Na manhã
seguinte
levantaram-se
cedo, mas
mal falaram
um com o
outro, não
ser um seco
bom dia e
quando já
estavam
arranjados
vamos descer
para tomar o
pequeno-almoço?
Já na
estrada,
Júlio
explicou a
Ivone que
iam subir
pela estrada
que ontem
foram para o
Convento dos
Capuchinhos.
- Queres
dizer que
vamos passar
à cortada
para o
convento e
subimos
ainda mais?
- Certo.
Vamos subir
até ao
Palácio
Nacional da
Pena,
mandado
construir
por D.
Fernando de
Saxe-Coburgo-Gota-Koháry,
marido da
rainha D.
Maria Iº.
Como ontem
disseste,
não gostas
de ver
velharias.?
- Isso foi
ontem. Hoje
já estou
mais
bem-disposta!
Antes
passaram
pela porta
rotativa do
Castelo dos
Mouros, e
subindo mais
um pouco
chegaram ao
fim da
estrada
Sintra/Palácio
da Pena.
Passaram o
portão e
percorreram
umas lindas
alamedas
antes de
estacionar o
carro no
parque
respetivo.
Daí, subiram
uns degraus
e uma
pequena
rampa e
entrara na
varanda que
dá para a
verdadeira
entrada do
palácio.
Quando Júlio
se dirigiu à
bilheteira,
soube que
naquele dia
não havia
visitas pois
o palácio
estava em
manutenção e
limpezas.
Ela, quando
soube,
atirou uma
sonora
gargalhada.
Ele, olhou-a
de lado e
também se
riu.
- Júlio, tu
já visitaste
este Palácio
muitas vezes
e eu
algumas.
Vamos para
outro lado.
- Tens
razão, vamos
até à Cruz
Alta. Se eu
ainda me
lembrar onde
se entra na
estrada.
Foi fácil
encontrar a
estrada a
partir do
parque de
estacionamento
a Cruz Alta
fica a cerca
de 3 Km do
palácio, num
alto morro,
e tem uma
belíssima
panorâmica,
das mais
belas de
Portugal.
Quando
chegaram lá,
viram com
tristeza que
a grande
cruz de
ferro tinha
sido
vandalizada.
Encostaram-se
ao varandim
em frente
aos degraus
da cruz,
donde se
avista, num
outro morro
o majestoso
Palácio da
Pena.
Voltaram-se
para o outro
lado.
- Júlio,
parece que
temos a
nossos pés,
Oeiras,
Estoril,
Cascais e
ali mais
adiante, o
areal da
praia do
Guincho. E
repara que
se vê a
ponte 25 de
Abril e mais
além a
belíssima
ponte Vasco
da Gama!
- Ivone, é
na margem
esquerda do
rio Tejo,
vê-se da
esquerda
para a
direita, o
Montijo,
Seixal,
Almada (com
o seu Cristo
Rei), a
Trafaria e
Cova do
Vapor, etc.,
e muito mais
afastado o
Castelo de
Palmela (que
só se vê em
dias muito
claros como
está hoje);
além do
estuário do
Tejo, que é
em delta e
também muito
belo.
- Até parece
que avisto
uns
golfinhos a
saltar?.
Ficaram
alguns
minutos
extasiados
com tanta
beleza que
avistavam.
Até que ele
a lembrou:
- Então, com
a morte de
teu avô, tua
avó ficou
sozinha em
Londres?
- Sim, ficou
por lá mais
cinco anos
até se
reformar.
Depois, foi
para a que
chamava sua
Paris, onde
teve o amor
de sua vida,
e onde se
empregou
como
secretária
de uma
empresa
têxtil, onde
o
administrador
era amigo da
família.
Ela nunca se
esqueceu de
teu avô Rick
Blaine e até
escreveu no
seu diário a
seguinte
passagem: A
união de
duas pessoas
é uma
sintonia de
esforços e
sentimentos
que muitas
vezes é
cortada pelo
destino.
- E nunca
mais o
procurou?
- Procurou
sim. Pelos
serviços
secretos,
soube que
ele esteve
em
Moçambique e
que tinha
tido
problemas
com as
autoridades.
Antes de
saber este
pormenor,
esteve quase
resolvida a
ir ter com
ele.
Não foi com
receio de
ser
rejeitada,
pois teu
avô, como
até tu
compreendes,
era um
aventureiro.
