Cidade do Porto - Portugal

"O Porto é uma cidade encantadora, situada nas encostas do rio Douro já próximo da sua foz. Classificada como Património Mundial pela UNESCO graças aos seus belos monumentos e edifícios históricos, como a imponente Sé ou a Torre dos Clérigos, o Porto é a segunda maior cidade de Portugal e possui vistas soberbas sobre as mundialmente célebres Caves do Vinho do Porto, na margem oposta do rio, em Vila Nova de Gaia. Embora amplamente industrializado, o Porto oferece uma síntese harmoniosa de atracções antigas e contemporâneas."

 

 

 

 

 


Adélia Einsfeldt
Brasil

TEMPO

O tempo instante
desliza apressado
nas dobras do
vento lento
foge por caminhos
por onde passei

desdobra em retalhos
por atalhos
nas ruas e cidades
sem idade

os anos que andei
foram tantos
e no entanto
parece que
apenas cheguei
ontem.

Adélia Einsfeldt

 



Alba ALbarello
RS - Brasil

CONFINANTE É DESCASAR

A felicidade não significa que estamos longe,
mas sim que um dia lá permanecemos juntos.
Não há sobrevivências com sobras de tempo,
existem clarezas, momentos certos,
pensamentos em conjunto.
Saber lidar com as diferenças, seguindo a sua
própria imagem, o termômetro nos mostra
a temperatura do casamento,louvando a Deus pela vida.
A vida não é material, é um texto vivido.
O amor é um sonho e o casamento
é nosso despertador, é uma instituição.
Perdemos ao longo do tempo,
um pouco da poesia que nos envolve
ao romantismo, apaixonados, simbolizados
por pombinhos que não estão mais no cenário
do matrimônio, do amor vivido, em castelos cor-de-rosa.
Processos que sofrem transformações,
no tempo das relações amorosas.
O grande tema amor!
Englobam vários provérbios.
Como o amor cinderélico, encontrados
nos contos de fada.
Viver a poesia do amor sim...
Os pactos firmados não precisam ser selados
como clausula de contrato.
Ciúmes, terminado o amor, fica um disfarce
para outras facetas.
Reflexões sobre traições, enredo das histórias.
Em fim o descasamento é o que resta
de uma aliança e viver a continuidade da poesia,
do amor, como um sentimento que foi ditado como eterno.

Alba ALbarello
 

 


Amélia Marcolina Raposo da Luz
Pirapetinga - Minas Gerais - Brasil

NADA

Martelo cego
o meu ego
a ninguém me apego
e a escravidão renego!
Despetalo a flor,
de mim sou caçador,
o que tenho a propor?
Sou nada, arco-íris sem cor!
Martelo o prego com coragem
na parede que não existe
penduro um quadro
que vazio já não tem imagem...
Tento limites transpor
superando a dor
nessa vida quixotesca
de Sanchos e Rocinantes...
Luto contra o imaginário
perdida que estou
entre moinhos de vento
em noites de tempestades...
Jogo lanças no vazio e
sem querer mato os meus sonhos
apagando o pavio!
Na verdade a vida é tudo
que se transfigura em nada...

 

 


CONTRATEMPO

Anamaria Nascimento
Aracoiaba/CE - Brasil

CONTRATEMPO

Ao surgir em minha vida
um pequeno delinquente
assumiu forma carente
quando me pediu guarida.
Munida de ingenuidade,
não cogitei o imprevisto
daquele jovem malvisto
por executar maldade.
Vi-lhe a conduta anormal
caminhando lado a lado,
mas, mesmo com desagrado,
permaneci natural.
Pela grande petulância
merecia uma lição
porém o meu coração
só determinou distância.
Fiquei pensando comigo
naquela triste figura,
descoberta, por ventura,
na direção do perigo.

 

 

ANTONIO PAIVA RODRIGUES
Fortaleza CE Brasil

FAUSTÃO E O ESCRITO NAS ESTRELAS

ANTONIO PAIVA RODRIGUES
 

A Rede Globo de Televisão tem se destacado positivamente quando da inserção na sua programação aspectos de relevância sobre a espiritualidade humana. Inclusive, algumas religiões cristãs tem se manifestado contra a Doutrina espírita, alcunhando-a de “A Doutrina do Engano e da Mentira” como afirmou o pastor protestante RR Soares, em livro publicado por ele. A nossa intervenção nessa matéria tem conotação explicativa sobre alguns aspectos que foram debatidos no domingo, dia 12 de setembro do corrente ano. Estiveram presentes ao bate papo atores integrantes do elenco novelístico e um teólogo que faz parte da emissora supracitada. Natalia Dill, que faz o personagem Viviane, Jaime Matarazzo, o Daniel e o ator Humberto Martins que interpreta Ricardo, o pai de Daniel.

Sobre o assunto do debate, o apresentador Faustão fez diversas indagações sobre os personagens, bem como se os mesmos acreditavam em vida, após a morte e reencarnação. Como o ser humano é dotado de livre-arbítrio, eles dentro de suas óticas responderam as indagações do apresentador. Não nos cabe julgar aqui a crença alheia e nem nos atrevemos em perquirir a vida de quem quer que seja para interpretar seus pensamentos. Aliás, a crença na existência de Deus é própria do ser humano. Achamos até um diálogo bastante interessante e proveitoso, visto que mesmo interpretando algo bem complexo, os atores respondiam no seu modo de ver e crer as indagações do apresentador. O ator Humberto Martins nos pareceu o mais seguro de todos em suas respostas, ao mesmo tempo em que se situava dentro do assunto debatido com vivências acontecidas com ele no decorrer de sua existência terrena.

Os outros mesmo sem reprocharem estavam que meios claudicantes em suas respostas. Aliás, debater ou discutir espiritualidade não é tarefa fácil, mesmo estando-se num “teatro de operações” onde ela é vivenciada e repassada ao público telespectador. Quando a mídia procura inovar adotando medidas diferenciadas, não existe tão somente aquela percepção de audiência pura e sim dar fidelidade aos apreciadores ou crentes na vida após a morte. Costumamos afirmar em nossos comentários de que o maior enigma da vida é a morte, bem como, o maior enigma da morte é a vida. Elas caminham juntas desde o nascimento de qualquer ser, seja do mundo hominal ou animal. Terminada a seção de indagações, Faustão pede a presença de um teólogo para explicar o que seria Psicografia, Espírito e Vida após a Morte e outros assuntos ligados à espiritualidade.

Foi nesse momento que a Rede Globo acabou transformando um assunto de interesse geral em simples sonrisal. O teólogo em alusão rodou, rodopiou e não acrescentou nada em suas “explicações”. Foi de encontro à física quando deixou transparecer o impossível, de que dois corpos estavam ocupando o mesmo lugar no espaço. Falou que acreditava existir um corpo além do seu, mas não soube explicar com detalhes. Quando se reportou a reencarnação transformou o giro em jirau. Devemos ter ciência de que a Reencarnação é uma das crenças mais antigas que existe, até mesmo sobre o cristianismo que surgiria muito tempo depois. A maioria dos países do Oriente são reencarnacionistas. O teólogo em alusão demonstrou até ser desconhecedor da própria Bíblia.

Quando falava sobre o que pensavam os gregos sobre a reencarnação do Espírito num animal irracional não citou o porquê. (Metempsicose). A própria ciência já desvendou esse mito, pois o Espírito evolui e não retrograda. Um espírito entrando num corpo humano para realizar uma psicografia é coisa de neófito, pois os espíritos se comunicam através do pensamento. Além das psicografias, existem as psicofonias e as pneumotografias. Não falou uma só vez em perispírito que o cientista e filosofo russo Alexander Aksakof chamou de corpo bioplasmático. Alexandre Aksakof nasceu na Rússia, no seio de nobre família, cujos membros ocuparam sempre lugar de destaque na literatura e nas ciências.

Começou seus estudos no Liceu Imperial de São Petersburgo - instituição da antiga lieza da Rússia - e uma vez concluídos dedicou-se ao estudo da Filosofia e da Religião, tendo para isso que aprender o hebraico e o latim, visando um melhor entendimento da obra grandiosa de Emanuel Swedenborg. Em 1854, caindo em suas mãos à obra de Andrew Davis: "Revelações da Natureza Divina", Aksakof abriu novos horizontes às suas aspirações e tendências intelectuais, reconhecendo um mundo espiritual de cuja realidade não mais duvidava. Para fazer um completo estudo fisiológico e psicológico do homem, matriculou-se em 1855 como estudante da Faculdade de Medicina de Moscou, onde ampliaria os seus conhecimentos de Física, Química e Matemática, ao mesmo tempo em que acompanhava, passo a passo, o desenvolvimento espírita na Europa e na América.

Para isso ele revolvia livrarias e pedia de qualquer lugar as obras que não se encontravam nas livrarias de sua terra. A partir de 1855 ele inicia a tradução para o russo de todas as obras de: Allan Kardec, Hare, Edmonds, Williams Crookes, Relatório da Sociedade Dialética de Londres e a fundação de periódicos como o "Psychische Studien", de Lípsia, uma das melhores revistas sobre Espiritismo. Existem inúmeros cientistas que confirmaram a existência de vida após a morte e mesmo a comunicação através da Transcomunicação entre a vida material e espiritual. Yan Stevenson um cientista americano que dedicou mais de 30 anos de sua vida ao estudo da reencarnação comprovou mais de 2000 casos do fenômeno.

A obra de Aksakof não se restringiu apenas à escrita. Criou adeptos entre pessoas de talento reconhecido, muitos deles cientistas, que, através de experiências feitas com médiuns famosos como Dunglas Home, levou a Rússia a formar a primeira comissão de caráter puramente científico para o estudo dos fenômenos espíritas. Para essa comissão, Aksakof mandou vir da França e da Inglaterra os médiuns que participariam das experiências. Como resultado, por haver fugido das condições pré-estabelecidas, tal comissão chegou a conclusões errôneas sobre o Espiritismo, saindo como relatório conclusivo o livro "Dados para estabelecer um juízo sobre o Espiritismo", onde afirmava a falsidade dos fenômenos observados. Aksakof contestou a comissão com outro livro intitulado: "Um momento de preocupação científica".

A seguir, o valente russo voltou as suas baterias verbais contra o célebre "filósofo do inconsciente" Von Hartmann, publicando uma obra volumosa, a mais completa que se conhece sobre o assunto versado "Animismo e Espiritismo", que mais o fortaleceria como eminente cientista e pesquisador nato. Homem de brilhante posição social, ele consagrou-se durante 25 anos ao serviço do Estado, alcançando vários títulos, tais como: conselheiro secreto do Czar, conselheiro da corte, conselheiro efetivo do Estado, e outros que não são mais que um prêmio aos bons serviços prestados por ele à sua pátria. Verdadeiro sábio, raras vezes se acha reunidas tanta inteligência, tanta erudição a um critério imparcial.

Jamais se deixou arrastar pelos entusiasmos das suas convicções; nunca perdeu a serenidade em seus juízos, e, no meio da sua fé, tão ardente e sincera, não esqueceu o raciocínio frio que lhe fez compreender quais podem ser as causas dos fenômenos que observava, o que o colocou acima dessa infinidade de fanáticos que não estudando, não experimentando, e aceitam como bom tudo quanto se lhes querem fazer crer. (FEP) Polemista temível e escritor delicado, os trabalhos de Aksakof levam a convicção ao espírito; e tal sinceridade se vê em suas obras que, lendo-as, sente-se a necessidade de crer nelas. Alie-se a isto um caráter bondoso e uma vontade de ferro, que não se demove frente aos obstáculos, assim como a uma paixão imensa pelo ideal que o leva a percorrer a Europa para fazer experiências, e ter-se-á uma ideia superficial a respeito do investigador incansável, dotado de uma alma varonil e de um talento primoroso.

Nunca permaneceu ocioso; seus artigos abundavam nos periódicos espíritas, e não há pessoa medianamente ilustrada que não conheça alguma das suas célebres experiências com os médiuns Home, Slade, d'Esperance, ou algum de seus estudos acerca de fantasmas e formas materializadas. Assim foi Aksakof, o maior de todos os soldados da grande Rússia, um soldado que combatia ideias, ideal com ideal, desonra com honra, preconceitos com dignidade. Crookes, aqui citado conseguiu medir as pulsações de um espírito materializado de nome “Kate King” e inúmeros casos que foram estudados ao longo da história. Os fenômenos surgidos no EUA, e a confirmação no berço da civilização humana (França), em 1857 com Allan Kardec.

