MEU POBRE PAI

Ari Santos de Campos
 

Eu quero apagar, tira-lo da mente,
o vulto da cena visto em um dia:
do luto o meu choro, tão comovente
que a fala esmorece e a voz balbucia.
 

O povo aparece e por consequente,
faz a procissão, com "Ave-Maria",
prossegue nas ruas, tendo na frente,
a cruz e um esquife entre a romaria.


E junto ao cortejo, no campo-santo,
se seguem gemidos com emoção...
e aos prantos sepultam meu pobre pai.
 

A terra sem seiva destroça o encanto
da vida que torna ao pó deste chão...
então eu vos peço: oh pai, me levai!...

 

 

 

 

 

Foto inserida dentro da moldura no

topo da página, Senhor João Elizeu de Campos

Pai do autor, Ari Santos de Campos

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