Soube da sua
fuga para a
Argentina e
daí
perdeu-lhe o
rasto
durante
anos.
- E soube
que ele
esteve no
Brasil?
- Também
soube assim
como as
atividades
marginais
dele. Tinha
muita pena
do Rick e
chegou a
admitir que
talvez fosse
por ela os
desvarios
dele. Esse
pensamento
(ou remorso)
acompanhou-a
até à morte.
Talvez
pensasse que
com ela, ele
teria sido
uma pessoa
boa. Pelo
menos é o
que dá a
entender no
seu diário.
Na última
nota que
escreveu no
diário,
poucos dias
antes de
falecer,
nunca a
consegui
decifrar:
Trazendo
grinaldas e
roupagens
divinas,
ungindo de
perfumes
celestes. O
Deus dos
milagres, o
Deus
infinito,
manifestou-se,
a face
voltada para
todos os
lados. Se o
esplendor de
mil sóis
brilhasse ao
mesmo tempo
nos céus,
seria talvez
comparável
ao irradiar
do grande
Ser. Foi
esta sua
última
mensagem.
Em Paris,
assistiu a
um concerto
do pianista
Sam, grande
amigos de
ambos, que
teve a
gentileza de
tocar e
cantar
especialmente
para ela, As
Time Goes By.
Fatos que
ela registou
com emoção e
grande
ênfase, no
seu diário.
- Também
estou
comovido com
a tua
narrativa.
- Eu
comovida e
com fome. Já
estamos
atrasados
para o
almoço.
Aonde vamos
hoje
almoçar?
- Conheço um
bom e
romântico
restaurante,
que fica em
São Pedro e
não muito
longe daqui.
Talvez uns
sete
quilómetros.
Como Júlio
tinha
prometido,
foram a um
românico
restaurante.
Na saída do
portão que
dá para o
Palácio da
Pena,
seguiram em
frente por
uma rua
estreita e
ainda feita
em calçada
do tempo dos
coches. O
interior do
restaurante
é revestido
de azulejos
muito
bonitos, com
o tema
Agricultores
tendo em
quase todos
a bela
silhueta do
Palácio da
Pena. No
cardápio
escolheu
Arroz de
Tamboril,
uma das
especialidades
da casa, e o
vinho
escolhido
por ela, foi
um macio e
tinto Borba.
É um prato
que tem de
ser feito na
altura e por
isso demora
certo tempo.
- Júlio,
estou
cansada e
emocionada
com o que te
contei. Além
de estar
esfomeada.
- Menina,
estou nas
mesmas
condições.
Vamos
guardar a
visita ao
Castelo dos
Mouros para
amanhã e
quando
sairmos
daqui, vamos
diretamente
para o
hotel.
Depois do
almoço que
estava
excelente,
voltaram
pela mesma
rua estreita
e no fim
desta,
cortaram à
direita para
apanharem a
estrada que
os iam levar
a Sintra,
passando
pelo portão
rotativo do
castelo.
Chegados à
cidade,
compraram no
bar sandes
de queijo
tipo
Flamengo,
fiambre e
presunto de
Trás-os-Montes.
Além de
sumos de
frutos. Iam
como na
noite
passada
jantar no
quarto.
- Até que
enfim, que
vou
descansar
exclamou ela
quando
entrou no
quarto do
hotel.
Enquanto me
estico um
pouco na
cama,
prepara-te
tu para a
noite.
- OK chefa.
Vou tomar um
duche e
vestir o
pijama. Fica
aí com os
anjinhos.
Entretanto,
ela
adormeceu.
Depois de
ter tomado
banho, Júlio
entrou no
quarto e viu
que ela
estava a
dormir, e
acordou-a
para ela se
preparar.
- Porque os
homens são
tão chatos
ao acordar
uma mulher?
Chato! Já
vou.
- Fica
calma,
vai-te
preparar
enquanto eu
me deito
debaixo da
roupa e com
ar de
brincadeira,
ainda lhe
disse não
posso
esquecer de
ir ao
armário
buscar o
cobertor
sobresselente,
para não
aconteceu
como
aconteceu
ontem?.
- Hoje não
deves
precisar do
cobertor,
pois a noite
está mais
quente da
que a de
ontem?.
Ele riu-se e
não foi
buscar o
cobertor.