Desconhecer a vida após a morte é desconhecer até a vida do Mestre Jesus quando em vida na companhia de Pedro, João e Thiago, conversou com os espíritos de Elias e Moisés no Monte Tabor na transfiguração. Leiam Matheus e tirem suas conclusões. (De acordo com o relato contido no Evangelho segundo Mateus, capítulo 17, verso 2, consta que o rosto de Jesus resplandecia como o Sol, e a suas vestes tornaram-se brancas como a luz). Não pode se admitir que uma Rede como a Globo deixe que um teólogo neófito que nem mesmo é conhecedor da Bíblia venha estragar um trabalho tão dignificante para a humanidade. Jesus não criou nenhuma religião e seus seguidores foram chamados de seguidores do caminho, após a conversão de Paulo é que surgiram os cristãos.

Não fez a distinção entre mediunidade e profetização. Poderia ter citado o caso de Eldad e Meldad ao irem ao encontro de Moisés. De que a primeira psicografia que se tem conhecimento no mundo é os Dez Mandamentos. As respostas devem ser repensadas e como sugestão faça um convite a um teólogo espírita que tudo será sanado. Pensem nisso!
 

 



Beatriz Balzan Barbisan
Porto Alegre, RS - Brasil

Desprovida

Esticara a paciência por todos os lados
Era a única veste que ainda lhe servia.
A mesma navalha cortava-lhe o estômago
Ora fome, ora sustos.
Os leitos endureciam-se sob o corpo sem banhos,
Os cheiros que exalava eram nefasto prenúncio
De solitárias e geladas auroras.
Olhares, já não a incomodavam,
Seus olhos aprenderam a olhar sem ver.
A vergonha fora trocada por
Migalhas de alimento
Dia após dia.
Desde quando?
... Esqueceu.
Nunca tivera um amigo.
De seu, mesmo, só as humilhações.
E a insensata suspeita
Que a vida lhe devia...
Deixa pra lá:
Já nem sentido fazia...

Beatriz Balzan Barbisan
 

 



Candy Saad
Brasil
http://www.candysaad.com/amantesdoamor/cirandas/cirandas.htm
http://www.candysaad.com/candysaad/e_books/bibliotecavirtual.htm
www.candysaad.com

Primavera


A estação mais linda é a primavera.
Quando o romper das flores,
num desabrochar inebriante de cores,
perfumes e seivas,
Beija-flores e borboletas coloridas,
anunciam a transformação de cor em amor.
Meus olhos ficam encantados com tanta beleza!
Como é linda a obra que nos fez o criador!
Desperta as emoções,
acordando sonhos de amor adormecidos.
Nesse jardim de primavera,
meu amor por você espera.
debaixo da copa de Ipê amarelo,
estarei pronta para te dar meu amor.
Diante de toda natureza bela,
exalando perfume de flor.
Juntos vamos ver o romper da primavera
vendo a natureza se emocionar
com nosso amor.
 

 

 



Carlos Leite Ribeiro
Marinha Grande / Portugal

Conto J O A N A

 

Naquela cama de um hospital, agonizava uma adolescente.


Quem a tivesse conhecido, com certeza que naquela altura não a teria reconhecido: cabelos rapados, tubos no nariz e na boca ... era um farrapo humano, aquela que ainda há pouco tempo era uma linda menina.


Tudo começou quando os pais se divorciaram. A mãe, começou então a conhecer amigos e amantes.


A Joana, que na altura era estudante, começou a ter da parte da mãe uma liberdade que até aí nunca tivera.


O pai talvez não fosse grande coisa, mas impunha ordem e respeito.


À mãe da Joana, convinha esta liberdade que dava à filha, pois assim, podia andar na vida amorosa que, secretamente, sempre desejou.

 
A Joana começou a andar com "amigos"; começou a ir a muitos "trabalhos em grupo"; começou a drogar-se; começou a ter sexo ....


E a doença do século, a Sida, tomou conta do seu belo e promissor corpo e do seu belíssimo rosto.


Quem a viu e quem a vê: cabelo rapado, tubos na nariz e tubos na boca...


Pensou na mãe. Talvez quando soubesse da sua morte, filosoficamente pensasse: "A minha filhinha não teve sorte nesta vida". E, com o seu grande poder de autoesculpa, continuasse a pensar: "Se ela fosse como eu, ainda hoje estaria viva - a culpa foi dela !".


A morte aproximava-se de Joana. Revoltou-se.


Tinha vivido demasiadamente depressa a vida, mas nunca soube o que era o seu lado bom. Agora estava prestes a extinguir-se. Não, Joana não queria morrer, queria ser feliz. Desejava ter filhos para um dia poder transmitir-lhes a sua dolorosa experiência. Desejava ter filhos para os poder educar, para mais tarde eles poderem ser os "espelhos" da sua própria vida.


Entretanto, Joana morreu... ...


Quase milagrosamente, após a sua morte, as belas feições de Joana apareceram novamente.
Parecia que sorria.


E talvez sorrisse...


Talvez o Senhor Bom Deus, na sua infinita bondade lhe tivesse segredado que contava com ela, no Dia do Juízo

Final....


Conto de Carlos Leite Ribeiro - Marinha Grande - Portugal

 

 

 



Carlos Saraiva (mongiardimsaraiva)
Mantena / Minas Gerais / Brasil

NAS ASAS DE MORPHEUS

Sonhei que te arrastava nas entranhas
Num doce e suave mergulho sem medo
Pelas águas de um oceano sem degredo
Povoado por criaturas vivas e estranhas
Descíamos felizes sós e de mãos dadas
Por nada queríamos sofrer nessa morte
Sorte preparada por um leito de fadas
Abaixo no areal das conchas sem norte
Uma fenda brilhante insegura acenava
Boca febril que me lambeu e mastigou
Língua cúmplice cega e desconcertante
Como o tempo antigo sem lembranças
Não havia mais dor tristeza e saudade
Tudo era calma vigília luz e suavidade
Permanecemos abraçados sem a terra
Corpos fundidos e achados sem guerra
Luz do Amor que nos trouxe a vontade

Carlos Saraiva (mongiardimsaraiva)
 

 

 


Célia Lamounier de Araújo
Itapecerica MG brasil
www.celialamounier.net/menu.htm


P R I M A V E R A

Nasceu o ouro dos ipês floridos
E na primavera vem alegria
De se viver, lembrando tempos idos
Plenos de amor, flores e fantasia.

Importante é viver e caminhar
Procurando sem rumo e já sem pressa
Ver beleza nos dias e cantar,
Sendo feliz por Deus cumprir promessa:

De renascer em cada primavera
De agradecer as flores e os presentes
De procurar a paz do azul que espera
Para alegrar os corações contentes.

Célia Lamounier de Araújo

 



Cezar Ubaldo
Brasil

ENCANTADOR DE CANTOS

Por serem de encantos
teus cantos
eu os canto
assim como encanto
os cantos
que acumulam manhãs
com brisas que envolvem
cantos
que se alimentam de almas
que,calmas,madrugam
nas praças,nos campos
ou nas casas
e que por se vestirem com cantos
de sopranos-colibris
constroem no alto do canto
a nova voz do encanto
que se abraçou a mim...

Cezar Ubaldo
 

 

 



Cida Micossi
Brasil

E de repente
Estamos frente a frente.
Escolhido entre vários
É sempre o meu preferido.
Não resisto ao seu calor,
Irresistível seu sabor,
Líquido precioso a me saciar.
Sorvo desse prazer indivisível:
Meu gostoso cafezinho

Cida Micossi
 

 

 

Donzilia Martins
Portugal

Saber Trás-os-Montes. A lição.
 


Queria ir. Gostava de ir. Inscreveu-se.
- Dr. Pires Cabral?
Sim, vou. Só tenho de pensar na dormida, mas não há problemas, tenho aí muitos amigos, e o colégio grande e moderno onde estudei e passei alguns bons e maus momentos da minha vida. Bons no sonho e na esperança; maus porque não era “Menina bem”.
Alguns dias depois mandou um e-mail à Freira amiga que pensava poder estender-lhe o abraço, embora fosse súbdita, mas não obteve resposta.
Telefonou depois a um colega, sempre amável, inteligente, dominador, líder.
“- Não devo estar”- disse.
Ligou depois à sensibilidade e nobreza máxima da cultura.
- “Sim, não sei se vou ao Saber”… (ela já sabia tudo).“Talvez vá ou não, nem sei se vou estar. ”
 Ninguém estava disponível para ela.
Claro que a nenhum destes intervenientes falou que desejava a sua hospitalidade por uma noite. Não. Apenas ia dizendo que ia ficar na cidade naquele dia e gostava de os encontrar. Contudo, adivinhando, nenhum tinha o coração aberto para lhe dar guarida abrindo-lhe as portas da sua estalagem. Estavam todos ocupados, as casas cheias de trivialidades, de folhas ao vento, super lotados com os seus cuidados, cheios de amizades voláteis que se desfazem ao menor sopro de aragem quando alguém lhes bate à porta.
Onde se escondeu agora o espírito transmontano que ao som do toque, cantava:
- “Entre quem é”.
Acabou! Os tempos são de egoísmo, nós, nós e finalmente, nós.
Todavia, ela tinha na manga outro recurso, porque já conhece a fraqueza dos homens.
Esse sabia poder contar com ele! Que a porta se escancararia e o abraço correria doce e forte.
 Foi bater à porta da Igreja (Colégio, onde Deus fala todos os dias, onde a sua Presença é constante, onde o gesto da bondade escorre por todas as paredes brancas, onde as almas escutam continuamente a voz do Senhor, onde há sempre o abraço do Pai para o filho pródigo. Aí têm sempre lugar os que passam, os que ficam, os que partem e os que têm fome e sede de justiça e de amor.
Ali sabia que teria o seu lugar, deixado vazio há 50 anos! Sabia que os tempos eram outros e ali não havia lugar para o egoísmo, nem espaço para a má fé e que em cada recanto da casa ressoavam cânticos de esperança, caridade e amor. Não era como outrora em que, quando chorava, nenhuma Verónica lhe vinha enxugar o rosto.
Não cabia ali o “NÂO”: não temos lugar para ti na estalagem, mas cria, que uns braços abertos a estreitariam na casa do Pai onde vive a fé, dorme a esperança e em todos os salões se ouve o canto divino vindo da capela.
Aí sabia que podia logo abrir a palavra, dar voz ao pensamento, ditando todo o sentimento que lhe vertia do coração.
- Ligou: -Preciso uma noite para dormir. Gostava de ficar convosco.
- Não. Não recebemos ninguém, não temos lugar. Talvez vá sair. Se eu estivesse…
(Era a madre que falava).
Ela nem queria acreditar! Impossível! Não era Maria, nem José, nem estava Jesus para nascer, mas aquela graça igual do NÃO, não há lugar na estalagem, estamos cheios, de ver fecharem-se-lhe todas as portas, essa bênção, ela não merecia.
Recuou com as lágrimas a correr pela face até lhe chegarem ao coração apertado.
 Chorou. Com essa dor, ficou lavada.
Enxaguou o peito vários dias! Sacudiu o pensamento. Ela que tanto havia sofrido nas mãos das que ao tempo tinham obrigação moral perante Deus de a ajudar, de a proteger, de a receber, porque haviam jurado obediência inteira e caridade perpétua, pensava que agora era diferente, que o amor sempre vence, que a amizade se prolonga no tempo e que Deus sempre recompensa aqueles que nele confiam.
Meditou 3 dias em silêncio no maior retiro fechado da sua vida.
Aprendeu mais uma grande lição de vida. O mundo continua na mesma roda, impuro, egoísta, ingrato, até naqueles que todos os dias rezam o “Pai Nosso”.
Meditou nas palavras do Templário que dizia:
“Eu não rezo o Pai Nosso, porque para fazê-lo teria de mudar todas as coisas más da minha vida.” (…)
Que Deus lhes perdoe porque não sabem o que fazem quando fecham as portas.
 Mas ainda lhe restava a quarta porta.
Bateu. Não timidamente, porque aqui, tinha a certeza, ainda vivia a amizade misturada de carinho e humildade.
Era uma manhã cedo de Setembro. Hora imprópria. Ligou e, indecisa, desligou.
 A estalajadeira que não tivera tempo de atender, ligou aflita.
- Passa-se alguma coisa? - inquiriu.
- Não, está tudo bem, isto é mais ou menos. Sou eu que vou aí dois dias e era para ficar em tua casa.
- Ó sim, mas que alegria tão grande que me dás. Eu nem acredito que vou ter-te comigo algumas horas. Estou a pintar a casa. Quando vieres quero que tudo esteja lindo para te receber. Digno duma rainha. Na minha estalagem já não vais encontrar o teu Príncipe encantado que te apresentei e te sorriu a 1ª vez na minha pensão há 50 anos e que elegeste como homem da tua vida. Mas terás os meus braços abertos e o meu coração a transbordar de carinho para te abraçar.
No silêncio da distância sorriu. Ela viu-lhe o seu sorriso e também a sua alma. E de novo as lágrimas lhe brotaram em jactos de luz e sombra banhando de alegria o rosto e, como rios sagrados, lhe desaguavam doces na boca. Só conseguiu articular duas simples palavras: Obrigada. Muito Obrigada.
E mais uma vez, no silêncio, foi agradecer a Deus pela estalagem, por aquela manjedoura sagrada aquecida com o bafo do amor.
Não será o Seu Colégio, um palácio envernizado, grande, extenso, repartido por vários andares e galerias, camaratas cheias de janelas a deixar entrar o sol, a luz, a lua e a sabedoria, o som do piano que não pode aprender, nem terá aqueles jarrões de flores lindas da Páscoa a ladear a imponente escadaria de passadeira vermelha, nem aquele átrio enorme onde as meninas se juntavam para se tornarem grandes mulheres.
Mas terá com certeza que, à entrada, ao nível da rua, aquela rapariga pura e simples que já conheceu a grandeza, a pobreza e agora sabe dosear a vida, a mulher que quer enganar o tempo, aquela a quem os anos vão comendo a frescura da pele, mas que com um sorriso aberto e franco no olhar lhe dirá:
- Entra quem é.
Ambas se abraçarão e comungarão as palavras ditas há 50 anos, e as outras guardadas tanto tempo, no coração. A felicidade abrirá de par em par as janelas da alma e, debruçadas, olharão o céu e o tempo que passou.


