Cronologia histórica até à chegada do 1º
Governo-geral:
1501 a 1502; sob o comando de Gaspar de
Lemos (*), Portugal envia para o Brasil as
primeiras expedições de exploração e de
reconhecimento que percorreram a extensa
faixa litoral situada entre o atual Estado
do Rio Grande do Norte e o Uruguai.
(*) Gaspar de Lemos foi um navegador
português do século XVI.
Fonte: Oliveira Martins e crónicas de
revistas e jornais.
Comandou um dos navios da frota de Pedro
Álvares Cabral, que descobriu o Brasil em 22
de Abril de 1500.
Diretamente, sabe-se pouco sobre as suas
origens. Este fidalgo talvez descenda de
família morgada, originária do reino de
Leão, que veio a Portugal no reinado de
Afonso IV (1325-1357), que recebeu terras e
constituiu morgados sob D. João I. Embora as
fontes não citem as origens de Gaspar de
Lemos, alguns livros portugueses utilizam as
armas da família Lemos para ilustrar
verbetes sobre ele.
Como comandante do navio que transportava
mantimentos, foi designado por Cabral para
retornar a Portugal, após curta estada em
terras de Vera Cruz, levando para D. Manuel
I as notícias sobre o descobrimento. Assim,
retornou a Portugal com a carta de Pêro Vaz
de Caminha, que comunicava ao rei a
descoberta. Voltou ao País no final de 1501
em viagem exploratória, na companhia, entre
outros, de Américo Vespúcio.
Partiu de Lisboa em 10 de Março de 1501 e
voltou a 7 de Setembro de 1502. São
creditados a esta expedição os seguintes
feitos:
a descoberta do arquipélago de Fernando de
Noronha;
a 1 de Novembro de 1501 , a descoberta da
baía que batizou Baía de Todos os Santos;
a descoberta, em 1 de Janeiro de 1502, da
baía da Guanabara, que confundiu com um rio
e batizou de Rio de Janeiro;
Angra dos Reis em 6 de Janeiro do mesmo ano;
a descoberta da ilha de São Vicente, em 22
de Janeiro de 1502 .
Alguns autores portugueses atribuem a
Gonçalo Coelho essa viagem de 1501/1502 que,
no entanto, só partiu de Lisboa em 1503,
também acompanhado de Américo Vespúcio.
Outras fontes o confundem com Gaspar da
Gama, cristão-novo que veio das Índias com
Vasco da Gama.
1502: - Início do aproveitamento do
pau-brasil,
madeira muito utilizada para
tingir panos. Foi monopólio real até ao
século XVIII, o pau-brasil foi explorado
através de arrendamentos contratuais.
1503: -Chegada ao Brasil da expedição
comandada por Gonçalo Coelho (*), que
instala as primeiras feitorias e realiza as
primeiras buscas de riquezas minerais no
interior da então colónia.
(*)Gonçalo Coelho, navegador português.
Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Estudou em Pisa. Em 1503, a serviço da Coroa
portuguesa, que firmou contrato com um grupo
de comerciantes desde um ano antes, realizou
expedição ao litoral brasileiro. Pouco se
sabia em Portugal da cartografia da costa
norte brasileira e surgira assim a
necessidade de ser despachada para a nova
terra uma expedição exploradora que
reconhecesse principalmente a parte situada
aquém da linha divisória de Tordesilhas, por
isso pertencente à coroa portuguesa. As
melhores fontes atribuem o comando dessa
expedição a Coelho, nauta experiente que
trouxe, embarcado, o florentino Américo
Vespucci, já conhecedor de terras americanas
pois navegara com Alonso de Ojeda em viagem
castelhana em 1499. Os comerciantes que
financiaram a expedição, dentre eles Fernão
de Noronha,
conseguiram arrendar as terras
brasileiras por um período de três anos para
exploração do pau-brasil. Em troca, os
arrendatários se comprometiam a construir
feitorias e pagar, à Coroa, parte do lucro
obtido. O arrendamento foi renovado mais
duas vezes, em 1505 e em 1513. Como consequência do contrato e da expedição de
Gonçalo Coelho, o rei D. Manuel Iº doou, em
1504, a Fernão de Noronha, a primeira
capitania hereditária no litoral brasileiro:
a ilha de São João da Quaresma, atual
Fernando de Noronha, uma capitania do mar.