Quando ela
entrou na
cama, ele
delicadamente
compôs os
cobertores
para cima do
corpo dela,
que lhe
agradeceu.
- Hoje sou
eu que tenho
frio.
Deixa-me
chegar um
pouco a ti?
- Á vontade,
madame!
- Vou
virar-me
para ti?.
Já era de
madrugada
quando foram
comer as
sandes que
tinham
levado. E
ambos
estavam com
muita fome.
- Menino,
agora com a
barriguinha
cheia, vamos
deitar. Mas
desta vez é
mesmo para
dormir.
- Doí-me
muito as
pernas,
podias
levar-me ao
colo.
- Que
gracinha?
Acordaram
mais tarde
do que do
costume, mas
muito
bem-dispostos.
Ele pagou o
hotel e suas
malas
ficaram na
arrecadação
para não
irem com o
carro
carregado
para o
Castelo dos
Mouros.
Antes foram
à pastelaria
Piriquita
tomar o
pequeno-almoço
(ou o café
da manhã).
Já no
castelo,
depois de
passar a
porta
giratória e
comprar as
entradas,
foram até ao
largo da
cisterna
(que servia
também de
prisão) e
mais
adiante,
Ivone disse
a Júlio:
- Agora
temos de
subir estas
muralhas
todas? Já
não tenho
pernas para
tanto.
- Também me
queixo do
mesmo. Vamos
subir pela
ladeira, que
é muito mais
suave para
subir e
depois
descemos
pelas
muralhas.
- Não sabia
dessa
ladeira e já
subi
(outrora)
várias vezes
as muralhas.
A subida foi
um pouco
penosa até
chegar à
torre, de
onde se
avista um
soberbo
panorama,
desde
Colares,
praia das
Maçãs,
Azenhas do
Mar e a
vista
estende-se
até terras
de Torres
Vedras. E
também a
elegante
silhueta do
Palácio da
Pena,
diferente da
que se
avista da
Cruz Alta,
em três
morros
diferentes
uns dos
outros.
Calmamente
sentaram no
banco de
pedra quase
circundante
da quadra da
torre.
- Ivone, já
descansamos
um pouco.
Queres
recomeçar a
narrativa?
- Deixa-me
beber um
pouco de
água. Já
terminámos o
capítulo
minha avó. ?
- Agora será
o capítulo
Mamã?
- Embora
tivesse
nascido em
Inglaterra,
minha mãe
sempre se
sentiu
francesa. Lá
fez seus
estudos e
conheceu o
que viria a
ser meu pai,
português do
Algarve, que
já há anos
trabalhava
numa
companhia de
gás, em
Paris.
E foi na
capital de
França que
eu nasci e
no
jardim-escola,
conheci um
maravilhoso
miúdo, que
mais tarde
viria a ser
meu marido.
- Mas
voltando a
tua mãe.
-
Infelizmente,
sobreviveu
pouco tempo
à morte
prematura de
meu pai. Na
parte final
da vida de
minha mãe, o
casal
Raymund e
madame
Emiliè,
tomaram
conta de mim
e mais tarde
adotaram-me.
Raymund era
o
administrador
da empresa
têxtil onde
minha mãe
trabalhou.
Foi em Paris
que me fiz
mulher,
estudei e
comecei a
namorar o
Diogo, um
português a
viver em
França.
- Ivone, e
como vieste
para
Portugal?
- A empresa
onde
trabalhava
Raymund,
montou cá,
perto de
Loures uma
sucursal e
ele foi
nomeado
responsável
dessa
sucursal.
Vim com eles
para cá,
onde
terminei os
estudos
médios.
- Onde entra
o Diogo?
- Meu
marido,
depois dos
estudos em
França, veio
para
Portugal
para
trabalhar
numa fábrica
de produtos
agrícolas,
em Mafra.
Como
estávamos
sempre em
contato por
correio ou
telefone,
quando ele
veio
reatámos o
nosso
namoro, que
mais tarde
deu em
casamento.
- Tens
filhos?
- Tenho uma
filha casada
e que vive
perto de
Nova Iorque.
Está numa
gravidez e
ultimamente
não tem
estado bem.
E tu, Júlio,
tens filhos?
- Tenho um
que vive no
Holanda, é
casado com
uma sueca e
técnico de
comunicações/Informática.
Está bem na
vida.
- Estou
viúva já
quase há
cinco anos.
E tu, há
quantos
anos?
- Já vai
para oito.