 

 

 



Edir Meirelles
Brasil

GENEALOGIA (*) Do livro POEMAS TELÚRICOS

Falam de uma figura marcante
que se intitula Deus.

Um ente que tudo fez
o Universo, as estrelas, as constelações
o sol, a lua, os mares e as flores
e nada sem ele se faz.

Homens e mulheres
são filhos de Deus...
Filhos de gatos são gatinhos
do beija-flor, beija-flores
das baleias, baleias são também...
Caracóis, não geram minhocas
nem de urubus nascem garças
senão farsa seria.

Portanto, não somos apenas filhos-da-Mãe
mas também filhos-do-Pai.
Se esse Pai é Deus
e sendo eu filho de Deus
não posso ser dromedário ou jacaré.
Cristo, Filho de Deus – Deus é.
E o Nazareno chamou-me irmão
(conforme se acha escriturado).

Sendo irmão de Cristo, também sou Deus.
Logo, homens e mulheres são deuses...

Salve Cristo, meu irmão panfletário!

Edir Meirelles

 



Ester Figueiredo
Brasil

trova premiada em Barra do Piraí (vencedora)

Neste momento,calada,
de gestos e olhar bisonhos,
penso em você ao meu lado
nos "amanhãs" dos meus sonhos

Ester Figueiredo

 

 


 


Gerci Oliveira Godoy
Brasil
Velhos troncos
 


Que saudades de meus velhos troncos! Alguns não resistiram a ação do tempo. Outros ficaram para trás, não sei onde.


Se naquele tempo eu imaginasse o que estaria sentindo agora... Não, não vou reproduzir aqui a poesia apócrifa de Borges. Sei que muita gente concorda com ele e viveria suas sentenças se pudesse voltar ao passado.
Eu beijaria minha mãe devagarzinho, abraçaria meu pai com toda a força, e olharia bem no fundo de seus olhos. Assim, os entenderia melhor.


Meu pai foi um homem muito dedicado em todos os trabalhos que executou durante sua longa vida. Trabalhou na roça. Vendeu leite, saia de madrugada, de carroça, batendo de porta em porta, carregando o pesado tarro e ia atendendo a freguesia e ganhando assim o salário que nos sustentava. Depois trabalhou em um abrigo de menores, onde passava as noites acordado, zelando pela segurança da gurizada. Mais tarde numa colônia foi Prefeito de Menores onde ganhou o carinho e o respeito de todos. Foi um grande trabalhador o Seu Saturnino.


Minha mãe foi uma mulher guerreira que soube suportar as adversidades com força e alegria.


Muito cedo ela estava na cocheira tirando o leite da vaca, para que meu pai o vendesse. Tomava conta da casa, dos seis filhos e nas horas vagas fazia bonecas para vender, costurava e muitos outros trabalhos fez em sua vida.


De meus velhos avós, colhi não só carinho, mas belos exemplos de trabalho, garra e fé.


De Don’Ana, a amiga velha, quantas histórias fantásticas ouvi. Aquela boca sem dentes parecia ter a idade da pedra.
Seu Cristino, que chamávamos de Matusalém, era um velho que vendia laranjas. Montado em seu cavalo lá vinha ele com um cesto em cada lado. Eu e meus irmãos corríamos à cerca para ver se havia sobrado algumas. Um dia compreendi que nosso amigo não vendia todas as laranjas para ver a nossa alegria ao aparar as frutas. Matusalém está lá na mata onde sempre morou. Gosto de imagina-lo descansando sob um pé de carvalho.


Sinto uma bruta saudade da velha mestra. Dona Ida Schirmer parecia se multiplicar como uma figueira frondosa. Era muito dar aula para as crianças de primeira à quinta série? Pois ela nos encantava tocando acordéon, violino e ainda nos ensinava a fazer teatro. Pena que naquele tempo as manifestações de respeito suplantavam as de carinho

Quanto a mim, tenho 67 anos e como minha mãe , amo o trabalho, sou costureira, faço todas as tarefas de meu lar, sou também poeta , escrevo contos e crônicas, e também faço junto com alguns amigos idosos, um trabalho voluntário nas escolas, Educação para o envelhecimento, que me faz sentir muito feliz.


As vezes se confundem na memória, ramos verdes e tenros de minha infância com fortes galhos e raízes que me sustentaram.


Quando não mais conseguir, suportar o peso de meus galhos, quero também continuar vivendo na lembrança das coisas boas e no coração das pessoas.
 

 



Gilberto Nogueira de Oliveira
Nazaré BA Brasil

NAVIOS NEGREIROS
SÉCULO XXI

Um velho barco com 700 almas
Parte de um país africano
Que foi destruído pelos europeus,
Em direção à Europa.
Ao chegarem, perguntam:
Podemos ficar?
A resposta é uma bomba
E o resultado é a morte de todos.

O oxigênio é coisa rara
Para os pobres africanos
Que vem entulhados e enlatados.
E os que ficaram, enlutados.
Homens, mulheres e crianças
Em busca de vã esperança.

19.000 já morreram
E a Europa não viu.
Mas o Mediterrâneo é testemunha
Das atrocidades cometidas
Para a extinção dos negros.

Os canais marítimos
São testemunhas oculares
Dos porões sem oxigênio
Dos corpos jogados ao mar
Magros e desidratados.
Seus cadáveres são encontrados
Em praias próximas.
Mas ninguém dá importância.
-Deixa que os peixes os comem.

Embarcam na mesma ideia
No canal da Sicília.
É sofrimento ou morte.
Só têm essas duas opções.

Lampedusa!
Símbolo de tragédias.
Alguns levam os filhos.
Fogem do desespero
E entram em outro pior.
Fogem de seu país
Fugindo de sua história.
Em direção ao mundo (civilizado?)
Que um dia lhes colonizou
Roubando todos os seus bens.

E o Mar Mediterrâneo
É o caminho mais curto
Em direção às suas tragédias.

Vocês não compreendem
Que os europeus só lhe querem
Como mão-de-obra escrava?

Vocês não compreendem
Que os nazistas europeus
Só querem seu subsolo?

Vocês não compreendem
Que a ONU, OEA e OTAN
São organizações criminosas?

Vocês não compreendem
Que para os europeus
Quanto menos negros, melhor?

É verdade.
A fome e o desespero
Os impede de pensar

Gilberto Nogueira de Oliveira

 

 

 


Gladis Lacerda
Rio de Janeiro Brasil

Chuva
Gosto de olhar na vidraça
quando chove
aquela gota passa
me comove.

Às vezes comparo-a a Uma Lágrima:
ela cai limpando a janela e, em calma,
eu sinto a lágrima esvaziar minha alma
de tantos pensamentos ligados à solidão.

E a gota vai caindo, puxando outra e mais outra,
e vai abrindo um caminho.
Quanto à lágrimam vai passando
como as contas de um rosário:
aliviando a dor, de mansinho, do meu mundo solitário.

Assim, a gota da chuva, que lava o vidro
e acalma o meu tormento,
é como a lágrima que sai do coração:
vai limpando minha alma, dando-me alento
e Abrindo brechas para mais uma ilusão.

Gladis Lacerda
 

 



Guida Linhares
Santos/SP/Brasil
http://www.guidalinhares.net

RAZÃO E COMPREENSÃO

 

A razão pode ser o leme que nos orienta, partindo do estímulo interno, oriundo das nossas verdades, princípios, hereditariedade, história de vida e bagagem espiritual.


Contudo ao nos depararmos com o outro, nem sempre os conteúdos da nossa razão, serão os mesmos e muitas vezes haverá discordâncias e até mesmo conflitos de opiniões.


Então chega a hora da nossa compreensão entrar no campo do diálogo. E nada melhor do que a empatia, colocando-se no lugar do outro, para tentar entender os pontos conflitantes.


Certa vez li que, ao nos tornarmos expectadores de nós mesmos, conseguimos nos distanciar do ego e entrar na zona neutra, onde os sentidos funcionam melhor, principalmente quando se precisa de um bom entendimento em qualquer relacionamento, seja familiar, amigável ou amoroso.


Talvez, tudo tenha a ver com o primeiro mandamento cristão que prega "ama a Deus e ao próximo como a ti mesmo". Assim sendo, a Razão nos orienta ao amor, e a Compreensão se torna o instrumento indispensável para que o mundo gire em torno da Paz e da Harmonia entre os homens.

Guida Linhares
 

 



Henriette Effenberger
Bragança Paulista

O futuro chegou!

 

Não fosse o gato branco estirado no tapete, dir-se-ia que ela estava completamente só. Que nem seus pensamentos ecoavam dentro de sua cabeça e que seus sonhos, se ainda os tinha, não a movimentavam em qualquer direção. No entanto, ledo engano, tal como sua casa, ela estava povoada de lembranças: porta-retratos com fotos preto e branco de adultos falecidos, e outras em cores esmaecidas de crianças que já se tornaram adultas. Bibelôs, móveis que herdara da avó, toalhas que foram da mãe, utensílios de cozinha que passaram por diversas tias e chegaram a ela acostumados ao fogão antigo, quase sabendo cozinhar sozinhos.

A colher de pau, cansada de mexer compotas e cremes, perdera a ponta arredondada e, tal como sua dona, já apresentava ranhuras e rachaduras.

O alumínio da panela de pressão não ostentava mais o brilho de outros tempos, acostumara-se a ser lavado apenas com esponja e detergente e mal se lembrava da antiga palha de aço que o fazia reluzir como um espelho.
A velha talha de água, de argila descascada e sem pintura, fora relegada a um canto da pia, substituída pelas garrafas de plástico que não guardavam a mesma frescura, mas, em compensação eram práticas, descartáveis e nem necessitavam da água da biquinha. Vinham da fonte ao consumidor e voltavam a ser plástico após a politicamente correta reciclagem.

É certo que ela se modernizara, se adaptou aos novos tempos, trocou a máquina de escrever pelo computador, o coador de pano por uma cafeteira elétrica, a antena de TV pelo cabo que trazia além da programação televisiva, a internet e o telefone. Frequentava redes sociais, passava e recebia e-mails, trocara a versão impressa do jornal pela digital e realizava suas transações bancárias pelo banco eletrônico.

