Fernando António de Almeida Morais,  profissão;  actualmente reformado.

Nasci em Vila Nova de Gaia que era uma Vila da cidade do Porto.

Comecei a escrever aos 14 anos, uns insípidos poemas muito modernistas, que faziam sucesso entre os rapazes da minha idade. Depois fiz sonetos para os colegas que começavam a namorar...  eles diziam o nome da namorada ou pretendida  eu fazia o soneto que, em geral, era bem recebido pelas raparigas e houve até casamentos a partir daí; mais pelo esforço e capacidade dos rapazes que pelo poema, que despoletava uma outra dimensão ao namoro...

O meu primeiro Livro foi escrito aos 28 anos e chamou-se  A  CIDADE ADVERSA, mas, por causa de uma gralha na capa, abandonei-o.
 
Um ano depois, um militante do Partido Comunista, soube que o livro estava abandonado e insistiu em oferecê-lo na totalidade ao Partido para ser vendido entre os seus camaradas e assim a venda resultaria no apoio aos presos políticos (para comprar cigarros que entravam nas prisões) e os ajudavam a matar o tempo de reclusão ... O livro esgotou pois foi vendido  ainda mais barato do que o seu custo.

São neste momento  24 os livros publicados, uns com edição de autor, outros em Editoras que se interessaram pela obra.
 
Destes,  20, são livros de poesia, e 4 de prosa. Colaborei ao longo dos anos em Suplementos literários de Jornais e em Revistas Literárias das quais a maior foi a PEREGRINAÇÃO onde cheguei a vice-Director, A PALAVRA EM MUTAÇÃO, (premiada no Brasil), a SOL XXI,  a  SAUDADE, a  IBIS, a  LATITUDE, A COMUNA,  a PÉ DE CABRA; a REVISTA PORTUGAL, etc. e ainda Jornal de Noticias, O Primeiro de Janeiro, República, critica de Cinema nos vários Cine-Clubes do Porto e de Lisboa.

Dirigi a Página de POESIA do Jornal ARRIFANA, durante anos e o Jornal Lavra, além do Jornal O PROGRESSO DA FOZ, O VENTRE, Jornal de Almada, Jornal de OVAR, e a REVISTA da ASS. Escritores de GAIA onde fui vice Presidente.

Como pessoa sou um lutador nato. Um inconformado perante todas as ditaduras e regimes autoritários.
Estive preso na PIDE apenas por suspeito, durante 6 meses e um dia, fui refugiado político em PARIS, reconhecido pela ONU, e participei de noite e de dia nas manifestações do  MAIO de 68 em PARIS.

Aos 17 anos de idade fiz o Curso de PINTURA CERÂMICA, diploma com 17 valores, e frequentei a UNIVERSIDADE PARIS VIII na cidade de Saint Denis e na Alliance Française.
 
 
AOS  SETE  ANOS
Fernando Morais
 
E era tão bom,  tão bom, dormir naquele tempo
o corpo repousava de forma diferente de hoje
inclinado a três quartos num equilíbrio sóbrio
e os ossos estavam na sua simbiose natural
 
Como era bom deixar-se adormecer, longe
das mundanas quizílias, dos problemas supostos
e reais. A mente reproduzia a simplicidade do
mundo e o seu desabrochar calmo, sereno.
 
A felicidade estava nos seres e não lá fora na
enganosa resposta e na pergunta perversa
parecia que o Mundo era a continuidade do amor
a florescer minuto a minuto em direcção a nós
 
As palavras passavam por si da boca aos ouvidos
tão simples e perfeito era o discurso leal
e as dúvidas desfaziam-se suaves e ligeiras
na sinfonia das horas , sem medo, sem entraves
 
E era tão boa aquela vida assim dos sete anos
que me recordo de se abraçarem pessoas apenas
por sentirem a vontade e a sinfonia das plantas
cantava hossanas nos nossos corações
 
Só me faltava acordar agora … ! … !
 

 

 

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