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Pavilhão Multiusos do Parque das Nações ( Lisboa) |
Grande Gala
Luso-Brasileira 2012 (Virtual)

Formato de Carlos
Leite Ribeiro
Rádio
Criativa a transmitir do Centro de Portugal para todo o
Mundo
“Estamos sempre onde você está!”

Carlos –
Mais uma vez Boa Noite a todos do nosso auditório. A
vossa Rádio Criativa, transmite esta noite e madrugada
(até o sol raiar), a Primeira Grande Gala
Luso-Brasileira 2012. Vamos passar a emissão para o
grande Pavilhão Multiusos do lindíssimo e moderno Parque
das Nações. Alô, Beatriz… Beatriz… A ligação ainda não é
possível efetuar. Entretanto, a televisão está a passar
imagens deste belo e moderno Parque das Nações, na
sempre bela capital de Portugal:
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teleférico |
aquário |
vista
geral |
gare |
Carlos – Já nos é possível a ligação ao Pavilhão
Multiusos … Alô Beatriz…
Beatriz – Alô Carlos! Boa noite a todo o nosso
vastíssimo auditório da Rádio Criativa!
Carlos – Beatriz, podes fazer uma fotografia sonora do
ambiente que se sente aí?...
Beatriz – O ambiente está simplesmente formidável. O
palco está lindíssimo, com cortinas laterais em azul; as
cortinas de fundo de um azul mais claro; e o fundo em
si, de cor cinzento claro. No palco, visto da plateia, no
lado esquerdo, um escaparate transparente, onde o
Henrique fará a abertura desta grande gala. No lado
direito, uma mesa comprida com várias cadeiras (uma
quatro ou cinco). No centro do palco, perto da plateia,
vários microfones, onde as apresentadoras, apresentarão
os cantores e os poetas. Segundo um guião que nos foi
fornecido, os cantores e poetas entrarão em palco pelo
lado esquerdo, e sairão pelo lado oposto, ou seja pelo
lado direito, acompanhados pela Candy.
Neste momento, as luzes são parcialmente apagadas e
ouvem-se uns toques; o que quer dizer que a Gala vai
começar.
Começa a ouvir-se uns acordes dos Hinos do Brasil e de
Portugal…
Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heróico o brado retumbante,
E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da Pátria nesse instante.
Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó Liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!(…) |
...
Heróis do mar, nobre povo,
Nação valente, imortal,
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal.
Entre as brumas da memória,
Ó Pátria sente-se a voz
Dos teus egrégios avós,
Que há-de guiar-te à vitória.(…) |
Beatriz – O Henrique aproxima-se do escaparate para dar
início a esta Grande Gala…
Henrique – Senhoras e Senhores, Boa Noite! Coube-me a
honra de abrir esta Primeira Grande Gala Luso Brasileira
de Música e Poesia. Começando pela história mais recente
deste moderno e lindo local de Lisboa, onde no tempo da
minha juventude tantas vezes pesquei, começarei:
“O Parque das Nações é a designação atual da antiga Zona
de Intervenção da Expo, que inclui o local onde foi
realizada a Exposição Mundial de 1998 e ainda todas as
áreas sob administração da ParqueExpo, S.A. Esta área
tornou-se, entretanto, um centro de atividades culturais
e um novo bairro da cidade, com perto de 15.000
habitantes (prevendo-se que o total de população seja de
25.000, daqui a poucos anos), com várias instituições
culturais e desportivas próprias.
O Parque das Nações é atualmente considerado como um dos
bairros mais seguros da cidade de Lisboa.
A sua arquitetura contemporânea, os espaços de convívio
e todo o projeto de urbanização e requalificação urbana
trouxeram nova dinâmica à zona oriental da cidade de
Lisboa que, em 1990, ainda era uma zona industrial.
Destacam-se, como exemplos da arquitetura presente no
Parque das Nações, as abóbadas das plataformas da Gare
do Oriente, de Santiago Calatrava, impondo a sua linha
arquitetónica; o Pavilhão de Portugal, do arquiteto
português Álvaro Siza Vieira, que tem por entrada uma
imponente pala de betão pré-esforçado, que se baseia na
ideia de uma folha de papel pousada em dois tijolos,
abrindo o espaço à cidade para albergar os diversos
eventos que um espaço desta escala acolhe.