No entanto, a modernidade da geração saúde não a atingira, pois não abandonara o vício de fumar, não frequentava academias de ginástica, nem consultórios de cirurgiões plásticos.

Mantinha empinado o nariz adunco, herança genética que a incomodara quando jovem e que ainda hoje passa a falsa impressão de arrogância e intelectualidade. Sobre ele os óculos que, se antes corrigiam o alto grau de astigmatismo e miopia, impedindo-a de enxergar ao longe, hoje a protegem também da incômoda presbiopia.

Nesse momento, ao pensar na presbiopia, entendeu que a natureza humana é mesmo compensatória: enquanto os músculos ciliares se enrijecem com a idade, os demais se tornam flácidos, tais como os  seus seios, orgulho dos tempos de juventude e maturidade. Da mesma forma, a gordura que dava forma roliça aos dedos e preenchiam as mãos impecáveis, transferira-se para a cintura, a engrossando e arredondando o abdome.

Descobriu quão inútil é a sabedoria da terceira idade. A quem, aos sessenta anos, interessa saber que dor de amor dói e passa, se não irá apaixonar-se novamente? Que é inútil abrir mão de prazeres para se poupar de dores futuras, pois elas virão de qualquer forma? 

Olha para o gato branco estirado no tapete enquanto preenche o formulário do departamento de trânsito para usufruir o direito de estacionar em vagas privativas dos idosos e constata sem mágoas: o futuro chegou!

Henriette Effenberger
 

 


Isabel C S Vargas
Pelotas/RS/Brasil

ÊXODO

 

Uma das coisas que mais tem me tocado ao ver televisão é o desatino da situação dos imigrantes fugindo da guerra, da destruição, perseguição, buscando condições de vida na Europa.   

  
Desde os tempos bíblicos que os povos fazem estas peregrinações com muita dificuldade e sofrimento.


Fizeram nos tempos antigos fugindo dos bárbaros, nas cruzadas, e fizeram na guerra. Um sofrimento que faz doer até hoje quando ouvimos histórias destes tempos de tão pouca humanidade e tolerância. Jamais pensei ter isto em vários noticiários a cada dia, dentro de minha casa e assistir a impotência mundial. Ou será falta de vontade política?


Aqui no Rio Grande do Sul temos grande quantidade de imigrantes haitianos que são recebidos em Caxias do Sul com empregos ofertados na indústria e apoio da pastoral para sobreviverem.


Outros estados também estão recebendo imigrantes.


Temos o caso de imigrantes escorraçados também na América do sul.


E em que tempo isso irá cessar?


As pessoas morrendo no mar mediterrâneo nas embarcações que afundam por excesso de gente transportada, clandestinamente, sem condições, fazem lembrar a época do tráfico de escravos quando os navios eram afundados sem dó e milhares de escravos morriam como animais enjaulados sem qualquer chance de sobrevivência.


É abominável que esses milhares de pessoas ainda morram no século XXI sem que os países da Europa ofertem generosamente a entrada e o asilo mesmo que sem condições mais privilegiadas, mas com alimento, condições sanitárias, compaixão e fraternidade.


Homens, mulheres, crianças, idosos, famílias inteiras em uma marcha impiedosa através dos países, enfrentando truculência nas fronteiras sujeitos a passarem alguns membros da família e outros ficando à mercê da sorte.


Eu questiono o papel e a atuação mais contundente, que está faltando por parte da ONU, quando se faz necessário menos discurso e mais atitude, mais rapidez nas ações evitando que o cansaço, a falta de alimentação, o estresse e as condições de vida sob a intempérie causem doenças coletivas levando mais imigrantes à morte, já não bastando os náufragos existentes até agora.


É sabido que a Itália há anos sofre com a quantidade imensa de imigrantes africanos que lá chegam, assim como existiam restrições em Portugal a determinadas profissões dos brasileiros que iam lá trabalhar e em condições mais privilegiadas do que a dos imigrantes da atualidade.


É notória a situação econômica da Grécia que é uma das portas de entrada da Europa para muitos, mas aí é que acho importante um esforço entre países, intercontinental, quiçá em nível mundial de oferecer guarida a estes sofredores imigrantes que fogem da guerra, a pé, cruzando centenas e até milhares de quilômetros em busca de paz, liberdade e trabalho.

Isabel C S Vargas

 

 


Isabel Fomm de Vasconcellos
São Paulo SP Brasil
Escritora e jornalista Criadora e Diretora do Portal SAÚDE&LIVROS
(www.isabelvasconcellos.com.br)

Conto "O Dia em que Papai Telefonou"

 

Maria Cristina caminha assoviando. Não. Não fica bem, realmente, não fica bem. Uma jovem tão elegante a assoviar pelas ruas, como uma qualquer. Mas Maria Cristina agora é uma qualquer. Aí é que está. E, como uma qualquer, pode assoviar pelas ruas o quanto quiser ou bem entender. Não tem satisfações a dar. Nenhum jornal se interessaria em fotografá-la. Nunca mais levará Rex à exposição. Maria Cristina sorri à lembrança do Rough Collie. Pobre Rex. Talvez seja ele o único, em casa, que realmente sente a sua falta.


Além do mais -- continua assoviando -- depois da década libertária dos anos 1960, além de saias curtas e cigarros, mulheres também ganharam o direito de assoviar em público... Também não é uma atitude perigosa, ninguém a consideraria subversiva* por estar assoviando... Ah... Mas se soubessem de sua história, se soubessem de sua origem, talvez pensassem mesmo que ela era uma deles, uma subversiva. Naqueles anos de Ditadura Militar no Brasil, qualquer comportamentinho assim diferente já seria o bastante para levantar suspeitas... 


O ônibus vem lotado. Maria Cristina não se importa. Na verdade, até gosta. Gosta de gente, cheiro de gente, gente do povo. Gosta das cantadas dos homens da rua, gosta dos rostos amontoados do ônibus. Com dificuldade, passa pela roleta. Paga a passagem. Fechando a bolsa, num relance, vislumbra o envelope que chegou esta manhã. Fechado ainda. Ops. Uma freada brusca, vai de encontro a um mulato imenso. Sorri pra ele e se arrepende imediatamente de ter sorrido. O motorista aumenta o volume do rádio. Engraçado. Aqui no Recife os ônibus tem rádio. E pode-se fumar. É claro que não quando está assim lotado. Pela janela, a brisa do mar refresca os passageiros. Por entre duas cabeças, Maria Cristina vê o mar. Avança mais dois passos.  


Diverte-se imaginando o conteúdo do envelope, fechado ainda, em sua bolsa. Mas irrita-a um pouco a rapidez com que foi localizada. Irrita-a porque a leva de volta a um mundo que muito lhe custou abandonar. Uma coisa entristece: na verdade, reflete Maria Cristina, é muito fácil tentar uma vida nova quando se tem pra onde voltar. Claro que pode voltar. Certamente, na carta, ele estaria pedindo. Ou ordenando. Voltar. Não. Não vai sequer responder ao pai.  


Duvida que ele venha, mas virá, não, certamente virá. Ficará horrorizado com o apartamento de subsolo, com a falta do carro, com a falta de amigos que ele chamaria "do seu nível". Ficará também horrorizado com suas roupas. Com licença. Maria Cristina desce em frente ao escritório. Até aquele emprego era falso. Bom. Deve ter sido pelo escritório que papai me localizou. 

 
Engraçado. É quase impossível livrar-se do dinheiro. Será que ela vai telefonar? 


Telefonou. Ao meio dia. 


Não papai, não recebi nenhuma carta e acho terrível que você tenha me localizado. É vendi. Vendi o carro sim. Pra pagar o depósito do aluguel... Não, é pequeno, muito confortável, tem redes e fiz algumas almofadas, não... Eu não quero que você mande nada, não, eu já disse...Olhe, vou desligar. 


Desligou. 


Talvez o velho estivesse certo. Meu Deus, meio dia e doze eu tenho que almoçar com Pedro. A lembrança do caranguejo, que há quinze minutos faria vir água à boca, enjoa Maria Cristina. Droga. O pai amargara-lhe o dia. 
Devia contar a Pedro? Sim, por que não contar? 

 
Pedro tinha no rosto uma sombra desconhecida. O que é que está havendo, Tininha? Papai odiaria Pedro. Papai odiaria vê-la chamada de "Tininha". Nada. Não está havendo nada. Meu pai telefonou. 


Pronto. Estava dito. 


Pai? Você não me disse que não tinha família. 


Era mentira. Tinha família, e rica. Pois é. Era rica. Rica mesmo. Papai tem fazendas, fábricas, casas de campo, verão na Europa, curso superior nos EUA, como é que ele achava que ela, sem dinheiro e sem família, teria conseguido estudar e ter um emprego como aquele que a mantinha agora? Como, hein? 


Rica. Rica de sair em coluna social. Rica de ganhar prêmio na exposição de cachorros. Rica de comprar o que bem quisesse, viver onde bem quisesse, mas estava cansada de tanto dinheiro e resolvera vir pro Recife, é tinha fugido mesmo, não, sem mesada, mas o velho tinha meios, claro, sabia que ele acabaria localizan... 


Então... Isso... É como...uma brincadeira, Tininha, uma brincadeira, quando você cansar, sobe de volta pro seu mundo; ser pobre, lutar, aprender a cozinhar... Eu agora compreendo, este mundo que você diz amar, os nossos passeios, os jangadeiros, eu, tudo...uma brincadeira? As ideias libertárias, as reuniões do partido... Tudo mentira, piada, Tininha. Você é do time dos tubarões da ditadura. Era até capaz de rir, se os homens baixassem no nosso aparelho** e levassem você com os companheiros... Bastaria dizer o nome do seu Papai...  


Não, Pedro, não é nada disso. Eu realmente queria levar uma vida simples... Mas Papai é que faz parecer assim ... 
Tá. Pedro também não entende. 


Saiu. Indignado. Traído. E nem mesmo pagou os caranguejos.  


Não vai haver mais jangada, eu não sou mais do mundo dele, não sou simples, não posso ser mulher de pescador. Maria Cristina odeia o ônibus lotado que a leva de volta ao trabalho. Odeia o trabalho, odeia o apartamento, o calor, as roupas feias, baratas. 


Maria Cristina caminha a procura de um posto telefônico ainda aberto. A brisa do mar lhe dá enjoos. Seis e meia. Ele deve estar no clube. Está mesmo. Papai, acho que você tem razão. Não. Se você quer mesmo mandar alguém pra se livrar de tudo aqui, eu posso pegar o primeiro voo. Você estará em Nova Iorque quando? Então nos vemos lá. Não. Você já pagou o depósito***. Está comigo sim. Amanhã? Tá. Eu marco o primeiro voo que houver. Até a vista, então. 


*Subversivo : No Brasil dos anos 1970 ser contra o governo era o bastante para ser tachado de "subversivo, o que subverte a ordem", sinônimo então de "perigoso" ou "marginal".


** Aparelho: casa ou apartamento onde moravam, por um certo tempo, os opositores do regime militar brasileiro,.
*** depósito compulsório: No tempo da ditadura militar brasileira só era possível sair do país fazendo um depósito em dinheiro, uma quantia bastante alta, só acessível aos ricos.

 

 




Isabel Pakes
Cerquilho/SP - BR

Matinada

Matinada!Abro a janela...
Eufóricos passarinhos
fazem festa no quintal.

Tão cedo ainda e o dia
já se inunda de sol.
Um azul deslumbrante
transluz em límpido céu.

A brisa perpassa suave
e uma doce fragrância
se espalha no ar!

E chegam colibris e borboletas,
pequeninos bailarinos
num show de coreografia e cores
tão lindo, que as flores,
gratificadas, se dão a beijar.

É Primavera!
Bem-vinda!

 



Jacó Filho
Brasil

A LUZ QUE ME CEGA

Projetei meu ego, gerando minha luz,
Cujo brilho ofuscante, ante o espelho,
Rouba-me o norte e nega o conselho,
E não me percebo a não ser pela cruz...

O ser individual não perde a essência,
Quando se dedica amar quem o cerca...
Gerindo a evolução d’ alma em alerta,
Que cuida o todo em sua abrangência...

Logramos fracassos, lutando sozinhos,
Mas todo esforço, quando comunitário,
Produz as riquezas de teores lendários...

Esquecer de mim ao trilhar o caminho,
Visando o irmão nos atos temporários,
Pode ser a cura no bem extraordinário...