1516: - O assédio de estrangeiros e a
prática do contrabando do pau-brasil
(especialmente pelos franceses, os primeiros
grandes exploradores das riquezas do
Brasil), levam Portugal a organizar
expedições encarregadas de guardar as costas
do Brasil.
1530: -D. João III determina o início da
ocupação sistemática, incumbindo Martim
Afonso de Sousa (*) de proceder à criação de
núcleos de povoamento, ao reconhecimento do
território e à expulsão dos estrangeiros
nele encontrados. A partir de então, ganha
impulso, sobretudo no Nordeste, a produção
açucareira, uma das principais atividades
económicas do período colonial brasileiro.
(*)Martim Afonso de Sousa,
nasceu em Vila
Viçosa, entre 1490 e1500, e faleceu em
Lisboa, 21 de Julho de 1564 ou 1571.
Nobre e militar português. Jaz na Igreja de
São Francisco em Lisboa.
Fonte: Dicionário da História de Portugal
(parte "Brasil").
Como Tomé de Sousa, descendia por linha
bastarda do rei Afonso III de Portugal.
Senhor de Prado e de Alcoentre, ainda
parente do conde de Castanheira, D. António
de Ataíde, tão influente sobre o rei D. João
III de Portugal, Martim de Sousa foi Senhor
de Prado, e Alcaide-mor de Bragança e mais
tarde Governador da Índia e do Estado do
Brasil. Serviu algum tempo ao Duque de
Bragança D. Teodósio I mas «como era de um
espírito elevado e queria esfera onde se
dilatasse em coisas grandes, largou a
Alcaidaria mor de Bragança e outras mercês
que tinha do Duque, para servir ao Príncipe
D. João, filho do rei D. Manuel. Depois foi
a Castela e esteve algum tempo em Salamanca;
e voltando a Portugal, D. João III, que já
então reinava, o recebeu com muita estimação
e honra porque Martim Afonso de Sousa foi um
fidalgo em quem concorreram muitas partes,
porque era valoroso, dotado de entendimento
e talento grande».
Acompanhou a rainha viúva D. Leonor a
Castela. Iniciou sua carreira de homem de
mar e guerra em 1531 na armada que o rei
determinou mandar ao Brasil, nomeado desde
fins 1530 em razão dos seguintes fatores:
por ser primo-irmão de D. António de Ataíde,
membro do Conselho Real, e ter forte
influência junto ao Rei. Estudou Matemática,
Cosmografia e Navegação. Havia vivido quatro
anos na Espanha, onde se casou com D. Ana
Pimentel, dama da Rainha Católica, irmã de D.
Bernardino Pimentel, 1º Marquês de Tavara,
filhos de D. Pedro Pimentel, senhor de
Tavara, comendador de Castro-Torense na
Ordem de Santiago, o qual morreu em 6 de
Fevereiro de 1504, e irmã de D. Rodrigo
Afonso Pimentel, 3º conde de Benavente. O
casamento foi feito por D. Pedro, que dotou
a filha, com assistência do irmão, o conde
de Benavente, sendo o contrato de casamento
firmado em Tordesilhas. Lutou por Carlos V
contra os franceses.
Embora a historiografia tradicional em
História do Brasil encare sua expedição como
a primeira expedição colonizadora, o
Regimento a ele passado permite compreender
que o principal objetivo de sua missão era
colocar padrões de posse portugueses em toda
a área da bacia do Rio da Prata, o que não
alcançou em função de ter naufragado na
região. Diz-se que sua nomeação como
governador compreendia a missão de expulsar
franceses, descobrir terras, explorar o rio
da Prata e fundar núcleos de povoamento.
Partiu de Lisboa ao dia 3 de Dezembro de
1530 com quatro naus, tendo como imediato o
irmão Pêro Lopes de Sousa e transportando
cerca de 400 pessoas. Depois de percorrer
todo o litoral até a foz do Rio da Prata,
onde sobreviveu a um naufrágio, como
desdobramento de sua missão, retornou à
região de São Vicente em 21 de Janeiro de
1532 e, e com ajuda de João Ramalho e
Antônio Rodrigues, moradores da região que
haviam feito amizade com os caciques
Tibiriçá e Caiubi. Na região do planalto (o
mesmo onde hoje se ergue a gigantesca cidade
de São Paulo) e ainda graças a João Ramalho,
estabeleceu em Piratininga uma pequena
aldeia de duração efémera. Em São Vicente,
iniciou a cultura da cana-de-açúcar e
ordenou a instalação do Engenho dos Erasmos.
