Damáris Lopes
- Nome:  Damáris Lopes
 
- Profissão: Empresária do Turismo

- Quer falar um pouco da terra onde mora?
Moro em Cotia,  cidade muito próxima a S. Paulo, por isso mesmo separá-las é difícil. Sou paulistana e tenho muito amor a minha cidade. Escolhi morar em Cotia para ter um pouquinho mais de verde e ao mesmo tempo me alimentar do ar de São Paulo.
 
- Quando começou a escrever? 
Desde menina, parei por alguns anos, mas aos 45 renasci quando voltei a encontrar o lápis.
 
- Teve a influência de alguém para começar a escrever?
Sim, meu professor de português do 1. ano do ginásio...ele era fantástico, impossível não gostar de literatura.

- Lembra-se do seu 1º trabalho literário?
Foi uma redação do dia da árvore que me deu um premio como segunda colocada de alguns colégios da rede estadual. Foi marcante .

- Projetos Literários para 2011 / 2012?
Tenho incentivo de um poeta que considero um dos melhores da atualidade, Naldo Velho, a editar um livro...quem sabe...

- Tem livro(s) impressos ou electrónico(s) (e-books) ?
Já participei em alguns coletivamente. Individual não possuo.
 
- Fale-nos um pouco de si, como pessoa humana?
Trabalho no turismo há mais de 20 anos, e amo o que faço. Sempre associo meu trabalho a construção de poesias, pois ajudo as pessoas a viajarem, e a poesia também faz isso, não? Mas esse é só um dos meus lados, meu maior suporte está num casamento de 32 anos que me deu dois filhos, sem dúvida, meus maiores tesouros, Murilo e Nathália.
- Tenho um lado irriquieto, batalhador, e outro sonhador, mas sempre com pé no chão. Um defeito: impaciência. Uma qualidade:  acreditar que todos os dias tenho algo a aprender com alguém.

- Como Escritor (a)?
Sou colunista do Jornal Granja News, há dois anos. Escrevo esporadicamente para outras revistas. Tenho poesias publicadas em alguns sites e participei de algumas antologias.

- Tem prémios literários?
Não, nunca tive preocupação de divulgar trabalhos, escrevo por amor às letras da vida.

- Tem Home Page própria (não são consideradas outras que simplesmente tenham trabalhos seus)?

- Conhece as vantagens que os Autores do CEN têm em ter sua Home Page ou (e)  Livro (s) electrónicos, nos nossos sites?
Não, só tive contato com o CEN, recentemente através da nossa Iara Melo, no Recanto do Escritor.
 
- Que conselho daria a uma pessoa que começasse agora a escrever?
A escrita como nós, amadurece e cresce com nossas experiências, saber ler outros autores, é uma forma de aprendizado, isso não significa copiá-los, mas aprender com eles que o bom escritor é um bom fotógrafo da vida. Da minha parte, procuro ter humildade para tentar crescer como pessoa, pois acho que a boa poesia é  consequência da qualidade do meu "eu". Talvez assim, um dia, nem que seja já bem velhinha,  possa ser uma poeta, de fato.

- Para terminar este trabalho, queira fazer o favor de mandar três trabalhos seus (em prosa ou em verso) ? 
 
1. Amantes    2. Reflexão    3. Sinaleiro da Comunidade

 
Amantes
 
- Damáris Lopes -

 
Sádica, a tarde esconde
dois, entre escombros,
sem eira, sem beira,
onde beiram quatro ombros.
 
Nu descaso - puro acaso
do amor maduro.
Terra molhada, telhado seguro,
resquício de chuva,
é corpo suado,
promessa, travessura.
 
Roçadas, as pernas
invadem as portas
das tortas paredes
que segredam tortura.
Ouvem, restrito,
fonético gemido
em cio animal.
 
Rosto surpreso
outro que é preso
ao prazer do encontro carnal.
 
Sádica, a tarde esconde
dois corpos, num desejo
que  mordem alucinados,
lábios que antes
seriam só beijos.

  

***
 

Reflexão
 
- Damáris Lopes -

 
Indeléveis são os rastros do peito errante
Em arranhões deixados pela farsante lida
Por ignorancia sem tento dos meus atos
Contrita penitencia busco eu pela vida.
 
Precioso momento ora desvendado
Humilde a lágrima requerida pelo erro              
Meu destino agora recriado, goza o fado
Tocado nos campos das flores sem aterro.
 
Sob medida vem meu fardo destinado
Quando aceito as leis do bom preceito
Das dores tenho renascimento farto
E no universo novo, meu verso é eleito.
 
Renascer o homem em esperança
Torna patente o óbvio do caminho
O embarque desta trilha é dança solo
Se morre, tanto quanto, se nasce sozinho.
 
 

 
***

 
SINALEIRO DA COMUNIDADE

-Damáris Lopes -
 

Na bondade que carrega
a turma da minha rua,
existe vermelho sangue
amarelo de amargura.

Na calçada desta rua
sob o velho pé de Ipê,
morte se esconde da lua
testemunha do porquê.

Meio fio, frio córrego,
vira brejo esquecido.
Mal sem base prolifera,
foi o tal do amor, banido.

Nesta fossa à céu aberto,
odor é dado menor.
A janela sem tramela,
licença dada ao bandido.

As portas desta rua
na verdade são cortinas,
tão fracas se vêem nuas,
overdose, adrenalina.

Na maldade que carrega
o outro lado da rua,
existe vermelho sangue,
sinal verde para tortura.

2011

Índice de autores - Ebook