 

 


João Bosco Soares dos Santos
Salvador BA Brasil


UMA MAGISTRAL HISTÓRIA DE ÍNDIOS BRASILEIROS.
 

Na língua Tupy, receberam os nomes de Mussaperê e Herundy, que significam Terceiro e Quarto dos primeiros quatorze filhos do Cacique Ubajara, que, até 1933, viveram no então isolado município cearense de Tiaguá, na divisa com o Estado do Piauí.


Eles e os pais foram levados pelo Tenente Hildebrando Moreira Lima para a serra do Cariri e lá Mussaperê passou a chamar-se Antenor Moreira Lima e Herundy a chamar-se Natalício Moreira Lima.


Ouvindo as vozes e os cantares dos dois na língua Tupy – ainda não falavam o Português – o Tenente convenceu-se de que eles, com certeza, fariam sucesso no sul do Brasil.  Do Cariri, naquele mesmo ano, os dezesseis índios – quatorze filhos e os pais – partiram a pé para o Rio de Janeiro. Foram imensas as dificuldades. Passaram por Pernambuco e por Alagoas, antes de chegarem na Bahia. Numa das feiras nordestinas, compraram uma velha viola e começaram a estudar e a aprender os primeiros acordes, sozinhos. Mas, no momento de necessidade, trocaram a viola por uma cuia de feijão.


Na capital baiana, contaram com a proteção do Governador, que lhes ofereceu passagens para o Rio de Janeiro, onde chegaram no início de 1937. Nesses longos e difíceis anos, meses, dias e horas de viagens – de 1933 a 1937 – aprenderam a tocar viola e violão, o suficiente para começarem a trilhar pelos caminhos do sucesso. Logo ao desembarcarem do navio Almirante Jaceguai, em razão de uma reportagem feita por um jornal, são acolhidos pelo albergue Leão XIII. Vestidos de branco começaram a apresentar-se nas feiras livres do Rio de Janeiro. Levados para apresentarem-se na Casa do Caboclo, um teatro voltado para a cultura regional brasileira, não obtiveram sucesso, pelas seguintes razões: não falavam corretamente o português e tiveram medo de se apresentarem como índios, mesmo diante de seus aspectos físicos e comportamentais inacobertáveis. É que a crueldade de alguns cariocas insensíveis os atormentavam dizendo-lhes que se eles revelassem serem índios, seriam assassinados.


Somente em 1942, é que a Rádio Cruzeiro do Sul, por intermédio de seu apresentador Paulo Roberto, ofereceu-lhes um contrato artístico, com a exigência de se apresentarem como índios tupy-tabajara. No dia 25.07.1942, a Revista Carioca assim apresentou os artistas índios: “Os Irmãos Tabajara...fazendo sucesso no rádio carioca... são interessantíssimos no gênero que aprenderam naturalmente, quando não pensavam em cantar no rádio. Artistas por índole, dedilham magistralmente a viola e o violão, arrancando das cordas efeitos de grande beleza e emotividade.”
Atuaram nos cassinos da Urca (Rio de Janeiro) e da Pampulha (Belo Horizonte). Em 1944, depois de se apresentarem em São Paulo, excursionam por toda a América Latina até 1949. Ás vezes, somente recebiam o suficiente para alimentação e para prosseguirem viagem. Até a chegada ao México, somente sabiam “tocar de ouvido”, sem nenhum conhecimento de Teoria Musical. Quando Ricardo Montalban, famoso ator holywoodiano de origem latina, um dia, num palco mexicano, apresentou-os como “analfabetos musicais”, por nada saberem de Teoria Musical, mas que, mesmo assim, tocam magistralmente seus violões, os índios brasileiros, já batizados como “Os irmãos Tabajara”, definitivamente decidiram estudar teorias de canto e de música. Mussaperê voltou para Caracas, onde estudou com o maestro Francisco Christancho, da Orquestra Sinfônica da Venezuela, e continuo estudando no Brasil. Herundy, que também já vinha se interessando por músicas clássicas, voltou a Buenos Ayres, onde comprou uma casa e começou a estudar música e canto. Dois anos depois, os dois se reúnem e partem para uma excursão à Europa, quando se apresentam como intérpretes musicais de compositores clássicos como Tchaikovsky, Sibelius, Targa, Falla, Chopin, Villa-Lobos e outros. As adaptações ao violão eram feitas por Mussaperê. Também incluem em seus espetáculos músicas folclóricas européias, cantando-as em diversos idiomas. Muitos aplausos, agenda cheia e, consequentemente, convites recusados, até. A vitoriosa excursão termina em Madrid.


De volta ao Brasil, convencem-se  de que “Santo de casa não faz milagre”, porque não passavam de dois ilustres desconhecidos: nenhum apoio e nenhuma divulgação condizente. As execuções musicais e as músicas que tanto sucesso fizeram na Europa, não interessavam às gravadoras brasileiras. Mas, por acaso, a Gravadora Continental gravou e lançou três discos em 1953/1954: Tambor Índio/ Acará Cary; Pássaro Campana/Fiesta Linda – o primeiro que ouvi, lá pelos idos do início de 1955, na minha terra natal, momento em que tomei conhecimento da existência desses magistrais instrumentistas e músicos – eTe Besaré/Te quiero mucho más.


Ainda em 1954, voltam a excursionar pelo exterior. Exibem-se na Rádio City de Nova Iorque, exibição esta precedida de uma pequena temporada em Cuba.


Em1957, gravam na RCA Victor Americana o LP Sweet and Savage (Doce e Selvagem), onde incluem o Bolero Maria Helena, melodias brasileiras e outros sucessos latinos. Todavia, passam despercebidos.


No retorno ao Brasil, não obtendo qualquer sucesso, dão por encerradas suas atividades artísticas. Compram uma propriedade rural em Araruama, Rio de Janeiro, e, com a maioria de seus 34 (trinta e quatro) irmãos,fazem da agricultura seu novo meio de existência, talvez pretendendo reproduzir a vida tribal de suas infâncias. Ali estavam vivendo anônimos e calmos, quando, em 1963, a sorte e a competência voltaram a agitar suas vidas: um produtor da Rádio WNEW, de Nova Iorque, procurando uma música instrumental qualquer para fazer um fundo musical de um programa humorístico, puxou do arquivo o LP Sweet and Sevage, optando,de logo, pela faixa Maria Helena.E, diariamente, nesse programa de grande audiência, o fox Maria Helena era tocado, até que ouvintes interessados em adquirir o disco escreveram à gravadora RCA VICTOR, solicitando informações. De imediato, aquela gravadora lançou um compacto simples, que, de repente, atingiu o 4º lugar nas paradas americanas de sucesso. Os executivos da RCA VICTOR entraram em contacto com a filial brasileira, que, depois de algum tempo de procura, localizou os Irmãos Tabajara em Araruama, às margens da lagoa.


“Pensávamos que fosse brincadeira. Só acreditamos mesmo quando recebemos as passagens de ida e volta e as ajudas de custo para seguir com destino a Nova Iorque, com tudo pago...Ficamos hospedados nos melhores hotéis e só não gostamos mesmo foi do tal caviar servido todos os dias” – contou Mussaperê.


Em apenas trinta e seis dias gravam em Nova Iorque dos LPs e dois compactos, com destaques especiais para Moonligt and Shadowns, Solamente uma vez e Always in My Heart.


Reapareceram os convites para se apresentarem por todo os Estados Unidos, pela Europa e pelo Japão, onde também se tornam ídolos. Em muitas das apresentações são acompanhados por orquestras filarmônicas.


O início dos anos 70, já somavam 48 LPs gravados e oito milhões de cópias vendidas. FAMOSOS FICARAM, INTERNACIONALMENTE, COM O NOME: ÍNDIOS TABAJARAS.


A INTERNET abriga e mostra toda a obra de arte instrumental desses gênios brasileiros.


E esta não foi nem é lenda indígena. É mais uma magistral história de vitória do querer, do agir e da energia, própria e autêntica de pessoas determinadas – ou entusiastas, como diria o Padre pensador TEILHARD DE CRARDIN – que não se deixam levar pelos desânimos ocasionais nem pelas pequenas dificuldades que sempre surgem quando as lutas diárias são enfrentadas, por melhoras vivenciais.


Fonte: REVIVENDO – Músicas Comércio de Discos LTDA.

 



João-Francisco Rogowski
Escritor - Teólogo - Jurista
Brasil

Eu Vejo Deus
 

Deus se revela nas suas criaturas, na natureza.

Ele é o Pai eterno, onipresente na sua obra criacional.

A criação revela Deus e seu amor, os céus proclamam a sua glória e o firmamento anuncia a obra das suas mãos. (Salmos 19:1).

Deus fala conosco e nos ensina revelando os segredos da ciência, através da sua criação. Foi observando os pássaros que o homem aprendeu os princípios da aerodinâmica e do voo, e, plagiando Deus, inventou o avião.

Eu vejo Deus quando observo a loba alimentado o filhote, o voo solitário da borboleta, o nascer do sol, quando ouço acordes de violino ou o estrondo do trovão, vejo Deus num gesto de amor, na criança aconchegada nos braços da mãe, eu vejo Deus dentro de mim, no meu coração que pulsa independentemente da minha vontade, eu vejo Deus na imensidão do mar, na mão estendida para ajudar ou para ofertar uma flor, eu vejo Deus na chuva, no orvalho da manhã, eu vejo Deus em cada letra de uma poesia, eu vejo Deus nos olhos dos meus filhos, eu o vejo quando contemplo a majestade dos céus à noite, a lua e as estrelas, obra dos seus dedos. (Salmos 8:3)

Deus tudo criou por amor e para Sua Glória, as criaturas são reflexos do Criador.

O que de Deus nos é dado a conhecer, as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem, em tudo que foi criado por ele. (Romanos 1:19-20).

Cuidemos do planeta e de tudo que nele há, doação amorosa de Deus para nós. Ele merece toda a nossa gratidão e o nosso amor.

 

 





José Ernesto Ferraresso
Serra Negra-SP

Riscos e Rabiscos

Às vezes uma folha de papel me espera,
para ser preenchida por uma ideia sincera.
São pensamentos escritos de recordação,
que ainda hoje guardo em meu coração.

São palavras alegres , tristes e saudosas,
lembranças e recordações dolorosas.
Escritos, rabiscos iminentes do nada,
anseios, desejos,respostas ensaiadas.

As ideias aparecem; rabiscos iniciam,
técnicas afloram; práticas reiniciam,
momentos meditada, nem sempre organizadas.

O momento é o "agora" , é o "presente",
os pensamentos se avolumam envolventes,
opiniões embaralham e tornam-se ausentes.

José Ernesto Ferraresso
 


José Hilton Rosa
Brasil

Mudo
Calado ouço
O santo me avisa
Seguro o choro
Não sei expressar
Amigos de coração
Falo como irmão
Espero o sorriso
Amigos no dia
Juntos em união
Calado e triste
Sonho subir ao monte
Longe daquela tristeza
Despertando o sono
Sentindo o trilho da lágrima
Ouvindo o céu
Conversando com as estrelas;

José Hilton Rosa

 


Lêda Terezinha de Oliveira
Pinhalão Brasil

Um menino chamado Biju.

 

Biju – esta palavra para mim é tão linda, lembra minha vozinha querida. Ainda recordo nitidamente suas palavras, quando dizia para o meu avô: - Nego, vai comprar farinha de milho que eu tô com vontade de comer leite com farinha. Mas vê lá, hein? Traz farinha com bastante biju.


E quando o vovô Nego chegava, com a tal farinha bijuzenta, (eu que inventei este termo), ela colocava os pratos fundos na mesa, algumas colheres, pegava a vasilha de leite, colocava leite nos pratos e então, por último a farinha, digo os bijus.


O que me fascinava mesmo era o biju, gostava de ficar observando-o mergulhar aos poucos no leite branquinho e então derretia...


O biju sumia no leite. Lembro minha vó falando: come logo menina, o biju derrete, vai virar angu.
Ah, tempos bons, os melhores de minha vida, simplesmente inesquecíveis.
 
Biju, este menino branquinho que nem um bonequinho de porcelana, com seus cabelos compridos, sempre despenteados e revoltos, seus olhinhos castanhos ligeiros e amedrontados semelhantes aos de um coelhinho assustado, sua voz baixinha, seu jeitinho carente, seu medo de tudo e de todos.


