
HISTÓRIA
e Estados
do
BRASIL
(Resumo)
Colonização
( de Martins Afonso
à União Ibérica)
1530 a 1580
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Nicolau Durand Villegaignon |
Trabalho e pesquisa de
Carlos Leite Ribeiro

Dezembro/2006 |
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Nicolau Durand Villegaignon
http://pt.wikipedia.org/wiki/Nicolau_Durand_de_Villegaignon
Nasceu em Provins em uma data desconhecida de 1510,
no seio de uma família católica, importante na região. Sua família foi
nobilitada em 1513, de acordo com alguns de seus biógrafos, ou 1516, segundo
outros.
Aos onze anos de idade, quando perdeu o pai, um magistrado, o jovem Villegagnon
já possuía bons conhecimentos de latim, a língua franca da época. Nesse momento,
a mãe decidiu encaminhá-lo para Paris (1521), a fim de prosseguir os estudos.
Ali, o jovem se estabeleceu no Hôtel des Auges, frequentando os colégios
religiosos La Manche e Montaigne, onde foi colega do jovem Calvino. Estas
instituições o prepararam para o ingresso na Universidade de Paris, onde
concluiu o curso de Direito, aos vinte anos de idade (1530).
Os seus biógrafos são acordes em descrevê-lo como um individuo alto, de boa
aparência, simpático, bem-falante, culto, hábil no manejo das armas, sempre
bem-vestido (mesmo entre os indígenas brasileiros), respeitoso com os seus
superiores, determinado, profundamente religioso e conhecedor da teologia
católica.
Ao concluir os seus estudos, Villegagnon tentou ser admitido como advogado pelo
Parlamento de Paris. Após essa tentativa, entretanto, veio a abandonar o
projecto de uma carreira como advogado, tendo solicitado o seu ingresso na
escola de navegação da Ordem de Malta, que naquela época se instalava na ilha de
Malta, com o fim de patrulhar as águas do Mediterrâneo, à época infestadas de
piratas Argelinos.
Cavaleiro da Ordem de Malta
Villegagnon permaneceu em treinamento entre 1531 e 1540, em terra e nas galeras,
aperfeiçoando-se na arte militar, de marinharia, da diplomacia e nas línguas,
passando a dominar o italiano, o espanhol e o grego.
Em 1540, foi enviado a Veneza, onde fez amizade com o poeta François Rabelais.
Ali, o embaixador francês outorgou-lhe a missão de correio diplomático,
incumbindo-o de entregar uma missiva de Francisco I de França ao sultão da
Turquia, Solimão, o Magnífico. No retorno, trouxe a resposta do sultão até Turim
(1541), onde conheceu e fez amizade com outro poeta Pierre de Ronsard, sendo
encarregado de entregar ao soberano as plantas das principais fortalezas do
Ducado de Milão.
Tendo alcançado as boas graças do soberano, Villegagnon foi incorporado pela
diplomacia francesa ao grupo de quatrocentos cavaleiros de Malta que integrou o
exército do Imperador Carlos V que marchou sobre Argel. A sua função era a de
observador de campanha, reportando-a ao soberano francês. Villegagnon
destacou-se em combate, vindo a ser ferido no braço esquerdo por um golpe de
lança. O próprio imperador teria confortado Villegagnon na ocasião.
No retorno, convalescendo em Roma, Villegagnon escreveu um pequeno livreto de 24
páginas, narrando a campanha: Carolus V Imperatoris Expeditio in Africam ad
Argeriam, obra que alcançou edições em Veneza, Antuérpia e Nuremberg (em latim)
e em Lyon (em francês), tendo agradado ao Imperador, à Corte e ao rei da França.
A missão seguinte de Villegagnon foi a de se dirigir a Budapeste, a fim de
observar a concentração das forças de Carlos V e das de seu oponente, Suleimão,
em termos de situação militar, quantidade e qualidade de tropas, armamentos e
fortificações, o que desempenhou em poucas semanas (1542).
