Daniela Cristina da Silva

 

ANATOMIA


Nos olhos, a lua
Na boca, a fruta... crua
No corpo, o desejo... aquele que nasce no arrepio de um beijo.
Ah, o beijo
!Gosto de queijo, cor de pirilampos
Nas mãos, o sol
No umbigo, o vinho... Ah, o vinho!
Entorpecente, cor de violetas felpudas nos campos.
Anatomia nua;
Clara...
Rara...
Nos pés, o orvalho
No pensamento vai e volta o cenário... aquele de um coração irrigado com amor...
Ah, o amor
!Saboroso, cor de chocolate
Anatomia de serpente em forma de relicário!

Daniela Cristina da Silva

 

CONTRADIÇÕES


Escrever nem sempre é fácil ...
é algo que exala, comprime, assusta - mas acalenta e traz sensações de extrema paz!
Uma complexidade de sentimentos, ora causa choro, ora provoca euforia,
adrenalina,
taquicardia,
emoções trêmulas e firmes de um coração que não tem nada,
mas encontra nesse vazio do seu "nada", TUDO...
E "tudo" nasce com força;
pulso,
motivos;
gritos;
Nasce vida, sorrisos e aconchego!

Daniela Cristina da Silva

 

METAMORFOSE


Coração grita, desabita uma terra de ninguém...
Coração explode, sangra...
Alguém socorre essa metamorfose?
Ora lagarta, ora borboleta... Líbelula, talvez [!]
Coração menstrua, amadurece, recua...
Recua diante do medo do desconhecido,
daquilo que não se sente ser merecido
e diante do amor, sê dá por vencido;
Permanece muito tempo adormecido [ no casulo ], e,
quando tudo parece perdido... coração sonha!
Sonha colorido, refrescante, enlouquecido ...
Coração grita,
desperta,
se alegra,
E a lagarta antes feia , borboleta bruxa e líbelula mandingueira,
transformam-se em paz... aquela paz faceira, tudo renova.
Metamorfoseia [...]

Daniela Cristina da Silva

 

DEFINIÇÕES


Não!
Não mesmo... não aceito definição.
Femêa,
Mulher,
Menina... urgente em evolução,
Contradição...
Cio...
Paixão [!]
Anjo em rebeldia, insana docilidade, suave e amarga.
Traços marcantes, sulcos no rosto,
Cicatrizes na pele... uma tatuagem no pescoço.
Ser que nasce e morre a cada instante
nasce por sentir o frescor do sol, o acalento da lua...
vislumbra um filme no brilho das estrelas;
nasce porque consegue decifrar desenho em nuvem
e percebe o quanto é clássico o ballet do desabrochar das flores...
Perfume,
Borboletas,
Colibris e violetas.
[Morre]
murcha,
chora,
sofre...
Morre pela escuridão, por ser muda a canção,
Murcha por não sentir latejar o latido de seu cão...
Chora por motivos que a [razão] não compreende,
Sofre por desejar o amor que está distante, desaparecido, sumido!
Para nada existe definição.
Julgamento lento,
Vida às pressas,
Versos curvilínios que circundam o coração do poeta .

Daniela Cristina da Silva

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