Ah, Bijuzinho! Menino especial, menino lindo, meu doce amor, meu pequenino Biju.


Bijuzinho de minhas noites insones, Bijuzinho do meu choro escondido. Bijuzinho de minhas lágrimas rompendo qual cascata de meus olhos de mãe aflita por não entender o que te faz sofrer.


Como és frágil pequeno ser indefeso, qual anjo de asas tortas que não pode voar pela amplidão do espaço e queda-se mudo e estático entre os humanos despidos de compaixão que o tratam como se fosse uma aberração da natureza.


Sim, amor de minha vida, eu te vejo como aquele biju derretendo no prato de leite, porque eu sinto que você, em certos dias, em certos momentos,  vai derretendo, e se esconde da vida, das pessoas e até de mim.


E aquele edredom com o seu cheiro, me lembra uma casa, pois você se esconde debaixo dele, se aconchega e fica quietinho com seus pensamentos, talvez confusos, e eu sinto ciúmes do velho edredom que te abraça e conforta, quando eu é que deveria abraçar e estreitá-lo bem juntinho ao meu coração para poder transmitir todo o amor que  tenho por você, todo o carinho que  te dedico, todo bem-querer que inunda meu coração.


Quando o céu escurece e os trovões ribombam pelos ares, até eu, que nunca tive medo das intempéries do tempo, nem quando era criança,  hoje me assusto. É por você, Bijuzinho lindo, que eu temo, é o seu medo que também se apossa de mim,  fico frágil, insegura e rezo para a tempestade passar logo.


Se a luz apaga, então vem o desespero, já corro pegar velas, muitas velas, para iluminar nossa casa, pois sinto que o escuro nos agarra e quer nos conduzir para um labirinto escondido nos cantos onde a escuridão é mais densa.

 
Às vezes estou dormindo profundamente, é madrugada, você chega assustado e se deita ao meu lado, abraça-me calado, fecha seus olhinhos e dorme. Eu nem ouso perguntar nada, pois sei que não obterei resposta, então bem baixinho eu começo a rezar uma Ave Maria e sinto que minha Mãezinha do Céu te cobre com seu manto azul repleto de amor, carinho e bençãos inimagináveis e então sinto que você está calmo e sereno.


Quando seus irmãos implicam com você, as vezes o Rafael te chama de maluco, meu coração sangra, a dor que o transpassa é imensa, só Deus mesmo para saber como dói em mim presenciar isto, por essa razão vivo atenta quanto a qualquer discussão que possa ocorrer entre meus filhotes, para não vê-lo tristonho..


Sinto-me infinitamente triste por não vê-lo entre os alunos do Colégio Leonardo, meu segundo lar,  templo sacro do saber infinito, onde os jovens podem vislumbrar um futuro, querem e poderão alcançá-lo. Jovens  que têm a chance de aproveitar cada segundo em que a lição é ensinada e assim se preparam para contribuir com a transformação de nosso País em uma grande nação, enquanto você, meu pequeno, se ausenta.


Sei, não é culpa sua, não estou te cobrando nada, apenas me entristeço e entrego toda esta tristeza para  Maria, a mãe do menino sábio, que mesmo sem ter frequentado escola assentou- se no templo entre os Doutores da Lei. Com certeza ela conhece muito melhor que eu os desígnios do soberano Mestre do Universo, que te enviou para ensinar-me a amar, a ser paciente e resignada, a ser humilde e sensata para poder entender e aceitar a missão a mim confiada.


Te amo muito meu príncipe, meu companheirinho de todas as horas, devorador de chocolate como eu, como é bom quando nós dois ficamos juntinhos assistindo os filminhos da tarde, devorando uma caixa inteirinha de chocolate...
Nestas horas nem me lembro dos meus pneuzinhos, ou melhor, de minha borracharia completa, pois nestes momentos eu sou apenas uma mãe, muito, mas muito feliz mesmo. Infinitamente.

 

 




Lena Ferreira
Brasil

De novo, e leve na tua presença,
aspiro o aroma que me propicia
alívio ao peso da breve sentença
que a noite julgou certa para o dia
Sim, visitar-te é-me recompensa
pudesse, mais que casa, far-te-ia
meu lar de espumas pois tens na despensa
conchas de esperança e de poesia
Nos teus lençóis, líquidos, azulados,
sonhos cochilam por ondas ninados
depois de alimentados por teu seio
Tua brisa, um beijo entre o suave e o vasto,
soprada sobre os detalhes mais castos,
deita e dispensa dizer-me a que veio
NA TUA PRESENÇA

Lena Ferreira
 

 



Leomária Mendes Sobrinho
Estado da Bahia Brasil

Sendo um dos mais importantes do Brasil,
O meu Estado tem gosto de energia.
Vermelho, branco e azul anil,
São as cores da bandeira da Bahia.

Lugar de mulheres belíssimas,
Do dendê, acarajé e comidas típicas.
Onde a alma ,de religião e de fé são riquíssimas,
E há poesia, artes e boas músicas.

Este é o lugar do mundo
Que possui águas de cristais,
De transparência e de amor profundo.

Tem o luar que ilumina os casais.
Mesmo o baiano com seus problemas sociais,
Leva no peito a nação como um escudo.

Leomária Mendes Sobrinho
 



Luiz Carlos Martini
Restinga Sêca/RS Brasil

Passeio com a amiga cachorra

 

Um dia desses, igual aos outros de 24h, convidei minha companheira, uma cadelinha que, por sinal é muito inteligente, porém sem raça definida, mas verdadeira e clara nas suas ideias caninas. Descíamos pela principal via da cidade trocando latido, compreensível em nossa língua, urinando aqui, a-colá e cheirando latas de lixo, quando nos deparamos numa esquina, com uma cena que chamou nossa atenção. Paramos, grudamos o traseiro no chão e ficamos observando: um irmão cachorro, de cima de um caixote, gritava aos quatro ventos: olhem o pedigree deste animal! Vejam que pelo bonito, que porte atlético, fala duas línguas e é desinibido, se bem treinado pode ser útil... Várias gaiolas sobre a calçada e, em cada uma, havia tabela de preços à vista e a prazo, e o público (não precisamos dizer que o público é a cachorrada mesmo) que passava por ali, parte parava para apreciar e outros, com um ar de indignação, olhavam e seguiam.

Em cada gaiola havia vários desses bichos, conhecidos por humanos. Alguns deitados, outros sentados e escorados lendo jornal e bem ao fundo, meio que escondidos, alguns dormiam e roncavam, mas também se percebia uma feição desesperada no rosto de meia dúzia agarrada à grade.


Segurei minha amiga cadelinha pela mão, patinha dianteira, e fiquei a imaginar: como somos cachorros, poderíamos comprar esses humanos. Levá-los para casa, firmá-los em correntes, gaiola, ou construir um “homil”, dar nome à cada um, tratá-los e, se ninguém se interessar em adotar, ficar com eles até a morte, afinal são bem engraçadinhos. “Já pensou”, comentei com a minha amiga, “poderíamos até soltá-los de vez em quando, tosar, por umas roupinhas e ensiná-los alguns truques como: ser educado, respeitar os diferentes, etc...”. O assunto acabou quando minha companheira cadelinha disse: “Não dá. Não dá, não. No convívio do dia a dia esses bichos em grupo, se tornariam antipáticos e se auto-destruiriam pela índole agressiva, violenta, bem características deles...”


Esquecemos o assunto e seguimos nosso passeio. Entramos no shopping, compramos um "humano-quente" pra cada um e fomos assistir o lançamento do filme em cartaz naquele dia: "Homens-Os melhores amigos dos cães".

 



Luiz Poeta
Rio de Janeiro RJ Brasil

NO RELÓGIO QUE PAROU
Luiz Gilberto de Barros – 2° lugar no concurso de poesias da Academia Brasileira
de Médicos Escritores 2013 – Pseudônimo: Zaniba
Para a generosidade do Portal CEN, com o carinho do Luiz Poeta.

Um close no passado e nos ponteiros
Do tempo... e a saudade se insinua
Serena, afagando a pele nua
Dos sonhos e desejos... derradeiros.

O amor tem esse dom e evocar
Ausências, dando tênues movimentos
Às formas que abençoam sentimentos
Contidos na emoção de cada olhar.

No flash de abandonos sedutores
O sonho se distrai com vãos amores
Que dormem no relógio que parou

Porém é na essência da saudade
Que o coração desperta essa vontade
De amar o que o destino não deixou.

Luiz Poeta
 


Maria da Conceição Rodrigues Moreira
Brasil

Paz

Paz! Eu quero a Paz
Uma paz duradoura
Uma paz que envolva o mundo
Paz sempre em festa
Eu quero a paz poeta!

Quero a paz como verbo
Eu pazeio,
Tu pazeia
Ele pazeia
Nos pazeiamos
Vos pazeiaes
Eles pazeiam

Quero a paz como meta
Todos os dias plantando paz
Distribuindo paciência
Tolerância
Paz e Amor em abundância !

Quero uma paz do sossego justo
Onde o universo descansa
Uma paz de criança
Uma paz como águas mansas
Em céu límpido.

Eu quero dormir e acordar em paz!
Viver sem ódios pois a paz é meu acalanto
Ver meu país governado em paz
E o mundo todo festejando o fim dos conflitos.
Paz venha logo, venha com abundância

Paz venha como o vento
Vestida de desejos
Sem soberbas
Pintada como o arco-íris
Venha como quiser!

Mas paz, venha forte
Do Sul à norte
Encha todos os espaços
E eu descansarei!

Maria Moreira.
 



Maria João Brito de Sousa
Portugal

MAIS UMA HISTÓRIA

Matei a fome à tristeza
Quando me esqueci do pão.
Matei fomes, com certeza,
Mas a minha fome... não!

Preenchi espaços vazios
Que estavam por preencher,
Criando a foz dos mil rios
Que acabei por não beber

E ajudei a respirar,
A sobreviver, a rir,
Mas fiquei por acabar
No momento de existir...

Por fim, vi-me inacabada
Em baldadas tentativas
De evitar ser conotada
Com a estreiteza das divas

E, s`inda agora o começo
Se acaba de revelar,
Já o fim me pede o preço
Do que não sei não pagar...

Porque nasci meia-morta
E hei-de morrer meia-viva,
De tudo o mais só me importa
O que aqui me traz cativa,

Pois história a mais, história a menos…
Tanto faz! Só a vontade
Mostrará, do que vivemos,
Loucura... ou tenacidade!
Maria João Brito de Sousa

 

 


Maria Mendes
Brasil

Lamentações Brasileiras (Do livro Poesias .com.sentimentos)

Brasil, país gigante e ofegante,
Brasil de gente simples
Que luta contra a fome
Brasil que quase não come
Sofridos são seus habitantes.
A solução está em seus governantes?
Brasil que chora...
Brasil que implora.
Onde foram parar suas riquezas?
Pois vazias estão nossas mesas.
Onde estão nossas madeiras?
Com certeza em mãos estrangeiras.
E as nossas matas que choram
Preservação elas imploram.
Nossos rios poluídos
Nossos peixes consumidos.
Onde estão as nossas flores?
Enfeitando nossos horrores.
Os assaltos, seqüestros e mortes.
Estão por aí à nossa sorte.
E onde foram parar os reais
Em nossas mãos não se encontram mais
O nosso céu não está mais azul
A poluição está de norte a sul.
Prenderam nossos animais
Espécies raras não existem mais.
O nosso Brasil lamenta...
O povo não mais agüenta!
Ecoa um grito de socorro e de lamento...
Brasil que grita!
Brasil que lamenta!
Brasil que implora!
Salvem este país de encantos mil!
Enquanto ainda há vida neste Brasil!
Maria Mendes
 


Maria Tomasia
Brasil

Lua dos Enamorados

Lua, procuro-te no céu diariamente,
porque olhando para ti consigo sonhar.
Teu brilho argênteo me deixa contente,
fazendo o meu coração, forte, pulsar.

Quando te vejo cheia de exuberância,
sinto vontade de me aproximar de ti.
Fico horas apreciando tua elegância;
beleza assim, como a tua, eu jamais vi.

Quando chega o momento do teu recolhimento,
tu nem imaginas a tristeza que me invade.
Até a noite seguinte, sinto-me impaciente,
e quando de novo apareces... ah, que felicidade!

