CARLOS LÚCIO GONTIJO

 

- Nome: Carlos Lúcio Gontijo
 
- Profissão:Jornalista

- Quer falar um pouco da terra onde mora?
Onde eu moro, Santo Antônio do Monte, Centro-Oeste de Minas Gerais, é uma cidade que fica entre montanhas, a quase mil metros acima do nível do mar. O município é tradicional produtor de fogos de artifício. Aqui nasceu o grande poeta Bueno de Rivera; o governador José de Magalhães Pinto; José Guiomar, governador e senador pelo Acre, a educadora Maria Angélica de Castro. Figuras ilustres e iluminadas como o médico Dr. Wilmar de Oliveira e o padre alemão Pedro Paulo Michla, aqui viveram e muitos exemplos edificantes de responsabilidade e compromisso social deixaram. Enfim, como toda pequena cidade do interior mineiro, Santo Antônio do Monte tem a sua grandeza, como canto no poema Sangue Montense:
 

SANGUE MONTENSE

 

 

De Santo Antônio do Monte eu venho
É a terra que retenho no olhar
É o par de olhos do meu passo errante
É diamante incrustado no chão de meus pés
É a terceira visão do meu caminhar distante
Seu solo mirante parece remar pro céu
A quase mil metros acima do nível do mar
Razão de sua gente engenhar fogos de artifício
Um ofício milenar de sagrada tradição
Forma colorida de canção ao Criador
Explosão de amor nos momentos de alegria
E quem duvidar dessa vocação sadia
Basta cortar a veia de um cidadão montense
Para detectar o sangue iluminado
Que, coagulado, pólvora irradia
Como se fosse escravo enclausurado
Condenado pela magia de fazer noite virar dia

 

- Quando começou a escrever? Tinha eu uns 9 anos, quando escrevi meus primeiros poemas. Eu os escondia (ou guardava) debaixo do colchão. Foi minha mãe quem descobriu a façanha.

- Teve a influência de alguém para começar a escrever?  
Talvez eu tenha sido fisgado e tragado pela poesia que minha mãe, Betty Rodrigues Gontijo, portava na ternura de seu olhar, onde podiam ser percebidos as sombras e os alagados do Pantanal Mato-grossense, região em que nasceu, na cidade de Lajeado, que mais tarde recebeu o nome de Guiratinga.  Minha mãe foi, àquela longíngua época, a segunda criança nascida naquele lugarejo. 

- Lembra-se do seu 1º trabalho literário? Não lembro exatamente do meu primeiro trabalho, pois iniciei-me no mundo das letras muito precocemente. Contudo, muita coisa dos primeiros escritos está editada em meus dois primeiros livros: Ventre do Mundo e Leite e Lua.
  
- Projectos Literários para 2012 / 2013?  Pretendo lançar o meu 14º livro (o romance QUANDO A VEZ É DO MAR), em comemoração aos meus 60 anos.

- Tem livro(s) impressos editados há mais de três anos e que não estão em e.book? Sim. Contudo, todos os meus 13 livros estão disponíveis, em livre acesso, no site www.carlosluciogontijo.jor.br
 .
- Conhece o novo projeto do Portal CEN, "SEBO LITERÁRIO"

http://www.caestamosnos.org/sebo/sebo_autores.htm 

com divulgação direta Internacional, sem paralelo na Língua Portuguesa? E totalmente gratuito? Sim, conheço. 
Se está interessado (a) neste projeto contate-me pelo:

e.mail ninita.casa@netcabo.pt

Tenho interesse, ainda mais que os meus livros já estão on-line, em meu site. Porém, no momento estou muito ocupado com o andamento da impressão de meu novo livro.
Ou indique-nos a alguém (escritor (a) que, manifestamente, não tem possibilidades de mandar fazer um livro impresso ou mesmo e.book.
 
- Fale-nos um pouco de si, como pessoa humana? Não suporto falsidade nem ingratidão. Sou completa e amplamente devotado ao meu trabalho literário, à família e aos amigos verdadeiros. Ostento  sentimento social e comprometimento com o bem-estar coletivo, fatores que procuro demonstrar em meus artigos jornalísticos, em meus livros e em minhas ações cotidianas. Acredito, com toda a sinceridade de meu coração, que AMIZADE É JOIA DE ANJO/ ARRANJO DIVINO PARA NOSSA SOBREVIVÊNCIA, como digo no poema "Privacidade".  

- Como Escritor (a)?
Sou um escritor eclético e versátil: escrevo poemas, romances e artigos de opinião jornalística. Entretanto, tudo isso é fruto de muito esforço, numa interminável busca de aperfeiçoamento e aprimoramento.O poeta Bueno de Rivera, ao prefaciar meu segundo livro, colocou-me – com a delicadeza de bom mineiro – a necessidade de eu encontrar uma maneira particular de expressar... Então, fiquei dez anos sem editar livros (de 1977 a 1987) e fazendo da cesta de lixo a minha melhor amiga. E, assim, surgiu a obra CIO DE VENTO, que se tornou o meu alicerce. Pode-se dizer, repetindo o poeta e jornalista Harildo Norberto Ferreira, ao se referir àquele poético "Cio", que a minha literatura e a minha poesia não se querem subjugadas a modismos nem se querem ver desvinculadas do tempo, querem cavalgá-lo, clamam que os homens sejam donos de seu destino.
Enfim, na condição de  autor, preocupo-me com a necessidade de passar alguma mensagem ao leitor, por intermédio da trama entre a poesia, o sonho, o idealismo e a realidade experimentada por todos nós.
Como escritor, sou a extensão exata do que sou como pessoa. Desprovido de qualquer sentimento de vaidade, procuro sempre colocar o dom da arte da palavra a serviço da sensibilização do ser humano, sob a crença de que assim agindo, eu possa contribuir, ainda que minimamente, para a construção de uma sociedade mais afeita à convivência em harmonia e, portanto, menos violenta e mais construtiva. Aliás, se um poema, um romance, um conto ou um artigo de opinião, independentente de estilo e notoriedade de seu autor, não servir para conscientizar, informar, ampliar e iluminar o horizonte de seus possíveis ou casuais leitores, a que se prestará?

