Darlan Alberto Tupinambá Araújo Padilha

( DIMYTHRYUS )

 

 

A l ç a r  v e l a s

Dimythryus


Quando o rumo das ondas nos perder
Quando o mar estreito parecer
E estreitar o peito ao coração.

É hora dos ventos consultar
Guiar-nos pela bússola
Encontrar um colo a nos amar.

Quando nos perdermos meio ao mar
E o coração afogado
Pulsar com as tormentas

É hora de alçar as velas
Alumiar o candeeiro
E nadar tempestivo rumo ao horizonte.

Quando o mar azulejar o céu
E o céu ao mar se misturar
O coração será mar, o mar revolto a pulsar.

É chegada à hora de amar com amor
De se apaixonar com paixão
De se entregar por inteiro.

rumar o rumo dantes desrumado
Desestreitar o dantes mar estreito
e só assim encontrarmo-nos novamente.

Dimythryus

A m o r  c r i a n ç a

Dimythryus


Deve-se amar como às crianças, dizia Vieira
Deve-se amar como crianças
Pois somente as crianças amam
Sem conhecer os outros sentidos da palavra amor
Amam sem saber que é amor.

Amai como as crianças
Que sorriem aquilo que ama
Que se atiram nos braços
Que adormecem no colo
Que nos acariciam o rosto enquanto dormem.

Deve-se amar, como já amamos antes
Amar como crianças que um dia fomos
Um amar ingênuo
Um amar criança
Um amar de cores.

Deve-se amar sempre pela primeira vez
Adormecer com afagos
Sorrir com as cócegas
Sonhar com os olhos
E preciso tornarmos-nos crianças.

É preciso timidez
É preciso curiosidade
É preciso traquinagem
Amar com traquinagem
É preciso ser criança.

É preciso adormecer no chão da sala
Deslumbrar com sonhos
Vislumbrar com risos
Colorir as cores
Viajar com os ventos.

Deve-se amar como crianças
Tingir o rosto de guache
Tingir a alma de pureza
Olhar nos olhos
Beijar com eco.

E quando amarmos crianças
E crianças tornarmos
Crianças seremos
Para crianças seguirmos
E crianças acabarmos.

Dimythryus

A estrela Varig

Dimythryus


Quando criança ouvia dizer: “os meteoros são estrelas que brilham, mas depois de um tempo caem”. Eu tinha sete ou oito anos, não me lembro ao certo, meu pai, trabalhava no aeroporto de Congonhas, nas tardes de seu plantão, eu e minha irmã brincávamos no quintal e vez ou outra ouvíamos os ruídos dos aviões a passar e gritávamos felizes “Pai, Pai” acreditávamos que ele estivesse em todos os aviões que passavam, afinal éramos apenas duas crianças... certa tarde com o brilho, nos trouxera um presente, o “variguinho” nos brilhava a face, junto a uma pequena mochila com as cores da Varig... os anos passaram e durante muitos anos vi esta estrela reluzir no céu, voar, nunca tivemos asas para isso, meu pai mais tarde do brilho da estrela se ausentou, foi uma fase difícil para eu e minha irmã e hoje ouço o rumor que a estrela cadente da Varig fará seu último vôo. Os meteoros são mais que simples estrelas a voar, meteoros são estrelas que se eternizam dentro de nós e por mais que se apaguem não apagam sua luz de nossas memórias, Varig, Varig, Varig!

Dimythryus
26/06/2006
05h15m.

Sertanejo

Dimythryus


Não, nenhum de vós me conheceis
Mesmo eu estando por todos os cantos
Muitas vezes vocês cruzam por mim
Outras sou eu quem passa
E passo
Mas a seus olhos me torno invisível.

Adormeço em praças públicas
Em ruas e calçadas tão frias
Quanto os olhos que se tesam
Às vezes me mostro
Peço ajuda ou simplesmente
Deixo que meus olhos o façam.

Não, eu não sou daqui
Eu vim do “Norte”
Quer dizer, Nordeste
Sou filho da terra quente
Da palma amarga
Das fibras do sisal.

Eu vim para cá em busca de uma vida
E acabei deixando a minha pela estrada
E hoje habito o seu olhar descontente
Os seus olhos desviados
Céleres imersos por entre as margens.

Para hoje, tenho meio pacote de sete capas
Amanhã, amanhã, quem sabe
Tenho de estar bem cedo no canteiro de obras
Amanhã seus olhos não ficarão tesos
Estarei ocupado com a nova linha do Metrô.

Eu só queria uma vida
Uma vida assim
Como a sua.

Dimythryus
13/09/2008
15h22m.

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