Maria Tomasia
 



Marina Moreira Pereira
Brasil

O HOMEM NO MUNDO
Tentai purificar os corações,
não deixai se instalar maus sentimentos.
Sim, estes provém dos maus pensamentos,
que encontrando em vós disposições,

irão se aproveitar de alguns momentos
pra se manifestar em profusões,
fazendo-vos tomar más decisões
que vos conduzirão a mui tormentos.

Sacrificai-vos às necessidades,
se necessário às frivolidades,
mas com um sentimento de pureza.

Não vos melindreis com o que encontrardes,
porém procureis vos aproximardes...
Cada irmão, diferente natureza!

Marina Moreira Pereira
 



Mario Rezende
Brasil

A CAMISOLA ROSA

 

Rivaldo e Hercília estavam casados há mais de quinze anos. Era um casamento feliz, por serem ambos muito dedicados um ao outro. Eram muito carinhosos, mesmo em público. Tinham duas filhas adolescentes que se orgulhavam em falar sobre o relacionamento deles, principalmente numa época em que a maioria dos pais dos seus colegas estavam separados.


O Rivaldo trabalhava numa dessa empresas que organizam eventos, shows, feiras, etc. Numa ocasião, ele e um colega de trabalho tinham ido a São Paulo e ficariam na Cidade por três dias. Voltariam exatamente na noite do dia do aniversário da Hercília. Quando eles entraram no quarto que dividiam no hotel onde ficaram hospedados, encontraram uma camisola rosa estendida no encosto de uma cadeira que ficava no quarto, entre as duas camas de solteiro.


Eles falaram com o pessoal da recepção sobre a peça feminina que fora, provavelmente, esquecida pela pessoa que ocupou o quarto antes deles e lhes disseram que mandariam retirar a camisola. Toda vez que passavam pela recepção lembravam aos atendentes. Falaram, inclusive, com uma camareira que encontraram certa vez no corredor, mas a camisola não foi retirada, ficou lá no encosto da cadeira. Eles até brincavam um com o outro a respeito de quem iria dormir com ela.


No último dia de sua estada em São Paulo, com a viagem de volta marcada para a noite, o Rivaldo foi com o amigo comprar um presente para a Hercília. Pretendia, quando chegasse ao hotel, tomar um banho e trocar de roupa e estaria, assim, pronto para sair com a esposa para comemorarem o aniversário. Enquanto olhavam as vitrines das lojas em um shopping, receberam um telefonema da agência de viagens, perguntando se tinham interesse de antecipar a viagem, porque surgiram duas desistências para um voo que sairia em uma hora. Eles aceitaram de imediato. Ligaram para o hotel e pediram que suas malas fossem levadas para a recepção. A do colega dele já estava arrumada e fechada, mas a do Rivaldo ainda estava sobre a cama. Só faltava guardar as roupas que ele usaria para sair com a Cilinha (era assim que ele, carinhosamente a chamava), que ele pediu fossem postas na mala. Eles passariam no hotel para pegar as malas e assinarem a fatura das despesas e seguiriam para o aeroporto no mesmo taxi.


A antecipação da viagem alterou os planos do Rivaldo, mas era melhor chegar mais cedo no Rio. Ele passaria em casa, deixaria a mala e iria a um shopping comprar o presente dela, pretextando ir com o colega na sede da empresa para entregar o relatório do serviço executado. E assim fez. Comentou com o colega que a camisola que estava lá no quarto do hotel tinha dado uma ideia para ele. Iria comprar uma camisola parecida para a Cilinha, bem sexy, para ela usar depois que voltassem do jantar. “Ele desejava mesmo era curtir a noite num motel, há muito tempo eles não faziam isso, por causa das meninas” - ficou devaneando.


Numa loja, ele viu uma camisola da mesma cor e perguntou à vendedora o que ela achava. Ela respondeu que adoraria ganhá-la de presente. Foi o bastante para ele se decidir. Nada como a opinião de uma vendedora interessante para convencer que o presente vai agradar. “Pode embrulhar que eu vou levar essa” - disse satisfeito.
Estava esperando que a camisola fosse acondicionada em uma bela embalagem, quando o seu celular tocou. Era ela, a Hercília: “Pode começar a pensar numa explicação muito convincente para a camisolinha” - ela disse, enfurecida.


“Será que agora já tem celular com dispositivo de escuta? Só me faltava essa!” – pensou.


- Eu só pedi a opinião da vendedora benzinho. Ela nem é lá suas grande coi...


- Que vendedora Rivaldo? – Esbravejou.


Ela estava zangada mesmo, normalmente o chama de Riva: “Eu não quero saber qual a profissão dela, pra mim é prostituta. Pode ir direto para casa da garotinha, porque ela, inclusive, deve ser bem novinha, dá pra se ver pelo tamanho da camisolinha. A sua mala já está pronta, com a roupinha dela pra você devolver, porque eu já esvaziei o seu armário. Era só o que me faltava meu Deus! Que desgosto! Logo hoje, um presente desses. Tantos anos de casamento. Devia estar sendo enganada o tempo todo sem saber. Eu não quero olhar pra sua cara, nunca mais! Não apareça na minha frente porque eu não sei o que sou capaz de fazer, tamanho o meu ódio!”


Ela desligou e ele ficou com o presente na mão, abobalhado, sem saber o que fazer. Então, de repente, lembrou-se, da camisola do hotel.. “Devem tê-la posto na minha mala. Que azar!” – Pensou. Resolveu ligar para ela.
- Querida, eu vou explicar tudo quando chegar. Eu pedi pra ela tirar a camisola de lá varias vezes, pode perguntar ao Leo, o meu colega.


 - Você deve ter bebido! Ainda tem coragem de admitir! Vivi tanto tempo com um homem e agora descobri que não o conhecia. É um cafajeste! Eu não vou estar em casa quando você vier pegar as malas! - Ela disse chorando.
 - Eu estou falando da camarei...


Ela desligou o telefone, antes que ele terminasse da falar camareira do hotel.


“Leo, você precisa ir lá em casa comigo pra tentar consertar meu casamento” - disse para o amigo que ainda estava com ele. Você acredita que puseram a camisola na minha mala? A Hercília está uma fera. Disse que vai me botar pra fora de casa. Já até arrumou as minhas malas.


O Leo foi a salvação do Rivaldo, que ainda teve que ligar para o hotel, a fim de que fosse confirmada a história da camisola, para que a Hercília se convencesse.


Apesar de tudo, depois de ela finalmente se convencer da inocência do Rivaldo, conseguiram comemorar o aniversário dela em paz. Ela adorou a camisola rosa que ganhou de presente, a outra, souvenir do hotel, deu para sua irmã. Mas de vez em quando fala na camisola e o Rivaldo sempre conta a mesma história, por isso ela acredita nele.


AH, COMO É BOM SER CRIANÇA!


Ah, Como é bom ser criança!
Ser feliz e cheia de esperança.
Problemas? Tô fora!
Isso é coisa de adulto.
Agora eu só quero é dar na mamãe
e no meu papai, também,
o meu beijo de bom-dia
e lambuzar de manteiga os rostinhos deles.
É muito bom café com leite e pão,
de manhã, cedinho, receber sorrindo
o olhar carinhoso dos meus herói e heroína
bem no comecinho do meu dia.
Como são bonitos o meu papai e minha mamãe!
É bem legal acreditar que a vida
é cheia de brincadeira e poesia,
eu amo vocês que me fazem sentir desse jeito,
o meu mundo completo de alegria
e achar que a vida é assim tão bela.

Saudade dos meus pais que já deixaram essa vida.

Mario Rezende
 


 


Marisa Schmidt
Brasil

O MENINO MORTO NA PRAIA
Dorme pequena criança
entre a água e o céu
que a ti foram destinados
por herança ancestral.
O mar que aqui te trouxe
nada sabe de bem ou mal
apenas cumpre a rotina
de calmarias e tempestades
que nada ou ninguém domina

Dorme agora, criança
na certeza da paz dos que não crescem
na inocência que guardaste no olhar
ao ver as tantas gaivotas
que foram as guardiãs
dos teus últimos dias
e das esperanças vãs
dos teus míseros pais
engolidos na saída do cais

Sonha pra sempre, criança
um mundo que não verás
numa terra que não pisarás
num futuro que não te pertence
porque foste sempre estrela
vagando num céu desconhecido
e agora já és pássaro livre
num mundo pesado de dor
em que foste um sopro de amor...

Marisa Schmidt

 


 


Elisa Távora Niess PokkMuriel
Brasil

Eu acho engraçado (do livro Poesias ditadas pelo coração)
Elisa Távora Niess PokkMuriel
Eu acho muito engraçado
O que falam sem Deus saber:
Que qualquer um é perdoado
Se verdadeiramente se arrepender.

Não concordo com essas coisas que ouvi,
Pois há crianças estupradas, barbaramente,
Mulheres que vendem seus filhos e a si,
Assassinos que matam por prazer somente,

Pessoas que aos outros roubam à vontade,
Que aos seus iguais gostam de maltratar,
Que usam, descaradamente, sua autoridade,
Para seus subalternos prejudicar e humilhar.

Pessoas que seus familiares desrespeitam,
Sem nenhum pudor seus cônjuges traem,
Que no poder, por dinheiro, se degradam,
Que, sem dar satisfação, da vida de outrem, saem.

Esses seres, quando idosos e depauperados,
Por conveniência, o mal praticado esquecem,
Não se lembram dos prejuízos causados,
Chorosos, dizem que padecer não merecem.

Queixam-se que seus familiares os abandonaram.
Vão aos templos, sentados, ouvem a pregação.
Rezam por aqueles a quem prejudicaram.
Pedem a Deus misericórdia e seu perdão.

Pensam que, por se arrependerem de seus pecados,
Dos maus atos, terrivelmente, por eles cometidos
Serão logo pelo Todo Poderoso, perdoados
E que alegremente, no céu, serão admitidos.

Se as coisas fossem tão fáceis assim,
Diante desse desconexo, perderia minha fé,
Que adianta ser bom e honesto, se no fim,
Quem foi mau pede perdão e perdoado é.

A meu ver, Deus não age desta maneira,
Faz justiça, certamente, de uma só vez.
Aquele que na vida fez besteira
Terá que arcar com tudo o que fez.

Pecado é igual à nota promissória assinada,
Tem que pagar, às vezes com juros e correção.
Não se pode dizer que não se deve nada.
A dívida deverá ser paga, não há perdão.

Elisa Távora Niess PokkMuriel
 



Nadilce Beatriz Zanatta
Brasil

AMARGO AMOR

Doce esperança que te faz sorrir à toa
Move o galho robusto
Faz andar a vida de forma ilícita
Tão doce és!
Mas que amargo teu olhar!
Porque possuis a distância
Me trazes o tempo mais infiel
Teu sorriso é fel
Meu paraíso perdeu a infância
Se me pedires que te deite amor
É porque perdestes a consciência
És o prólogo
Mas jamais serás um epílogo
Não és amor verdadeiro
Guarda-me o sono em vão
Como homem sem noção
Num sonho derradeiro
Vens de longa saudade, oh imaturo!
Acenas às estradas e ao dia
Quão louco és!
Mas que lucidez teu devaneio!
Ouve, há silêncio na dor
Um soluço é para sempre
Deixa que eu te adentre
Porque pouco sabes de amor.

Nadilce Beatriz Zanatta
 




Odenir Ferro
Brasil

LUZES DO NOSSO ESPELHO INTERIOR

 

A Humanidade sempre se manteve dentro do seu íntimo – no mais profundo e desejoso íntimo – de encontrar poderes para vencer a morte. O sonho de todos os grandes cientistas, assim como todos os médicos, e claro, até mesmo de todos nós, intimamente sempre foi o de encontrar o Elixir da longa vida – ou de encontrar fórmulas mágicas ou científicas – para prolongá-la no máximo possível; dentro dos parâmetros que se possam estabelecer, no sentido de perpetualizá-la.


O homem, dentro do sentido prático ou no sentido que lhe deixa céptico, acreditando estar realista, acaba concebendo-se intelectualmente, acima de qualquer crença, acima de qualquer mística – que possa vir aliviar-lhe os conflitos existenciais – quando ele procura aprimorar-se dentro de tudo o que ele já estudou, já pesquisou, desenvolveu, no sentido de viver a realidade da vida de uma forma prática e objetiva: tal qual como ela é!