- Tem prémios literários? 
Troféu Carlos Drummond de Andrade (recebido em Itabira/MG, em junho de 2010; Mérito Literário Lumens (da Academia de Letras do Brasil-Mariana); Comenda Grande Oriente do Brasil-RJ (concedida pela Academia Maçônica de Artes, Ciências e Letras do Estado do Rio de Janeiro); Troféu Magnum de Cultura (outorgado pelo Colégio Magnum Agostiniano, em comemoração ao centenário de Belo Horizonte); Honra ao Mérito Loja Mestres do Monte ("por prestar relevantes serviços à humanidade, principalmente à comunidade de Santo Antônio do Monte).
Pelo conjunto de meu trabalho literário dou nome à biblioteca comunitária do Bairro Flávio de Oliveira e da Instituto Maria Angélica de Castro–IMAC (em Santo Antônio do Monte).
  
- Tem Home Page própria (não são consideradas outras que simplesmente tenham trabalhos seus)?
O endereço do meu site, com os meus 13 livros na íntegra e alguns artigos jornalísticos é: http://www.carlosluciogontijo.jor.br
 
- Conhece bem o conteúdo (enorme) do Portal CEN - "Cá Estamos Nós"? SIM. Reconheço e louvo a grandeza e o aspecto explicitamente do PORTAL CEN.

 
- Que conselho daria a uma pessoa que começasse agora a escrever ? É fundamental a manutenção da humildade no exercício do dom da arte da palavra escrita, tendo sempre em mente os versos da poetisa Cora Coralina, no poema O Poeta e a Poesia: Poeta, não somente o que escreve./ É aquele que sente a poesia,/ se extasia sensível ao achado/ de uma rima, à autenticidade de um verso.O autêntico sabe que jamais/ chegará ao prêmio Nobel/ O medíocre se acredita sempre perto dele.
 
- Para terminar este trabalho, queira fazer o favor de mandar um pequeno trabalho seu (em prosa ou em verso) 

LENÇOL BRANCO

Carlos Lúcio Gontijo

 
Não mais que de repente, quase na base do era uma vez, começa minha história. Sim, eu, tão preocupado com as anomalias sociais, com o todo à minha volta, também tinha direito a uma história minha, a um momento de individualidade, até de egoísmo, se assim desejarem pensar. 
Solitário, envolvido nas pelejas de minha consciência de mundo, de sentir meu braço como a extensão de milhões de braços, formando o horizonte onde nasce o sol da sensibilidade humana, vi-me como se um abajur fosse: aquela luz fosca, meio dia, meio noite, meio azeda, meio doce, indefinida. Carregando ingredientes da noite e do amanhecer, assim é o meio-termo: maneira tola de evitar viver ou entregar-se intensamente. O medo de se perder, trair-se ou ser traído. 
Ali, naquele campo de minha vida, uma grande frustração: queimadas, poucas árvores, poluição, desigualdades, política que não cuida de homens e religião que não zela de almas. Percebi, então, que a paisagem, mais que refrigério para nossos olhos, serve de alimento para nosso espírito. E faltava-me este alimento... 
Arranquei o lençol da cama, desejei pintar. Também não havia pincel e, para ser fiel à realidade, nem pintor havia. Puxa, nem tinta! Com uma velha tesoura, cortei alguns fios do meu cabelo crespo, de mulato, certamente meu primeiro compromisso com a miscigenação, mistura e igualdade entre as pessoas através do amor. Amarrei aquele enchumaço de cabelo na ponta de um dos dedos, cuidando antes de fazer um corte... 
Então, sobre o lençol branco pus-me a pintar, algo simples, como caberia a qualquer iniciante. Uma montanha, um caminhozinho serpenteante que se perdia em seu próprio vaivém, seduzindo-me com promessas de aventura, alguma luz-nascente que não viria do horizonte geográfico, mas das profundezas de meu interior, que me tiraria o orvalho dos olhos, fruto desta noite que não termina e desta madrugada que não se completa... 
Daí, lá no pé daquela serra, surge aquele delegado metido a Cherlock impávido, vasculhando tudo, e leva minha obra de arte, prima-irmã de minha vida, como prova material de horrendo crime (?). Posa para fotos, muitos risos. Ocorrência lavrada sobre o que não ocorreu, uma festa mesquinha, erva daninha sobre minha paisagem, minha verdade máxima: 
As pessoas são como manchas de amor entranhadas no lençol branco da vida!!!
 
(Texto extraído do livro AROMA DE MÃE - CLG/1993)
 

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2012