Combateu corsários franceses no litoral e
foi agraciado pela Coroa portuguesa, sob o
reinado de D. João III como
capitão-donatário de dois lotes de terras no
Brasil: a Capitania de São Vicente. Desde
Outubro de 1532, recebera comunicação do rei
de que o imenso território seria dividido em
extensas faixas de terras: as capitanias
hereditárias. Na ocasião, foram-lhe doadas
cem léguas na costa e recebeu autorização de
retornar a Lisboa. Sua expedição trouxe para
o Brasil, como ferreiro contratado por dois
anos, para prover as necessidades de ferro
da expedição e da colónia, o mestre
Bartolomeu Fernandes, também conhecido como
Bartolomeu Gonçalves e Bartolomeu Carrasco.
Terminado o contrato, mestre Bartolomeu
fixou-se em solo paulista, tornando-se
proprietário do sítio dos Jeribás e
instalando, nas margens do Jurubatuba,
afluente do rio Pinheiros, na vila de Santo
Amaro (São Paulo), a primeira forja do
Brasil para produção de aço - fato
mencionado pelo padre José de Anchieta, em
1554. Com quatro operários conseguiu-se
produzir e forjar 100 quilos de ferro em
seis ou sete horas, consumindo 450 quilos de
carvão vegetal.
1534: - Instituição do regime de capitanias
hereditárias (*), marco inicial do processo
de colonização.

(*)Capitanias - Fonte: Várias.
As capitanias foram uma forma de
administração territorial do império
português uma vez que a Coroa, com recursos
limitados, delegou a tarefa de colonização e
exploração de determinadas áreas a
particulares, através da doação de lotes de
terra, sistema utilizado inicialmente com
sucesso na exploração das ilhas atlânticas.
No Brasil este sistema ficou conhecido como
capitanias hereditárias, tendo vigorado, sob
diversas formas, durante o período colonial,
do início do século XVI até ao século XVIII,
quando o sistema de hereditariedade foi
extinto pelo Marquês de Pombal, em 1759 (a
hereditariedade foi abolida, mas a
denominação capitania não).
1538: - Chegada ao Brasil dos primeiros
escravos negros. A escravidão (*) africana
substituiu a escravidão indígena, passando a
ser o suporte basilar de economia e da
sociedade brasileira durante toda a fase
colonial e até quase ao fim do Império.
(*) Escravidão. Baseado em várias fontes.
Muitas tribos rivais faziam prisioneiros em
conflitos e vendiam-nos para árabes e
europeus, de fato, este foi um dos elementos
chaves responsável pelo mercado escravo dos
povos africanos. Os povos mais frágeis eram
capturados pelos Chefes das tribos e
vendidos por preços esdrúxulos aos europeus
mercantilistas. A divisão da culpa recai,
prioritariamente, sobre o Europeu dominador
e ambicioso, porém há de se admitir que os
conflitos internos na África, fermentaram a
cisão e o enfraquecimento da resistência dos
povos negros. Até hoje, além da chaga da
escravidão, conflitos internos aliados a
corrupção de governantes locais, ainda são
responsáveis por todo um contexto de miséria
existente no continente africano.