O Parque dispõe de um Pavilhão do Conhecimento, um
moderno Museu de Ciência e Tecnologia, com várias
exposições interativas; um teleférico transporta os
visitantes de uma ponta à outra da área da antiga
exposição. De referir ainda este Pavilhão Multiusos, o
antigo Pavilhão Atlântico, a emblemática Torre Vasco da
Gama, o edifício mais alto da cidade, o Oceanário de
Lisboa, um dos maiores aquários do mundo.
Aproveitando a sua localização geográfica, o parque
orgulha-se também da sua moderna marina. A Marina Parque
das Nações, apresenta 600 postos de amarração destinados
a embarcações de recreio, assim como infraestruturas
preparadas para acolher grandes eventos da atividade
náutica, dispondo para o efeito de um cais de eventos e
uma Ponte Cais não só para embarcações de cruzeiro ou
históricas de grande porte, mas também como área de
apoio para eventos em terra. A marina ganha assim uma
cor especial, ao estar situada em plena reserva natural
do estuário do Tejo.
O Parque das Nações é administrado, atualmente, pela
ParqueExpo, S.A. A zona pertencente ao Concelho de
Lisboa foi transferida para a administração da Câmara
Municipal de Lisboa no início do ano de 2006.
Falando um pouco deste belo Pavilhão Multiusos:
“Ao contrário de outras cidades europeias, Lisboa não
possuía uma sala polivalente para acolher espetáculos,
congressos e acontecimentos desportivos de grande
envergadura. As salas existentes, tanto na capital como
noutros pontos do país, ou tinham lotação limitada - até
4000 lugares - ou eram dificilmente adaptáveis a eventos
não convencionais, como o desporto de alta competição em
recinto coberto. Além disso, não dispunham do aparato
tecnológico exigido para coberturas televisivas modernas
ou pelos grandes espetáculos musicais ou teatrais.
Neste momento Portugal dispõe de várias salas de
espetáculos aptas para grandes concertos como este
Pavilhão Multiusos nesta bela cidade de Lisboa com
capacidade para 20.000 espectadores.
A configuração do Pavilhão Multiusos lembra uma nave
espacial, mas a sua forma é também a do
caranguejo-ferradura. Misto de animal marinho e nave
espacial, esta forma merecia uma estrutura que a
suportasse, física e simbolicamente. Assim, surgiu a
ideia do travejamento em madeira para sustentar a
cobertura, à maneira do cavername invertido de uma nau
quinhentista. Numa exposição mundial que evoca os
oceanos e as Descobertas, a madeira, melhor que o aço ou
o betão, é a matéria-prima ideal. Definida a forma, a
implantação do edifício fez-se para tirar partido da
exposição solar da fachada virada a sul, para aumentar
os ganhos solares durante a estação mais fria e prevenir
a sua incidência direta por meio de sombreados durante o
Verão. Desta forma racionalizaram-se custos de
climatização. No mesmo sentido, foram colocadas
aberturas no topo de edifício que facilitam a ventilação
natural da atmosfera interior e garantem o seu
arrefecimento entre eventos. A organização interna do
espaço foi pensada em função de três grandes objetivos:
minimizar o impacto visual de uma construção de grandes
dimensões como é esta, contribuir para um uso racional
da energia e simplificar a entrada e saída do público.
(Trabalho baseado em várias revistas e em Wikipédia, a
enciclopédia livre.)
Ouvem-se grandes aplausos do público, e vozes
entusiasmadas gritando em coro:
Pelo entrelaçamento Luso-Brasileiro!
Viva o Brasil!
Viva Portugal!
Beatriz – Depois desta grande ovação, levanta-se da mesa
do lado direito, a poetisa Carmo de Vasconcelos, que se
aproxima dos microfones.
