutei no silêncio da clínica, outra mulher, chorava e sorria com um papel na mão,
resultado de uma biópsia, e, resultado negativo, ela chorava feliz pela bênção.
Mulheres são anjos, que choram, lavam a alma, na felicidade, dor e  comoção...
Mas, sempre com muita intensidade, porque ela é a própria emoção.
A lágrima da mulher expressa sentimentos. O cérebro dela enxerga e sente.
Quando meiga doce e suave, tem voz que encanta, e, de vida nos dá lição.
Suas lágrimas são gotas d’água brilhantes, que salienta o seu olhar cativante.
 


 
 
 
 

TRIBUTO A UM POETA

Aparecido Donizetti Hernandez

Sob a sombra da velha paineira
Repousa o antigo arado,
Arado que rasgou as terras de massapé,
Onde vi plantar as sementes das esperanças
De ver nossos campos verdes brotando...
 
Velha paineira que nos abrigava sob seus galhos,
Onde João de Barro construía seu ninho de amor,
Lá nos encontrávamos todas as tardes de outono,
Onde víamos o entardecer, pensando que nunca haveria dor...
 
Velha paineira que hoje como nós
Entristece ao contemplar as queimadas
Que ofuscam o pôr-do-sol
Do nosso lindo interior,
Levando embora seu esplendor.
Velha paineira que o poeta
José Fortuna eternizou com suas palavras de amor.
 
 


 
 

Borboleta

Cyroba Cecy B. O. Ritzmann

Borboleta não persigo
é lindo vê-las voar,
afasto todo inimigo,
que as queira magoar!

Sempre que posso trabalho,
eu cuido do meu jardim,
mas às vezes me atrapalho,
fico com pena de mim.

Preciso arrumar o abrigo
e deixá-las livre voar...
Só assim delas consigo
que fiquem a me enfeitar.

Dançando ao sabor do vento,
alegres voando assim,
só vê-las não me contento...
Que venham atrás de mim!

 
 
 
 
 

RESTO DE MIM

Diana Camargo (São Sepé/RS)

Numa manhã de final de outono
Fria e chuvosa
Vejo tua indiferença...
Tua inquietude
Como a fugir da minha presença.
Meu coração, que em outras vezes,
Tanto te procurava,
E sempre se aconchegava no teu abraço...
Hoje está vazio.
Uma estranha sensação de indigência
Toma conta de mim...
Tudo ao redor parece não ter sentido.
Quero fugir desse lugar
E das lembranças que trazem de volta
Os momentos felizes que passamos juntos.
E nessa manhã fria e chuvosa
De final de outono
Vejo tua indiferença...
E o que restou de mim...
 
 
 

 
 

DECLÍNIO

ELIANE ARRUDA - CE

Que lindo o sol descendo a escadaria
Do poente, e o céu tingindo de vermelho!
 Aos poucos, vai perdendo a serventia,
E a graça que revela nos lampejos.
 
As cores do poente, ah!... São risíveis
Àqueles que na tela reproduzem
O que os olhos trazem de incrível:
Matizes desse instante e pouca  luz.
 
Um dia,  a nossa vida será noite,
U`a noite eterna sem mais ver o sol,
A lua chorará  sem ver seu noivo?
 
No outro dia, raios seus  bebamos,
De  u`a  ponte ou janela, estando sós,
Diante da beleza, os  poetas  cantam.
 
 

 
 

ELOS PARTIDOS

-eron-

Que será de ti
quando amanhã,
aflita, me chamares
e não me encontrares mais aqui?
Sentirás, então,
só e insegura,
tanta amargura,
que o teu coração
vai morrer de culpa,
porque já parti!

E eu... sem ti...
montado numa estrela,
cavalgando ao léu,
concluirei  no céu,
que passei pela vida...
e não vivi!

 
 
 
 

helenarmond

sim... eu poderia...
ousaria... garantir...
vendo a parede branca
que antecede uma palmeira
que antecede
o monumental concreto
que antecede...
um morar comunitário...
dizer que tenho
as mais belas fractais
de um arco-íris
nos vidros da minha janela...
 