Escravidão no Brasil colónia:
A primeira
forma de escravidão no Brasil foi dos
gentios da terra ou negros da terra, os
índios especialmente na Capitania de São
Paulo onde seus moradores pobres não tinham
condições de adquirir escravos africanos,
nos primeiros dois séculos de colonização. A
Escravização de índios foi proibida pelo
Marquês de Pombal. Eram considerados pouco
aptos ao trabalho. No Brasil, a escravidão
africana teve início com a produção da cana
-de- açúcar na primeira metade do século XVI
como tentativa de solução à "falta de braços
para a lavoura", como se dizia então. Os
portos principais de desembarque escravos
eram: no Rio de Janeiro, na Bahia, no Recife
e em São Luís do Maranhão. Os portugueses,
brasileiros e mais tarde os holandeses
traziam os negros africanos de suas colónias
na África para utilizar como mão-de-obra
escrava nos engenhos de rapadura do
Nordeste. Os comerciantes de escravos
vendiam os africanos como se fossem
mercadorias, as quais adquiriam de tribos
africanas que haviam feito prisioneiros. Os
mais saudáveis chegavam a valer o dobro
daqueles mais fracos ou velhos. Eram mais
valorizados os negros Bantos ou Benguela ou
Bangela ou do Congo, provenientes do sul da
África e tinham menos valor os vindo do
centro oeste da África, os negros Mina ou da
Guiné. Como eram vistos como mercadorias ou
mesmo como animais, eram avaliados
fisicamente, sendo melhor avaliados os que
tinham dentes bons, canelas finas e
calcanhares altos, em uma avaliação
eminentemente racista. O preço dos escravos
sempre foi elevado quando comparado com os
preços das terras, esta abundante. Assim,
durante todo o período colonial brasileiro,
nos inventários de pessoas falecidos, o lote
(plantel) de escravos, mesmo quando em
pequeno número sempre era avaliado por um
valor, em mil-réis, muito maior que o valor
atribuído às terras do fazendeiro. O
transporte era feito da África para o Brasil
nos porões dos navios negreiros. Amontoados,
em condições desumanas, no começo muitos
morriam antes de chegar ao Brasil, sendo que
os corpos eram lançados ao mar. Por isso o
cuidado com o transporte de escravos
aumentou para que não houvesse prejuízo. As
condições da tripulação dos navios não eram
muito melhor que a dos escravos.
1548: - Criação do Governo-geral, tendo em
vista centralizar a administração colonial.
Todavia, o regime de capitanias não é
abolido, sobrevivendo até ao século XVIII.
1549: - Chegada ao Brasil do primeiro
governador-geral, Tomé de Sousa (*) e de seu
lugar-tenente, Garcia D'Ávila (**). Ao lado
de auxiliares diretos laicos, leva consigo
os primeiros jesuítas que, sob a direção do
padre Manuel da Nóbrega, tratam de difundir
a fé católica entre os nativos e de
estabelecer e ministrar o ensino destinado à
população colonial em geral. Para instalar o
governo-geral, é fundada a cidade do
Salvador, mais tarde São Salvador da Bahia.
(*)Tomé de Sousa.
Fontes: Alexandre
Herculano e Oliveira Martins (História de
Portugal).
Quando chegou, segundo o historiador Hélio
Viana, Tomé de Sousa mandou que « afim de
realizar uma viagem de correção, o
ouvidor-geral Pêro Borges e o provedor-mor
da Fazenda, António Cardoso de Barros,
levados pelo capitão-mor da Costa Pêro de
Góis, fossem visitar as capitanias de
Ilhéus, Porto Seguro, Espírito Santo e São
Vicente». Saíram em uma esquadrilha de duas
caravelas e um bergantim.
Este doutor Pêro Borges escreveu de Porto
Seguro ao governador uma carta em Fevereiro
de 1550. Horrorizado com o que vê na terra,
«bem parecia terra desamparada da vossa
justiça», reclama que se ponham como
ouvidores homens entendidos, já que não os
encontrava na casa do cível. Os tabeliães de
Ilhéus e Porto Seguro, os achara sem cartas
de ofícios, nenhum tinha livros de querelas,
nenhum tinha regimento, alguns serviam sem
juramento, «e porque isto é uma pública
ladroíce e grande malícia, porque cuidavam
que lhe não haviam de tomar nunca conta,
viviam sem lei nem conheciam superior,
procedo contra eles porque me pareceu pecado
no Espírito Santo passar por isto.» É o que
conta Varnhagen no primeiro tomo de sua
História Geral do Brasil... Reclama ainda o
ouvidor: « Há nesta terra muitos homens
casados lá no Reino os quais há muitos dias
que andam cá e não granjeiam muitos deles ou
os mais fazendas, senão estão amancebados
com um par ao menos de gentias, fazem pior
vida que os mesmos gentios, a estes é por
bem por serviço de Nosso Senhor e por na
terra que se agora começa a povoar não haver
tanto género de pecados públicos que os
manda ir para suas mulheres, não sendo deles
degredados ou que mandam eles por elas. V.