- Ou podemos afirmar – sem os aparatos esperançosos da nossa mais sublime fé, das nossas mais inquestionáveis crenças – de que sim: existem aqueles tão sacramentados e encantadores movimentos, sublimados através do eterno Amor pleno de intensa poesia, no que se refira a tudo o quanto for aquele algo a mais, que está amparando-nos constantemente, e se situa perpetualizado nas dimensões que estão muito além das nossas percepções espirituais, intelectuais, morais, e que vão além, muito mais além da nossa fé?! As nossas crenças, as nossas esperanças, os nossos mais íntimos e profundos desejos de nos apercebermo-nos olhando e refletindo-nos dentro das magias existenciais vibrando dentro das luzes do nosso espelho interior – é o que mais nos inspira a prosseguirmos, nesta jornada vivencial – procurando encontrar objetivos, construindo e realizando os nossos sonhos, enquanto vamos transpondo os muitos desafios, os inúmeros obstáculos – sempre crendo no milagre emocional tão encantador que é a nossa própria vida – tão individual e ímpar – atuando ativista, através da nossa participação existencial. Dentro deste maravilhoso milagre que é o contexto geral: criando, inovando ou renovando-se constantemente, através da globalidade da existência da vida atuando dentro de tudo e de todos.


E a vida é um eterno milagre tão maravilhoso, que faz com que os poetas se enamorem dela, para transmitir todo o amor que dela vem como se fossem as ondas dos mares! Derramando-se abundantemente nas praias. Ou então, a vida se faz de a protagonista principal – preenchendo-se em inenarráveis belezas – nestes cenários existenciais; pelos quais passeamos – enquanto, vamos absorvendo dentro da nossa alma, através da nossa profunda fé enriquecida pelos nossos encantos – todos os nossos pontos de entendimentos que vão dilacerando e diversificando a nossa realidade – desejando traduzir para ela, a nossa outra realidade, muito mais que perfeita – e que se situa nos focos dimensionados pelas ópticas visionárias, provenientes das nossas emoções.


As nossas emoções, os nossos muitos afetos e desafetos, sempre se fazem presentes nos acontecimentos reais. E que se manifestam dentro e em torno de nós, através das gestões que atuam dentro do incógnito misterioso – concentrado dentro das nossas forças – que vivem eternamente atuantes e presentes, dentro do nosso espírito – interligando-se com as dimensões mais sublimes, das atitudes provenientes dos alentos da nossa alma. E que atua, conciliando-se harmonicamente com a força presencial da nossa personalidade.


Todos estes envolvimentos que atuam dentro do nosso organismo e intelecto interior manifestam-se externamente, através da energia proveniente de nós – quando nos apresentamos virtuais ou reais, segundo após segundo, momento a momento, com a nossa presença atuante dentro da realidade do mundo que nos cerca. Sempre nos amparando, com os seus infinitivos movimentos. Movimentos com os quais, vamos, desta maneira, nos enredando dentro da nossa caminhada – enquanto vamos preenchendo as páginas da nossa vida, e desta forma – nós avançamos por ela, com ela, e através dela, compondo a nossa realidade pessoal e intrasferível – criando e recriando, a nossa própria história.

Odenir Ferro

 

 



Regina Bertoccelli
Brasil

OUTONO

Outono de meu triste viver
Para longe meu amor levou
Nas tardes frias fico sem saber
Porque tudo terminou...

Trouxe o vento a saudade
Aumentando a minha dor
Como encontrar a felicidade
Tendo um coração sofredor?

Sou como as folhas de Outono
Que soltas se perdem ao léu
E neste triste abandono
Ficou escuro o meu céu...

Regina Bertoccelli
 


Rozelene Furtado de Lima
Teresópolis / RJ/ Brasil
rozelenefurtadodelima.com.br

Quem me dera... Ah! Quem me dera...

Minha canção chegasse aos teus ouvidos
Eu conseguisse entoar um cântico de amor
Que despertasse teu sentimento adormecido
E o vento te trouxesse antes do sol se por

Quem me dera compor como um poeta
E soubesse falar na linguagem dos anjos
E nas entrelinhas pusesse a afinação certa
Melodiar ritmando emoção em mil arranjos

Quem me dera saber converter saudade
Em abraços apertados de corpo inteiro
Com beijos dados e entregues a vontade
E dentro da canção surgisse um violeiro

Quem me dera... Ah! Quem me dera...

Transformar lágrimas em água benta e pura
Lavar esse amor e ser para sempre abençoado
Saciar a sede com um pode cheio de ternura
Revirar, desobstruir e limpar o tempo passado

Quem me dera encontrar a ilusória passagem
E num caminho feito de estrelas brilhantes
De mãos dadas providos de muita coragem
Ultrapassar o fantástico portal dos amantes

Quem me dera soubesse fazer alquimia
Esquecer meu endereço e a minha rua
Dar vida aos sonhos repletos de fantasia
E fincar nossa morada no mundo da lua

Quem me dera... Ah! Quem me dera...

Rozelene Furtado de Lima

 


Ruy Silva Santos
Sorocaba/SP - BR

O espelho

É chegado a hora do acerto de contas.
Agora é eu e você velho espelho,
Sem ninguém entremeio!
Eis a hora da verdade...
Sem orgulho, sem vaidade,
Me desnudo, me revelo, pois,
Entre nós não há segredos!

No baú da minha mocidade,
Faço rescaldo nos cacos do passado...
Das lutas eu nem percebi, ou,
Se eu percebi... nem dei conta,
Que envelheci!

O cabelo outrora preto,
Agora está prateado...
Os passos... outrora de samba,
Tornaram-se cadenciados...!

Mas, o espírito não envelhece.
Simplesmente amadurece!
A cada estágio da vida,
Eleva-se no plano superior, e,
Diante o Criador, enobrece.

Espelho da minha vida...
Retrato fiel da minha imagem!
Prove aos meus olhos a realidade,
Ele insiste evitar,
E eu temo encarar,
Em pleno final da viagem!

Mostra-me a realidade
Sem dó nem compaixão,
Tampouco tenhas piedade, afinal...
Sinceridade é virtude e
Merece gratidão...

Note amigo... eu choro!
Não por temor da vida,
Tampouco da morte...
É por sentir que pouco fiz
Pra melhorar minha sorte!

São lágrimas do desapontamento,
Jamais sinal de fraqueza ou lamento!
Afinal... diante de ti,
Quem é capaz de mentir!
Tu retratas a verdade,
Retratos que geram saudade,
Espelho da vida,
Reflexos de mim...

Ruy Silva Santos
 



Samuel Freitas de Oliveira
Avaré- SP -Brasil

NOSSO LEITO DE RELVAS

No palco azul da imensidão do Espaço
O cintilar de estrelas me fascina,
Parecem artistas a dançar,
Provocantes e sensuais,
Tentando me atraírem além da Terra.

Minha alma de poeta quer voar,
Enlaça-las uma a uma nos meus braços,
Como se não fossem grandes astros,
Mas apenas pontinhos luminosos,
Como esses que a gente enxerga nos olhos da mulher
Apaixonada.
Você com a mão na minha,
Segue meus passos silenciosa,
Respeitando meu êxtase,
Na contemplação da abóbada azul.

Tudo é silêncio.
Somente os nossos passos são ouvidos
E, de repente, você suspira...
É um suspiro profundo,
Como se nele houvessem um lamento,
Um pedido e uma dor pela rejeição.
Desperto-me para o real...
Olho para você e esqueço as estrelas
E mil cintilações observo em seu olhar...

Abraçados quedamo-nos
Sobre o leito de relvas,
E depois de tudo consumido,
Contemplamos as estrelas em silêncio,
Agradecendo-as mentalmente,
Por terem iluminado o nosso leito,
Onde o nosso amor foi mais intenso
Que o brilho de todas elas.

Samuel Freitas de Oliveira
Avaré- SP -Brasil
 


Sarita Barros
Bagé RS Brasil

Nudez

Escrevo
No vão intento
De me conhecer.
Nessa procura
Escavo tanto
que me desventro.
Fico nua de mim
Nesse desfenestrar
Sou pássaro
voando para dentro
Sou árvore
com raízes ao vento.

Sarita Barros
 



Sueli do Espirito Santo
Brasil

SE É PRA FALAR DE AMOR

Se é para falar de amor
venha para os braços meus
quero sentir o calor dos teus
Se é para falar de amor
sussurrarei em teus ouvidos
explorarei os teus sentidos
Se é para falar de amor
sentirás a beleza do instante
repleto do prazer estonteante.

Sueli do Espirito Santo
 



Varenka de Fátima Araújo
Salvador BA BR

Ana Frank

Era uma pequena cheia de ideias
Tinha tantos sonhos indeléveis
Desperta para quimera, fantástica
Esperta de braços para o horizonte

Sensível, seu coração lamenta
Que seus amigos em peso se foram
Burlava suas emoções vivas
Que no exílio, tanto sofria

Era uma pequena valente
Nem o cárcere fez recuar
Sinal de uma menina genial
Em letras foi confirmado

Os infames no esquecimento
Vermes sustentados por infernais
Que o mundo baniu os malfeitores
Que todos saibam do século maldito

Era uma pequena com muito amor
Modesta, queria apenas viver
Por suas mãos ficaram letras
A qual, a morte não apagou.

Varenka de Fátima Araújo

 


Vera Salbego
Brasil
Romance à Beira do Rio

Não sei se é lenda
Não sei se é verdade
O fato é que o rio ao ver a cidade
Por ela se apaixonou.
E ele fazia de tudo, coitado.
Pra conquistar seu amor.
Desde um nascer de sol encantado
Até um espelho prateado
Todo de estrelinhas bordado
Pra ela poder se mirar
Mas ela nem bola pro rio.
Lata, sapato velho, garrafa vazia.
Era tudo que ela devolvia
Pra retribuir tanto amor.
Mas o destino sorrateiro
Um dia deu-lhe uma grande lição
Ao se mirar no espelho
Teve uma grande decepção
Pois viu sua bela imagem
Se transformar num lixão
Mas, ela muito esperta.
Contornou a situação
Mandou construir lixeiras
Com peixinhos dando as mãos
Em homenagem ao rio é claro.
De quem aprendeu a lição
E há quem diga
Que já os viu, enamorados,
Passeando pelo caisinho
Ela com uma cestinha na mão
Atenta a qualquer papelzinho
E hoje é uma cidade cartão postal
E sabe, por ser linda e vaidosa.
Que beleza é fundamental.

Vera Salbego
 

 



von Trina
Samora Correia Portugal

Curiosamente

Ter uma existência fútil
trival banal
mas claro alegre
parece amenizar
quase tudo
quase todos
e transmitir confiança
serenidade respeitabilidade
e até - pasme-se - seriedade!

Assim
Moderadamente louco
curiosamente responsável
serenamente radical
Sério
confesso que só às escondidas
porque não quero incomodar
ser repreensível
criticável

Pensar
só nas catacumbas da vida
nos intervalos da metafísica
no conforto da clandestinidade
Reflectir
torna-nos
torna-vos
torna-se
dispensável dispensáveis.

von Trina
 

 



Wilson de Oliveira Jasa
Brasil

BEIJO

Se queres que te beije, beijo agora,
um beijo apaixonado e com fervor;
que importa se está quente ou frio lá fora,
pra mim mais importante é nosso amor.

A chama que no peito agora aflora,
é chama com carinho inspirador;
o beijo pra ser dado não tem hora,
e beijo muito mais que o beija-flor.

Beijo teu coração pelos teus lábios,
são beijos com magia, beijos sábios,
e vou beijar-te sempre por te amar.

O beijo que te dou também te acalma,
e em devaneio até beijo tua alma,
pois vivo com amor sempre a beijar...

Wilson de Oliveira Jasa

 

 

 


Yna Beta
Brasil

A flor azul

Ao podar aquela última flor
Aquela, que dizias ser, a cor do nosso amor
A flor azul, que .... Feneceu
Lembrei-me de você, me entristeceu...

Percebi quão frágil era esse ardor
A flor que não era azul, ó dor...
Lhe enganaram e você não percebeu
O que já era fraco, por fim... Pereceu!

Instantes belos aquela flor viveu
Assim como nosso amor
Foi breve, não sobreviveu.

O azul, desbotado, mostrou calor
Que o próprio tempo, enfraqueceu.
Como nosso amor, se foi... Emudeceu!

Yna Beta

 


 

 

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