 
 



DRAMA DA EXISTÊNCIA HUMANA

Ilda Maria Costa Brasil

Será que há alguém
que não tenha consciência
da realidade social?
Quando me vejo a olhar a chuva,
penso... repenso... penso...
Como seria fantástico
se água da chuva pudessem levar
as impurezas sociais,
morais, políticas e culturais.
Meu Deus, as impurezas humanas
são tantas que seria preciso uma grande
e prolongada enxurrada
para limpar tamanha sujeira!
Algo, no entanto, preocupa-me.
Estaria o problema resolvido
ou apenas estaria sendo removido
para outros locais,
não apresentando
nenhuma solução satisfatória
a tais dramas da existência humana?
Sabe-se que, na sociedade,
predomina pessimismos,
amarguras e falta de bons objetivos de vida.
 
 
 
 
 
 

SER POETA

Hermoclydes Siqueira Franco

SER POETA não é viver de sonhos,
Mas, saber aplicar o seu lirismo
Nas estrofes dos hinos mais risonhos
E, ao fazê-lo, conter o ufanismo.

SER POETA é dar aulas aos tristonhos
A ensinar-lhes, deste mundo, o realismo...
SER POETA é sorrir ante os medonhos
Pesadelos, à beira de um abismo!

SER POETA é compor frases diletas
E empregar o segredo dos estetas
Ao filtrar, em seu verso, as emoções!

SER POETA é juntar-se à linda musa
E seguir, pela vida, à luz difusa
Que ilumina, em um só, dois corações!...
 
 
 

 
 
 
Aqueles olhos negros

Heralda Víctor
 
 
Aqueles olhos negros como a noite,
Carregados de mistério e incertezas
Perpassam desnudando a minha alma
E repousam em silencio no meu corpo.
Aqueles olhos negros como as sombras
Desvendam meus desejos mais secretos
Alimentam com carícias minha pele
Seqüestram meu pensar e o meu sossego.
Aqueles olhos negros cintilantes
Encantaram as meninas dos meus olhos
Num bailado sedutor e envolvente.
Aqueles olhos negros atrevidos
Possuem o que nenhum olhar consegue,
Ater minha atenção no seu sorriso
Desejando a beleza só em mim...
 

 
 
 

AGOSTO

 Iraí Verdan


É madrugada ainda...
A noite, parece
não querer terminar!
Contudo, o despertador toca,
o galo canta, o carro
passa em disparada!
E tudo a um só tempo,
fazendo a gente acordar...

Lá fora, a natureza
gélida de frio, chora!
Mas, sei que em breve
o céu, nevoento e escuro
vai deixar o Sol chegar
de mansinho...
Com seus raios, coloridos,
qual agulhas afiadas,
romperá a densa névoa
pra despertar a aurora.

De repente,
como se houvesse no ar
coisas a acontecer,
vem chegando sons,
não de flauta ou flautim,
mas, de engenho moendo cana;
e de vibrantes assobios,
açoitando as folhas no jardim...
Sinfonias de palmeiras
bailando,
na dança ritmada do vento
frio, constante, sem fim!

Ouço o estalar dolorido
dos galhos da mangueira,
a espalhar flores e o pendão.
E com força exagerada,
quedarem-se ao chão!

Ouço, ainda, o som ruidoso
do vento:"Uah!..."
Que parece dizer: "Vim...Vim..."
E a natureza, responder-lhe.

Nesta hora,
o impiedoso vento,
faz seus redemoinhos e caracóis.
Levanta tudo, o que encontra
em seu lufar:
Tira a poeira do chão,
revira as folhas das hortas.
Ao som da valsa triste, de J. Kosma
dá asas às "Folhas Mortas",
que dos galhos, as fez despencar!
Faz chorar a desventurosa rosa,
que nascera hoje!
Espalhando suas pétalas
pelo ar!

Junto àquele uivado,
ouço o cantar do passarinho,
que ficou sem abrigo e sem ninho...
No gorjeio, a comoção,
pelos filhotes da Primavera,
que jamais, nascerão...

Os cães ladram nos quintais,
tal qual uma trilha sonora!
Que do vento, se escondem de medo...
E do outro cão-danado de raiva!...

E, assim, este vento frio,
às vezes quente,
em meio ao inverno intenso
que a Natureza, desarrumou,
veio só pra anunciar:
que AGOSTO... Chegou!...

Magé-RJ.
 