A. mande prover». Talvez por informes assim
tão coloridos, o Rei de Portugal mandará
perdoar «todos os crimes cometidos antes da
chegada do governador-geral, não havendo
parte que acuse e residindo o criminoso
algum tempo nas povoações. A amnistia não
abarcava os cinco casos de heresia, sodomia,
traição, moeda falsa e morte de homem
cristão.»
Para instalar a sede do novo governo Tomé de
Sousa fundou a cidade do Salvador, onde fez
edificar a residência do governador, a Casa
da Câmara, a Igreja Matriz, Colégio dos
Jesuítas e, aos poucos, outros edifícios.
Tendo, em 1552, procedido a uma inspeção da
costa , ficou tão maravilhado com o Rio de
Janeiro que escreveu ao rei: "Parece-me que
V.A. deve mandar fazer ali uma povoação
honrada e boa".
Os jesuítas vindos com o governador e o
padre Manuel da Nóbrega (***) haviam
iniciado a catequese, como prova carta
escrita por Nóbrega da Bahia em 9 de Agosto
de 1549. Dentre eles, ficou famoso como
linguista o padre basco João de Azpilcueta
Navarro.
Em retrospetiva, vê-se que Tomé de Sousa
ajudou assim a fundar o primeiro bispado do
Brasil, assistiu à fundação do primeiro
colégio (o da Companhia de Jesus), deu
grande incentivo à agricultura e a pecuária
e organizou expedições que saíam pelas matas
a procura de metais preciosos, as famosas
entradas.
(**) Sobre Garcia d'Ávila, o padre Manuel da
Nóbrega escreveu: "parecendo-me ainda estar
Tomé de Sousa nesta terra". Garcia era um
nome comum na família de Tomé de Sousa, por
sua vez filho de João de Sousa, abade de
Rates, e descendente de Martim Afonso
Chichorro e do rei Afonso III de Portugal.
(***)Padre Manuel da Nóbrega.
Fonte:
Estudou na Universidade de Salamanca e
Universidade de Coimbra, bacharelando-se em
direito canónico e filosofia em 1541.
Recebeu o grau de bacharel em cânones das
mãos do Dr. Martim de Azpilcueta Navarro,
tio do padre João de Azpilcueta Navarro. Foi
ordenado pela Companhia de Jesus (1544),
embarcou na armada de Tomé de Sousa (1549),
de quem foi amigo e conselheiro, como também
o foi de Mem de Sá, a serviço da Coroa, com
a missão de dedicar-se à catequese dos
indígenas na colonização do Brasil, com ele
vieram também os Padres jesuítas Leonardo
Nunes, João Aspilcueta Navarro, António
Pires e os irmãos jesuítas Vicente Rodrigues
e Diogo Jácome. Assim que aportou deu início
ao trabalho de catequese dos indígenas,
desenvolvendo uma intensa campanha contra a
antropofagia existente entre os nativos e ao
mesmo tempo combatendo a sua exploração pelo
homem branco. Participou da fundação das
cidades do Salvador e do Rio de Janeiro e
também na luta contra os Franceses como
conselheiro de Mem de Sá. Seu maior mérito,
além de constantes viagens por toda a costa,
de São Vicente a Pernambuco, foi estimular a
conquista do interior, ultrapassando e
penetrando além da Serra do Mar. Foi o
primeiro a dar o exemplo, ao subir ao
planalto de Piratininga, para fundar a vila
de São Paulo. Juntou-se em 1563 a José de
Anchieta no trabalho de pacificação dos
Tamoios em Iperoig, que retiraram apoio aos
invasores franceses, finalmente derrotados.
Acompanhando a expedição de Estácio de Sá,
encarregado de fundar uma cidade, São
Sebastião do Rio de Janeiro, de cuja
fundação participou, ali construiu um
colégio jesuíta. Foi Nóbrega quem solicitou
ao rei de Portugal, D. João III, a criação
da primeira diocese no Brasil, em
consequência desse pedido, D. Pêro Fernandes
Sardinha, primeiro bispo do Brasil, foi
enviado para Salvador. Em 1558, convenceu o
governador Mem de Sá a baixar "leis de
proteção aos índios", impedindo a sua
escravização. Foi nomeado provincial da
Companhia de Jesus, no Brasil, faltando-lhe
a saúde foi substituído pelo Padre Luís da
Grã.