Carmo - Boa noite a todos, é um prazer estar aqui neste
ambiente maravilhoso e trazer-vos a memória do nosso
Grande Camões:
As armas e os barões assinalados,
Que da ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca dantes navegados,
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados,
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram;
E também as memórias gloriosas
Daqueles Reis, que foram dilatando
A Fé, o Império, e as terras viciosas
De África e de Ásia andaram devastando;
E aqueles, que por obras valerosas
Se vão da lei da morte libertando;
Cantando espalharei por toda parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte.
De "Os Lusíadas" de Camões
Canto Iº - 1ª e 2ª Estrofes
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Beatriz – Carmo Vasconcelos retira-se debaixo de uma
grande ovação e a caminho da mesa cruza-se com Glória
Marreiros que se aproxima dos microfones.
Glória - Muito Boa-Noite. Depois desta bela evocação do
nosso Poeta Maior, é com grande prazer que vos traga
outro dos nossos Poetas consagrados:
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Navegar é Preciso- do grande poeta português,
Fernando Pessoa
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Navegadores antigos tinham uma frase
gloriosa:
"Navegar é preciso; viver não é preciso".
Quero para mim o espírito (d)esta frase,
transformada a forma para a casar como eu
sou:
Viver não é necessário; o que é necessário é
criar.
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la
penso.
Só quero torná-la grande,
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo
e a (minha alma) a lenha desse fogo.
Só quero torná-la de toda a humanidade;
ainda que para isso tenha de a perder como
minha.
Cada vez mais assim penso.
Cada vez mais ponho da essência anímica do
meu sangue
o propósito impessoal de engrandecer a
pátria e contribuir
para a evolução da humanidade.
É a forma que em mim tomou o misticismo da
nossa Raça.
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Beatriz – Muito aplaudida, Glória Marreiros dirige-se à
mesa. Aproxima-se dos microfones a nossa linda colega,
Mônica.
Mônica – Senhoras e Senhores, espetadores presentes e
televisivos, e também os que nos ouvem pela Rádio, Boa
Noite! Tenho a honra de vos apresentar o nosso querido e
muito conceituado (tanto em Portugal como no Brasil) –
Chico Buarque! Que nos vem cantar (e encantar) só como
ele sabe “O Fado Tropical”. Aproxima-se de nós
acompanhado pela linda Candy.
Chico – Boa Noite Portugal! Boa Noite Brasil! Vamos
todos cantar O Fado Tropical (eu quero ouvi-los!)
(Vá! Todo o mundo a cantar comigo!)
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Oh! musa do meu fado
Oh! minha mãe gentil
(não estou a ouvir nada!)
Te deixo consternado, no primeiro abril
Oh! não sê tão ingrata, não esqueça de quem
te amou.
e em tua densa mata, se perdeu e se
encontrou.
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal,
ainda vai
tornar-se um imenso Portugal.
(está melhor, mas ainda quero que cantem
mais alto!)
Com avencas na caatinga, alecrins no
carnaval, licores
na moringa, um vinho tropical.
E a linda mulata, com rendas do Além-Tejo,
de quem
numa bravata arrebatou um beijo.
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal,
ainda vai
tornar-se um imenso Portugal.
Guitarras e sanfonas, jasmins, coqueiros,
fontes,
sardinhas, mandioca, num suave azulejo.
O rio Amazonas, que corre Trás-os-Montes, e
numa
pororoca, desagua no tejo.
(Vamos todos cantar em plenos pulmões!)
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal,
ainda vai
tornar-se um imenso Portugal.
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal,
ainda vai
tornar-se um imenso Portugal. |
(muito obrigado e uma Boa Noite a todos!)
Mônica – Disse-me agora o Henrique nos bastidores que
este Pavilhão Multiusos foi muito bem construído, pois
se não fosse, teria desmoronado com a enorme ovação que
o Chico Buarque recebeu depois da sua atuação.
Depois deste brilhante momento, chegou a hora de ouvir a
declamação dos primeiros cinco poetas convidados, que já
estão acompanhados pela Candy, que se aproxima com o
primeiro que se vai fazer ouvir.

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