 
 
 
 
 


MEU CANTO
 
Ivone Boechat
 
Eu faço versos
pra espantar meus sustos,
dores, angústias e tristezas vãs...
vou caminhando pra esquecer o tempo,
e, nesse alento,
vou buscando as mágoas
pra apagar as chagas
e recomeçar!
Sou como lírio
que ilumina o vale escuro,
sou como águias
à procura do infinito,
busco no vento a força
contra o muro,
e, nesse alento,
vou buscando as mágoas
pra apagar as chagas
e recomeçar.
Chuva miúda,
dor pequena,
tarde calma,
luz maior,
partir sem medo,
sem fazer segredo,
voltar sorrindo,
 se puder voltar,
e, nesse alento,
vou buscando as mágoas,
pra apagar as chagas
 e recomeçar.
Revendo amigos,
conhecendo mundos,
atravessando abismos,
pra poder sontar,
vou com as flores
enfeitando estradas,
pra poder na volta te encontrar,
e, nesse alento,
vou buscando as mágoas,
pra apagar as chagas
e recomeçar.
 


 
 

NO  SUL DO MEU OLHAR

José Liberato P. Ferreira
 
Sob o céu do meu sul, meu olhar
Se faz poesia, minha noite de quimeras
Pois o lume das estrelas me encantam
E alumbram minha alma de tapera.
 
A saudade vem na brisa viageira
Na retina, luz de prata vem pintar
Só o amargo do meu mate me consola
Quando a flauta das taquaras vem tocar.
 
E nas asas desta noite vôo longe,
Quando o lume das estrelas pousam em mim
Todo o chão se faz céu em luz dos fachos,
Vaza o teto, pelas frestas do capim.
 
Na aurora do meu sul me ilumino,
Quando as luzes vermelhadas vem nascer
E de paz, meu rancho, na geada,
Vem o sol, meu sorriso aquecer!
 
 
 
 


PROSPERAR SEM MUTILAR

Josias Alcantara
 
Enxergar o mundo e ter a certeza
de que é possível nele prosperar
o fraco o forte, ou o que mais lutar
em prol da vitória, mas com nobreza.
 
Olhar ao lado e não discriminar
o próximo que vive na pobreza;
estender-lhe a mão, com plena certeza
de que o mundo gira, a quem ousar...
 
Que bom seria, não tivesse guerra,
aflição, tortura aqui nessa terra
e fosse a união, a maior ventura.
 
Infelizmente não basta viver
apenas do sonho, sem o saber;
é preciso ousar em cada aventura.
 

 

 
 

NÓS, E O SILÊNCIO DO NOITE
 
Juçara Medeiros Lasmar
 
No silêncio da noite
só nós dois.
Uma música distante,
mais ninguém....
Uma carícia, um beijo...
Palavras murmuradas,
apenas nós dois sozinhos
de mãos dadas...
 
O amor foi aos poucos nascendo
no silêncio daquela noite clara...
Sob um céu com nuvens apagadas
Entre abraços, carícias e beijos,
Amor e prazer se misturavam....
 
Sua boca quente sobre a minha,
Suas mãos, seu corpo com calor...
Só nós dois no silêncio da noite,
uma música distante...
Nós conhecemos o amor!...
 
 

 
 

BIS !

Lígia Antunes Leivas

E vens com jeito
... teu sorriso pronto
e palavras vestidas de arco-íris
(... rende-se minha resistência...)
Caleidoscópio no céu cinza!
Hoje a chuva é de prata
e a sombrinha? ... pede bis!
 

 
 
 

IARARTE

Luiz Poeta
Luiz Gilberto de Barros - às 22 h e 4 mi do dia 25 de agosto de 2010
do Rio de Janeiro, especialmente para o coração da webdesigner e irmã dos poetas na arte que realiza, Iara Melo

Eu gosto de te ouvir quando te leio,
porque tuas palavras nunca mentem,
retratam o que teus desejos sentem
e o teu mais expressivo devaneio.

Humana, não escondes teus anseios
e embora alguém te ache impiedosa,
espetas quem te fere e, como a rosa,
perfumas quem te lê sem vãos enleios.

Por trás de um sentimento compulsivo,
está um coração compreensivo,
capaz de emocionar-se... emocionando,

pois quando o teu trabalho é concluído,
revelas, num sublime colorido,
um rosto que sorri, mesmo chorando.
 