De volta à Itália, destacou-se na batalha de Cérisoles, vencida pelos franceses
contra as tropas de Milão. De lá passou, às pressas, para Ponte Stura, com a
missão de fortificar aquele castelo. Nesta fase, a actuação de Villegagnon no
Norte da Itália, estendeu-se até 1547.
Henrique II da França também confiou missões diplomáticas a Villegagnon na
Itália. Em Paris, entretanto, confiou-lhe a missão de varrer os piratas ingleses
da costa da Bretanha, o que Villegagnon concluiu em poucas semanas, com o
afundamento de cinco galeras inglesas.
Confiante neste sucesso, o soberano francês incumbiu Villegagnon de uma nova e
arriscada missão: o rapto da pequena Maria Stuart da Escócia, furtando-se ao
rígido esquema de vigilância da esquadra inglesa. No comando de quatro galeras,
entre as quais a própria galera real, com remadores especialmente escolhidos nos
cárceres franceses por seu ódio à Inglaterra, mediante a promessa de libertação,
Villegagnon aproveitou-se do desembarque de uma força de seis mil franceses em
Leith, na Escócia, para contornar o Norte do país, subindo o rio Clyde até ao
Castelo de Dumbarton, onde embarcou a sua pequena passageira. Em Agosto de 1548
desembarcaram em solo francês, próximo a Brest.
No auge de sua fama, Villegagnon retornou à Escócia transportando dobrões de
ouro franceses para auxiliar os nobres católicos escoceses a resistir contra os
ingleses, participou da defesa de Firth, arrasou as instalações inglesas na ilha
de Guernsey e atacou as embarcações inglesas que encontrou em seu caminho.
Em 1551, Villegagnon dirigiu-se à ilha de Malta, para auxiliar na sua defesa
diante do cerco imposto pelos Turcos, que chegaram a ocupar a vizinha ilha de
Gozo naquele ano. Vitorioso, regressava a Paris com uma carta do Grão-mestre da
Ordem de Malta para o rei da França, quando a sua nau foi capturada pelos
Austríacos, sendo Villegagnon aprisionado no Castelo de Cremona. Apelando a
Carlos V, conseguiu a sua libertação.
Em Setembro de 1552 recebeu do soberano francês a incumbência de fortificar o
porto de Brest, ameaçado pela marinha inglesa, sendo nomeado Vice-almirante da
Bretanha.
A França Antártica
No Verão de 1554 Villegagnon visitou secretamente a região do Cabo Frio, na
costa do Brasil, onde seus compatriotas habitualmente escambavam. Ali obteve
valiosas informações junto aos Tamoios, informando-se dos hábitos dos
portugueses naquele litoral, colhendo dados essenciais ao futuro projecto de uma
expedição para a fundação de um estabelecimento colonial. O local escolhido
localizava-se cerca de duzentos quilómetros ao Sul: a baía de Guanabara, evitada
pelos portugueses devido à hostilidade dos indígenas na região. O projecto
concebia transformá-la em uma poderosa base militar e naval, de onde a Coroa
Francesa poderia tentar o controle do comércio com as Índias.
Desse modo, em 1555, com uma pequena frota aparelhada por Henrique II da França
à disposição de Gaspard de Coligny composta de dois navios e 600 soldados e
colonos, partiu de Le Havre, vindo a construir na ilha, hoje denominada de
Villegagnon, o Forte Coligny.
Após uma série de desentendimentos com os colonos, um misto de católicos e
protestantes, que lhe valeram, na historiografia brasileira tradicional o
epíteto de "Caim da América", Villegagnon retornou à França, em busca de
reforços, deixando em seu lugar um sobrinho, Bois-le-Compte, à testa do
estabelecimento (1557).
O estabelecimento foi destruído por forças portuguesas comandadas por Mem de Sá
em 1560, tarefa concluída por Estácio de Sá, um sobrinho do terceiro governador
geral do Brasil, Mem de Sá, em 20 de Janeiro de 1567. Nesta última fase da
campanha, entre 1565 e 1567 ocorreu a fundação da cidade de São Sebastião do Rio
de Janeiro.
(Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro - Marinha Grande - Portugal)
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