De vez em
quando vou
ter com meu
filho, para
não sentir
tanto a
solidão.
- Está na
hora de
descermos e
regressarmos
a Lisboa.
- Descemos
pelos
degraus do
castelo, ou
queres
descer pela
rampa?
- Vamos
descer pelos
degraus,
pois em cada
degrau,
avistamos um
belo
panorama
diferente.
Passaram
pelo hotel
para
apanharem a
sua bagagem,
e
aproveitaram
para comprar
uma
guloseimas,
antes de
rumar a
Lisboa.
- Vamos
jantar antes
de Lisboa?
Perguntou-lhe
ele.
- Conheço um
restaurante
na Amadora.
- E eu
conheço um
muito bom
antes da
Amadora, em
Queluz, bem
pertinho do
majestoso
palácio,
onde nasceu
e morreu, D.
João IVº de
Portugal e
Iº do
Brasil.
- Como não
estamos de
acordo,
vamos
resolver o
problema
lançando
moeda ao ar.
Queres coroa
ou cara?
- Prefiro
coroa?
- E desta
vez
ganhaste.
Vamos então
a esse
restaurante
em Queluz.
Pouco tempo
depois,
pararam no
parque de
estacionamento
do
restaurante
O Abílio.
Uma das
especialidades
deste
restaurante,
é escalopes
de veado
acompanhado
por arroz,
batata frita
e saladas.
- Menino,
mas sou eu
que vou
escolher o
vinho. Hoje
apetece-me
um Gatão
rosé, de
acordo?
- Menina,
completamente
de acordo,
para mais,
já há tempos
que não bebo
esse
precioso
néctar.
O jantar
correu
tranquilamente
e
alegremente
com conversa
banal. Ambos
estavam
felizes,
embora um
pouco
cansados. É
que a idade
não perdoa?.
Quando
chegaram à
porta da
casa dela,
ele com voz
hesitante,
perguntou-lhe:
- Posso
subir
também?
- Claro que
não. Minha
casa não é
nenhum
hotel!
- Então,
podíamos ir
para minha
casa?
- Também
não. Para
mais, tu já
me disseste
que na tua
cama, só lá
dormiu tua
falecida
mulher.
- Querida,
vou morrer
de frio esta
noite!
- Não vais
não, meu
querido.
Enrola-te a
um cobertor
e vais ver
que vais
dormir muito
quentinho.
Um beijinho
e uma boa
noite com
muitos e
bons sonhos.
Até outro
dia e não te
esqueças de
me
telefonares.
- Até outro
dia!
Quando ela
se afastava,
ele
tristemente,
pensou:
plano
falhado.
Durante
semanas,
além do
encontro
diário no
café, saíram
alguns
fins-de-semana,
visitando,
entre outras
localidades,
a Foz do
Arelho
(Caldas da
Rainha);
Nazaré; São
Pedro de
Moel, Praia
de Pedrogão,
Figueira da
Foz, etc.
No primeiro
fim-de-semana,
ele levou um
édredon, o
que levou
Ivone a
perguntar-lhe:
- Júlio,
para que é
esse édredon?
- Menina, é
para não
morrer de
frio durante
a noite!
Ela atirou
uma sonora
gargalhada
ao
responder-lhe:
- Fica
sabendo que
nos
fins-de-semana
que
passarmos
juntos, eu
quero que tu
morras de
frio�!!!
Um dia, ela
com ar
triste
deu-lhe a
notícia:
- Olha
Júlio, minha
filha está
na parte
final da
gravidez que
não está a
corre-lhe
muito bem.
Está muito
fraquinha.
Assim,
depois de
amanhã vou
partir para
Nova Iorque,
mas a ajudar
e
acompanhá-la.
- Eu posso
ir contigo?
- Não Júlio.
Vou sozinha
e não sei
quando
voltarei.
Aproveita e
vai uns
tempos para
a casa de
teu filho.
- E podemos
contar pelo
telefone e
pelo
computador?
- Sempre que
possa,
contactarei
contigo.
Fica
tranquilo
nesse
aspeto.
No Aeroporto
Internacional
de Lisboa,
despediram-se
com um longo
beijo.
- Então,
nós??
Perguntou-lhe
ele.
- Júlio,
quando eu
regressar,
falaremos?.
FIM
Carlos Leite
Ribeiro -
Marinha
Grande -
Portugal