 

 


EXPERIÊNCIA COMO MULHER

Luíza Benício
 
Minha experiência foi valiosa
Aprendi a viver como menina
Depois como adolescente
Jovem, desejando ser gente
Lutando por melhores empregos
Por melhores salários...
Para uma melhor remuneração
Precisava batalhar para pagar a faculdade.
Para comprar uma casa
Enfim, lutei muito!
Na medida do possível
Tinha uma vida alegre
Entusiasta  e  esperançosa!
Parece que hoje poucos jovens
Preparam-se para uma vida melhor
Fazendo isto com seu próprio esforço
As exceções são poucas
E preferem o muito fácil
Casam-se logo, antes da profissão
E aumentam os problemas
Para si, seus pais e para a sociedade!
Principalmente como mulher
Tem-se que pensar muito
Batalhar, tomar consciência
Do que é família
Para alicerçar
A sua vida!
Esta é a minha experiência como mulher!
 
Recife-Pernambuco
 


 
 

POEMA DAS CORES... AZUL

- L. Stella Mello -
 
Meu céu é azul...
Como a calma mansidão dessas montanhas gloriosas,
Que para o céu se erguem, e onde
As asas dos meus sonhos esvoaçam,
Tocando de leve a leve atmosfera...
 
Minha esperança é azul...
Embainhada pelo alaranjado-ouro
De um pôr do sol de abril,
Que se desdobra qual manto franjado
Por sobre o vale iluminado...
 
Meu sentimento é azul...
Pontilhado de cores e perfumes,
Que saltam por sobre a relva
Em forma de flores mimosas,
Como a borboleta airosa...
 
Meu amor é azul...
Como águas claras de um lago
 Encantado, sonhando um dia
Alcançar o mar, e  misturar-se
Com o céu no limite do horizonte!
 


 
 

SANTIDADE NO SENHOR

Malude Maciel

Almejamos atingir a santidade
Com obras que ficam bem aquém
Mas sabemos que na realidade
Certamente não somos ninguém

Senhor de soberania
Poder, supremacia e grandeza,
Deus mostra a nossa fraqueza
Sufocando a rebeldia

Desprovidas de toda qualidade
Nossas obras são trapos de imundícia
Nem precisa de fazer qualquer perícia
Para comprovar essa verdade

Caindo palmo a palmo na desgraça
Tal cego cambaleante
Andamos no mundo errante
Necessitando da graça

E Deus que é Bom Pastor
Todo Amor e fidelidade
Prova-nos que a "santidade"
Só depende do Senhor.
                                                   
Membro da ACACCIL - Academia Caruaruense de Cultura,
Ciências e Letras
 
 

 
 

O LIVRO

MARIA LUISA BOMFIM
 
O LIVRO ENCANTA MINHA VIDA !
É AMIGO, AMANTE, FEITICEIRO.
VIAJA COMIGO,
REALIZA SONHOS,
APAGA TRISTEZAS.
SECA MINHAS LÁGRIMAS,
DEVOLVE ALEGRIA AOS MEUS DIAS.
O LIVRO
É SÁBIO,É MESTRE, É POETA
ESCUTA MEUS SEGREDOS,
ALEGRA EM SILÊNCIO
AS DORES D' ALMA.
SATISFAZ MINHA FOME DE PALAVRAS
TRANSPORTA FANTASIAS ALÉM-MAR,
DANÇA EM PENSAMENTOS ENCANTADOS
 BUSCANDO LEMBRANÇAS APAGADAS.
 


 
 

PRIMAVERA
 
Maristela M. Machado
 
Se eu pusesse escolher
Queria ser a primavera
Brisa leve...
Campos floridos...
coloridos
Homem...natureza
beleza infinita.
Ser feliz é fácil
Na primavera.
Se pudesse escolher,
Inverno...
Não queria ser
Impreguína...
Lembra-me
As dores mais fortes,
a escuridão.
Se pudesse escolher,
Usaria vestes de primavera.
Libertaria meu corpo
E minha alma,
Deste nebuloso inverno.
Deste frio... tão frio
Que insiste
Em querer aconchego,
Sentir-se dono
Do meu coração!
 


 
 

A MULHER QUE AMO

Odone Antônio Silveira Neves

A mulher que amo
reconhece meu silêncio
Ouve meu coração
Envolve-me em seus braços
Afaga-me os cabelos
Encantam-se seus olhos
Seu perfume me atrai
A mulher que amo me ama
Ama-me como a quero
Esconde-se em meus versos
Desnuda-se em meu peito
Possui-me em seus lábios
Seu desejo é doce como o mel
Intenso é seu carinho
A mulher que amo
É apenas a mulher que amo
 


 
 

TODOS CHORARÃO

Prof. Garcia

Se não houver mais flores nos jardins,
se faltar o perfume dos rosais,
sofrerão nossos anjos querubins
ao romper das auroras matinais.

Se faltarem belezas campesinas,
sabiás e os mais lindos rouxinóis,
que serão das auroras tão divinas
sem os cantos que encantam todos nós?

Sem os perfumes virginais dos campos,
sem a voz maviosa das cascatas,
chorarão os poetas pirilampos
no silêncio final da voz das matas.

Todos nós choraremos de desgosto,
nunca mais os poetas vão cantar,
rolarão muitos prantos pelo rosto,
"as almas dos poetas vão chorar"!
 


 


AO RELER MEU SONETO
 
Raymundo de Salles Brasil
 
Um verso eu quis fazer melhor elaborado,
Um clássico soneto igual aos de Bilac,
Soneto à moda antiga, e bem metrificado,
Como o fizera Arthur, que foi do verso um craque.
 
Fiquei ante o papel, horas a fio, parado,
Buscando um verso puro, um verso sem sotaque,
Corri atrás da rima até ficar cansado,
Coloquei a cesura em lugar de destaque.
 
Achei que o meu soneto já estivesse pronto,
Mas quando o fui reler, verso por verso, vi
Que em cada um faltava ainda um contraponto
 
Que lhes pudesse dar riqueza à melodia;
E as cordas dedilhei de novo, e descobri:
Faltava-lhe a unção – e dá-la eu não sabia.

20/08/2010
 
 

 


É PRIMAVERA

Regina Bertoccelli

Hoje vestirei as cores da Poesia
Quero recepcionar a Primavera
Com o coração cheio de alegria
Farei uma homenagem sincera

Sentirei o perfume da cada flor
Que há no jardim do meu coração
Uma linda canção quero compor
Preciso falar do amor e da paixão

Hoje só quero paz e harmonia
Que todo o mal fique ausente
Neste clima de festa e euforia
Minha alegria é transparente
 
 
 
 


QUEM SABE?!!!

Ricardo De Benedictis
 
O amor de mil mulheres
Acrescentam-me misteres
Que não canso de aprender.
Quem sabe, um dia, quem sabe,
Esse amor todo desabe
Bem antes de amor, ser!...
 
Quem sabe, a bela amizade
Livre-me dessa ansiedade
De tais amores conhecer!
Quem sabe, um dia, quem sabe,
Conheça  o amor que me cabe
E enfim, o possa descrever!...
 
A vida nos prega peças,
Nos faz crer em vãs promessas,
E o tempo a nos corroer!
Até que velhos, um dia,
Compreendendo a utopia,
Quem sabe, possamos ver
 
Que tudo na vida passa,
Como um jato de fumaça
A cobrir nossa visão!
Quem sabe, então, poderemos
Conhecer o que de menos
Nos afeta o coração!
 

 
 


ANTES DE A VIDA PASSE

Sá de Freitas

Há tanta gente trôpega e caída
Ao seu redor... Que já não mais persiste
Na luta, por sentir que não existe,
Mais condição para encontrar saída.
 
Conforte então a alma deprimida,
Console a quem padece e vive triste,
Ampare aquele que já não resiste,
As cruciantes provas desta vida.
 
Se faz o bem, esqueça o que tem feito,
Se não o faz, procure dar um jeito,
De o fazer antes que a vida passe.

E aí verá então que tudo muda:
O pranto seu em riso se transmuda
E no seu coração Jesus renasce.

Samuel Freitas de Oliveira
Em Avaré - SP - Brasil
 


 


JOVEM QUE SABE MAIS

Selene Antunes

Jovem.... futuro de nosso lindo país.
Tudo de bom você merece
Mas é preciso também lutar
Estudar ser forte e verás o que acontece.
Não perder tempo não ficar desatento
O tempo é precioso pense no futuro
Conquiste o seu lugar no mundo
Batalhe tenha coragem viva seguro.
Todo jovem inteligente não vive descontente
Pensa sempre no futuro e em melhores condições
Vive sempre sonhando como será sua vida
Se preocupa com a família e sente grandes emoções.
Embora tudo pareça difícil
Nunca jamais pense em desanimar
Você é jovem basta querer não desista
Pode e deve sonhar e vai conseguir tudo quanto desejar.
Nesta fase linda e maravilhosa da vida
Acontece tudo como é linda a adolescência
Jovens lindos vivam em paz amem a vida
Aproveitem para amar esqueçam a violência .
Cultivem apenas as boas qualidades
Você pode mostrar a todos o seu valor
Se quiser pode até mudar o mundo
Pode provar para todos que o mundo melhor
É o mundo feito só de paz e amor .

 
 
 
 

<<O TEMPO É BREVE!...>> (8)

Silvino Potêncio

O tempo é breve... Já vou andando,
Descendo por escadas em poeira.
Vou caindo p´ra morada derradeira,
Que existe na terra guardando.

P’ra sempre os restos de um corpo,
Do mundo,... já se vai porque está morto!

Sinto náuseas fedorentas,
Em contacto ao pensamento.
Sinto passos de almas lentas!????...
- Ah!... mas já não me fazem tormento.

Saudades não levo nem deixo.
Tristezas!?... morreram já há algum tempo.
Concordem que não fui contratempo,

E só porque já não me queixo,
Não pisem no meu mausoléu...
Se alguém o ergueu para o céu!

(in: Eu, O Pensamento e a Rima... Silvino Potêncio - Luanda/Anos 70)
 
 


 
 

O CAMINHO É O AMOR 

Sueli Bittencourt

O amor traz solidariedade,
traz bom senso, consciência, perdão.
Afasta a ganância, a violência, a maldade...
traz paz ao nosso coração!
 
Amar ao próximo e a muito mais
afasta males e a própria dor,
leva-nos a uma vida em paz
e à certeza de que o caminho é o amor!
 


 
 

Minha mente e suas coisas

Sonia Rita Sancio Lóra (Sunny)
 

Clareza às tardes, nebulosidade ao raiar,
Desce pranto do meu rosto, mas não quero.
Sou vento calmo ou chuva torrencial,
Amo loucamente e depois brinco de odiar.
Vago sozinha, sorrio pra mim e pra todos,
Faço versos enquanto sopra-me inspiração,
Sou um pouco de tudo: carícias meigas
ou fortes paixões, furacão em galopes,
menina desaforada, pensativa e zangada.
Amo muito, sempre... até choro de amor...
Depois peço Deus vivo em mim (e consigo),
Deixo saudades do cheiro da minha pele.
Coisas minhas... minha mente e suas coisas.
 
 
 
 


Tchello d'Barros

aporta
saudade
aperta
o peito
flechado
fechabre
a porta

 
 
 
 

AMIGOS

Tito Olívio
 
Amigos que comigo se cruzaram
Nas ruas da existência, com calor,
E à minha vida deram sal e cor,
Nas curvas do passado evaporaram.
 
Douraram minha infância e jogaram
Jogos que só a idade dá valor
E adolescente já, mágoas de amor
Comigo comungando, partilharam.
 
Felizes tempos foram!... De olhos postos
Nos anos que passaram, os seus rostos
Sumiram como o sol entre os vitrais.
 
Quanto vos devo pago com saudade…
E agora, que cheguei a esta idade,
Lamento não saber aonde estais.
 
 


 
 

O pouso poético

Violetta

A poesia visita-me
Qual pássaro vespertino
De repente pousa expressante
Cantarola pensares, aromas e dores
Então alça vôo
Um  tempo a retornar
Dá-me uma dor saudosa
Anoitece e minha janela aguarda
Amanheço olheiras
Um nada apenas...
Ah! Ave egoísta!
Quando retornas?
Quero teus ditos
Pois necessito
Sussurrar aos ouvidos
De quem muito quero
Só assim saberá ele
Por meio do teu gorjeio
O quanto peno
.

 

 

 

 

Muito obrigada pela participação de todos

e até a próxima edição.

Abraços.

Iara Melo

NÃO ESQUEÇAM DE VOTAR:

http://www.7maravilhas.sapo.pt/#/pt/registo

 

HOMENAGEM DO PORTAL CEN AS

GRUTAS DE MIRA DE AIRE

 

 
 
 
 

 

 

 

Foto topo da página:

Grutas de Mira de Aire - Portugal

(Restaurante montado no interior das Grutas)

Demais fotos das Grutas de Mira de Aire,
adquiridas em vários sites da internet

Fundo Musical: Canteiros
Composição: Cecília Meirelles e Raimundo Fagner
( Baseado no Poema "Marcha" de Cecília Meirelles)

Formatação e Arte Final: Iara Melo

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